Monthly Archives: Junho 2011

Le Tour de France 2011 (Preview)

Ultrapassadas algumas memórias passadas da competição, aceito o desafio lançado pelo meu amigo Aron Von Meurs para fazer um preview da edição deste ano do Tour de France, cuja apresentação das equipas realizou-se hoje e cuja competição começa no sábado (contrariamente ao tradicionalismo de começo de competição) com uma etapa em linha que liga Gois La Barre-de-Monts a Mont des Alouettes Les Herbiers.

Em primeiro lugar quanto às etapas:

– O Tour começa com uma etapa em linha e logo no domingo teremos o espectáculo de um contra-relógio por equipas que poderá estabelecer as primeiras diferenças entre favoritos. Serão 23 km em Les Essarts.

– Até à 12ª etapa nada de montanha. A 9 e 10  de Julho, as primeiras etapas acidentadas. No dia Nacional de França, a chegada à terrível estância de Sky de LuzArdiden no primeiro teste de alta-montanha nos Pirinéus. Na etapa seguinte, a Ligação entre Pau e Lourdes cruza os Pirinéus e no dia seguinte o mais duro dos testes com chegada final a Plateau de Beille. Estas 3 etapas farão perceber quem está e quem não está na prova.

– Nos Alpes, a chegada a Gap na 16ª etapa pode causar problemas assim como as etapas seguintes (Pinerolo, Serre Chevalier e o mítico Alpe D´Huez). Este ano a prova não vai ao terrível Mont Ventoux.

– Para terminar e antes da equipa da consagração, um contra-relógio de 42,5 km em Grenoble que promete ser de uma dureza ímpar.

Para fazer esta preview, em vez de enunciar os eventuais favoritos à vitória e às respectivas camisolas prefiro fazer uma cobertura equipa a equipa.

Assim sendo:


Alberto Contador parte o Tour de 2011, em busca da sua 4ª vitória na prova, num ano que foi muito conturbado para o ciclista Espanhol.

Primeiro pela mudança mais que prevista da Astana para a Team Saxo Bank, após a contratação (também prevista há muito) dos irmãos Schleck por parte de uma nova equipa do pelotão pro-tour chamada Team Leopard-Trek, cuja sede é no Luxemburgo.

Depois pelas sucessivas interrogações sobre a presença do Espanhol no Tour devido aos escândalos de doping em que pressupostamente existiram provas de que esteve envolvido, mas cujo ciclista espanhol saiu ilibado das acusações que pendiam sobre si. O arrastar das batalhas judiciais que Contador travou este ano só deram frutos quanto a uma participação no Tour há poucos meses atrás, mas nem por isso deixa cair o favoritismo principal do Espanhol à vitória até porque venceu a passada edição do Giro de Itália com uma facilidade que espantou toda a gente.

Atrás de si, traz uma excelente equipa da Team Saxo Bank, preparada para auxiliar o seu chefe de fila nesta missão. Bons aguadeiros como Benjamin Noval, Daniel Navarro, o Australiano Richie Porte (poderá ser o plano B da equipa caso Contador falhe na montanha, visto que o Australiano tem-se mostrado um ciclista bastante completo e embora tenha a missão de ajudar o espanhol à vitória neste Tour, andará sempre ali por perto à semelhança do trabalho que já tinha feito para Contador no Giro onde seria 7º classificado e camisola da Juventude) os irmãos Sorensen e Matteo Tosatto.

Uma equipa muito forte aquela que Contador leva para terras francesas. O seu director desportivo é o antigo ciclista Britânco Bradley McGee.

Inseparáveis. Irmãos Schleck.

Contra Contador, correrão os irmãos Schleck. Andy é o 2º favorito à conquista da prova e quererá desforrar-se da vitória do Espanhol do ano passado, tendo todas as capacidades para tal visto que é um excelente trepador como Contador e ao nível do contra-relógio as suas forças equilibram-se.

A sua nova equipa (Leopard-Trek) também apresenta uma equipa capaz de trabalhar em prol do seu líder, com Linus Gerdemann (um homem que para além de ter a missão de ajudar Schleck é capaz de ter ordens para fazer umas escapadas em algumas tiradas com o intuito de vencer etapas) Jens Voigt (um veterano de luxo para trabalhar para Contador e com a mesma missão de Gerdemann) Frank Schleck (inseparável do irmão) e o veterano sprinter Stuart O´Grady para as etapas em linha (poderá em muito beneficiar do excelente trabalho que Voigt faz no final dessas equipas) e para a discussão da camisola dos pontos, onde o Australiano não sendo um dos principais favoritos poderá muito bem ter uma palavra a dizer.

A Eskautel Euskadi aparece em cenário no Tour com Samuel Sanchez como chefe-de-fila. Sanchez é sempre um nome a ter em conta para a geral, mesmo sabendo que logo no 2º dia devido às condições da sua equipa deverá perder algum tempo no contra-relógio por equipas.

No entanto Samuel Sanchez está em grande forma, é um trepador nato e não se dá mal com contra-relógios longos. Já venceu a Vuelta e já provou ser capaz de bater Contador em várias ocasiões durante os últimos anos. Caso não lute pela geral por qualquer motivo que o impeça, é sempre um nome a ter em conta para vitórias individuais em tiradas de montanha.

Terá companhia de uma renovada Euskatel, que tem como 2º corredor Egoi Martinez. A equipa é dirigida por Igor Gonzalez Galdeano, outro ex-ciclista que conhece muito bem as etapas e a dureza do Tour.

A Omega Pharma-Lotto é uma equipa completamente virada para a discussão das etapas em linha e da camisola dos pontos. Aparecendo Jurgen Van Der Broeck como falso chefe-de-fila, as principais vedetas são o Sprinter André Greipel (um dos principais candidatos à vitória na camisola verde dos pontos) o Belga Phillipe Gilbert, que poderá ser candidato a fugir numa etapa e a vencer e que decerto será o melhor classificado da equipa na geral visto que é um homem que consegue andar sempre pelos 20 primeiros na montanha

A Rabobank traz Robert Gesink. O Holandês já provou em outras grandes voltas (caso das últimas 3 edições da Vuelta) ser um homem talhado para a discussão das mesmas. É um excelente trepador que pode andar ali pelas primeiras posições mas dúvido que seja capaz de lutar taco a taco pela vitória na geral visto que é pior no contra-relógio que Contador e Schleck. No entanto, as suas hipóteses de chegar ao pódio final em Paris são imensas: tanto nos 3 primeiros como com a camisola da Montanha envergada. Deverão ser esses os propósitos da equipa Holandesa para Gesink: camisola da montanha, lugar no pódio e vitórias individuais em etapas de montanha.

Para acompanhar o ciclista Holandês, a equipa montou uma interessante equipa que compõe Juan Manuel Garate, Carlos Barredo (corredor que pode surpreender numa fuga; se bem se lembram foi aquele que uma vez deu um murro no nosso ciclista Rui Costa) e Luis-Leon Sanchez que saiu da acabada Caisse D´Epargne para a Rabobank. O Espanhol poderá ter um contributo interessante para Gesink ou poderá ser alternativa a Gesink visto que também é um corredor que se safa muito bem na média e alta montanha. Leon Sanchez era até à uns meses atrás o líder do ranking UCI.

Thor Hushovd – Um dos melhores sprinters da última década. O meu favorito.

Outras das equipas mais fortes e sobretudo mais completas é a americana Garmin.

A Garmin traz como chefe-de-fila o experiente sprinter Norueguês Thor Hushovd. Embora os resultados de Hushovd tenham vindo a decair este ano após a vitória em 2010 no campeonato do mundo de estrada, o experiente sprinter de 32 anos é sempre favorito à vitória no sprint e à camisola verde. No entanto os resultados do Noruguês tem deixado a desejar no ano 2011 onde apenas ganhou a 4ª etapa da Volta à Suiça e ficou no 8º lugar do Paris-Roubaix e não existem certezas quanto à possibilidade de vermos um Hushovd ao seu melhor nível.

Se olharmos para os restantes nomes de Garmin vemos porque é que é a equipa mais completa da prova. Hushovd não é o único sprinter de renome na Garmin, existindo também as hipóteses Tyler Farrar (este em melhor forma depois de ter vencido uma etapa no Tirreno-Adriático, a classificação por pontos da Volta ao Algarve, o Troféu de Palma de Maiorca e de ter sido 3º na clássica Gent-Welwegem) e Ryder Hesjdal que em princípio trabalhará para Hushovd e Farrar não esquecendo que também é um bom rolador e um bom finalizador de etapas.

Ao nível da montanha e da classificação geral, os Norte-Americanos trazem Christian Vandevelde, David Zabriskie e David Millar. Vandevelde e Zabriskie são homens para andar nos terrenos mais duros e quiça espreitar a vitória em etapas de montanha e o top 5. Millar será aposta nos contra-relógios.

A Astana aparece com outra face no Tour deste ano após saída de Contador. Alexandre Vinokorouv, actual rosto da Astana teve de montar uma nova equipa de modo à equipa sem competitiva depois de anos em que ter super-esquadras com Contador, Armstrong, Kloden e Leipheimer.

Vinokourov será sempre um nome a ter em conta para as etapas de montanha, para a geral e para a equipa lutar por um ou outra etapa. No entanto, creio que toda a equipa estará em torno do verdadeiro líder que é o Checo Roman Kreuziger, um ciclista em ascensão no panorama ciclista mundial que já provou estar incluído no lote dos possíveis favoritos à vitória. Para o ajudar terá Vinokourov, Di Gregório, Fofonov e Paolo Tiralongo.

Kloden – Qual o seu papel na Radioshack. Suporte a Brajkovic, suporte a Leipheimer ou correrá por conta própria?

A seguir aparece a Radioshack, outra das fortíssimas formações nesta prova.

Basicamente, quase toda a Astana dos últimos 2 anos à excepção de Contador e do retirado Armstrong.

Uma equipa muito forte que promete dar luta na montanha. Como chefe de fila o Eslovaco Janez Brajkovic, à semelhança de Kreuziger outra das promessas confirmadas do ciclismo mundial. O Eslovaco tem imenso talento e pertence à nova geração de ciclistas daquele país, mas experiencias passadas na Vuelta mostraram que pode liderar provas por etapas mas que falha nos momentos decisivos. Veremos se Brajkovic (com a super equipa que dispõe) aguenta-se neste tour. A equipa não dependerá apenas de Brajkovic para atingir os seus objectivos (vencer o Tour, vencer o maior número de etapas) visto que tem homens como Levi Leipheimer, Andreas Kloden (qualquer um deles poderá discutir a prova) Christopher Horner, Murayev, Sérgio Paulinho, Popopych e Haimar Zubeldia – estes últimos trabalharão para os primeiros 3 mas qualquer um é capaz de dar ares da sua graça na prova numa vitória em etapa, por exemplo.

A Team Radioshack é de longe a equipa mais virada para a montanha. Johann Bruyneel assume o comando da equipa.

Rui Costa – espero que o possamos ver na montanha ou numa fuga. Esperamos que possa dar uma vitória numa etapa ao nosso país como deu Sérgio Paulinho no ano transacto.

A Movistar (ainda Caisse D´Epargne) surge à semelhança da sua antecessora como uma equipa outsider no meio de tanta qualidade que se pode evidenciar aqui no Tour.

David Arroyo é o seu líder. É um corredor que já fez sucesso em Portugal ao serviço da extinta LA-PECOL e da sua sucessora. Um bom corredor de montanha, razoável contra-relogista que poderá entrar facilmente no top 10 da prova. Mais que isso será pedir demasiado ao ciclista espanhol.

Para além de Arroyo, a Movistar tem alguns corredores interessantes como o Português Rui Costa, Imanol Erviti, Vasil Kirienka e Jose Joaquim Rojas, todos eles muito talhados para fugas (especialmente o Português e Rojas).


Segue-se a Liquigás de outro dos principais candidatos: Ivan Basso. Melhor, de um dos eternos candidatos: Ivan Basso. As características de Basso na montanha são inegáveis; no Contra-Relógio tem melhorado em muito. Este é um dos anos do “now or never” para o Italiano.

Para o secundar, estarão o polaco Maciej Bodnar, Fabio Sabatini e Sylvestre Szmid.

A AG2R Mondiale entra no Tour com o propósito do costume: vencer etapas! Para isso conta com o Irlandês Nicolas Roche (filho do mítico vencedor Stephen Roche) um homem talhado para fugas e que mesmo na média montanha não se dá nada mal.

Para a montanha, a AG2R apresenta dois homens: Christophe Riblon e John Gadret. Este último tem conseguido resultáveis bastante aceitáveis na alta montanha, estando no top 10 do Giro deste ano. Poderá ser um joker a usar para uma classificação no top 10 e quem sabe algumas vitórias na alta montanha.

A Sky apresenta-se com o chefe-de-fila do costume: o Britânico Braddley Wiggins – muito regular, Wiggins poderá intrometer-se na luta pelo pódio. Mais que isso creio ser improvável.

Na sua equipa tem Flecha (um especialista nas fugas e consequentemente excelente finalizador de etapas nesse aspecto) Simon Gerrans (idem aspas) o Sprinter Edvald Boasson Hagen (um homem que se pode intrometer nos Sprints e quiçá lutar pela verde) e Xavier Zandio, um homem para acompanhar Wiggins na montanha.

A Quickstep apresenta  novamente como seu chefe-de-fila Sylvain Chavanel, o homem em que todos os Franceses depositam a confiança de vitória no 14 de Julho, dia nacional Francês. Chavanel dispensa apresentações e todos sabemos o que é capaz de fazer. No entanto, creio que não será desta que os Franceses poderão sonhar em ver em Francês vestido de amarelo em Paris. Chavanel será um forte candidato à camisola de melhor trepador. 

A Quickstep tem também dois dos melhores sprinters em prova: Tom Boonen e Gerald Ciolek, dois favoritos a etapas discutidas ao sprint e à camisola verde.

A BMC tem Cadel Evans, outro dos crónicos candidatos ao Tour. Evans terá aqui também uma das últimas oportunidades de se consagrar vencedor em Paris. A sua equipa tem uma equipa interessada montada à sua volta com Burghardt, Hincapie, Moinard e Quinziato. Terão que se redobrar em esforços para levar o seu líder ao máximo onde puderem.

A Française Des Jeux não apresenta nada de novo. Uma equipa totalmente francesa com o líder a ser novamente Sandy Casar. Objectivo: vencer pelo menos uma etapa.

A Cofidis apresenta-se em prova com o Estoniano Rein Taraamae como chefe-de-fila. É mais um para se envolver nas lutas com os mais fortes dessa variante e quiçá trazer uma vitória de etapa para a equipa Francesa. Será muito difícil a tarefa do Estoniano tendo em conta nomes como Boonen, Cavendish, Petacchi, Ciolek…

Ao nível da montanha, a equipa poderá contar com o Colombiano Leonardo Duque (terá interesse na camisola da montanha e quiçá numa boa classificação na geral) e David Moncoutie, à partida um homem para ficar nos 20 primeiros e tentar a sua sorte numa fuga.

A Italiana Lampre apresenta-se com Damiano Cunego, outro dos homens a ter em conta para a montanha. As últimas prestações de Cunego no Tour deixaram a desejar. Vamos ver se é desta que o ciclista Italiano confirma as suas credenciais de trepador.

Petacchi é o homem da equipa para a luta pela vitória nas etapas em linha e quem sabe a camisola verde, se o Italiano desta vez tiver com disposição para ultrapassar as montanhas, coisa que raramente acontece.

O mesmo se pode dizer de Mark Cavendish, o principal candidato a limpar as primeiras etapas de Tour. Dispensa apresentações.

Numa equipa com bons ciclistas de trabalho (HTC Columbia) como Bernard Eisel (talvez mais que um homem de trabalho) Peter Velits (também finaliza muito bem) Mathew Goss (pode  ganhar uma etapa caso entre em fugas) Mark Renshaw e Tony Martin, a Columbia tentará sair do Tour com o máximo de vitórias possíveis. 

Para terminar, as 4 formações mais débeis do pelotão do Tour:

– a Francesa Team Europcar com Thomas Voeckler, um nome sempre a ter em conta para umas vitórias de etapa, visto que já chegou a andar de amarelo em duas edições do Tour.

– A Team Katusha líderada por Vladimir Karpets, talvez um dos ciclistas que mais potencial apresentava na última década e que passou ao lado de uma grande carreira. Karpets também é um nome a ter em conta para uma eventual etapa de montanha. A Katusha também traz Mikail Ignatiev e Alexandr Kolobnev, dois homens muito perigosos no que toca a fugas.

– A Vacansoleil e a SAUR-Sojasun, equipas que me são desconhecidas ao nível de potencial.

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Bomba nuclear na AAC

Ao que pude apurar, João Chaves foi demitido de Administrador da Associação Académica de Coimbra por parte do presidente de Eduardo Melo.

A gota de água terá sido a recusa por parte do Administrador em fazer representar a AAC num funeral de um familiar de um antigo dirigente da Associação por falta de disponibilidade do Presidente e dos Vice-Presidentes.

Que eu saiba, a representação da AAC no exterior deve ser assegurada em primeiro lugar pelo Presidente e pelos Vice-Presidentes, nunca pelo Administrador. Impossibilitado de ir a um funeral de um familiar de um antigo dirigente da AAC, porque é que Eduardo não pediu a um dos três vice-presidentes para ir? Já sei, porque não se falam…

Ainda o andor vai a meio do ano e a presidência de Eduardo Barroco de Melo já está pendurada pelos arames pelos sucessivos problemas: primeiro a demissão de João Alexandre de Secretário-Geral da Queima que não se chegou a efectivar, em segundo o mal estar interno que se têm verificado na AAC devido a problemas relacionados com eventuais candidaturas às eleições de 2012 e agora, a demissão do Administrador da AAC João Chaves, um amigo que tenho como competente no exercício das suas funções.

O Entre o Nada e o Infinito sabe também que existiram mais motivos para a demissão de João Chaves, motivos que não conseguiu até agora apurar. Durante a noite, trarei mais revelações sobre esta demissão bombástica.

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Eu cá sou de discussões

Mas existem gajos que ainda abusam mais que eu na blogosfera.

Ler aqui. Post de João Miranda no Blasfémias.

Portugal está cheio de brilhantes economistas, pelo que se pode verificar na quantidade dos comentários que o post teve em cerca de 9 horas.

Arrisco-me a dizer: economicamente a tuga está na fossa e pode não haver solução que a tire de lá. Academicamente estamos ao rubro com a dezena de novos economistas brilhantes que aparecem na blogosfera. Arrisco-me a afirmar que por este ano podemos ver um Português a vencer o Prémio do Sveriges RiksBank (ao qual chamam Nobel mas que não é Nobel) até 2036.

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“Ninguém será deixado para trás”

Ouvi agora a intervenção de Adão Silva, deputado do PSD.

Um discurso sem grandes toques de coerência, mas com muita muita emotividade, não estivesse o mesmo a ler um discurso que talvez tivesse sido escrito por alguém.

Até que o mesmo afirma “com este governo, ninguém será deixado para trás”.

A frase soa-me como familiar a alguém que anda por aí a estudar as filosofias desse mundo. Creio que a última vez que ouvi alguém proferir uma frase desse calíbre, andava com Indianos, Chineses, Romenos, Russos e outros imigrantes de várias nacionalidades que nem sequer podiam votar. 

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O fim da macacada…

Passos Coelho deixou bem claro que não iria colocar mais austeridade para o corrente ano de 2011.

Para muitos, o subsídio de Natal deixará de ser um direito para passar a ser uma obrigação

Para uns acabaram-se a prendinhas na noite da consoada.

Para outros acabaram-se as viagens ao Brasil, que subsídio de Natal ajudava a pagar.

Para outros representa mais fome, mais dificuldade em pagar os empréstimos à habitação e outras obrigações, visto que o subsídio de Natal também é sinónimo de equílibrio nas contas das famílias Portugueses.

Nem parece um Governo que tem democratas-cristãos enfiados ali pelo meio. Podiam tirar o subsídio de férias, nunca o subsídio de Natal, não é Assunção Cristas? Não te esqueças que há muitos que sabem que és uma religiosa do catano e que andas lá sempre metida nas coisas da Igreja e da Rádio Renascença.

Mas depois, relembro-me que existe um novo ministério com o nome de Solidariedade e Segurança Social. Não deviam alterar o nome do Ministério para Caridade e Segurança Social? No entanto, volto a relembrar-me do programa governativo do Sr. Pedro Passos Coelho e dos pontos específicos em que se afirma que este governo não vem para fazer caridade. 

Para o Sr. Primeiro Ministro pouco lhe interessa: é preciso fazer sacríficios em bom nome do memorando de entendimento com a troika, das contas públicas portuguesas  e em nome do progresso  económico da Nação. Não interessam os meios usados para se atingirem estes objectivos.  No fim de contas, o salário auferido no exercício das suas funções é superior a 8 ordenados mínimos, portanto, como dizia o Eça a respeito de Afonso da Maia em “Os Maias” “não lhes deve faltar manteiga para barrar no pão”.


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Em Viana do Castelo

400 postos de trabalhos suspensos nos Estaleiros Navais. 400 postos de trabalho suspensos, mais 400 famílias em desespero nos tempos futuros, mais 400 famílias em dificuldades financeiras.

Concordo com as palavras proferidas por Carvalho da Silva hoje em Viana do Castelo. 

O Governo pretende criar mais postos de emprego. Podem começar por resolver esta questão.

E o Presidente da República, armado ao pingarelho,  qual paladino-princípe D. Henrique fala fala fala da importância do Mar para a economia nacional e ainda não foi capaz de se pronunciar sobre este autêntico flagelo que se abate entre os trabalhadores do Estaleiro Naval de Viana do Castelo.

Cavaco Silva deve definitivamente deixar-se de proferir discursos ao belo estilo Salazarista e consequentemente deixar de  recomendar mais sacrifícios ao povo. Sacríficios, anda o povo português a fazer na última década. E não se avizinham melhorias. O povo quer emprego, o povo quer melhorias de vida, o povo está-se nas tintas para as dívidas que são acumuladas pelos governantes centrais e locais e pelos gestores públicos. O povo está-se a borrifar para os erros na gestão dos bancos privados. O povo quer um bom sistema de saúde, um bom sistema de ensino, qualificação profissional, pleno emprego, aumentos salariais, o direito a um sistema de segurança social que lhe garanta uma reforma que lhe permita ter um nível aceitável de vida de acordo com o princípio da dignidade humana e protecção em caso de invalidez ou infortúnio.

Cavaco deve ser mais poupado nas palavras.

Melhor, por vezes mais vale estar calado. Porque por vezes, já diz o ditado que “pela boca morre o peixe”.

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Em Atenas (2)

Situação caótica nas ruas, onde os milhares de polícias não tem mãos a medir para controlar a ordem na capital grega.

O Parlamento Grego tomou a decisão. Para receber a última tranche do primeiro resgate acordo com o Fundo Monetário InternacionacionalComissão EuropeiaBanco Central Europeu e para se ponderar um novo resgate ao Governo Grego no valor de 12o mil milhões de euros, o Parlamento Grego votou a aprovação da imposição europeia de um novo pacote de medidas de austeridade, que faz mais cortes na Administração Pública Grega, nas reformas, nas pensões, aumenta os impostos de consumo de forma incisiva, cortes na saúde, na educação e no financiamento ao ensino superior para além das privatizações em quase todas as empresas públicas gregas.

A contestação está a ser feita nas ruas. Embora a greve de 48 horas marcada pelos sindicatos termine oficialmente à meia noite, não é seguro que na capital se comecem a dispersar os tumultos sociais.

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Adenda ao último post

Em adenda ao último post e à grave situação económica, financeira e social que se vive actualmente nos países do Sul da Europa recomendo a leitura na íntegra do texto escrito pelo agora aposentado Professor Dr. Júlio Mota, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, texto esse que expressa uma analogia histórica e um conjunto de pontos de vista bastante interessantes que subscrevo na íntegra.

Relativamente à crise económica.

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Parlamento Grego aprova austeridade.

Decisão tomada há poucos minutos em Atenas.

O euro sobreviveu, o Governo de Papandreou até poderá sobreviver mais uns meses, a Grécia até poderá evitar o estado de bancarrota nos próximos anos  mas os próximos dias serão de um profundo caos em Atenas e o futuro daquele país está escrito a negro para várias gerações.

E nós, se as medidas propostas no programa do XIX Governo Constitucional + o Memorando de Entendimento não passarem do papel à acção nos próximos meses, seremos novamente os próximos na carreira de tiro. 


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Rui Tavares

1ª Pergunta: Rui Tavares por acaso é filiado no Bloco de Esquerda?

2ª Pergunta: Rui Tavares é deputado europeu?

3ª Pergunta: Se Rui Tavares não é filiado no Bloco de Esquerda e é deputado europeu, porque é que não se preocupa em cumprir as atribuições e competências que os Tratados lhe exigem de acordo com o seu estatuto e deixa de uma vez por todas de continuar a remexer num assunto que já cheira a podre?

Ao menos, que tenha o bom senso de justificar o salário que lhe é pago pelos contribuíntes europeus…

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Em Atenas

Em Atenas, o governo Socialista de George Papandreou nunca esteve tão abandonado e tão cercado de protestos sociais.

O Governo Grego está à beira da bancarrota. Por imposição europeia para receber um novo resgate que pode ir até aos 120 mil milhões de euros + a última tranche do primeiro acordo negociado com o Banco Central EuropeuFundo Monetário Internacional e Comissão Europeia, o Parlamento Grego terá que aprovar amanhã um novo pacote de medidas de austeridade que ostenta mais despedimentos e cortes na Administração Pública, uma subida gradual de impostos, a perda de regalias por parte de funcionários da Administração Pública e familiares como o caso da pensão vitalícia que os filhos de funcionários da Administração Pública tinham direito por morte dos país, aumento das taxas de cuidados hospitalares e reduções dos encargos das finanças públicas, entre outras medidas.

Nas ruas, está marcada uma greve para as próximas 48 horas. Como podemos ver nestes dois vídeos, as ruas de Atenas estão a ferro e fogo. São milhares de pessoas contra cerca de 5 mil soldados policiais.

No Parlamento Grego, embora o Partido Socialista de Papandreou disponha de maioria absoluta, existem deputados do mesmo que não quer votar a favor de mais medidas de austeridade por estes irem contra os seus princípios. Caso as novas medidas de austeridade passem amanhã no Parlamento, prevêem-se dias terríveis em Atenas. Grupos activistas Gregos acreditam que este problema económico, financeiro e social que afecta o país Helénico não é mais do que o princípio das novas revoluções nos países periféricos da Europa contra o grande capital e a hegemonia dos interesses das grandes potências europeias sobre as instituições europeias. 

Caso as medidas de austeridade não passem no Parlamento Grego, não existe um re-financiamento mundial à Grécia. Se não existir esse re-financiamento, pura e simplesmente, a Grécia cai numa situação de bancarrota nas próximas semanas e poderá ser convidada a sair da zona euro, cenário que seria catastrófico para as políticas de integração europeias no que toca à constituição de uma União Económica e Monetária, para o Mercado Europeu e para a estabilidade da própria moeda.

Isto no dia em que o Governo Português apresentou o seu programa eleitoral e em que em Espanha reclamou-se novamente eleições antecipadas.

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Sobre o programa de governo

Em linhas gerais:

– Concordo com a suspensão do TGV LisboaMadrid. Afinal de contas não é necessária. Se por um lado poderia ser uma obra que gerasse algum emprego, é uma despesa inútil para o Estado Português. Talvez seja mais necessário para a competitividade internacional do nosso país uma melhor ligação à europa através do eixo de Irún.

Já quanto a um novo aeroporto, creio que existiria maior viabilidade em aproveitar aeroportos secundários existentes no nosso país como o caso de Monte Real e Beja.

– A privatização da TAP deixa a desejar, assim como a dos CTT. Nos moldes pensados pela coligação governamental não vão causar grandes diferenças à actualidade. Já a privatização da RTP é quadro bastante interessante assim como a liberalização do sector das comunicações, onde a competitividade será excelente para acabar com os oligopolios dominantes e assim promover serviços de maior qualidade ao menor custo possível ao utilizador.

– Nas energias renováveis assume-se a necessidade de fomentar as potencialidades do nosso país, mas de ora não existem medidas concretas que incentivem os cidadãos e as empresas a adquirir equipamentos de energias não-renováveis. Os benefícios fiscais garantidos pela aquisição não são actualmente satisfatórios.

– Ao nível da laboração das empresas de trabalho temporário não existem mudanças significativas. Promete-se a criação de mais emprego para jovens licenciados mas não se designa em que regime. Promete-se a inclusão social dos desempregados com mais de 55 anos através de um programa de reciclagem de qualificações e aprendizagem mas não se designa em que regime deverá acontecer a contratação. No entanto saúdam-se esforços para as políticas sociais de activação de desempregados dessas camadas etárias.

– Quanto ao subsídio de desemprego, mantem-se praticamente as notas do Memorando de Entendimento.

– Quanto ao arrendamento, a reavaliação das rendas (com benefício das camadas sociais mais desfavorecidas) não vai de encontro às mesmas, sabendo que uma das recomendações feitas pela Troika foi exactamente fomentar o arrendamento em vez da compra de casa de modo a evitar o endividamento excessivo das famílias.

– Ao nível da agricultura, o Estado quer fomentar a inclusão de jovens no processo agrícola mas não lhes destina mais do que um apoio ao nível de garante de terras que estão abandonadas ao cultivo.

– Ao nível da Administração Pública saúdam-se a extinção e fusão de organismos ineficientes ou cuja actividade é inexistente e a austeridade no uso de recursos públicos como viaturas e acabar-se-ão privilégios injustificados. 

– Ao nível económico financeiro, mais ajuda às Pequenas e Médias Empresas, a Venda do BPN até final do próximo mês (facto que considero quase impossível) possível aumento imediato do IVA em contraposição à redução da Taxa Social única, redução dos benefícios fiscais e consequentemente, mais diminuição do poder de compra dos cidadãos.

Está bem presente no programa governamental uma política destinada a promover aquilo que é resultado da nossa produção e que em caso de sucesso pode promover o sustento das actividades económicas existentes e a promoção de mais emprego.

Também existe responsabilização aos Ministérios que ultrapassarem os limites financeiros impostos pelo Orçamento de Estado e pela sua execução e prometem-se penalizações na execução seguinte.

– Nos Transportes públicos promete-se reavaliar as tarifas e modos de administração das empresas públicas como a TAP, a Metro Lisboa e a Carris, mas no entanto não existem medidas activas destinadas a responsabilizar gestores públicos por má-gestão e pelos prejuízos e desvios de fundos causados nessas empresas, casos da Metro e dos SMTUC em Coimbra.

– Na Educação, os Exames nacionais deixarão de ser feitos nos Ministérios.

– Na Solidariedade e Segurança Social, as pensões mínimas serão aumentadas anualmente ao nível da inflacção, medida que considero escassa. Creio que ao nível das reformas e pensões ninguém deveria receber menos que um ordenado mínimo nacional.


O programa governativo pode ser lido na íntegra aqui

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Memórias do Tour (Lance Armstrong)

Vencedor por 7 vezes do Tour. Até hoje, o ciclista com mais vitórias, num registo que demorará decerto muitas décadas a ser batido.

Há um antes e um depois na vida de Lance Armstrong.

Por um lado, quando Armstrong surgiu para o ciclismo profissional na extinta Motorola, ninguém jamais tinha em crença que o Norte-Americano viria a fazer a história que fez na prova francesa.

Lance era desde cedo um ciclista talhado para conseguir algumas vitórias (tanto que foi campeão do mundo de estrada em 1993 aos 22 anos) sendo indubitavelmente um bom finalizador, um contra-relogista interessante e um corredor que se aguentava na médiaalta montanha mas que jamais teria a hipótese de lutar com os melhores da altura (Indurain, Riis, Zulle, Rominger).

Em 1996, uma inflamação na virilha seria diagnóstico de cancro nos testículos e de dois tumores gravíssimos  no pulmão e no cérebro. Lance estava condenado mas sempre se mostrou capaz de lutar contra a doença, que viria a ultrapassar num grande exemplo de luta pela vida. Em 1997 voltaria à estrada pela Francesa Cofidis num acto de puro amor pela sua profissão.

O cancro fortaleceu Armstrong. As longas sessões de quimioterapia deram-lhe uma resistência à dor e ao sofrimento que seria importante nas vitórias do Tour enquanto o peso que perdeu durante a fase da doença deram-lhe a desenvoltura necessária para se tornar num excelente trepador.

Um estudo realizado à sua capacidade aérobica (há quem afirme que Ullrich tinha ainda mais capacidades aeróbicas que Lance) provava que Armstrong tinha uma capacidade de 83,8 mLkgmin (VO2 Max) ou seja, superior à de uma pessoa normal (40-50) e ao nível de outros grandes ciclistas do passado como Indurain (88) e Greg LeMond (92,5).

Até que veio a fase da US PostalDiscovery Channel. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Lance Armstrong e a US Postal contra tudo e todos. Disputas espectaculares contra Jan Ullrich, Iban Mayo, Joseba Beloki, Tyler Hamilton (que seria um dos seus gregários nas primeiras vitórias do Tour) e mais tarde contra Iban Basso e Alberto Contador (que seria seu rival na mesma equipa após o regresso à competição em 2009).

Por outro lado, as suspeitas de doping que recaíram sempre sobre Armstrong e a sua equipa nunca se vieram a confirmar. Nem mesmo quando descobriram seringas e substâncias dopantes num frigorífico da casa de Armstrong em Granada (Espanha). Relacionado com as suspeitas de doping, a sua página da Wikipédia é bastante esclarecedora, contendo relatos e links sobre todo o historial de acusações, testes e peritagens realizadas aos sítios onde treinava e às suas casas no Texas, em França e Espanha. Contudo qualquer das acusações lançadas não foi provada.

Individualmente, Lance era um fenómeno. Lembro-me do Tour de 2001 (o menos concorrido para Armstrong) em que este na terrível subida para o Alpe D´Huez atacou cedo e fazia uma média de 115 pedaladas por minuto, facto extraordinário para um trepador perante a dureza da montanha dos Alpes.

Porém também é certo dizer que a preparação de Lance era criteriosa: para o Tour, preparava-se na Volta à Suiça, no Tour da Romandia e no Critério Dauphiné-Libère. Neste último algumas das contagens de montanha são as mesmas da Volta à França. A sua época competitiva começava em Março e terminava no Tour, ou seja, era um ciclista que se dedicava apenas a uma grande prova por etapas por época. Também é certo afirmar que tanto na US Postal como na Discovery Channel, Lance era secundado por uma equipa de gregários constituída à sua volta: Rubiera, Beltran, Heras (passou de chefe-de-fila a ajudante de Armstrong) Tyler Hamilton, George Hincapie, Popovych, José Azevedo: todos eles tiveram uma quota parte no sucesso do Norte-Americano. A US Postal funcionava na perfeição nas etapas de montanha: comandavam muito bem as operações e iniciavam um trabalho desgastante para os adversários que a pouco e pouco iam gerando grupos muito reduzidos onde ficava o Americano e HamiltonAzevedo e dois ou três adversários, pura e simplesmente, os melhores (Ullrich, Kloden, Mayo, Basso, Beloki).

O Tour mais difícil seria o de 2003, quando Ullrich decidiu mudar de equipa para a Team Bianchi. A vitória de Lance esteve presa por um fio, não fosse o Alemão cair no contra-relógio final. Foi a diferença mais escassa nos duelos entre ambos: 1 minuto e 1 segundo. Foi também o Tour, onde Ullrich esperou por Lance após este ter caído numa etapa de montanha devido à interferência de uma bandeira de um espectador na sua roda.

Neste capítulo Lance teve imensa sorte: o respeito que imperava sobre o seu poder no pelotão internacional fazia com que os adversários esperassem por si quando tinha que sair da bicicleta para urinar ou quando caía. Todo o pelotão desejava bater Armstrong mas em situações de corrida sem incidentes. Já o Americano nunca se importou de vencer a todo o custo: o célebre caso da descida em que ia com Beloki (também no Tour de 2003)  em que os dois  saíram fora da estrada e o espanhol ficou gravemente ferido provou um Lance Armstrong que nem sequer olhou para trás para saber do estado do colega de profissão. Beloki jamais iria recuperar os seus dotes de trepador.

2005 marcaria a sua retirada do ciclismo profissional. Os anos seguintes seriam bastante conturbados no Tour: Lance Armstrong e Ullrich estavam fora e uma nova fornada de ciclistas entrava no panorama mundial (Llandis, Contador, Basso, os irmãos Schleck, Valverde). Haviam tantos candidatos a suceder ao Americano em Paris como escândalos de doping no Tour. O caso de Llandis em 2006 foi prova disso. No entanto, jamais algum destes ciclistas (mesmo Contador que já soma 3 triunfos) deverá chegar ao palmarés de 7 vitórias na geral e 22 etapas no Tour do ciclista Norte-Americano.

Voltaria à competição em 2009 para atacar novamente o Tour, depois de ter passado por experiências na maratona e no Triatlo. Incluído primeiro na Astana com Alberto Contador, teve problemas com o Espanhol no primeiro Tour chegando mesmo a pedir aos colegas que não apoiassem o Espanhol nas etapas de montanha, que de resto, este venceria com toda a classe. Decidiu fundar a Team Radioshack, uma equipa voltada para si mas a participação no Tour de 2010 seria um desastre por completo e Armstrong anunciava em Outubro passado a sua retirada definitiva da estrada.

O seu estilo era completamente inigualável. Mal a equipa preparava o seu grupinho para o resto da subida, era extremamente controlador: ora respondia a quem atacava, ora controlava a corrida deixando ir quem não lhe interessava responder. Nos momentos cruciais, lançava o seu ataque demolidor, sendo um primor no contra-relógio. Creio que foram mais as vezes que bateu Ullrich no contra-relógio do que o contrário, se bem que Ullrich era substancialmente melhor nessa variante da modalidade.

Para finalizar, aqui fica o video daquela que é considerada a melhor corrida feita pelo Norte-Americano no Tour, em 2001 no Alpe D´Huez (se clicarem no video poderão ver as 5 partes que compõem a integra da subida):

Esta subida para Alpe D´Huez foi onde Armstrong deu baile a toda a concorrência.

Outro dos momentos míticos foi em 20o3 na subida para LuzArdiden, a célebre subida em que Armstrong caiu devido à interferência de um espectador e em que Ullrich e os restantes esperaram pelo regresso do Norte-Americano:

A queda de Joseba Beloki, também no Tour de 2003:

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Sobre as contratações do Sporting

Pela primeira vez em muitos anos estou a gostar da política do Sporting.

Depois de 2 anos completamente frustrantes, a aposta num treinador que a pouco e pouco volta a devolver a esperança aos adeptos é em primeiro lugar uma aposta ganha. Domingos Paciência pode ainda não ter ganho nada, mas o seu discurso é motivador e inspira confiança aos adeptos. Dirigiu-se para o clube certo para ganhar.

Em segundo lugar, estou a gostar da política de contratações do Sporting. Não há um nome neste novo lote de jogadores que eu não dúvide das suas capacidades e qualidades para envergar a camisola do Sporting. Nem o de Ricky Van Wolfswinkel, até agora a contratação mais cara (5,7 milhões de euros).

Há que dar tempo para esta equipa ganhar maturidade e rotina sobre as ordens de Domingos. Varreu-se algum do cancro que não tinha talento e qualidade para ostentar o verde e branco no peito, contratou-se matéria prima para se fazer um plantel a sério sem exceder os targets e limitações financeiras de que o clube sofre. 

Começando pela defesa, Santiago Arias é um jogador bastante interessante para fazer concorrência a João Pereira. Será um talento a explorar a longo prazo. No centro da defesa (grande problema do Sporting nas últimas épocas) as contratações dos experientes Rodriguez e Oneywu vem dar altura a uma defesa que era muito baixa, experiência, espírito de luta, força no jogo áereo e dois jogadores que gostam de mandar nos terrenos onde pisam. À esquerda, a possível contratação de Turan (defesa-esquerdo do Grenoble internacional sub-19 pela França) será a concorrência de um Evaldo que foi diminuindo de qualidade ao longo da época devido à pouca concorrência de Leandro Grimi. O lateral Francês esteve bem cotado em Barcelona. É essencialmente um lateral de ataque que gosta de subir, centrar e bate muito bem livres.

No meio campo, perante a possível não continuidade do trio Maniche-Zapater-Pedro Mendes (creio que o clube deveria aproveitar a força do Espanhol e a inteligência de Pedro Mendes) Fabian Rinaudo vem rotulado como um jogador que se entrega totalmente ao jogo, é inteligente a sair com jogo nos pés e imperioso no desarme. Já Schaars, contratado por 850 mil euros ao AZ Alkmaar é um autêntico patrão do meio-campo: é muito forte fisicamente, gosta de assistir e remata com alguma facilidade. Podem ser bons companheiros de sector para André Santos e para Izmailov, que regressa esta época com muita fome de bola e em melhores condições físicas.

Na frente, as contratações de Carrillo (um mágico que precisa de sofrer para vencer) e Ricky Van Wolfswinkel vem fazer companhia a um Matias Fernandez que poderá render bastante com Domingos, a um Yannick Djaló que vai melhorando com o tempo e um Hélder Postiga que está novamente moralizado. Talvez seja esta a minha opinião mas creio que Domingos deveria dar mais uma oportunidade a Simon Vukcevic: o montenegrino pode render mais com um treinador a sério e com um plantel competitivo ao nível de soluções.

Para finalizar, falta a contratação de mais um extremo: existem nomes interessantes no mercado como Guardado, Giovanni dos Santos, Jorge Martinez, Bryan Ruiz, César Delgado, Artur ou Miralem Sulejmani – qualquer um deles encaixaria no Sporting e são jogadores ao alcance dos cofres de Alvalade e de mais um avançado (o tal pinheiro) onde Niklas Bendtner poderia ser a opção se o negócio estivesse ao alcance do Sporting.

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Casos de polícia

Depois de ver as fotos de um célebre blog de Coimbra sobre a inauguração de um novo espaço nocturno na cidade de Aveiro sou forçado a concluir que existem gavetas no nº1 da Padre António Vieira fechadinhas à chave que o Ministério Público deveria investigar.

A promiscuidade assume níveis interessantes para novos casos de polícia.

Uns favorecem, uma mão lava a outra e outros tapam o buraco que os primeiros fizeram.

Mas o meu amigo Hugo Ferreira é que estava errado e prejudicou os interesses da AAC. Como tal foi advertido pelo Conselho Fiscal, o mesmo que parece estar a dormir no caso do extintor do 4º piso, o mesmo que adormeceu deliberadamente no caso de outros extintores.

A uns podem calar com uns processos no Conselho Fiscal ou com processos judiciais. A mim jamais me calarão. Investiguem o nº1 da Padre António Vieira. Encontrarão muitas surpresas.

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O ensino privado

Anda por aí na blogosfera uma animosidade acerca deste post da Ana de Amesterdam.

Na minha modesta opinião, continuo sem perceber a razão do porquê do Estado continuar a subsidiar escolas privadas quando tem uma rede pública escolar minimamente satisfatória. 

Não consigo perceber o financiamento do ensino privado, quando existem pais que se aproveitam desse mesmo financiamento para colocar os filhos no privado sem pagar um tostão, só pelo cliché de apontar aos amigos que os filhos andam no colégio X ou no colégio Y.

Não consigo perceber o financiamento do ensino privado, quando este serve para alguns encarregados de educação limitarem-se a comprar uma média final elevada no ensino secundário aos seus filhos para poderem entrar no curso X ou no curso Y quando no público jamais teriam capacidades para obter essa média.

E já agora, quem paga uma mensalidade de 150, 200 ou 250 euros ou mais que essas quantias, tem escolas públicas na área e ainda recebe financiamento do estado que vá literalmente à merda porque devia pagar bem mais pela opção de deixar os seus filhos no privado.

E não me venham com o argumento da segregação. Eu cá gosto de misturas. Sempre frequentei o ensino público, sempre me dei com os problemáticos e não foi por isso que não fortaleci a minha aprendizagem sobre a vida e sobre a diferença entre as pessoas.

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Dose dupla de Linda Martini

“Amigos mortais”

“100 metros sereia”

Ainda o álbum “Casa Ocupada” dos Portugueses Linda Martini, para mim um dos melhores álbuns do século XXI da música portuguesa. A instrumentalização é do melhor que se fez até hoje em Portugal.

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River Plate desce de divisãonoite difícil em Buenos Aires

Mariano Pavone (ex-Bétis de Sevilla) ainda marcou o golo inaugural da partida aos 6 minutos que dava alguma esperança aos adeptos dos Millionários, mas haveria de falhar na 2ª parte uma grande penalidade que acabaria por ser fatal às aspirações do clube de Buenos Aires.

Imagine o Sporting, Benfica ou Porto a cair de divisão? Se imaginou, multiplique o fervor clubístico dos adeptos Portugueses por três.

Um caos monumental (segundo descrição do Jornal Desportivo Argentino Olé) foi aquilo que se passou no Monumental Nunez depois da interrupção definitiva da partida por parte do árbitro Sergio Pezzotta.

O River Plate caiu na zona de playoff de manutenção contra o Belgrano (4º classificado da Nacional B Argentina). Nem o mais negativo dos adeptos dos Milionários jamais colocaria o cenário de descida da 2ª equipa à 2ª divisão Argentina. Falamos de um dos maiores históricos do futebol mundial: 34 títulos argentinos, 2 Libertadores, 1 intercontinental. Um clube onde jogaram nomes como Daniel Passarella (actual presidente do clube) Pablo Aimar, Diego Simeone, Matias Jesus Almeyda, Mário Kempes, Enzo Francescoli, Radamel Falcao, Alfredo Di Stefano, Leonardo Astrada, Marcello Gallardo, Ariel Ortega, Marcelo Salas, Hernan Crespo, Javier Saviola, Juan Pablo Sorin, Andrés D´Alessandro, Lucho Gonzalez ou Gonzalo Higuaín.

Falamos de um clube que à partida para esta época apresentava nomes como Juan Pablo Carrizo, Paulo Ferrari, o tão cobiçado Funes Mori, Jonathan Maidana, Matias Almeyda, Erik Lamella, Diego Buonanotte, Leandro Caruso e Mariano Pavone.

A tarefa do River era hérculea. Após a derrota por 2-o em Córdoba, “a remontada” precisava de ser executada no Monumental em Buenos Aires. No fim do jogo em Córdoba, os adeptos do clube da capital Argentina já tinham deixado o aviso. Durante a semana chegaram a existir ameaças de morte aos jogadores. Face à instabilidade, a equipa esteve toda a semana a treinar nas instalações de um clube de rugby nos arredores de Buenos Aires.

A meio da semana, o jogador do século do rival Boca Juniors Juan Roman Riquelme veio a público afirmar que seria impensável o River descer de divisão e que uma eventual descida iria tirar brilho ao campeonato argentino e ao grande derby de Buenos Aires.

Os jornais Argentinos batalharam durante toda a semana na prevenção de eventuais tumultos na capital caso o River descesse de divisão.

Foram destacados 2500 polícias para a partida e nas imagens finais da transmissão da Sporttv, não se via um único polícia na zona de acesso aos camarotes do  Monumental. A polícia actuou com canhões de água perante os revoltosos adeptos do River para que o jogo pudesse prosseguir.

Quanto ao jogo. Aos 4 minutos golo anulado ao Belgrano. Passados 2 minutos, o 1º golo do River por Mariano Pavone ainda dava alento aos adeptos da casa. Na 2ª parte, os baldes de água fria: o empate do Belgrano e uma grande penalidade falhada por Pavone. Aos 89 minutos, o árbitro da partida teria que terminar a mesma por falta de condições para prosseguir, dada a revolta que ia nas bancadas do Monumental.

No relvado, os jogadores do River reuniam-se em circulo, devidamente escoltados por um enorme corpo de segurança privado e pela polícia. Alguns choravam copiosamente, casos de Carrizo, Almeyda, Caruso… Os jogadores do Belgrano eram alvo de arremesso de objectos por parte dos adeptos do river mais próximos do túnel de acesso aos balneários. Choro de tristeza, revolta do lado dos adeptos do River que continuavam a travar uma luta contra os canhões de água da polícia. Do outro lado, adeptos do Belgrano choravam de alegria pela promoção à divisão principal e pela história que o seu clube acabava de fazer no Futebol Argentino ao relegar o mítico River para a 2ª posição.

No acesso ao camarote presidencial, adeptos tentavam invadir os mesmos, na tentativa de chegar ao Presidente Passarella. Durante minutos, barraram a saída a espectadores que se encontravam no mesmo e chegaram a agredir um casal que estava em completo pânico. Valeu a rápida intervenção de alguns adeptos do clube para evitar males maiores.

O que se seguiu foi isto: o mais profundo caos dentro do Estádio e na cidade. Poderão existir mortos durante esta noite. Aliás, a Comunicação Social Argentina já fala em 2 mortos nas ruas.

Links para seguir em directo as notícias que chegam de Buenos Aires:

Jornal Clarín

Jornal Perfil

Diário Olé

Este último tem videos interessantes sobre as cenas que se passaram dentro e fora do estádio e imagens exclusivas da entrada dos jogadores do River no túnel de acesso ao balneário.

C5N – Em directo das ruas de Buenos Aires.

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Memórias do Tour (Marco Pantani)

Na foto, Pantani segue na cola de Lance Armstrong. Esta foto pertence ao Tour de 2000 se não estou em erro.

Marco Pantani já nos deixou fazem 7 anos. O “Pirata” (cognome pelo qual era conhecido na alta roda do ciclismo devido ao facto de ser careca, dos piercings na orelha e do seu estilo de corrida agressivo na montanha onde Pantani atacava sem dó nem piedade) deixa-nos saudade e um legado rico em vitórias. Foi talvez o melhor trepador que vi correr, em conjunto com Indurain, Armstrong, Heras, Mayo e José Maria Jimenez. 

Venceu o Tour em 1998 perante Jan Ullrich. O meu amigo, antigo vizinho e antigo colega de equipa Luis Coelho (na altura a pessoa com quem eu via estas vibrantes etapas de montanha do Tour) relembrou-me de dois episódios marcantes dessa vitória no Tour: o dia em que Ullrich ficou a pé perante um ataque demolidor do Italiano e perdeu 8 minutos e o contra-relógio final em que o Alemão conseguiu reduzir a desvantagem em 6 minutos mas não chegou para destronar o Italiano às portas de Paris.

Quando falo do estilo de corrida agressivo do já falecido ciclista, falo obviamente daqueles ataques tresloucados em que pura e simplesmente Pantani descolava dos grupos principais sem querer obedecer a qualquer regra estratégica dos seus directores de corrida ou sem ter a mínima noção de gestão de esforço. Atacava, ia por lá a cima como um leão e era crente na vitória. Tal falta crassa de estratégia na sua corrida, tornava-o perigoso para os grandes ciclistas de provas por etapas, mesmo tomando em consideração o facto de ser um péssimo contra-relogista. No entanto, na montanha, era capaz de sugar minutos em meia dúzia de quilómetros a toda a concorrência.

Pantani fazia-o sozinho. Nos seus tempos áureos, a Mercatone Uno (uma equipa bastante modesta na qual Pantani correu nos anos 90) não tinha recursos suficientes para contratar bons “aguadeiros” (há quem utilize o termo gregários; designa a categoria de ciclista que tem como função trabalhar para os seus chefes-de-fila) para preparar o caminho para o trepador Italiano.

Surgindo no Tour e no Giro em 1994 com 1,72m e 57 kg (altura e peso ideal para um grande trepador) destacou-se logo pela vitória no mítico Alpe D´Huez, subida onde Agostinho também venceu em 1979 e cuja placa comemorativa da sua vitória se pode ver na curva onde atacou. Nesse mesmo ano fez 2º no Giro e 3º no Tour.

Em 1997, após duas quedas que colocaram em risco a sua carreira voltou a disputar o Tour, perdendo para Ullrich nos contra-relógios. Seria a única vitória do Alemão e o primeiro 3º lugar do Italiano que no ano seguinte viria a dar a paga ao ciclista da então reputada Deutsche Telekom. Depois de 1998, vieram os escândalos de doping. Pantani foi apanhado nas malhas do doping no Giro de 1999 (EPO) e jamais viria a voltar à ribalta.

Viria a ser internado em 2003 numa clínica de reabilitação por sucessivas depressões e acabaria por morrer de forma trágica em 2004 num quarto de hotel em rimini, vítima de paragem cardíaca por overdose de cocaína, abalando o mundo do ciclismo nesse ano.

Ao todo Pantani somou 1 vitória no Giro e outra no Tour, um 2º lugar no Giro, 2 3ºs no Tour, 10 vitórias em etapas de média e alta montanha no Tour e 8 vitórias em etapas no Giro (4 viriam a ser anuladas após a sua morte). Conseguiu também um brilhante 3º lugar na prova individual de estrada nos campeonatos do mundo de ciclismo em 1995. Também venceu o prémio da juventude do Tour em 1994 e 1995 e o Prémio da Montanha do Giro em 1998.

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