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A Fraude (2)

As minhas notas sobre este 2º capítulo:

1. O BPN como o banco que privilegiava “a busca de ganhar milhões sem risco” – estas afirmaçõs batem certo com as palavras de Oliveira e Costa na Comissão Parlamentar de Inquérito onde este dizia que os bancos tem que inventar lucro. Inventar lucro com investimentos em negócios com um grau interessante de risco como foi o caso do depósito do empresário da construção civil de Fafe, que colocou 900 mil euros em depósitos a prazo de curta duração\maturação.

2. “quando eu tiver livre vamos tomar aí um café” – mais uma vez Oliveira e Costa respondia no parlamento seguro que nada lhe aconteceria.

3. quando Honório Novo explica o esquema de reencaminhamento dos depósitos dos clientes do banco para a malta que mandava no banco, esse esquema fez-me lembrar algumas semelhanças em relação ao método utilizado na mesma altura por Bernard Madoff (esquema Ponzi).

4. As intervenções ríspidas de Nuno Melo (em conjunto com Honório Novo e João Semedo) os únicos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito que realmente se preocuparam em saber a verdade, faz com que coloque algumas perguntas: na 1ª comissão de esclarcimento a Oliveira e Costa houve pressões junto de deputados do PSD e do PS para não se mexer na ferida do banco? Será que existem deputados ou antigos deputados que também participaram directa ou indirectamente nos ganhos desmedidos do banco? Cavaco Silva, já presidente da República, imiscuiu-se directa ou indirectamente no caso?

5. Outra pergunta que se coloca de forma pertinente foi o futuro de Nuno Melo no CDS. Durante o primeiro governo de José Sócrates, este deputado era um dos mais promissores futuros do CDS\PP. Perdeu preponderância depois desta comissão parlamentar e de possível Ministro em caso de coligação com o PSD ou vitória eleitoral do CDS\PP, não conseguiu sequer chegar a secretário de estado. Será que Melo foi prejudicado pelo seu papel nesta comissão parlamentar?

6. Quem era o principal estratega e quem eram os principais operacionais? Luis Caprichoso, o mestre das offshores? Mais uma vez se pergunta: se era prática corrente a transferência de dinheiro por parte do departamento de Caprichoso para offshores ilegais como é que os inspectores da operação furacão e o Banco de Portugal não interviram na supervisão destas práticas (haviam grandes somas de dinheiro a sair do banco para Cabo Verde e é dito na reportagem que foram criadas mais de 100 off-shores) e não acusaram o banco de evasão fiscal?

7. “escassez de meios técnicos das autoridades judiciais” “a principio só estava uma pessoa envolvida na investigação (…) foram pedidos mais meios e mais pessoas mas a resposta foi negativa” – é por isso que eu não acredito na justiça portuguesa.

8. A resposta para a pergunta deixada na nota 6 e para a evidencia do testemunho citado na nota 7 vem mais à frente.

Ironicamente, a “operação furacão”, operação de investigação do DCIAP a 4 bancos que fugiam ao fisco tinha como “clientes” 3 bancos que actualmente estão a ter consequências nefastas para o sistema financeiro português, para o estado e para os contribuíntes portugueses: o BPN (nacionalizado e recapitalizado com o dinheiro dos contribuíntes), o Finibanco (em graves apuros desde há alguns anos para cá) e o Millenium BCP que ainda esta semana deu 1200 milhões de euros de prejuízo, segundo responsáveis do banco, devido a negócios que correram mal junto da banca Grega devido a uma operação que correu mal com o Piraeus.

Estranhas também são as semelhanças entre o BPN e o Finibanco na medida em que ambos tentaram projectar a sua imagem a partir do futebol. O BPN com Luis Figo e com a Federação Portuguesa de Futebol. O Finibanco com os patrocínios à AAC\OAF e ao Vitória de Guimarães. Outro exemplo é o recém-nacionalizado BANIF, muitos anos patrocinador do Marítimo e do Nacional da Madeira. Ambos os três sempre ofereceram taxas de juro elevadíssimas nos depósitos a prazo, mesmo nos depósitos de curto prazo de maturação. 2 (BPN e BANIF) já sofreram intervenção estatal. O Finibanco tem-se aguentado. Resta saber por quanto tempo.

O que é estranho em tudo isto é que devido à Operação Furacão estavam 4 investigadores do DCIAP a vasculhar de alto a baixo as contas dos referidos bancos, que devidamente avisados por uma voz do DCIAP, faziam desaparecer os documentos antes da chegada dos investigadores e mesmo assim, não batendo as contas dos bancos certo os investigadores não foram capazes de concluir nas suas investigações que não estavam a aparecer os documentos todos relativos ao banco. Falamos de uma investigação judicial que durou 2 anos. Algo me quer parecer que o DCIAP pura e simplesmente não quis levar o processo para a frente e descobrir tudo aquilo que se passava nesses referidos bancos. Mais uma vez, o Banco de Portugal e a CMVM falharam por omissão. Eu ponho as minhas mãos no fogo como Vitor Constâncio estava ao corrente do esquema de pirâmide que se estava a levar a cabo no BPN, no BPN valor, no BPN Créditus e no Banco Insular de Cabo Verde.

9.  A parte deliciosa deste 2º capítulo “eles precisavam de 5, ele até dava dez. como é possível financiar mortos?” – diz um dos funcionários entrevistados. “a mesma viatura era financiada 3, 4 e 5 vezes” – conclui. Mais uma vez pergunto: como é que é possível deixar passar a ilegalidade desses negócios?

10. Para finalizar, poucas dúvidas me restam: o BPN era uma rede muito complexa. Envolvia banqueiros, empresários, investidores a título individual, governantes, deputados, investigadores, juízes, procuradores, dirigentes de outras instituições de utilidade pública (como é o caso de Gilberto Madaíl e da FPF), altos quadros de entidades de supervisão (Banco de Portugal\CMVM) e até jogadores de futebol como é o caso de um famoso accionista do banco: Luis Figo. Todos participavam ou ganhavam do esquema.

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bright stories

a investigação da UC continua a dar cartas no cenário científico internacional.

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Gala da apresentação dos Prémios Farmacêuticos na FFUC

No próximo dia 1 de Outubro vai-se realizar na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra a Gala de Apresentação dos Prémios Farmacêuticos, actividade que está a ser desenvolvida pelo Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra em parceria com as Faculdades de Farmácia das Universidades de Coimbra, Porto e Lisboa.

Esta gala está a ser criada a partir de um projecto muito interessante e inovador na área, visando sobretudo a promoção e premiação dos melhores trabalhos ao nível da investigação em Ciências Farmacêuticas, numa ambiciosa tentativa de colmatar o pouco investimento público que se tem realizado na área e incentivando por outro lado a que se melhore a quantidade e qualidade da mesma.

O Público-Alvo desta gala são os estudantes das faculdades supra-citadas, investigadores, empresas ligadas ao ramo farmacêutico e todos os que vivam intensamente o mundo da investigação.

Noutro prisma, este evento também será uma excelente amostra para concretizar o objectivo de divulgação e premiação dos melhores artigos ciêntificos e projectos de investigação que se tem feito a nível nacional nesta área como forma de reconhecimento e incentivo futuro.

Assim sendo, passo a anunciar as categorias que estão a concurso:

1. Melhor Projecto de Investigação tem como objectivo laurear uma equipa de investigadores afecta às  faculdades de farmácia do país nas 3 áreas de saber farmacêutico.

2. Melhor Projecto de Investigação de alunos – destina-se apenas a alunos pré-graduados, visando reconhecer o seu trabalho e abrir possibilidades para a concretização do projecto através da atribuição de um valor monetário ao vencedor.

3. Melhor alunoprémio de mérito destinado aos melhores alunos das faculdade de farmácia do país dos cursos de 1º ciclo e Mestrado Integrado.

4. Melhor artigo científicoprémio destinado aos autores do artigo científico mais excitante e inovador do ano, tendo como benefício a sua publicação numa revista especializada na área das ciências da saúde.

5. Melhor actividade dos Núcleos e Associações de Estudantes de Farmácia.

6. Melhor actividade de Intervenção CívicaPrémio destinado ao melhor evento de cariz solidário feito por alunos de Ciências Farmacêuticas

7. Prémio de reconhecimento externoprémio que visa destacar o mais multifacetado aluno de Ciências Farmacêuticas. Este prémio tentará avaliar aquele que teve melhor rendimento ao nível de actividades extra-curriculares. (associativas, políticas, culturais e desportivas)

Para finalizar, é de louvar o imenso esforço dos membros que estão por detrás da organização deste evento para elevar bem alto o nome e o trabalho que tem sido desenvolvido na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. É de relembrar que esta Faculdade tem primado por um ensino de excelência.

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Governação mundial sem liderança

Dani Rodrik — Professor de Economia Política Internacional na Universidade de Harvard (Boston, Massachussets) – autor de um livro que estou a ler intitulado de: “The Globalization Paradox: Democracy and the Future of the World Economy.”

A economia mundial está a entrar numa nova fase, na qual o alcance da cooperação global tornar-se-á cada vez mais difícil. Os Estados Unidos e a União Europeia, agora sobrecarregados pelo elevado endividamento e o baixo crescimento – e, portanto, preocupados com questões internas – já não são mais capazes de definir regras mundiais e esperar que outros alinhem.

A agravar esta tendência, potências emergentes, como a China e a Índia, atribuem muita importância à soberania nacional e à não interferência em assuntos internos. Isso faz com que não estejam dispostas a submeter-se a regras internacionais (ou a exigir que outros respeitem tais regras) – sendo assim improvável que invistam em instituições multilaterais, tal como os EUA fizeram no rescaldo da II Guerra Mundial.

Como resultado, a liderança e a cooperação mundial permanecerão com uma oferta muito limitada, exigindo uma resposta cuidadosamente ponderada na governação da economia mundial – mais especificamente, um magro conjunto de regras que reconheça a diversidade das circunstâncias e exigências nacionais em prol de uma autonomia política. Mas as discussões do G-20, da Organização Mundial do Comércio e de outras instâncias multilaterais prosseguem como se o remédio santo fosse mais do mesmo – mais regras, mais harmonização e mais disciplina nas políticas nacionais.

No que diz respeito ao essencial, o princípio da “subsidiariedade” oferece a forma correcta de pensar sobre as questões de governação mundial. Diz-nos quais os tipos de políticas que devem ser coordenadas ou harmonizadas a nível mundial e quais devem ser maioritariamente destinadas aos processos de decisão internos. O princípio demarca as áreas onde precisamos de uma governação mundial extensa, daquelas onde apenas uma fina camada de regras globais é suficiente.

As políticas económicas baseiam-se aproximadamente em quatro variantes. Num extremo estão as políticas internas que não criam (ou criam muito poucas) repercussões além das fronteiras nacionais. As políticas de educação, por exemplo, não necessitam de qualquer acordo internacional e podem ser deixadas, com segurança, entre os processos de decisão internos.

No outro extremo estão as políticas que implicam o “património comum mundial”: o resultado de cada país é determinado não pelas políticas internas, mas pela (soma total das) políticas dos outros países. As emissões de gases com efeito de estufa são o caso arquetípico. Em tais domínios políticos existem fortes argumentos para se estabelecer regras vinculativas mundiais, uma vez que cada país, entregue a si próprio, tem interesse em negligenciar a sua parte na preservação do património comum mundial. A incapacidade de obter um acordo global condenaria toda a gente a uma catástrofe colectiva.

Entre os extremos estão outros dois tipos de políticas que criam repercussões mas que precisam de ser tratadas de forma diferente. Primeiro, existem as políticas “prejudicar o vizinho”, por meio das quais um país retira benefícios económicos à custa de outros países. Por exemplo, os seus líderes limitam o fornecimento de um recurso natural, no sentido de aumentar o seu preço nos mercados mundiais ou prosseguem com políticas mercantilistas, na forma de grandes excedentes comerciais, sobretudo em situações de desemprego e de excesso de capacidade.

Uma vez que as políticas “prejudicar o vizinho” criam benefícios, através da imposição de custos sobre os outros, também necessitam de ser reguladas a nível internacional. Este é o argumento mais forte para submeter as políticas monetárias da China ou os fortes desequilíbrios macroeconómicos, como o excedente comercial da Alemanha, de forma a existir uma maior disciplina global, em relação à que existe actualmente.

As políticas “prejudicar o vizinho” devem ser distinguidas das políticas que se poderiam chamar de “prejudicar-se a si mesmo”, cujos custos económicos são suportados principalmente em casa, embora possam também afectar os outros.

Considere os subsídios agrícolas, a proibição de organismos geneticamente modificados ou uma regulação financeira negligente. Embora estas políticas possam impor custos a outros países, elas não são utilizadas para se extrair vantagens mas sim porque outros motivos políticos internos – tais como os distributivos, os administrativos ou as preocupações de saúde pública – prevalecem sobre o objectivo da eficiência económica.O argumento da disciplina global é bastante mais fraco com as políticas “prejudicar-se a si mesmo”. Afinal de contas, não deve ser da responsabilidade da “comunidade mundial” dizer a cada país como deve agir para influenciar os objectivos concorrentes. Impor custos a outros países não é, por si só, um motivo para a regulação mundial. (Na verdade, os economistas dificilmente reclamam quando a liberalização comercial de um país prejudica os concorrentes). As democracias, em particular, devem ter o direito de cometer os seus próprios “erros”.

Naturalmente, não há nenhuma garantia de que as políticas internas reflictam com exactidão as exigências da sociedade; até mesmo as democracias são feitas reféns por interesses especiais, com alguma frequência. Sendo assim, o argumento da regulamentação mundial assume uma forma bastante diferente com as políticas “prejudicar-se a si mesmo” e exige requisitos processuais destinados a melhorar a qualidade das políticas internas. Os padrões globais referentes à transparência, à ampla representação, à responsabilidade e à utilização de provas empíricas, por exemplo, não limitam o resultado final.

Diferentes tipos de política exigem diferentes respostas a nível mundial. Actualmente é desperdiçado bastante capital político a nível mundial para harmonizar as políticas “prejudicar-se a si mesmo” (principalmente nas áreas do comércio e da regulação financeira) e não é gasto o suficiente nas políticas “prejudicar o vizinho” (tais como os desequilíbrios macroeconómicos). Esforços demasiado ambiciosos e mal direccionados na governação mundial não serão benéficos para nós numa altura em que a oferta de uma liderança e de uma cooperação mundial continua limitada.

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um país de cegos e de bufos

O Procurador-Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, no mesmíssimo dia em que foram efectuados os mandatos de buscas à casa de Duarte Lima, do seu filho Pedro Lima, e do sócio do advogado Vitor Raposo, perante o aparato jornalistico presente no acto de buscas que culminou nas detenções dos 3 cidadãos e perante a forma pouco discreta com que tais acções foram efectuadas, lamentou-se que tinha dado ordens para que as buscas decorressem com o máximo de descrição.

Às 7 da manhã em ponto (hora em que por lei se podem iniciar buscar) as equipas de investigadores da Polícia Judiciária estavam no local. Atrás, equipas de jornalistas. Às 9 da manhã, as headlines online dos jornais e das televisões noticiavam a operação.

Vitor Raposo, sócio de Duarte Lima, não estava em casa quando se efectuaram as buscas. Estava no estrangeiro.

Horas depois, Pedro Miguel Lima era escoltado à saída da sua casa no Areeiro por polícias à civil.

Numa mega-operação deste calíbre, toda a gente já estava informada do que se ia passar. Os jornalistas aguardavam a chegada dos policiais às 7 da manhã nas casas da família Lima. O outro estava no estrangeiro. Fuga de informação? Claro que sim. De quem? De gente ligada à PJ que sabia o que ia acontecer e que mesmo paga pelo dinheiro dos contribuíntes, recebe mais dinheiro por fora para informar.

Tais acontecimentos levam-me a concluir que até dentro da polícia existe quem lucre por fora com este tipo de acontecimentos. Os bufos. E isto, só num país de 3ª categoria é que acontece…

Onde é que ia mesmo o discurso do Sr. Procurador?

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O tio careca foi detido

Sorriam, o tio careca foi detido. Não pela morte de Rosalina Ribeiro, mas pelo caso BPN.

Foi ele, foi o filho e só não foi o sócio, porque, mais uma vez alguém lá da Judiciária deu com a língua nos dentes decerto e o homem, aflito está claro, pisgou-se para o estrangeiro. 

Para quem se dizia vítima de um “linchamento público, de um ataque vil à sua pessoa”, é caso para se afirmar que em menos de um mês é envolvido em práticas crimes muito graves. Uma no Brasil e uma em Portugal. Interligadas factualmente, creio.

Duarte Lima contraiu em 2003 vários empréstimos de baixas garantias no valor de 7 milhões ao BPN. 7 milhões de euros, um valor que muitos advogados, diria mundiais, pelos lucros apresentados anualmente pelas suas sociedades, não se podem gabar de terem atingido. Duarte Lima é contudo um advogado com nome na praça, mas suscitam-me dúvidas quanto à possibilidade do mesmo obter esse cash (+ os juros devidos à banca + o mínimo para a sua subsistência e subsistência dos seus) em largos anos de ofício. Suscitam-me portanto dúvidas sobre a forma pela qual foi concedido esse empréstimo, mas, não é de estranhar que o tal empréstimo (pelo histórico de negócios ruinosos protagonizados pela gestão Oliveira e Costa) tenha sido efectuado às três pancadas ou com uma garantia off-the-record de uma eventual soma avultada que Duarte Lima poderia conseguir (extorquindo por exemplo dinheiro à Secretária de Tomé Feteira; na medida em que os Brasileiros apontam que um dos motivos que podem indiciar o assassinato da mesma poderá ter sido a recusa desta em assinar um papel que desviava culpa do advogado da transferência dos tais 5 milhões de euros para a sua conta).

Não é preciso ser criminólogo para apostar a sério em como estes factos estão interligados entre si. Está bom de ver. Para isso também corrobora o facto do banco ter penhorado bens no valor de 5,8 milhões de euros pertença do advogado.

Desculpem-me os defensores do ius no que toca à presunção imediata de inocência, mas creio que desta vez temos um caso de um homem que está enterrado até aos ossos e que, para bem da resolução de um caso gravíssimo em que o estado enterrou uma batelada de capitais para salvar um banco à custa do dinheiro dos contribuíntes, pode de facto, dar com a língua nos dentes e incriminar outros envolvidos nesta mega rede de fraudes do BPN.

Incrível também é obviamente o facto do seu sócio ter sofrido buscas em sua casa, e estar presumivelmente no estrangeiro.

Creio que a Polícia Judiciária Portuguesa tem aqui dados (em conjunto com os dados possuídos pela investigação criminal Brasileira) para avançar para a solução deste mistério. Isto é, se não acontecer algo de estranho pelo meio como a destruição de provas. A Polícia Brasileira, essa, irá estar em cima, porque quer Duarte Lima no Brasil, facto que considero ser muito difícil. Sendo cidadão português, tenho mais crença na justiça brasileira no que na justiça portuguesa, mas, só o tempo dirá o que se vai passar neste caso.

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roubos estratégicos

Chegamos a um ponto neste país, em que o povo (mergulhado nas suas humildes profissões) é obrigado a pagar os erros cometidos pelos grandes senhores da praça financeira e política deste país.

Estamos debruçados numa era que denota que a devassidão, a podridão e a pura inércia do nosso sistema judicial e judiciário urdem um enorme conluio de modo a proteger uma eventual saída da verdade a público sobre esses mesmos erros.

Sempre me disseram que “onde há fumo, há fogo” – Não foi ao acaso que durante a campanha eleitoral para as presidenciais, ligado o nome de Aníbal Cavaco Silva a uma das milhares trapalhadas executadas pela Sociedade Lusa de Negócios no caso da falência do BPN, um dos seus antigos ministros, de nome Dias Loureiro, fugiu estrategicamente para Cabo Verde, regressando quando se deu a acalmia relativamente ao caso na comunicação social.

Caricato o é, que meses depois, denuncia-se um roubo numa unidade nacional da Polícia Judiciária. Um roubo que muitos pressupõem ter sido de material que se constituía como dados das investigações ao BPN e ao BPP. Não era um material qualquer – decerto que as câmaras apreendidas assim como as máquinas fotográficas não iriam ser vendidas para contrabando – era material que se podia apresentar como prova num processo judicial a elementos muito perigosos de uma rede onde constam antigos ministros, economistas, banqueiros e até o presidente da república.

Não estamos a falar de uma investigação qualquer. Estamos a falar de uma investigação sobre uma falência ainda muito mal explicada e que custou inúmeros mil milhões aos contribuíntes portugueses.

O material desapareceu na Judiciária. Para desaparecer da judiciária, alguém teve que o furtar. Funcionários públicos? Se tal vier a ser conhecido, coisa que duvido, o problema assume proporções gravíssimas.

Gravíssimo também é, o facto preemente do Director-Adjunto da PJ, imediatamente, ter vindo a público cometer uma gaffe de todo o tamanho, afirmando desconhecer o conteúdo do material furtado das instalações, mas, segundo palavras do próprio, este não tinha material relativo a investigações. Se desconhece o conteúdo do material furtado, como pode vir a público afirmar que nesse mesmo conteúdo não existiam dados sobre investigações criminais?

Como no caso ainda não desvendado da falência dos dois bancos, existe muita coisa por revelar. E a justiça portuguesa deve ser célere não vão os seus implicados fugir novamente para fora do país. Acho que perante os sacríficios que o povo português está a ser exigido (inclusivamente para pagar estes erros do sector financeiro) e para bem de um transparente Portugal, as entidades judiciais devem explorar o caso até ao osso, doa a quem doer.

Senão qualquer dia, o caso BPN e o caso BPP são dois exemplos práticos habilmente apagados dos olhos da justiça portuguesa e esta como tal, torna-se imediatamente um tufo de areia atirado para os olhos do povo português.


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O segredo “laboratorial” do Milan

Reportagem Especial do Jornal Record da edição de hoje da edição impressa, que pela qualidade e pertinência da reportagem decidi publicar na íntegra.

Segredo de Laboratório

(Reportagem do Jornalista Hugo Neves em Milão)

“Campeão Italiano Trabalha sobre um programa que é reconhecido em todo o mundo. Record foi tentar descobrir o que é afinal a Milan Lab”

“”A reconquista do título italiano por parte do AC Milan fez renascer, em Itália e um pouco por todo o mundo, a curiosidade sobre um dos maiores segredos que envolve o treino dos futebolistas profissionais e a preparação física que deve ser feita ao longo de um ano desportivo. O conhecido Milan Lab, que nasceu em 1999, tem os seus segredos bem guardados embora o protocolo celebrado com a Nutrilite tenha desvendado um pouco o véu sobre que tipo de preparação devem os jogadores fazer para responder positivamente a uma das realidades inatacáveis: o constante aumento de jogos disputados durante uma só temporada.

Uma das realidades é que o Milan não faz exactamente os mesmos testes médicos a um futebolista do que os restantes clubes. Além dos triviais exames, também são efectuados testes genéticos a todos os futebolistas de forma a avaliar a condição bioquímica do jogador. Só por isso se percebe que, nos últimos anos, a maioria dos casos de longevidade dos futebolistas tenha tido lugar no AC Milan.

O acordo celebrado com a Nutrilite, empresa lider mundial  em suplementos vitamíncos e dietéticos, fez com que o laboratório desportivo mais conhecido no mundo ganhasse ainda mais fulgor e capacidade para poder preparar os jogadores e torná-los capazes de prolongar a carreira ao mais alto nível até uma idade que noutros clubes é quase impossível.

Os programas testados são desenvolvidos com base nos testes genéticos e sanguíneos e exames biodinâmicos, os quais são complementados com questionários nutricionais e detalhados além de uma avaliação aprofundada de modo de vida de cada atleta. Esta recolha de dados é feita quando um jogador chega ao Milan e depois o clube exige ter um controlo absoluto na alimentação do atleta, dentro e fora das instalações.

Este, se não for o ponto crucial do projecto do Milan Lab, será um dos mais importantes. A nutrição dos futebolistas é considerada essencial para que estes apresentem uma condição física perto da ideal mas este não é o único ponto. Os testes genéticos assumem uma importância elevada pois é através deles que são descobertos problemas que podem afectar a carreira do jogador no futuro e, que sem este tipo de testes, o clube fica entregue ao destino.

Formula 1

Os responsáveis do Milan Lab e da Nutrilite referiram-no muitas vezes e, de certa forma, é verdade: o futebolista é equiparado a um carro de Fórmula 1, sendo alvo de vários testes e constantes atenções tal como um automóvel de alta competição. Daí que todos os futebolistas que estão às ordens do treinador Massimiliano Allegri recebem semanalmente produtos da Nutrilite para tornarem segundo uma norma que lhes é dada de modo individual.

Cada jogador tem uma alimentação diferenciada até porque as necessidades de cada futebolista são totalmente diferentes. O protocolo com a Nutrilite já foi alvo de inquéritos por parte de empresas estrangeiras mas até ao momento nenhum clube do mundo tentou estabelecer a mesma parceria. A única equipa que a solicitou foi a olímpica da China e os contactos deverão avançar para outro patamar em breve. O laboratório vai revelar o segredo.

Evolução Bioquímica do futebolista do AC Milan

Teste ————- Interpretação ————- Efeito ———– Intervenção – por esta lógica sequencia, numa roda de ciclo vicioso caso todo o método de análise falhe ou não tenha as consequências previstas. 

Análise progressiva dos futebolistas durante a época

Um dos pormenores mais importantes definidos pela equipa de médicos do Milan LAB é a análise constante a que os jogadores são submetidos para que a nutrição de cada um seja reorientada de forma a que todos possam manter os índices físicos num patamar elevado. Segundo os técnicos, são quatro as fases da evolução bioquímica que cada futebolista revela durante um ano desportivo e o ciclo de avaliação é vicioso: passa pelo teste, interpretação do resultado, intervenção (definição dos nutrientes que o atleta deve tomar) e depois ver o efeito. De mês a mês o ciclo é cumprido para que no fim da época o índice se mantenha alto.

Centro de Estágio regista várias visitas diárias dos curiosos – Alvo de muita atenção

A popularidade do Milan LAB é medida através de solicitações que o clube Rossonero recebe e não são poucas pois o clube vê-se obrigado a adiar visitas em certas alturas do ano para que a equipa de futebol possa trabalhar longe dos olhares alheios.

Mensalmente, há uma média de 900 visitas tanto por jornalistas como por representantes de empresas que querem perceber a dinâmica de funcionamento de uma equipa supervisionada por cinco elementos fundamentais: Micheline Vargas e Valentina Kazlova, cientistas de nutrição da Nutrilite, Daniele Tognaccini, líder do projecto, Alberto Dolci, bioquímico e Francesco Avaldi, nutricionista. Este quinteto conta depois com mais de 50 colaboradores para efectuar os testes ao longo da temporada.

À porta do reconhecido centro de estágio, que se situa sensivelmente a 45 quilómetros da cidade de Milão, encontra-se uma equipa de dois jornalistas da Sky Itália 24 sobre 24 horas, para acompanhar o dia-a-dia do Milan e as novidades de um projecto que continua a dar que falar não só na Europa mas no Mundo inteiro.

Aly Cissokho tinha problemas nas vértebras

Aly Cissokho, defesa-esquerdo Francês que jogou no FC Porto meio ano, esteve muito perto de se transferir para o AC Milan no verão de 2009 mas falhou nos exames médicos e acabou depois, por rumar aos franceses do Lyon. Mas a curiosidade centra-se na razão apontada pelo Milan para que a transferência não se efectivasse: um alegado problema nos dentes que iria influenciar a condição física apresentada pelo jogador nas épocas seguintes. Contudo Record falou com um dos responsáveis do Milan Lab, mas precisamente com Alberto Dolci, o bioquímico do centro, que revelou outro problema do agora internacional Francês: “Lembro-me muito bem desse jogador até porque depois foi para o Lyon e nós contactámos o clube para avisá-lo de outro problema. Cissokho tinha também um ligeiro desvio de duas vértebras, as quais, segundo os estudos que fizemos não vão permitir que ele estenda a carreira por muitos anos” – referiu o técnico de bioquímica.

Considera ser grande vantagem – Zambrotta realça testes personalizados

Aos 34 anos, Zambrotta já passou por grandes clubes como Juventus e Barcelona. Actualmente no AC Milan, o italiano que se sagrou campeão do mundo em 2006, indica aquela que considera ser a grande vantagem dos futebolistas que tem o privilégio de trabalhar no Milan LAB: “O mais importante são os testes personalizados que vamos fazendo ao longo da temporada. Os departamentos médicos dos clubes profissionais já estão muito desenvolvidos mas aqui no Milan, os exames nutritivos que fazemos e a alimentação é mais rigorosa daí que os nossos índices físicos sejam mais resistentes.”

Nutrilite tem um plano bem delineado para cada caso

O trabalho desenvolvido agora em conjunto com a Nutrilite teve o seu primeiro passo no longínquo ano de 1988, com a primeira monitorização bioquímica dos jogadores do Milan. O protocolo do clube com a empresa líder mundial em suplementos vitamínicos e dietéticos nasceu apenas em 2008 mas antes disso a equipa responsável pelo Milan LAB já efectuava os testes científicos a cada jogador no sentido de perceber a sua evolução genética e que tipo de produtos necessita para poder apresentar-se ao mais alto nível físico durante vários anos. É por essa razão que muitos jogadores do Milan resistem muito além dos 33 anos e sempre em boas condições físicas.

O complexo bioquímico utilizado pela equipa de estudos rossoneri é composto por vitaminas, testes ao stress oxidativo pela alta competição e ingestão de suplementos alimentares para evitar, numa primeira fase, e eliminar, numa segunda fase todo o stress e, por fim, o tratamento de eventuais inflamações que possam surgir. Contudo esse tratamento só em último caso é efectuado com anti-inflamatórios e medicamentos pois o laboratório de pesquisa do Milan aposta sobretudo em produtos naturais para promover uma recuperação mais rápida e melhor para a saúde.

Exemplo Djokovic. Alguns dos produtos indicados pela Nutrilite têm um índice elevado de glúten e Daniele Tognaccini chamou á atenção para um caso específico do desporto que, a ser avaliado no Milan LAB teria sido detectado: “O tenista Djokovic é alérgico ao glúten, por isso, se fosse submetido aos nossos testes, esses teriam detectado, pelo que a dieta seria orientada de outra forma para que ele pudesse continuar a disfrutar dos produtos que não afectariam a sua saúde” – explicou o actual líder do projecto Milan LAB, perito em programação de treino.

Próximo passo é reduzir lesões

A inovação não tem limites para quem trabalha no Milan LAB. Depois de ter acesso aos dados genéticos de cada jogador e compreeender as necessidades de cada um, tendo em conta o esforço despendido nos treinos e jogos, a ideia de Michelline Vargas, cientista da Nutrilite, indica qual é o próximo passo a dar: “Será a utilização de tecnologia de micro-arranjo que nos vai ajudar a aprofundar a compreensão de como o treino e a nutrição afectam a expressão genética dos atletas. O nosso objectivo é explorar toda esta informação para ajudar cada jogador a treinar-se com maior eficiência, diminuir o tempo de recuperação e reduzir as lesões que sofre” – disse aquela especialista. Para os responsáveis do Milan LAB não há barreiras inultrapassáveis e o próximo passo é possível até porque os resultados demonstrados este ano pelos jogadores do Milan mostram que o tempo de recuperação do esforço efectuado diminuiu em relação às épocas anteriores. A ciência ao serviço do gigante italiano.

Factos e números

– Em 1988 tinha início a primeira monotorização bioquímica dos jogadores do Milan, tendo os primeiros atletaos sido submetidos na temporada de 198889.

– Em 1999 foi criado o Milan LAB, processo de treino ainda a dar os primeiros passos mas que ganharia notoriedade nos anos seguintes devido ao elevado número de jogadores que prolongaram a carreira por perceberem que o programa que seguiam lhes permitia tal feito: foram os casos entre outros de Maldini, Favalli, Costacurta, Valerio Fiore e Inzaghi.

– Controlo absoluto da alimentação é a condição exigida pelo clube tanto dentro das instalações como fora, tendo com isso um registo completo dos dados de cada futebolista dos seus quadros.

– Ibrahimovic e Cassano, dois casos de jogadores que provocaram um estudo aprofundado do Milan LAB: enquanto o internacional sueco chegou ao Milan “em excelentes condições físicas”, o avançado italiano “estava bem mas não no topo” tendo alterado “radicalmente” a sua alimentação assim que começou a seguir o plano delineado pelo Milan LAB.

– Conquista da Serie A 20102011 é considerada uma das grandes vitórias dos últimos tempos do Milan LAB pela forma como os jogadores se apresentaram no campeonato e pelos resultados físicos demonstrados ao longo de toda a temporada.

– 2013 é o ano alvo para que este projecto dê o próximo passo, aquele que ajudará a compreender a forma como o treino e a nutrição alteram a expressão genética dos atletas.

Um projecto com pés e cabeça – sumário e opinião do jornalista Hugo Neves

Já tinha ouvido falar, tal como certamente o leitor, do Milan LAB mas, sinceramente, percebi que só estando no local é que se percebe realmente de forma (exigente e superprofissional) é que o AC Milan prepara os seus jogadores para a mais alta das competitividades e sobretudo a longo prazo. A descoberta feita (mas escamoteada) da lesão de Aly Cissokho e os seus testes científicos que permitem, depois, minimizar cada vez mais o tempo de recuperação dos esforços dos jogadores foram os aspectos que me saltaram mais à vista e aqueles que tornam o Milan um clube mais capaz de responder às exigências do futuro. O facto de ter contado com tantos jogadores a prolongar a carreira para além dos 30 anos e a demonstrarem uma condição física própria de outros futebolistas que estão no auge de carreira tinha de ter um segredo. Mas não é nada por aí além. É só, um projecto com pés e cabeça.””

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O brilhante discurso de Jorge Sampaio

São discursos como este que me fazem admirar a personalidade e a postura política deste senhor.

No dia que em Nova Iorque na sede das Nações Unidas, os países ricos se comprometeram a ajudar os países pobres no tratamento universal de doentes com HIV (ver aqui o post que escrevi em relação ao acordo) o antigo Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio investido nas vestes de Alto Representante Especial das Nações Unidas para a Luta Contra a Tuberculose deu um murro na mesa e clamou que indiferentemente do estigma que representa o HIV para a humanidade, é de importância capital relembrar que a cada minuto morrem 3 pessoas com o vírus HIV, “sendo inaceitável o enorme número de mortes em todo o mundo devido à doença.”

Para o efeito, o investimento numa estratégia mundial que coloque a acessibilidade ao teste da doença a todos os Homens poderá evitar 1 milhão de mortes entre as pessoas portadoras do vírus e várias centenas de milhares entre as que não são portadoras do vírus.

Segundo comunicado de imprensa da Organização das Nações Unidas, os países desenvolvidos deverão doar entre 15,3 a 16,7 mil milhões de euros para os países que necessitam dessa ajuda. Contudo, ainda não se sabe o leque de países que irão contribuir e ainda não se tomaram medidas para saber se irão contribuir. Esperemos que sim!

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Sigam o exemplo: não ao nuclear

Governo Alemão anuncia a sua política de desmantelação das centrais nucleares até 2022.

Governo Suiço reitera a intenção de encerrar as suas no período temporal previsto entre 2019 e 2034.

Com os governos mundiais balançados sobre a hipótese concreta de acabar com a era nuclear, Pedro Passos Coelho quer dar um passo em frente para a construção da primeira central nuclear em Portugal. São os países civilizados ultra-modernos ao rejeitar o nuclear como fonte produtiva de energiadesenvolvimento científicofabricação e posse de armamento nuclear ou somos nós o país retardado que pensa instaurar a era nuclear numa época em que estão mais que vistos os efeitos nocivos do nuclear para a civilização humana?

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50 anos

A 12 de Abril de 1961, Yuri Gagarin era o primeiro homem a completar a órbita ao espaço.

Piloto da força aérea Soviética, Gagarin inagurou o programa Vostok, o primeiro programa espacial pilotado por humanos.

O piloto haveria de falecer 7 anos mais tarde num acidente aéreo, quando pilotava um MiG 15 (caça de guerra de fabrico soviético).

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