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europeíces (toscas)

adoro quando o Eurogrupo vem afirmar que o “modelo de resgate” que está a ser alinhavado em Chipre (agora trata-se de uma sobretaxa de 30% sobre todos os depósitos acima de 100 mil euros nos dois maiores bancos da ilha; se bem que ainda não é liquído e parlamentariamente aceite esta medida) pode ser um modelo a adoptar noutros resgates de países europeus que possam ter que recorrer no futuro a esse tipo de mecanismos.

tiro várias ilações:

1. esta medida continua a ser um roubo perpetrado a quem amealhou durante toda a vida para agora ter que desembolsar para disfarçar as falhas resultantes da má gestão do erário público cipriota por parte de vários governos. apesar de ir buscar a quem mais tem, não deixa de ser um roubo descarado e não legitimado pela lei cipriota e pelos tratados das comunidades\união.

2. a medida ainda não passou no parlamento cipriota mas os loucos de bruxelas já falam do modelo como um modelo de futuro. ou seja, como um modelo que irá aumentar nos restantes países europeus uma certa desconfiança em relação aos depósitos bancários. caso a medida vá avante, estou a ver uma corrida massiva aos bancos em toda a europa e claro está, com a corrida massiva aos depósitos bancários por parte de cidadãos europeus vem aquela parte chata em que a banca europeia se irá unir para arrasar com as instituições europeias.

3. se adaptarmos hipoteticamente esta medida à nossa realidade, só irá fazer com que as grandes fortunas deste país desloquem mais fundos da sua riqueza pessoal para  países seguros e com uma carga tributária baixa em relação às mais-valias como a Holanda e o Luxemburgo visto que a Bélgica anunciou pela primeira vez esta semana medidas de austeridade.

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chipre

O parlamento cipriota rejeitou hoje as sobretaxas de 10% e 6,5%, respectivamente, pelos depósitos bancários acima e abaixo de 100 mil euros. Um enorme gesto de dem0cracia representativa, com os deputados do partido de Anastasiades do Partido Democrático (democracia-cristã, conservadores) a absterem-se. Uma pergunta faz-se na minha cabeça: como é que seria em Portugal?

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Chipre

Chipre

Como aqui afirmei, devido aos interesses geopolíticos da Rússia, Putin foi o primeiro a manifestar-se. Os bancos russos tem interesses económicos na ilha e podem perder até 40 mil milhões de euros se as sobretaxas sobre os depósitos bancários forem avante. Para além do mais a desconfiança sobre o governo de Nicósia e esta medida já fizeram alguns investidores russos mudarem a rota dos seus investimentos para a vizinha Letónia visto que o primeiro-ministro Cipriota Nicos Anastasiades já veio afirmar que os investidores russos também poderão sofrer uma pequena taxa sobre o valor dos seus investimentos para tornar sustentável a banca cipriota. Se bem que o primeiro-ministro grego só irá falar à nação cipriota esta terça-feira. Se por um lado se começa a ver que a europa desistiu por completo de Chipre, ao ponto de se equacionar a saída dos cipriotas da zona euro (eu continuo a achar que a saída dos cipriotas do euro é o fim da europa) por outro lado, a própria europa parece dar sinais de desistência, ao acreditar que o problema cipriota poderia ser facilmente resolvido por outras forças presentes na ilha, caso dos Russos. As consequências perigosíssimas destas medidas estão salientes nas underlines. Corrida aos bancos massiva em toda a europa? Não tenho as menores dúvidas que pode existir uma nas próximas semanas, principalmente nos países periféricos. Um Português não se sente descansado com a possibilidade de acordar um dia e ter os bancos fechados e a mão do estado em cima de parte do seu dinheiro. Está mais que visto que estamos a ser governados a partir de um bando de loucos em Bruxelas.

A crítica à decisão do eurogrupo fez-se sentir ontem e hoje de forma massiva nos principais órgãos de comunicação social que versam sobre a análise económica:

Tim worstall escreve na Forbes sobre a possibilidade de colapso dos bancos através desta medida e relaciona o caso cipriota com a Grande Depressão de 1929 e a visão de Friedman sobre a Grande Depressão, originária nos bancos e nos erros de regulação da Reserva Federal Norte-Americana da altura. E worstall atira como key-point da sua crítica quando afirma:The actual process was the series of bank runs that happened through the early 1930s. The problem is that in a fractional reserve banking system banks are inherently unstable. The fractional refers to the fact that when you deposit $100 with one they don’t then keep that $100 in the safe. They take a guess at how much they need in the safe (OK, it’s an informed guess, but it is a guess) for when people turn up demanding their cash and the rest of it they lend out to other people” –

Felix Salmon na Reuters escreve sobre o precedente aberto em Chipre e vai de encontro ao lance de desespero e loucura dos líderes europeus quando afirma: “Don’t for a minute believe that this decision is part of some deeply-considered long-term strategy which was worked out in constructive consultations between the EU, the IMF, and the new Cypriot government. Instead, it’s a last-resort desperation move, born of an unholy combination of procrastination, blackmail, and sleep-deprived gamesmanship. (…)” 

no Business Insider Raúl Ilargi Meijer escreve sobre pressões alemãs ao governo cipriota e sobre a possibilidade de retirada de depósitos por parte de cidadãos de outros países europeus da banca. Caso Chipre saia da zona euro, Meijer interroga:And that would be the end of the Eurozone; if Cyprus leaves, so will others. Are they really going to take that risk after 5 years, 500 emergency meetings and €5 trillion in bailouts? Hell no, you kidding?, but they still threaten to do it, and in such a transparent fashion? Why would Anastasiades, or anyone else for that matter, fall for that? Something doesn’t add up here.” 

Outra interessante opinião que li foi no site da BBC através do seu editor para assuntos europeus Gavin Hewitt de onde retiro estes pontos chave: “The Germans, however, were not prepared to support a larger bailout. They suspected that half of the deposits in the island’s banks were held by Russians with much of the money being laundered. Rescuing high-rolling Russians could not be sold to German taxpayers.

But there are an estimated 25,000 British residents in Cyprus. Many of them have bank accounts in Cypriot banks. There are 3,500 British troops stationed there with savings in Cypriot banks. It is estimated that British savers have 2bn euros on deposit. They too will see their funds taxed – although Chancellor George Osborne has said he will compensate UK government employees and service personnel.” – Hewitt já refere o seu artigo a medida decretada pelo governo britânico a todos os seus cidadãos que trabalham em Chipre ao serviço da Função pública.

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contradições?

A Vice-Presidente da Comissão Europeia Viviane Reding afirmou na sexta-feira em Coimbra, em tom de revelação surpreendente, que a instituição estava a estudar a possibilidade de Portugal e Irlanda saírem dos programas de ajustamento que lhes foram submetidos pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

Agora, em directo para os jornais nacionais, Pedro Passos Coelho, no início dos trabalhos da avaliação das 3 entidades ao programa de ajustamento português, diz que não precisa de mais tempo para renegociar a nossa dívida.

Em que é que ficamos?

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Sexta

Diálogo

Sexta-Feira, a vice-presidente da Comissão Europeia e Comissária para a Justiça Viviane Reading estará em Coimbra, pelas 9:30 na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra para falar abertamente com os cidadãos sobre os principais temas que marcam a agenda europeia actual. É necessária a inscrição para assistir ao vivo ao evento aqui. Eu vou estar na sala dos capelos e se puder, vou tentar blogar o evento em directo.

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desculpe?

A Chanceler Alemã Angela Merkel disse que “nas próximas décadas iremos observar a unificação do mercado de trabalho europeu”.

Será que ouvi bem as declarações? Já não o é? Ou será que ainda estou em 1991 e o Tratado de Maastricht e o Acordo de Schengen ainda não foram assinados e ratificados?

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expressionismo europeu e miséria social no seu estado puro

gréciagrécia 2

Grécia 3

Imagens que estão a correr mundo. Na sexta-feira, em Atenas, centenas de agricultores decidiram protestar junto ao Ministério da Agricultura por causa do aumento exponencial dos custos de produção do sector, oferecendo fruta e legumes aos cidadãos. Em pouco tempo juntaram-se milhares de pessoas no local, havendo centenas de pessoas a empurrar-se e a suplicar por comida junto dos agricultores.

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curioso

este fetiche de Frau Merkel pelo 80º aniversário chegada de Hitler ao poder… escolas básicas e secundárias interromperam a lição habitual para conhecer os primeiros 6 meses de governação do Fuhrer. Dúbias afirmações como “os Direitos Humanos não se impõem por si próprios. A liberdade não chega só por si e a democracia também não” e “Tudo o que torna uma sociedade viva e humana precisa de homens que manifestem respeito e cuidados uns para com os outros, que assumam as responsabilidades por si e pelos outros” e “Em seis Meses, Hitler conseguiu destruir a diversidade Alemã”.

é caso para lembrar que Hitler chegou ao poder como uma alternativa aos fracassos da República de Weimar acentuados pela Grande Depressão e pela humilhação imposta pelos aliados à Alemanha pelo Tratado de Versalhes. Hitler chegou ao poder a partir da aceitação por parte da classe média alemã dos pressupostos basilares da sua doutrina: antisemitismo, culpa dos Judeus por todos os males da Alemanha de então, ataque ao comunismo, criação de uma raça superior que jamais se deveria relacionar com raças inferiores, vontade de criação de uma alemanha unificada que pusesse por em marcha um plano de força que possibilitasse a instauração da sua hegemonia no mundo. A transformação da doutrina económica fascista que já era experienciada com exito na Itália de Mussolini ao modelo do Nacional-Socialismo Alemão veio por atacado por ser um bom modelo de controlo do estado sobre o território, sobre os trabalhadores (que na Alemanha de então começavam a nutrir alguma simpatia pelas ideias marxistas) e sobre os recursos económicos.

foi nesses pressupostos que Hitler chegou ao poder. Hitler queria cuidar dos interesses alemães e cuidar dos alemães enquanto povo, elevando-os a uma raça superior divina. foi nesses pressupostos que Hitler chegou ao poder: assumir a responsabilidades dos outros. delegar a responsabilidades de todos no estado. unificar os interesses de todos num só, alienar as responsabilidades de todos na égide estatal. o problema de um é o problema de todos, o problema de todos é um problema de estado.

a nível político e económico consigo encontrar algumas semelhanças entre o III Reich e o governo de Frau Merkel. As políticas anti-imigração, a tentativa de controlo das instâncias europeias, a tentativa de influência no seio destas mesmas instâncias para a adopção de políticas para a europa criadas pelo governo Alemão, a imposição de regras (pensadas pelos Alemães) aos restantes países europeus, a restrição e contracção económica que é imposta aos designados “PIIGS” (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) como pedra basilar de empobrecimento económico desses mesmos países e ponto de partida para um fácil controlo Alemão baseado na “subserviência” e no pressuposto “quem depende de nós financeiramente não está em condições de exigir nada, devendo portanto só obedecer às nossas ordens”, o jogo alianças com a China que se assemelha ao jogo de alianças que Hitler fez com a Itália e com a Rússia, a falsa aliança com a França, o abandono da França nos últimos meses da Presidência Hollande e a analogia aos falsos tratados de não-agressão do Fuhrer com Estaline. Dá no mínimo que pensar.

enquanto Hitler pretendia, até porque a Sociedade das Nações não tinha meios para controlar as suas pretensões, dominar os restantes países da europa pela força e pela coacção, Merkel opta por um domínio assente na estrangulação económica dos países europeus, num primeiro plano, para num segundo plano, vendo os outros asfixiados, possa calmamente desenhar a arquitectura europeia como bem aprouver aos interesses nacionalistas alemães.

merkel sabe perfeitamente que países votados a um regime de subserviência económica junto de outro jamais poderão exercer a liberdade e a democracia. merkel sabe perfeitamente que para a Alemanha crescer economicamente, necessitará de queimar países para o efeito, aplicando-lhes duras medidas de austeridade, que não só permitam os reembolsos do capital alemão disseminado pela europa como permitam que a economia alemã se torne competitiva à custa da aplicação dos seus capitais em países empobrecidos e com mão-de-obra barata. tudo isto tem portanto uma explicação e não é toa que vemos a chanceler alemã e os seus ministros da economia e finanças (Roeseler e Schauble) a afirmar constantemente que a austeridade na europa ainda está longe de acabar, que a recessão na europa ainda está longe de acabar, que países como portugal deverão manter-se em recessão (a tal estratégia de empobrecimento) e pior que isso, não é à toa que vemos com sistematicidade as tentativas de ingerência nas questões soberanas dos países europeus por parte do governo alemão. se em 6 meses Hitler conseguiu destruir a diversidade alemã, em poucos anos Merkel está a conseguir destruir a europa e a construção europeia. pela retirada de identidade aos povos, pela retirada do poder de decisão aos estados, pela subserviência e pela construção europeia narcisisticamente dependente do poder e das imposições alemãs.

não deixa portanto de ser no mínimo curioso este fetiche pelo 80º aniversário da chegada ao poder de Hitler, curiosamente, o único totalitário europeu de então que chegou ao poder pela via democrática.

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e nós?

A Espanha criou o banco mau, com a ajuda FROB, o Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária, com linha directa de financiamento de Bruxelas, com a conivência e patrocínio de Mário Draghi e seus pares, no valor de 40 mil milhões de euros a uma taxa de juro de 1%, passando os activos tóxicos com um prazo de vida de 10 a 15 anos de 4 bunkers, perdão, bancos (entre os quais o Bankia) para o dito banco mau, que no final do prazo de vida dos activos tóxicos em causa, afundará com a dívida devida principalmente a bancos alemães.

A Irlanda está a aproveitar a presidência da UE nos próximos 6 meses para rasgar o memorando de entendimento que assinou em 2010 com a troika para aliviar a pressão sobre a sua economia. Apesar do exemplo Irlandês diferir no Português na medida em que o que está em causa não é uma excessiva acumulação de dívida pública (impagável, diga-se no caso português) mas sim uma economia que cresceu desmesuradamente face a sucessivas entradas de gigantescos fluxos de capital estrangeiro, que por sua vez fizeram disparar uma falsa sensação de crescimento desmedido do PIB e da economia irlandesa e levaram a toda uma expansão na concessão de crédito por parte da banca irlandesa e financiamento para a construção civil que depois redundou em retirada do capital por parte dos investidores estrangeiros, falência desses mesmos bancos e crise no sector imobiliário pela falta de procura motivada pelo desemprego, pela insolvência de cidadãos irlandeses e por conseguinte pela falta de reembolsos do crédito prestado pelos banco ao seus clientes e falhas nos investimentos feitos por esses mesmos bancos, os Irlandeses, estão agora com vontade de se retirar da situação de “refém” das ordens europeias e começar a trilhar uma política expansionista por sua conta e risco.

Os Gregos, cumprindo a política do mau aluno ainda não quiseram acertar uma das instruções dadas tanto pela Alemanha, como pelo Fundo Monetário Internacional, como pelo BCE. Não só não diminuíram a excessiva dívida pública que neste momento possuem (cerca de 500 mil milhões de euros) como as reformas executadas por Atenas caíram em saco roto e o BCE, como último comprador da dívida dos países europeus, para não estar sistematicamente a alimentar a maquina grega e para não ter que aconselhar medidas ainda mais drásticas num país marcado pela instabilidade governativa, política e por crises sociais gravíssimas, não teve outra solução do que servir de mediador dos gregos em duas emissões de títulos de dívida pública nos mercados para que os Gregos se pudessem financiar a juros mais baixos do que aquilo que seria previsível.

Na Islândia, a atracção de investimento estrangeiro massivo pela estratégia dos bancos islandeses que visava conceder juros altos a todos aqueles que quisessem investir na economia irlandesa sem ter que fazer uma conta fora do país levou o país à falência. O povo islandês não teve meias medidas, foi a referindo e votou pelo não pagamento das dívidas dos seus bancos a bancos Ingleses e Holandeses e a 330 mil contribuíntes dos dois países que decidiram investir as suas poupanças no país nórdico. Hoje, o Tribunal da  BANI (EFTA) isenta a Islândia de qualquer pagamento e todos os credores dos bancos islandeses não só não obtém os juros dos investimentos ali feitos como não obtém total do reembolso desses mesmos investimentos. Mesmo apesar da europa por intermédio dos seus líderes europeus estar a trabalhar na criação de mecanismos legais que permitam o controlo dos sistemas financeiros por parte dos seus governantes, creio que a ideia é absolutamente estupenda, perdão, uma porcaria, visto que o estado jamais conseguirá controlar todos os fluxos de informação e transacções vindas do sistema financeiro pela complexitude como este funciona.

Onde é que quero chegar com isto?

Em Portugal não só vivemos no submundo da europa como pensamos sair desta crise com um pensamento de submundo. Os espanhóis criaram um banco mau para mandar a dívida devida a Alemães pelo esgoto e ainda conseguiram recapitalizar os seus bancos a troco de juros de 1%. Portugal recebeu cerca de 12 mil milhões para a recapitalização dos bancos e terá que seguir a doutrina imposta pelo BCE na medida em que os bancos recapitalizados terão que assegurar a compra de dívida pública sempre que o estado tiver que emitir títulos de dívida pública nos mercados. Por um lado, a compra de títulos de dívida pública por parte dos bancos portugueses poderá efectivamente rever em baixa os juros da dívida pública portuguesa. Por outro lado como o dinheiro para a recapitalização dos bancos portugueses provém do BCE, como o estado português se tornou accionista do bancos recapitalizados com o dinheiro emprestado do BCE a uma taxa de juro de 3,47% (repito que a de espanha é de 1% sobre um valor 4 vezes superior ao valor emprestado ao estado português) e como os investidores portugueses (principalmente os bancos portugueses) não dispõem de grandes fluxos de capital ou não demonstram interesse na compra de dívida pública portuguesa (maior parte nem dispõe de fundos para proceder à correcção do seu Core Tie 1, casos do BANIF, do BES que teve que ir aos mercados de obrigações para se poder recapitalizar de acordo com as normas do Banco de Portugal) ficamos completamente reféns do BCE. Há quem diga portanto, e bem, que vem aí um 2º resgate.

No entanto, o regresso aos mercados por parte do estado português foi considerado uma vitória em todos os campos. Chegámos portanto a meu ver a uma situação em que não só temos uma dívida pública impagável como temos uma dívida pública que será comprada com recurso ao BCE. Isto assemelha-se à alegoria do homem que está teso e que pede 50 euros emprestados ao amigo, sabendo que não irá receber futuramente os mesmos 50 euros de outrém para lhe pagar num prazo estipulado nem conseguirá com os 50 euros emprestados criar riqueza que lhe permita garantir a sua subsistência e o reembolso do valor emprestado no prazo estipulado.

Irlandeses e Gregos querem efectivamente fugir desta política. Não querem ficar reféns das políticas europeias. Uns querem trilhar o seu próprio caminho. Outros esperam que os seus credores desistam do reembolso e que a dívida grega caia como os activos tóxicos que os bancos espanhóis irão mandar pelo cano abaixo. Querem portanto começar de novo e criar condições que lhes permitam o crescimento. A estratégia do governo português, alicerçada na necessidade de ir aos mercados recolher dinheiro para pagar a máquina de um estado social que não é social nem pouco mais ou menos não só está a dar os resultados que está a dar do ponto de vista económico (desemprego, falência massiva, quebra na procura interna, estagnação da banca, aumento dos apoios sociais providos pelo estado) como está a ter custos sociais que são claramente visíveis aos nossos olhos.

Os Islandeses perceberam que não estavam dispostos a pagar pelos erros cometidos pela banca, erros cujas entidades reguladoras do sistema financeiro islandês, pagas por todos os contribuíntes fizeram vista grossa e deixaram passar sapientes do risco dessas operações e das consequências do possível colapso dos bancos islandeses, e pura e simplesmente disseram “não pagamos”. Em Portugal todos os erros cometidos pelos bancos foram ou serão pagos pelos contribuíntes e mais uma vez, os resultados da política do governo estão a dar resultados negativos nítidos.

Mas há quem ainda diga que o regresso aos mercados foi uma vitória. Há quem diga que a crise acabou. Há quem diga que não é preciso mais austeridade. Há quem tente ocultar o real estado da Nação. Sou apologista do velho ditado que diz que a verdade virá ao de cima. Mais tarde ou mais cedo. E a verdade do nosso país é que isto vai rebentar.

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dissonâncias

enquanto os Irlandes usam e abusam de instrumentos institucionais como a presidência da União Europeia para pura e simplesmente rasgar do incómodo acordo assinado em 2010 com a “troika”, enquanto os gregos não cumprem nenhuma das metas orçamentais e planos de ajustamento previstos desde 2009, enquanto os cipriotas, os eslovacos, os húngaros, os italianos e os espanhóis se aguentam com dívidas publicas gigantescas, problemas gravíssimos na gestão de activos tóxicos nas suas bancas e derrapagens descomunais repetidas aos seus orçamentos de estado para não pedir auxílio económico às instituições de Bretton Woods…

temos um governo altamente submisso que aplica todas as reformas e todos os planos vindos do exterior. O filme repete-se. Esta história de cortar mais 50 mil empregos na função pública, de aumentar as taxas moderadoras com o fim claro de dar um  fim de privatização à saúde, de vender empresas públicas altamente lucrativas (sim, porque as que dão prejuízo como a RTP ninguém as quer) a troco de peanuts and soda a estrangeiros e de reduzir os encargos com saúde e educação vai empobrecer cada vez mais o país e colocá-lo numa posição quasi-feudal à merecê de meia dúzia de grupos económicos, nacionais e internacionais.

Enquanto os outros usam e abusam de esquemas para não pagar as suas dívidas e proteger o que resta do Estado Social, nós, os bons portugueses seguimos a cartilha neoliberal de forma absoluta. Daí que o filme da Argentina, da Indonésia, de El Salvador, da Bolívia, do Brasil e de todos os exemplos dos chamados “bons alunos” de Bretton Woods vai-se repetir no nosso país. Chegaremos a um limite de insustentabilidade por via do falhanço de todas estas políticas macroecómicas tal que como sempre, as instituições de Bretton Woods, sapientes do fracasso instaurado para protecção de meia dúzia de detentores de capital irão justificar-se empurrando as culpas para os governantes. Não tardará muito ver uma Christine Lagarde, branca ao microfone a afirmar que a culpa não foi das políticas macroeconómicas impostas pela sua instituição mas sim da má aplicação por parte do governo português. É só idealizar aquele inglês tosco que caracteriza qualquer francês e uma figura calva de fracasso a afirmar: “nós avisámos o governo português mas eles não nos deram ouvidos” – e mais uma vez, como quase sempre na actuação do Fundo, os maus alunos, sabendo das artimanhas usadas, escaparam e nós Portugueses, que não pulámos a cerca a tempo, ficamos para trás.

esta é só uma nota de aviso. não é que tenha um oráculo para prever o futuro. a cartilha neoliberal utilizada pelos fundamentalistas radicais de mercado não é coisa de hoje, é coisa de décadas, com exemplos, experiências, sangue e suor de governantes e respectivas populações plasmadas em pedaços de papel que não resultaram em nada. neste país, ele está a mostrar-se cada vez mais real dia após dia. e não se vislumbra risonho para os portugueses.

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peço desculpa (a sério que peço)

banco meu

Tou coradinho. Há bocado disse que a Espanha ia pagar 1,15% por um empréstimo semelhante aquele que Portugal recebeu do FEEF. Nem isso: 1%. Por 40 mil milhões. Gratuito. De Graça. De Borlinha. À pala. Borliu. E ainda vai criar o banco mau para mandar a dívida pertencente a alemães pelo esgoto abaixo. Com o patrocínio, selo e carimbo de Bruxelas. Continuaremos a ser os bons alunos (os pisados) da Europa?

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greve geral e afins

A leitura do ponto actual do país está difícil.

Dada a dificuldade da leitura decidi meditar um pouco sobre os incidentes de ontem na escadaria da Assembleia da República.

Sociologicamente tenho como certo o velho ditado que diz que em “casa onde não há pão toda a gente ralha sem razão” – esse foi o mote do que se passou ontem, e bem, para bem da própria democracia portuguesa. Se bem que considerar democracia ao actual regime imposto no país pode-se caracterizar como um conceito muito perigoso. Deveras perigoso.

A realidade do país, como tenho escrito neste blog desde Junho de 2010 até hoje, está muito difícil e pode resvalar por caminhos perigosos. Se há alguns meses atrás reclamavamos que o povo português assistia com modos pacíficos (tendo em conta aquilo que assistimos na Grécia, em Itália e em Espanha) a um corte generalizado do estado na sua despesa (cortes esses que irão tirar eficiência e qualidade a alguns serviços e bens providos pelo Estado) temo, repito, temo, que com os cortes alargados ao rendimento dos cidadãos por via do aumento da carga fiscal façam com que assistamos num futuro muito próximo ao aumento da escalada da violência. Tenho como certo também que este governo matou o dito Estado Social. Sim, porque caracterizar o modelo português como Estado Social é outra ideia que só existe na cabeça dos governantes e políticos portugueses. A esses, aconselho-os a estudar os modelos nórdicos, esses si Estados Sociais.

A realidade do nosso país é uma realidade marcada pela miséria e pela pobreza. Os dados económicos assim o mostram: mais de 850 mil desempregados, sendo que a taxa de desemprego não para de subir, fruto da falta de investimento em vários sectores produtivos (por falta de liquidez, falta de liquidez essa que é provocada pela falta de concessão de ajuda ao investimento por parte do Estado e de uma banca que ainda está a contas com a rectificação dos seus rácios de capital) e da previsão em baixa da produção de certos sectores produtivos, em virtude da diminuição do nosso consumo interno. Estagnação no consumo interno que também se reflecte na óptica das receitas do Estado. Receitas do Estado que se reflectem obviamente, por via orçamental, na diminuição de verbas consignadas ao provimento de bens e serviços essenciais dos quais esmagadora maioria do povo português dependia. De forma excessivamente clientelista, diga-se a abono da verdade. Se o que ontem era provido pelo Estado de forma tendencialmente gratuita, assistimos a uma evolução onde a casa de partida não será o pagamento dos cidadãos ao estado pelo valor real dos serviços providos mas sim a própria privatização do poder provedor desses mesmos bens e serviços. A mercadorização total em Portugal quando noutros países onde a mercadorização é intensa (nos modelos de estado liberal do Reino Unido e Estados Unidos; exemplo mais crasso é o próprio Obamacare) se está a assistir a uma tendência desmercadorização. Os Estados estão a desmercadorizar-se, ou seja, a tirar o papel de protagonista principal aos mercados e a corrigir por via do provimento estatal os desiquílibrios sociais que advém da desregulação desses mesmos mercados. No caso do Obamacare, e da constituição de um sistema de saúde que possa englobar em si 25% dos cidadãos Norte-Americanos que não tem acesso aos mais básicos cuidados de saúde pelo facto de não terem rendimentos que lhes dêem o acesso a um seguro de saúde privado, tal medida só poderá resultar, caso seja alargada numa evolução generalista (a criação de um sistema nacional de saúde no país sob o domínio estatal, dando-se obviamente a liberdade ao cidadão de optar entre o público e o privado) no aumento de rendimento disponível dos cidadãos por exemplo para consumo. E aqui Obama joga de forma inteligente pois sabe que o único factor que poderá gerar uma onda expansiva na economia norte-americana, também ela afectada por uma alta taxa de desemprego, é um novo crescimento do mercado interno por via do consumo.

Em Portugal assiste-se ao contrário. Com o aumento dos impostos assistimos a uma tendência exagerada para embarcar numa nova onda de privatizações. A própria política instaurada pelo Ministro da Saúde Paulo Macedo visa privatizar o que é público. Para dar mais vencimentos aos amigos que outrora o empregavam. Já todos sabíamos disto. No Ensino Superior, os cortes feitos não chegam para as Universidades fazerem face às suas despesas estruturais. Como tal, existem Universidades a ultrapassar por completo o limite do que é suportável. Daqui a uns meses poderemos assistir ao fecho de par em par de várias instituições entre as quais a UC. Diz-se por aí que é em tempos de crise que surgem as melhores ideias. As melhores ideias empreendedoristas por norma saem de nichos de formação de profissionais altamente qualificados. Os profissionais altamente qualificados estão a sair do país a olhos vistos por via do elevado desemprego. E a formação de profissionais altamente qualificados que se podem tornar novos empreendedores está a ser completamente estrangulada. E o desemprego não só não cria novo empreendorismo (quem é que consegue ser empreendedor sem boas linhas de financiamento? quem é que está para arriscar quando o mercado interno está em queda? quem é que tem condições para investir tudo o que tem vivendo no risco do infortúnio no dia seguinte?). Tudo me leva a crer que a estratégia deste governo está a ser uma estratégia que visa estrangular por completo as soluções que o país necessita.

Jovens desesperam por emprego. O país está a envelhecer. A segurança social está falida e sobrecarregada de apoios sociais por via do aumento de beneficiários que não tem emprego. Jovens estão a emigrar. Jovens não estão a contribuir para que a segurança social se possa manter sustentável e possa ter capitais para pagar as reformas no futuro daqueles que contribuem hoje. Os fundos de pensões que o estado precaveu em bom tempo para pagar essas mesmas reformas estão a desvalorizar em virtude da própria recessão nos mercados. Só neste ano 2012, os investimentos feito pela Segurança Social nesses mesmos fundos viram as carteiras de investimento desvalorizar cerca de 1500 milhões de euros. Que futuro terão os nossos pais?

São esses pais, esses contribuíntes que desesperam com a situação. As contas caem em casa com enorme velocidade e voracidade. O endividamento das famílias é maior e abrange mais famílias. Levam todo o rendimento disponível. São centenas os casos de famílias que estão a ficar sem tecto para morar. São milhares os casos de famílias que já não conseguem fazer mais que uma refeição diária. São milhares os pais que já não conseguem suportar os gastos dos seus filhos no ensino Superior. Já são centenas os casos de atrasos de pagamento das refeições por parte de encarregados de educação em crianças do ensino básico e do ensino pré-escolar. Já são centenas os casos onde essas próprias crianças apenas tem uma refeição diária, servida exclusivamente na escola. São milhares aqueles a quem o futuro é negado por falta de condições económicas que lhes permitam continuar a estudar. Que futuro teremos?

O pior neste país é que toda esta austeridade é feita numa clara violação a princípios Constitucionais e tem a ajuda de um Presidente da República que está manifestamente doente e como tal incapaz de por cobro a toda esta situação.

A Europa, liderada pela senhora Merkel, num tabuleiro onde a chanceler alemã põe e dispõe, actuando sob uma lógica muito própria e viciada na austeridade é seguida pelo governo português de forma fiel. Empobrecer o país não é solução. Não seremos mais competitivos com desfelexibilização das leis laborais. Não seremos mais competitivos com desvalorização salarial. Não seremos tão competitivos como países com o México ou como a Turquia porque jamais nos poderemos comparar a países da sua dimensão e jamais poderemos comparar as nossas estruturas laborais às suas estruturas laborais. Não podemos jogar o jogo das potências emergentes. Jamais. É errado pensar que a desvalorização salarial dos nossos trabalhadores poderá trazer competitividade aos nossos produtos nos mercados internacionais. Porque a jogar esse mesmo jogo arrastaremos todo o Portugal para uma época de miséria profunda. Se o trabalhador que aufere o salário mínimo já não apresenta condições para subsistir, imaginem que esse mesmo trabalhador num futuro próximo terá 400 euros de salário. Caos. Teremos sim que modificar as nossas estruturas de forma a existir fomento. Daí que a ideia de criar um banco de fomento, exclusivamente criado para fomentar a actividade económica é uma das soluções que já deveria ter sido feita aquando da assinatura do memorando de entendimento. Gerar dívida é fácil. Cortar despesa é fácil. Mas há que atentar a um pormenor: quem e como se irá pagar essa dívida? A resposta é simples: criando riqueza. Será ao desinvestir que se cria riqueza que possa pagar essa mesma dívida e fazer o país crescer novamente? A resposta é simples: não. Será pelo crescimento do mercado interno que poderemos ter a capacidade de fazer face ao desemprego e alinhar uma política económica expansiva que nos permita activar um ciclo económico positivo que recupere o consumo interno, que nos devolva um mercado interno forte e que possa incentivar à produção para consumir internamente e posteriormente exportar? Sim.

Para finalizar. O mote principal. A democracia. É esta a democracia que precisamos para Portugal? A democracia que não sai do gabinete em São Bento para oscultar as dificuldades de um povo? A democracia que escuta as directivas de uma instituição fracassada como é de facto o Fundo Monetário Internacional? A democracia que serve fielmente as imposições estrangeiras em Portugal? A democracia que ontem bateu indiscriminadamente em manifestantes e grevistas numa clara violação a princípios constitucionais? A democracia que bateu indiscriminadamente em idosos e crianças? A democracia que no mesmo dia anunciou por via do seu Ministro da Administração Interna um extraordinário aumento na remuneração das forças policiais de 10% quando assistimos a cortes cegos noutros sectores bem mais essenciais como a saúde ou a educação? Enganem-se os polícias, enganem-se os governantes. Enganem-se os polícias pois estão a ser comprados para defender quem arrasta para a pobreza todo um país. Enganem-se os governantes. Não são aumentos remuneratórios que compram a consciência das forças policiais. A continuar assim, duvido que um único polícia neste país defenda um governo que castiga de forma dura e ímpia o seu povo. Um povo que não consegue satisfazer as suas necessidades básicas é um povo revoltado. E eu cada vez mais acredito que este país irá acabar muito mal.

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vamos cá esclarecer umas coisitas

dados revelam que se fez “história” na economia portuguesa: pelo primeiro ano em 16 (se não estou em erro), a nossa balança comercial (dizem) é favorável. 315 milhões de superavit no período considerado na peça da rádio renascença, segundo os dados apresentados pela AICEP.

1. falsa ilusão: não são as exportações que estão a crescer desmesuradamente, são as importações que estão a decrescer. porquê? a perda de poder de compra dos portugueses. crescem porque o mercado interno já não satisfaz a oferta das empresas.

2. crescimento de 6,9% nas exportações em relação ao período considerado no ano anterior. justificação? simples. as exportações estão a crescer em virtude dos acordos comerciais que foram feitos no mandato de José Sócrates. Quais são os mercados? simples. Venezuela, Líbia, África do Sul, Angola, Moçambique, Brasil, Argentina, ou seja, tudo países, onde Sócrates conseguiu mercados para produtos portugueses. Imputar a este governo este tipo de vitórias é do ponto de vista prático errado.

3. falsa ilusão, parte 2: uma balança comercial favorável, apesar de ser um indicador económico interessante e positivo, no nosso caso, não revela as contas do país. continuamos a ter uma balança de pagamentos desfavorável, em virtude dos elevados juos que o país está a pagar aos credores internacionais e, precisamente à troika. Os 315 milhões de euros obtidos não chegam sequer para pagar os juros anuais que estamos a pagar ao Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, que, como se sabe, são de 34,4 mil milhões de euros (quase metade do resgate financeiro a que fomos submetidos). Bastará portanto fazer as contas aos 5% que teremos que pagar ao Fundo Monetário Internacional, calculando as 5 tranches que já nos foram atribuídas e a verba pertencente ao Fundo dentro dessas tranches(por exemplo) mais o spread diferencial, Dá qualquer coisa como 750 milhões de euros de juros por ano a 45 anos.

outros dados revelam-se assustadores: a política de Gaspar a dar frutos. 4,9% de queda na receita fiscal. Apesar do corte na despesa de 14,5%, o aumento de 22,9% com ajudas sociais mostram que a política de empobrecimento do país não só está a reduzir o poder de compra como está a tirar dinheiro ao estado por via de impostos indirectos, como ainda está a levar o estado a aumentar os seus encargos com situações de desemprego, que, tenderão a aumentar visto que a perda de poder de compra só trará mais ruína ao tecido económico português. Medidas ruinosas que se tendem a aliar com os valores dos novos escalões tributários deste país.

a espiral negativa. a armadilha do consumo. em tempos de recessão, a súbida de preços dos produtos, aliada à perda de rendimentos para consumo por parte das famílias levará a uma racionalização do consumo. perde o consumidor (que fica claramente insatisfeito visto que não consegue prover todas as suas necessidades), perde o empresário (não escoa stocks e como tal terá que rever as planificações da sua empresa e cotá-las novamente em baixa; o que levará ao desemprego, favorecido pelo novo código laboral), perde o trabalhador (despedido e catapultado para um subsídio de desemprego mais baixo que o salário que auferia) e perde o estado, pela diminuição de receitas e pelo aumento de prestações sociais.

mas

Gaspar e Mota Soares ainda querem atacar mais.

se seguir em frente, esta é a proposta que irá colocar meio portugal nas ruas para derrubar o governo. menos 42 euros para quem já faz das tripas coração para sobreviver. seria uma medida excelente caso os 150 mil beneficiários desta medida tivessem emprego. mas não tem. e mais uma vez, a estratégia de empobrecimento do país trará consequências ruinosas.

para finalizar e indo de encontro ao meu pensamento, é bonito ver as últimas estatísticas da Comissão Europeia sobre o desemprego jovem e os custos que esse mesmo desemprego incidem sobre o Estado Português.

não me venham com isto dizer que este governo peca por estar, com estas políticas, a agradar às pretensões dos seus parceiros europeus e dos mercacados, menosprezando ou tendo dificuldades de comunicação com o povo português. o povo português é imberbe mas não é estúpido. sente na pele a falta de dinheiro nos bolsos, a falta de comida na mesa e a falta de dinheiro para satisfazer as necessidades básicas.

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jamais…

a ideia reforçada hoje por Angela Merkel no Bundestag antes da cimeira europeia: o poder de veto da Alemanha sobre os orçamentos nacionais que não cumpram o plano de estabilidade e crescimento decretado por Berlim, perdão, pelo eixo Pequim-Berlim-Rio de Janeiro, perdão novamente, por Bruxelas.

como já obrigam os países europeus periféricos a adoptar a política do bom aluno (para satisfazer o reembolso e os juros dos credores alemães de meia europa), tal medida não seria só retirar a soberania nacional aos 26 como praticar a própria ditadura do bom aluno: ou cumpres os nossos planos ou serás sucumbido pelas nossas sanções.

jamais a europa deverá ceder a uma pretensão supra-nacionalista deste calíbre. seria o fim da arquitectura Schumann-Monet-Delors. seria o fim da União Europeia como a conhecemos. seria a passagem clara para um estado federalista cujas ordens seriam ditadas por Berlim. não queremos isto para a Europa pois não?

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leio no público e benzo-me

“Draghi afirmou que o país terá de acelerar as reformas estruturais com que se comprometeu”

“O processo de ajustamento está a ter lugar mais depressa do que o esperado, a economia está a reequilibrar-se de uma base puramente de consumo privado para uma economia mais orientada para as exportações” – palavras do dito cujo.

Pergunta: Mas quais reformas?

Resposta: Calma aí sr. draghi. Lá porque os mercados decidiram acreditar um dia em si, não é sinal que acreditem sempre. Uma coisa é acreditarem que uma medida central poderá efectivamente por fim à especulação dos mercados sobre a dívida de um país. Outra é tentar vender a banha da cobra aos mesmos investidores, numa lógica de “comprem comprem que isto não é assim tão mau” quando de facto o que estão a comprar é mau porque o país em causa está a entrar por uma rua de sentido único: a ruína.

Dizer que a economia portuguesa se está a reequilibrar, quando de facto está a contrair, dizer que a economia portuguesa se está a reequilibrar quando estamos a passar por uma enorme crise de falências em todos os sectores e ainda utilizar a premissa que se está a reequilibrar graças à passagem de um consumo privado (quando todos os dados estatísticos europeus e nacionais indicam uma perda de preocupar no dito e quando é notório que a economia de um país precisa de se levantar através de um aumento do consumo privado interno) para uma economia de exportações quando de facto os nossos sectores produtivos não tem capacidade ou vontade sequer de alimentar o consumo interno que tinham há alguns anos atrás e não tem capacidade de aumentar a sua produção para exportar, é digno de alguém que não anda sequer a ler os relatórios que a sua instituição tem feito sobre o caso português.

 

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Provavelmente não tem máquinas de calcular

Aquele blockbuster clássico de Bretton Woods.

O que é que se segue a seguir?

A perda do credo do fundamentalismo de livre mercado?

A autorização de mais negócios danosos no sector bancário?

A aceitação do fracasso nas políticas instauradas nos países periféricos?

Uma nova mea-culpa no processo argentino?

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the right quotes

“Public-sector cutbacks today do not solve the problem of yesterday’s profligacy; they simply push economies into deeper recessions. Europe’s leaders know this. They know that growth is needed. But, rather than deal with today’s problems and find a formula for growth, they prefer to deliver homilies about what some previous government should have done.This may be satisfying for the sermonizer, but it won’t solve Europe’s problems – and it won’t save the euro.”

Joseph Stiglitz

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outra vez arroz

a ausência do primeiro-ministro das comemorações de um dos dias mais importantes da história do seu país, para por sua vez ir lamber os tomates (desculpem-me os mais sensíveis mas não me posso poupar nas palavras) aos líderes europeus no Grupo Dos Amigos da Coesão (que nome delicioso!), mostra a sua atitude perante o seu estado e perante o seu povo: é mais importante o que a europa pensa de nós, é mais importante praticar a política do bom aluno, é mais importante arregalar os olhos aos alemães do que dizer aos portugueses algo como “não, os tempos estão difíceis mas eu estou aqui”. é uma enorme falta de respeito, é uma enorme falta de bom senso, é uma atitude servilista perante a europa, é uma atitude carneira de quem pede sacrifícios em prol de metas que nos foram impostas sem qualquer tipo de consulta popular como implica o próprio conceito de democracia, e acima de tudo, foi mais um passo que o Passos deu rumo aquilo que se irá consumar em breve que é efectivamente a sua demissão.

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