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Sexta

Diálogo

Sexta-Feira, a vice-presidente da Comissão Europeia e Comissária para a Justiça Viviane Reading estará em Coimbra, pelas 9:30 na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra para falar abertamente com os cidadãos sobre os principais temas que marcam a agenda europeia actual. É necessária a inscrição para assistir ao vivo ao evento aqui. Eu vou estar na sala dos capelos e se puder, vou tentar blogar o evento em directo.

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inenarrável

Não sei sinceramente como comentar o plano do Secretário de Estado do Ensino Superior João Queiró para os estabelecimentos de ensino politécnico.

Num momento crítico em que a crise nos manda ser empreendedores, num momento crítico em que a crise empurra a necessidade de não investir no ensino superior público, num momento crítico do próprio ensino superior em que o MEC não só cortou nos financiamentos que vem de dotação orçamental às universidades, deixando-as a viver no limiar da pobreza (considere-se que maior parte das universidades portuguesas ficaram com orçamentos que não dão sequer para fazer face às suas despesas estruturais como foi o caso da UC), num momento crítico do ensino superior em que milhares de alunos voltam a casa e desistem de estudar por falta de condições económicas e por falta de uma rede de acção social escolar que possa abranger de forma digna todos aqueles que dela necessitam, num momento crítico em que a A3Es, agência estatal que tem o poder de acreditação dos cursos existentes no ensino superior, está em cima de vários cursos para os desacreditar e encerrar (para no fundo poupar mais uns milhões ao estado em financiamento) vem um secretário de estado com um plano que visa aumentar o número de especializações técnicas nos estabelecimentos de ensino politécnico.

Se as Licenciaturas, de acordo com a Declaração de Bolonha, elevaram de condição aquilo que anteriormente se designava de bacharelato, e se todos aqueles que se licenciaram num antigo bacharelato, chegam a outros países e são considerados como “bacharéis” e não licenciados, o plano de João Queiró visa banalizar ainda mais as licenciaturas e canalizar milhares e milhares de estudantes do ensino secundário para um mísero Curso de Especialização Tecnológico, dado às três pancadas, com a regalia de depois do CET o aluno poder, às três pancadas, concluir uma licenciatura. Não sei como é que o MEC pretende fazer evoluir esta proposta, mas uma coisa tenho certa: o MCTES quer efectivamente poupar mais uns milhões com financiamento no futuro e formar jovens às três pancadas para o mercado de trabalho a partir de cursos sem qualquer grau de rigor ou competência. É quase como dizer a milhares de jovens deste país: és demasiado caro para que o estado financie os teus estudos durante 3,4 ou 5 anos, por isso, financiamos-te dois e chegas ao mercado de trabalho como se fosses realmente especializado.

O pior nesta medida, considerando a nomenklatura da criação do ensino superior em portugal é desconhecer por completo o que de mal existe neste. As camadas burocráticas neste país são de ordem tal que cada sede de distrito tem que ter (contem as sedes de distrito que não tem) uma universidade e um politécnico, sendo que na maior parte dos exemplos, universidade e politécnico tocam-se na oferta formativa. Se a Universidade tem Economia e Gestão, o Instituto Politécnico tem Gestão, Gestão de Empresas, Solicitadoria e Administração, Administração ou o que seja. Se a Universidade tem Engenharia Civil, o politécnico também. A excessiva oferta de formação na mesma área e na mesma região, a excessiva oferta formativa em diversas áreas irá obviamente reproduzir-se em mercados de trabalho excessivamente saturados de profissionais (uns mais bem qualificados que outros) e irá traduzir-se em desemprego.

Visto o exemplo de Coimbra, não percebo porque é que a UC e o ISEC apresentam os mesmos cursos se tudo poderia ser unificado. Não percebo porque é que existem 3 escolas de enfermagem. Não consigo perceber porque é que a UC apresenta um Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas e o Politécnico apresenta licenciaturas em Análises Clínicas, não percebo porque é a FEUC tem um curso de Gestão se o ISCAC (agora Business School; outra mentira que o IPC vende) apresenta uma quantidade de licenciaturas secundárias derivadas da Gestão. Este meu argumento não vai de encontro ao encerramento dos cursos no politécnico, vai só de encontro a uma tentativa de unificação da oferta formativa nos estabelecimentos de ensino superior e uma tentativa de chamar os bois pelos is. Se um estudante de Gestão na FEUC, por exemplo, tem uma formação abrangente na área porque é que terá que concorrer a um lugar no mundo do trabalho com alguém que sai de uma licenciatura em Contabilidade no ISCAC? Porque é que o MEC em vez de racionalizar toda a oferta que tem ainda vai dissidi-la mais? Foi esse tipo de perguntas que fiz a mim mesmo quando soube da nova proposta do Ministério. A resposta a essas perguntas é uma, única e concisa: a ideia é no futuro canalizar alunos para cursos de especialização técnica e poupar ainda mais nos financiamentos às Universidades. Provavelmente, a ideia é deixá-las morrer, lentamente, numa asfixia financeira brutal.

nota posterior: afinal o MCTES já não é MCTES, mas sim MEC. paneleirices lá de lisboa.

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vamos aprender com quem sabe

O director-geral da Benetton Alessandro Taci vem à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra na próxima quinta-feira dia 13, pelas 14h (sala 11 no 6º piso) dar uma palestra intitulada: “«United Colors of Benetton: cultura italiana, cultura globale”. O intuito desta palestra é destacar a importância do domínio da língua italiana e o processo de internacionalização da Benetton em Portugal.

Organização do Departamento de Línguas, Literaturas e Cultura, mais específicamente dos Estudos Italianos em estreita colaboração com o Núcleo de Estudantes de Letras da Associação Académica de Coimbra.

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assim nem dá gosto para ver

a fantástica equipa do Ricardo Morgado vai bater em mortos. isto é, se bater for o termo correcto. as outras listas não gostam de bater ou debater, gostam de invadir. não sou contra as invasões. penso que a situação grave que o nosso país atravessa já merecia uma invasão popular na Assembleia da República. no entanto sou contra aqueles que invadem e grafitam monumentos históricos que só assim por sinal estão catalogados para um prémio da humanidade que pode (já que os estudantes e a sua associação não fazem por isso) devolver um certo orgulho à Universidade. João Gabriel Silva já lhes disse: “querem falar comigo? eu estou aqui!” – mal habituados os meninos. o outro, de nome Fernando Jorge, de apelido Rama Seabra Santos, antigo tocador da Brigada Victor Jara (que ironia deliciosa!) nem sequer abria a porta para dialogar.

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1 euro para a Nilce

Uma academia de valores só se poderá ver neste tipo de situações. Existem colegas nossos a abandonar o ensino superior dia após dia por falta de recursos financeiros. Uma delas é a Nilce, uma rapariga que fez das tripas coração para poder pagar os seus estudos, coisa que neste momento não está a conseguir fazer. 

Está na hora de provarmos que neste mundo selvagem onde cada um tenta resolver os seus problemas ignorando os problemas graves de que os outros padecem, conseguimos ser homenzinhos e evitar que mais uma colega nossa fique sem futuro por falta de condições económicas.

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greve geral e afins

A leitura do ponto actual do país está difícil.

Dada a dificuldade da leitura decidi meditar um pouco sobre os incidentes de ontem na escadaria da Assembleia da República.

Sociologicamente tenho como certo o velho ditado que diz que em “casa onde não há pão toda a gente ralha sem razão” – esse foi o mote do que se passou ontem, e bem, para bem da própria democracia portuguesa. Se bem que considerar democracia ao actual regime imposto no país pode-se caracterizar como um conceito muito perigoso. Deveras perigoso.

A realidade do país, como tenho escrito neste blog desde Junho de 2010 até hoje, está muito difícil e pode resvalar por caminhos perigosos. Se há alguns meses atrás reclamavamos que o povo português assistia com modos pacíficos (tendo em conta aquilo que assistimos na Grécia, em Itália e em Espanha) a um corte generalizado do estado na sua despesa (cortes esses que irão tirar eficiência e qualidade a alguns serviços e bens providos pelo Estado) temo, repito, temo, que com os cortes alargados ao rendimento dos cidadãos por via do aumento da carga fiscal façam com que assistamos num futuro muito próximo ao aumento da escalada da violência. Tenho como certo também que este governo matou o dito Estado Social. Sim, porque caracterizar o modelo português como Estado Social é outra ideia que só existe na cabeça dos governantes e políticos portugueses. A esses, aconselho-os a estudar os modelos nórdicos, esses si Estados Sociais.

A realidade do nosso país é uma realidade marcada pela miséria e pela pobreza. Os dados económicos assim o mostram: mais de 850 mil desempregados, sendo que a taxa de desemprego não para de subir, fruto da falta de investimento em vários sectores produtivos (por falta de liquidez, falta de liquidez essa que é provocada pela falta de concessão de ajuda ao investimento por parte do Estado e de uma banca que ainda está a contas com a rectificação dos seus rácios de capital) e da previsão em baixa da produção de certos sectores produtivos, em virtude da diminuição do nosso consumo interno. Estagnação no consumo interno que também se reflecte na óptica das receitas do Estado. Receitas do Estado que se reflectem obviamente, por via orçamental, na diminuição de verbas consignadas ao provimento de bens e serviços essenciais dos quais esmagadora maioria do povo português dependia. De forma excessivamente clientelista, diga-se a abono da verdade. Se o que ontem era provido pelo Estado de forma tendencialmente gratuita, assistimos a uma evolução onde a casa de partida não será o pagamento dos cidadãos ao estado pelo valor real dos serviços providos mas sim a própria privatização do poder provedor desses mesmos bens e serviços. A mercadorização total em Portugal quando noutros países onde a mercadorização é intensa (nos modelos de estado liberal do Reino Unido e Estados Unidos; exemplo mais crasso é o próprio Obamacare) se está a assistir a uma tendência desmercadorização. Os Estados estão a desmercadorizar-se, ou seja, a tirar o papel de protagonista principal aos mercados e a corrigir por via do provimento estatal os desiquílibrios sociais que advém da desregulação desses mesmos mercados. No caso do Obamacare, e da constituição de um sistema de saúde que possa englobar em si 25% dos cidadãos Norte-Americanos que não tem acesso aos mais básicos cuidados de saúde pelo facto de não terem rendimentos que lhes dêem o acesso a um seguro de saúde privado, tal medida só poderá resultar, caso seja alargada numa evolução generalista (a criação de um sistema nacional de saúde no país sob o domínio estatal, dando-se obviamente a liberdade ao cidadão de optar entre o público e o privado) no aumento de rendimento disponível dos cidadãos por exemplo para consumo. E aqui Obama joga de forma inteligente pois sabe que o único factor que poderá gerar uma onda expansiva na economia norte-americana, também ela afectada por uma alta taxa de desemprego, é um novo crescimento do mercado interno por via do consumo.

Em Portugal assiste-se ao contrário. Com o aumento dos impostos assistimos a uma tendência exagerada para embarcar numa nova onda de privatizações. A própria política instaurada pelo Ministro da Saúde Paulo Macedo visa privatizar o que é público. Para dar mais vencimentos aos amigos que outrora o empregavam. Já todos sabíamos disto. No Ensino Superior, os cortes feitos não chegam para as Universidades fazerem face às suas despesas estruturais. Como tal, existem Universidades a ultrapassar por completo o limite do que é suportável. Daqui a uns meses poderemos assistir ao fecho de par em par de várias instituições entre as quais a UC. Diz-se por aí que é em tempos de crise que surgem as melhores ideias. As melhores ideias empreendedoristas por norma saem de nichos de formação de profissionais altamente qualificados. Os profissionais altamente qualificados estão a sair do país a olhos vistos por via do elevado desemprego. E a formação de profissionais altamente qualificados que se podem tornar novos empreendedores está a ser completamente estrangulada. E o desemprego não só não cria novo empreendorismo (quem é que consegue ser empreendedor sem boas linhas de financiamento? quem é que está para arriscar quando o mercado interno está em queda? quem é que tem condições para investir tudo o que tem vivendo no risco do infortúnio no dia seguinte?). Tudo me leva a crer que a estratégia deste governo está a ser uma estratégia que visa estrangular por completo as soluções que o país necessita.

Jovens desesperam por emprego. O país está a envelhecer. A segurança social está falida e sobrecarregada de apoios sociais por via do aumento de beneficiários que não tem emprego. Jovens estão a emigrar. Jovens não estão a contribuir para que a segurança social se possa manter sustentável e possa ter capitais para pagar as reformas no futuro daqueles que contribuem hoje. Os fundos de pensões que o estado precaveu em bom tempo para pagar essas mesmas reformas estão a desvalorizar em virtude da própria recessão nos mercados. Só neste ano 2012, os investimentos feito pela Segurança Social nesses mesmos fundos viram as carteiras de investimento desvalorizar cerca de 1500 milhões de euros. Que futuro terão os nossos pais?

São esses pais, esses contribuíntes que desesperam com a situação. As contas caem em casa com enorme velocidade e voracidade. O endividamento das famílias é maior e abrange mais famílias. Levam todo o rendimento disponível. São centenas os casos de famílias que estão a ficar sem tecto para morar. São milhares os casos de famílias que já não conseguem fazer mais que uma refeição diária. São milhares os pais que já não conseguem suportar os gastos dos seus filhos no ensino Superior. Já são centenas os casos de atrasos de pagamento das refeições por parte de encarregados de educação em crianças do ensino básico e do ensino pré-escolar. Já são centenas os casos onde essas próprias crianças apenas tem uma refeição diária, servida exclusivamente na escola. São milhares aqueles a quem o futuro é negado por falta de condições económicas que lhes permitam continuar a estudar. Que futuro teremos?

O pior neste país é que toda esta austeridade é feita numa clara violação a princípios Constitucionais e tem a ajuda de um Presidente da República que está manifestamente doente e como tal incapaz de por cobro a toda esta situação.

A Europa, liderada pela senhora Merkel, num tabuleiro onde a chanceler alemã põe e dispõe, actuando sob uma lógica muito própria e viciada na austeridade é seguida pelo governo português de forma fiel. Empobrecer o país não é solução. Não seremos mais competitivos com desfelexibilização das leis laborais. Não seremos mais competitivos com desvalorização salarial. Não seremos tão competitivos como países com o México ou como a Turquia porque jamais nos poderemos comparar a países da sua dimensão e jamais poderemos comparar as nossas estruturas laborais às suas estruturas laborais. Não podemos jogar o jogo das potências emergentes. Jamais. É errado pensar que a desvalorização salarial dos nossos trabalhadores poderá trazer competitividade aos nossos produtos nos mercados internacionais. Porque a jogar esse mesmo jogo arrastaremos todo o Portugal para uma época de miséria profunda. Se o trabalhador que aufere o salário mínimo já não apresenta condições para subsistir, imaginem que esse mesmo trabalhador num futuro próximo terá 400 euros de salário. Caos. Teremos sim que modificar as nossas estruturas de forma a existir fomento. Daí que a ideia de criar um banco de fomento, exclusivamente criado para fomentar a actividade económica é uma das soluções que já deveria ter sido feita aquando da assinatura do memorando de entendimento. Gerar dívida é fácil. Cortar despesa é fácil. Mas há que atentar a um pormenor: quem e como se irá pagar essa dívida? A resposta é simples: criando riqueza. Será ao desinvestir que se cria riqueza que possa pagar essa mesma dívida e fazer o país crescer novamente? A resposta é simples: não. Será pelo crescimento do mercado interno que poderemos ter a capacidade de fazer face ao desemprego e alinhar uma política económica expansiva que nos permita activar um ciclo económico positivo que recupere o consumo interno, que nos devolva um mercado interno forte e que possa incentivar à produção para consumir internamente e posteriormente exportar? Sim.

Para finalizar. O mote principal. A democracia. É esta a democracia que precisamos para Portugal? A democracia que não sai do gabinete em São Bento para oscultar as dificuldades de um povo? A democracia que escuta as directivas de uma instituição fracassada como é de facto o Fundo Monetário Internacional? A democracia que serve fielmente as imposições estrangeiras em Portugal? A democracia que ontem bateu indiscriminadamente em manifestantes e grevistas numa clara violação a princípios constitucionais? A democracia que bateu indiscriminadamente em idosos e crianças? A democracia que no mesmo dia anunciou por via do seu Ministro da Administração Interna um extraordinário aumento na remuneração das forças policiais de 10% quando assistimos a cortes cegos noutros sectores bem mais essenciais como a saúde ou a educação? Enganem-se os polícias, enganem-se os governantes. Enganem-se os polícias pois estão a ser comprados para defender quem arrasta para a pobreza todo um país. Enganem-se os governantes. Não são aumentos remuneratórios que compram a consciência das forças policiais. A continuar assim, duvido que um único polícia neste país defenda um governo que castiga de forma dura e ímpia o seu povo. Um povo que não consegue satisfazer as suas necessidades básicas é um povo revoltado. E eu cada vez mais acredito que este país irá acabar muito mal.

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Chega!

da declaração pública lida ontem pelos reitores de todas as universidades do país,

no caso particular da Universidade de Coimbra, confesso que em muitos anos não tinha assistido a um tamanho poder de mobilização. se bem que o gabinete de comunicação e imagem da reitoria voltou a falhar ao apenas enviar tolerância de ponto para todo o universo da UC na hora prevista para a leitura da declaração no dia anterior à mesma, facto que poderia ter arrastado ainda mais gente para o Teatro Académico Gil Vicente. se o referido gabinete tivesse enviado o email com maior antecedência, em vez de 2 ou 3 mil pessoas estou seguro que Coimbra caíria lá toda.

o Magnífico Reitor João Gabriel Silva, o meu reitor (explico o porquê aqui) voltou a soar o botão de alarme no que diz respeito à sobrevivência da instituição Universidade de Coimbra. não preciso de esmiuçar muito o seu recurso. João Gabriel Silva voltou a mencionar o básico: com uma menor dotação orçamental para a instituição, a UC está abaixo do limiar de sobrevivência e não tem recursos para fazer face às despesas estruturais, as despesas mais básicas como água, electricidade, gás. nem falo sequer das despesas orçamentais, pois está mais que visto que a situação irá fazer com que a UC possa efectivamente ter a necessidade de fechar portas entre Julho e Setembro do próximo ano para cortar na despesa, despedir funcionários ou reduzir-lhe os seus horários, despedir professores, encerrar ou encurtar a prestação de alguns serviços e fazer ainda mais cortes na acção social indirecta. isso irá traduzir-se obviamente, para muita pena do nosso reitor, na diminuição da qualidade de ensino, na diminuição das verbas consignadas a investigação, na diminuição da qualidade da acção social e sobretudo, em mais desemprego e mais abandonos no ensino superior. esta declaração não se tratou de um aviso. João Gabriel Silva já vem alertando desde há muitos meses para esta situação. trata-se da realidade: ou o governo volta atrás na sua decisão ou então a UC tem os dias contados.

ao discurso do reitor seguiu-se o discurso de Ricardo Morgado. um discurso em loop. mal preparado, mal lido e revelador da estratégia que paira neste momento em relação ao problema no nº1 da Padre António Vieira que é ABSOLUTAMENTE NENHUMA. (malta, se quiserem uma ajudinha…)

o próprio Ricardo Morgado, foi o maior derrotado da manhã de ontem. a mobilização do reitor com um simples mail no dia anterior derrotou qualquer mobilização que a AAC possa fazer. perdão, a mobilização é fácil. mas só se põe em marcha quando se interessa, ou seja, em dia de eleições.

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Do Magnífico Reitor

“Aos membros da comunidade da Universidade de Coimbra,

Venho convidar todos os professores, investigadores, trabalhadores não docentes e não investigadores, estudantes e demais membros da comunidade da Universidade de Coimbra, a estarem presentes no Teatro Académico Gil Vicente, amanhã, sexta-feira 9 de Novembro, a partir das 11:30, para serem informados da proposta de orçamento para 2013 que está neste momemnto em discussão na Assembleia da República. Esta põe em causa a continuidade da universidade pública portuguesa, e portanto também da Universidade de Coimbra.

Para permitir a presença de todos determino a não realização de aulas e a suspensão de todos os serviços não essenciais, a partir das 11 horas. A atividade da Universidade retomará o seu curso normal a partir das 13 horas. Cabe aos responsáveis de cada setor determinar quais os serviços e atividades que terão de se manter a funcionar neste período.

A comunicação social também está a ser convidada para esta sessão.

Às 12:00 será lida, em simultâneo com todas as outras universidades públicas portuguesas, uma declaração dos reitores sobre esta matéria. É uma ação inédita, que pretende marcar a unidade das universidades e a gravidade da situação.

Será também apresentada a situação particular da Universidade de Coimbra, intervindo ainda o presidente da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra.

Quero realçar a importância da presença de todos nesta reunião, dando um forte sinal ao país de que a atual proposta de orçamento tem de ser alterada.

João Gabriel Silva
Reitor”

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já sabia para o que vinha e para onde vinha

Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Coimbra do jurista alemão Robert Alexy.

É, mas pode deixar de o ser. Se o Doutor soubesse os cortes na dotação orçamental da Universidade que o governo está a levar a cabo…

Influenciava. Agora os seus estudantes influenciam as previsões astrológicas da noite com recurso a néctar do deus Baco.

Stop. Com uma teoria legal não positivista na casa do positivismo jurídico, este honoris causa de facto nunca existiu. É tudo fruto da minha imaginação. Ou então deve ser obra protocolada entre a graça da divina providência e o espírito santo.

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relembrar a elitização do ensino superior

8 anos passados desde o fatídico 20 de Outubro, o dia em que Seabra Santos aumentou as propinas de 410 para 880 euros.

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ontem

fui a um simpósio na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, inserido nas comemorações do Dia do Farmacêutico, com o epíteto de “A ética e o farmacêutico”

Ironia das ironias, e como às vezes são os pequenos pormenores que dão delícia à vida, ouvi o secretário de estado da saúde, o Dr. Manuel Teixeira a dizer frases como:

“o SNS está em crise porque houve um consumo excessivo. o país tinha níveis de consumo alto”

“as medidas que tomamos não foram medidas avulsas, foram medidas estruturadas e naturalmente pensadas”

“não está tudo feito”

“impusemos desequilíbrios mas vamos corrigi-los”

“a despesa hospitalar está a decrescer”

“aumentámos o rendimento médio das farmácias que tinham níveis de rendimento mais baixos”

dito isto:

se não foram medidas avulsas e foram naturalmente pensadas, quais são essas medidas e qual é o caminho que se quer trilhar para a saúde em Portugal? se não está tudo feito, o que é que falta fazer? Se existem desequilíbrios porque é que as medidas que se estão a trilhar no sector tendem para mais desequilíbrios, principalmente para o bolso dos cidadãos, principalmente para o bolso daqueles que tributam para haver um sector público de qualidade? Se se aumentou o rendimento médio das farmácias que tinham níveis de rendimento mais baixos, porque é que o sector se está a manifestar e porque é que existem, segundo os novos dados, 600 farmácias neste país em risco de insolvência?

Ditas estas frases tirei algumas notas pessoais:

1. As justificações são sempre as mesmas. Herdámos as dívidas dos anteriores governos e a crise pela qual o país passa. Para vincar o argumento, o secretário de estado atira o valor total de dívidas do Serviço Nacional de Saúde, para que o número macroeconomico sirva de lavagem cerebral às políticas de privatização do mesmo que estão a ser levadas a cabo pelo Ministério.

2. A necessidade de reformas estruturais por parte do secretário de estado não é errónea. A saúde em Portugal precisa de reformas que consigam tocar no ponto essencial da questão: promover uma saúde de qualidade gratuita ou tendencialmente gratuita e eficiente com os meios que o estado dispõe. A questão é que o senhor secretário de estado talvez deve desconhecer que um plano de reformas estruturais para o sector demorará uns 7 anos até atingir um grau aceitável de eficiência. Mais uma vez, vigora no meu pensamento a ideia de que já vamos tarde para a aplicação de certas reformas.

3. A hipótese de competição das farmácias num mercado de concorrência perfeita é uma ideia muito bonita mas levará a que algumas tenham que ficar para trás, até porque se verificar um acentuado decréscimo na compra de medicamentos. Se existe insolvência, gera-se mais desemprego e mais dívida, dívida essa que naturalmente provém de farmácias que não conseguiram em tempo pagar aos seus fornecedores. Se não conseguem pagar aos seus fornecedores, é naturalíssimo que os seus fornecedores tenham que despedir.

4. Se a despesa hospitalar está a decrescer. Se a qualidade dos serviços também está a decrescer. Se se opta por uma racionalização dos mesmos, é a morte declarada do Estado Social e a vitória da tecnocracia.

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Gala da apresentação dos Prémios Farmacêuticos na FFUC

No próximo dia 1 de Outubro vai-se realizar na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra a Gala de Apresentação dos Prémios Farmacêuticos, actividade que está a ser desenvolvida pelo Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra em parceria com as Faculdades de Farmácia das Universidades de Coimbra, Porto e Lisboa.

Esta gala está a ser criada a partir de um projecto muito interessante e inovador na área, visando sobretudo a promoção e premiação dos melhores trabalhos ao nível da investigação em Ciências Farmacêuticas, numa ambiciosa tentativa de colmatar o pouco investimento público que se tem realizado na área e incentivando por outro lado a que se melhore a quantidade e qualidade da mesma.

O Público-Alvo desta gala são os estudantes das faculdades supra-citadas, investigadores, empresas ligadas ao ramo farmacêutico e todos os que vivam intensamente o mundo da investigação.

Noutro prisma, este evento também será uma excelente amostra para concretizar o objectivo de divulgação e premiação dos melhores artigos ciêntificos e projectos de investigação que se tem feito a nível nacional nesta área como forma de reconhecimento e incentivo futuro.

Assim sendo, passo a anunciar as categorias que estão a concurso:

1. Melhor Projecto de Investigação tem como objectivo laurear uma equipa de investigadores afecta às  faculdades de farmácia do país nas 3 áreas de saber farmacêutico.

2. Melhor Projecto de Investigação de alunos – destina-se apenas a alunos pré-graduados, visando reconhecer o seu trabalho e abrir possibilidades para a concretização do projecto através da atribuição de um valor monetário ao vencedor.

3. Melhor alunoprémio de mérito destinado aos melhores alunos das faculdade de farmácia do país dos cursos de 1º ciclo e Mestrado Integrado.

4. Melhor artigo científicoprémio destinado aos autores do artigo científico mais excitante e inovador do ano, tendo como benefício a sua publicação numa revista especializada na área das ciências da saúde.

5. Melhor actividade dos Núcleos e Associações de Estudantes de Farmácia.

6. Melhor actividade de Intervenção CívicaPrémio destinado ao melhor evento de cariz solidário feito por alunos de Ciências Farmacêuticas

7. Prémio de reconhecimento externoprémio que visa destacar o mais multifacetado aluno de Ciências Farmacêuticas. Este prémio tentará avaliar aquele que teve melhor rendimento ao nível de actividades extra-curriculares. (associativas, políticas, culturais e desportivas)

Para finalizar, é de louvar o imenso esforço dos membros que estão por detrás da organização deste evento para elevar bem alto o nome e o trabalho que tem sido desenvolvido na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. É de relembrar que esta Faculdade tem primado por um ensino de excelência.

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sobre os 125 anos da AAC

A Briosa está a morrer lentamente. Do trigo dourado que outrora foi vanguarda na luta por um Portugal mais evoluído, o 125º aniversário da AAC traz-me o axiológico pressentimento que não tardará muito até que só possamos colher o seu restolho.

A Associação Académica de Coimbra faz 125 anos a 3 de Novembro de 2012. Ao contrário daquele que tem sido o seu recente percurso, a instituição poderá orgulhar-se desta data olhando pela vitrine da história o seu percurso do passado. Costuma-se dizer que nem sempre de passado vive o homem e nem sempre de passado se vai construíndo a base que a sociedade necessita para encarar positivamente o futuro. Jamais puderei adequar esta máxima do senso comum à vida recente desta instituição. A sociedade é ela própria um conceito dinâmico, assente num determinado contexto histórico-social-cultural, contexto esse que é pautado por valores éticos e morais que estão susceptíveis ao desuso imediato, ou à troca por outros na regulação das relações humanas em virtude da inserção de novos valores vindos do pensamento multidiversificado e quasi caótico do homem. A instituição, como muleta de suporte da actividade humana (considere-se cultura tudo aquilo que é feito pelo homem) e como agremiação onde o homem deposita (na praxis) todo o conhecimento e skills que vai adquirindo ao longo da vida, para perecer no tempo, necessita também ela de refrescar valores que são partilhados e considerados vigentes por todos os seus membros e misturá-los com novos conhecimentos, valores e aptidões que vão emergindo no pensamento e na técnica destes.

125 anos é muito tempo. Tempo suficiente para caracterizar um sonho que nasceu pela vontade e pelo brio dos estudantes da Academia em terem uma instituição que se considerasse sua (estudantes cujo expoente máximo foi António Luiz Gomes, primeiro presidente da AAC), que perdurou no Estado Novo na vanguarda da luta intransigente por um país pautado por valores democráticos (em geral) e por um ensino superior universalista onde as condições de acesso pudessem ser iguais para todos os cidadãos (indiferentemente do seu estatuto social ou dos seus recursos financeiros), que alinhou na linha da frente pela defesa dos direitos dos estudantes da Universidade de Coimbra, e que, para orgulho de uns e desgosto de outros, participou de forma activa e incisiva na melhoria das condições existentes na Universidade de Coimbra, na cidade de Coimbra, na cultura e no desporto deste país.

No entanto, como referi no primeiro parágrafo deste humilde artigo de opinião, nem sempre de passado vive o homem. Aquele que olhar para o passado e não conseguir aceitar o seu presente será acusado de saudosista. Que me acusem de saudosismo: a AAC precisa de mergulhar no passado para se reencontrar com o seu objecto. A AAC precisa de voltar a ser o que foi.

Faço uma analepse na narrativa até ao ano de 1969.
“Mas a universidade é velha…”. O delicioso trocadinho que os estudantes faziam de um Estado que era tudo menos Novo lia-se num dos cartazes estacionados à frente das Matemáticas no dia 17 de Abril de 1969, dia em que Alberto Martins (então presidente da instituição) e alguns estudantes de Coimbra irrompiam pela sala Pedro Nunes, sita no referido departamento, para pedir a palavra ao Presidente da República Américo Tomás e ao então Ministro da Educação José Hermano Saraiva, em plena crise académica.
“Os estudantes de Coimbra pediam a palavra” quando a palavra lhes tinha sido negada e quando alguns dos seus colegas eram expulsos da universidade, detidos nos calaboços da prisão académica ou enviados para a morte na guerra em África por defenderem a ideia da construção de um ensino superior universal e a construção de um estado democrático, justo, moderno e solidário em contraposição à posição conservadora, servilista e teimosamente imperial que o Estado (que não era Novo) impunha pela coacção e pelo terror no nosso Portugal.

43 anos passaram desde esse dia. O país haveria de ver a luz do modernismo 5 anos mais tarde. Doce ilusão. Dos Cravos nasceriam espinhos minados pelos partidos políticos, pela alta finança e por uma mascarada elite que já reinava no período da ditadura, pela corrupção praticada nas mais altas esferas públicas e privadas pelos pseudo-barões da sociedade portuguesa. Os Mellos, os Somners, os Champalimauds e toda essa escória que um dia haverá de ficar com o país só para si quando nenhum recém-licenciado se predispuser a trabalhar para as suas empresas a troco de uma tigela de caldo verde e de um prato de sardinhas e batata a murro. Do feudalismo, cresceu uma democracia tosca no nosso país que não nos presentou muito mais do que escândalos, má-governação dos recursos e bens públicos, ignorância, mesquinhez, provincianismo bacoco, inveja social, cacique e banditismo de colarinho branco.

A própria AAC também ficou afectada com a revolução. Não tardou que também ela fosse minada pelas lutas entre juventudes partidárias, desejosas em fazer da AAC um “braço politizado” e uma via para o aumento de hegemonia dos seus partidos junto do eleitorado universitário. Chegar à Direcção-Geral da AAC não significou apenas para alguns dos seus presidentes o aumento do número de militantes do seu partido nesse ano mas também o uso da instituição como tubo de ensaio para a sua formação enquanto “político” e o trampolim ideal para que estes dessem o salto para as mais altas esferas políticas da Nação, não obstante do facto de estatutariamente estar bem implícito o pressuposto basilar de uma instituição que se pretende aversa a actividades e interesses político-partidários.

Do estudante para o estudante.

Deverá na minha opinião ser este o lema de uma Associação Académica de Coimbra limpa, transparente, séria e criteriosa na sua abordagem aos problemas que surjem da vida universitária coimbrã.

Sem cacique.

É sem dúvida um dos flagelos da instituição. Falando deste ano lectivo que passou, não posso deixar de mencionar (e salutar) as concorridas eleições que tivemos nos passados meses de Novembro e Dezembro. As listas comandadas por Ricardo Morgado e André Costa ombrearam até ao último segundo na defesa dos seus ideais para a instituição. Pena tenho que em ambos os lados, alguns ideais apenas surgissem como manobras populistas de caça ao voto exclusivas dos dias eleitorais Pena me faz o facto que tenho vindo a constatar ao longo do mandato desta Direcção-Geral: alguns dos ideais da lista vencedora caíram em saco roto a partir do dia em que esta tomou posse enquanto Direcção-Geral. Lamento que em ambos os lados, houvesse gente sem ideais. Lamento faço, que em ambos os lados, os ideais tivessem sido suplantados pela necessidade de um cacique que pudesse garantir votos quando o factor decisivo que deve garanti-los deverá ser exclusivamente a competência e idoneidade das pessoas que se candidatam e as ideias que são transportadas por estas para a instituição.
Não são as ideias que fazem as direcções-gerais mas o cacique. A imposição de estudantes vindos de juventudes político-partidárias nas listas. A imposição de outros nas mesmas de acordo com critérios de selecção que não primam pela competência, pela inteligência e pela responsabilidade, mas sim (desculpem-me os meus leitores por este termo pejurativo mas realístico) pelo cheiro a “teta do poder” e de outros tais pelo simples facto de ser considerarem os comandantes dos destinos da praxe coimbrã nos diversos cursos e por consequentemente os donos dos votos na faculdade. Ó colega, já votaste? – lá andam eles de caderninhos, tablets e telemóveis recheados de números telefónicos e contactos electrónicos de toda a malta do departamento, com o simples objectivo de maximizar o sacrosanto voto entre os seus em prol de objectivos individuais. Será que o altruísmo termina enquanto valor no nº1 da Padre António Vieira? A resposta, essa, dou-a de borla a quem pessoalmente me quiser perguntar.

Costumo dizer aos meus amigos que as pessoas importantes são importantes porque vivem do alimento da força que as menos importantes lhes dão de forma gratuita visto que não conseguem por a mão à consciência e raciocinar que se calhar tem mais argumentos teóricos, técnicos e pessoais que essas mesmas pessoas. Costumo também dizer que jamais compactuarei com este modus operandis porque sou um idealista e um idealista leva a sua ideia até ao fim, vença ou perca. A vida traz-nos muitas batalhas. A minha trouxe-me a batalha pela mudança. E pela mudança lutarei sempre de espinha direita, quando muitas vezes ao lado vejo outros ajoelharem-se perante alguém para obterem certos benefícios.
Tenho defendido que a AAC necessita, necessita muito, de alguém que tenha o carisma suficiente para não só terminar com a irresponsabilidade que tem pautado o seu dirigismo como para a devolver aos mais altos patamares de decisão dos assuntos que nos dizem respeito a nós estudantes da Universidade de Coimbra.
Manuel Alegre escrevia que “em tempos de servidão havia sempre alguém que resistia e dizia não” – é hora de termos um colectivo forte na AAC que diga não ao cacique, que diga não ao despesismo que é feito em telecomunicações, em viagens e e em manifestações que granjearam vitórias morais muito dúbias ao mesmo tempo que Lisboa faz cortes orçamentais que colocam em risco a sustentabilidade financeira do ensino superior e da universidade de coimbra em particular e limitam o acesso à universidade e a um futuro risonho a todos os jovens deste país. É preciso um líder e uma equipa que finalmente consiga fazer um levantamento digno do que falhou na transição para a Declaração de Bolonha e que sejam capazes de afirmar que Bolonha apenas deu uma nova roupa a maior parte dos Cursos da instituição. É preciso um colectivo que se consiga afirmar nos órgãos da tutela com vista à obtenção do verbo e do direito de escolha no que respeita a decisões acerca do ensino superior. É preciso um colectivo que trabalhe arduamente pela obtenção de uma acção social escolar justa e de qualidade. É preciso continuar a lutar pela cultura e pelo desporto da AAC que tanto prazer de execução dá a uns e tantas alegrias nos dá a todos.

No 125º aniversário da AAC temos uma Direcção-Geral cujo presidente Ricardo Morgado é esforçado e cuja equipa tem altos e baixos. Porém, na minha modesta opinião de representado, o trabalho do colectivo comandado por Ricardo Morgado não passa mesmo do grau de “esforçado”.
A ladaínha de campanha tornou-se decrépita no acto de chegada ao poder. As cantinas fecharam ao fim-de-semana e os estudante ocuparam simbolica e pacificamente as mesmas como forma de protesto em Março. Em Maio, as cantinas reabriram ao fim-de-semana mas em Junho, a nova Administradora dos SASUC decidiu fechar duas, sendo que uma delas não irá reabrir (Verdes) e outra corre o risco de obter o mesmo desfecho trágico (Grelhados).O número de bolsas diminuiu drasticamente com a entrada da lei 15\2011. O Presidente pavoneia-se à frente de camaras de televisão de cadeias televisivas generalistas nacionais como alguém que arranja emprego e estágios profissionais aos seus colegas, argumento deveras falacioso. O presidente responde à mesma televisão acerca dos casos de estudantes carenciados que tem que abandonar o ensino superior por falta de recursos tendo como pano de fundo a esplanada de um estabelecimento comercial que se colou à AAC com supercola 3 e cujos detalhes da sua relação com a Associação tem sido marcados por pontos algo dúbios. Em certos pelouros como a Política Educativa, a Intervenção Cívica, a Cultura, a Ligação aos Órgãos, as Relações Internacionais e as Relações Externas, o trabalho desenvolvido pelos seus super coordenadores e respectivas equipas é pior que nulo, equiparando-se na verdade a uma noite de Halloween: vêem-se muitos fantasmas vindos do passado que assombram e instalam o pânico. Pior que isso: a casa continua despesista e a cada ano que passa, aumentam as despesas e diminuem as reservas do tesouro, reservas essas que continuam muito dependentes daquilo que as festas académicas dão, reservas essas que só tenderão a diminuir caso a crise económica que se vive faça diminuir a aderência dos estudantes nessas mesmas festas.

Dito isto, quero que todos aqueles que leiam este artigo coloquem a mão na consciência e raciocinem a bem da instituição. Caso contrário, a AAC daqui a 25 anos poderá não estar “viva” para comemorar o seu 150º aniversário.

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dedicado

hoje de manhã, fui ao departamento de Física para assistir à defesa da tese de mestrado do meu grande amigo João Borba que se graduou como mestre no curso de Engenharia Biomédica com o notável (notável mesmo) registo de 19 valores!!!! 19!!!

Borba, agradeço-te tudo o que me proporcionaste neste tempo em que te conheço e agradeço-te o facto de teres sido um grande amigo. Desejo-te as maiores felicidades ao nível profissional e pessoal. Já sabes que sempre que quiseres poderás contar com a ajuda do teu amigo João Branco.

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debilidades mentais

sempre gostei de por os pontos nos i´s.

e esta nova policy de marketing da Direcção-Geral deu-me uma agonia tal que não posso deixar passar um comentário. mais se assemelha a um daqueles concursos de chamada telefónica digno de um programa da Júlia Pinheiro e da Fátima Lopes.

isto é um gozo perante a realidade actual dos estudantes e das famílias dos estudantes da Universidade de Coimbra.

oferecer o sorteio de uma propina a quem comprar um bilhete geral para uma festa roça o escândalo. Com que moral podemos nós estudantes de Coimbra negociar o quer que seja com um Ministério depois de semelhante acto? Que credibilidade tem agora a Direcção-Geral para exigir o quer que seja ao nível de direitos para os estudantes de Coimbra se a este nível brinca deliberadamente com um assunto tão sério? Que credibilidade tem uma Direcção-Geral que vive obcecada com uma festa académica?

mesmo depois de saber desta bomba e de a digerir, cada vez fico mais com a certeza que esta Direcção-Geral tem que cair e é já. que se marque uma Assembleia Magna e que se polvilhe a discussão com a incompetência de uma horde de meninos ricos que não está a zelar pelos verdadeiros interesses dos seus representados. sim, uma horde. chamo-vos uma horde para não vos chamar nomes mais feios. ou melhor, se calhar até vou ter a coragem de vos chamar pessoalmente visto que neste momento não tenho  nada a perder e só me interessa de facto proteger a situação dramática de centenas de colegas meus já que vocês não o fazem.

as soluções da Padre António Vieira estão niveladas pelo lucro da próxima festa académica. Precisam de dinheiro para pagar facturas? Sim, senhor. Vão pedi-los a quem vos deve. Vão pedi-lo à empresa InTocha e terão dinheiro para pagar essas mesmas facturas.

gostava também de perguntar aos elementos da Direcção-Geral onde é que está o vosso espírito de criatividade na Acção Social. gostava também de perguntar onde está o vosso espírito de criatividade na política educativa. que medidas criaram? que defesa intransigente dos estudantes da academia de coimbra fizeram durante este mandato? vá, respondam sem medo que eu cá estarei para vos cobrar.

meus amigos deixem-se de merdas. que vocês tenham dinheiro para pular de festival de verão em festival de verão já todos sabemos. não tornem a secular festa das latas num festival de verão. é um desrespeito perante os vossos antepassados. é um desrespeito que deturpa tudo aquilo que a instituição construiu no passado. A AAC não é uma porto eventos, não é uma musica no coração, não é uma Live Act. A AAC é uma instituição séria assim como sérias são as dificuldades que centenas de colegas nossos atravessam no momento de pagar os seus estudos. Aconselho-vos a irem à Tesouraria da UC para fazerem um levantamento de alunos que, em setembro, ainda se encontram em incumprimento perante a Universidade de Coimbra. Decerto que vos irão espantar os números.

mas vocês continuam a batalhar numa festa académica. ainda esta semana, as propinas da UC aumentaram 46 euros, valor acima da inflacção anual, inflacção anual que era a baliza de aumento afirmada pelo reitor para aumento (e congelamento de um aumento drástico) das propinas até 2014. Gostava de saber o que é que a Direcção-Geral comunicou à reitoria e aos estudantes sobre esta medida. Gostaria mesmo de saber a posição da Direcção-Geral sobre o assunto. Neste tipo de assuntos é que se vê a idoneidade dos elementos de uma Direcção-Geral. Nestes assuntos é que se avalia a qualidade de um mandato.

Tenham vergonha e demitam-se já. Passou dos limites.

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