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Chega!

da declaração pública lida ontem pelos reitores de todas as universidades do país,

no caso particular da Universidade de Coimbra, confesso que em muitos anos não tinha assistido a um tamanho poder de mobilização. se bem que o gabinete de comunicação e imagem da reitoria voltou a falhar ao apenas enviar tolerância de ponto para todo o universo da UC na hora prevista para a leitura da declaração no dia anterior à mesma, facto que poderia ter arrastado ainda mais gente para o Teatro Académico Gil Vicente. se o referido gabinete tivesse enviado o email com maior antecedência, em vez de 2 ou 3 mil pessoas estou seguro que Coimbra caíria lá toda.

o Magnífico Reitor João Gabriel Silva, o meu reitor (explico o porquê aqui) voltou a soar o botão de alarme no que diz respeito à sobrevivência da instituição Universidade de Coimbra. não preciso de esmiuçar muito o seu recurso. João Gabriel Silva voltou a mencionar o básico: com uma menor dotação orçamental para a instituição, a UC está abaixo do limiar de sobrevivência e não tem recursos para fazer face às despesas estruturais, as despesas mais básicas como água, electricidade, gás. nem falo sequer das despesas orçamentais, pois está mais que visto que a situação irá fazer com que a UC possa efectivamente ter a necessidade de fechar portas entre Julho e Setembro do próximo ano para cortar na despesa, despedir funcionários ou reduzir-lhe os seus horários, despedir professores, encerrar ou encurtar a prestação de alguns serviços e fazer ainda mais cortes na acção social indirecta. isso irá traduzir-se obviamente, para muita pena do nosso reitor, na diminuição da qualidade de ensino, na diminuição das verbas consignadas a investigação, na diminuição da qualidade da acção social e sobretudo, em mais desemprego e mais abandonos no ensino superior. esta declaração não se tratou de um aviso. João Gabriel Silva já vem alertando desde há muitos meses para esta situação. trata-se da realidade: ou o governo volta atrás na sua decisão ou então a UC tem os dias contados.

ao discurso do reitor seguiu-se o discurso de Ricardo Morgado. um discurso em loop. mal preparado, mal lido e revelador da estratégia que paira neste momento em relação ao problema no nº1 da Padre António Vieira que é ABSOLUTAMENTE NENHUMA. (malta, se quiserem uma ajudinha…)

o próprio Ricardo Morgado, foi o maior derrotado da manhã de ontem. a mobilização do reitor com um simples mail no dia anterior derrotou qualquer mobilização que a AAC possa fazer. perdão, a mobilização é fácil. mas só se põe em marcha quando se interessa, ou seja, em dia de eleições.

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Do Magnífico Reitor

“Aos membros da comunidade da Universidade de Coimbra,

Venho convidar todos os professores, investigadores, trabalhadores não docentes e não investigadores, estudantes e demais membros da comunidade da Universidade de Coimbra, a estarem presentes no Teatro Académico Gil Vicente, amanhã, sexta-feira 9 de Novembro, a partir das 11:30, para serem informados da proposta de orçamento para 2013 que está neste momemnto em discussão na Assembleia da República. Esta põe em causa a continuidade da universidade pública portuguesa, e portanto também da Universidade de Coimbra.

Para permitir a presença de todos determino a não realização de aulas e a suspensão de todos os serviços não essenciais, a partir das 11 horas. A atividade da Universidade retomará o seu curso normal a partir das 13 horas. Cabe aos responsáveis de cada setor determinar quais os serviços e atividades que terão de se manter a funcionar neste período.

A comunicação social também está a ser convidada para esta sessão.

Às 12:00 será lida, em simultâneo com todas as outras universidades públicas portuguesas, uma declaração dos reitores sobre esta matéria. É uma ação inédita, que pretende marcar a unidade das universidades e a gravidade da situação.

Será também apresentada a situação particular da Universidade de Coimbra, intervindo ainda o presidente da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra.

Quero realçar a importância da presença de todos nesta reunião, dando um forte sinal ao país de que a atual proposta de orçamento tem de ser alterada.

João Gabriel Silva
Reitor”

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Já me podem atirar pedras…

Solta-se o que me pretende deste infortuno infinito
Desenlaça-se o predador que me agarra
Sou um reboliço complicado
Neste laço, onde eu sou o luto e o enlutado
Acordo. Penso. Revolto-me.
Mas a teia
A teia da memória
Não me deixa terminar uma história
Em que estou seco e defunto

Acordo. Penso. Revolto-me
Vem as imagens ao segundo
Nesta teia de um vazio profundo
Prende-me, mata-me, cega-me
Faz-me esquecer a realidade do mundo
Vil
Acordo. Penso. Já desisti. Já me passei
Já estou frustrado e parto tudo. Recomeço
A revolução passou a ser
Escrita numa tinta que não escreve
Na teia
Sou o único que não se apercebe
Que não posso sobreviver.
Acordo. Mato-me. Drogo-me e sobrevivo.

Monta-se o cerco
As armas estão preparadas no canto
Aguarda-se o momento
Em que os tiros das espingardas
Colocarão a senha para o ataque
O fogo lá fora
Arde na minha mente
Acordo. Revolto-me. Estou cego.
O gás faz chorar os meus olhos
De uma hipocrisia impar
O gás
Torna o meu corpo completamente dormente

As trincheiras estão esburacadas
Os olhos esbugalhados
As sirenes, são de pânico
Soam nas caladas
Monta-se o cerco
Atiram-se os cães à frente
Sem piedade
O que hoje é mentira
Amanhã é verdade
Mudam-se os tempos
Continuo a dormir, inerte, Morto
Cego pelo gás
Saiu das trincheiras a amizade
Aliam-se os opostos
Fazem-se as pazes sobre a maldade
E a hipocrisia perdura
Atira ao relento
Nem peças satisfações
Aproveita que estás a favor do vento
E cria a ocasião
Atira
Atira sem perdão.

João Branco – escrito no TAGV a 13 de Outubro de 2010.

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