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negócios à la carte

Miguel Pais do Amaral diz que vendeu 0s 10% da Média Capital por um valor definido no intervalo entre os 25 e os 30 milhões de euros. A CMVM diz que o empresário vendeu por um valor aproximado de 35 milhões de euros. O que mais me estranha em toda a polémica é: depois de tantos negociatas feitas neste país, negociatas essas que envolviam valores muito acima dos agora investigados no grupo Média Capital, porque é que só estão a dar o devido enfoque a este negócio?

Outra coisa que me causa alguma comichão. Se bem me lembro, Miguel Pais do Amaral, no ano de 2005, vendeu as suas participações no grupo Média Capital, onde se insere a TVI, numa altura em que o grupo estava em franca expansão (um aumento de 60% no EBITDA da empresa no relatório de contas de 2005 que pode ser visto aqui: f6c2492ab93de3a378fdcd721ed00a1f, ou seja, do indicador que representa a geração operacional de caixa da companhia, ou seja, o quanto a empresa gera de recursos apenas nas suas actividades operacionais, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos. Difere do EBIT, conhecido como o lucro na atividade, no que se refere à depreciação e amortização, pois o EBIT considera estes efeitos contáveis. A utilização do EBITDA ganha importância, porque analisar apenas o resultado final da empresa (lucro ou prejuízo) muitas vezes tem sido insuficiente para avaliar seu real desempenho em um dado período, já que muitas vezes é influenciado por factores difíceis de serem mensurados. Um primeiro passo é calcular o lucro operacional, que, de acordo com o critério utilizado mundialmente, é obtido com a subtracção, a partir da receita líquida, do custo das mercadorias vendidas (CMV), das despesas operacionais e das despesas financeiras líquidas “despesas menos receitas com juros e outros items financeiros da empresa”. Vale lembrar que a definição de lucro operacional em boa parte do mundo exclui o resultado financeiro. Já para calcular o EBITDA, é preciso somar do lucro operacional a depreciação e amortização inclusas no CMV e nas despesas operacionais. Isso porque essas contas não representam saída de caixa efectiva no período. Em resumo, a depreciação de um equipamento quantifica a perda de sua capacidade produtiva graças ao uso ou tempo, e, portanto, a perda de seu valor para a empresa. Essa perda, vale ressaltar, é apenas económica e não financeira, ou seja, não há um desembolso efectivo do recursos no período. Outra conta que deve ser acrescentada no EBITDA é a despesa financeira líquida, que foge do escopo de análise do indicador, ou seja, de efetivo desempenho operacional. Assim, para o cálculo do EBITDA, adicionam-se os juros, depreciação e amortização ao Lucro Operacional Líquido antes dos impostos.) para depois se dedicar ao negócio de livros escolares em Portugal, Brasil e Moçambique através do grupo Leya que é efectivamente um dos grupos na área editorial com maior expansão nos últimos anos, depois de em 2007 ter comprado o grupo ASA (apresentava lucros na altura aproximados aos 150 mil euros\ano) que como sabemos é um dos maiores produtores de livros escolares. Ora bem, penso que fabricar livros escolares para países emergentes como o Brasil e Moçambique, principalmente para o país africano que sempre demonstrou necessidade de ajuda do estado e de outros agentes portugueses no envio de livros, deve efectivamente dar dinheiro. O que me espanta nesta questão é que Pais do Amaral, quando em 2005 vendeu as acções que tinha no Grupo Média Capital, pressupostamente fê-lo, segundo a comunicação social porque a TVI estava a acumular um enorme passivo. O relatório de contas de 2005 diz-nos que apresentar da forte expansão ao nível televisivo da TVI (aumento gradual de receitas) os resultados financeiros desse ano mostraram que a empresa tinha reduzido em 48% o seu passivo.

Miguel Pais do Amaral voltou à Média Capital em 2011. 35ab680f99e2d05b35cd7ae1824ac70d. O EBITDA do grupo situava-se nesse ano nos 27,2 milhões de euros, 1% acima do valor registado com os números disponíveis para o cálculo do indicador em 2010 mas com a particularidade do resultado financeiro indicar uma queda dos proveitos operacionais em vários sectores do grupo, principalmente revelados com a queda de 5% nas receitas publicitárias que em 2005, eram os maiores ganhos da empresa (vide o relatório acima colocado) e que prometiam, segundo explicação da empresa, uma subida vertiginosa nos anos seguintes. Aqui encontro portanto a primeira incongruência. Depois de ter abandonado o Grupo Média Capital numa altura em que os resultados da empresa se cotavam por uma previsão alta de ganhos e de ter investido no negócio dos manuais escolares porque é que Miguel Pais do Amaral voltou a uma empresa que estava claramente em decadência? O ano 2012 prova resultados financeiros muito inferiores aos obtidos em 2011 caíndo o resultado do cálculo do EBITDA para um valor inferior a metade daquilo que a empresa valia em 2011 com um valor absoluto de 12,7 milhões de euros. Mas Miguel Pais do Amaral consegue vender a sua posição de 10% na empresa por um valor entre 25 e 30 milhões de euros, segundo explicação do próprio (35 milhões segundo outras explicações), valor superior em 300% ao EBITDA do grupo em causa. Alguém me explica portanto como é que uma outra empresa, a Prisa, compra 10% da posição de um accionista super minoritário por um valor 300% acima do valor manifesto pela própria empresa? Mesmo usando o multiplicador de 10 no EBITDA de 2011 da empresa, estamos a falar de uma valor de 127 milhões de euros, tendo o investidor vendido os 10% que possuía por 1\4 do valor da empresa quando de facto o capital por si subscrito era de 1\10. Penso que há aqui pano para mangas para a CMVM e sobretudo para o DCIAP. E mais não digo.

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daquelas parvoíces de sexta ao almoço

Quando em 2007 Bernd Schuster tomou conta do destino do Real Madrid, uma das primeiras perguntas que fiz a mim mesmo foi precisamente: não me lembro de ter visto Schuster jogar. Até que por ironia do sorteio da Liga Europa, Bayer Leverkusen e Benfica irão defrontar-se e, como não podia deixar de ser, a imprensa deu destaque a este magnífico jogo que remonta à época 1993\1994. Afinal vi Schuster jogar.

Lembro-me deste jogão com alguma clareza até porque estava a torcer pela equipa dos farmacêuticos. A equipa do Benfica, com Schwarz, Kulkov, Yuran, Valdo, Ailton, Abel Xavier, Rui Costa, João Vieira Pinto entre outros, comandada por Toni (o que é que tu queres caralho? Não é falta do Assam caralho?) era uma super equipa e acabou de resto por vencer o campeonato nesse ano. Do outro lado Paulo Sérgio (veio a protagonizar um dos melhores ataques da história do futebol no Bayern de Munique anos mais tarde com Neuville, Jancker, Zickler e Giovanne Elber) Schuster e aquela máquina de golos que a minha memória já me tinha varrido: o panzer Ulf Kirsten.

Ver de novo estas imagens causa-me uma enorme dicotomia: se é certo que actualmente presencio a uma das épocas de ouro do futebol (já começa a ser inquantificável a panóplia de jogadores habilidosos no futebol actual), também é certo que recordo com saudades estes tempos em que o futebol (nacional e internacional) chegava a conta gotas a nossa casa por via das transmissões da RTP 1 e 2 (liga, competições europeias e um joguito da Premier na 1 e na 2 ao sábado à tarde) e posteriormente (já no final da década de 90) pela SIC (alguns jogos da Taça, do campeonato e de ligas estrangeiras nas tardes de semana) e TVI (as habituais noites de domingo em que a estação de Queluz nos brindava com um jogo em diferido da Liga Espanhola e da Serie A). Ainda num destes dias comentei isso com o João Borba: com a revolução das telecomunicações, é raro um dia em que não tenhamos um bom jogo de futebol para ver e temos todas as ferramentas de informação para seguir as incidências do futebol ao minuto. Naqueles tempos, chegávamos até a ver o Sporting para as competições europeias no café pois quando jogava fora apenas conseguíamos apanhar o directo numa televisão estrangeira (lembro-me que em 1994\1995 vi no café do Ti Eduardo o Sporting a jogar em Santiago Bernabéu contra o Real Madrid de Laudrup e Zamorano) e conheciamos os jogadores praticamente por cromos e para sabermos o andamento da coisa tínhamos que chatear o nosso avô a comprar o desportivo. De vez em quando lá os víamos jogar numa competição internacional de clubes ou selecções. A informação contudo não nos agradava porque era escassa. Mas agradavam-nos outros factores: os dias de competições europeias do nosso clube eram vividos desde o acordar até à hora do jogo com muita ansiedade assim como os derbys. Em dia de Benfica vs Sporting ou Sporting vs Porto, acordava louco porque aquele era o dia. Depois, eram as transmissões do Tovar, do Gabriel Alves, do Perestrelo, as suas expressões típicas, as suas calinadas, no caso do Tovar, a sua sabedoria de futebol, sabedoria à qual o Luis Freitas Lobo ainda terá que comer muita sopa para alcançar.

Fica a nota. Assim como fica a memória do jogo em que Rui Costa, no seu estilo elegante, fez 3 assistências.

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que bolada no meu estomago

Vi, foi uma bolada em cheio e relembrei que já tinha escrito sobre isto neste preciso espaço aqui, aqui.

Os contratos públicos de associação voltam a dar que falar. A minha opinião sobre o assunto, como já manifestei, é totalmente contra o ensino privado e contra este tipo de contratos. Não faz sentido os contribuíntes alimentarem uma máquina de riqueza, a um peso de ouro muito maior do que o financiamento que vai do estado para o ensino público (ao qual este governo lembrou-se de ousar pensar que deverá começar a ser pago para além do tendencialmente gratuito que é o que obriga a constituição) que é utilizada para fins que não os garantidos constitucionalmente. Não me venham com tretas de liberdade de escolha. Toda a gente sabe que o ensino privado é usado para fins educativos que extrapolam a justiça. Toda a gente sabe que existem centenas de encarregados de educação que colocam os seus filhos no privado para que estes, pagando mensalidade, consigam a bela da média para entrar em cursos onde jamais iriam entrar frequentando a escola pública. Convido-vos a irem às faculdades de medicina deste país para ver o ratio de alunos que entraram pela via do ensino privado comparativamente aos que entraram pelo ensino público e ficarão maravilhados com a aldrabice.

Pode haver de facto a artimanha (que foi usada pelos encarregados de educação de alunos do ensino privado) de que metem os filhos no privado porque a oferta no público é escassa na região. Pura mentira. E a ser verdade, caberá ao estado, como provedor de serviços, fazer com que a oferta no ensino esteja próxima de todos. Se não está, culpa do ministro. Mas como a reportagem mostra e como todos sabemos, em todos os lados, por cada escola pública nascem mais colégios. E porquê? Porque os interesses privados em Portugal são mais influentes e poderosos que os interesses públicos. E porque os interesses privados imiscuem-se nos interesses públicos através da política.

A meio da reportagem, aparece a figura de José Manuel Canavarro. Não me espanta o porquê desse nome ter aparecido. Só é pena que este senhor, nos artigos de jornal que assinava, apresentar uma enorme máscara de hipocrisia em relação à defesa do Estado Social, quando, de facto, é o primeiro a delapidar esse mesmo Estado Social. Estavam à espera que ele dissesse que sim, que tinha assinado os contratos? Se estavam à espera que dissesse que sim, aqui fica uma das regras de ouro em política: se fizeres merda no ministério, manda a responsabilidade para o governo seguinte. Mas assinou. Obviamente que assinou e autorizou mais uma delapidação do Estado Português.

No meio da reportagem existe outro doce do qual eu já sabia há muito tempo: os contratos ilegais que os professores assinam. Se acham que os colégios privados tem um corpo docente qualificado, ou mais qualificado que o normal como muitos afirmam na publicidade que fazem da instituição para recrutamento de alunos, isso é uma profunda mentira. Mentira também é o ensino qualificado desses colégios, vistos os termos da sobrecarga de horários e alunos por cada professor. Daí que se efectuem os referidos contratos porque 90% dos professores que leccionam nos privados não tem colocação no ensino público e sujeitam-se a esse tipo de contratos para não cairem em situação de desemprego ou trabalho temporário longe de casa. E no mundo da docência, com o desemprego que é notório, se um não assina, existem 5 disponíveis para assinar.

Sobre o facto dos professores fazerem trabalhos extra-curriculares como limpezas, serviço de café e serviço de cantina, prefiro não comentar porque acho algo surral, mas credível porque até o próprio director o admitiu como “embelezamento da sala”. Cabe ao professor ensinar ou embelezar a sala Sr. Director?

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ora vamos lá ver se nos entendemos

“Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, as escolhas políticas difíceis que estão a ser feitas estão a testar o consenso politico alargado em torno do programa que existia até à data” – Abebe Selassie, avaliador do Fundo Monetário Internacional para o programa Português.

Perdão? Este senhor não sabe a realidade política do nosso país? Este senhor não sabe que este programa foi negociado por 3 dos 5 partidos? Este senhor não sabe que este programa não foi debatido sequer com 2 partidos políticos que fazem representar a vontade popular na Assembleia da República? Este senhor não sabe que o próprio programa não teve a aprovação do sindicato que representa 95% dos trabalhadores nacionais? Este senhor não sabe que as decisões importantes da vida de um país, principalmente no que toca a ingerência de organizações terceiras nas matérias internas de um país é uma matéria que constitucionalmente terá direito a um referendo? Este senhor não sabe que a democracia é popular é constituída do povo para quem os representa e não, uma obrigação posta pelos representados aos seus representantes? Mas qual consenso político? E já agora, o que é que pensa Abebe Selassie da falta de consenso social em relação a todas as políticas posteriores à assinatura do memorando? Não contam?

Mas em Bretton Woods, eles ainda acham que o povo está satisfeito com a sobretaxa no IRS:

No mesmo relatório, o Fundo Monetário Internacional avisa os governos portugueses (sim porque o nosso governo está a tentar sacudir a água do capote ao nível de responsabilidades) que em 2013 teremos o pico mais alto da dívida pública portuguesa: 123,4% do PIB.

A confirmar-se será o número mais negro da nossa história. Questiono: como é que vamos criar riqueza para podermos pagar esta dívida? e se criarmos, quantos anos andaremos refens desta mesma dívida?

Selassie dá a resposta a partir de Nova Iorque: “A pobreza nos últimos anos é mais efeito do crescimento do desemprego que dos cortes na despesa e dos aumentos de impostos em si mesmos. (…) “Com o desemprego já muito elevado e a economia em recessão, factores dos quais já tínhamos avisado o Estado Português na quinta avaliação do Programa. (…) Tentámos seguir o conselho do Governo quanto às áreas onde se poderia cortar despesa sem sobrecarregar os mais pobres (…)”

“a gente avisou, vocês é que nã nos deram ouvidos, tá? quem criou esse mesmo desemprego? não foi o próprio Fundo através do Memorando e da hedionda medida de revisão do Código Laboral para tornar mais flexíveis as leis laborais neste país de forma que se pudesse despedir de forma mais gratuita? ou será que o Fundo já está a sacudir a água do capote para o governo português como fez nos exemplos da Argentina e do Brasil?

mas no entanto, o governo não soube dizer onde poderia cortar na despesa sem sobrecarregar os mais ricos mas sobrecarregou e de maneira os mais pobres com a subida de escalões do Imposto Sobre o Rendimento.

E o relatório de Bretoon Woods vai mais longe quando se lê:

e…

é o que dá não negociar um programa paralelo que pudesse fomentar a economia de forma a criar riqueza para pagar esta dívida. parece a armadilha da qual a direita (do governo) utiliza para afirmar que o país está no bom caminho: “calma que as exportações aumentaram este ano” – quando de facto, o superavit criado na balança comercial português no ano 2012 não chegará sequer para pagarmos os juros do resgate que nos foi concedido pelos nossos amigos de Bretton Woods e Bruxelas.

prodigiosa também é a última frase. o nosso sucesso a depender do que for construído a nível europeu, quando Merkel, Hollande, Draghi, Monti e companhia ainda não sabem bem o que fazer\não estão em sintonia em diversos aspectos. quando não se sabe o que dizer, atiram-se culpas e responsabilidades para outros organismos.

continuando.

Não iremos voltar aos mercados em 2013 porque tal será perigoso dado o aumento da nossa dívida pública. Recordando o primeiro-ministro lá em Nova Iorque aos gurus da Economia em Abril deste ano:

No entanto Selassie diz “a sobretaxa de 5% sobre o IRS manter-se-à até 2014”

e o relatório do Fundo diz:

Arriscaremos a ir aos mercados em 2013 a 7,5% ou mais, gerando ainda mais dívida que não poderemos pagar durante gerações e gerações…

Cruzando Passos:

quando a nossa recuperação será mais pronunciada a partir de 2014? Quando Selassie afirma que a sobretaxa terá que vigor até 2014

Entra em Cena, Gaspar, o neoliberal:

na comissão de orçamento. com a economia portuguesa a acelerar o crescimento, dizem, só em 2014.

no entanto, era este mesmo ministro que dizia publicamente horas antes a uma rádio:

confesso que até eu me sinto confuso com tanto contrasenso. se o financiamento do estado será feito com recurso ao mercado (na primeira afirmação do ministro; mas já não será, com base na 2ª) porque é que o estado português carregou com os contribuíntes com um escalões tributários mais severos para aumentar a receita pela via de impostos?

a resposta também pode ser dada pelo relatório do Fundo, quando neste se lê:

que as parcerias publico-privadas vão custar muito mais do que as previsões que as projecções do Ministério das Finanças previam…

2013 já não é o ano do crescimento, contrariando aquelas vezes em que ouvimos o primeiro-ministro a dizer que “2013 é que é”, discurso que já vem desde 2011 a dizer que 2012 é que era…

aproveitando a deixa, enquanto como umas torradinhas, para o post não ficar tão duro, esta situação parece aquela situação das contas do Guterres:

continuando.

O relatório do Fundo entra em contradição com as próprias palavras do avaliador da nossa missão Abebe Selassie:

todos já sabíamos que pode haver retrocesso económico caso a Espanha dê, como se diz na gíria “o badagaio” visto que é o nosso maior importador e a economia com o maior fluxo de capital investido no nosso país.
no entanto, é de surprender que o Fundo escreva isto logo a seguir:

então mas… Selassie não dizia que tudo se mantinha de pé graças ao “consenso político e social existente?”

A Solução passará portanto por… típicas privatizações ao estilo Bretton Woods:

que não serão mais do que mais financiamento (empresas a troco de feijões) para o Estado Português!

Perguntam vocês, porque é que a Economia não cresce? O Fundo sacode a responsabilidade para as fracas políticas do Álvaro Canadiano e do Gaspar, o neoliberal:

tendo que ser o estado falido a conceder crédito não-bancário a novos investimentos. Como? não sei. Se é visto frequentemente? não.

ah pois, ainda são formas a serem exploradas pelo estado português! Ou seja: a concessão de crédito para fomento empresarial, criação de emprego, criação de riqueza, e consequente pagamento desta dívida ainda é coisa que está a ser explorada pelo estado português numa conjuntura de autêntico desatre económico e social.

A compreensão do resto deste relatório, a outros níveis, fica para abordagens futuras!

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o rídiculo

de ser um segurança privado, pago com o dinheiro de todos nós, a expulsar um aluno de um local público que só por acaso é o estabelecimento de ensino para o qual o dito cujo paga propinas. 

o aluno em causa é identificado pela polícia porque estava a lesar a liberdade pessoal do primeiro-ministro. mas o segurança em causa não é identificado depois de proibir a liberdade de imprensa do cameraman da tvi e de ter agredido (puxar pelo braço é agressão) o aluno.

esta e a de Madrid remetem-me para uma música bem antiguinha do Titãs que resume tudo:

Dizem que ela existe
Prá ajudar!
Dizem que ela existe
Prá proteger!
Eu sei que ela pode
Te parar!
Eu sei que ela pode
Te prender!…

Polícia!
Para quem precisa
Polícia!
Para quem precisa
De polícia…

Dizem prá você
Obedecer!
Dizem prá você
Responder!
Dizem prá você
Cooperar!
Dizem prá você
Respeitar!…

Polícia!
Para quem precisa
Polícia!
Para quem precisa
De polícia…

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Nem a propósito

Escrevia eu em resposta a Márcio Cabral há minutos num destes últimos posts:

“No entanto, como sabes, a presidência da República em Portugal funciona numa espécie de festa “remember when you were young?” – primeiro-ministro de hoje será presidente da república de amanhã. Entre os dois cargos, só tem que sair do governo a mal e andar na sombra durante uma década antes de se candidatar ao próximo cargo para que dê tempo suficiente para que o povo se esqueça de todas as trapalhadas que dita personagem fez em São Bento.”

Mal acabo de digitar estas frases, abro a pouco intuitiva página do expresso e vejo que Pedro Santana Lopes afirma que admite ser candidato à Presidência da República em 2016.

Enquanto esperamos com alguma ansiedade o regresso do Santo (trocadilho com aquele grande blockbuster em que entra o Val Kilmer) ficamos com um top-10 daquele que ficará eternamente guardado nas nossas memórias como o maior gabirú da política nacional.

1. Quando disse ao Fernando Rosas que devia deixar de fumar cachimbo porque faz mal à traqueia e à laringe

2. Quando abandonou o estúdio da SIC zangado pelo facto do Mourinho ter festejado o golo do Costinha em Manchester com um sprint de costa a costa.

3. Quando se revestiu de Paul Krugman e começou a debitar números e soluções com vista ao crescimento económico.

4. Quando disse que gostaria de regressar à Figueira porque lá é que tem miúdas novas giras e cotas charmosas

5. Quando era importante e ainda recebia palmas da bancada do seu próprio partido.

6. Quando quis expressar todo o conhecimento na música pimba

7. Quando em 1995 já tinha a mania da perseguição…

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As mentiras de Pedro Passos Coelho

1. A mais crassa de todas. Livro favorito: “A Metafísica dos Costumes” de Hegel quando toda a gente sabe que a “A Fundamentação Metafísica dos Costumes” foi escrita por Immanuel Kant. Nem no nome completo do livro, Passos conseguiu acertar.

Era na altura este o candidato que o PSD pretendia lançar contra José Sócrates. Será que Passos algum dia virá desmentir esta como veio tentar desmentir a declaração do “desvio colossal”.

2. “O passe social dos transportes para que todos possam andar de transportes públicos”

“O passe de Coelho” – um passe para trás é certo (sublinhado meu)

Passos Coelho quer um passe social só para pobres. Como os que nos têm governado, não fez as contas certas. Ao subsidiar o transporte coletivo o Estado poupa dinheiro. À sociedade, à economia e a si próprio.” ín Expresso, 8 de Fevereiro de 2011.

No fim de Julho, após reunião de Conselho de Ministros, o governo de Coligação decide aumentar em média 15% o preço dos transportes públicos. Passos Coelho faz-se refém do Memorando de Entendimento assinado pela troika (ver aqui).

O Ministro das Finanças Álvaro Santos Pereira, sim, aquele bacalhau que o PSD foi buscar ao Canadá para o Movimento Mais Sociedade, lança as tarifas sociais. Quais tarifas sociais? Ver aqui. Estão contempladas nos transportes Públicos? Em quais? Nos que sofreram aumento?

Fonte: i online.

3. “O BPN”

Ver aqui, a 10 de Dezembro do ano transacto.

Pedro Passos Coelho pedia ao executivo Sócrates, em particular ao Ministro Teixeira dos Santos, informação clara e concisa sobre o estado do BPN e os custos que as decisões do estado em relação ao banco iriam custar aos cofres públicos.

“Em dever de lealdade, transparência e rigor, era importante que, depois de terem falhado as operações que o governo tinha destinado para o BPN ainda este ano, nomeadamente a sua reprivatização, houvesse uma informação clara e concisa ao país quanto à intenção que tem para futuro e sobretudo ao custo que essa intervenção representa nos dias de hoje” – defendeu perante os jornalistas.

fonte: Jornal de Notícias

A 30 de Julho de 2011, 7 meses e 20 dias depois, já como primeiro ministro deu autorização ao seu ministro das Finanças para vender o BPN à pior proposta possível, feita por um banco cuja cara principal é um gestor que já foi ministro de um Governo Constitucional do PSD (Mira Amaral) e ainda por cima para além dos 2360 milhões de euros que custou aos contribuíntes portugueses, a proposta vencedora ainda contempla que o estado tenha que pagar indeminizações aos funcionários que o BIC irá reduzir no banco, acartar com as custas de metade da totalidade do crédito mal parado e acartar com os custos do fecho de dependências e agências do banco.

Uma intervenção brilhante.

Juntando a isto, o facto de Pedro Passos Coelho e do seu ministro das finanças ainda não terem disponibilizado publicamente as ofertas dos outros interessados à compra do banco. Revela uma clareza e uma transparência formidável, estando praticamente esmiuçadas pela Comunicação Social as melhores ofertas tanto de Montepio como dos investidores que fizeram proposta para comprar o banco.

Mais uma mentira, portanto.

4. “Passos Coelho e os impostos”

A 21 de Março: “devem descer, porque Portugal tem uma carga tributária e fiscal excessiva.” – era candidato, precisava obviamente deste trunfo para se fazer ao povo.

Expresso

A 24 de Março: “devem subir para o Estado obter receitas extraordinárias”  – em Bruxelas.

No mesmo dia à TVI: “Não posso prometer que não aumente os impostos”


A 5 de Maio: “não irão aumentar. Isso é uma invenção do PS” – era candidato, estava na recta final da caça ao voto.

Jornal de Notícias

O Governo toma posse e o que é que acontece? Imposto extraordinário sob 50% do subsídio de Natal dos que auferem rendimentos superiores ao salário mínimo.

Estamos perante um conjunto de mentiras cujo pior facto de realmente o serem, é a bipolaridade das declarações de Passos Coelho. Essa bipolaridade política que só os candidatos em vésperas de eleições conseguem manobrar: dizer sim e não conforme lhes convém, dançar ao som da música que lhes tocam e atirar as culpas para o principal adversário na contenda.

5. “O mercado de trabalho. Flexibilizar ou não flexibilizar. Criar emprego ou aumentar o estigma do desemprego”

“As políticas de emprego mais profundas, para combater o desemprego” – disse a 10 de Dezembro. Já liderava o PSD e já se sabia que seria candidato.

JN

“Aposta na criação de emprego para voltar a trazer a esperança às novas gerações” – a 11 de Maio, em plena campanha eleitoral.

Fonte: ‘PSD´

No Governo, aprova em conselho de ministros e faz uso da sua maioria parlamentar para aprovar a redução das indeminizações pagas por cada ano de trabalho aos novos contratos laborais de 30 para 20 dias.

Mais uma mentira, portanto.

Depois de todas estas declarações e da sua análise ao nível das primeiras intervenções feitas pelo Governo liderado por Passos Coelho, apenas posso concluir que o nosso primeiro-ministro é um mentiroso. Um mentiroso compulsivo de um calíbre e artimanhas comparáveis às do seu antecessor. Artimanhas das quais Passos Coelho tanto reclamava quando estava na oposição.

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Era uma vez (na SIC)

Uma pobre entrevista com Bernardo Bairrão, o tolinho que abandonou a Média Capital na expectativa de ir para o governo.

Passos Coelho deverá ter ordenado aos Serviços Secretos Portugueses que investigassem supostos negócios de Bairrão em Angola, um dos motivos que levou o Primeiro-Ministro a prescindir à última da hora dos serviços do gestor.

Seria de facto muita coincidência, o jovem Bairrão (administrador da Média Capital que deu o dito por não dito a Manuela Moura Guedes no caso do Jornal da Noite e que acabou por despedir a jornalista) assinar pela camisola social-democrata no nosso executivo sabendo que despediu uma jornalista que andava a fazer a vida negra a um primeiro-ministro Socialista com o seu péssimo exemplo de deontologia jornalística.

Os supostos negócios em Angola camuflaram uma escolha completamente vetada por alguém no seio do governo, do PSD ou do CDS-PP, vistas as ligações profissionais entre Bairrão e Manuela Moura Guedes, e as ligações claras entre Moura Guedes e Paulo Portas (trabalhou muito anos no Independente com o lider do CDSPP e actual Ministro dos Negócios Estrangeiros) e com o CDSPP (partido do qual é filiada) – Bairrão, chateado foi dar uma entrevista deprimente à televisão do tio Balsemão, que há pouco tempo disse não à contratação de Moura Guedes.

Factos por demais interessantes que irão dar uma conclusão a quem tiver cabecinha para pensar.

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Ficamos à espera

dos comentários de Alberto João Jardim, o novo comentador político da TVI 24.

Segunda-feira, o presidente do governo regional madeirense vai fazer a análise política no “Jornal do Dia” de Henrique Garcia.

Esperamos com ansiedade!

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Sporting, essa casa a arder…


O Sporting é uma casa a arder. Admito que sou Sportinguista, mas ver este Sporting é algo que doi. Doi na alma. Falta muita qualidade naquele plantel, falta um treinador decente, falta um director desportivo que proteste na praça pública contra as más arbitragens e falta sobretudo um presidente que seja amigo do Sporting. Repito: amigo do Sporting, não da banca.

Depois de mais uma derrota caseira, relembro o post que escrevi neste mesmo espaço a 26 de Setembro. Creio que enquanto os dirigentes, jogadores e treinadores da instituição não adoptarem uma postura semelhante aquela que enunciei há meses atrás, o Sporting será uma casa a arder. Sem fim à vista.

Para continuar assim, a lutar pelo 3º4º lugar da tabela, não vale a pena ter um investimento de 25 milhões por época. Por 13 do investimento andam Braga, Vitória de Guimarães e Nacional a lutar pelos mesmos objectivos.

Para finalizar, deixo duas notas sobre a partida de hoje:

1. Total repúdio para o comentador da TVI. Já me enoja ver as transmissões do Sporting pela TVI. A atitude presunçosa do seu comentador nos seus comentários é de um anti-sportinguismo tremendo. Considerar “David Simão uma grande promessa do futebol Português é o mesmo que dizer que um elefante só tem 3 patas e que Cristiano Ronaldo nasceu na Baixa da Banheira”.

Considerar “Rui Vitória um dos melhores treinadores da Liga” só porque venceu o Sporting duas vezes é ser cego ao ponto de ignorar treinadores como Manuel Machado, Leonardo Jardim ou Jokanovic que de facto são treinadores que estão a fazer excelentes épocas no comando dos seus clubes.

2. Total repúdio pela arbitragem de Luis Catita. Não foi uma arbitragem “catita” do Catita. Antes pelo contrário. Foi mandado para a morte, cometendo 4 erros crassos: marcou um penalti inexistente a favor do Paços; deixou passar um na área do Paços; não expulsou um jogador do Paços e não expulsou Liedson por uma entrada dura logo a seguir.

No primeiro jogo na Liga esta época, Catita assinou a sua sentença de morte: ser colocado na famosa jarra durante uns jogos e como tal arriscar-se a ser despromovido. Só não é colocado na jarra se o observador for cego ou for amigo.

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Acabou?

Acabou?! Logo agora que ia subscrever um pacote da MEO para ter o canal 24 horas por dia.

Como a populaça mais comezinha adorou, a Endemol e a TVI já devem estar prontas para lançar o programa numa 2ª edição. Vai assim um Portugal que se quer intelectualmente pequeno!!

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O Estranho Caso Freeport

Cada vez mais acredito que a justiça anda de mãos dadas com a política. Os casos Fátima Felgueiras, Isaltino Morais e do antigo presidente da Câmara Municipal de Águeda Castro Azevedo mentalizaram-me que até na política autarquica é difícil e  doloroso provar casos de corrupção e sacos azuis.

O estranho caso Freeport não foi excepção de mais uma enorme novela judicial que não deu em nada. Melhor, deu, mas para o lado de quem mais se convinha que desse. A TVI entrou com a pica toda no caso e começou com o seu sensacionalismo barato para entreter o popularucho. Na altura, Manuela Moura Guedes e a sua equipa, investigaram o caso até ao osso da canela de Socrates e como tal este tratou de os despachar antes que a coisa desse para o torto. Manuela Moura Guedes foi despachada e isso deu azo a uma investigação Parlamentar. Mais tarde, a tentativa de compra da TVI pela PT iria gerar outra novela em que Socrates, por intermédio da sua argumentação de inversão conseguiu sair sem se machucar muito.

O estranho caso Freeport teve o seu capitulo essencial nesta semana. Charles Smith e Manuel Pedro sairam como derrotados. O nosso primeiro ministro escapou novamente ileso. Porque os senhores da Procuradoria Geral da República imagine-se, não tiveram tempo para ouvir o nosso primeiro-ministro. Estamos a falar de um primeiro-ministro, um dos cargos de maior importância do nosso sistema político, não o Zé da esquina ou o Manuel das Sucatas. Isso espanta-me e causa-me bastante confusão: com tantos procuradores, com o caso a decorrer a uma velocidade quase recorde para o nosso país, ninguém teve tempo para ouvir José Socrates. Tempo é aquilo que não falta a quem pouco faz. Falta é vontade. Ouve-se mais alto a voz do compadrio, de uma teia onde todos vão encobrindo as merdas que se vão fazendo.

E Socrates agradeceu. Basta portanto ter lá alguém dentro que lime o sistema por dentro e como diz o meu amigo Paulo Abrantes “a coisa dá-se”.

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