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Chipre

Chipre

Como aqui afirmei, devido aos interesses geopolíticos da Rússia, Putin foi o primeiro a manifestar-se. Os bancos russos tem interesses económicos na ilha e podem perder até 40 mil milhões de euros se as sobretaxas sobre os depósitos bancários forem avante. Para além do mais a desconfiança sobre o governo de Nicósia e esta medida já fizeram alguns investidores russos mudarem a rota dos seus investimentos para a vizinha Letónia visto que o primeiro-ministro Cipriota Nicos Anastasiades já veio afirmar que os investidores russos também poderão sofrer uma pequena taxa sobre o valor dos seus investimentos para tornar sustentável a banca cipriota. Se bem que o primeiro-ministro grego só irá falar à nação cipriota esta terça-feira. Se por um lado se começa a ver que a europa desistiu por completo de Chipre, ao ponto de se equacionar a saída dos cipriotas da zona euro (eu continuo a achar que a saída dos cipriotas do euro é o fim da europa) por outro lado, a própria europa parece dar sinais de desistência, ao acreditar que o problema cipriota poderia ser facilmente resolvido por outras forças presentes na ilha, caso dos Russos. As consequências perigosíssimas destas medidas estão salientes nas underlines. Corrida aos bancos massiva em toda a europa? Não tenho as menores dúvidas que pode existir uma nas próximas semanas, principalmente nos países periféricos. Um Português não se sente descansado com a possibilidade de acordar um dia e ter os bancos fechados e a mão do estado em cima de parte do seu dinheiro. Está mais que visto que estamos a ser governados a partir de um bando de loucos em Bruxelas.

A crítica à decisão do eurogrupo fez-se sentir ontem e hoje de forma massiva nos principais órgãos de comunicação social que versam sobre a análise económica:

Tim worstall escreve na Forbes sobre a possibilidade de colapso dos bancos através desta medida e relaciona o caso cipriota com a Grande Depressão de 1929 e a visão de Friedman sobre a Grande Depressão, originária nos bancos e nos erros de regulação da Reserva Federal Norte-Americana da altura. E worstall atira como key-point da sua crítica quando afirma:The actual process was the series of bank runs that happened through the early 1930s. The problem is that in a fractional reserve banking system banks are inherently unstable. The fractional refers to the fact that when you deposit $100 with one they don’t then keep that $100 in the safe. They take a guess at how much they need in the safe (OK, it’s an informed guess, but it is a guess) for when people turn up demanding their cash and the rest of it they lend out to other people” –

Felix Salmon na Reuters escreve sobre o precedente aberto em Chipre e vai de encontro ao lance de desespero e loucura dos líderes europeus quando afirma: “Don’t for a minute believe that this decision is part of some deeply-considered long-term strategy which was worked out in constructive consultations between the EU, the IMF, and the new Cypriot government. Instead, it’s a last-resort desperation move, born of an unholy combination of procrastination, blackmail, and sleep-deprived gamesmanship. (…)” 

no Business Insider Raúl Ilargi Meijer escreve sobre pressões alemãs ao governo cipriota e sobre a possibilidade de retirada de depósitos por parte de cidadãos de outros países europeus da banca. Caso Chipre saia da zona euro, Meijer interroga:And that would be the end of the Eurozone; if Cyprus leaves, so will others. Are they really going to take that risk after 5 years, 500 emergency meetings and €5 trillion in bailouts? Hell no, you kidding?, but they still threaten to do it, and in such a transparent fashion? Why would Anastasiades, or anyone else for that matter, fall for that? Something doesn’t add up here.” 

Outra interessante opinião que li foi no site da BBC através do seu editor para assuntos europeus Gavin Hewitt de onde retiro estes pontos chave: “The Germans, however, were not prepared to support a larger bailout. They suspected that half of the deposits in the island’s banks were held by Russians with much of the money being laundered. Rescuing high-rolling Russians could not be sold to German taxpayers.

But there are an estimated 25,000 British residents in Cyprus. Many of them have bank accounts in Cypriot banks. There are 3,500 British troops stationed there with savings in Cypriot banks. It is estimated that British savers have 2bn euros on deposit. They too will see their funds taxed – although Chancellor George Osborne has said he will compensate UK government employees and service personnel.” – Hewitt já refere o seu artigo a medida decretada pelo governo britânico a todos os seus cidadãos que trabalham em Chipre ao serviço da Função pública.

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anotamento

mas ainda ninguém percebeu em Itália que o impasse governativo vai causar contágio nos juros da dívida dos restantes países europeus?

aqui, aqui,

E o Chipre à beira de entrar no lote dos PIIGS.

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fico incrédulo

O Departamento de Justiça Norte-Americano lançou uma investigação contra a agência de rating Standard & Poor´s que visa apurar as responsabilidades desta numa eventual fraude na crise dos sub-primes em 2007 por “considerar que a agência de rating ignorou as fragilidades dos investimentos em produtos financeiros hipotecários durante o período que antecedeu a crise económica de 2008.”

Devo considerar que acho este pedido de investigações no mínimo caricato. Devido a certos pontos:

1. O Governo Norte-Americano usa e abusa das suas agências de rating para defender os seus interesses económicos nacionais. Tanto podemos ver a agência em causa a dar rating de Triple-A a produtos financeiros que não merecem esse rating devido ao risco de incumprimento que subjaz e a manter o rating da dívida alemã no referido rating sem que a economia alemã cresça a um nível que possa tornar essa dívida pagável, como podemos ver as agências de rating a afundar os países da zona euro a partir do rating da sua dívida para que o euro desvalorize em relação ao dólar e para que os sectores produtivos europeus se tornem menos competitivos nos mercados em relação aos seus homólogos americanos e para que a especulação possa fazer aumentar os juros da emissão de títulos de dívida e os investidores mundiais possam sugar esses mesmos estados até ao tutano como é o caso da dívida pública portuguesa.

2. Porque é que o Departamento de Justiça Norte-Americano, em relação a estes produtos financeiros e à especulação que foi feita em seu torno, não lança uma investigação detalhada às autorizações dadas pela Reserva Federal no último mandato de Alan Greenspan e à falta de supervisão económica da mesma agência? Afinal de contas parece que já foi provado que foi a FED que deu autorização à transacção em mercado de certos produtos (com um risco de incumprimento que jamais teriam o rating de Triple-A) cujos responsáveis sabiam perfeitamente (no caso de activos tóxicos do mercado imobiliário) que seriam negócios que iriam dar para o torto.

No entanto, os responsáveis da FED sempre poderão alegar isto: (vide declarações de Greenspan a meio do vídeo para o documentário de Charles Ferguson “Inside Job”)

3. Greenspan, hoje conselheiro económico do Primeiro-Ministro Britânico irá alegar que “não, não tinha conhecimento profundo sobre os CDS” (credit default swap) que os bancos e as seguradoras Norte-Americanas (entre as quais aquela cuja falência despoletou a crise de 2007, a Lehman Brothers) e “não, não sabia que os activos tóxicos emitidos por essas entidades iriam ser negócios ruinosos”. A fraude não reside apenas nos comportamentos especulativos tomados pela agência de rating em questão. Tenho como dado adquirido que a culpa desta fraude é partilhada com a Reserva Federal Norte-Americana.

4. Concluo portanto que a justiça norte-americana sofreu interferências do poder executivo para de uma vez por todas oferecer como bode expiatório para o que passou em 2007 as agências de rating. Não deixa de ser, no mínimo, caricato.

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the right quotes

“Public-sector cutbacks today do not solve the problem of yesterday’s profligacy; they simply push economies into deeper recessions. Europe’s leaders know this. They know that growth is needed. But, rather than deal with today’s problems and find a formula for growth, they prefer to deliver homilies about what some previous government should have done.This may be satisfying for the sermonizer, but it won’t solve Europe’s problems – and it won’t save the euro.”

Joseph Stiglitz

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A evolução do euro

No dia em que Mário Draghi (BCE) afirma que o euro é “irreversível” e “indesvalorizável”e na semana em que a Espanha, mesmo apesar dos pesadíssimos cortes no sector público anunciados por Rajoy, chegou ao estado de bancarrota.

A Espanha foi afectada na mesma semana por indícios de morte súbita: 5 milhões de desempregados actualmente, a ameaça por parte das agências de rating norte-americanas para a passagem a junk da cotação da dívida pública espanhola, uma dívida pública que ultrapassa os 80% do PIB, um crash bolsista de 5,82% na sexta-feira, a súbida das taxas de juro dos títulos de dívida pública para o máximo de 7,27% (os 7%  são a barreira de aferição da doença existente num estado quanto ao cumprimento das suas obrigações) e diversos pedidos de ajuda financeira por parte de governos regionais (Múrcia prepara-se para pedir 300 milhões emprestados ao estado espanhol para cumprir as suas obrigações mais urgentes e Valência prepara-se para pedir 150 milhões).

Preparem-se, o jogo pela sobrevivência vai começar.

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O problema “Europa” dos mercados emergentes

Por Dominique Moisi, autor do livro “Geopolitics of emotion”

“De Hong Kong a São Paulo, e todos os pontos que ficam no meio, uma palavra domina todas as outras, entre os grandes investidores: Grécia. Será que os gregos permanecem na zona euro? O que irá acontecer com a União Europeia e com a economia global se não permanecerem?

Até recentemente, a Europa era uma espécie de espelho que confirmava às principais economias emergentes a natureza espectacular dos seus sucessos. Elas podiam contrastar as suas altas taxas de crescimento com os elevados níveis de endividamento da Europa. Elas podiam opor a sua “energia positiva” ao pessimismo que domina as mentes europeias. Elas só gostavam de aconselhar a Europa a trabalhar mais e a gastar menos, à medida que o legítimo orgulho se misturava com um desejo compreensível de resolver os resultados históricos e de atenuar os seus legados de submissão colonial e de humilhação.

Mas, hoje, os países emergentes crescem muito preocupados com aquilo que eles avaliam, e com razão, de graves riscos para as suas próprias economias, implícitos na fraqueza excessiva na Europa, que continua a ser o líder mundial do comércio. Além disso, o mal-estar da Europa ameaça a estabilidade política de muitos desses países, bem como, dada a estreita ligação – especialmente na China – entre a legitimidade dos acordos existentes e a continuação do crescimento económico rápido.

Se a crise na Europa fizesse com que o crescimento anual do PIB caísse abaixo dos 7% na China, 5% na Índia e 3% no Brasil, os cidadãos mais vulneráveis desses países seriam os mais atingidos. Eles nunca fizeram parte da “cultura da esperança”, baseada principalmente no sucesso material, que desempenhou um papel fundamental no sucesso destes países. Se as desigualdades sociais servissem para atingir novos patamares, a sua frustração e ressentimento poderiam manifestar-se plenamente.

Nesse caso, a Europa podia tornar-se subitamente num espelho muito diferente para os países emergentes, revelando, se não acentuando, as suas próprias debilidades estruturais. E é por isso que, assim como a Europa deve salvar a economia grega ou os bancos de Espanha a todo o custo, os países emergentes devem fazer tudo o que puderem para contribuírem para o resgate da economia europeia. Tal como a Europa aprendeu, quanto mais se espera, maior é o custo – e menor é a oportunidade de sucesso.

Infelizmente, é improvável que um grupo de países que estão unidos, acima de tudo, por uma negação comum das suas responsabilidades globais, chegue a tal conclusão. Na verdade, a maioria dos países emergentes mostraria relutância perante a ideia de participar no resgate financeiro da Europa, por várias razões.

Em primeiro lugar, não existe um bloco de países emergentes. Eles não estão unidos por uma visão comum do seu futuro ou por um ideal político comum, como a democracia no mundo ocidental. Quaisquer que sejam os limites e as contradições dos valores partilhados, seria ingénuo destituir a sua importância. A Europa e os Estados Unidos permanecerão aliados, mesmo que Barack Obama, à semelhança de Nicolas Sarkozy em França, acabe por ser um presidente de um mandato.

Em segundo lugar, os países emergentes são mais rivais da Europa do que seus parceiros. Eles estão unidos apenas pela desconfiança partilhada em relação à China. Em tal contexto, uma estratégia comum a longo prazo é extremamente difícil de conceber.

Os chineses podem proclamar que tendem a pensar numa duração mais “longa” do que os americanos, que pensam mais ”amplamente”, e os europeus, que pensam mais “profundamente”, tal como um conhecido especialista em relações internacionais chinês colocou. Mas, quando se trata da crise financeira europeia, o comportamento da China parece ser determinado puramente por considerações tácticas, a curto prazo, mesmo que os investimentos chineses na Europa tenham triplicado em 2011. Comprar metade do porto de abrigo Piraeus, a um preço chocante pode parecer mais vantajoso do que investir na consolidação a longo prazo da economia grega e das suas finanças, mas será que é mesmo assim?

Em terceiro lugar, o oportunismo a curto prazo dos países emergentes é baseado numa desconfiança dupla: na Europa, é claro, mas também, paradoxalmente, neles próprios. Ou seja, eles não têm confiança na sua capacidade de fazer a sua parte para salvar o homem doente da economia global, no qual a Europa se tornou.Para ter a certeza, isto contraria o triunfalismo que emana da Ásia, em particular. Kishore Mahbubani, um pensador vanguardista, de Singapura, da política externa, proclamou recentemente em Viena, numa conferência organizada pelo meu instituto, que o próximo milénio seria asiático. E ainda assim se percebe, entre as elites dos países emergentes, algo semelhante à dúvida existencial, que a crise europeia serviu para reforçar. Esta insegurança manifesta-se de muitas maneiras: desde a acumulação de riqueza líquida como um seguro contra as incertezas externas e internas, até à escolha de muitos, se não da maioria, em educar os seus filhos no exterior.

Na verdade, o homem doente – inegavelmente europeu, se não ocidental – poderia revelar-se ser mais resistente, devido à força das suas próprias defesas naturais: a democracia e o Estado de Direito. É por isso que a actual crise europeia pode muito bem vir a ser um teste crucial para os países emergentes que estão mais dinâmicos do que a Europa economicamente, mas em última análise, mais frágeis politicamente.”

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A ameaça da amnésia alemã

Por Joschka Fischer, líder do Partido Verde Alemão e antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha e ex vice-chanceler:

“A situação da Europa é séria – muito séria. Quem teria pensado que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, apelaria aos governos da zona euro para reunir coragem para criar uma união fiscal (com orçamento e política fiscal comuns e dívida pública solidariamente garantida)? E Cameron defende também que a integração política mais profunda é o único caminho para parar a desagregação do euro.

Um primeiro-ministro britânico conservador! A casa europeia está em chamas, e Downing Street está a pedir uma resposta racional e resoluta do corpo de bombeiros.

Infelizmente, o corpo de bombeiros é liderado pela Alemanha, e o seu chefe é a chanceler Angela Merkel. Como resultado, a Europa continua a tentar apagar o fogo com gasolina – a austeridade imposta pelos alemães – com a consequência de que, em três meros anos, a crise financeira da zona euro se tornou numa crise existencial europeia.

Não nos iludamos: se o euro se desagrega, assim acontecerá à União Europeia (a maior economia do mundo), espoletando uma crise económica global numa escala que a maior parte das pessoas hoje vivas nunca conheceu. A Europa está à beira de um abismo, e certamente cairá nele a não ser que a Alemanha – e a França – alterem o seu rumo.

As recentes eleições em França e na Grécia, juntamente com eleições locais em Itália e distúrbios continuados em Espanha e na Irlanda, mostraram que o público perdeu a fé na rígida austeridade que a Alemanha lhes impôs. O remédio radical de Merkel colidiu com a realidade – e com a democracia.

Estamos mais uma vez a aprender da maneira mais difícil que este tipo de austeridade, quando aplicado no decorrer de uma crise financeira importante, apenas leva à depressão. Esta perspectiva devia ser do conhecimento comum; foi, apesar de tudo, uma lição importante das políticas de austeridade do Presidente Herbert Hoover nos Estados Unidos e do chanceler Heinrich Brüning na Alemanha de Weimar no início da década de 1930. Infelizmente, a Alemanha, entre todos os países, parece tê-la esquecido.

Como consequência, o caos paira na Grécia, assim como a perspectiva de próximas corridas aos depósitos bancários em Espanha, Itália, e França – provocando uma avalanche financeira que soterraria a Europa. E depois? Devemos desperdiçar o que mais que duas gerações de europeus criaram – um enorme investimento em construção de instituições que levou ao mais longo período de paz e de prosperidade na história do continente?

Uma coisa é certa: uma desagregação do euro e da União Europeia implicaria a saída da Europa da cena mundial. A política actual da Alemanha é ainda mais absurda à vista das amargas consequências políticas e económicas que enfrentaria.

Compete à Alemanha e à França, a Merkel e ao Presidente François Hollande, decidir o futuro do nosso continente. A salvação da Europa depende agora de uma mudança fundamental na atitude da Alemanha relativamente à política económica, e da posição da França relativamente à integração política e a reformas estruturais.

A França terá que dizer sim a uma união política: um governo comum com controlo parlamentar comum para a zona euro. Os governos nacionais da zona euro já estão a agir em uníssono como um governo de facto para lidar com a crise. O que se está a tornar cada vez mais verdade na prática deve ser levado a cabo e formalizado.

A Alemanha, por seu lado, terá que optar por uma união fiscal. Em última análise, isso significa garantir a sobrevivência da zona euro com o poder económico e os activos da Alemanha: aquisição ilimitada dos títulos de dívida pública dos países em crise pelo Banco Central Europeu, europeização de dívidas nacionais através de eurobonds, e programas de crescimento para evitar uma depressão da zona euro e para impulsionar a recuperação.

Pode imaginar-se facilmente a celeuma na Alemanha sobre um programa deste tipo: ainda mais dívida! Perder o controlo sobre os nossos activos! Inflação! Simplesmente não funciona!

Mas funciona: o crescimento induzido pelas exportações da Alemanha é baseado em programas desse tipo, em países emergentes e nos EUA. Se a China e a América não tivessem distribuído capital parcialmente financiado por dívida nas suas economias desde 2009, a economia alemã teria sofrido um sério golpe. Os alemães devem agora questionar-se se eles, que foram quem mais lucrou com a integração europeia, estão dispostos a pagar por esta o preço devido ou se preferem deixar que esta falhe.Para além da unificação política e fiscal e de políticas de crescimento para o curto prazo, os europeus precisam urgentemente de reformas estruturais dirigidas à restauração da competitividade da Europa. Cada um destes pilares é necessário para que a Europa ultrapasse a sua crise existencial.

Entenderemos nós, alemães, a nossa responsabilidade pan-europeia? Certamente não parece que assim seja. Na verdade, raramente esteve a Alemanha tão isolada como agora. Quase ninguém compreende a nossa política de austeridade dogmática, que vai contra toda e qualquer experiência, e consideram-nos bastante fora de rumo, senão mesmo dirigindo-nos para o tráfego que vem em sentido contrário. Ainda não é tarde demais para mudar de direcção, mas agora temos apenas dias e semanas, talvez meses, em vez de anos.

A Alemanha destruiu-se – e à ordem europeia – duas vezes no século vinte, e depois convenceu o Ocidente que tinha chegado às conclusões certas. Só desta maneira – reflectida vividamente no seu apoio ao projecto europeu – conseguiu a Alemanha consentimento para a sua reunificação. Seria simultaneamente trágico e irónico se uma Alemanha restaurada, por meios pacíficos e com a melhor das intenções, trouxesse a ruína da ordem europeia por uma terceira vez.”

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Quarta e Quinta, na FEUC

Conferência gratuita.

Várias perspectivas orientadas por diferentes professores e investigadores universitários europeus sobre a Zona Euro e os actuais problemas que a Europa atravessa.

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A Austeridade contra a Europa

Por Javier Solana, antigo secretário-geral da NATO, antigo Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum (PESC-UE) da União Europeia, antigo Alto Representante dos Negócios Estrangeiros da UE, antigo secretário-geral do Conselho da União, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, antigo líder do PSOE Espanhol

“É agora cada vez mais claro que o que se iniciou no fim de 2008 não é uma crise económica normal. Quase quatro anos depois do início da crise, as economias desenvolvidas ainda não conseguiram uma recuperação sustentável, e mesmo os países em melhores condições revelam sinais de fraqueza. Confrontada com a certeza de uma recessão após a recuperação, as dificuldades da Europa são assustadoras.

A Europa não corre só o risco de danos económicos duradouros; o elevado desemprego prolongado e o descontentamento popular ameaçam enfraquecer permanentemente a coesão do seu tecido social. E, politicamente, existe um perigo real de que os cidadãos deixem de confiar nas instituições, tanto nacionais como europeias, e sejam tentados por apelos populistas, como no passado.

A Europa deve evitar este cenário a todo o custo. O crescimento económico deve ser a prioridade, pois apenas o crescimento levará as pessoas a trabalhar e a pagar as dívidas da Europa.

Compreensivelmente, existe um debate sobre como se conseguir a recuperação. Os defensores da austeridade argumentam que a dívida tem um impacto negativo no crescimento; os proponentes de estímulo adicional contrapõem que é o baixo crescimento que gera a dívida pública, não o contrário, e que a austeridade em tempo de recessão só piora as coisas.

Mas os europeus não têm de concordar em tudo para encontrar uma rota comum. Podemos discordar sobre os efeitos a longo prazo das injecções de liquidez, mas podemos todos concordar que não é correcto permitir que empresas lucrativas entrem em falência porque os mercados de crédito não funcionam. Não precisamos de ter políticas fiscais idênticas para compreender que faz mais sentido promover o investimento do que ver a nossa estrutura produtiva definhar. E todos sabemos que é mais eficaz em termos de custos investir na formação de desempregados do que permitir o desemprego de longo prazo.

Em qualquer caso, as dúvidas sobre o impacto negativo da austeridade estão a tornar-se impossíveis de ignorar. A História mostra que, numa recessão profunda, retirar o estímulo económico cedo demais é muito mais perigoso que retirá-lo tarde demais.

Um corte excessivo nos gastos públicos nas circunstâncias actuais pode levar a uma contracção no crescimento, que já está a acontecer: o Fundo Monetário Internacional prevê agora que a zona euro encolha 0,5% em 2012. As reformas estruturais são importantes para garantir o crescimento sustentável futuro, mas não geram crescimento no curto prazo, que é o que a Europa precisa. Ao invés, em contrapartida de um magro progresso na redução da dívida, a Europa arrisca provocar danos duradouros ao seu potencial de crescimento.

Comparado com uma nova recessão, o custo das políticas de estímulo no longo prazo é insignificante. Em muitos países, os défices orçamentais actuais são resultado não de gastos públicos imprudentes, mas de medidas temporárias de lidar com a crise. Com as taxas de juro já em níveis baixos e com o sector privado a descapitalizar, há pouco risco de que as políticas expansionistas causem inflação ou afastem o investimento privado. Ao contrário, as reduções na despesa poderão enfraquecer a actividade económica e aumentar, em vez de diminuir, o fardo da dívida pública.

A dívida pública, aliás, não deveria ser demonizada. Faz sentido do ponto de vista financeiro que os estados partilhem o custo dos investimentos públicos, como projectos de infra-estruturas ou os serviços públicos, com as gerações futuras, que também beneficiarão deles. A dívida é o mecanismo com o qual institucionalizamos a solidariedade inter-geracional. O problema não é a dívida, mas garantir que esta financia investimento produtivo, que é mantida dentro de limites razoáveis e que pode ser honrada com pouca dificuldade.

Contudo, e de modo agoirento, os mesmos argumentos que transformaram a crise financeira de 1929 na Grande Depressão são utilizados hoje a favor da austeridade a todo o custo. Não podemos deixar que a história se repita. Os líderes políticos devem tomar a iniciativa de impedir uma crise social provocada pela economia. São urgentemente necessárias duas acções.

Ao nível global, deve ser feito mais para resolver os desequilíbrios macroeconómicos e para gerar procura nos países excedentários, incluindo em economias desenvolvidas como a Alemanha. As economias excedentárias emergentes deverão compreender que uma contracção prolongada no mundo desenvolvido cria um perigo real de uma recessão global, num momento onde já não possuem o espaço de manobra que tinham há quatro anos.No seio da zona euro, reformas estruturais e gastos públicos mais eficientes, essenciais para o crescimento e níveis de endividamento sustentáveis no longo prazo, deverão ser combinados com políticas para apoiar a procura e a recuperação no curto prazo. Os passos dados nesta direcção pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, são bem-vindos mas insuficientes. O que é preciso é um grande acordo, com os países a quem falta credibilidade nas políticas a iniciar reformas estruturais sem demora, por contrapartida de mais espaço no seio da UE para medidas promotoras do crescimento, mesmo ao custo de maiores défices no curto prazo.

O mundo enfrenta desafios sem precedentes. Nunca antes na história recente uma recessão profunda coincidiu com mudanças geopolíticas sísmicas. A tentação de favorecer prioridades nacionais mal orientadas poderá levar ao desastre para todos.

Apenas a liderança política iluminada poderá impedir este resultado. Os líderes europeus devem compreender que os programas de ajuste têm tanto um lado social como um lado financeiro, e que serão insustentáveis se os afectados enfrentarem um panorama de anos de sacrifícios sem luz ao fundo do túnel.

A austeridade a qualquer custo é uma estratégia imperfeita e não funcionará. Não podemos permitir que uma noção enviesada de “disciplina” provoque danos duradouros às nossas economias e um terrível preço humano nas nossas sociedades. Toda a Europa deve concordar numa estratégia de crescimento no curto prazo – e implementá-la rapidamente.”

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O que é isto?

A estratégia do governo de Ângela Merkel, embora inserido num contexto histórico e social diferente, tem tiques puros de III Reich.

Muito brevemente, uma das influências do III Reich para a dominação da europa e do mundo foram as teorias geopolíticas da escola de Munique e de Karl Haushofer.

A Escola de Munique teve 3 fases: a fase científica e utilitária (1924-1933), a fase propagandística (1933-1936) e a fase justificada (1936-1945)

Na primeira, segundo as palavras do General Pedro Pezzarat Correia, antigo professor de Geopolítica e Geoestratégia da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra: ““Nesta fase, a «geopolitik» alimenta a ideia de recuperação da Alemanha.
Serve como tentativa de repensar o papel da Alemanha no mundo.”

Na segunda, Correia afirma que ““A escola de Munique é sujeita à pressão do partido e a geopolítica alemã acaba por se tornar um veículo de propaganda da ideologia nazi”.

Na terceira, o autor vai mais longe e liga a ideologia à prática: ““O partido nacional-socialista ascende ao poder. A «geopolitik» passa para
uma fase instrumentalista e justificada, justificando e legitimando as conquistas territoriais e política belicista alemã.”

Assim, a contribuição teórica da Escola de Munique assentava em 5 pilares essenciais:

Espaço Vital: “capacidade de um determinado espaço geográfico necessário para atender às necessidades da sociedade humana (etnologicamente diferenciada) que ohabita”(IAEM, 1992), consubstanciando-se na fórmula «sangue e solo» onde se associava o meio e a economia ao solo e a raça e a sociedade ao sangue (Mendes, Dias2005).

Fronteira: “ a fronteira era natural, mas não seria derivada das coisas da Natureza (ex. barreiras impostas pela própria Natureza) ou de outros factores artificiais (ex.tratados) mas, sim , da natureza das coisas.” Por outro lado, o conceito de fronteiras também assentava no pressuposto de que o Estado era um organismo vivo e assim, em associação com a nova percepção de espaço vital a fronteira (Mendes, Dias 2005).

Autarcia: “está relacionado com a experiência traumática da Alemanha na primeira guerra mundial, e com o consequente conceito da «guerra total». A aquisição de capacidade para fazer face, com os seus próprios recursos, a situação de «fortaleza
sitiada» deveria ser a prioridade directriz da Economia mesmo em tempo de paz, a fim de preparar convenientemente o Estado para a próxima guerra”.(François, Raul 1996).

Pan-regiões: “permite atingir a plenitude da autarcia. É considerado o período emblemático da «escola de Munique» e constitui o modelo de análise mais nítido e mais característico do considerado paradigma dos «grandes espaços»”.A «escola de Munique» concebe então a divisão do Mundo em quatro grandes regiões, autosuficientes, geograficamente compensadas ao longo dos meridianos para garantir em cada uma delas a suficiente diversidades de climas que lhes permitissem poderem equivaler-se nas produções agrícolas ”.(François, Raul 1996)

A Pan-América, a Pan-Euroáfrica, a Pan-Rússia (englobando Afeganistão e o sub-continente indiano), e Pan-Ásia oriental, ou zona de co-prosperidade da grande Ásia. Cada Pan-regiões seria comandada por um «Estado director» (em situação não necessariamente de império, mas sim de efectiva hegemonia), o qual garantiriao desenvolvimento integrado de todo o conjunto, liderando a evolução científica e tecnológica, e orientando as especializações e as cooperações” (François, Raul1996).

Hegemonia Mundial “na medida em que, de um Mundo funcionando em paz sob o directório de quatro «Estados directores» se passaria a um Mundo regido pela hegemonia de um Estado, a Alemanha, o que viria a introduzir um fortíssimo incentivo para guerras naquela organização do Mundo em cuja proposta um dos argumentos principais era a suposta eliminação das causas da guerra”. A partir da
constituição da Pan-regiões, e de uma Paz pelo equilíbrio, passar-se-ia a uma Paz pela hegemonia, ou pelo império, através de um jogo de alianças, a constituir segundo três eixos principais. ”(François, Raul 1996).

Se relembrarmos a história, as conexões obtidas com esta contribuição teórica justificam a ligação do III Reich à Escola de Munique.

O pensamento nazi, catapultado pelo seu magnífico trabalho propagandístico não fugia à ideia da recuperação da humilhação alemã promovida pelos aliados no Tratado de Versalhes, na ideia da raça pura, do pan-germanismo consubstanciado na ideia de Gross Deutschland, do império tão grande ou maior que o império sacro-romano que pudesse dominar o mundo pelo prazo mínimo de 1000 anos.

Ou seja, em poucas premissas do pensamento nazi englobamos a autarcia, as fronteiras, a hegemonia e a tentativa de domínio alemão na Europa e no mundo.

Como é que isto foi posto em prática?

Por via da propaganda, das ideias adoptadas pelo nacional-socialismo alemão da experiência fascista italiana de Mussolini com olhares claros de desdém para o exterior numa índole de eliminar a ameaça externa, sem no entanto descurar o facto que internamente o poder ditactorial teria que ser imposto pelo monopolismo estatal do uso da violência e consequentemente por purgas internas aos opositores. Por via da asfixia aos países da Europa Central através de constantes tensões diplomáticas e ameaças bélicas. Por via de um sistema económico corporativista em que o Estado dominava a produção: Quem produz? Quanto produz? A quem vende? Com os ensaios bélicos promovidos na Guerra Civil Espanhola e com o sistema de alianças promovido pelo III Reich com Roma, com Tóquio e com Moscovo num tratado de não-agressão, que numa primeira fase era uma segurança para os alemães e ao mesmo tempo uma garantia de tentativa de pacificação Russa com o Japão.

Basicamente, pode-se dizer que os métodos de invasão alemã consistiram em asfixia dos países vizinhos e consequente anexação pacífica por falta de resistência militar por via da capacidade de juntar condições materiais que permitissem fazer frente à enorme máquina bélica do III Reich.

Não dispersando.

Volto à situação actual da europa.

A crise da dívida soberana da Zona Euro demonstra os tais tiques de III Reich no governo Merkel.

Em primeiro lugar, urge-me considerar alguns factos históricos:

1. Com o institucionalismo internacional imposto no pós 2ª Guerra Mundial, o uso da força por um parte de um Estado contra outro tornou-se ilegítimo.

2. O federalismo europeu tornou-se uma realidade tão importante que em primeiro lugar, ajudou a Alemanha a levantar-se dos danos provocados pelo III Reich durante os anos da guerra e num segundo lugar, voltou a ajudar a Alemanha depois da queda da RFA na ajuda ao desenvolvimento económico no contexto da Alemanha reunificada.

Nos últimos 20 anos, temos assistido a um pensamento alemão que incorre na vontade de juntar toda a Europa num estado único, cuja hegemonia é vista pelos Alemães (hegemonia essa dominada por Berlim) como a única capacidade da Europa se tornar competitiva do ponto de vista económico.

Daí toda a construção económica e financeira da europa segundo um modelo de moeda única e mercado único (União Económica Monetária e Integração financeira na zona euro) em que foi garantida à Alemanha o papel de hegémon de todas as forças e vectores europeus.

Merkel e os seus antecessores pegaram nessa oportunidade para poder asfixiar os restantes países (politicamente com as constantes perdas de soberania nacional e economicamente com as concessões crediticias que a banca alemã emprestou principalmente aos países em sub-rendimento da periferia europeia e que hoje estão a ser a garantia que o Estado Alemão tem para que estes países cumpram metas orçamentais e económicas).

Mais uma vez a lógica apresenta-se numa simples frase: “asfixiar para anexar e dominar”.

As sucessivas ajudas externas a Irlanda, Grécia e Portugal, a asfixia e perda de controlo dos governos Francês e Italiano nos mais variados ratings, as tentativas frustradas de renegociação das dívidas grega, portuguesa e irlandesa face aos credores privados alemães são o exemplo mais claro daquilo que os alemães pretendem da Europa.

A mais recente imposição do governo alemão de instituir um controlador externo às contas orçamentais do governo Grego não só representam mais uma investida alemã à perda de soberania nacional grega como concorre claramente no dito projecto alemão. Daí que Jean-Claude Junker, hoje, já tenha vindo a público negar a possibilidade de tal facto acontecer, numa afirmação de salutar.

No entanto, creio que se esta posição alemã não passar na cimeira europeia de hoje, outros métodos (decerto mais asfixiantes e mais repressivos aos estados europeus que constituam oposição às suas medidas) serão tentados para que pela via de políticas de pressão se façam as vontades às pretensões alemães. O nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros também já veio repudiar a posição do governo alemão, o que para já, a meu ver, vem de encontro à minha ideia de que devemos bater o pé aos Alemães e às suas pretensões, mas, de facto pode ser uma posição que nos possa sair cara devido às pressões (negativas para o nosso bem-estar) que os Alemães poderão incutir ao nosso Estado.

Os dados estão portanto lançados. Restará aguardar para ver.

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terrorismo europeu

O governo alemão rejeitou comentar, mas anunciou que poderá haver um acordo para o perdão de 75% dos títulos de dívida pública grega que estão nas mãos de privados alemães.

Os Gregos levaram a sua avante, e ainda bem para bem da zona euro.

O que os gregos fizeram chama-se “terrorismo europeu” mas é algo que teria que ser feito.

Pedrito, já abriste a pestana ou nem por isso?

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brincadeiras?

Há uns anos, lembro-me que meia dúzia de jovens caloiros diziam no café que Portugal tornar-se-ia um país tão pobre como os países de leste.

Estavamos em 2005 e o dinheiro que recebíamos de mesada dava para tudo.

Não é que 6 anos passaram e nos tornámos mais pobres que eles?

Hoje em dia uma nota de 10 euros já não dá para nada, o governo de direita insiste na austeridade que ultrapassa os limites dos razoáveis, promete-se emprego e cria-se mais desemprego, ataca-se o sistema nacional de saúde, ataca-se o futuro com os cortes na educação, condenam-se pessoas à morte pela diminuição das comparticipações do estado nos medicamentos, entre outras medidas que todos temos conhecimento dia-a-dia.

E a Nissan foi-se embora, de tão podre que este país é.

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Mal vai a União…

Quando presidente da República Francesa vem a público fazer uma ameaça.

“Ou temos um acordo para um novo tratado até sábado ou então não haverá uma 2ª oportunidade” – disse.

Desmisticando de forma breve: ou os cordeirinhos do eixo franco-alemão depositam os problemas da União no casamento Sarkozy\Merkel ou então estarão fora da zona euro.

Hint: A zona euro, nos trâmites em que a conhecemos, já deu o que tinha a dar. Concordo com algumas das opiniões veículadas por reputados economistas. Não será o futuro da moeda única o único factor que estará em risco. Com a adopção destas posições por parte da França e da Alemanha, tudo o que as comunidades construíram até aqui também poderá cair por terra em breve. Será só uma questão de tempo.

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lógica da batata

Foto: Philippe Wojazer/Reuters

Nicolas Sarkozy afirmou que se deve avançar automaticamente para mais uma renovação dos tratados europeus.

Concluo portanto, que perante a grave crise da dívida nos países da zona Euro, fez-se luz na cabeça do Presidente da República Francesa. Não consigo perceber agora, qual será a grande posição dos Europeístas em relação à grande vitória que foi o Tratado de Lisboa.

Sarkozy afirmou também que Angela Merkel e a Alemanha concorda com a sua posição. Se a Alemanha concorda, a França concorda. E os cordeirinhos da hegemonia franco-alemã também concordam. Isso é o que interessa. A Europa continua a dançar o twist que é promovido pelo duo. Assim, vamos longe.

Já agora, a imagem parece mesmo extraída daquela campanha publicitária de Benetton. Ó Angela dá cá uma beijoca porque não somos amigos, somos quase amantes.

 

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O governo grego cai…

Mas Papandreou já se prepara para estudar filosofia na Sorbonne em Paris. Tenho dito.

 

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Colapso económico

São as únicas palavras que me ocorrem. Nunca antes nestes 71 anos alguma entidade tinha posto em xeque o poderio hegemónico da economia Norte-Americana.

Decisão altamente justificada perante um país que não conseguiu acertar-se a tempo quanto ao tecto da dívida e que pode entrar em incumprimento. Decisão ainda mais justificada perante um país que por um lado está a tentar arruinar a zona euro e por outro tem metade da sua dívida nas mãos de terceiros, neste caso da China. Decisão ainda mais justificada quando todo o mundo sabe os truques que o Governo Norte-Americano e a Reserva Federal fazem para injectar mais dinheiro no sistema e assim criar mais dívida, dívida que jamais será paga.

Resta mesmo saber como reagem os mercados e a Zona Euro a esta decisão.

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Espanha e Itália

Começou o assassínio económico dos dois países.

Juros da dívida em escalada de dia para dia, reacções que não motivam alarme para já, vozes que apelam para a necessidade das ditas “reformas estruturais” para baixar a dívida pública através de cortes na despesa pública, “criação de mais emprego”, privatizações, flexibilização laboral, mudança de governo caso seja necessário e imperetrivelmente, o resgate financeiro final.

Em quais das patologias da Europa dos 27 já diagnosticamos estes primeiros sintomas?

Porque é que os Estados Unidos da América, o maior país gerador de dívida do mundo, que por sua vez tem metade do valor da sua dívida em mãos chinesas, está a todo o custo a tentar afundar a Zona Euro, mesmo sabendo que a produtividade europeia é mais baixa que a Norte-Americana e o produto final menos competitivo nos mercados mundiais?

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“Não somos Portugal, não somos a Grécia”

Alfredo Pérez Rubalcaba, vice-presidente do executivo espanhol governado por José Luis Zapatero afirmou que o governo espanhol seja recebido com “sensatez” nos mercados, rejeitando a ideia que a Espanha está a enveredar por uma crise semelhante à Portuguesa e à Grega.

Segundo as palavras do mesmo: “não somos portugal, não somos a grécia, não somos a Irlanda(…)”

Pois não. Estão piores. Tem 5 milhões de desempregados, industrialmente estão completamente estagnados, publicamente contestados, e com a crise em Portugal, grande parte dos vossos investimentos no exterior estão literalmente a arder.

A única diferença é que vocês Espanha são um país dador na União Europeia e devido ao défice das vossas contas, ao nível das políticas monetárias desenvolvidas a partir de 1999, não interessa estender a crise ao vosso país. Nesse cenário, o euro estaria irremediavelmente ameaçado. Nesse cenário, a saída de qualquer um dos países que pertencem à zona euro seria completamente catastrofica para as políticas desenvolvidas pelas instituições europeias pela criação da União Económica e Monetária.

No entanto, a crise irá tocar-vos de alguma maneira. Para evitar uma ajuda externa, o governo espanhol terá que desenvolver políticas que criem receitas extra ao estado, ao mesmo tempo em que deverá ter que reduzir ou atenuar o flagelo do desemprego no país de forma a controlar o descontentamento social.

E a economia capitalista actual já provou ser difícil a coexistência de políticas de protecção social com medidas estrictamente financeiras e monetárias. No actual estado do capitalismo, é difícil conjugar uma política fomento do emprego quando a balança de pagamentos é negativa e existe falta de liquidez para corrigir o deficit. 

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Em Atenas

Em Atenas, o governo Socialista de George Papandreou nunca esteve tão abandonado e tão cercado de protestos sociais.

O Governo Grego está à beira da bancarrota. Por imposição europeia para receber um novo resgate que pode ir até aos 120 mil milhões de euros + a última tranche do primeiro acordo negociado com o Banco Central EuropeuFundo Monetário Internacional e Comissão Europeia, o Parlamento Grego terá que aprovar amanhã um novo pacote de medidas de austeridade que ostenta mais despedimentos e cortes na Administração Pública, uma subida gradual de impostos, a perda de regalias por parte de funcionários da Administração Pública e familiares como o caso da pensão vitalícia que os filhos de funcionários da Administração Pública tinham direito por morte dos país, aumento das taxas de cuidados hospitalares e reduções dos encargos das finanças públicas, entre outras medidas.

Nas ruas, está marcada uma greve para as próximas 48 horas. Como podemos ver nestes dois vídeos, as ruas de Atenas estão a ferro e fogo. São milhares de pessoas contra cerca de 5 mil soldados policiais.

No Parlamento Grego, embora o Partido Socialista de Papandreou disponha de maioria absoluta, existem deputados do mesmo que não quer votar a favor de mais medidas de austeridade por estes irem contra os seus princípios. Caso as novas medidas de austeridade passem amanhã no Parlamento, prevêem-se dias terríveis em Atenas. Grupos activistas Gregos acreditam que este problema económico, financeiro e social que afecta o país Helénico não é mais do que o princípio das novas revoluções nos países periféricos da Europa contra o grande capital e a hegemonia dos interesses das grandes potências europeias sobre as instituições europeias. 

Caso as medidas de austeridade não passem no Parlamento Grego, não existe um re-financiamento mundial à Grécia. Se não existir esse re-financiamento, pura e simplesmente, a Grécia cai numa situação de bancarrota nas próximas semanas e poderá ser convidada a sair da zona euro, cenário que seria catastrófico para as políticas de integração europeias no que toca à constituição de uma União Económica e Monetária, para o Mercado Europeu e para a estabilidade da própria moeda.

Isto no dia em que o Governo Português apresentou o seu programa eleitoral e em que em Espanha reclamou-se novamente eleições antecipadas.

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FMI aumenta linha de crédito à Polónia

A prudência orçamental e a estabilidade e solidez das suas políticas financeiras, permitam à Polónia ver aumentada a sua linha de crédito no FMI para 30 mil milhões de dólares, mais 9 mil milhões em relação ao valor que o país recebeu em Maio de 2009.

O crescimento industrial do país desde que entrou para a União Europeia e a prática de políticas de crescimento sustentável fizeram aumentar a confiança do Fundo Monetário Internacional no governo Polaco.

Isto no dia em que o banco de investimentos Goldman Sachs defendeu um pacote de apoio a Portugal e a abertura de uma linha de crédito a Espanha e a gestora Francesa Axa afirmou que acredita que Portugal receberá ajuda dentro de 2 meses e Espanha dentro de 6.

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