Tag Archives: Volta a Portugal

A felicidade de Cobo

O Anglirú faz diferenças colossais. O caminho de cabras descoberto por um elemento da extinta equipa Once, alcatroado e inserido pela primeira vez na Vuelta de 1999 é de facto uma subida terrível (12 km a uma inclinação média de 9,9% com rampas duríssimas que vão dos 14% aos 24%) que está ao nível das 89 melhores subidas do Tour (Col du Telegraph, Col de La Madeleine, Mont Ventoux, LuzArdiden, Alpe D´Huez, Plateau de Beille, entre outras) e só passível de ganhos em território Espanhol com Arcalis e Sierra Nevada.

Foi aí que Juan José Cobo, experiente trepador da Geox que até esta volta tinha como grandes resultados da sua carreira (uma vitória na Volta ao País Basco, um campeonato espanhol de contra-relógio sub-23, 2 etapas na Volta ao País Basco, um 3º lugar individual na Volta a Castilla y Léon com a vitória numa etapa, 1 etapa na Volta a Portugal, um 4º lugar individual na Volta a Portugal, 1 etapa na Volta a Burgos, 1 etapa no Tour, 1 etapa na Volta à Espanha e consequente 10º lugar individual) cavou as diferenças para Froome, Wiggins, Mollema, Monfort e outros…

A partir daí foi gerir a diferença na última semana de prova, onde Christopher Froome e a Sky (pelo tempo que Froome tinha a recuperar para Cobo) foram demasiados tímidos, o que de facto também acaba por ser compreensível visto que Froome acabou por ter nesta Volta um resultado bastante surpreendente tendo em conta os parcos resultados obtidos até ao dia de hoje.

Bradley Wiggins conseguiu o pódio. Justamente. O Britânico está a tornar-se mais regular na alta-montanha. Mesmo assim creio que não é ciclista para ir mais além do que a luta pela vitória no Giro e na Vuelta.

Bauke Mollema é um nome a ter em atenção. De todos os Holandeses, creio que o seu potencial é bem maior do que o de Gesink. Todavia, a Rabobank está muito bem servida para os próximos anos. Teve muita arte ao roubar a camisola verde a “Purito” Rodriguez na pedalada final em Madrid. Para além de ser um ciclista completo que pode discutir grandes voltas, é um homem a ter em conta para as clássicas, pelo seu potencial de finalização de etapas.

Maxime MonfortIgor Antón – O primeiro é um ciclista de valia. Em forma, poderá alcançar o top-10 do Tour facilmente. O segundo é um espectáculo. Venceu onde queria vencer, em Bilbao, sua terra natal. Deu uma alegria aos adeptos bascos equiparável à vitória num Tour, visto que a prova espanhola não tinha um final de etapa por terras bascas desde o incidente (ameaça de bomba) em 1978. Antón precisa de melhorar o contra-relógio para poder discutir a Vuelta. O resto está lá.

Vincenzo Nibali foi 7º e acabou por ser uma decepção. O contra-relógio continua a ser uma pedra no sapato no Italiano. Nesta Vuelta perdeu muito tempo no contra-relógio e não se evidenciou na alta-montanha. Poderá ir pelo mesmo caminho de Ivan Basso caso continue a mostrar uma postura defensiva na alta-montanha.

Janez Brajkovic – Para quem era candidato a vencer o Tour, a 22ª posição na Vuelta não confirma apenas o mau ano da Radioshack. Confirma que Brajkovic é overrated. Erros de casting de uma estrutura que no pós-armstrong estragou carreiras, tais como as de Kloden (será sempre um gregário de luxo, nunca um chefe-de-fila) e Yaroslav Popovych.

Tiago Machado foi 32º. Prometeu o top-20 e quiça algo mais no início da prova. Acabou por desaparecer dos grupos principais com o decorrer desta. Precisa de ser mais consistente e precisa sobretudo que lhe dêem mais espaço na Radioshack com a nova fusão com a Leopard, algo que decerto não vai acontecer porque Tiago deverá ser influente no trabalho para os irmãos Schleck. Nesse papel, talvez venha a lucrar como Azevedo lucrou com Armstrong.

Chavanel, Le Mevel, Moncoutie – Mais do mesmo. Aparecem, desaparecem. A camisola da montanha é o conforto dos ciclistas e equipas francesas.

Joaquin RodriguezLuis León-Sanchez – Não são corredores para vencer grandes provas por etapas. Está mais que visto. Mas são atletas de guardar nas equipa. Vencem muitas etapas, são importantes para a obtenção de pontos no ProTour.

Sérgio Paulinho – Por duas vezes teve a vitória em etapa na mão, por duas vezes fraquejou.

Castro SastreDavid BlancoDavid BernabéuJuan HorrachPablo Lastras – Sastre está claramente em final de carreira. Aos 36 anos, o seu nível exibicional desceu desde que venceu o Tour e nada me admira que perdure a bicicleta no final do ano. Os restantes fizeram mossa nas estradas portuguesas. Ficam-se mesmo por aí, por mais que a comunicação social eleve as suas competências.

Peter Sagan – Deu à liquigás o triunfo mais saboroso em Madrid. Tanto batalhou que acabou no pódio final como se pretendia. À equipa Italiana, faltou o sucesso de Nibali.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Francesco Gavazzi vence na Vuelta

Depois da vitória de Froome em Peña Cabarga que aproximou (em 7 segundos) o ciclista da Sky da liderança de Cobo (2º em Peña Cabarga) hoje foi a vez de Francesco Gavazzi vencer na Vuelta (italiano da Lampre que esteve em destaque na Volta a Portugal com algumas vitórias em etapas) culminando em grande estilo uma fuga de vários ciclistas entre os quais novamente o Português Sérgio Paulinho, tendo sido novamente infeliz nos quilómetros finais da tirada.

A etapa entre Solaris e Noja tinha algumas dificuldades a meio do percurso, entre as quais uma contagem de 1ª categoria. Desde cedo, um grupo de fugitivos de 8 elementos com homens como Gavazzi, Paulinho, Joaquin Rodriguez, Gustov e Matteo Montaguti  (entre outros) trilhou o seu caminho sem grande oposição por parte do pelotão até à chegada, onde o italiano da Lampre foi mais forte.

No pelotão, o duo da frente da corrida chegou ao mesmo tempo. Mesmo com 13 segundos de atraso, Christopher Froome acredita que será possível roubar a camisola a Juan Cobo antes da etapa de consagração em Madrid. Resta-lhe portanto jogar amanhã ou no sábado.

Classificação Geral:

1º Juan José Cobo (EspanhaGeox)
2º Christopher Froome (Team SkyGrã-Bretanha) a 13s
3º Bradley Wiggins (Grã-BretanhaTeam Sky) a 1.41m
4º Bauke Mollema (HolandaRabobank) a 2,05m
5º Denis Menchov (RussiaGeox) a 3.48m
6º Maxime Monfort (BélgicaLeopard) a 4.13m
7º Vincenzo Nibali (ItáliaLiquigás) a 4.31m
8º Jurgen Van der Broeck (BélgicaOmega-Pharma Lotto) a 4.45m
9º Daniel Moreno (KatushaEspanha) a 5.20m
10º Mikel Nieve (EuskatelEspanha) a 5.33m

Nas outras camisolas:

– Com a fuga de hoje, Joaquin Rodriguez atingiu o seu objectivo e recuperou a camisola verde depois de a ter perdido ontem para Mollema. 8 pontos nos sprints especiais e 8 pontos na chegada valem com que “Purito” lidere a classificação com 106 pontos contra os 101 do Holandês. Juan Cobo tem 92. Iremos decerto assistir a uma enorme luta pelos sprints bonificados até ao final da prova entre estes dois ciclistas.

– Na montanha, Monteo Montaguti fez um assalto final à camisola de David Moncoutie. O italiano da AG2R andou na fuga com o propósito de pontuar na montanha que se foi ultrapassando no decorrer da etapa. Montaguti marcou 13 pontos. Moncoutie lidera com 63 com os 56 do italiano e os 42 de Cobo. Desengane-se quem pensa que esta luta está fechada. Amanhã e sábado ainda existem montanhas para ultrapassar e estes dois ciclistas irão fazer marcação cerrada entre si, sendo expectável que saiam em fuga.

– No prémio combinado, Cobo é 1º, Froome 2º e Mollema 3º.

– Por equipas, a Geox já assegurou praticamente a vitória. Tem 10 minutos de avanço para a Leopard e quase 18 para a Euskatel.

Em relação à etapa de amanhã (Noja-Bilbao):
– Etapa com grau médio de dificuldade com uma parte final onde até podem ser trilhadas diferenças. Começa com 2 contagens de 3ªa categoria e acaba com 2 de 2ª categoria, sendo que a última termina precisamente a 14km da meta. Será portanto um bom dia para Froome tentar o assalto à 1ª posição da prova assim como Mollema irá querer contrariar o actual 3º lugar de Wiggins.
Tem 2 sprints bonificados pelo meio.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,