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Cromos da bola #4

Ivan Zamorano foi aquele craque que nunca atingiu o estatuto de vedeta.

O incrível Chileno, tem um périplo pelo futebol mundial que dava um grande livro. Nem que seja pelo facto de narrar a história de um jogador idolatrado no seu país natal que passou por grandes clubes, marcou muitos golos, nunca foi a verdadeira vedeta das equipas que passou, mas, que, ajudou definitivamente a sedimentar o futebol chileno, o bom futebol chileno.

“El  Bam Bam” actuou a alto nível durante 24 temporadas em clubes como o modesto Cobresal (onde se iria estrear aos 16 anos) Tresandino (saíndo para a Europa sem nunca ter actuado num grande do Chile) St. Gallen (a sua primeira experiência na Europa seria num modesto clube da Suiça por empréstimo do Bolonha, clube onde nunca viria a actuar) Sevilla, Real Madrid, Inter, América e por fim, finalizando carreira no Colo-Colo em 2007. Pelo meio, 69 internacionalizações pelo Chile, como expoente máximo realizado na campanha do Chile para o campeonato do mundo de 2008, e 34 golos marcados ao serviço dessa mesma selecção. Na selecção, efectuou uma das melhores duplas de atacantes da América do Sul com o seu grande amigo Marcelo Salas. Na Selecção também teve a honra de jogar os jogos olímpicos de 2000 em Sydney onde ajudou o Chile a ganhar a medalha de bronze.

Se ao serviço do Real Madrid se destacou mas nunca agarrou lugar, foi ao serviço do Inter que Zamorano atingiu o seu auge como futebolista. Tanto, que em 1997, com a transferência de Ronaldo do Barcelona para o clube milanês, Zamorano que era destacadamente o nº9 da equipa, pediu autorização ao clube e à Federação Italiana para usar o número 18 com um mais pelo meio, pedido autorizado a muito custo, para a soma dar um 9 já que a camisola 9 foi entregue (e muito bem) ao Fenómeno. Para quem acompanha como eu o futebol italiano da altura, com todas as transferências astronómicas que estavam a acontecer no momento (Inter e Lázio juntos tiveram épocas em juntos gastaram cerca de 500 milhões de euros em contratações) e com a mudança estranha da camisola de Zamorano com o mais entre o 1 e o 8, pensava-se, que aquela era fazia uma ruptura entre o futebol antigo e o futebol moderno. Sou daqueles que tem opinião que aqueles anos romperam com os tempos, não por tais acontecimentos, mas a partir do momento em que o Bétis perdeu a cabeça e contratou Denilson ao São Paulo por cerca de 32 milhões de dólares (na altura algo como 30 milhões de euros), maior transferência de um jogador até então.

Os números de carreira de Zamorano não mentem. Era um avançado muito lutador, bom de bola e goleador. A sua garra e entrega ao jogo criou números de carreira que não mentem: em 681 jogos como profissional marcou 334 golos. A época em que foi mais bem sucedido foi sem dúvida a do Real Madrid, onde em 137 jogos marcou 77 tentos.

Foi o melhor marcador do Chile em 1987 ao serviço do Cobresal com 21 golos em 43 partidas, no compto geral entre Taça e Campeonato. Foi o melhor marcador na Suiça ao serviço do St Gallen na época 1989\1990 com 26 golos em 36 jogos. Foi por duas vezes o melhor marcador em Espanha (compto geral entre Taça e campeonato) pelo Real Madrid, nas épocas 1992\1993 (37 golos em 45 jogos) e 1994\1995 (31 golos em 46 jogos) sendo esta última época a única em que se sagrou Pichichi em terras espanholas.

Ao nível de títulos, Zamorano não foi um daqueles jogadores que passou ao lado: venceu a Taça do Chile em 1987 pelo Cobresal (clube que militava na altura na 2ª divisão), pelo Real Madrid ganhou uma Taça do Rei, 1 Liga e 1 Supertaça, ganhou a UEFA pelo Inter em 1998, ganhou um campeonato do méxico pelo América em 2002, para além da medalha de bronze olímpica.

Para finalizar, Ivan Zamorano é padrinho de baptismo de Diego Rúbio, jovem jogador do Sporting.

 

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