Monthly Archives: Outubro 2012

a tal ética social na austeridade

 

Depois existem os exemplos vindos do nosso Serviço Nacional de Saúde.

Sim, é real. Alguém que seja vítima de assalto ou roubo com recurso à violência física, agredido ou até espancado de forma brutal e necessite de cuidados médicos depois do crime, terá que desembolsar todos os cuidados prestados porque o SNS não comparticipa os mesmos.

Seria este o verdadeiro sentido do conceito inserido pelo primeiro-ministro em pleno Parlamento em Outubro de 2011?

Com as etiquetas , , , , , , , , ,

Fiorentina 2-0 Lazio

Mais uma vez o nosso saco de pancada preferido teve o que mereceu! E a Viola entrou em lugares europeus. 5ª classificada neste momento.

De salientar da partida contra a Lazio o regresso de Luca Toni do mundo dos mortos! Lindo! Até o presidente Andrea Della Valle saltou do seu cadeirão!

Com as etiquetas , , , , , , ,

The Smiths — “The Headmaster Ritual” — Álbum: Meat Is Murder (1985)

Com as etiquetas , , ,

respeito ao craque

Marrouane Fellaini. indubitavelmente um dos melhores box-to-box que vi jogar em toda a minha vida.

Com as etiquetas , ,

milagres

o meu pai é fã do Liverpool. relembra-lhe os tempos do Souness (diz que foi o grande médio do futebol britânico porque foi o primeiro, na década de 80, a mudar o paradigma de actuação dos médios britânicos de um futebol onde estes só se limitavam a cabecear bolas para um futebol de classe com a bola no chão), do Fagan, do Paisley, do Keegan, do Rush, do Dalglish e de outros grandes baluartes da história do clube. compreendo. a mística imanente aos Reds é coisa de se bradar aos céus.

apesar do meu coração “futebolisticamente falando” no futebol britânico morar em Londres (mais precisamente em White Hart Lane), graças a um senhor chamado Jurgen Klinsmann e derivado da sua passagem pelo Tottenham Hotspur Football Club a meio da década de 90,

assisti a um duelo de Liverpool (em Goodison Park) entre Everton e Liverpool.

sinto um carinho especial pelo Everton. não só para fazer pirraça ao meu pai. pela história recente do clube.

david moyes era um modesto treinador em 2002. treinava o Preston North End, equipa que tem militado nas últimas décadas entre a 2ª e a 3ª divisão do futebol inglês. iniciava a sua carreira enquanto treinador.

até que, em 2002, é chamado para levantar o Everton, clube que estava completamente chacinado por uma má gestão financeira (na altura tinha um passivo superior a 150 milhões de euros) e por uma ambição muito escassa (na corda bamba entre a 1ª e a 2ª divisão)

moyes chegou ao clube com vários handicaps. o primeiro, acima de tudo, o facto de ser escocês. os segundos, acima citados.

a direcção do Everton aguentou o quanto pode para preservar as vedetas da companhia: os escoceses David Weir e Duncan Ferguson, o Português Abel Xavier, o italiano Alessandro Pistone, o Dinamarquês Thomas Gravesen, o Francês David Ginola, os Suecos Niklas Alexandersson e Jesper Blomqvist, o velho Gaza (Paul Gascoine) e o Americano Joe-Max Moore. e moyes, lentamente, foi catapultando o Everton para lugares nunca obtidos na história do clube, que culminaram inclusive numa qualificação histórica para as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões em 2005\2006.

moyes fez milagres. para além de ter levantado um clube, o Everton é um dos bons centros de bom futebol em inglaterra. são incontáveis os grandes jogadores que saíram das mãos de moyes, podendo citar alguns: Wayne Rooney, Thomas Gravesen, Tony Hibbert, Mikel Arteta, Tim Cahill, Marcus Bent, James Beattie, Per Koldrup, Simon Davies, Andy Johnson, Jack Rodwell, Phil Jagielka, Steven Pienaar, Yakubu, Joleon Lescott, Leighton Baines, John Ruddy, Marouane Fellaini, José Baxter e Nikica Jelavic. Todos estes jogadores chegaram ao estatuto de internacional pelas suas selecções, sendo que a história em alguns casos reza que alguns chegaram a Goodison Park como jogadores sem qualquer mercado na europa. outros como Rooney ou Lescott, atingiram grandes clubes mundiais depois de terem passado por Moyes.

Ouvi Sam Allardyce, actual treinador do West Ham, dizer numa conferência de imprensa que o que é bom nunca “sai da premier league” – referia-se a Arsène Wènger. e tinha razão. Moyes é o exemplo de quem orienta um clube há precisamente 10 anos, sem pressões que visem obter resultados de topo e sem nunca ter pendido sobre si uma ameaça de despedimento. No entanto, o Everton nunca esteve (c0mo tinha estado antes) em risco de despromoção na era Moyes. e isso por si é um feito.

eu e o meu pai vimos o derby de Liverpool. cada um a torcer pelos seus gostos. terminou empatado como se quer. a 2 bolas, com um enorme espectáculo.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Boas notícias

O azeite português está em franco sucesso.

O excelente indicador no meio disto tudo: “O Brasil compra 40% do azeite que consome a Portugal.” – o mercado é enorme e pode gerar uma mina de ouro para o sector. Parabéns a algumas marcas (como a Galo, por exemplo) que tem apostado imenso em campanhas de publicidade no país em causa, causando um aumento de hábitos de consumo de azeite no Brasil. Ainda recentemente via um trecho de uma telenovela brasileira em que o azeite que se expunha na cozinha do protagonista era dessa mesma marca. Parabéns ao departamento de marketing da empresa por tão feliz ideia, sabendo da importância que as telenovelas da Rede Globo têm nos hábitos consumistas do povo brasileiro.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , ,

no dia em que o nosso Miguel foi 2º em Moto 3

faltou um bocadinho pequenino para bater Sandro Cortese na Austrália.

ficou o apontamento rumo à próxima época: com uma moto competitiva, o Miguel pode ser campeão desta classe, ou pelo menos lutar pelo título.

Com as etiquetas , , , ,

dimanche (2)

Wilco — “Say you miss me” — Álbum: Being There (1996)

Com as etiquetas ,

dimanche

Leonard Cohen — “Dance me to the end of love” — Álbum: Various Positions (1984)

Com as etiquetas ,

ora vamos lá ver se nos entendemos

“Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, as escolhas políticas difíceis que estão a ser feitas estão a testar o consenso politico alargado em torno do programa que existia até à data” – Abebe Selassie, avaliador do Fundo Monetário Internacional para o programa Português.

Perdão? Este senhor não sabe a realidade política do nosso país? Este senhor não sabe que este programa foi negociado por 3 dos 5 partidos? Este senhor não sabe que este programa não foi debatido sequer com 2 partidos políticos que fazem representar a vontade popular na Assembleia da República? Este senhor não sabe que o próprio programa não teve a aprovação do sindicato que representa 95% dos trabalhadores nacionais? Este senhor não sabe que as decisões importantes da vida de um país, principalmente no que toca a ingerência de organizações terceiras nas matérias internas de um país é uma matéria que constitucionalmente terá direito a um referendo? Este senhor não sabe que a democracia é popular é constituída do povo para quem os representa e não, uma obrigação posta pelos representados aos seus representantes? Mas qual consenso político? E já agora, o que é que pensa Abebe Selassie da falta de consenso social em relação a todas as políticas posteriores à assinatura do memorando? Não contam?

Mas em Bretton Woods, eles ainda acham que o povo está satisfeito com a sobretaxa no IRS:

No mesmo relatório, o Fundo Monetário Internacional avisa os governos portugueses (sim porque o nosso governo está a tentar sacudir a água do capote ao nível de responsabilidades) que em 2013 teremos o pico mais alto da dívida pública portuguesa: 123,4% do PIB.

A confirmar-se será o número mais negro da nossa história. Questiono: como é que vamos criar riqueza para podermos pagar esta dívida? e se criarmos, quantos anos andaremos refens desta mesma dívida?

Selassie dá a resposta a partir de Nova Iorque: “A pobreza nos últimos anos é mais efeito do crescimento do desemprego que dos cortes na despesa e dos aumentos de impostos em si mesmos. (…) “Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, factores dos quais já tínhamos avisado o Estado Português na quinta avaliação do Programa. (…) Tentámos seguir o conselho do Governo quanto às áreas onde se poderia cortar despesa sem sobrecarregar os mais pobres (…)”

“a gente avisou, vocês é que nã nos deram ouvidos, tá? quem criou esse mesmo desemprego? não foi o próprio Fundo através do Memorando e da hedionda medida de revisão do Código Laboral para tornar mais flexíveis as leis laborais neste país de forma que se pudesse despedir de forma mais gratuita? ou será que o Fundo já está a sacudir a água do capote para o governo português como fez nos exemplos da Argentina e do Brasil?

mas no entanto, o governo não soube dizer onde poderia cortar na despesa sem sobrecarregar os mais ricos mas sobrecarregou e de maneira os mais pobres com a subida de escalões do Imposto Sobre o Rendimento.

E o relatório de Bretoon Woods vai mais longe quando se lê:

e…

é o que dá não negociar um programa paralelo que pudesse fomentar a economia de forma a criar riqueza para pagar esta dívida. parece a armadilha da qual a direita (do governo) utiliza para afirmar que o país está no bom caminho: “calma que as exportações aumentaram este ano” – quando de facto, o superavit criado na balança comercial português no ano 2012 não chegará sequer para pagarmos os juros do resgate que nos foi concedido pelos nossos amigos de Bretton Woods e Bruxelas.

prodigiosa também é a última frase. o nosso sucesso a depender do que for construído a nível europeu, quando Merkel, Hollande, Draghi, Monti e companhia ainda não sabem bem o que fazer\não estão em sintonia em diversos aspectos. quando não se sabe o que dizer, atiram-se culpas e responsabilidades para outros organismos.

continuando.

Não iremos voltar aos mercados em 2013 porque tal será perigoso dado o aumento da nossa dívida pública. Recordando o primeiro-ministro lá em Nova Iorque aos gurus da Economia em Abril deste ano:

No entanto Selassie diz “a sobretaxa de 5% sobre o IRS manter-se-à até 2014”

e o relatório do Fundo diz:

Arriscaremos a ir aos mercados em 2013 a 7,5% ou mais, gerando ainda mais dívida que não poderemos pagar durante gerações e gerações…

Cruzando Passos:

quando a nossa recuperação será mais pronunciada a partir de 2014? Quando Selassie afirma que a sobretaxa terá que vigor até 2014

Entra em Cena, Gaspar, o neoliberal:

na comissão de orçamento. com a economia portuguesa a acelerar o crescimento, dizem, só em 2014.

no entanto, era este mesmo ministro que dizia publicamente horas antes a uma rádio:

confesso que até eu me sinto confuso com tanto contrasenso. se o financiamento do estado será feito com recurso ao mercado (na primeira afirmação do ministro; mas já não será, com base na 2ª) porque é que o estado português carregou com os contribuíntes com um escalões tributários mais severos para aumentar a receita pela via de impostos?

a resposta também pode ser dada pelo relatório do Fundo, quando neste se lê:

que as parcerias publico-privadas vão custar muito mais do que as previsões que as projecções do Ministério das Finanças previam…

2013 já não é o ano do crescimento, contrariando aquelas vezes em que ouvimos o primeiro-ministro a dizer que “2013 é que é”, discurso que já vem desde 2011 a dizer que 2012 é que era…

aproveitando a deixa, enquanto como umas torradinhas, para o post não ficar tão duro, esta situação parece aquela situação das contas do Guterres:

continuando.

O relatório do Fundo entra em contradição com as próprias palavras do avaliador da nossa missão Abebe Selassie:

todos já sabíamos que pode haver retrocesso económico caso a Espanha dê, como se diz na gíria “o badagaio” visto que é o nosso maior importador e a economia com o maior fluxo de capital investido no nosso país.
no entanto, é de surprender que o Fundo escreva isto logo a seguir:

então mas… Selassie não dizia que tudo se mantinha de pé graças ao “consenso político e social existente?”

A Solução passará portanto por… típicas privatizações ao estilo Bretton Woods:

que não serão mais do que mais financiamento (empresas a troco de feijões) para o Estado Português!

Perguntam vocês, porque é que a Economia não cresce? O Fundo sacode a responsabilidade para as fracas políticas do Álvaro Canadiano e do Gaspar, o neoliberal:

tendo que ser o estado falido a conceder crédito não-bancário a novos investimentos. Como? não sei. Se é visto frequentemente? não.

ah pois, ainda são formas a serem exploradas pelo estado português! Ou seja: a concessão de crédito para fomento empresarial, criação de emprego, criação de riqueza, e consequente pagamento desta dívida ainda é coisa que está a ser explorada pelo estado português numa conjuntura de autêntico desatre económico e social.

A compreensão do resto deste relatório, a outros níveis, fica para abordagens futuras!

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

leio no público

“O custo médio por aluno nas escolas públicas estava, em 2009/2010, nos 4415 euros e nos colégios com contratos de associação situava-se nos 4522 euros.” – chega…

mas porque é que o contribuínte há de pagar mais para quem, com escolas públicas à frente de casa, inscreve (alguns despejam literalmente pois não tem paciência para os aturar) o filhinho no colégio (à sua inteira responsabilidade e pagamento de mensalidades; com o estado a abonar só pode crer que estes colégios são altamente lucrativos) só por status social ou por vontade, ilegitima (pois só no colégio é que muitos lá chegam) de comprar (sim, comprar) a sua nota para entrar em medicina?

Com as etiquetas

dava pra dizer tanta coisa

Maria Bethânia — “Um jeito estúpido de te amar” — Álbum: Pássaro da Manhã (1977)

“Eu sei que eu tenho um jeito
Meio estúpido de ser
E de dizer coisas que podem magoar e te ofender
Mas cada um tem o seu jeito
Todo próprio de amar e de se defender
Você me acusa e só me preocupa
Agrava mais e mais a minha culpa
Eu faço, e desfaço, contrafeito
O meu defeito é te amar demais”

Com as etiquetas , , , ,