perder assim é um orgulho

Está a ser um ano em cheio para a malta de Firenze. A equipa mudou de treinador, saiu do ciclo vicioso das anteriores temporadas, reforçou-se com 17 jogadores (grande parte deles com provas dadas; já chegavam as compras de jogadores de índole duvidosa) e a estratégia da própria direcção do clube (presidida por Andrea Della Valle) mudou, de forma agressiva, para que a Fiorentina possa voltar aos lugares que lhe pertencem por estatuto: os lugares europeus.

A Vincenzo Montella foi pedido no seu dia de apresentação que pudesse construir um plantel que fosse capaz de responder aos desafios gerados pelos novos objectivos, não apontando baterias à conquista de um lugar europeu já esta época. Montella respondeu mais rápido do que aquilo que Della Valle e seus pares estariam à espera e 16 jornadas depois, a Fiorentina está em 5º a 9 pontos da líder Juventus sendo que já esteve a 4. Para além dos resultados desportivos, é nítido que a Fiorentina joga um futebol muito agradável. Montella está portanto de parabéns.

Depois de dois empates sensaborões contra a Samp em casa e contra o Torino fora, cabia à Fiorentina mostrar todo o seu potencial no quente Derby Del Sole contra a Roma no Olímpico. Na memória colectiva estava ainda a excitante vitória obtida em San Siro perante um impotente Milan. Urgia portanto fazer semelhante resultado contra uma Roma, que de certo modo ainda se está a redescobrir, fortuito de também ter mudado de treinador e de também ter mudado de estratégia para o futuro, depois de uma época onde contratou muito e os resultados voltaram a não ser famosos. Zdenek Zeman, o checo que subiu o Pescara à Série A, o homem que criou lançou Marco Verrati (PSG) está a ter o mérito de devolver a Roma ao top-5 da liga e de, com o pouco que tem (este plantel da Roma é muito escasso para ombrear com Inter, Juventus e Napoli) fazer a equipa praticar um futebol esteticamente bonito e eficaz. No entanto, também foi corajosa a abordagem do treinador Checo a este jogo, deixando Daniele De Rossi no banco contra uma equipa como a Fiorentina em prol do americano Michael Bradley. De Rossi apenas iria entrar na 2ª parte, quando o jogo estava completamente partido e o americano já não dava conta das investidas de Borja Valero.

Foi um jogo incrível de parada e resposta, praticado do princípio ao fim a uma velocidade. A Roma marcou cedo por intermédio Panagiotis Tachtsidis, jogador contratado ao Genoa (não efectuou qualquer jogo pela equipa Genovesa visto que foi emprestado a Cesena, Grosseto e Hellas Verona; todas estas da 2ª divisão) num lance em que me pareceu que o Grego (formado no AEK de Atenas) estava em claro fora-de-jogo. Não demorou muito até que a Fiorentina empatasse por intermédio do central Facundo Roncaglia (4º golo do ex-Boca Juniors na Liga) num lance em claro fora-de-jogo. Enquanto a Roma procurava desiquilibrar por intermédio de contra-ataques muito venenosos conduzidos ora por Miralém Pjanic (está um senhor jogador) ora por Francesco Totti, o papel de Tachtsidis e do Norte-Americano Michael Bradley (outro senhor jogador) estava a ser desenrolado na perfeição: vigiar a construção de jogo de jogo dos dois centrocampistas da Fiorentina Borja Valero e Alberto Aquilani. O 2º, de regresso à casa onde foi formado, passou por completo ao lado de toda a partida. Ao mesmo tempo, a Roma exerceu uma pressão alta muito eficaz no primeiro terço do terreno dos comandados de Vincenzo Montella.

Com a Fiorentina estagnada depois do empate, fruto da pressão alta e da excelente cobertura dos seus médios mais criativos (Juan Guillermo Cuadrado jogou a 10; a Fiorentina esteve mais interventiva pelas alas, onde se destacaram os laterais Pasquale e Cassetti) a Roma recuperava muitas bolas a meio-campo. Foram nessas recuperações de bola que surgiram os dois golos que fechariam o primeiro tempo. Se Emiliano Viviano foi muito mal batido no golo de Totti, há que realçar que minutos antes, o guarda-redes da Viola tinha respondido com exito a dois lances do eterno 10 da Roma.

A perder por 3-1 ao intervalo, Montella decidiu arriscar. Tirou Cassani, reposicionando Cuadrado na sua posição de origem e colocou Mounir El Hamdaoui em campo para que o marroquino pudesse dar mais vivacidade na frente em conjunto com um escondido Luca Toni (muito bem anulado pelo central brasileiro Leandro Castán) e fez entrar Matias Fernandez para o lugar de Ruben Oliveira. O Uruguaio esteve muito mal durante a primeira parte, permitindo acima de tudo que Pjanic e Totti estivessem confortáveis no seu jogo de contra-ataque.

Logo aos 30 segundos, a substituição de Montella surtiu efeito e o antigo jogador do Ajax respondeu de cabeça a um grande cruzamento do capitão Manuele Pasquale (foi incansável naquele flanco esquerdo). A Roma sentiu o golo e o duplo pivot defensivo constituído por Bradley e Tachtsidis deixou Borja Valero pegar no jogo Viola e começar com o seu futebol rectílio e efectivo. Passados 2 minutos, seria Mati Fernandez a ameaçar com perigo a baliza do Uruguaio Goicotchea.

A Roma assustou-se com o melhor arranque do 2º tempo por parte da Viola e voltou à carga. Até ao golo de Pablo Osvaldo, aos 88″, a Roma dispos de uma série de ocasiões onde poderia ter fechado a partida. Totti teve tudo para fazer o golo na cara de Viviano; há uma arrancada de Bradley que termina com o americano a atirar a rasar o poste e pouco depois seria o internacional pelos socceroos a falhar uma cabeçada quando toda a defesa da Fiorentina estava batida; pelo meio, ainda há um golo mal anulado aos Romanos. Na outra baliza, seria o mesmo Bradley a tirar na linha um cabeceamento com selo de golo de Aquilani. Com ferros se mata, com ferros se morre. O contra-ataque Romano teria o seu ponto máximo aos 88″ quando Pablo Osvaldo selou a partida, numa altura em que a Fiorentina estava toda balanceada para o ataque.

Vitória justa da Roma num jogo excitante onde a Fiorentina fez uma das melhores prestações da temporada. Sinal negativo para os 3 centrais: Roncaglia, Rodriguez e Savic tem vindo a combinar bem durante praticamente toda a temporada e estão a ter enorme influencia nas vitórias da equipa, pela segurança que demonstraram até agora e pelos golos que tem marcado (juntos, os 3 tem 8 golos). Mas, desde o jogo da Samp para cá tem cometido muitos erros defensivos e tem jogado com um espaçamento entre si que não é desejável para quem joga com 3 centrais. É certo que precisavam à frente de um trinco possante e eficaz nas dobras aos laterais quando estes sobem no terreno e Ruben Olivera não é de facto esse jogador. O Uruguaio emprega muita força nessa tarefa mas é um jogador com uma agressividade excessiva e nem sempre actua de acordo com os moldes de inteligência necessários à posição. Os restantes centrocampistas do plantel também não são jogadores que possam render na posição 6. Montella terá provavelmente que ir ao mercado em Janeiro.

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