Monthly Archives: Setembro 2012

dance away

Bryan Ferry and the Roxy Music — “Dance Away” — Álbum: Manifesto (1979)

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o rídiculo

de ser um segurança privado, pago com o dinheiro de todos nós, a expulsar um aluno de um local público que só por acaso é o estabelecimento de ensino para o qual o dito cujo paga propinas. 

o aluno em causa é identificado pela polícia porque estava a lesar a liberdade pessoal do primeiro-ministro. mas o segurança em causa não é identificado depois de proibir a liberdade de imprensa do cameraman da tvi e de ter agredido (puxar pelo braço é agressão) o aluno.

esta e a de Madrid remetem-me para uma música bem antiguinha do Titãs que resume tudo:

Dizem que ela existe
Prá ajudar!
Dizem que ela existe
Prá proteger!
Eu sei que ela pode
Te parar!
Eu sei que ela pode
Te prender!…

Polícia!
Para quem precisa
Polícia!
Para quem precisa
De polícia…

Dizem prá você
Obedecer!
Dizem prá você
Responder!
Dizem prá você
Cooperar!
Dizem prá você
Respeitar!…

Polícia!
Para quem precisa
Polícia!
Para quem precisa
De polícia…

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ontem

fui a um simpósio na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, inserido nas comemorações do Dia do Farmacêutico, com o epíteto de “A ética e o farmacêutico”

Ironia das ironias, e como às vezes são os pequenos pormenores que dão delícia à vida, ouvi o secretário de estado da saúde, o Dr. Manuel Teixeira a dizer frases como:

“o SNS está em crise porque houve um consumo excessivo. o país tinha níveis de consumo alto”

“as medidas que tomamos não foram medidas avulsas, foram medidas estruturadas e naturalmente pensadas”

“não está tudo feito”

“impusemos desequilíbrios mas vamos corrigi-los”

“a despesa hospitalar está a decrescer”

“aumentámos o rendimento médio das farmácias que tinham níveis de rendimento mais baixos”

dito isto:

se não foram medidas avulsas e foram naturalmente pensadas, quais são essas medidas e qual é o caminho que se quer trilhar para a saúde em Portugal? se não está tudo feito, o que é que falta fazer? Se existem desequilíbrios porque é que as medidas que se estão a trilhar no sector tendem para mais desequilíbrios, principalmente para o bolso dos cidadãos, principalmente para o bolso daqueles que tributam para haver um sector público de qualidade? Se se aumentou o rendimento médio das farmácias que tinham níveis de rendimento mais baixos, porque é que o sector se está a manifestar e porque é que existem, segundo os novos dados, 600 farmácias neste país em risco de insolvência?

Ditas estas frases tirei algumas notas pessoais:

1. As justificações são sempre as mesmas. Herdámos as dívidas dos anteriores governos e a crise pela qual o país passa. Para vincar o argumento, o secretário de estado atira o valor total de dívidas do Serviço Nacional de Saúde, para que o número macroeconomico sirva de lavagem cerebral às políticas de privatização do mesmo que estão a ser levadas a cabo pelo Ministério.

2. A necessidade de reformas estruturais por parte do secretário de estado não é errónea. A saúde em Portugal precisa de reformas que consigam tocar no ponto essencial da questão: promover uma saúde de qualidade gratuita ou tendencialmente gratuita e eficiente com os meios que o estado dispõe. A questão é que o senhor secretário de estado talvez deve desconhecer que um plano de reformas estruturais para o sector demorará uns 7 anos até atingir um grau aceitável de eficiência. Mais uma vez, vigora no meu pensamento a ideia de que já vamos tarde para a aplicação de certas reformas.

3. A hipótese de competição das farmácias num mercado de concorrência perfeita é uma ideia muito bonita mas levará a que algumas tenham que ficar para trás, até porque se verificar um acentuado decréscimo na compra de medicamentos. Se existe insolvência, gera-se mais desemprego e mais dívida, dívida essa que naturalmente provém de farmácias que não conseguiram em tempo pagar aos seus fornecedores. Se não conseguem pagar aos seus fornecedores, é naturalíssimo que os seus fornecedores tenham que despedir.

4. Se a despesa hospitalar está a decrescer. Se a qualidade dos serviços também está a decrescer. Se se opta por uma racionalização dos mesmos, é a morte declarada do Estado Social e a vitória da tecnocracia.

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já aconteceu o dia em que alguém me disse

– estás a difamar o meu trabalho.

– não. até te disse que és boa pessoa. estou simplesmente a fazer uma crítica ao teu trabalho enquanto teu representado. não as aceitas é?

a lei diz:

ARTIGO 180.º
(Difamação)

1- Quem, dirigindo-se a terceiro, imputar a outra pessoa, mesmo sob a forma de suspeita, um facto, ou formular sobre ela um juízo, ofensivos da sua honra ou consideração, ou reproduzir uma tal imputação ou juízo, é punido com pena de prisão até 6 meses ou com pena de multa até 240 dias.

2- A conduta não é punível quando:
a) A imputação for feita para realizar interesses legítimos; e
b) O agente provar a verdade da mesma imputação ou tiver tido fundamento sério para, em boa fé, a reputar verdadeira.

3- Sem prejuízo do disposto nas alíneas b), c) e d) do n.º 2 do artigo 31.º deste Código, o disposto no número anterior não se aplica tratando-se da imputação de facto relativo à intimidade da vida privada e familiar.

4- A boa fé referida na alínea b) do n.º 2 exclui-se quando o agente não tiver cumprido o dever de informação, que as circunstâncias do caso impunham, sobre a verdade da imputação.

5- Quando a imputação for de facto que constitua crime, é também admissível a prova da verdade da imputação, mas limitada à resultante de condenação por sentença transitada em julgado.

não tendo agindo de má-fé com as críticas construtivas que imputei, continuo descansadinho da vida. no pasa nada!

 

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sou administrador de uma “empresa” ou instituição

e tenho outra empresa, que não pagava a tempo e horas, que depois de rondas e rondas de negociação de uma dívida, me entrega um cheque para liquidar essa dívida sem a assinatura de quem de direito. fico rejubilado e vou depositar o tal cheque no banco. o tipo do banco, olha para o cheque e ri-se.

– não tem assinatura menino.

pois. volto para o meu escritório e digo aos meus colegas

– porra pá. nem reparei que não tinha assinatura. desculpem lá malta.

e fico a pensar na minha incompetência.

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e os grupos da casa?

Não existem. Provavelmente não dão lucro a uma noite de latada. Chegamos a uma era na Associação Académica de Coimbra em que se vive para o lucro. Para pagar actos de má-gestão do passado e do presente. É triste constatar que os meninos andam a arriscar o futuro da instituição com a contratação de bandas de 100 mil euros quando uma de 20 mil chegava perfeitamente. Há tantas soluções boas e baratas entre bandas nacionais, mas o novo riquismo (em casa pobre) parece ser a nota dominante. Vindo de gente que sempre se habituou ao luxo não se pode esperar mais do que luxo. Ainda por cima, gerem o dinheiro que não é deles. Se fosse deles, talvez pensassem numa redução de custos.

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jovem, adulto ou idoso

trabalhas, descontas uma vida inteira, trabalhas a vida inteira para ter uma casa, um carro, uma família e os teus putos na universidade. vives na sofreguidão, a contar todos os trocos, com medo que o dia de amanhã traga a fome, a carência ou a falta de um bem-estar mínimo. alimentas uma máquina burocrática que se chama estado. alimentas os vícios de outros, que não são, nem de perto nem de longe aqueles que tens. aliás, nem sequer tens vícios. o teu vício é comprar algo de vez em vez e ir tomar a bica ao café da esquina. mas vês os outros com pensões vitalicias e reformas de entidades públicas das quais não fazes a mínima ideia de onde surgem ou de que trabalho provém. outros, roubam indiscriminadamente as empresas públicas que financias com os teus impostos. como se os impostos servissem para financiar empresas públicas cujos lucros não servem para alimentar os bens sociais que utilizas mas os lucros dos seus subscritores privados de capital. pensas. se adoecer, terei um serviço de saúde público de qualidade. dormes a pensar no dia de amanhã. o dia de amanhã chega. vais a um hospital. tens um cancro. é o dia mais negro da tua vida. sentes a morte a farejar-te. mas lutas contra a adversidade. e no dia em que precisas que o estado te retribua tudo aquilo a que foste tributado numa vida de trabalho, o estado diz-te não. deixa-te morrer sem o acesso a cuidados porque é preciso racionar o que se tem. porque, outros como aqueles que o governam, no passado, tiveram a audácia de gerir mal aquilo que é comum. vai à suiça morrer com dignidade, diz-te por actos um ministro que quer privatizar todo o sistema de saúde. ou então morre para aí, sozinho, numa cama de hospital, na plena dor. revoltas-te. a saúde não é um negócio, apesar da ideia que neste momento os governantes e o crescente número de empresas que lucra com o sector fazem crer. existe dignidade humana, julgas. julgas bem. interrogas-te como é que o teu país chegou a este estado. interrogas o porquê de certos homens nem sequer respeitarem o princípio mais básico da dignidade humana. e vives com medo do amanhã. sobrevives.

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always like this

Bombay Bicicle Club — “Always like this” — Álbum: A Different Kind of Fix (2009)

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Madrid and Athens

Em Madrid, o Estado é calado à bastonada e o governo de Rajoy faz questão de agradecer e louvar a carga policial (o uso do monopólio da força) contra os manifestantes. Estamos perante um Estado perdido que dentro em breve poderá tornar-se num estado fracassado. Os movimentos independentistas que vem da Catalunha e a possibilidade de convocação de um referendo regional nessa região para determinar a vontade de auto-determinação\independência de Madrid poderá ser o revés golpe para um Estado incapaz de continuar unificado e de um governo (de direita) sem ideias.

Em Atenas, a porta voltou-se a abrir para a Grécia sair da zona euro. O governo alemão continua a reiterar que as medidas levadas a cabo pelo governo de Samaras quanto ao corte da despesa pública e reformas estruturais pedidas pelo FMI\Banco Central Europeu e Comissão Europeia estão a ser escassas para contrabalançar o sarilho em que se meteu o país helénico.

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Prémio D. Dinis

Sartre que era Sartre rejeitou o Nobel da Literatura e não foi por isso que a Academia Sueca extinguiu o prémio.

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falta de vida própria

quando não há uma vida, destruir a dos outros parece ser um bom programa.

inveja social

quem não tem para coçar a pilinha, mete-se a coçar a do outro.

adoro

quando o senso comum que caminha aí pelas ruas apelida o regime Norte-Coreano como comunista. não passa de um erro histórico passado de boca em boca para que a ocidentalização do pensamento continue a vigorar nos nossos dias e para que possamos catalogar os nossos regimes democráticos como bons e os outros como maus ou bárbaros. pensava que esse tipo de raciocínio tinha morrido na era do império romano. é claro que não defendo o regime norte-coreano. não é marxista, não é nada. é autocrata. é violento. é primitivo. é populista. como muitos outros exemplos de estados asiáticos e africanos, também a Coreia do Norte teve o prejuízo de entrar num regime autocrata (em que existe um líder ou uma família que controla todos os recursos naturais e económicos do país assim como o controlo da violência do Estado) pela via do marxismo. querem outros exemplos? A Birmânia, Laos, Vietname, Angola (sim, por mais estranho que pareça), o Zimbabwe de Mugabe, o Zaire de Mobutu, a Líbia de Kadhafi entre outros. Movimentos de revolução popular (alguns deles iniciados para descolonizar) que acabaram por resultar na entrega dos recursos do estado nas mãos dos seus líderes. consideram-nos marxistas? governaram ou governam de acordo com a doutrina marxista? não.

faz paralelismo com os que pensam que o regime chinês é um regime comunista e não leram nada sobre a acumulação prévia de capital, sobre a acumulação prévia do capital do estado chinês nas últimas décadas do século XX e a sua importância na constituição do sistema capitalista. a ideia da revolução cultural já lá vai meus amigos. o confucionismo é coisa importante de se constatar. e sempre esteve presente nas culturas asiáticas.

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maravilhosa ignorância

Se para Ahmadinejad “apoiar a homossexualidade é assunto de capitalismo”, para mim, o facto da CNN ainda ter o displante de colocar um dos seus melhores jornalistas a entrevistar alguém que sempre que abre a boca só diz asneiras é coisa de 3º mundismo. Todos sabíamos que o presidente Iraniano já tinha afirmado uma vez no Brasil que o seu país não tinha homossexuais. Pois não. Pelo menos assumidos, creio que não deve haver nenhum. Na moldura penal Iraniana, a homossexualidade é punida com a forca. Ninguém deverá querer a forca por amar alguém do mesmo sexo.  Os Americanos, pela forma tacanha como vêem a homossexualidade e os direitos humanos, costumam gostar deste tipo de entrevistas. O próprio Estado Norte-Americano não é defensor dos direitos humanos. Existem estados americanos (principalmente os sulistas) onde ainda existem represálias contra os homossexuais. Ahmadinejad ainda se lamenta pelo facto da ONU estar constantemente a lançar sanções ao Estado Iraniano. Se motivos não faltam, palavras para quê? Adorei a parte em que Pier Morgan pergunta ao presidente Iraniano qual a atitude que este teria se um dos seus três filhos lhe revelasse que era homossexual. Ficamos sem resposta. Condená-lo-ia à morte como os outros? Trataria de legislar a favor da “legalização” da homossexualidade no seu país para incluir o caso excepcional?

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