Tag Archives: Universidade do Porto

32 alunos em medicina

Vi no telejornal da SIC que a Escola Secundária Alves Martins em Viseu enviou 32, sim, 32 alunos para o curso de Medicina.

Não é pera doce enviar 32 alunos para um curso onde as médias de entrada a nível nacional em 20102011 (conforme me foi emendado pelo leitor JD; não consegui encontrar as médias de entrada deste ano) foram compreendidas entre os 18.52 da Universidade do Porto e os 17,82 da Universidade da Madeira e da Universidade dos Açores. É puro sinal de excelência, de comprovada qualidade no ensino e de empenho por parte dos alunos.

Quando a jornalista interrogou alguns alunos da referida escola acerca do que é que os levou a ingressar em medicina, as respostas agradaram-me ainda mais. Quase todos mencionaram um desejo humanista de ajudar o próximo a superar os seus problemas e o desejo de trabalhar para que a medicina evolua.

Estão portanto todos de parabéns!

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Mais de 1200 estudantes abandonaram o ensino superior!


Peço atenção para a vergonha que o Jornal Público relata aqui.

Nesta peça, gosto particularmente das justificações do ministro da Ciência, Técnologia e Ensino Superior. Este ano lectivo só em 3 Universidades desistiram 1200 alunos (o maior número de desistências dos últimos 10 anos) e o Ministério não consegue arranjar co-relação entre estas desistências e o novo sistema de atribuição de bolsas, que em todo o país poderá excluir 20 a 25 mil estudantes e atirar grande parte deles para fora do ensino superior por carência de meios económicos.

Falamos do mesmo senhor que a 27 de Outubro de 2010 afirmou publicamente que nenhum estudante seria obrigado a devolver as bolsas provisórias quando algumas centenas (possivelmente milhares) estão a ser informados para devolver as bolsas provisórias que já tinham recebido.

Falamos do senhor que pertence a um governo cujo Primeiro-Ministro ainda não há 1 ano atrás, prometeu aumentar o número de bolsas no ensino superior em quantidade e qualidade.

Gosto também (em particular) da 2ª desculpa esfarrapada que o ministro deixa na peça quando afirma que as Universidades em caso de desistência de alunos tê2m todos os mecanismos para evitar a desistência por falta de rendimento. De facto, têm. Existe um fundo social de emergência que oferece um valor completamente ridículo de 1200 euros ao estudante carenciado por ano, sendo que o mesmo terá que viver com esses 1200 euros durante o resto do ano caso não se consiga financiar por outras vias. Gostava de ver o Sr. Ministro a viver com esse dinheiro durante 6 ou 7 meses.

A primeira questão que se coloca foi quantas vezes esse fundo foi accionado na UC? Outra questão que se coloca é a de quantas vezes é que os SASUC foram efectivos a resolver a questão de extrema carência de um estudante? Outra questão pertinente que se coloca é: Será que os alunos que andam a desistir do ensino superior tem conhecimento que existem estes fundos de emergência à sua disposição?

Para finalizar, outra questão importante que eu coloco é: Será que os alunos que desistem do ensino superior demonstram confiança nos seus líderes associativistas ao ponto de confiarem os seus casos específicos em busca de um resultado que lhes permita continuar os estudos? A resposta a esta pergunta é não e gostava que viesse alguém da Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra apresentar-me dados concretos sobre esta questão. Gostava de saber quantos procuraram a Direcção-Geral e quantos casos foram de facto resolvidos a partir da Direcção-Geral. Muito poucos de certeza.

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A Acção Social não existe em Portugal!

Os estudantes da Academia do Porto tiveram tomates e irromperam no auditório onde decorria a abertura solene das aulas da Universidade do Porto que tinha a presença do Sr. Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Mariano Gago e o primeiro ministro José Socrates para entregar ao Sr. Ministro uma medalha de chouriço pelo facto deste país ser o 3º país “mais caro” ao nível do ensino superior entre os 27 estados-membros da União Europeia.

No seu discurso, Mariano Gago defendeu que a propina actualmente está de acordo com os rendimentos que são auferidos pela autoridade paternal assim como a propina anual de 6 euros estava de acordo com os rendimentos auferidos em 1942! Digamos que é um argumento bizarro, visto que quem tinha 1200 escudos em 1942 era literalmente uma pessoa abastada!

O que eu pergunto ao Sr. Ministro da Educação é o seguinte: não estará o Sr. a fazer as contas tendo em conta o seu chorudo ordenado? É que parece que não, mas 1000 euros por ano significa um esforço de retenção de capital de um mês por parte de algumas famílias neste país!

Façamos recuar o tempo. Há uns meses atrás, eu vi com os meus próprios olhos no Canal Parlamento, o Sr. Primeiro Ministro num debate quinzenal dedicado ao estado actual do Ensino Superior em Portugal, defender-se do massacre que levou dos partidos de esquerda e do CDSPP. Os 3 partidos da oposição questionaram na data (entre outros assuntos) a razão pela qual as instituições bolseiras do ensino superior não estavam a pagar a tempo e horas as referidas bolsas aos alunos bolseiros cuja atribuição já tinha sido despachada no início do ano. Socrates, na altura interveio, dizendo que a culpa não era do Ministério, pois o Ministério tinha canalizado o dinheiro a tempo e horas, sacudindo portanto a “água do capote” para as referidas instituições bolseiras das Universidades e Politecnicos. Em resposta a Francisco Louça do Bloco de Esquerda, o nosso grandioso mestre da mentira, prometeu que o novo decreto-lei de Julho sobre a Nova Regulamentação para as Bolsas de estudo do Ensino Superior, não só acabariam com as falhas de pagamentos como também haveria de prometer ligeiros aumentos nas bolsas de estudo dos alunos do Ensino Superior.

Sr. Primeiro Ministro, sempre me ensinaram desde miúdo que a mentira tem pernas curtas. O que se passa actualmente é que o referido Regulamento não só alterou as formas de cálculo das Bolsas de forma drástica e injusta como é favorável para que milhares de alunos carenciados percam as suas bolsas e outros milhares vejam o valor das suas bolsas reduzidas em 20, 30 ou até 50% em relação ao valor que era pago no ano lectivo 20092010. Ou seja, o que em Março parecia uma coisa, rapidamente tornou-se noutra sendo que os estudantes do ensino superior regrediram na idade e agora assemelham-se a crianças cuja maldade dos adultos leva a que num primeiro instante se lhes dê um rebuçado para o retirar mais tarde. É algo gravíssimo, Srs. Primeiro Ministro e Ministro do Ensino Superior! Isto sim, é estar a praticar um autêntico atentado ao Estado Social. É estar a incentivar a que o Ensino Superior se torne definitivamente um serviço público elitista, estar a incentivar que muitos jovens não tenham possibilidades para frequentar o Ensino Superior.

É portanto preciso denunciar as situações que estão a ocorrer nos serviços de bolsas deste país. Pior que a crueldade de limitar ainda mais os orçamentos de jovens (que são a rampa de lançamento para que Portugal no futuro tenha uma maior qualificação técnica capaz de criar mais riqueza para o nosso país e assim abater o “gap” que temos em relação às grandes potências europeias) é a crueldade com que o nosso Primeiro-Ministro assemelha todos os futuros licenciados, mestres e doutores deste país a números económicos. Não estamos a ser tratados como os cérebros neste país, mas sim como um número financeiro presente e futuro em que os vectores pura e simplesmente indicam que quem der riqueza no futuro será bem vindo e quem der demasiada despesa no presente deve ser cortado para que as contas públicas não sofram aumentos.

Eu estou-me completamente a cagar se o défice público aumenta ou diminui. Se aumenta, a culpa é vossa. Não temos que pagar na pele os vossos erros. Não trabalho em Bruxelas e sei que no futuro terei que pagar a vida toda para que se paguem os erros de quem governa este país desde o 25 de Abril de 74. Eu e a minha geração pura e simplesmente queremos aquilo que nos é consagrado de direito pela lei fundamental deste país. Para que um dia, na pele de contribuintes, possamos dar aquilo que é de Direito às futuras gerações que ciclicamente nos irão pagar a reforma e dar de aquilo que é de direito às gerações que se seguem.

E agora Sr. Ministro? Venha aqui ler se faz favor. Processe-me por difamação se assim quiser. A sua promessa, desta vez é um facto. Está documentada e é uma prova da sua vergonha enquanto governante deste país. Portanto, apenas nos dê o que é um direito nosso e construa definitivamente o seu estado social em vez de navegar com o liricismo neoliberal do PSD!

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