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Cavendish e Evans vencem em Paris

E assim terminou a edição deste ano da Grand Boucle. Nos campos elísios em Paris, Mark Cavendish somou a sua 5ª vitória em etapas na edição deste ano e Cadel Evans da BMC logrou sagrar-se o primeiro australiano a vencer a maior prova da época ciclista internacional, obrigando a primeiro-ministro Australiano Julia Gilliard a cumprir o que tinha prometido ontem: conceder feriado nacional no dia 23 de Julho de todos os anos aos cidadãos Australianos pelo feito nacional do seu compatriota em França.

No dia da consagração dos dois atletas, os nossos portugueses em competição Sérgio Paulinho e Rui Costa tentaram a vitória na etapa e consequente ida ao pódio final da Volta à França mas sem sucesso: a HTC-Columbia lá atrás não dava hipótese a qualquer tentativa de fuga na tirada de 95 km que ligou Cretéil (sim, a pequena cidade nos arredores de Paris que é cheia de Portugueses e serve de abrigo à antiga equipa lusa em terras gaulesas dos Lusitanos de Saint-Maur que actualmente se chama Cretéil-Lusitanos) até Paris.

Depois das habituais voltas ao circuito habitual de Paris, Evans superiorizou-se no Sprint a Fabien Cancellara (saiu do Tour sem aparecer na corrida) Edvald Boasson Hagen, André Greipel e Tyler Farrar.

Depois do sensacional contra-relógio ontem em Grenoble, em que Cadel Evans voou para a vitória no Tour. Antes dos comentários finais sobre a classificação-geral, esta ficou assim ordenada na chegada a Paris:

1º Cadel Evans (AustráliaBMC)
2º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 1.34m
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.30m
4º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 3.20m
5º Alberto Contador (EspanhaSaxo Bank) a 3.57m
6º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 4.55m
7º Damiano Cunego (ItáliaLiquigás) a 6.05m
8º Ivan Basso (ItáliaLampre) a 7.23m
9º Tom Danielson (EUAGarmin) a 8.15m
10º Jean-Christophe Perraud (AG2RFrança) a 10.15m
11º Pierre Roland (FrançaEuropcar) a 10.43m
12º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 11.29m
13º Kevin De Weert (BélgicaQuickstep) a 16.29m
14º Jerome Coppel (FrançaSAUR) a 18.36m
15º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 21.20m

Há quantos anos é que a França não metia tantos no top-15 na geral final da prova?

Na classificação dos pontos, classificação muito renhida este ano devido às mudanças no sistema de pontuação, Mark Cavendish confirmou o favoritismo que lhe previa no meu post de previsão do Tour ao vencer esta categoria “categoricamente” com 5 vitórias em etapas. Todavia, a prova ficou marcada pela “ausência” de sprinters como Boonen ou Petacchi: estiveram em pouca evidência na prova.

Cavendish venceu com 334 pontos contra os 272 de José Joaquim Rojas da Movistar, 236 de Phillipe Gilbert da Omega Pharma-Lotto (esta equipa animou tanto a corrida que acabou por chegar a Paris sem um lugar no pódio final) 208 para Cadel Evans e 195 de Thor Hushovd.

Samuel Sanchez festeja a vitória da camisola da montanha em Paris. Um bom prémio para a atitude do atleta da Euskatel nas etapas de montanha. Sanchez, leva a camisola das bolinhas e a vitória em LuzArdiden numa prova onde não fosse uma 1ª semana de loucos poderia ter lutado pelo pódio.

Na montanha, Samuel Sanchez confirmou em Alpe D´Huez a vitória na classificação do melhor trepador do Grand Boucle.

Sanchez pontuou 108 pontos contra os 98 de Andy Schleck, os 74 de Jelle Vanendert da Omega Pharma-Lotto, os 58 de Cadel Evans e 56 de Frank Schleck numa categoria que este ano não teve grande interesse devido às mudanças executadas pela organização e mesmo pelo traçado da prova que não privilegiou a montanha como tem privilegiado.

Na habitual foto dos vencedores antes da partida para a última etapa, Pierre Roland mostrou a camisola branca com o símbolo da Europcar como vencedor do prémio da juventude. Se o principal candidato a esta camisola era naturalmente Robert Gesink, tendo como principal rival Roman Kreuziger da Astana, esta classificação acabou por ficar marcada pela intensa luta entre 4 ciclistas que vão dar bastantes cartas no futuro: Pierre Roland (vè o seu esforço e dedicação à preservação da amarela de Voeckler durante 11 dias premiado com a vitória na juventude) Rein Taaramae da Cofidis, Rigoberto Uran e Arnold Jeanesson. Todos poderão ser ciclistas com carreiras bastante interessantes.

Pierre Roland venceu a classificação com 46 segundos de vantagem para o Estoniano Rein Taaramae, 7 minutos e 53 para Jerome Coppel da SAUR e 10 minutos e 37 para Arnold Jeanesson da Française des Jeux.

Tal como tinha afirmado no post de preview, a Garmin apresentava-se nesta volta como a equipa mais completa entre as presentes. Completa porque tinha homens para tudo: Farrar e Hushovd para os sprints e fugas, Vandeveld e Danielson para a montanha. Se Christian Vandeveld desiludiu na alta montanha, Danielson foi destemido e assumiu os gastos da casa ficando no top-10 da prova. Farrar venceu uma etapa e para ele muito trabalhou Hushovd, que à sua conta também lucrou vencer duas etapas com a especialidade de uma delas ter sido em Lourdes depois da difícil passagem pelo Col D´Aubisque onde Hushovd provou ser um ciclista que passa muito bem as montanhas apesar de ser um sprinter, atacando sem dó nem piedade.

Colectivamente, a GarminCervélo, logo no primeiro ano da fusão entre as duas equipas venceu com 11 minutos e 4 segundos de vantagem sobre a Leopard-Trek e 11.20 sobre a AG2R.

Passando à minha opinião geral sobre a Volta:

– Ao nível de traçado o Tour ficou um pouco além das expectativas que desejava para esta edição. Muitas etapas planas acidentadas que desde cedo começaram a tirar candidatosanimadores das etapas de montanha de prova e que começaram a cavar fossos para os principais candidatos como Contador e Samuel Sanchez. Pelo mesmo raciocínio, se a montanha chegou tarde, chegou em força. 4 grandes etapas, 2 etapas de média dificuldade. Por uma questão de competitividade, deveriam ser mais as etapas de montanha, havendo espaçamento entre os pirinéus e os Alpes como se fazia antigamente.

Na geral:

– Muitos dissabores, muitas surpresas. Começando por Contador, acabando em Gesink. Começando pela vitória de Evans acabando no azarado Wiggins. Prefiro personalizaragrupar este comentário:

Abraço colectivo da BMC. Bem podem estar felizes. Evans é o abono de família para esta jovem equipa, da qual o Australiano não precisou para vencer o Tour. Mesmo que precisasse, eles não estariam lá.

Cadel Evans – Tem aqui o seu prémio de carreira. Não foi de todo o ciclista que mais fez para merecer a vitória, porque nesse campeonato quem acabaria por vencer seria um dos Schleck. Pelos menos foram os Luxemburgueses aqueles que mais tentaram a vitória e que mais jogaram ao ataque. No entanto, Evans aproveitou-se da regularidade para fazer forte o que por si e pela sua equipa (BMC) o fazia fraco. Sem equipa e sem argumentos para pedalar nos intensos ataques dos homens da Leopard-Trek geriu muito bem as diferenças que ia tendo para estes e para Alberto Contador. Em Grenoble não perdoou concretizar aquilo que já vinha tentando nos últimos 56 anos.

Andy SchleckFrank Schleck – Saem novamente do Tour como derrotados, ou moralmente, como os primeiros dos últimos. Mais uma vitória moral para os Luxemburgueses que teimam em executar na perfeição o seu jogo de corrida na montanha mas continuam a falhar de forma redundante nos contra-relógios. O treino pelo qual tem passado para melhorar a sua condição nesta variante assim como os seus resultados está a fazer efeito de ano para ano mas continua a ser escasso para vencer a Grand Boucle.

Alberto Contador – Ano difícil para Contador no ano da mudança da Astana para a Saxo Bank. Os intermináveis escândalos de doping que ainda o terão de levar à barra dos tribunais, a dúvida quanto à participação na Volta à França, a vitória folgorosa no Giro que lhe causou algum cansaço na preparação para o Tour, a mudança de equipa que se veio a provar que diminuiu em muito as chances do italiano revalidar o título visto que a sua nova equipa foi uma sombra daquilo que a poderosa Astana lhe oferecia nos últimos anos e sem dúvida a penosa lesão no joelho que o impedia de pedalar no seu estilo cómodo e veloz foram vários dos factores essenciais para a primeira grande derrota do Espanhol no Tour.

Contador nunca esteve ao seu nível, nunca atacou e nunca pode mostrar o seu enorme potencial enquanto ciclista. O 5º lugar é penoso para o Espanhol. E a Saxo Bank terá que pensar em contratar alguém que consiga estar com o homem na montanha, visto que Navarro e Porte falharam redondamente. 

Samuel Sanchez – Não fosse uma primeira semana azarada e o campeão olímpico de Pequim seria pódio com toda a certeza. Acordou na hora certa em LuzArdiden e nunca mais saiu da companhia dos grandes do pelotão internacional. Apanha a camisola da montanha como bónus e dá à Euskatel aquelas vitórias que continuam a moralizar a agora mais antiga equipa em actividade do pelotão internacional em continuar na sua política de investimento em ciclistas da casa.

Ivan BassoDamiano Cunego – O que escrevo para um serve para o outro. São corredores iguais. Sem tirar nem por. A única diferença é a da idade. Enorme potencial na montanha. Não atacam. Parecem não ter ambição e são ambos péssimos no contra-relógio. Não têm equipa que os leve lá acima e endureça o ritmo. Tem uma grande carreira que ficará para sempre recordada como aqueles que nunca levantaram uma palha para vencer um Tour.

Thomas Voekcler- No início da prova quem acreditava em Voeckler para o top-10? Ou se calhar para o top-20? Para a 4ª posição alguém? Não. Voeckler é um excelente ciclista e já tinha andado de amarela, mas, ninguém acreditava que o líder da Europcar voltaria a vestir a amarela e a resistir com ela envergada durante 11 longos dias com enormes etapas de montanha pelo meio. O espírito de sacríficio deste Francês para dar uma alegria aos seus compatriotas foi algo inacreditável e para isso muito contou com a ajuda do seu fiel escudeiro Pierre Roland. As etapas de montanha em que esteve na defesa intransigente da sua camisola elevaram-no ao nível de Virenque. Merecia o pódio.

Peter VeltisTony Martin – São bons ciclistas, ambos ainda muito roladores e muito frescos para atacar os primeiros lugares desta volta. Precisam de amadurecer e treinar em alta montanha para se afirmarem nas grandes voltas.

Vladimir Karpets – Mais uma decepção. Volta a confirmar que é um ciclista que passa ao lado de uma grande carreira.

Levi Leipheimer – O espelho da Radioshack durante a prova. Azarada, escondida, em baixo de forma, sem uma liderança firme após a saída de Brajkovic. Saisaem pela porta do cavalo e é melhor que preparem muito bem a Vuelta senão será uma época para esquecer tendo em conta o investimento feito.

Robert Gesink – Sempre admitiu que não era candidato e acabou mesmo por não o ser. Está a recuperar de lesão e usou o Tour para preparar a Vuelta, prova onde costuma estar forte. Creio que este ano não fugiu à regra. A Rabobank teve um Tour para esquecer – provavelmente um dos piores de sempre dos Holandeses.

Sandy CasarDavid MoncoutieSylvain Chavanel – Quantos mais velhos, estes Franceses não mudam o seu estilo de sempre. O único contra é que estão claramente piores ao nível de performances. Praticam a luta do gato e do rato, limitando-se a escapar e a tentar fazer a diferença vencendo uma ou outra etapa. Serão claramente engolidos pela nova geração do ciclismo Francês constituída por Jeanesson, Roland, Gadret, Riblon ou Perraud. No fim de contas, a sua tarefa também já está cumprida: aparar as pontas e fazer honras à casa na ligação de duas gerações que prometem ser mais importantes que a sua, ou como quem diz, ligar Virenque, Brochard, Jalabert e Moreau à nova geração talentosa que está a emergir no ciclismo Francês.

Luis León Sanchez – Quer andar na montanha mas não tem pernas. Corre bem colinas e devia dedicar-se mesmo a isso: clássicas! Jamais será um corredor da geral e devido a essa consciencialização é que homens como Bettini ou Bartoli nunca correram grandes provas.

Jens Voigt – Não é um homem importante para a geral, mas acaba por ser um homem importante para a geral. Contraditório mas explicável: não é homem de vencer, é homem de ajudar a vencer. 40 anos bem medidos no corpo de um ciclista que até tem umas vitórias muito interessantes como a própria geral da Volta à Alemanha. Até mete pena ver este homem sair, porque no fundo todos gostaríamos que fosse eterno.

Roman Kreuziger – Fez uma única aparição na montanha envolvido numa fuga. Não parece o mesmo corredor dos tempos da Liquigás. Também sofreu da patologia que está a afectar o desempenho da Astana. Deverá fazer melhor na Vuelta, ou pelo, esperemos que sim.

Andreas Kloden – Viu que não estava em forma, desistiu. A Vuelta será objectivo para o Alemão.

– Vinokourov, Wiggins, Brajkovic, Van der Broeck,  – Não chegaram a conhecer o sabor da prova por infelicidade nas primeiras etapas. Com os 4 em prova, a montanha seria bem mais animada, o top-10 diferente e a classificação da montanha ganharia mais vivacidade. Disso estou seguro.

Rui Costa – Cumpriu objectivos para a equipa, cumpriu objectivos para o país, cumpriu o seu objectivo. Venceu a sua etapa, atacou na montanha e ainda tentou a gracinha em Paris. Mais um corredor talhadinho para clássicas e cá entre nós, menino para seguir as pisadas de Paulinho nos Olímpicos e quiçá tentar a sua sorte nos mundiais, nas clássicas de colinas na Bélgica, pavé Francês ou em São Remo e San Sebastien. Ele já ameaçou nos últimos jogos olímpicos.

– Sérgio Paulinho: Muito apagado, cumprindo de certa maneira a espécie de fado que foi talhado para a sua equipa neste Tour após a perda dos seus líderes.

Na luta pela verde:

– Mark Cavendish – Palavras para quê? Se realmente a HTC não arranjar um patrocinador para o ano, não faltarão convites ao Britânico.

– José Joaquin Rojas – Uma agradável surpresa. Pode ser um nome interessante para os campeonatos do mundo.

– Phillipe Gilbert – Começou com a corda toda mas perdeu a pica quando começou a subir e rapidamente desistiu da ideia louca de apostar na geral. Não conseguiu a verde mas fica na história desta edição com uma excelente prestação. Também deverá atacar os campeonatos do mundo.

Thor Hushovd – É uma classe de ciclista, como já tinha referido num dos posts que escrevi sobre as suas vitórias em etapa.

Tyler Farrar – Venceu uma etapa, mas teve muito apagado no resto da prova. Nem com a ajuda de Hushovd conseguiu parar o furacão Cavendish.

André Greipel – O mesmo de Farrar, exceptuando o facto do Alemão ter vencido o seu rival e antigo colega de equipa por uma vez, facto que festejou como se de uma Volta se tratasse. Ficou muito tapado pelo protagonismo de Gilbert. 

Edvald Boasson Hagen – Cumpriu o que tinha a fazer. Certinho que nem um motor, tem um futuro enorme e brilhante pela frente. Candidato a campeão do mundo e quem sabe olímpico na companhia de Hushovd, está mais que visto.

Alessandro Petacchi, Stuart O´Grady e Tom Boonen – Estiveram em França nestas últimas duas semanas? Petacchi foi avistado uma vez. Na alta montanha, por mais estúpido que pareça!

Na montanha:

– Jelle Vanendert – O homem que surpreendeu meio mundo ao vencer na montanha e ser segundo noutra etapa atrás de Samuel Sanchez. Aproveitou o protagonismo que lhe foi concedido pela equipa após o abandono de Van der Broeck.

– Jeremy Roy – O mais combativo do Tour. Disso não tenho dúvida. Faltou apenas a vitória numa etapa. Leva 10 mil euros para casa por ter passado no Alto do Tourmalet e do Aubisque. Isto é, se não tiver que dividir os prémios com toda a equipa Française des Jeux.

Para terminar, aqui ficam em vídeo, os highlights da etapa de hoje assim como algumas opiniões expressas por membros da corrida à mesma. Para o ano há mais:

Cavendish fala da vitória em Paris:

Cadel Evans, visivelmente emocionado na chegada a Paris:

Andy Schleck cai de pé no Tour onde novamente se portou como um grande campeão:

Passagem de testemunho entre Contador e Evans:

Momentos felizes: a valente murraçada de Contador no “doutor” como sinal de amizade com o homem que lhe queria fornecer o doping:

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E o vencedor é Cadel Evans

 

Depois da etapa de ontem, não existiam grandes surpresas.
Motivado pela oportunidade única de vencer a prova após muitos anos de pódio, o Australiano (que se limitou a jogar à defesa nas etapas de montanha e não venceu qualquer etapa) voou no contra-relógio em Grenoble para a vitória na geral perante um inconsolável Andy Schleck, que mostrou a voltar a sua fragilidade na variante.

Schleck alcançou meritoriamente a amarela ontem, mas voltou (à semelhança ds últimas edições do Tour) a pouco saborear o fruto do seu esforço nas etapas de montanha.

No esforço solitário de 42.5 km de Grenoble, Tony Martin confirmou o seu estatuto de bom contra-relogista, oferecendo a 5ª vitória à HTC-Columbia, que amanhã se poderá vir a despedir do Tour enquanto equipa pois ainda não se sabe muito bem o futuro desta equipa. Daí que nomes como Velits, Cavendish, Matthew Goss, Mark Renshaw e Martin já sejam apontados como reforços de outras equipas como a Sky ou a Quickstep (para o ano a Quickstep poderá fundir-se na GarminCervelo).

Em 2º lugar ficou Cadel Evans a 7 segundos. Tempo suficiente para o homem da BMC celebrar a sua vitória no Tour. Contador foi 3º a 1.07m mas tal tempo foi insuficiente para levar o espanhol ao pódio final. Num ano horrível para o espanhol e para a Saxo Bank, queda-se pela 5ª posição da geral.

Em 5º ficou Jean-Christophe Perraud da AG2R, um ciclista bastante completo que se deve ohar com interesse para o futuro. É 10º da geral e é um ciclista que provou que poderá dar algo mais ao ciclismo francês no futuro, à semelhança de homens como Riblon, Gadret e Jeanesson.
Logo a seguir, Samuel Sanchez – 6º no contra relógio, 7º na geral. Um bom Tour para o líder da Euskatel, que fica apenas prejudicado pelas quedas na primeira semana. Caso não tivesse perdido muito tempo aí, seria pódio com toda a certeza. Sai do Tour com a vitória em LuzArdiden e com a camisola da montanha.

Thomas Voeckler fez um contra-relógio interessante mas ficou fora do pódio. Pelo esforço dado pelo Francês na defesa da amarela durante 11 dias merecia o pódio. Será de Frank Schleck. Roland Perraud, o seu escudeiro ficará com o prémio da juventude, conseguindo-se superiorizar ao excelente contra-relógio de Taaramae.

Os grandes derrotados deste singelo dia foram os irmãos Schleck. Para abono da verdade, foram eles que animaram as etapas de montanha e que lutaram por algo mais que o pódio final. Se Contador este ano não se revelou ameaça, acabaram por perder para um Evans cuja estratégia é ser rebocado até lá cima por outros, atacando muito raramente.

Assim sendo, após o contra-relógio final, a classificação geral ficou assim ordenada no que toca a top-10:

1º Cadel Evans (AustráliaBMC)
2º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 1.34m
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.30m
4º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 3.20m
5º Alberto Contador (EspanhaSaxo Bank) a 3.57
6º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 4.55m
7º Damiano Cunego (LampreItália) a 6.05m
8º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 7.23m
9º Tom Danielson (EUAGarmin) a 8.15m
10º Jean Christophe Perraud (FrançaAG2R) a 10.11m

Para amanhã, etapa de consagração com final nos campos Elísios em Paris. Em aberto apenas uma camisola: a verde. Pelo menos matematicamente, visto que Cavendish dispõe de 15 pontos de avanço sobre José Joaquin Rojas da Movistar. Será preciso uma hecatombe para que o Britânico não vença a camisola, mas matematicamente Rojas ainda tem hipotese. Até porque a meio da etapa existe um sprint especial que pode animar a luta e as duas equipas ainda jogarão imenso para anular diferenças, quiçá colocando homens a sprintar com os seus líderes.

Para amanhã fica também a minha crónica de despedida do Tour com fotos do pódio e um balanço final à prova.

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Edvald Boasson Hagen vence pela 2ª vez

17 etapas, 4 vitórias em etapa de Norugueses. 2 de Thor Hushovd que venceu ontem e agora de Edvald Boasson Hagen da Team Sky.

Resumindo brevemente o que foi a corrida de hoje, pode-se dizer que começou com uma fuga de ciclistas mal posicionados na tabela classificativa. A etapa de apresentação aos Alpes era dura (muitas contagens de montanha numa etapa de rasga pernas) e uma subida de 2 ª categoria a acabar a etapa que poderia ser motivo para ataques pela geral, o que se veio a verificar (adiante veremos).

Num grupo muito numeroso de fugitivos incluiam-se nomes como Boasson Hagen, Sandy Casar (ainda não foi desta que conseguiu a tão desejada vitória para a Française des Jeux) Bauke Mollema da Rabobank (2º hoje numa nova investida por parte do homem da Rabobank, equipa que está a tentar colmatar a decepção na geral com uma vitória em etapa) Sylvain Chavanel (novamente sem sucesso!) os dois cazaques da Astana (Fofonov e Muratyev) entre outros…

Boasson Hagen provou então que era o ciclisma teoricamente mais forte do grupo, principalmente no toca à finalização de etapas, atacando a subida final com uma agressividade de pedalada que até a mim me causou espanto. Teremos aqui um excelente sucessor de Thor Hushovd no que toca a Campeonatos do Mundo UCI?

Lá atrás, ataques de Nicolas Roche e Kevin de Weert tendo em vista a reentrada no top-10 (ficaram a 4 minutos do primeiro mas ganharam muito tempo a Danielson, Roland, Jeanesson, Uran e Vanendert.

Quantos aos favoritos, formou-se um grupo que cortou a meta ao mesmo tempo com os irmãos Schleck, Alberto Contador, Cadel Evans (começa seriamente a tornar-se o favorito à vitória na geral; é uma lapa, não desarma da frente) Taaramae, Vanendert e Samuel Sanchez, tendo ganho tempo aos restantes do top-10 que não entraram neste grupo. Taamarae ganhou tempo a todos os candidatos à Juventude assim como Vanendert também reforçou o ataque ao top-10 apesar da ligeira perda de tempo para Roche e do facto de não ter pontuado na montanha.

Chegaram a 4.26 do vencedor. 8 segundos depois chegava Rigoberto Uran. Thomas Voeckler cedeu nesta etapa, chegando 27 segundos depois do grupo SchleckContadorSanchezEvans mas mantem a amarela para a etapa duríssima que os ciclistas tem amanhã. Chegou na companhia de Ivan Basso (irremediavelmente fora da discussão do Tour e do pódio) e Tom Danielson.

Assim na geral, existem mudanças:

1º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar)
2º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 1.18m
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 1.22m
4º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.36m
5º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 2.59m
6º Alberto Contador (EspanhaSaxo Bank) a 3,15m
7º Damiano Cunego (LampreItália) a 3.34m
8º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 3.49m
9º Tom Danielson (EUAGarmin) a 6.05m
10º Rigoberto Uran (ColômbiaSky) a 7.36m
11º Jean-Christophe Perraud (FrançaAG2R) a 7.53m
12º Kevin de Weert (BélgicaQuickstep) a 8.03m
(…)

Para a etapa de amanhã:

– Dia C para Contador, dia V para Voeckler, dia S para os irmãos Schleck e para Samuel Sanchez.
Contador precisará de recuperar distâncias para todos. O ataque terá que ser demolidor. Voeckler procurará defender ao máximo a amarela nas próximas 2 etapas para chegar em condições de disputar a prova no contra-relógio de sábado, Sanchez precisa de explorar a sua vantagem sobre os restantes na variante de contra-relógio para atacar amanhã e sexta e assim aproximar-se o suficiente da frente para tentar a investida final em Grenoble. Cadel Evans apenas terá que se limitar a seguir a roda daquele que lhe for mais vantajoso. Já os Schleck deverão atacar na máxima força amanhã. Para além de terem que recuperar a diferença perdida para Voeckler, terão forçosamente que construir uma almofada para o contra-relógio. Será tarefa difícil.

– Basso e Cunego na expectativa. Sabem que se seguirem a roda certa poderão ganhar tempo e alimentar a esperança de pódio.

– Haverá muita luta pelo top-10 da prova. Uran e Danielson tem a ameaça de De Weert, Roche, Vanendert, Perraud, Taaramae…

Nos pontos, tudo na mesma. Cavendish virtual vencedor.

Na montanha, tudo na mesma. Vanendert lidera mas terá que se defender muito bem amanhã.

Na Juventude, Uran perdeu para Taaramae e o Estoniano está agora apenas a 59 segundos. Tudo poderá mudar amanhã, sabendo que os dois andarão pela frente. Roland ficou agora a 2,27 mas não é descartável para amanhã onde estará novamente na protecção ao seu líder e camisola amarela. Jeanesson (3,17m) é uma carta fora do baralho nesta camisola.

Por equipas, a Garmin continua na liderança, dispondo dos 5 minutos de diferença para a Trek. Caso amanhã não perca muito terreno no fecho colectivo, será a equipa vencedora nesta classificação.

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E mais uma vez Hushovd!

I am Thor!

O deus da força da mitologia nórdica!

Hushovd, o campeão do mundo de ciclismo e um dos grandes animadores desta Volta à França em bicicleta. Na chegada a Pau, Hushovd garantiu a sua 2ª vitória numa etapa depois de ter andado fugido.

Devido a questões pessoais não posso apresentar um relato detalhado da etapa pois não a pude ver. Amanhã regressam (na alta montanha os meus comentários sobre a etapa).

Num dia de muita chuva (como indica o video) o destaque vai obviamente para o facto de Cadel Evans, Alberto Contador e Samuel Sanchez terem ganho tempo a toda a concorrência. Evans ganhou 3 segundos a Contador e Sanchez na chegada a Gap e 21 (18 para ContadorSanchez) para Thomas Voeckler (continua amarelanunca um francês esteve tão próximo de dar a alegria ao povo Francês como Voeckler nos últimos anos) Frank Schleck e Damiano Cunego. Ivan Basso perdeu 51 segundos para o australiano (48 para Contador e Sanchez30 para Frank, Voeckler e Cunego) e Andy Schleck chegou posteriormente a 5.32 de Hushovd, perdendo tempo relevante para Evans (1 minuto e 6 segundos, 1 e 3 para Contador e Sanchez, 48 segundos para Voeckler, Frank e Cunego e 15 segundos para Ivan Basso) o que revela que a corrida vai mesmo animar nos próximos dias nos Alpes!

Isto quer dizer que na geral:

1º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar)
2º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 1.45m
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 1.49m
4º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 3.03m
5º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 3.26m
6º Alberto Contador (EspanhaTeam Saxo Bank) a 3.42m
7º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 3.49m
8º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 3.51m
9º Tom Danielson (Estados UnidosGarmin) a 6.01m
10º Rigoberto Uran (ColômbiaTeam Sky) a 7.55m

Na camisola dos pontos, com as vitorias de Cavendish no domingo e Hushovd hoje, mais os sprints intermédios realizados, as contas parecem estar fechadas até Paris com a vitória de Cavendish.

Cavendish lidera com 319 pontos contra os 285 de José Joaquim Rojas (só a vitória em Paris com Cavendish a ter que ficar na 6ª posição no sprint e não poder marcar pontos é o exemplo da possibilidade mais franca de uma eventual vitória de Rojas). Phillipe Gilbert é 3º com 260 pontos e teria por exemplo que vencer em Paris sem que o Britânico pontuasse no resto da prova + uma pontuação expressiva nas etapas de montanha que se seguem ou no contra-relógio.

Na montanha, Jelle Vanendert é lider com 74 pontos, mais 2 que Samuel Sanchez, mas amanhã tudo se pode modificar nesta camisola caso o Belga não ande pelos lugares da frente nas subidas que os ciclistas irão realizar. O Espanhol poderá ter a camisola como bónus, se bem que ainda tem ali uma pontinha de aspirações à vitória na geral. Jeremy Roy é 3º com 45 pontos. Mesmo assim a classificação estará aberta até ao Alpe D´Huez. 

Na Juventude, liderança para o Colômbiano Uran que fecha o top-10. 1.07m para Taaramae, 1.58m para Roland, 2.10m para Jeanesson. Todos andarão pela frente. Uran tentará preservar a camisola assim como o lugar nos 10 melhores do Tour, Roland estará decerto na defesa da amarela de Voeckler como tem feito, Taaramae chegará nos 20 primeiros e Jeanesson ainda tem uma palavra a dizer nesta classificação.

Por equipas, a Garmin deu a sapatada que faltava para fechar a classificação. 7 são os minutos que tem de vantagem para a Leopard-Trek e 8 para a Europcar. Embora ainda haja montanha da rija pela frente, a Leopard-Trek acusa muitos problemas no 3º homem para fechar a classificação.

Para amanhã, espectáculo na primeira etapa de Alpes.

Gap – Pinerolo na distância de 179 km de altíssima dureza. 2 3ªas categorias logo a meio da etapa, uma 2ª sem tempo para descanso de pernas, uma 1ª categoria e outra 2ª categoria logo perto da meta que não será em alto. Uma etapa de rasga pernas em que os candidatos terão que se mexer para fazer a diferença, antes do GalibierSerre Chevalier (3 contagens de categoria especial nos últimos 81 km), Alpe D´Huez (1 1ª categoria e 2 categorias especiais numa etapa de 109 km que é quase sempre a subir) e o contra-relógio de sábado em Grenoble.

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Jelle Vanendert vence no Plateau de Beille

Algo tarde, mas aqui vão as minhas ilações sobre a etapa de ontem do Tour.

Não entrarei em pormenores extensivos como nos outros dias, visto que vi a etapa aos bocadinhos devido a afazeres pessoais.

Jelle Vanendert confirmou os credenciais de trepador mostrados na quinta-feira na subida a LuzArdiden, onde apenas foi superado por Samuel Sanchez. Em Plateau de Beille, na despedida do Tour da região dos Pirinéus, os papéis inverteram-se e seria o Belga da equipa de Phillipe Gilbert a deixar o espanhol na 2ª posição (tanto na etapa como na classificação da montanha que é agora liderada pelo Belga).

A etapa começou com uma fuga bastante numerosa que rapidamente se transformou em 2 grupos na frente da corrida. Entre os fugitivos encontrava-se o Português Rui Costa (alcançado apenas na subida de Plateau de Beille pelo grupo de Thomas Voeckler) Sandy Casar (andou metade do percurso na frente da corrida) Manuel Quinziato, Remy Di Gregório, Sylvain Chavanel, Jens Voigt, entre outros. Lá atrás, a Europcar controlava o ritmo do pelotão nas subidas de inferiores categorias e seria, já na subida para Plateau de Beille, rendida pela Leopard-Trek que paulatinamente foi colocando um ritmo muito duro na subida final, com vista à obvia selecção natural dos candidatos.

A própria Leopard-Trek, com Voigt na frente em posição intermédia, quiçá colocado desta forma à espera do seu líder na montanha final, acabaria por sofrer um revés com as duas quedas de Voigt, que haveria de voltar ao pelotão para endurecer o ritmo na subida para Plateau de Beille.

No final, o  Belga Vanendert (já muito atrasado na geral) haveria de ser o grande vencedor da etapa. A 21 segundos chegava Samuel Sanchez, comprovando que está muito forte na alta-montanha e ainda anda no Tour pela lutar pela vitória. O que é um dado meramente possível dado que o Espanhol é bastante melhor contra-relogista que todos os homens do top-10 excepto Cadel Evans.

A 46 segundos chegou Andy Schleck, que aproveitou para ganhar mais uns segundos ao seu irmão Frank, a Alberto Contador, a Thomas Voeckler (que continua com a camisola amarela) Basso, Cunego e Evans.

Voeckler continuou impressionante em Plateau de Beille, mostrando que a sua garra, concentração, esforço e motivação encontram-se totalmente nos píncaros. Muito ajudado novamente por elementos da sua equipa (Pierre Roland é o homem da Europcar que merece uma distinção pelo trabalho que tem feito para o seu líder) Voeckler mostrou um espírito de sacríficio enorme ao continuar firme na resposta aos ataques dos principais adversários e na defesa da camisola amarela.

Resta saber se o homem da Europcar (que está a excitar os franceses) consegue ultrapassar os Alpes. Se os Franceses já sonham com Voeckler de amarelo em Paris (recordo que os Franceses já não vencem o Tour desde 1985Bernard Hinault) já existem vozes dentro do pelotão e fora dele que admitem uma eventual vitória na prova do ciclista Franceses. Um deles é o próprio Lance Armstrong, que ontem twittou na sua página de twitter a seguinte declaração: “Se Voeckler acompanhar os líderes, pode vencer o Tour”.

Quem continuou sem atacar foi Alberto Contador. Segundo fonte da sua equipa (Saxo Bank) o Espanhol continua muito dorido de uma lesão no joelho direito, limitando-se ontem a responder aos ataques dos adversários e não atacar para se preservar para as etapas do Alpes. O que é certo e seguro é que se Contador quiser voltar a envergar a amarela em Paris terá que atacar de forma explosiva na chegada a Gap, facto que dificilmente irá acontecer.

Revendo os números da etapa de ontem:

1º Jelle Vanendert (BélgicaOmega Pharma-Lotto)
2º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 21s
3º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 46s
4º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 48s
5º Rigoberto Uran (ColômbiaTeam Sky) a 48s
6º Alberto Contador (EspanhaSaxo Bank) a 48s
7º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 48s
8º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 48s
9º Jean-Christophe Perraud (FrançaAG2R) a 48s
10º Pierre Roland (FrançaEuropcar)a 48s
11º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 48s
12º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 1,29m
13º Tom Danielson (EUAGarmin) a 1.59m
14º Kevin De Weert (BélgicaQuickstep) a 1.59m
15º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 2.23m
18º Haimar Zubeldia (EspanhaRadioshack) a 3.01m
21º Christophe Riblon (FrançaAG2R) a 3.55m
22º Sandy Casar (FrançaFDJ) a 3.55m
23º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 3.55m
27º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 5.03m
33º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 6.47m
34º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 6.47m
36º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 7.26m
37º Christian Vandevelde (EUAGarmin) a 7.31m
39º Levi Leipheimer (EUARadioshack) a 9.45m
53º Rui Costa (PortugalMovistar) a 12.08m
63º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 14.59m
68º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma Lotto) a 17.03m

Sinal Positivo:

– Jelle Vanendert. Aproveitou a ausência de Phillipe Gilbert na frente da corrida e de Van der Broeck por desistência para ser o homem da montanha da Omega-Pharma Lotto. Se em LuzArdiden perdeu no sprint para Samuel Sanchez, ontem saiu do grupo principal directinho para mais uma vitória da equipa Belga.

– Rigoberto Uran. Made in Colômbia. Temos trepador para o futuro e quiçá, o futuro vencedor da juventude desta volta tendo em conta os atrasos de Taaramae e Jeanesson.

– Thomas Voeckler e Pierre Roland. Incansáveis. Merecem o sucesso que estão a ter. Há 78 anos atrás jamais se pensaria que Voeckler era homem para incomodar os “deuses da montanha do pelotão internacional”. Roland está na luta pela juventude.

Sinal Negativo:

– Damiano Cunego: Disse adeus definitivamente ao top-3. Perdeu 41 segundos para os principais favoritos e não se dá bem com os contra-relógios. Muito dificilmente terá hipóteses de chegar ao pódio final.

– Arnold Jeanesson e Nicolas Roche: Os tempos acumulados na etapa de hoje retiram não só a hipótese de chegar ao top-10 aos dois ciclistas como deverá arredar o Francês da luta pela juventude que agora será a dois entre Taaramae e Uran. O Francês estava tão bem…

– Phillipe Gilbert: Desistiu definitivamente da geral para poupar forças para a etapa de hoje. A verde é o objectivo claro.

– Karpets, Kreuziger, Martin, Gesink, Vandevelde, Leipheimer: Mais uma montanhinha, mais uma voltinha, mais um atrasozinho! Deprimente. Da parte de todos.

Classificação geral:

1º Thomas Voeckler
2º Frank Schleck a 1.49m
3º Cadel Evans a 2.06m
4º Andy Schleck a 2.15m
5º Ivan Basso a 3.16m
6º Samuel Sanchez a 3.44m
7º Alberto Contador a 4.00m
8º Damiano Cunego a 4.01m
9º Tom Danielson a 5.46m
10º Kevin de Weert a 6.18m
11º Rigoberto Uran a 7.55m
13º Rein Taamarae a 9.02m
14º Pierre Roland a 9.20m
17º Arnold Jeanesson a 10.05m
18º Nicolas Roche a 10.56m
19º Sandy Casar a 11.54m
20º Jelle Vanendert a 12.06m

Nos pontos, Mark Cavendish continua a liderar com 264 pontos contra os 251 de José Joaquim Rojas. Phillipe Gilbert é 3º com 240. A etapa de hoje é fulcral para esta classificação. É a última oportunidade para os sprinters antes de Paris. 

Na montanha, novo lider como já tinha referido. Jelle Vanendert primeiro com 74 pontos contra os 72 de Samuel Sanchez. Jeremy Roy é 3º com 45 pontos numa classificação que será vencida por um dos dois primeiros.

Na juventude, Rigoberto Uran lidera com 1 minuto e 7 segundos de vantagem sobre Rein Taaramae, 1 e 25 sobre Pierre Roland da Europcar (entrou na luta pela juventude) e 2.10 sobre Arnold Jeanesson da Française des Jeux.

Por equipas, a Leopard-Trek ocupou novamente o seu lugar “por direito”. Tem 6 segundos de vantagem sobre a Europcar (anda a colocar muito bem os seus homens) e 2 minutos e 32 sobre a AG2R La Mondiale, que também anda a ter os seus homens pelos primeiros 3040 lugares, acabando por fechar rapidamente a sua classificação nesta categoria.

Em relação à etapa de hoje, Limoges a Montpellier numa etapa muito plana. A última oportunidade para os homens da verde marcarem diferenças entre si antes de Paris. A última diferença para os sprinters que ainda não marcaram a diferença neste tour, caso de Alessandro Petacchi.


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Thor Hushovd nas montanhas!

É um sprinter que ultrapassa bem as montanhas, é um sprinter bastante regular em provas de 3 semanas, é campeão do mundo, é campeão do mundo e entrou neste Tour para ajudar o seu colega de equipa Tyler Farrar sem sequer questionar o seu estatuto dentro da equipa, é um prazer assistir ao percurso da carreira deste ciclista.

Thor Hushovd. Por mais uma vez.

Numa etapa que se antevia novamente complicada, nada de mais. Pelo menos no que toca à classificação geral. Nem o terrível Col D´Aubisque (categoria especial) fez com que os principais protagonistas no que toca a classificação geral mexessem uma palha. Foi novamente palco (não usual) a luta dos sprinters e dos homens da combatividade.

Depois de uma etapa de montanha terrível como a de ontem, os principais favoritos entraram num “contrato de não agressão na etapa de hoje” de modo a poupar esforços para a etapa de amanhã, muito mais difícil ao nível de percurso do que a de hoje.

Assim, tal compromisso informal foi um passinho para que hoje surgissem fugas daqueles que tem algum talento mas que sofrem algum atraso na classificação-geral. Andreas Kloden poderia ser um nome a ter em conta para o dia de hoje, mas a corrida começou com o Alemão a fazer as malas para casa.

Deu-se azo a que muito longe da meta (antes do sprint intermédio do dia e do Col D´Aubisque) saísse um grupo numeroso de ciclistas em fuga com nomes interessantes pelo meio: Alessandro Petacchi, Thor Hushovd, Jerome Pineau, Edvald Boasson Hagen, Jeremy Roy e David Moncoutié. Todos com o intuito de vencer a etapa de hoje. Vários com o intuito de pontuar noutras categorias – no caso de Hushovd pressupunha-se que o Noruguês ia tentar juntar o útil ao agradável vencendo o sprint intermédio antes da montanha de categoria especial e tentar resistir ao terrível Aubisque para na descidaplano de 40 km até à meta tentar a vitória. Cedo se percebeu que Hushovd queria mesmo a etapa, estando-se “nas tintas para os pontos” do sprint intermédio onde nem sequer lançou sprint. Todavia, Hushovd haveria de fazer 9 pontos no sprint intermédio, acabaria por ganhar a etapa e ganhou a toda a concorrência neste capítulo juntando o útil ao agradável. Nada de mais, visto que dos sprinters (como referi) ele é sem dúvida o que passa melhor as montanhas. (Não considerando Gilbert como um Sprinter, está claro!)

Se o objectivo de Petacchi, Pineau, Moncoutié e Boasson Hagen era de vencer a etapa, Jeremy Roy tinha outro objectivo em mente para além da vitória desta: como ontem passou na frente no Tourmalet, queria obviamente passar na frente no Aubisque e retirar a vermelhinha às bolinhas a Samuel Sanchez, feito que acabou por efectuar pois passou em primeiro novamente numa montanha de categoria especial e marcou pontos para ultrapassar o espanhol. No entanto, Roy queria (para além da camisola da montanha e da juventude que é envergada pelo seu colega Arnold Jeanesson) vencer uma etapa para a Française des Jeux, colocando a cereja no topo do bolo de uma equipa que se tem mostrado muito acutilante e muito combativa, como sempre foi seu apanágio.

Com o Aubisque, o grupo começou a fragmentar-se: primeiro foi Hushovd a atacar no início da subida, tentando ganhar alguma distância que lhe permitisse equilibrar ao nível de forças com homens que são melhores que ele neste tipo de situações de corrida casos de Pineau, Moncoutié e Roy. Cedo, os dois franceses foram no encalço do Noruguês em pleno aubisque e o homem da Française des Jeux não teve meias medidas ao passar Hushovd e seguir rumo aos seus objectivos. Lá atrás, a Europcar impunha um ritmo baixissimo no pelotão que permitia aos 3 da frente gozar de uma vantagem que oscilava entre os 6 e os 8 minutos. À excepção da saída de Gilbert já depois do Aubisque, não houveram movimentações no pelotão.

Falando em Gilbert e recuando no “tempo da tirada”: no sprint especial intermédio que Boasson Hagen passou na frente, no pelotão Cavendish e Rojas fizeram-se aos pontos, com o homem da Movistar a levar um companheiro de equipa para tentar roubar pontos a Cavendish, o que não aconteceu por milimetros. O espanhol marcou 5 pontos no sprint contra 4 do Britânico. O que é certo é que enquanto se disputava o sprint, o Belga Gilbert manteve-se dentro do pelotão. Numa imagem posterior, viu-se Gilbert lá atrás a falar com o comissário de corrida, queixando-se de má sinalização da etapa, ou seja, que pensava que o sprint especial era um quilómetro mais à frente.

Dorido, o Belga lançou-se na descida para recuperar a perda e tentar ultrapassar os homens da fuga que se mantinham em posição intermédia, o que levou obviamente nos quilómetros finais a Europcar a acelerar um pouco o ritmo do pelotão para que Gilbert não ganhasse muito tempo. O Belga não só ultrapassou muita gente como acabou por entrar no top-10 da prova e ganhar pontos à concorrência mais directa pela camisola (exceptuando Thor Hushovd.

Na frente, Jeremy Roy foi novamente incansável. Perseguindo-o estava Thor Hushovd e David Moncoutié. O Francês da Cofidis rejeitou ajudar o Noruguês a apanhar o homem da Française des Jeux. Até que a 5 km da meta, com menos de 30 segundos a separar os 3 ciclistas, Moncoutié (com a ansia de disputar a etapa) passou uns segundinhos para a frente de Hushovd, momento que o Noruguês (de forma muito inteligente) capitalizou num furioso ataque final à etapa onde iria passar que nem um foguete por um fatigado Roy que voltou a morrer na praia na chegada a Lourdes. 

Resumindo e concluíndo: Hushovd venceu com distinção, deixando Moncoutié a 10 segundos e Roy a 26. Phillipe Gilbert chegou na 10ª posição a mais de 6 minutos e marcou alguns pontos para a verde. Ganhou também 48 segundos ao pelotão, cujo primeiro foi Rojas (marcou mais pontos contra Cavendish que entretanto tinha ficado para trás no Aubisque).

Hushovd cruza a meta em Lourdes:

Sérgio Paulinho chegou a 7 minutos e 52 segundos de Hushovd (entretanto o pelotão teve um corte em dois) sem que no entanto este corte de cerca de 15 segundos tivesse afectado qualquer top-10. Rui Costa perdeu 13 minutos hoje e confessou que é possível que volte ao ataque nos próximos dias para vencer outra etapa. Com a saída de Kloden da prova e com os paupérrimos resultados que a Radioshack está a acumular (não está na discussão por nenhuma classificaçãomesmo a por equipas será muito difícil) é provavel que Paulinho também tente a sua sorte para vencer uma etapa.

Na geral, destaque para a entrada directa de Phillipe Gilbert para o 9º lugar, relegando Nicolas Roche para o final do top-10.

Na classificação por pontos, Cavendish viu-se a sua vantagem diminuída: o homem da HTC (que se diz estar a caminho da Sky na próxima época caso a sua equipa feche portas este ano) está com 264 pontos contra os 251 de Rojas da Movistar, os 240 de Gilbert e os 192 de Hushovd (exceptuando o Noruguês, os outros dois estão ao alcance de Cavendish caso voltem a vencer uma etapa ou no caso do espanhol Rojas caso vença um sprint intermédio sem que o Britânico pontue).

Na montanha, como já tinha referido ascendeu Jeremy Roy. Lidera com 45 pontos. Coloco apenas em dúvida se voltará a envergar a camisola depois do dia de amanhã, visto que só tem 5 pontos de avanço para Samuel Sanchez e como já se desgatou muito nestas duas etapas não será homem para ter a mesma sorte e energia amanhã. Sanchez será obviamente um homem preocupado em atingir uma boa posição na geral, mas caso ande pela frente receberá a camisola de melhor trepador da prova como bónus. Outro candidato assumido a esta camisola é o Belga Jelle Vanendert, que soma actualmente 34 pontos e hoje até tentou atacar no Aubisque para ver se conseguia trazer uns pontos para a classificação.Frank Schleck com 24 pontos e com a hipotese de somar muitos mais nas etapas que se seguem, também pode ser (digamos que) um “candidato involuntário a esta camisola.

Na juventude, Arnold Jeanesson continua de branco, à mesma distância de Taaramae e Rigoberto Uran. Jeanesson é um ciclista incrível e à priori não mais deverá largar esta camisola até Paris. No entanto, Taaramae e Uran já provaram que andam sempre ali pelos 20 primeiros e podem a qualquer momento surpreender o homem da Française des Jeux.

Por equipas, a Garmin como ressalva da vitória clara do seu ciclista passou para o primeiro lugar colectivo. Dispõe de uma vantagem de 5 segundos para a Leopard-Trek e de 1,25m para a Europcar. Amanhã, com a etapa complicada que temos em mãos, a Leopard-Trek deverá recuperar novamente esta classificação pois será a primeira a fechar esta classificação que é constituída pelos tempos dos 3 melhores de cada equipa em cada etapa. A Garmin terá mais dificuldade em fechar esta categoria visto que exceptuando Danielson e Vandevelde não terá um 3º homem capaz de o fazer antes da Leopard.

Olhando para a etapa de amanhã:

– Marca a despedida do Tour das montanhas dos Pirinéus e abre caminho para as terríveis etapas dos Alpes. Mais uma etapa curtinha (168,5 km) que promete ser longa entre Saint-Gaudens e o alto do difícil Plateau de Beille.

Mais um inferno para ser ultrapassado: 6 contagens de montanha e 1 sprint especial depois da 1ª contagem de montanha de 2ª categoria. Depois da primeira contagem de 2ª categoria (Portet D´Aspet) teremos uma de 1ª (Col de la Core) outra de 2ª (Col de la trape) outra de 1ª (Col de Agnès) uma de 3ª em Port de Lers e uma longa descida para a subida até Plateau de Beille (categoria especial) com vários picos acima dos 11% de inclinação.

Será a corrida dos 8 da vida airada: por um lado os manos Schleck estarão com os seus joguinhos de ataque e contra-ataque, tentando descolar quem puderem e ganhar tempo que lhes permita amortizar perdas nos alpes e no contra-relógio de Grenoble. Por outro lado, Basso (como não ataca) quererá ir na roda de quem lhe favorecer mais (neste caso os irmãos Schleck visto que o seu nível de contra-relógio é igual) Cunego (idem aspas, até para chegar ao top-3, o seu objectivo) e Evans exactamente o mesmo visto que a situação de tabela classificativa é-lhe extremamente favorável visto que é o melhor contra-relogista de todos. Por outro lado, Contador terá que atacar para amortizar as perdas para todos ou então é um homem cada vez mais fora do baralho. É indispensável que amanhã surja a melhor Saxo Bank da época. Samuel Sanchez será o outsider nesta corrida: estará desde muito cedo por conta própria, é homem de ataques, precisa de ganhar tempo a todos e se o fizer também ficará em posição privilegiada pois é substancialmente melhor no contra-relógio.

Em posição desconfortável estará novamente Thomas Voeckler, o alento dos Franceses. Amanhã será um dia terrível para o Francês. Embora esteja melhor na montanha, voltará a precisar e muito da sua equipa para impor ritmo no pelotão e terá que se desdobrar aos ataques de todos os seus oponentes. Vamos ver se o Francês está ao nível de se impor nas 6 categorias de montanha que amanhã tem pela frente.

Quem também andará decerto pela frente é Tom Danielson, Rigoberto Uran, Jeanesson, Taaramae – todos a tentar a vitória na etapa. Amanhã também se pode dar azo a fuga de homens interessantes na montanha e afastados da geral caso estejam bem: casos de Kreuziger, Léon Sanchez, Leipheimer, Zubeldia – todos eles poderão almejar a vitória em Plateau de Beille caso escapem cedo do pelotão. Excluio desta lista Gesink, Chavanel, Casar, Arroyo e Leonardo Duque pois está bom de ver que já não andam na prova a fazer rigorosamente nada.

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Samuel Sanchez vence no alto de LuzArdiden

Com os bascos a inundarem os quilómetros finais da subida para LuzArdiden, Samuel Sanchez deu uma alegria aos seus adeptos, vencendo no alto da primeira etapa dos Pirinéus.

No dia nacional de França, Thomas Voeckler deu uma alegria aos franceses, fazendo uma excelente etapa e segurando a amarela por mais um dia.

Uma etapa muito dura, com uma contagem de 1ª categoria e duas de categoria especial: o inferno do Tourmalet, seguido de LuzArdiden. A selecção natural entre quem está e quem não está para discutir esta volta e muitos pontos para o prémio de melhor trepador.

Uma fuga de 6 ciclistas começou por animar a etapa. Entre os 6 ciclistas, o Britânico Geraint Thomas da Sky, um homem que à partida estava na luta pela camisola da juventude. A fuga, condenada ao insucesso na transição do Tourmalet para LuzArdiden, chegou a ter a meio da tirada uma vantagem de 7 minutos.

Na primeira contagem do dia, a de 1ª categoria, seria a Europcar do camisola amarela Thomas Voeckler a assumir as despesas da perseguição, num ritmo ainda lento e com uma espécie de “contrato entre os principais candidatos de não atacarem não só na 1ª contagem como no Tourmalet”, contrato esse que seria cumprido.

Com os sprinters, a descolarem muito cedo do pelotão, o líder da montanha à partida para este dia (Johnny Hoogerland) atacaria na contagem de 1º categoria, tendo em vista reforçar a liderança que acabaria por perder no fim da etapa para Samuel Sanchez. Hoogerland tinha vontade, mas cedo se percebeu que não é homem para andar por estes terrenos. Mesmo perante as limitações físicas claras, o líder da montanha levou consigo outro homem com desejo de atacar esta camisola: Sylvain Chavanel. O campeão Francês também haveria de ser facilmente alcançado e demonstrou que também não tem pernas para atacar esta camisola.

Com o grupo de 6 na frente (Gutierrez da Movistar, saía, reentrava) e os dois ciclistas no posto intermédio, rapidamente tiveram a companhia de Roman Kreuziger. O checo, irreconhecível nas primeiras 11 etapas (estava a cerca de meia hora de Voeckler) e com a ausência do seu líder Vinokourov, tentou saltar com o intuito não só de também ele lutar pela montanha como quiçá tentar a luta pela etapa. O checo também haveria de quebrar, mostrando-se muito frágil em relação a outras prestações em edições anteriores do Tour, onde foi top-10.

Cedo Hoogerland haveria de ceder ao ritmo de Kreuziger e Chavanel, que tentavam alcançar os homens da frente para pontuarem na 1ª categoria, feito que não iria conseguir pois no topo, seria Mangel a alcançar os 10 pontos da 1ª categoria.

Entretanto, no pelotão, o azar bateria à porta de Luis-León Sanchez a 70 km da meta com uma avaria que ao princípio até indiciava que o corredor da Rabobank estaria a passar mal. Sanchez viria a passar mal numa fase posterior, num dia muito negro para a Rabobank que também veria Gesink a descolar do grupo do camisola amarela muito cedo e não só a hipotecar a hipótese de ficar no top 10 como a perder definitivamente a camisola branca da juventude.

Por falar em azares, no início da descida para o Tourmalet, em menos de 1 km Geraint Thomas haveria de cair por duas vezes: a primeira quando se tentou desviar de um ponto molhado do terreno e a 2ª numa curva com pouca visibilidade. No entanto, em ambos os percalços, o Galês da Sky haveria de passar sem um arranhão e continuar na fuga.

Mais tarde, seria uma queda colectiva no sítio exacto onde Thomas tinha caído. Andreas Kloden acabaria por ficar com algumas marcas numa queda onde o amarela Voeckler também haveria de cair. O respeito imposto no pelotão pela Leopard-Trek para que ninguém atacasse até que Voeckler e Kloden reentrassem levou os dois a reentrarem  no pelotão, mas Kloden também haveria de ceder uns quilómetros mais tarde, já dentro da subida para o Tourmalet. O azar também bateria à porta de Peter Velits da HTC no Tourmalet, que depois de um furo na subida nunca mais viria reentrar no grupo principal. Hoje foi um dia negro para os homens da equipa de Cavendish, visto que tanto Velits como Tony Martin acabaram por perder muito tempo, Tony Martin ainda precisa de muito para poder andar a alto nível na montanha.

No ínicio da subida para o Tourmalet, a situação de corrida mantinha-se com Mangel, Roy, Thomas e 2 companheiros de fuga na frente, Kreuziger e Chavanel em posição intermédia e o pelotão lá atrás ainda liderado pela Europcar de Voeckler.O Tourmalet seria obviamente, pela sua dureza, a selecção natural de quem ficaria e de quem abandonaria a luta pela vitória ou por um lugar de destaque nesta volta.

Logo no ínicio da subida, ficaria Gesink. Carlos Barredo ainda ficou para trás para tentar ajudar o seu chefe-de-fila, mas cedo o Holandês pediu ao espanhol que avançasse para o grupo principal de modo a ajudar Luis-León Sanchez. Em vão, pois numa única etapa, a Rabobank perderia Gesink e Sanchez pela geral, Gesink e Sanchez pela vitória na etapa e Gesink pela luta na liderança da juventude.

Com a aceleração do pelotão no Tourmalet para fazer a selecção natural de candidatos a LuzArdiden, ficaria não só Sanchez para trás como homens como Vandevelde da Garmin, Tony Martin e Linus Gerdemann. Em posição intermédia, continuava Kreuziger e Chavanel, sendo que o Checo facilmente se iria despojar do campeão Francês em prol de uma tentativa de alcançar o grupo da frente e marcar pontos no Tourmalet para o prémio da montanha, o que não viria a acontecer pois seria Roy da Française des Jeux a marcar pontos e a vencer um prémio de 5 mil euros agregado à passagem na primeira posição nesta dura subida.

Sylvain Chavanel, haveria de rapidamente ser alcançado pelo grupo do camisola amarela e passado para trás deste. O campeão Francês não está em forma, definitivamente. Kloden também era a meio da subida para o Tourmalet um homem em apuros, ficando cada vez mais para trás. Ao princípio desconfiava-se de uma avaria mecânica visto que na descida para LuzArdiden Kloden (em conjunto com Karpets) viriam a entrar no grupo principal, mas a subida para a meta haveria de confirmar que Kloden está completamente fora da discussão pela Volta a França. Restavam portanto Leipheimer e Zubeldia da Radioshack neste grupo principal. O basco e o Norte-Americano ainda andaram por ali na subida final, mas com os esticões do fim de tirada haveriam também de perder mais tempo.

Ainda no Tourmalet começaria o carrossel Voigt. O veterano Alemão de 40 anos pode ser letal no trabalho para os irmãos Schleck visto que acelera bastante o pelotão neste tipo de etapas. Perdurou na frente durante largos quilómetros, até ser rendido por colegas de equipa, homens da Saxo Bank de Contador e homens da Europcar que ainda tinham pernas para segurar o seu líder.

Já no final do Tourmalet, Andy Schleck tem uma avaria mas desta feita ninguém ataca no pelotão. Mal Schleck reentra, existe o ataque de Ten Dam da Rabobank para salvar “a honra do convento da equipa Holandesa” num dia muito duro para os seus líderes.

Na descida para LuzArdiden, a situação de corrida era a seguinte: na frente Roy e Thomas. Intermédio Kreuziger, a seguir Ten Dam, depois o grupo Voeckler e Kloden mais atrás. Kloden viria a recolar na descida. A distância do grupo Voeckler para os homens da frente era de 30 segundos e a meio da descida, um momento que iria marcar a subida final e a própria etapa: Phillipe Gilbert (que incrivelmente ainda se mantinha por ali) arrisca na descida e ganha alguns segundos, levando consigo homens como Riblon e Samuel Sanchez. Ao princípio ganham cerca de 25 segundos, tempo que seria letal para Sanchez ampliar a sua vantagem na subida e assim ganhar a etapa.

Mesmo perante os 13,3 km de LuzArdiden a uma inclinação média de 8% e depois de um Tourmalet muito difícil, Gilbert estava a pagar a promessa das afirmações em que “queria estar na frente da corrida da montanha como teste às suas capacidades” – lá está claro também a ideia do Belga em estar na frente para ver se conseguia mais uns pontitos para a verde visto que os Sprinters há muito estavam para trás.

Com a subida final, Kreuziger seria rapidamente alcançado assim como Roy e Thomas. A aceleração lá atrás não perdoava aos escapados. No grupo Voeckler, estavam todos os candidatos excepto Kloden que logo no início da subida haveria de descolar definitivamente.

A 11 km da meta, os ciclistas começam a olhar uns para os outros. Podem surgir ataques a qualquer momento, o que não acontece até aos 3km finais. Samuel Sanchez aproveitava lá na frente na companhia de um homem da lotto amealhar o máximo de tempo possível não só para vencer a etapa como para reentrar na luta pela Volta à França.

A Liquigás passava para a frente do pelotão com Sylvestre Szmid. Esta passagem subita para a frente era indicador que Basso queria o ritmo certo e estava bem para atacar, acto que muito raramente faz na montanha apesar da sua qualidade inegável como um dos melhores trepadores da actualidade. Com a subida da Liquigás para o comando do grupo Voeckler, os dois homens da Radioshack presentes no grupo (Leipheimer e Zubeldia) começaram a perder terreno. A radioshack fora da competição.

Samuel Sanchez e o homem da lotto (Vandendert) continuavam na frente da corrida, com mais de 1 minuto de vantagem, o que era tempo suficiente para vencer no alto. Ou pelo menos pensava-se assim até ao ataque ded Frank Schleck. Gilbert e Ten Dam acabariam por ser apanhados pelo grupo do camisola amarela e ultrapassados pelo mesmo, se bem que o Belga acabaria por cruzar a meta muito perto do grupo principal. Foi uma excelente etapa do campeão de estrada da Bélgica. Ao mesmo tempo que Gilbert era alcançado pelo grupo do camisola amarela, descolava o Irlandês Nicolas Roche, filho do antigo vencedor do Tour nos anos 80 Stephen Roche. Christophe Riblon também descolava, assim como Ten Dam.

Até que veio o momento essencial da tirada: os ataques dos irmãos Schleck já perto da meta. Frank começou com 2 largos esticões que ameaçaram partir o grupo e fizeram a selecção final da subida para um grupo constituído por Contador, Evans, Andy Schleck, Ivan Basso, Damiano Cunego e Thomas Voeckler acompanhado do seu colega de equipa Pierre Roland, que fez um trabalho incansável para o seu líder de equipa. Daí que na linha de meta, assegurado o objectivo da manutenção da amarela, Voeckler tenha logo abraçado o seu colega de equipa por o ter acompanhado.

Os irmãos Schleck estavam obviamente ao ataque, sabendo que Contador não estava a passar bem. Ora Voeckler, ora Basso, ora Evans iam fazendo o elo de ligação do grupo a estes ataques. No entanto, à 3ª Frank haveria de descolar em busca do duo da frente, duo que chegou mesmo a ver a cerca de 500 metros da meta. Por momentos pensou-se que o mais velho dos Schleck seria capaz de discutir a vitória na etapa, só que um safanão do belga Vandedert em Samuel Sanchez (numa excelente leitura da corrida) acabaria por despertar o espanhol na linha de meta, após 6 horas de uma dura, muito dura etapa.

Numa de parada e resposta continuava o grupo lá de trás, até que o trio composto por Basso, Evans e Andy Schleck haveria de livrar-se de Alberto Contador e ganhar-lhe uns segundos.

Síntese da etapa feita, vamos ver as distâncias ao nível do cronómeto nesta primeira etapa de montanha:

1º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel)
2º Jelle Vanendert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 7s
3º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 10s
4º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 30s
5º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 30s
6º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 30s
7º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 35s
8º Alberto Contador (EspanhaTeam Saxo Bank) a 43s
9º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar) a 50s
10º Pierre Roland (FrançaEuropcar) a 50s
11º Tom Danielson (EUAGarmin) a 1.03m
12º Arnold Jeanesson (FrançaFDJ) a 1.19m
14º Levi Leipheimer (EUATeam Radioshack) a 1.25m
17º Nicolas Roche (IrlandaAg2R) a 2.02m
18º Laurens Ten Dam (HolandaRabobank) a 2.10m
20º Haimar Zubeldia (EspanhaTeam Radioshack) a 2.53m
24º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 3.19m
25º Rein Taaramae (EstóniaCofidis) a 3.25m
28º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 3.55m
31º Peter Velits (EslováquiaHTC) a 4.15m
32º Christophe Riblon (FrançaFDJ) a 4.15m
35º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 4.57m
36º Geraint Tomas (Grã-BretanhaSky) a 5.20m
44º Andreas Kloden (AlemanhaRadioshack) a 8.26m
46º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 8.26m
48º Tony Martin (AlemanhaHTC) a 9.03m
53º Christian Vandevelde (Estados UnidosGarmin) a 10.20m
60º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 15.03m
73º Roman Kreuziger (Rep. ChecaAstana) a 17.28m
74º Luis-León Sanchez (EspanhaRabobank) a 17.28m
75º Sérgio Paulinho (PortugalRadioshack) a 17.28m
77º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 17.44m
163º Rui Costa (PortugalMovistar) a 33.05m

Sinal positivo:

– Samuel Sanchez: Acreditou que era o seu dia depois de alguns azares na 1ª semana. Aproveitou a boleia de Gilbert na descida para se colocar em ponto intermédio entre os da frente e o grupo do camisola amarela e aproveitou claramente a confusão no grupo da frente nos quilómetros da frente para vencer a etapa e mostrar que está presente pelo menos para lutar pelo top-3. É um bom trepador e aguenta-se muito bem no contra-relógio. Vamos ver como se porta amanhã sem o efeito surpresa.

– Jelle Vanendert: Desconhecido de uma equipa que perdeu o seu chefe-de-fila (Van der Broeck) e que tem a sua grande inspiração na pele de Phillipe Gilbert. Andou por ali à procura de qualquer coisa e não fosse o facto de apanhar o campeão olímpico de estrada pela frente teria ganho mais uma etapa para a Omega-Pharma-Lotto.

– Frank Schleck: Se Andy está marcado, Frank avançou. Contador e os restantes tem um duplo problema com os irmãos Schleck: não podem acorrer ao ataque de um e depois ao outro. É desse facto que os luxemburgueses se aproveitam. Se Andy é o principal candidato, não dêem muita corda a Frank, pois não é muito diferente do seu irmão mais novo. Quase disputou com Sanchez o final de etapa, não fosse o Belga Vandendert ter lido bem a corrida e ter lançado o sprint mais cedo. Ganhou tempo à concorrência e está merecidamente na 2ª posição da prova.

– Ivan Basso, Andy Schleck e Cadel Evans: tiveram pernas, foram pacientes e livraram-se de Contador, ganhando-se 13 segundos. Qualquer segundo agora é precioso. Podemos contar com o Italiano e com o Australiano na discussão da prova. 

– Thomas Voeckler: o menino bonito dos Franceses por ora. Superou com distinção esta etapa e continua com uma margem interessante sobre os seus rivais. Vamos ver como se comporta amanhã. Se é certo que quebre fisicamente pois não é homem para aguentar a pressão nestes dias, o que é certo é que hoje com a ajuda do seu colega de equipa esteve à altura do desafio, respondendo rapidamente a todos os ataques da concorrência. É sério candidato ao Top-10.

– Arnold Jeanesson: excelente corrida do jovem francês que dentro em diante lutará pela juventude. É sério candidato a ostentar a branca na final em paris com a quebra de Gesink hoje e é um diamante em bruto que os franceses devem lapidar para o futuro do seu ciclismo.

Sinal Negativo:

Uma dose para Kloden, Vandevelde, Karpets, Gesink, León-Sanchez e Kreuziger. Se bem que o checo tem desculpa.
Não tiveram pernas. Estão fora. Kloden não creio que desista porque devido à redução pelo que passa a Radioshack é necessária a sua presença para tentar uma fuga ou uma etapa em que ande entre os melhores e tente almejar a vitória, de modo a salvar a honra da equipa de Armstrong. Karpets andará no mesmo objectivo, assim como León Sanchez. Gesink deverá abandonar para começar a preparar a Vuelta. Kreuziger também não tem margem de manobra: perante a desfalcadíssima Astana é um dos únicos homens capazes de vencer numa etapa.

Alberto ContadorTeam Saxo Bank: Acredito perfeitamente que as dores no joelho de que o Espanhol se tem queixado nos últimos tempos sejam motivo suficiente para não ter força para atacar e o impeçam de ir mais longe do que ido agora. No entanto, notou-se um Contador muito nervoso na 1ª semana aquando das quedas ligeiras que teve e nota-se um Contador algo desconfortável e lento a reagir aos ataques adversários. Se Contador quiser a 4ª, terá que atacar já amanhã. Para o seu estado actual em muito contribuiu a falta de ajuda da sua equipa, que até tem homens talhados para lhe fazer o serviço como Daniel Navarro, ou Richie Porte. No entanto, até a sua equipa desapareceu. Já que Contador não pode fazer a diferença por si, ao menos que a equipa o prepare nas subidas.

Classificação-geral:

1º Thomas Voeckler
2º Frank Schleck a 1,49m
3º Cadel Evans a 2.06m
4º Andy Schleck a 2.17m
5º Ivan Basso a 3.16m
6º Damiano Cunego a 3.22m
7º Alberto Contador a 4.00m
8º Samuel Sanchez a 4.11m
9º Tom Danielson a 4.35m
10º Nicolas Roche a 4.57m
11º Kevin DeWeert (BélgicaQuickstep) a 5.07m
12º Phillipe Gilbert a 5.24m
13º Arnold Jeanesson a 5.50m
14º Peter Velits a 6.03m
15º Haimar Zubeldia a 7.17m
16º Rein Taaramae a 7.23m
17º Levi Leipheimer a 7.51m

Para amanhã:

– Vamos ver novamente a prestação de Voeckler na alta-montanha. Poderá o Francês aguentar o peso da amarela, ou cedê-la aos irmãos Schleck, a Cadel Evans ou a Ivan Basso? Alberto Contador, pelo que tem mostrado não chegará a amarela amanhã. Teremos ataque de Contador? Voltaremos a ter uma postura de ataque dos irmãos Schleck?

– Estou curioso também para ver Samuel Sanchez amanhã. Acabou-se o efeito surpresa. Será o homem da Euskatel homem para andar entre os primeiros?

– Quanto à Radioshack: Será que depois de um dia mau poderemos ter Kloden ou Leipheimer dispostos a honrar a casa e vencer uma etapa? A mesma pergunta ponho à Rabobank.

Na camisola dos pontos, nenhuma alteração em relação a ontem. Cavendish primeiro com 260, Rojas 2º com 242 e Gilbert terceiro com 234.

Na camisola da montanha, Samuel Sanchez sucede a Johnny Hoogerland. Quiçá o bonus de hoje pela vitória no alto de LuzArdiden seja mais um objectivo para a equipa basca: levar Sanchez ao pódio como homem da montanha. Sanchez lidera com 40 pontos, Jelle Vanendert é 2º com 32 pontos e terá também a ambição de pontuar nas contagens de montanha e em 3º Jeremy Roy com 24 pontos, fruto da fuga de hoje.

Na Juventude, Arnold Jeanesson sucede a Robert Gesink. Está com 1 minuto e 37 de diferença para Rein Taaramae da Cofidis e a luta à priori será entre estes dois. À espreita, estará o Colombiano Rigoberto Uran da SAUR (a 2.05) e o seu colega de equipa Jerome Coppel a 3.17m. Robert Gesink disse adeus a esta camisola.

Por equipas, como se previa a Leopard-Trek passou para a frente. Soma 1 minuto e 5 perante a Europcar (muito dificilmente ficará em 2º amanhã) e 2 minutos e 21 segundos sobre a AG2R La Mondiale.

Amanhã, etapa de montanha entre Pau e Lourdes na distância de 152 km. Mais uma etapa duríssima nos Pirinéus, embora com menos dificuldade que a de hoje e sem chegada ao alto.
Nos primeiros 65 km, duas contagens de montanha e 1 sprint especial: uma de 3ª e uma de 2ª categoria. A meio da etapa, contagem especial no sempre difícil Col d´Aubisque, faltando depois uma descida e uma fase em plano de cerca de 40 km até à meta, sabendo que tudo se irá decidir no Col D´aubisque com um grupo já reduzido, podendo até eventualmente haver ciclistas a recuperar na descida.

É portanto uma etapa propícia a que um dos homens que perdeu hoje muito tempo acabe por tentar uma fuga.

Para finalizar, os highlights do fim da etapa de hoje no único vídeo para já disponível no Youtube. Se me for possível tentarei colocar um video mais alargado ainda esta noite:

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Cavendish volta a brilhar

Até agora, a etapa mais calma do Tour. Sem grande aparato e problemas de maior, o pelotão limitou-se a anular uma fuga e a lançar um sprint onde o rocket humano Mark Cavendish voltou a confirmar as suas credenciais. Estará Cavendish disposto a ultrapassar as terríveis montanhas dos Alpes e dos Pirinéus em prol da vitória na verde ou teremos Cavendish a desistir já amanhã?

Indiferentemente da resolução que o ciclista Britânico e a sua equipa poderão tomar em relação ao dia de amanhã, a etapa 12 (com o seu terrível final em LuzArdiden) marca o primeiro dia de alta montanha. Vai começar o espectáculo e o bailado pela vitória na prova.

Contador, os irmãos Schleck, Cadel Evans, Andreas Kloden,  Tony Martin, Christian Vandevelde,  Ivan Basso, Damiano Cunego, Robert Gesink, Luis-León Sanchez e Samuel Sanchez e claro, o camisola amarela Thomas Voeckler – o grupo principal de candidatos à vitória e aos primeiros lugares da prova.

Como outsiders: Phillipe Gilbert (precisa de andar pela frente nos primeiros 100 km para poder somar pontos no sprint intermédio e quiçá tentar somar pontinhos nos finais de etapa)  Nicolas Roche, Tom Danielson, Maxime Monfort, Vladimir Karpets, Linus Gerdemann, David  Moncoutié e Sylvain Chavanel (mesmo com as limitações físicas que apresentam) David Arroyo (mesmo a somar tempos incríveis como tem vindo a somar) Roman Kreuziger, John Gadret e Leonardo Duque – todos estes espreitarão um lugar no top 10top 20 ou no caso dos mais atrasados uma vitória numa destas etapas.

Relembro distâncias para a etapa de amanhã:

1º Thomas Voeckler (FrançaEuropcar)
2º Luis-León Sanchez (EspanhaRabobank) a 1.49m
3º Cadel Evans (AustráliaBMC) a 2.26m
4º Frank Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.29m
5º Andy Schleck (LuxemburgoLeopard-Trek) a 2.37m
6º Tony Martin (AlemanhaHTC-Columbia) a 2.38m
8º Andreas Kloden (AlemanhaTeam Radioshack) a 2.43m
9º Phillipe Gilbert (BélgicaOmega Pharma-Lotto) a 2.55m
11º Ivan Basso (ItáliaLiquigás) a 3.36m
12º Damiano Cunego (ItáliaLampre) a 3.37m
13º Nicolas Roche (IrlandaAG2R) a 3.45m
15º Robert Gesink (HolandaRabobank) a 4.01m
16º Alberto Contador (EspanhaTeam Saxo Bank) a 4.07m
17º Tom Danielson (Estados UnidosGarmin) a 4.22m
19º Christian Vandevelde (Estados UnidosGarmin) a 4.53m
20º Samuel Sanchez (EspanhaEuskatel) a 5.01m
22º Vladimir Karpets (RussiaKatusha) a 5.05m
23º Maxime Monfort (BélgicaLeopard-Trek) a 5.07m
34º Linus Gerdemann (AlemanhaLeopard-Trek) a 6.40m
35º Levi Leipheimer (Estados UnidosRadioshack) a 7.15m
62º David Moncoutie (FrançaCofidis) a 22.51m
78º David Arroyo (EspanhaMovistar) a 30.05m
109º Sylvain Chavanel (FrançaQuickstep) a 44.16m
124º Leonardo Duque (ColômbiaCofidis) a 49.38m
130º Roman Kreuziger (Rep ChecaAstana) a 52.13m

Nos pontos, fase de interregno com Mark Cavendish na liderança com 251 pontos. Daí que se coloque a questão se o Britânico está disposto a um esforço suplementar para superar as montanhas. Cavendish lidera contra os 235 pontos de Rojas da Movistar e 231 de Phillipe Gilbert que é o único ciclista candidato a esta camisola capaz de pontuar nos sprints intermédios das etapas de montanha e quiçá chegar entre aqueles que pontuam no final das etapas. André Greipel com 164 pontos e Thor Hushovd com 163 ainda são candidatos a esta camisola, sendo bastante difícil que a vençam.

Por equipas continua a liderar a Europcar, mas amanhã esta classificação irá mudar para outra equipa.

Johnny Hoogerland da Vacansoleil continua líder da montanha com 22 pontos, contra os 17 de Voeckler. Será desejo do Francês obter a camisola às bolinhas, que decerto amanhã também irá mudar de dono.

Robert Gesink continua a liderar a Juventude e muito dificilmente irá perder esta classificação até Paris, a não ser que tenha algum percalço.

Quanto à etapa de amanhã: Cugnaux – LuzArdiden na distância de 211 km.

A primeira etapa de alta-montanha à 12ª etapa. Os Pirinéus ao rubro.

Os sprinters terão oportunidade de pontuar no sprint especial de Sarrancolin aos 119 km se ainda tiverem pernas para chegar lá visto que este sprint especial já se encontra a 600 metros de altitude em relação ao nível do mar. A partir daí, o inferno total: uma contagem de 1ª categoria em L´Hourquette de Ancizan que fará a primeira escolha ao nível do pelotão. Consequente descida para a subida para o inferno do Tourmalet (categoria especial) onde decerto passarão na frente 6 ou 7 elementos e depois, a subida final de categoria especial para LuzArdiden com término em alto. Uma etapa duríssima, que marcará muito tempo entre os ciclistas.

Candidato: para mim Andy Schleck.

Grande teste a Contador (tem-se queixado muito do joelho) e à força com que se tem apresentado Cadel Evans.Kloden, Basso e Cunego também tem aqui uma etapa a seu gosto.

Outsiders: Samuel Sanchez, se estiver realmente em forma. John Gadret, caso a estratégia de se deixar ficar para trás nas últimas etapas tenha sido propositada para guardar forças para este dia. Nicolas Roche, Monfort, Leipheimer e Chavanel, Duque, Arroyo e Gerdmann, caso entrem numa fuga com dois ou três ciclistas de trabalho. No entanto, duvido que o pelotão deixe Leipheimer sair escapado.

Voeckler perderá a amarela. Ou para Evans, ou para um dos irmãos Schleck ou para Contador caso este consiga atacar com precisão.

Flops: Gesink – duvido que consiga aguentar o ritmo da frente no Tourmalet, assim como o seu colega Léon Sanchez. Karpets, será para mim o primeiro a descolar.

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Cavendish a brilhar

À 5ª etapa, Mark Cavendish mostrou o porquê de ser o melhor sprinter da actualidade, triunfando na chegada a Cap Frehel.

Numa etapa corrida na região da Bretanha (a edição deste ano fez efectivamente questão de passar a caravana pela terra de Bernard Hinault) a antevisão desta tirada previa (apesar do percurso ser de dificuldade baixa) uma etapa que poderia trazer complicações devido ao vento (o traçado andou sempre paralelo à costa da Bretenha) e devido às imensas rotundas e curvas no traçado que poderiam ditar quedas ou quebras no pelotão.

Se ao nível de tempo esta etapa 5 não fez grandes mossas entre os principais candidatos à vitória, teve alguns momentos determinantes para a condição física e psicológica dos atletas. Desde logo, 3 candidatos à vitória e 1 sprinter tiveram quedas: os primeiros foram Janez Brajkovic e Robert Gesink, ainda bem longe da meta. O esloveno da Radioshack que era apontado como o principal chefe-de-fila da equipa acabou por ter alguns ferimentos que o impediram de continuar em prova. A liderança na equipa Norte-Americana passará agora para a dupla Kloden-Leipheimer, tal e qual eu previa nos últimos posts que escrevi sobre o Tour.(ver a antevisão). Já o Holandês da Rabobank não sofreu grande aparato e em poucos minutos estaria de volta ao pelotão.

Foto: The Huffington Post

Imagem da queda de Brajkovic, Gesink e Carlos Barredo. Com o Esloveno estendido no chão em dores pensou-se numa grave lesão. No entanto, o mesmo não acabou por ficar em prova sendo transportado de ambulância para o hospital mais próximo com algumas feridas nas coxas, nos braços e no sobrolho.

Depois foi Alberto Contador a cair. O espanhol também acabaria por recolar rapidamente ao pelotão, se bem que no momento da queda viu-se uma imagem de Contador algo nervoso. Com as quedas, o nervosismo apoderou-se do pelotão e os próximos seriam Tom Boonen (ficaria impedido de disputar o sprint final) John Gadret (a aposta da AG2R para a montanha) e Yaroslav Popovych da Radioshack, que entretanto seria rebocado por Sérgio Paulinho. O sprinter Belga ficou com algumas marcas no corpo pela queda. Gadret perdeu muito tempo na etapa de hoje.

Os quilómetros finais foram marcados também pelo risco dos chamados “abanicos” – por momentos, o vento forte que se fazia sentir poderia dar a noção de corte no pelotão. Tal não veio a acontecer.

Até que chegados ao quilómetro final, o camisola amarela Thor Hushovd bem tentou lançar o seu colega de equipa Tyler Farrar, mas Mark Cavendish haveria de fazer um sprint de trás para a frente, suplantando Rojas da Movistar e Phillipe Gilbert. A luta pela camisola verde, com a nova pontuação está claramente ao rubro e o Belga confirma estar dentro dessa luta em detrimento de um bom lugar na geral onde ele poderá claramente entrar pelo menos no top 20.

No que toca à camisola amarela, Thor Hushovd mantem-a e não é expectavel (em situação normal de corrida) que a perca nos próximos dois dias:

– 1 segundo separa-o do australiano Cadel Evans, 4 de Frank Schleck (3º) 10 de Andreas Kloden (5º) e também 10 do 6º que é Bradley Wiggins da Sky. Andy Schleck fecha o top 10 a 12 segundos do Norueguês que é campeão do mundo de estrada da UCI.
– No top 20 Levi Leipheimer é 14º a 18 segundos, Robert Gesink 15º a 20 segundos, Alexandre Vinokourov 16º a 32 segundos e Phillipe Gilbert 17º a 33.
– Mais atrasados estão Ivan Basso (21º a 1 minuto e 3 segundos) Damiano Cunego (25º a 1 minuto e 13) Alberto Contador (39 a 1.42m) mesmo tempo de Luis Leon-Sanchez (42º). Dois lugares mais atrás está Christian Vandeveld já a 1 minuto e 57.
– Samuel Sanchez já perdeu algum tempo nesta primeira semana. O líder da Euskatel está em 53º a 2 minutos e 37. John Gadret também saiu muito penalizado desta etapa: já está a mais de 7 minutos de Hushovd e muito dificilmente lutará por um lugar no top 10. Resta ao Francês lutar por uma vitória de etapa.

– Quanto aos Portuguêses, Rui Costa é 73º a sensivelmente 3 minutos e meio de Hushovd, enquanto Paulinho está na 131ª posição a mais de 9 minutos.

Na camisola verde, o Belga Phillipe Gilbert lidera com 120 pontos sendo o 2º o espanhol da Movistar Jose Joaquim Rojas com 112 pontos. Amanhã, devido ao novo sistema de pontuação, a camisola poderá novamente mudar de dono. Cadel Evans é 3º com 90 pontos, Cavendish 4º com 84 e Hushovd 4º com 82 pontos. Todos eles terão hipótese de chegar à verde amanhã.

Na camisola da montanha, Cadel Evans é o líder com 2 pontos. Seguem-se 5 ciclistas com 1. A etapa de amanhã tem uma 3ª categoria que poderá dar a liderança a um novo ciclista.

Na juventude, lidera Geraint Thomas da Sky.


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Le Tour de France 2011 (Preview)

Ultrapassadas algumas memórias passadas da competição, aceito o desafio lançado pelo meu amigo Aron Von Meurs para fazer um preview da edição deste ano do Tour de France, cuja apresentação das equipas realizou-se hoje e cuja competição começa no sábado (contrariamente ao tradicionalismo de começo de competição) com uma etapa em linha que liga Gois La Barre-de-Monts a Mont des Alouettes Les Herbiers.

Em primeiro lugar quanto às etapas:

– O Tour começa com uma etapa em linha e logo no domingo teremos o espectáculo de um contra-relógio por equipas que poderá estabelecer as primeiras diferenças entre favoritos. Serão 23 km em Les Essarts.

– Até à 12ª etapa nada de montanha. A 9 e 10  de Julho, as primeiras etapas acidentadas. No dia Nacional de França, a chegada à terrível estância de Sky de LuzArdiden no primeiro teste de alta-montanha nos Pirinéus. Na etapa seguinte, a Ligação entre Pau e Lourdes cruza os Pirinéus e no dia seguinte o mais duro dos testes com chegada final a Plateau de Beille. Estas 3 etapas farão perceber quem está e quem não está na prova.

– Nos Alpes, a chegada a Gap na 16ª etapa pode causar problemas assim como as etapas seguintes (Pinerolo, Serre Chevalier e o mítico Alpe D´Huez). Este ano a prova não vai ao terrível Mont Ventoux.

– Para terminar e antes da equipa da consagração, um contra-relógio de 42,5 km em Grenoble que promete ser de uma dureza ímpar.

Para fazer esta preview, em vez de enunciar os eventuais favoritos à vitória e às respectivas camisolas prefiro fazer uma cobertura equipa a equipa.

Assim sendo:


Alberto Contador parte o Tour de 2011, em busca da sua 4ª vitória na prova, num ano que foi muito conturbado para o ciclista Espanhol.

Primeiro pela mudança mais que prevista da Astana para a Team Saxo Bank, após a contratação (também prevista há muito) dos irmãos Schleck por parte de uma nova equipa do pelotão pro-tour chamada Team Leopard-Trek, cuja sede é no Luxemburgo.

Depois pelas sucessivas interrogações sobre a presença do Espanhol no Tour devido aos escândalos de doping em que pressupostamente existiram provas de que esteve envolvido, mas cujo ciclista espanhol saiu ilibado das acusações que pendiam sobre si. O arrastar das batalhas judiciais que Contador travou este ano só deram frutos quanto a uma participação no Tour há poucos meses atrás, mas nem por isso deixa cair o favoritismo principal do Espanhol à vitória até porque venceu a passada edição do Giro de Itália com uma facilidade que espantou toda a gente.

Atrás de si, traz uma excelente equipa da Team Saxo Bank, preparada para auxiliar o seu chefe de fila nesta missão. Bons aguadeiros como Benjamin Noval, Daniel Navarro, o Australiano Richie Porte (poderá ser o plano B da equipa caso Contador falhe na montanha, visto que o Australiano tem-se mostrado um ciclista bastante completo e embora tenha a missão de ajudar o espanhol à vitória neste Tour, andará sempre ali por perto à semelhança do trabalho que já tinha feito para Contador no Giro onde seria 7º classificado e camisola da Juventude) os irmãos Sorensen e Matteo Tosatto.

Uma equipa muito forte aquela que Contador leva para terras francesas. O seu director desportivo é o antigo ciclista Britânco Bradley McGee.

Inseparáveis. Irmãos Schleck.

Contra Contador, correrão os irmãos Schleck. Andy é o 2º favorito à conquista da prova e quererá desforrar-se da vitória do Espanhol do ano passado, tendo todas as capacidades para tal visto que é um excelente trepador como Contador e ao nível do contra-relógio as suas forças equilibram-se.

A sua nova equipa (Leopard-Trek) também apresenta uma equipa capaz de trabalhar em prol do seu líder, com Linus Gerdemann (um homem que para além de ter a missão de ajudar Schleck é capaz de ter ordens para fazer umas escapadas em algumas tiradas com o intuito de vencer etapas) Jens Voigt (um veterano de luxo para trabalhar para Contador e com a mesma missão de Gerdemann) Frank Schleck (inseparável do irmão) e o veterano sprinter Stuart O´Grady para as etapas em linha (poderá em muito beneficiar do excelente trabalho que Voigt faz no final dessas equipas) e para a discussão da camisola dos pontos, onde o Australiano não sendo um dos principais favoritos poderá muito bem ter uma palavra a dizer.

A Eskautel Euskadi aparece em cenário no Tour com Samuel Sanchez como chefe-de-fila. Sanchez é sempre um nome a ter em conta para a geral, mesmo sabendo que logo no 2º dia devido às condições da sua equipa deverá perder algum tempo no contra-relógio por equipas.

No entanto Samuel Sanchez está em grande forma, é um trepador nato e não se dá mal com contra-relógios longos. Já venceu a Vuelta e já provou ser capaz de bater Contador em várias ocasiões durante os últimos anos. Caso não lute pela geral por qualquer motivo que o impeça, é sempre um nome a ter em conta para vitórias individuais em tiradas de montanha.

Terá companhia de uma renovada Euskatel, que tem como 2º corredor Egoi Martinez. A equipa é dirigida por Igor Gonzalez Galdeano, outro ex-ciclista que conhece muito bem as etapas e a dureza do Tour.

A Omega Pharma-Lotto é uma equipa completamente virada para a discussão das etapas em linha e da camisola dos pontos. Aparecendo Jurgen Van Der Broeck como falso chefe-de-fila, as principais vedetas são o Sprinter André Greipel (um dos principais candidatos à vitória na camisola verde dos pontos) o Belga Phillipe Gilbert, que poderá ser candidato a fugir numa etapa e a vencer e que decerto será o melhor classificado da equipa na geral visto que é um homem que consegue andar sempre pelos 20 primeiros na montanha

A Rabobank traz Robert Gesink. O Holandês já provou em outras grandes voltas (caso das últimas 3 edições da Vuelta) ser um homem talhado para a discussão das mesmas. É um excelente trepador que pode andar ali pelas primeiras posições mas dúvido que seja capaz de lutar taco a taco pela vitória na geral visto que é pior no contra-relógio que Contador e Schleck. No entanto, as suas hipóteses de chegar ao pódio final em Paris são imensas: tanto nos 3 primeiros como com a camisola da Montanha envergada. Deverão ser esses os propósitos da equipa Holandesa para Gesink: camisola da montanha, lugar no pódio e vitórias individuais em etapas de montanha.

Para acompanhar o ciclista Holandês, a equipa montou uma interessante equipa que compõe Juan Manuel Garate, Carlos Barredo (corredor que pode surpreender numa fuga; se bem se lembram foi aquele que uma vez deu um murro no nosso ciclista Rui Costa) e Luis-Leon Sanchez que saiu da acabada Caisse D´Epargne para a Rabobank. O Espanhol poderá ter um contributo interessante para Gesink ou poderá ser alternativa a Gesink visto que também é um corredor que se safa muito bem na média e alta montanha. Leon Sanchez era até à uns meses atrás o líder do ranking UCI.

Thor Hushovd – Um dos melhores sprinters da última década. O meu favorito.

Outras das equipas mais fortes e sobretudo mais completas é a americana Garmin.

A Garmin traz como chefe-de-fila o experiente sprinter Norueguês Thor Hushovd. Embora os resultados de Hushovd tenham vindo a decair este ano após a vitória em 2010 no campeonato do mundo de estrada, o experiente sprinter de 32 anos é sempre favorito à vitória no sprint e à camisola verde. No entanto os resultados do Noruguês tem deixado a desejar no ano 2011 onde apenas ganhou a 4ª etapa da Volta à Suiça e ficou no 8º lugar do Paris-Roubaix e não existem certezas quanto à possibilidade de vermos um Hushovd ao seu melhor nível.

Se olharmos para os restantes nomes de Garmin vemos porque é que é a equipa mais completa da prova. Hushovd não é o único sprinter de renome na Garmin, existindo também as hipóteses Tyler Farrar (este em melhor forma depois de ter vencido uma etapa no Tirreno-Adriático, a classificação por pontos da Volta ao Algarve, o Troféu de Palma de Maiorca e de ter sido 3º na clássica Gent-Welwegem) e Ryder Hesjdal que em princípio trabalhará para Hushovd e Farrar não esquecendo que também é um bom rolador e um bom finalizador de etapas.

Ao nível da montanha e da classificação geral, os Norte-Americanos trazem Christian Vandevelde, David Zabriskie e David Millar. Vandevelde e Zabriskie são homens para andar nos terrenos mais duros e quiça espreitar a vitória em etapas de montanha e o top 5. Millar será aposta nos contra-relógios.

A Astana aparece com outra face no Tour deste ano após saída de Contador. Alexandre Vinokorouv, actual rosto da Astana teve de montar uma nova equipa de modo à equipa sem competitiva depois de anos em que ter super-esquadras com Contador, Armstrong, Kloden e Leipheimer.

Vinokourov será sempre um nome a ter em conta para as etapas de montanha, para a geral e para a equipa lutar por um ou outra etapa. No entanto, creio que toda a equipa estará em torno do verdadeiro líder que é o Checo Roman Kreuziger, um ciclista em ascensão no panorama ciclista mundial que já provou estar incluído no lote dos possíveis favoritos à vitória. Para o ajudar terá Vinokourov, Di Gregório, Fofonov e Paolo Tiralongo.

Kloden – Qual o seu papel na Radioshack. Suporte a Brajkovic, suporte a Leipheimer ou correrá por conta própria?

A seguir aparece a Radioshack, outra das fortíssimas formações nesta prova.

Basicamente, quase toda a Astana dos últimos 2 anos à excepção de Contador e do retirado Armstrong.

Uma equipa muito forte que promete dar luta na montanha. Como chefe de fila o Eslovaco Janez Brajkovic, à semelhança de Kreuziger outra das promessas confirmadas do ciclismo mundial. O Eslovaco tem imenso talento e pertence à nova geração de ciclistas daquele país, mas experiencias passadas na Vuelta mostraram que pode liderar provas por etapas mas que falha nos momentos decisivos. Veremos se Brajkovic (com a super equipa que dispõe) aguenta-se neste tour. A equipa não dependerá apenas de Brajkovic para atingir os seus objectivos (vencer o Tour, vencer o maior número de etapas) visto que tem homens como Levi Leipheimer, Andreas Kloden (qualquer um deles poderá discutir a prova) Christopher Horner, Murayev, Sérgio Paulinho, Popopych e Haimar Zubeldia – estes últimos trabalharão para os primeiros 3 mas qualquer um é capaz de dar ares da sua graça na prova numa vitória em etapa, por exemplo.

A Team Radioshack é de longe a equipa mais virada para a montanha. Johann Bruyneel assume o comando da equipa.

Rui Costa – espero que o possamos ver na montanha ou numa fuga. Esperamos que possa dar uma vitória numa etapa ao nosso país como deu Sérgio Paulinho no ano transacto.

A Movistar (ainda Caisse D´Epargne) surge à semelhança da sua antecessora como uma equipa outsider no meio de tanta qualidade que se pode evidenciar aqui no Tour.

David Arroyo é o seu líder. É um corredor que já fez sucesso em Portugal ao serviço da extinta LA-PECOL e da sua sucessora. Um bom corredor de montanha, razoável contra-relogista que poderá entrar facilmente no top 10 da prova. Mais que isso será pedir demasiado ao ciclista espanhol.

Para além de Arroyo, a Movistar tem alguns corredores interessantes como o Português Rui Costa, Imanol Erviti, Vasil Kirienka e Jose Joaquim Rojas, todos eles muito talhados para fugas (especialmente o Português e Rojas).


Segue-se a Liquigás de outro dos principais candidatos: Ivan Basso. Melhor, de um dos eternos candidatos: Ivan Basso. As características de Basso na montanha são inegáveis; no Contra-Relógio tem melhorado em muito. Este é um dos anos do “now or never” para o Italiano.

Para o secundar, estarão o polaco Maciej Bodnar, Fabio Sabatini e Sylvestre Szmid.

A AG2R Mondiale entra no Tour com o propósito do costume: vencer etapas! Para isso conta com o Irlandês Nicolas Roche (filho do mítico vencedor Stephen Roche) um homem talhado para fugas e que mesmo na média montanha não se dá nada mal.

Para a montanha, a AG2R apresenta dois homens: Christophe Riblon e John Gadret. Este último tem conseguido resultáveis bastante aceitáveis na alta montanha, estando no top 10 do Giro deste ano. Poderá ser um joker a usar para uma classificação no top 10 e quem sabe algumas vitórias na alta montanha.

A Sky apresenta-se com o chefe-de-fila do costume: o Britânico Braddley Wiggins – muito regular, Wiggins poderá intrometer-se na luta pelo pódio. Mais que isso creio ser improvável.

Na sua equipa tem Flecha (um especialista nas fugas e consequentemente excelente finalizador de etapas nesse aspecto) Simon Gerrans (idem aspas) o Sprinter Edvald Boasson Hagen (um homem que se pode intrometer nos Sprints e quiçá lutar pela verde) e Xavier Zandio, um homem para acompanhar Wiggins na montanha.

A Quickstep apresenta  novamente como seu chefe-de-fila Sylvain Chavanel, o homem em que todos os Franceses depositam a confiança de vitória no 14 de Julho, dia nacional Francês. Chavanel dispensa apresentações e todos sabemos o que é capaz de fazer. No entanto, creio que não será desta que os Franceses poderão sonhar em ver em Francês vestido de amarelo em Paris. Chavanel será um forte candidato à camisola de melhor trepador. 

A Quickstep tem também dois dos melhores sprinters em prova: Tom Boonen e Gerald Ciolek, dois favoritos a etapas discutidas ao sprint e à camisola verde.

A BMC tem Cadel Evans, outro dos crónicos candidatos ao Tour. Evans terá aqui também uma das últimas oportunidades de se consagrar vencedor em Paris. A sua equipa tem uma equipa interessada montada à sua volta com Burghardt, Hincapie, Moinard e Quinziato. Terão que se redobrar em esforços para levar o seu líder ao máximo onde puderem.

A Française Des Jeux não apresenta nada de novo. Uma equipa totalmente francesa com o líder a ser novamente Sandy Casar. Objectivo: vencer pelo menos uma etapa.

A Cofidis apresenta-se em prova com o Estoniano Rein Taraamae como chefe-de-fila. É mais um para se envolver nas lutas com os mais fortes dessa variante e quiçá trazer uma vitória de etapa para a equipa Francesa. Será muito difícil a tarefa do Estoniano tendo em conta nomes como Boonen, Cavendish, Petacchi, Ciolek…

Ao nível da montanha, a equipa poderá contar com o Colombiano Leonardo Duque (terá interesse na camisola da montanha e quiçá numa boa classificação na geral) e David Moncoutie, à partida um homem para ficar nos 20 primeiros e tentar a sua sorte numa fuga.

A Italiana Lampre apresenta-se com Damiano Cunego, outro dos homens a ter em conta para a montanha. As últimas prestações de Cunego no Tour deixaram a desejar. Vamos ver se é desta que o ciclista Italiano confirma as suas credenciais de trepador.

Petacchi é o homem da equipa para a luta pela vitória nas etapas em linha e quem sabe a camisola verde, se o Italiano desta vez tiver com disposição para ultrapassar as montanhas, coisa que raramente acontece.

O mesmo se pode dizer de Mark Cavendish, o principal candidato a limpar as primeiras etapas de Tour. Dispensa apresentações.

Numa equipa com bons ciclistas de trabalho (HTC Columbia) como Bernard Eisel (talvez mais que um homem de trabalho) Peter Velits (também finaliza muito bem) Mathew Goss (pode  ganhar uma etapa caso entre em fugas) Mark Renshaw e Tony Martin, a Columbia tentará sair do Tour com o máximo de vitórias possíveis. 

Para terminar, as 4 formações mais débeis do pelotão do Tour:

– a Francesa Team Europcar com Thomas Voeckler, um nome sempre a ter em conta para umas vitórias de etapa, visto que já chegou a andar de amarelo em duas edições do Tour.

– A Team Katusha líderada por Vladimir Karpets, talvez um dos ciclistas que mais potencial apresentava na última década e que passou ao lado de uma grande carreira. Karpets também é um nome a ter em conta para uma eventual etapa de montanha. A Katusha também traz Mikail Ignatiev e Alexandr Kolobnev, dois homens muito perigosos no que toca a fugas.

– A Vacansoleil e a SAUR-Sojasun, equipas que me são desconhecidas ao nível de potencial.

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1 ano de suspensão

para Alberto Contador pelo controlo antidoping positivo no decurso da edição de 2010 da Volta a França, prova que o Espanhol venceu em 2010 pela 3ª vez e cuja vitória lhe pode ser retirada.

A suspensão foi aplicada pela Federação Espanhola de Ciclismo. Segundo os exames feitos à urina do ciclista, foi encontrado clembuterol, um estimulante proíbido pela UCI.

Contador tem agora 10 dias para apresentar alegações de recurso. Caso as apresente, deverá conhecer a decisão final a 9 de Fevereiro. Tudo no ano em que Contador mudou da equipa Astana para a Team Saxo Bank.

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