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Mas

O pessoal do Bloco, dissentes, ex-dissidentes, activistas profissionais, militantes, escroques ou simplesmente neo-bakuninistas ainda não me esclareceram a seguinte questão:

Zeus me livre se algum dia o PCP terá que aproximar-se daquela escumalha do Bloco de Esquerda. Eu abro o meu jogo – eu sou militante do PCP. Antes de me filiar no partido, medi bem a ideologia que defendo. No Bloco de Esquerda tal não acontece. Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa, existem várias ideologias rotativas ou se o mesmo é desprovido de qualquer ideologia que não seja criticar para destruir sem que no entanto se tenha algo para construir a mais do que temas fracturantes da sociedade.
Um partido, que de facto é actualmente o mais velho em actividade desta nação não pode dar o passo em frente para a união com um partido que é composto por 4 frentes (PSR, UDP, RupturaFER e Política XXI) em que todas essas 4 frentes estão unidas num partido único, embora, com a ressalva dessas 4 frentes terem choques ideológicos graves (o exemplo da FER em relação à UDP chega a ser drástico).

Eu bem vejo os militantes do Bloco de Esquerda que conheço. O Bloco de Esquerda, assumidamente Marxista e Trotskista é um partido que cativa uma massa de apoiantes que não sabem o que é Marx, que não sabem a preponderância que Marx teve para a Economia Política e que jamais leram os pressupostos ideológicos em que assenta o próprio partido. Isso é grave. Filiam-se apenas na ideia que o partido transparece cá para fora: “a gente está aqui para fazer barulho” – e nada mais que isso.”

Quid Iuris?

MAS?

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Aliança à vista? Jamais…

Notícias dão conta de uma possível abertura do PCP e do Bloco de Esquerda para uma convergência política alternativa de esquerda.

Espero que o PCP não embarque nestas quimeras. Pelo pedaço de história que lhe cabe nos últimos 90 anos do país e pela ideologia bem vincada que sempre defendeu, espero que tal não se venha a realizar. O PCP não deve andar a reboque de ninguém. Muito menos de partidos muito pouco esclarecidos ao nível de ideologia interna e cheios de divergências entre os seus principais rostos.

Não menosprezando a influência que o BE tem actualmente no panorama político português (influência maior que o PCP na Assembleia da República, já tinha afirmado aqui sobre esta possibilidade, passando a transcrever: “Não nos cabe a nós recolher alguém em nossa casa que não perfilha totalmente do nosso pensamento e que dentro do próprio partido não se sabe bem que ideologia defende, ou, se defende várias. Pelo menos é a realidade que o Bloco nos transparece. Nesta minha crítica, não desejo qualquer mal ao Bloco. Não desgosto das políticas desejadas pela UDP e pelo Política XXI – pelo contrário, até as prezo. No entanto, não defendo uma junção com o PSR e com a RupturaFER” – continuo a manter este argumento. Com a RupturaFER (vais-me desculpar Manuel Afonso) jamais será viável concertar esforços no mesmo barco.

Para reforçar este argumento, transcrevo um comentário publicado aqui no Aspirina B: “O Sr. deputado Carlos Brito não sabe do que fala. Vive no mundo do sonho, no mundo da ilusão.

Zeus me livre se algum dia o PCP terá que aproximar-se daquela escumalha do Bloco de Esquerda. Eu abro o meu jogo – eu sou militante do PCP. Antes de me filiar no partido, medi bem a ideologia que defendo. No Bloco de Esquerda tal não acontece. Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa, existem várias ideologias rotativas ou se o mesmo é desprovido de qualquer ideologia que não seja criticar para destruir sem que no entanto se tenha algo para construir a mais do que temas fracturantes da sociedade.
Um partido, que de facto é actualmente o mais velho em actividade desta nação não pode dar o passo em frente para a união com um partido que é composto por 4 frentes (PSR, UDP, RupturaFER e Política XXI) em que todas essas 4 frentes estão unidas num partido único, embora, com a ressalva dessas 4 frentes terem choques ideológicos graves (o exemplo da FER em relação à UDP chega a ser drástico).

Eu bem vejo os militantes do Bloco de Esquerda que conheço. O Bloco de Esquerda, assumidamente Marxista e Trotskista é um partido que cativa uma massa de apoiantes que não sabem o que é Marx, que não sabem a preponderância que Marx teve para a Economia Política e que jamais leram os pressupostos ideológicos em que assenta o próprio partido. Isso é grave. Filiam-se apenas na ideia que o partido transparece cá para fora: “a gente está aqui para fazer barulho” – e nada mais que isso.

Por isso, tal desejo desse Sr. deputado é irreal. É completamente irreal. Ainda mais quando o próprio líder desse partido é um economista interessante mas um fraco político – característica que na minha opinião o torna um pouco bipolar.

Disse.”

Perdoem-me os meus amigos militantes do Bloco de Esquerda. É aquilo que penso. Não retiro uma única linha deste discurso. Sei bem que é perigoso generalizar. Sei bem que alguns militantes do Bloco de Esquerda irão ler este post e irão acusar-me de falta de conhecimento do funcionamento interno do partido para tentar criticar o meu argumento. É um ponto de vista legítimo assim como é legítima a minha visão de fora do partido, que decerto não destoa em relação aquilo que grande parte dos meus camaradas pensam dos mecanismos de funcionamento do Bloco.


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A 2ª vida de Sócrates

Re-eleito na secretaria-geral do Partido Socialista com um resultado histórico de 93,3% dos votos, perante uma oposição interna desconhecida e insignificante.

Com o cenário de demissão do Primeiro-Ministro e recandidatura assumida, Passos Coelho começou com os seus “lapsos ideológicos” quando apresentou as suas ideias para alterar o estado do país. Subir os impostos (IVA) e apostar num aumento de privatizações das empresas públicas (em especial a CGD) não é um cenário apetecível aos olhos dos Portugueses.

A última sondagem realizada dava 46% das intenções de voto ao PSD. Com os sucessivos anúncios dados pelo líder do PSD nas entrevistas que deu aos órgãos de comunicação social, a percentagem deverá descer, complicando a maioria absoluta para o PSD que desde já sabemos que depende do CDS-PP. Cabe portanto a Portas e seus pares resolver a questão. Perante as medidas populistas que o CDS-PP sempre nos brindou, não creio que os democratas-cristãos estejam disponíveis a embarcar nestas quimeras. Nesse aspecto, Portas sempre afirmou que o seu partido não funciona a reboque do PSD – no entanto, a sede de poder de Portas é mais que visível desde a re-eleição de Cavaco Silva.

Num momento em que o Presidente da República se prepara efectivamente para usar dos seus poderes e competências constitucionais para dissolver a Assembleia da República nos próximos dias, os dados estão lançados para as eleições. De um lado, está um Partido Socialista apoiado no seu líder, interessado em vencer as eleições para dar a legitimidade às políticas de Sócrates que a Assembleia negou efeito com o chumbo do PEC 4. De outro lado, o líder do PSD também não parece apresentar propostas viáveis para um futuro risonho do país e espera governar com maioria absoluta se o CDS-PP se coligar.

Resta-nos a esquerda. Há quem deseje dentro do Bloco de Esquerda uma aproximação ao PCP numa alternativa de esquerda unida. Há quem deseje dentro do Bloco uma aproximação ao PCP e ao Socialista, numa alternativa de esquerda única. Tais cenários não são partilhados como viáveis pelos camaradas do PCP. Também partilho dessa opinião. O PCP jamais se deverá coligar com qualquer outro partido. As divergências ideológicas entre o PCP e o Bloco de Esquerda são óbvias. Não nos cabe a nós recolher alguém em nossa casa que não perfilha totalmente do nosso pensamento e que dentro do próprio partido não se sabe bem que ideologia defende, ou, se defende várias. Pelo menos é a realidade que o Bloco nos transparece. Nesta minha crítica, não desejo qualquer mal ao Bloco. Não desgosto das políticas desejadas pela UDP e pelo Política XXI – pelo contrário, até as prezo. No entanto, não defendo uma junção com o PSR e com a RupturaFER – jamais haveria consenso, assim como jamais haveria consenso numa união ao Partido Socialista.

Sócrates ganhou ontem uma 2ª vida. Vamos ver até quando ela dura. As próximas eleições irão determinar o seu futuro neste país. Caso o cenário menos provável vinge (a re-eleição de Sócrates) o futuro será ainda mais catastrófico para este país. Caso o país decida entrar pelas loucuras do líder dos sociais-democratas, resta-nos meter as mãos à cabeça e “ter fé em Zeus” porque a coisa pode descambar para níveis de insanidade nunca antes vistos.

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