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sobre os 125 anos da AAC

A Briosa está a morrer lentamente. Do trigo dourado que outrora foi vanguarda na luta por um Portugal mais evoluído, o 125º aniversário da AAC traz-me o axiológico pressentimento que não tardará muito até que só possamos colher o seu restolho.

A Associação Académica de Coimbra faz 125 anos a 3 de Novembro de 2012. Ao contrário daquele que tem sido o seu recente percurso, a instituição poderá orgulhar-se desta data olhando pela vitrine da história o seu percurso do passado. Costuma-se dizer que nem sempre de passado vive o homem e nem sempre de passado se vai construíndo a base que a sociedade necessita para encarar positivamente o futuro. Jamais puderei adequar esta máxima do senso comum à vida recente desta instituição. A sociedade é ela própria um conceito dinâmico, assente num determinado contexto histórico-social-cultural, contexto esse que é pautado por valores éticos e morais que estão susceptíveis ao desuso imediato, ou à troca por outros na regulação das relações humanas em virtude da inserção de novos valores vindos do pensamento multidiversificado e quasi caótico do homem. A instituição, como muleta de suporte da actividade humana (considere-se cultura tudo aquilo que é feito pelo homem) e como agremiação onde o homem deposita (na praxis) todo o conhecimento e skills que vai adquirindo ao longo da vida, para perecer no tempo, necessita também ela de refrescar valores que são partilhados e considerados vigentes por todos os seus membros e misturá-los com novos conhecimentos, valores e aptidões que vão emergindo no pensamento e na técnica destes.

125 anos é muito tempo. Tempo suficiente para caracterizar um sonho que nasceu pela vontade e pelo brio dos estudantes da Academia em terem uma instituição que se considerasse sua (estudantes cujo expoente máximo foi António Luiz Gomes, primeiro presidente da AAC), que perdurou no Estado Novo na vanguarda da luta intransigente por um país pautado por valores democráticos (em geral) e por um ensino superior universalista onde as condições de acesso pudessem ser iguais para todos os cidadãos (indiferentemente do seu estatuto social ou dos seus recursos financeiros), que alinhou na linha da frente pela defesa dos direitos dos estudantes da Universidade de Coimbra, e que, para orgulho de uns e desgosto de outros, participou de forma activa e incisiva na melhoria das condições existentes na Universidade de Coimbra, na cidade de Coimbra, na cultura e no desporto deste país.

No entanto, como referi no primeiro parágrafo deste humilde artigo de opinião, nem sempre de passado vive o homem. Aquele que olhar para o passado e não conseguir aceitar o seu presente será acusado de saudosista. Que me acusem de saudosismo: a AAC precisa de mergulhar no passado para se reencontrar com o seu objecto. A AAC precisa de voltar a ser o que foi.

Faço uma analepse na narrativa até ao ano de 1969.
“Mas a universidade é velha…”. O delicioso trocadinho que os estudantes faziam de um Estado que era tudo menos Novo lia-se num dos cartazes estacionados à frente das Matemáticas no dia 17 de Abril de 1969, dia em que Alberto Martins (então presidente da instituição) e alguns estudantes de Coimbra irrompiam pela sala Pedro Nunes, sita no referido departamento, para pedir a palavra ao Presidente da República Américo Tomás e ao então Ministro da Educação José Hermano Saraiva, em plena crise académica.
“Os estudantes de Coimbra pediam a palavra” quando a palavra lhes tinha sido negada e quando alguns dos seus colegas eram expulsos da universidade, detidos nos calaboços da prisão académica ou enviados para a morte na guerra em África por defenderem a ideia da construção de um ensino superior universal e a construção de um estado democrático, justo, moderno e solidário em contraposição à posição conservadora, servilista e teimosamente imperial que o Estado (que não era Novo) impunha pela coacção e pelo terror no nosso Portugal.

43 anos passaram desde esse dia. O país haveria de ver a luz do modernismo 5 anos mais tarde. Doce ilusão. Dos Cravos nasceriam espinhos minados pelos partidos políticos, pela alta finança e por uma mascarada elite que já reinava no período da ditadura, pela corrupção praticada nas mais altas esferas públicas e privadas pelos pseudo-barões da sociedade portuguesa. Os Mellos, os Somners, os Champalimauds e toda essa escória que um dia haverá de ficar com o país só para si quando nenhum recém-licenciado se predispuser a trabalhar para as suas empresas a troco de uma tigela de caldo verde e de um prato de sardinhas e batata a murro. Do feudalismo, cresceu uma democracia tosca no nosso país que não nos presentou muito mais do que escândalos, má-governação dos recursos e bens públicos, ignorância, mesquinhez, provincianismo bacoco, inveja social, cacique e banditismo de colarinho branco.

A própria AAC também ficou afectada com a revolução. Não tardou que também ela fosse minada pelas lutas entre juventudes partidárias, desejosas em fazer da AAC um “braço politizado” e uma via para o aumento de hegemonia dos seus partidos junto do eleitorado universitário. Chegar à Direcção-Geral da AAC não significou apenas para alguns dos seus presidentes o aumento do número de militantes do seu partido nesse ano mas também o uso da instituição como tubo de ensaio para a sua formação enquanto “político” e o trampolim ideal para que estes dessem o salto para as mais altas esferas políticas da Nação, não obstante do facto de estatutariamente estar bem implícito o pressuposto basilar de uma instituição que se pretende aversa a actividades e interesses político-partidários.

Do estudante para o estudante.

Deverá na minha opinião ser este o lema de uma Associação Académica de Coimbra limpa, transparente, séria e criteriosa na sua abordagem aos problemas que surjem da vida universitária coimbrã.

Sem cacique.

É sem dúvida um dos flagelos da instituição. Falando deste ano lectivo que passou, não posso deixar de mencionar (e salutar) as concorridas eleições que tivemos nos passados meses de Novembro e Dezembro. As listas comandadas por Ricardo Morgado e André Costa ombrearam até ao último segundo na defesa dos seus ideais para a instituição. Pena tenho que em ambos os lados, alguns ideais apenas surgissem como manobras populistas de caça ao voto exclusivas dos dias eleitorais Pena me faz o facto que tenho vindo a constatar ao longo do mandato desta Direcção-Geral: alguns dos ideais da lista vencedora caíram em saco roto a partir do dia em que esta tomou posse enquanto Direcção-Geral. Lamento que em ambos os lados, houvesse gente sem ideais. Lamento faço, que em ambos os lados, os ideais tivessem sido suplantados pela necessidade de um cacique que pudesse garantir votos quando o factor decisivo que deve garanti-los deverá ser exclusivamente a competência e idoneidade das pessoas que se candidatam e as ideias que são transportadas por estas para a instituição.
Não são as ideias que fazem as direcções-gerais mas o cacique. A imposição de estudantes vindos de juventudes político-partidárias nas listas. A imposição de outros nas mesmas de acordo com critérios de selecção que não primam pela competência, pela inteligência e pela responsabilidade, mas sim (desculpem-me os meus leitores por este termo pejurativo mas realístico) pelo cheiro a “teta do poder” e de outros tais pelo simples facto de ser considerarem os comandantes dos destinos da praxe coimbrã nos diversos cursos e por consequentemente os donos dos votos na faculdade. Ó colega, já votaste? – lá andam eles de caderninhos, tablets e telemóveis recheados de números telefónicos e contactos electrónicos de toda a malta do departamento, com o simples objectivo de maximizar o sacrosanto voto entre os seus em prol de objectivos individuais. Será que o altruísmo termina enquanto valor no nº1 da Padre António Vieira? A resposta, essa, dou-a de borla a quem pessoalmente me quiser perguntar.

Costumo dizer aos meus amigos que as pessoas importantes são importantes porque vivem do alimento da força que as menos importantes lhes dão de forma gratuita visto que não conseguem por a mão à consciência e raciocinar que se calhar tem mais argumentos teóricos, técnicos e pessoais que essas mesmas pessoas. Costumo também dizer que jamais compactuarei com este modus operandis porque sou um idealista e um idealista leva a sua ideia até ao fim, vença ou perca. A vida traz-nos muitas batalhas. A minha trouxe-me a batalha pela mudança. E pela mudança lutarei sempre de espinha direita, quando muitas vezes ao lado vejo outros ajoelharem-se perante alguém para obterem certos benefícios.
Tenho defendido que a AAC necessita, necessita muito, de alguém que tenha o carisma suficiente para não só terminar com a irresponsabilidade que tem pautado o seu dirigismo como para a devolver aos mais altos patamares de decisão dos assuntos que nos dizem respeito a nós estudantes da Universidade de Coimbra.
Manuel Alegre escrevia que “em tempos de servidão havia sempre alguém que resistia e dizia não” – é hora de termos um colectivo forte na AAC que diga não ao cacique, que diga não ao despesismo que é feito em telecomunicações, em viagens e e em manifestações que granjearam vitórias morais muito dúbias ao mesmo tempo que Lisboa faz cortes orçamentais que colocam em risco a sustentabilidade financeira do ensino superior e da universidade de coimbra em particular e limitam o acesso à universidade e a um futuro risonho a todos os jovens deste país. É preciso um líder e uma equipa que finalmente consiga fazer um levantamento digno do que falhou na transição para a Declaração de Bolonha e que sejam capazes de afirmar que Bolonha apenas deu uma nova roupa a maior parte dos Cursos da instituição. É preciso um colectivo que se consiga afirmar nos órgãos da tutela com vista à obtenção do verbo e do direito de escolha no que respeita a decisões acerca do ensino superior. É preciso um colectivo que trabalhe arduamente pela obtenção de uma acção social escolar justa e de qualidade. É preciso continuar a lutar pela cultura e pelo desporto da AAC que tanto prazer de execução dá a uns e tantas alegrias nos dá a todos.

No 125º aniversário da AAC temos uma Direcção-Geral cujo presidente Ricardo Morgado é esforçado e cuja equipa tem altos e baixos. Porém, na minha modesta opinião de representado, o trabalho do colectivo comandado por Ricardo Morgado não passa mesmo do grau de “esforçado”.
A ladaínha de campanha tornou-se decrépita no acto de chegada ao poder. As cantinas fecharam ao fim-de-semana e os estudante ocuparam simbolica e pacificamente as mesmas como forma de protesto em Março. Em Maio, as cantinas reabriram ao fim-de-semana mas em Junho, a nova Administradora dos SASUC decidiu fechar duas, sendo que uma delas não irá reabrir (Verdes) e outra corre o risco de obter o mesmo desfecho trágico (Grelhados).O número de bolsas diminuiu drasticamente com a entrada da lei 15\2011. O Presidente pavoneia-se à frente de camaras de televisão de cadeias televisivas generalistas nacionais como alguém que arranja emprego e estágios profissionais aos seus colegas, argumento deveras falacioso. O presidente responde à mesma televisão acerca dos casos de estudantes carenciados que tem que abandonar o ensino superior por falta de recursos tendo como pano de fundo a esplanada de um estabelecimento comercial que se colou à AAC com supercola 3 e cujos detalhes da sua relação com a Associação tem sido marcados por pontos algo dúbios. Em certos pelouros como a Política Educativa, a Intervenção Cívica, a Cultura, a Ligação aos Órgãos, as Relações Internacionais e as Relações Externas, o trabalho desenvolvido pelos seus super coordenadores e respectivas equipas é pior que nulo, equiparando-se na verdade a uma noite de Halloween: vêem-se muitos fantasmas vindos do passado que assombram e instalam o pânico. Pior que isso: a casa continua despesista e a cada ano que passa, aumentam as despesas e diminuem as reservas do tesouro, reservas essas que continuam muito dependentes daquilo que as festas académicas dão, reservas essas que só tenderão a diminuir caso a crise económica que se vive faça diminuir a aderência dos estudantes nessas mesmas festas.

Dito isto, quero que todos aqueles que leiam este artigo coloquem a mão na consciência e raciocinem a bem da instituição. Caso contrário, a AAC daqui a 25 anos poderá não estar “viva” para comemorar o seu 150º aniversário.

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f2 2012 – Formação Fotográfica

f2=Formação Fotográfica é um projeto pedagógico iniciado em 2009 pela Secção de Fotografia AAC, composto por workshops e palestras,  objectivado na diversidade de conteúdos e pluralidade das abordagens escolhidas.

A formação em fotografia é um instrumento determinante na busca do domínio técnico e ganhos de produtividade, não só pela qualificação dos recursos humanos, mas pela capacidade de melhoria no desempenho e produção de trabalhos de autor. Mais que a formação de base, ou atualizações contínuas de conhecimentos, a f2=Formação Fotográfica pretende constituir um treino de competências práticas, na troca de experiências estabelecidas com diferentes profissionais, nas diversas possibilidades oferecidas pela fotografia.

foto: Pedro Frias

A primeira palestra já teve lugar no passado dia 30. A convite da Secção de Fotografia e do Núcleo de Estudantes de Informática através da organização do 1º Encontro Nacional de Estudantes de Design, o brilhante publicitário Edson Athayde deu uma palestra no Pólo II com o título “A importância da fotografia na publicidade e no design”.

Athayde provocou um enorme sucesso, tendo assistido à sua palestra cerca de 400 estudantes. As fotos da mesma podem ser vistas aqui através da página de facebook da Secção de Fotografia.

O próximo Workshop é já no dia 11 de Abril. António Luis Campos vem a Coimbra dar uma formação de “Iniciação à Fotografia

Ficha Técnica:

Data: 11 Abril

Local: Edifício AAC

Horário: 10:30/13:00 – 14:30/18:30 H

Preço:

Estudantes e Desempregados € 25,00

Profissionais € 40,00

Sócios e colaboradores regulares da Secção de Fotografia AAC € 20,00

 Fotógrafo freelancer desde 2004, é colaborador regular da National Geographic Portugal, tendo assinado mais de duas dezenas de artigos nesta publicação.

Engenheiro electrotécnico, é autor de três livros, “Metamorfose” (2009), “À Beira da Água” (2010) e “Recursos e Território – Uma geografia da esperança” (2011), publicando ainda regularmente, em jornais e revistas nacionais e internacionais.

Criou diversas exposições e instalações individuais em Portugal, Espanha e Polónia, das quais se destacam “Pensam que é por milagre…” e “Borboletas do Mondego e Selvagens Vidas Lusas”.

Em 2006 integrou a agência fotográfica 4SEE Photo, que evidenciou o seu trabalho ao nível internacional. No ano seguinte, foi premiado no concurso Fotojornalismo BES-Visão.

É ainda, guia de viagens fotográficas na agência Nomad, dividindo o seu tempo entre uma intensa actividade formativa na área da fotografia, trabalhos corporativos com entidades privadas e instituições estatais e o desenvolvimento de projectos fotojornalísticos e documentais.

Segundo Paulo Abrantes da Secção de Fotografia: “Este workshop terá uma componente teórica e prática, com uma sessão de sala e uma saída de campo. Focar-se-á nos conceitos fundamentais da fotografia – exposição, composição e controlos da câmara fotográfica – abordando ainda técnicas, práticas de iluminação e macrofotografia.

Dirige-se a todos os que, dispondo de máquina fotográfica, pretendam conhecer melhor o equipamento, explorar as suas potencialidades e ganhar uma nova perspectiva sobre o processo criativo da fotografia, proporcionando bases para, individualmente, os participantes poderem evoluir e alcançar resultados mais satisfatórios.”

Mais info é favor de consultar o site Fotografia.net

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para hoje temos…

A União Europeia a negar a Portugal um reforço na ajuda ao desemprego jovem. Dos 651 milhões veremos 352 e nem mais um cêntimo.

Como é que o governo tenciona combater a falta de liquidez para a criação de políticas que fomentem o pleno emprego entre os jovens? Criando os ditos “estágios profissionais” em que o empregador recebe um jovem pago à conta do estado. Quando digo pago à conta do Estado é mesmo pago à conta do estado e dos tais 352 milhões que vem do fundo comunitário mais outros tantos milhões previstos no Orçamento de Estado.

Qual é a realidade disto? Nenhuma.Qual é o carácter inovador disto? Nenhum. O empregador que não precisa de mais um salário a seu cargo sairá beneficiado por mão-de-obra que não paga. O empregador que não receber do estado decerto que não contrata. O estágio profissional continuará a ser o estigma de muitos jovens qualificados nos primeiros 7 a 10 anos após termino de curso. O estágio não-remunerado será a alternativa para tantos outros.

Conclusão: o jovem licenciado português continuará no estilo salta pocinhas de estágio em estágio. O não-qualificado continuará a bater à porta do Centro de Emprego.

Para mal dos nossos pecados, esta medida, segundo o governo só irá abranger 77 mil jovens desempregados. É de recordar que o país tem cerca de 400 mil jovens desempregados, ou seja, uma taxa de 35,7% de desemprego na faixa etária entre os 18 e os 33 anos, correspondendo este desemprego a cerca de 36% da taxa actual de desemprego no nosso país.

Para a minha geração, estes números parecem ser assustadores. É o preço a pagar pela abstenção eleitoral tenho dito.

 

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relvados de estupidez

Sobre as declarações de Miguel Relvas, o 3º do governo que incentiva à emigração.

Relvados de estupidez ainda é um título de post bastante abonatório a bom da verdade para as ditas declarações. Deveria escrever algo como relvados de insensatez ou relvados de desconhecimento (da realidade portuguesa).

Quando Miguel Relvas diz:

1. “ver o mundo com outros olhos” e a sua “capacidade de se adaptarem” a novas realidades.

É certo que maior parte dos jovens portugueses olham o mundo com outros olhos. É certo que grande parte pensa num nível de vida condigno e outros pensam em sair da tacanhez e da oligarquia instaurada neste país para conseguirem fazer a sua vida lá fora sem dessassossego financeiro e material.

Mas…

“Está na hora e na altura de sabermos aproveitar essa condição natural” dos portugueses, pois “foi também por dificuldades que vivemos à época que nós fomos à vida, à procura de outros mundos e de outros mercados”, no século XV, disse.

Fazer qualquer analogia ao Século XVI é gritante.

e…

“Esta é uma emigração muito bem preparada. Nós investimos significativamente nos últimos 20 anos numa geração e hoje não lhes damos aquilo de que eles precisam, que é o emprego”

não só admitir que o estado português não contribui para a elaboração de programas de emprego colectivo, mostrando a impotência ou inexistência de vontade de mudar a situação em que se encontra o país.

Estamos muitíssimo bem preparados para emigrar. Vamos a dados concretos:

1. Falo da minha geração. A minha geração ainda tem uma alta taxa de desistência do ensino no 6º e 9º ano e uma alta taxa de desistência no ensino superior.

2. O que Miguel Relvas considera como boa preparação considero eu como o contrário visto que beneficiei do tal sistema de ensino que Miguel Relvas enuncia. O tal sistema de ensino que era reformado quase de ano a ano, sem qualquer grau de exigência, barbaramente fraco a nível de conteúdos a nível básico e secundário, onde maior parte dos alunos não dominam a língua portuguesa e as duas línguas estrangeiras que pelo menos são leccionadas, com uma vertente prática nula (em grande parte dos cursos do ensino superior) e sem mínima noção do que é o mercado de trabalho.

3. Ao nível de preparação económica. A tal boa preparação que Miguel Relvas ressalva é aquela preparação que qualquer pessoa sendo cidadã portuguesa que pensa em emigrar não tem: verba disponível para ir para um determinado país e aí se estabelecer nos primeiros meses até às coisas se endireitarem financeiramente.

Mas o Miguelzito lá da Maçonaria lá sabe aquilo que diz, ou, que o chefe da rosa-cruz ou grão-cruz lhe manda dizer. Talvez seja melhor para o seu governo começar a pensar em programa de evacuação colectiva de todos aqueles que se situam na faixa entre os 18 e os 35 anos e não tem emprego. Assim, desinfesta-se este país dos que são considerados “inúteis” e fica o seu amigo comendador Alexandre Soares dos Santos e tantos outros que escravizam os seus empregados a mandar no sistema e está claro, a usufruir de um sistema vazio, com trabalhadores insolentes devido ao uso da chibata na lavoura e está claro, os melhores cérebros deste país a contribuir para o crescimento dos outros.

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De chorar a rir!

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Sem comentários. Política de garotos. E que tal resolverem os vossos problemas pessoais num ringe de boxe e não na porta da edilidade pública e nos jornais?

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Mas que grande bailarico!

Sporting 5-1 Liverpool – ontem, para a Next Gen Series, em Juniores.

 

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Operação “Apanha Latas” – Desperta a Academia

Ontem, em pleno cortejo da Festa das Latas e Imposição de Insignas, um grupo de jovens da candidatura à AAC designada com o epíteto de “Desperta a Academia” despertou para uma acção efectiva de limpeza do lixo provocado pelo referido corso.

Numa acção ímpar na história da Academia, à qual louvo desde já, aqui ficam as imagens e a nota informativa prestada pela assessoria de imprensa da referida lista.

Como podem constatar pela imagem, cerca de 25 estudantes, abdicaram de um momento de farra para ajudar os trabalhadores da ERSUC na recolha de lixo provocado pelo corso festivaleiro.

Enquanto os membros da outra lista estavam numa “on-da” de folia, distribuição de autocolantes inúteis e cacique barato, André Costa, como grande lider que é, negou-se a festejos, sujou os jeans e  pôs as mãos à obra, dando o exemplo daquilo que pretende para a AAC: a maior força aglutinadora de causas da cidade e dos estudantes.

Para finalizar, a nota informativa disponibilizada pelo colectivo com o balanço final da operação realizada:

nota Informativa
Iniciativa “Operação Apanha Latas”
do Projecto “Desperta A Academia”

Coimbra, 1 de Novembro de 2011
Caro Editor(a)
Venho por este meio transmitir-vos o nosso balanço final da iniciativa “Operação Apanha Latas” realizada hoje, dia 1 de Novembro, após o Cortejo da Festa das Latas, pelo percurso realizado pelos caloiros.
Esta iniciativa, que contou com a participação de 25 elementos do Projecto, teve por base a nossa convicção de que, enquanto estudantes, temos a responsabilidade de ajudar a cidade com o esforço de limpeza que impomos com a realização dos eventos das nossas Festas Académicas. Acreditamos que deve partir da Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra, à qual nos candidatamos, o esforço de inspirar os estudantes a despertar para o civismo e para as questões ambientais, por forma a credibilizar a imagem do “estudante de Coimbra”, objectivo que conseguimos cumprir parcialmente despertando a curiosidade de alguns participantes do cortejo. A iniciativa consistiu na recolha do lixo acumulado na rua após a passagem dos caloiros, sendo depois distribuído por sacos do lixo consoante a sua categoria de reciclagem. Após terem sido esgotados todos os sacos do lixo que tínhamos à disposição (cerca de 120), continuámos o nosso trajecto colaborando com a ERSUC (que agradeceu a nossa ajuda com que confessaram nunca contar) nas suas tarefas.
O nosso balanço final é extremamente positivo, tanto pelo resultado material de tornar as nossas ruas mais limpas, como pelo sentimento gratificante que ficou em todos os participantes na iniciativa.
Tratando-se de uma matéria que, pelo seu carácter cívico e interesse público, agradecíamos imenso que lhe proporcionassem a devida divulgação.
Encontro-me à vossa inteira disposição para qualquer esclarecimento.

Grato pela Atenção,
Com os melhores cumprimentos,
João Andrade de Oliveiros
Assessor de Imprensa do projecto “Desperta a Academia”
912798584
Andrade_deoliveiros@live.com.pt

É por este tipo de intervenções que declaro aqui, para que todo o mundo leia, que estou com o meu amigo André Costa e com o seu projecto. De alma e coração, André conta comigo! Vamos mudar o rumo da AAC!

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É já amanhã

Luta pelos teus direitos!

6 outras cidades Portuguesas associaram-se ao evento com manifestações à escala regional: Porto, Coimbra, Faro, Braga, Funchal e Santarém.


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Curso de Fotografia DigitalFotografia AAC

Esta formação é para todos os interessados em aprender a utilizar uma maquina fotográfica e a terem os conhecimentos técnicos de edição, tratamento, organização e arquivo digital de fotografias.

 As inscrição estão abertas de 10 a 14 Outubro 2011.

CONTEÚDO

Processo

Aparecimento da fotografia digital

Semelhanças e diferenças entre o processo analógico e digital

Glossário geral

Captura

Constituição e funcionamento das diversas maquinas fotográficas

Formatos e tamanhos de ficheiros

Sensibilidades/ISO

Balanço dos brancos/temperatura de cor

Velocidade de obturação

Aberturas de diafragma

Optimização na captura

Exercícios práticos em diferentes condições de luz

Edição

Modos de imagem (RGB, grayscale, CMYC, etc)

Ajustes: exposição, brilho, contraste, saturação, curvas, etc.

Correcções de enquadramento e cortes de imagem

Redimensionamento para os diferentes outputs 8web, impressão jacto de tinta e impressão off-set)

Ferramentas de edição

Filtros

Arquivo e organização

DURAÇÃO

6 Aulas de 3 horas cada

Dias: 18 – 19 – 20 – 25 – 26 – 27 de Outubro

 HORÁRIO

17:30H – 20:30H

 PREÇO

Estudante € 100,00

Profissional € 150,00

Desempregado € 100,00

Será entregue recibo e certificado de participação.

LOCAL

Mini-Auditório Salgado Zenha e Sala Formação CIAAC

+INFO

seccao.fotografia@gmail.com ou 91 3011551

 Nota: os cursos estão limitados ao máximo de 10 inscrições. A reserva de participação é assegurada com a entrega da ficha de inscrição e respectivo pagamento.

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Ah ganda carolas!

São tão altamente, que nem te ensinaram a falar português de forma decente e nem te impediram de fazeres figuras tão tristes.

Mas quem é este cromo?!


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Porque a luta será eterna

Foto Por Maria Corte Real no concerto de Sérgio Godinho no Avante 2011.

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32 alunos em medicina

Vi no telejornal da SIC que a Escola Secundária Alves Martins em Viseu enviou 32, sim, 32 alunos para o curso de Medicina.

Não é pera doce enviar 32 alunos para um curso onde as médias de entrada a nível nacional em 20102011 (conforme me foi emendado pelo leitor JD; não consegui encontrar as médias de entrada deste ano) foram compreendidas entre os 18.52 da Universidade do Porto e os 17,82 da Universidade da Madeira e da Universidade dos Açores. É puro sinal de excelência, de comprovada qualidade no ensino e de empenho por parte dos alunos.

Quando a jornalista interrogou alguns alunos da referida escola acerca do que é que os levou a ingressar em medicina, as respostas agradaram-me ainda mais. Quase todos mencionaram um desejo humanista de ajudar o próximo a superar os seus problemas e o desejo de trabalhar para que a medicina evolua.

Estão portanto todos de parabéns!

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aparte

Enquanto os Governos da União Europeia não alcançam uma posição unânime em relação aos programas de ajuda alimentar…

Conheço uma casa de estudantes em Coimbra em que os produtos distribuídos, pela necessidade e pela carência, dão muito a jeito a muita gente.

Mais cruel é o facto da União instaurar a “lei do desperdício” de toda a produção alimentar que excede as quotas impostas aos produtores dos vários países, com tanta gente a passar fome por essa Europa fora.


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Acesso ao ensino superior 2011

Uma amiga, disse-me há pouco, que as médias de entrada do ensino superior diminuíram.

Respondi-lhe com tranquilidade que não obstante o facto por ela enunciado, creio que as médias dos alunos é que eram demasiado altas tendo em conta a relação com a qualidade dos mesmos. 

Não estou aqui para argumentar o típico cliché de “no meu tempo é que era difícil”. Não era difícil, mas era mais exigente. Outra geração de professores, creio. Os putos de hoje não são só armados em hipsters e em posers. São alunos de média 16, no mínimo. Chegam às universidades e pouco ou nada sabem. Mal ou bem, não sabem expor uma ideia, muitos não sabem articular uma frase e outros tantos nem sabem descodificar o que lhes é pedido num enunciado. Não comprovam a excelência e vivem numa redoma de clara mediocridade.

Algo está mal no ensino português. Ou são todos génios, ou toda essa genialidade da geração do conhecimento e da informação se esvai na passagem do secundário para o ensino superior.

Tenho a certeza que as novas gerações tem mais oportunidades para receber melhor formação, mais conhecimento e mais informação do que as condições que a minha geração alguma vez teve. Basta dar o exemplo do meu irmão. No 1º ciclo do ensino básico, para além de vários livros, tem direito a DVD´s interactivos, a CD´s com jogos vocacionados para uma melhor aprendizagem das matérias leccionadas e tem computadores, que por sinal foram suspensos pelo governo – no meu tempo, existiam três livros: um de matemática, um de língua portuguesa e um de estudo do meio. No meu tempo existia uma professora sem qualquer pachorra para repetir o ensino da tabuada. Se não sabes que 6×8 é 48 e não tens boa memória para trautear a cantiga, levas nas mãos com uma régua de madeira de 30 cm de comprimento e 5 de largura e pode ser que aprendas. Actualmente, um simples aluno do 1º ciclo na minha região, tem aulas extra-curriculares de Inglês, de música, de dança e até de religião e moral, caso os seus encarregados de educação o pretendam.

Para além disso, os miúdos tem jornais, televisão por cabo e internet para se manterem informados e para cultivarem gostos e hobbies. No meu tempo (falo do período pré-histórico antes da internet chegar a minha casa compreendido entre 1997 e 2003) ir à internet na escola durante míseros 10 minutos era o êxtase do dia. É certo que eramos mais felizes. Iamos usando mais aquilo que o estado nos colocava à disposição em matéria de conhecimento que era a Biblioteca Municipal. Iamos lendo muito mais do que aquilo que os adolescentes de hoje em dia lêem. Iamos aproveitando todos os fragmentos de informação que pescavamos por aqui e por ali para compreender os factos e a história do passado, o nosso presente e o futuro.

Não fomos alunos de média 16, tomando na generalidade. Mas poderíamos bem ter sido. Arrisco-me a dizer que o nosso medíocre 13 equivale a um 19 de hoje. Somos uma geração mais culta, mais informada e com melhor calíbre argumentativo. Isso não nos podem tirar.

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Conversa de rapazes

Na Universidade de Verão, a conversa de Nuno Crato com os jovens militantes do PSD não está (do ponto de vista educacional) errada.

Quando somos pequenos, os nossos pais, os nossos tios e os nossos avós incentivam-nos a estudar para poder aceder a um melhor emprego do que eles tiveram e consequentemente a mais qualidade de vida.

A própria ideia de investimento na educação agregada à palestra do Ministro da Educação e do Ensino Superior é uma ideia correcta e bem diferente das ideias de desinvestimento que eram promovidas pelo seu antecessor no Ministério.

O problema coloca-se é quando chegamos a um patamar em que se consciencializou que para um país poder evoluir necessita de mais quadros técnicos, sendo para tal necessário voltar a um quadro de mais investimento no ensino e as políticas de criação de emprego não acompanham no mesmo sentido o incremento das duas primeiras premissas.

Muitos dos jovens licenciados, mestres e até doutorados nas mais diversas áreas, cujo emprego na área é escasso ou nulo, precisando portanto de trabalhar em qualquer coisa para pagar as contas ou sujeitar-se ao estigma dos recibos verdes, perguntam-se se valeu a pena investir tanto no seu percurso académico para no final não obter a remuneração e a satisfação em exercer a profissão que tanto desejaram.

É certo que no mundo actual, perante os moldes económicos que assistimos, a ideia Keynesiana do pleno emprego começa a ser uma ideia completamente irrealizável.

Uma grande percentagem dos jovens licenciados na última década em Portugal não arranjaram emprego na área no ano seguinte à conclusão da licenciatura e outros, passam anos e anos a pular de estágio profissional em estágio profissional antes de assinar um contrato de trabalho. 

Por outro lado, não sei onde é que o governo vai buscar as estatísticas que apresenta.

Nuno Crato apresentou uma estatística  na Universidade de Verão do PSD que dizia em que em 1982, a média dos ordenados de trabalhadores com quatro ou menos anos de escolaridade estava nos 527 euros, a média daqueles com escolaridade no ensino superior era de 799 euros e a dos licenciados nos 1399 euros mensais.

As médias enganam muito sobre os indicadores de um país. Daí que sejam muito vantajosas para os políticos. Mesmo assim, é de dúvidar estes valores apresentados pelo ministro para o ano de 1982.

A comparação com os valores médios actuais torna a demonstração muito mais ridículo. Segundo a estatística apresentada por Crato, em 2010, a média das remunerações dos trabalhadores com quatro ou menos anos de escolaridade passou para os 580 euros, dos trabalhadores que concluíram o ensino secundário passou para os 861 euros e dos licenciados para os 1625 euros.

Tomo os seguintes pontos como conclusões:

1. Como é possível apresentar estes números num país onde uma interessante percentagem dos trabalhadores recebe o salário mínimo nacional, remuneração que só este ano irá atingir a barreira dos 500 euros?

2. Se o salário médio dos trabalhadores com escolaridade baixa em 1982 era de 527 euros, porque é que hoje assistimos a uma média nacional de reformas assente nos 380 euros mensais?

3. Nuno Crato tem em consideração a quantidade de desemprego que existe entre os licenciados no nosso país e a quantidade destes que aufere rendimentos mensais abaixo dos 800 euros em relação à quantidade dos mesmos que aufere acima dos 1625 euros?

Ou todas estas estatísticas são exactamente iguais às estatísticas do antigo secretário de estado socialista Valter Lemos, ou seja, feitas na hora?

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NextGen Series

Liga dos Campeões para o escalão de Juniores. Pode ser acompanhada aqui.

Também estão disponíveis no youtube videos com os resumos de alguns jogos da 1ª jornada da competição.

Na primeira jornada, os jovens jogadores do Sporting foram a Liverpool ganhar 3-0 a uma equipa que tem 7 jogadores a trabalhar regularmente com a formação de Kenny Dalguish.

Na próxima jornada, o Sporting recebe em no Alvalade XXI a formação alemã do Wolfsburgo.

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O Acordo PSD-CDSPP

Fica em registo:

ACORDO POLÍTICO DE COLABORAÇÃO ENTRE O PSD E O CDS/PP PARA O ESTABELECIMENTO DE UM PROJECTO POLÍTICO DE LEGISLATURA

Portugal está hoje confrontado com uma situação extremamente delicada, caracterizada por uma profunda debilidade económico-financeira que nos obrigou a recorrer, pela primeira vez em mais de três décadas, à ajuda externa. Uma debilidade económico-financeira que se projecta, de forma dramática, na degradação das condições de vida da generalidade dos Portugueses e que está inclusive a pôr em causa o desempenho, pelo Estado, das suas responsabilidades indelegáveis de protecção dos mais desfavorecidos e daqueles que se encontram numa situação de maior debilidade, bem como a promoção da igualdade de oportunidades e da mobilidade social.

As eleições legislativas do passado dia 5 de Junho representaram, porém, o surgimento de um novo horizonte de esperança. Porque deram nota, clara e inequívoca, da vontade dos nossos compatriotas de não se resignarem. Porque os seus resultados traduzem um claro desejo de mudança. E, sobretudo, porque tornaram patente que existem soluções, credíveis e claras, para retirar o País do actual estado de coisas e para o recolocar na senda do progresso e do desenvolvimento.

Enquanto representantes e intérpretes privilegiados da vontade popular, constitui dever de responsabilidade dos responsáveis políticos – de todos eles – retirar as indispensáveis ilações da vontade popular então expressa.

E fazê-lo com sentido de responsabilidade e tendo em mente o objectivo primeiro para cuja realização lhes compete trabalhar: a defesa do interesse de Portugal e dos Portugueses.

Os desafios com que estamos confrontados são complexos e pesados. E os tempos que vivemos são, por isso mesmo, de exigência e de responsabilidade. Porque, mais do que mudar de políticas, o que está em causa é mudar o próprio modelo de desenvolvimento económico e social do País.

É possível, e é necessário, governar de forma diferente e, sobretudo, governar melhor. Para o conseguir, porém, é indispensável delinear uma solução política que não se traduza num mero arranjo de conveniência, preocupado apenas com a ocupação de lugares no poder, mas que seja tradução de um projecto coerente para mudar Portugal, para melhorar, de modo sustentado, as condições de vida dos nossos compatriotas e para voltar a colocar Portugal numa rota de convergência com os nossos parceiros europeus, de cooperação estreita com os Países de Língua Oficial Portuguesa e de renovado prestígio na comunidade internacional.

Assim, o PSD e o CDS/PP:

– Atenta a absoluta necessidade de dotar o País de um Executivo que assegure, com coerência e estabilidade, a condução dos assuntos da governação pelo período da XII Legislatura da Assembleia da República;

– Fiéis aos valores que os orientam, nomeadamente a preocupação central com a pessoa humana e a sua dignidade, aos princípios que definem a identidade de cada partido e ao percurso histórico que os caracteriza;

– Interpretando os resultados das eleições legislativas de 5 de Junho de 2011, das quais resultou uma maioria parlamentar dos dois partidos, correspondendo a uma maioria social de votantes superior a 50%;

– Tendo em conta o apelo, feito pelo Senhor Presidente da República, para que seja encontrada, no novo quadro parlamentar, uma solução governativa que disponha de apoio maioritário e consistente, subscrevem o presente Acordo Político de Colaboração para o Estabelecimento de um Projecto Político de Legislatura, que se consubstancia nas seguintes regras:

I

FORMAÇÃO E ORIENTAÇÃO PROGRAMÁTICA DO GOVERNO

1. O PSD e o CDS/PP reconhecem a absoluta necessidade de dotar Portugal de um Governo maioritário de coligação, condição primeira para fazer sair o País da crise actual e para criar as condições indispensáveis ao cumprimento dos compromissos estabelecidos com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional.
2. Para tal efeito, será constituído um Governo de coligação entre os dois partidos, sob a liderança do Presidente da Comissão Política Nacional do PSD e Primeiro-Ministro indigitado, Dr. Pedro Passos Coelho, ao qual cabe, nos termos constitucionais, a responsabilidade pela constituição do Governo.

3. Embora sustentado no apoio parlamentar dos dois partidos subscritores, o Governo terá a preocupação de alargar a sua base de apoio, para isso estabelecendo o indispensável diálogo com personalidades, organizações e instituições da sociedade civil, que se revejam no propósito de mudança que aquele visa protagonizar.

4. A criação das condições de confiança, tanto junto dos portugueses como dos nossos parceiros internacionais, requer absolutamente que o nosso País tenha um Governo de Legislatura. Nessa medida, o PSD e o CDS/PP comprometem-se, através das respectivas direcções políticas e dos seus órgãos próprios, a empreender todos os esforços com vista a garantir a estabilidade e a continuidade desse Governo.

5. O Governo de coligação terá como preocupação fundamental da sua actuação ao longo da legislatura a realização dos seguintes objectivos:

a. Gerir e resolver a grave situação financeira, assumindo os custos e as condicionantes inerentes. Para o efeito, o Governo compromete-se com a execução de um Plano de Estabilização Financeira e de um Plano de Emergência Social que proteja os mais vulneráveis, bem como com o cumprimento dos termos do Memorando de Políticas Económicas e Financeiras acordado entre o Governo Português, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Queremos reconstruir a confiança da comunidade internacional em Portugal e acautelar o prestígio do nosso país no processo de construção europeia e no quadro da Lusofonia;

b. Criar condições para acelerar a retoma do crescimento económico e a geração de emprego, com vista à melhoria das condições de vida dos cidadãos, apostando na valorização do trabalho e repondo a mobilidade social, especialmente para os mais jovens. O Governo promoverá o aumento da produtividade e da competitividade como via para o crescimento económico sustentado e para a criação de emprego, tornando-se um factor de segurança para os Portugueses.

c. Garantir o Estado Social através da criação de condições para a sua sustentabilidade económica, financeira e inter-geracional, evitando a exclusão social, assegurando uma mais justa repartição dos sacrifícios, mediante uma ética social na austeridade que proteja em particular os grupos mais frágeis da sociedade, nomeadamente os pensionistas com pensões mais degradadas.

d. Iniciar as transformações estruturais necessárias para um crescimento sustentável a todos os níveis: travar e reduzir o endividamento do Estado e diminuir a sua despesa, nomeadamente através da redução de estruturas e dirigentes em todos os níveis do Estado e do seu sector empresarial; assegurar o reforço da independência e da autoridade do Estado, garantindo a não partidarização das estruturas e empresas da Administração e assegurando uma cultura de mérito, excelência e rigor em todas, com enfoque na qualidade dos serviços prestados ao cidadão.

e. Abrir um novo horizonte de futuro à juventude, preparando-a para a empregabilidade e a competitividade na nova sociedade do conhecimento, actuando sobre a qualidade e a exigência do sistema de ensino com promoção do mérito, do esforço e da avaliação; e desenvolvendo a ciência, a tecnologia, a inovação, o ensino técnico-profissional e a formação contínua no mundo empresarial.

. Aumentar a poupança, reduzir o endividamento externo, exportar mais e melhor e depender menos das importações, através de políticas adequadas de ajustamento macroeconómico e reforçando a inovação, o empreendedorismo, a acção externa coerente e uma nova política energética. Acreditamos no papel insubstituível da iniciativa privada, pelo que daremos atenção especial às PME e adoptaremos políticas que contribuam para o aumento da sua produtividade e competitividade. O Governo valorizará os novos sectores estratégicos, designadamente os que têm maior impacto nos bens transaccionáveis, dando a devida prioridade à agricultura e florestas, à economia do mar e das pescas, ao turismo e à cultura, promovendo uma política de proteção ambiental e um desenvolvimento sustentado do território, sem descurar todos os restantes sectores que contribuam para o aumento da capacidade exportadora, que será crítica no curto e médio prazo para a criação de postos de trabalho e para o aumento do rendimento.
g. Remover bloqueios e constrangimentos à recuperação económica, com especial destaque para as seguintes reformas: da concorrência e dos respectivos reguladores; do mercado de trabalho, viabilizando a empregabilidade e a contratação; do mercado de arrendamento, promovendo a mobilidade, a reabilitação urbana e a diminuição do endividamento das famílias; do sistema fiscal, valorizando nomeadamente o trabalho, a família e a poupança; da Segurança Social, garantindo a sua sustentabilidade, a solidariedade inter-geracional e a progressiva liberdade de escolha, nomeadamente dos mais jovens.

h. Reformar a justiça, tendo em vista a obtenção de decisões mais rápidas e com qualidade, tornando-a num estímulo ao desenvolvimento económico e ao investimento. Será prioridade do próximo Governo a recuperação da credibilidade, eficácia e responsabilização do sistema judicial e o combate à corrupção.

i. Promover o desenvolvimento humano e social, qualificando os portugueses para a era da globalização onde o conhecimento terá uma importância acrescida. O Governo defenderá a humanização da prestação de cuidados de saúde e a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. O Governo reconhece a importância da economia social e pugnará pela máxima utilização da capacidade instalada, nomeadamente nos sectores da educação, saúde e solidariedade.

j. Garantir a condição primeira do exercício da liberdade, que é a segurança dos cidadãos, nomeadamente através do reforço da motivação das forças de segurança e da sua eficácia operacional.

6. A realização desses objectivos centrais será feita em obediência às orientações traçadas no “Acordo relativo às Bases Programáticas do Governo de Coligação”.

7. Os partidos signatários assumem, desde já, que o acordo referido no ponto anterior constituirá o fundamento do programa do Governo a apresentar à Assembleia da República.

II

COLABORAÇÃO NO PLANO PARLAMENTAR

1. Por forma a garantir, permanentemente, a coerência e a estabilidade do projecto político que o Governo de coligação corporiza, o PSD e o CDS/PP, no respeito pela identidade própria de cada um, assumem o princípio de colaboração activa no apoio, em sede parlamentar, à sua actuação, seja no que toca às orientações estratégicas por ele delineadas, seja no que respeita às medidas concretas por ele propostas.

2. Para isso, os partidos signatários comprometem-se a acordar previamente e votar solidariamente, em sede parlamentar, designadamente, as seguintes questões:

a. Programa do Governo;

b. Moções de confiança e de censura;

c. Orçamentos, grandes opções do plano e iniciativas de suporte ao Programa de Estabilidade e Crescimento;

d. Medidas de concretização dos compromissos constantes dos entendimentos celebrados com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional;

e. Propostas de lei oriundas do Governo;

f. Actos parlamentares que requeiram maioria absoluta ou qualificada, incluindo projectos de revisão constitucional;
g. Propostas de referendo nacional;

h. Eleições dos órgãos internos da Assembleia da República, com excepção da do Presidente da Assembleia, em que os Partidos têm compromissos prévios, ou dos órgãos a ela externos em que deva fazer representar-se, assegurando uma adequada representação de ambos.

3. A listagem prevista no ponto anterior é exemplificativa, devendo a concertação entre ambos os partidos estender-se a outras matérias ou questões, sempre que tal for considerado conveniente, após consultas prévias entre as direcções dos respectivos Grupos Parlamentares.

4. No âmbito da actuação parlamentar, o PSD e o CDS/PP comprometem-se ainda a:

a. Garantir a informação e consulta prévias em todas as iniciativas legislativas da responsabilidade de qualquer dos partidos;

b. Apresentar, em termos e prazos a definir, um projecto conjunto de revisão constitucional, sem prejuízo da existência de ante-projectos próprios. No âmbito desse projecto conjunto, deverão merecer especial atenção, entre outros, os temas relacionados com a reforma do sistema político, do sistema judicial e dos órgãos de regulação, bem como, ainda, a problemática da limitação do endividamento público;

c. Abster-se de apresentar qualquer iniciativa parlamentar que colida com a actividade do Governo;

d. Desenvolver os melhores esforços no sentido de procurar viabilizar as iniciativas parlamentares de cada um dos partidos.

5. A concertação na actividade em sede parlamentar será assegurada por via de uma estrita e permanente articulação entre as Direcções dos respectivos Grupos Parlamentares e da realização, sempre que tal for considerado adequado, de reuniões conjuntas desses Grupos.

III

COLABORAÇÃO POLÍTICA EXTRA-PARLAMENTAR

1. Reconhecendo a necessidade de a coerência e estabilidade do seu projecto político conjunto ser assegurada a todos os níveis, o PSD e o CDS/PP assumem que a colaboração mútua deve abranger, ainda:

a. No respeito pela identidade própria de cada partido, a cooperação e a mobilização das respectivas estruturas e responsáveis, em todos os escalões da sua organização interna;

b. A troca de informações e a consulta mútua no que respeita a actos eleitorais que venham a ocorrer no decurso da vigência do presente Acordo.

2. Sem prejuízo do disposto no ponto anterior, a decisão sobre matérias relativas às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira respeitará a autonomia estatutária dos órgãos regionais de ambos os partidos.

IV

DISPOSIÇÕES FINAIS

1. O presente Acordo entra em vigor na data da sua assinatura e vigorará por todo o período da XII Legislatura da Assembleia da República.

2. O presente Acordo é celebrado num espírito de colaboração empenhada, permanente, leal e franca e em obediência a um propósito único: a promoção do interesse nacional.

Lisboa, 16 de Junho de 2011

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Inconcebível

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Fonte: SIC Notícias

A cena de violência em si é assustadora e acredito perfeitamente que existam dezenas de casos semelhantes a este por dia no nosso país.

O vídeo foi publicado no facebook por um jovem já identificado de 18 anos (cuja comunicação social adianta ter o 7º ano de escolaridade e estar a frequentar o ensino profissional na Amadora) e a cena passou-se em Benfica, junto ao Centro Comercial Colombo.

A Procuradoria Geral da República diz não ter meios que permitam aplicar justiça a vídeos de violência publicados em redes sociais. Até aí tudo bem. Agora, não abrir um processo contra os agressores da jovem, o rapaz que filmou e os jovens que se estavam à volta a rir de toda a situação sem sequer terem a consciência de parar com aquela escalada não é normal de um país que se diz civilizado e de uma justiça que se quer afirmar como implacável perante este tipo de situações.

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