Monthly Archives: Janeiro 2013

Sporting III – continua a saga

e continua. pareceres e contra-pareceres. Bem dizias Borba, vão ser 9 dias de animação contínua e gratuita. 

depois dizem que não há dinheiro para reforços: gastam-no todo em pareceres.

“3ª No âmbito do Clube, dominam os valores de personalidade ligados ao respeito pela honra e dignidade de todos e de cada um, reforçados pela ética desportiva: há que vigiar a semântica, prevenindo desconsiderações.” – é disso que tem medo?

“3. O Sporting Clube de Portugal (doravante, abreviadamente denominado “SCP” ou “Clube”) – já agora clubinho, sportingzinho…

Esta parte do 2º parecer é no mínimo excitante:

” Numa leitura apressada, pareceria, portanto, que a revogação do mandato dos membros dos órgãos do SCP poderia ocorrer, por um lado, nos termos da lei, ou seja, ad nutum e a todo o tempo, e, por outro lado, nas demais situações e condições contempladas nos números seguintes do art. 39.º.
Não pode, evidentemente, aceitar-se uma tal interpretação. É que, se assim fosse, deixaria de fazer sentido a disposição especial do n.º 2 do art. 39.º, já que, quem pode o mais, pode, necessariamente, o menos. Quer dizer: se os sócios do SCP pudessem revogar livremente, sem invocação de qualquer causa justificativa e a todo o tempo, o mandato dos titulares dos órgãos sociais do Clube, a regra do cit. n.º 2 não teria sentido útil, pois nada acrescentaria àquela faculdade geral.

Acresce ao exposto que, mesmo numa interpretação estritamente apegada à letra das estipulações estatutárias em causa, afigura-se inequívoco que a regra do n.º 2 aparece formulada como sendo especial relativamente à do n.º 1, de modo que a destituição dos membros dos órgãos nela referidos só poderá ocorrer mediante invocação e constatação de justa causa. O que bem se compreende, dado que, a ser de outro modo, se atribuiria a um pequeno número de sócios e/ou votos, tomando por referência o total de votos do colégio eleitoral do Clube, a faculdade de a todo o momento e sem cuidar de causa justificativa colocar em causa a deliberação adoptada em Assembleia Geral Eleitoral, tipicamente circunstanciada, participada e informada.”

Um pequeno número de sócios, tomando por referência o total de votos do colégio eleitoral do Clube não pode (sem causa justificativa) destiuir os membros dos órgãos sociais do clube. Mas no entanto, a “democracia do Sporting” permite que um pequeno número de sócios, pela razão de terem direito a votos qualitativos máximos por razão de antiguidade de associado, podem efectivamente eleger direcções em minoria em relação ao número de votantes da lista contrária! Dá que pensar este modelo de democracia...

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Fuentes dixit

Jesus Manzano mandava cocaína e bufou o antigo médico da ONCE por medo que este revelasse que ele era um drogado:

“Manzano me pidió tratamiento, pero consumía cocaína y eso es muy peligroso en el deporte de alta competición. Lo sabía porque su madre me llamó para informarme. El consumo de cocaína puede producir daños cardiovasculares serios, por eso no lo incluí entre mis pacientes”

mas no caso de Manzano, para Fuentes, era tudo uma questão de saúde:

“Si el deportista tenía la sangre muy viscosa, le sacábamos la sangre para evitar ese peligro y la congelábamos. Luego, si el deportista venía con el nivel de hematocrito bajo o con anemia, le devolvíamos esa sangre por una cuestión de salud”.

Tudo por uma questão de comodidade:

“Sobre por qué las bolsas de sangre eran identificadas por apodos y no con nombres propios, Fuentes dijo: “Simplemente por comodidad. Era más corto que poner el nombre y los dos apellidos”, señaló el médico, que es juzgado en España por el delito contra la salud pública. Si es encontrado culpable podría pagar dos años de cárcel.”

e a irmã Yolanda Fuentes, outra das acusadas na Operación Puerto revela:

“”Eufemiano me puso al día de cómo se llevaba un equipo, pero de sus actividades médicas no, siempre me dejó al margen del tema de las extracciones, de las máquinas que usaba… De todo eso me enteré por la prensa”

E o irmão responde que salvava a vida a muitos ciclistas pelo esforço desumano de subir montanhas dia sim dia sim.

Acho que se pusesse estar neste julgamento, comprava um balde de pipocas, sentava-me e estava ali a divertir-me à brava.

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nem de propósito

A AG do Sporting é uma nova Ciudad Juarez.

” a intenção não é fugir aos sócios mas sim garantir que um conjunto de operações que se encontram na fase final não saiam afetadas”

Devem estar a falar das operações cirurgicas no privado que o Eduardo Barroso já tem para esse dia e não pode desmarcar!

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inenarrável

Assembleia-Geral do Sporting, a 9 de Fevereiro, pelas 10 e 30 da manhã na Bancada Poente do Estádio José Alvalade Século XXI. Sim, verdade. A AG que pode destituir um presidente vai ser realizada a um sábado de manhã numa bancada.

Este clube tornou-se ridículo. Gerido por uma gentalha sem qualquer tipo de valores, sem qualquer tipo de competências, sem qualquer tipo de conhecimento ao nível de gestão desportiva e em particular ao nível de futebol, sem qualquer tipo de sportinguismo, sem qualquer tipo de moral, sem qualquer tipo de ética, sem qualquer tipo de palavra, sem qualquer tipo de vergonha, sem qualquer tipo de descaradez.

Ainda pensei que as comadres se tivessem zangado quando o corta-fígados do Eduardo Barroso começou a disparar para todos os lados que o Godinho era uma nódoa. Depois veio o rumor que o Eduardinho chegou a Bilbao aquando do jogo das meias-finais da Liga Europa da época passada e apresentou-se ao presidente do clube basco como aquele que “mandava no futebol do sporting”. Veio a necessidade da AG e o pessoal do Movimento conseguiu as assinaturas necessárias para marcar a AG, assinaturas que foram contadas uma a uma e verificadas nos cadernos pelo pessoal da AG. Pensei, talvez seja desta que o Sporting consegue um pouco de higiène pessoal e decência. Enganei-me.

As comadres não se zangaram porque assentam numa relação dinâmica de guerra total que passo a apresentar:

– O Godinho fez e faz merda mas sabe que o Eduardo Barroso, o Luis Duque, o Carlos Freitas, o Rui Oliveira e Costa, o Dias Ferreira e o Paulo Pereira Cristóvão também fizeram merda.

– O Eduardo Barroso sabe que fez merda mas também sabe que o Godinho, o Luis Duque, o Carlos Freitas, o Rui Oliveira e Costa, o Dias Ferreira e o Paulo Pereira Cristóvão também fizeram merda.

– O Luis Duque sabe que fez merda mas também sabe que o Godinho, o Eduardo Barroso, o Carlos Freitas, o Rui Oliveira e Costa, o Dias Ferreira e o Paulo Pereira Cristóvão também fizeram merda.

– O Carlos Freitas sabe que fez merda mas também sabe que o Godinho, o Eduardo Barroso, o Luis Duque, o Rui Oliveira e Costa, o Dias Ferreira e o Paulo Pereira Cristóvão também fizeram merda.

– O Rui Oliveira e Costa sabe que fez merda mas também sabe que Godinho, o Eduardo Barroso, o Luis Duque, o Carlos Freitas, o Dias Ferreira e o Paulo Pereira Cristóvão também fizeram merda.

– O Dias Ferreira sabe que fez merda mas também sabe que o Godinho, o Eduardo Barroso, o Luis Duque, o Carlos Freitas, o Rui Oliveira e Costa e o Paulo Pereira Cristóvão também fizeram merda.

– O Paulo Pereira Cristóvão está proibido de falar da merda e dos outros e está proibido de meter câmaras em Alvalade para saber de mais merdas.

Ora bem, se todos sabem que fizeram merda e que os outros também fizeram merda, ora bem, se todos estão entalados ao nível de responsabilidades pelo estado vergonhoso, nojento, dantesco, miserável, pedante, subserviente, pequenino, bairrista, merdoso a que o clube chegou, o atraso na marcação da AG serviu apenas para que as comadres voltassem a fazer a panelinha do costume para impedir desvios de maior índole a bem da continuação da dinastia.

O que estes senhores ainda não se aperceberam é que milhares de sportinguistas, como eu, estão lentamente a passar a um estádio de ódio pelo clube que poderá terminar em indiferença a curto prazo caso nada mude no clube. Esses milhares de sportinguistas começam a sua higiéne quando desligam a TV ou não vão ao estádio na hora e meia em que o sporting joga. Continuam com a poupança pessoal (está mau para todos) ao deixar de pagar as quotas. Acabam na total indiferença ao clube quando já não se revêem nos moldes em que o clube assenta, tanto ao nível desportivo como ao nível de ética, como ao nível de organização. E esta AG (já agora porque não marcá-la para o meio do próximo comício da CGTP ou para uma bancada do estádio da luz ao minuto 32 do Benfica vs Bayer de Leverkusen?) só vem provar a propósito essa falta de ética, esse medo de que a dinastia acabe, esse medo de que as trevas no clube se acabem e finalmente se faça luz no clube.

P.S: já que é na bancada poente, bem que podiam repetir a cena do Dias Ferreira quando foi empurrado pelas escadas do Conselho Leonino e empurrar essa cambada toda até ao fosso. a culpar, atribuam as culpas à mão de deus, à mão invisível de Adam Smith ou que afirmem a pés juntos que foram empurrados por Diego Armando Maradona ou pelo Xandão em parceria com o Rojo e com o Bouhlarouz. pode ser que tal acto de classe a dê a quem nunca teve.

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curioso

este fetiche de Frau Merkel pelo 80º aniversário chegada de Hitler ao poder… escolas básicas e secundárias interromperam a lição habitual para conhecer os primeiros 6 meses de governação do Fuhrer. Dúbias afirmações como “os Direitos Humanos não se impõem por si próprios. A liberdade não chega só por si e a democracia também não” e “Tudo o que torna uma sociedade viva e humana precisa de homens que manifestem respeito e cuidados uns para com os outros, que assumam as responsabilidades por si e pelos outros” e “Em seis Meses, Hitler conseguiu destruir a diversidade Alemã”.

é caso para lembrar que Hitler chegou ao poder como uma alternativa aos fracassos da República de Weimar acentuados pela Grande Depressão e pela humilhação imposta pelos aliados à Alemanha pelo Tratado de Versalhes. Hitler chegou ao poder a partir da aceitação por parte da classe média alemã dos pressupostos basilares da sua doutrina: antisemitismo, culpa dos Judeus por todos os males da Alemanha de então, ataque ao comunismo, criação de uma raça superior que jamais se deveria relacionar com raças inferiores, vontade de criação de uma alemanha unificada que pusesse por em marcha um plano de força que possibilitasse a instauração da sua hegemonia no mundo. A transformação da doutrina económica fascista que já era experienciada com exito na Itália de Mussolini ao modelo do Nacional-Socialismo Alemão veio por atacado por ser um bom modelo de controlo do estado sobre o território, sobre os trabalhadores (que na Alemanha de então começavam a nutrir alguma simpatia pelas ideias marxistas) e sobre os recursos económicos.

foi nesses pressupostos que Hitler chegou ao poder. Hitler queria cuidar dos interesses alemães e cuidar dos alemães enquanto povo, elevando-os a uma raça superior divina. foi nesses pressupostos que Hitler chegou ao poder: assumir a responsabilidades dos outros. delegar a responsabilidades de todos no estado. unificar os interesses de todos num só, alienar as responsabilidades de todos na égide estatal. o problema de um é o problema de todos, o problema de todos é um problema de estado.

a nível político e económico consigo encontrar algumas semelhanças entre o III Reich e o governo de Frau Merkel. As políticas anti-imigração, a tentativa de controlo das instâncias europeias, a tentativa de influência no seio destas mesmas instâncias para a adopção de políticas para a europa criadas pelo governo Alemão, a imposição de regras (pensadas pelos Alemães) aos restantes países europeus, a restrição e contracção económica que é imposta aos designados “PIIGS” (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) como pedra basilar de empobrecimento económico desses mesmos países e ponto de partida para um fácil controlo Alemão baseado na “subserviência” e no pressuposto “quem depende de nós financeiramente não está em condições de exigir nada, devendo portanto só obedecer às nossas ordens”, o jogo alianças com a China que se assemelha ao jogo de alianças que Hitler fez com a Itália e com a Rússia, a falsa aliança com a França, o abandono da França nos últimos meses da Presidência Hollande e a analogia aos falsos tratados de não-agressão do Fuhrer com Estaline. Dá no mínimo que pensar.

enquanto Hitler pretendia, até porque a Sociedade das Nações não tinha meios para controlar as suas pretensões, dominar os restantes países da europa pela força e pela coacção, Merkel opta por um domínio assente na estrangulação económica dos países europeus, num primeiro plano, para num segundo plano, vendo os outros asfixiados, possa calmamente desenhar a arquitectura europeia como bem aprouver aos interesses nacionalistas alemães.

merkel sabe perfeitamente que países votados a um regime de subserviência económica junto de outro jamais poderão exercer a liberdade e a democracia. merkel sabe perfeitamente que para a Alemanha crescer economicamente, necessitará de queimar países para o efeito, aplicando-lhes duras medidas de austeridade, que não só permitam os reembolsos do capital alemão disseminado pela europa como permitam que a economia alemã se torne competitiva à custa da aplicação dos seus capitais em países empobrecidos e com mão-de-obra barata. tudo isto tem portanto uma explicação e não é toa que vemos a chanceler alemã e os seus ministros da economia e finanças (Roeseler e Schauble) a afirmar constantemente que a austeridade na europa ainda está longe de acabar, que a recessão na europa ainda está longe de acabar, que países como portugal deverão manter-se em recessão (a tal estratégia de empobrecimento) e pior que isso, não é à toa que vemos com sistematicidade as tentativas de ingerência nas questões soberanas dos países europeus por parte do governo alemão. se em 6 meses Hitler conseguiu destruir a diversidade alemã, em poucos anos Merkel está a conseguir destruir a europa e a construção europeia. pela retirada de identidade aos povos, pela retirada do poder de decisão aos estados, pela subserviência e pela construção europeia narcisisticamente dependente do poder e das imposições alemãs.

não deixa portanto de ser no mínimo curioso este fetiche pelo 80º aniversário da chegada ao poder de Hitler, curiosamente, o único totalitário europeu de então que chegou ao poder pela via democrática.

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desculpe?

ulrich

Já nem faço a habitual pergunta de retórica se este senhor sabe o que é estar desempregado ou viver com 500 ou menos euros por mês. Legitimou a luta pela sobrevivência em vez da necessidade da vivência. Interrogo-me apenas se este senhor percebe alguma coisa de economia e finanças públicas. Comparar o caso Grego com o nosso é como misturar água e vinho. Sr. Ulrich, pode ser que este pobre documentário feito pelos gregos lhe ensine algumas coisas.

P.S: não esqueçamos que foi este senhor e o senhor que está no BES (o tal que deve 8,5 milhões ao estado português) que em Março de 2011 soaram o botão de alarme na europa e consequentemente nos puseram a pedir.

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notas sobre o superclássico

1. Impressionou-me o Piqué pelas três certinhas que tirou ao Ronaldo.

2. Meteu-me impressão o Ricardo Carvalho pelo estado lastimável em que se encontra. Mal fisicamente, mal colocado, uma aposta de risco de Mourinho fruto da escassez que o Real atravessa ao nível de centrais.

3. Varane, não pelo golo mas sim por ter feito o seu trabalho e o de Ricardo Carvalho. Já escrevi aqui e volto a escrever que será o melhor central do mundo da sua geração.

4. Modric. Ter saído de Londres foi um erro crasso que futuramente será pago. O Madrid é o clube mais profícuo do mundo a destruir grandes carreiras.

5. O Daniel Alves e o Busquets continuam a dar lenha no Ronaldo como se não houvesse amanhã e a reclamar com o árbitro como se ainda tivessem razão.

6. A falta que faz um Falcao num ataque como o do Real Madrid.

7. Creio que no último lance do jogo Carles Puyol corta o remate de Sami Khédira com o braço.

8. Messi fez o que quis e só não fez mais porque ainda existia um Varane implacável pela frente, Ronaldo esteve perdulário.

9. Diego Lopez cumpriu aquele que vai ser o seu primeiro e único jogo pelo Real Madrid. Amanhã será apresentado outro guarda-redes no Bernabéu de nome Rui Patrício.

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portugal no seu melhor

“vai lá pedir aos outros senhores, vai lá meu anjo”

e há quem tenha grandes empresários

Bruno Pereirinha na Lazio por 3 épocas e meia… Vai para tratador da antiga águia do Benfica?

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diferentes concepções

Há quem alimente a “caridade”.

Há que se alimente da “caridade”

Há que tenha reticências na “caridade”.

Há quem ache que ser tributado é alimentar a “caridade”.

p.s: na questão do proprietário do BES, algo me fazia crer que alguém com responsabilidades dentro dos poderes do estado iria dizer que a alegada evasão fiscal não existiu. neste país não se pode melindrar quem sustém regimes. e Salgado é uma dessas pessoas.

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facas de três bicos

O Costa do Castelo desistiu.

Seguro deu o sinal de alarme mas também se soube precaver. Apesar de ter perguntado qual era a pressa na convocação de um congresso quando tinha sido ele a apressar esse mesmo congresso na AR, havia sempre a questão das eleições à Câmara da Capital. António Costa sabia perfeitamente que não havia alternativa no PS\Lisboa às eleições autarquicas. Podia-se optar por uma solução de recurso dentro do “socratinismo” para Câmara que até pudesse lutar pela vitória contra Seabra (Pedro da Silva Pereira, Luis Amado ou até Carlos Zorrinho) mas essa hipótese seria sempre vista como a 2ª escolha para o cargo por parte de um partido que precisa de subir no barómetro.

António Costa sabia perfeitamente que não se podia tornar líder do PS antes das autárquicas (teria que obrigar o partido a manobras que poderiam não resultar nas eleições) ou depois das autárquicas (os lisboetas não seriam parvos e não iriam votar em alguém que iria abdicar a meio do mandato para se tornar candidato às legislativas). Em qualquer um dos cenários, a decisão de António Costa parece-me a mais sensata para a unificação do partido mas não me parece a mais sensata para o futuro pois António José Seguro não deverá constituir-se como alternativa a este governo. Creio que entretanto aparecerá alguém da ala “socratista” que irá empurrar Seguro para o lugar do qual ele jamais deveria ter saído.

Ganhar as autárquicas em Portugal significa, ao nível de mediatismo, barómetro de popularidade dos partidos e fidelização de eleitorado para as próximas legislativas ganhar uma dúzia de câmaras muncipais: Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Maia, Matosinhos, Coimbra, Braga, Amadora, Sintra, Almada, Oeiras, Leiria e Viseu. Só nestas Câmaras Municipais, a brincar a brincar, concentram-se quase 2,5 milhões de eleitores, número que é mais coisa menos coisa metade do número de votantes habituais, pautando a abstenção que se registou nas últimas legislações.

No caso de Lisboa, o partido que vencer a Câmara sobe nos índices mediáticos e no barómetro de popularidade. Portanto, torna-se essencial para PS e PSD disputarem a capital com o presidente em mandato e com um opositor que é amado em Sintra e é popular em Lisboa. Uma derrota nas autárquicas poderá ser o golpe de misericórdia neste governo. Creio que não será porque o executivo cai antes. Mas…

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e nós?

A Espanha criou o banco mau, com a ajuda FROB, o Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária, com linha directa de financiamento de Bruxelas, com a conivência e patrocínio de Mário Draghi e seus pares, no valor de 40 mil milhões de euros a uma taxa de juro de 1%, passando os activos tóxicos com um prazo de vida de 10 a 15 anos de 4 bunkers, perdão, bancos (entre os quais o Bankia) para o dito banco mau, que no final do prazo de vida dos activos tóxicos em causa, afundará com a dívida devida principalmente a bancos alemães.

A Irlanda está a aproveitar a presidência da UE nos próximos 6 meses para rasgar o memorando de entendimento que assinou em 2010 com a troika para aliviar a pressão sobre a sua economia. Apesar do exemplo Irlandês diferir no Português na medida em que o que está em causa não é uma excessiva acumulação de dívida pública (impagável, diga-se no caso português) mas sim uma economia que cresceu desmesuradamente face a sucessivas entradas de gigantescos fluxos de capital estrangeiro, que por sua vez fizeram disparar uma falsa sensação de crescimento desmedido do PIB e da economia irlandesa e levaram a toda uma expansão na concessão de crédito por parte da banca irlandesa e financiamento para a construção civil que depois redundou em retirada do capital por parte dos investidores estrangeiros, falência desses mesmos bancos e crise no sector imobiliário pela falta de procura motivada pelo desemprego, pela insolvência de cidadãos irlandeses e por conseguinte pela falta de reembolsos do crédito prestado pelos banco ao seus clientes e falhas nos investimentos feitos por esses mesmos bancos, os Irlandeses, estão agora com vontade de se retirar da situação de “refém” das ordens europeias e começar a trilhar uma política expansionista por sua conta e risco.

Os Gregos, cumprindo a política do mau aluno ainda não quiseram acertar uma das instruções dadas tanto pela Alemanha, como pelo Fundo Monetário Internacional, como pelo BCE. Não só não diminuíram a excessiva dívida pública que neste momento possuem (cerca de 500 mil milhões de euros) como as reformas executadas por Atenas caíram em saco roto e o BCE, como último comprador da dívida dos países europeus, para não estar sistematicamente a alimentar a maquina grega e para não ter que aconselhar medidas ainda mais drásticas num país marcado pela instabilidade governativa, política e por crises sociais gravíssimas, não teve outra solução do que servir de mediador dos gregos em duas emissões de títulos de dívida pública nos mercados para que os Gregos se pudessem financiar a juros mais baixos do que aquilo que seria previsível.

Na Islândia, a atracção de investimento estrangeiro massivo pela estratégia dos bancos islandeses que visava conceder juros altos a todos aqueles que quisessem investir na economia irlandesa sem ter que fazer uma conta fora do país levou o país à falência. O povo islandês não teve meias medidas, foi a referindo e votou pelo não pagamento das dívidas dos seus bancos a bancos Ingleses e Holandeses e a 330 mil contribuíntes dos dois países que decidiram investir as suas poupanças no país nórdico. Hoje, o Tribunal da  BANI (EFTA) isenta a Islândia de qualquer pagamento e todos os credores dos bancos islandeses não só não obtém os juros dos investimentos ali feitos como não obtém total do reembolso desses mesmos investimentos. Mesmo apesar da europa por intermédio dos seus líderes europeus estar a trabalhar na criação de mecanismos legais que permitam o controlo dos sistemas financeiros por parte dos seus governantes, creio que a ideia é absolutamente estupenda, perdão, uma porcaria, visto que o estado jamais conseguirá controlar todos os fluxos de informação e transacções vindas do sistema financeiro pela complexitude como este funciona.

Onde é que quero chegar com isto?

Em Portugal não só vivemos no submundo da europa como pensamos sair desta crise com um pensamento de submundo. Os espanhóis criaram um banco mau para mandar a dívida devida a Alemães pelo esgoto e ainda conseguiram recapitalizar os seus bancos a troco de juros de 1%. Portugal recebeu cerca de 12 mil milhões para a recapitalização dos bancos e terá que seguir a doutrina imposta pelo BCE na medida em que os bancos recapitalizados terão que assegurar a compra de dívida pública sempre que o estado tiver que emitir títulos de dívida pública nos mercados. Por um lado, a compra de títulos de dívida pública por parte dos bancos portugueses poderá efectivamente rever em baixa os juros da dívida pública portuguesa. Por outro lado como o dinheiro para a recapitalização dos bancos portugueses provém do BCE, como o estado português se tornou accionista do bancos recapitalizados com o dinheiro emprestado do BCE a uma taxa de juro de 3,47% (repito que a de espanha é de 1% sobre um valor 4 vezes superior ao valor emprestado ao estado português) e como os investidores portugueses (principalmente os bancos portugueses) não dispõem de grandes fluxos de capital ou não demonstram interesse na compra de dívida pública portuguesa (maior parte nem dispõe de fundos para proceder à correcção do seu Core Tie 1, casos do BANIF, do BES que teve que ir aos mercados de obrigações para se poder recapitalizar de acordo com as normas do Banco de Portugal) ficamos completamente reféns do BCE. Há quem diga portanto, e bem, que vem aí um 2º resgate.

No entanto, o regresso aos mercados por parte do estado português foi considerado uma vitória em todos os campos. Chegámos portanto a meu ver a uma situação em que não só temos uma dívida pública impagável como temos uma dívida pública que será comprada com recurso ao BCE. Isto assemelha-se à alegoria do homem que está teso e que pede 50 euros emprestados ao amigo, sabendo que não irá receber futuramente os mesmos 50 euros de outrém para lhe pagar num prazo estipulado nem conseguirá com os 50 euros emprestados criar riqueza que lhe permita garantir a sua subsistência e o reembolso do valor emprestado no prazo estipulado.

Irlandeses e Gregos querem efectivamente fugir desta política. Não querem ficar reféns das políticas europeias. Uns querem trilhar o seu próprio caminho. Outros esperam que os seus credores desistam do reembolso e que a dívida grega caia como os activos tóxicos que os bancos espanhóis irão mandar pelo cano abaixo. Querem portanto começar de novo e criar condições que lhes permitam o crescimento. A estratégia do governo português, alicerçada na necessidade de ir aos mercados recolher dinheiro para pagar a máquina de um estado social que não é social nem pouco mais ou menos não só está a dar os resultados que está a dar do ponto de vista económico (desemprego, falência massiva, quebra na procura interna, estagnação da banca, aumento dos apoios sociais providos pelo estado) como está a ter custos sociais que são claramente visíveis aos nossos olhos.

Os Islandeses perceberam que não estavam dispostos a pagar pelos erros cometidos pela banca, erros cujas entidades reguladoras do sistema financeiro islandês, pagas por todos os contribuíntes fizeram vista grossa e deixaram passar sapientes do risco dessas operações e das consequências do possível colapso dos bancos islandeses, e pura e simplesmente disseram “não pagamos”. Em Portugal todos os erros cometidos pelos bancos foram ou serão pagos pelos contribuíntes e mais uma vez, os resultados da política do governo estão a dar resultados negativos nítidos.

Mas há quem ainda diga que o regresso aos mercados foi uma vitória. Há quem diga que a crise acabou. Há quem diga que não é preciso mais austeridade. Há quem tente ocultar o real estado da Nação. Sou apologista do velho ditado que diz que a verdade virá ao de cima. Mais tarde ou mais cedo. E a verdade do nosso país é que isto vai rebentar.

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