Tag Archives: Sócrates

a democracia coritnhiana

Quando o Brasil vivia em ditadura militar, as decisões no balneário do Corinthians de Sócrates eram decididas de forma democrática entre todos os intervenientes.

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Cromos da bola #6

A minha tenra idade não me permitiu ver mais um daqueles que os antigos consideram um dos mestres da história do futebol.

Ao almoço, fiz questão de perguntar ao meu pai quem era Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira.

“Viste jogar?” – pergunto eu.

“Claro que vi. Era magnífico. Era de uma elegância extraordinária. Tinha apenas um problema: metia-se em demasia na pinga” – respondeu o meu pai.

E foi a pinga que lhe deu o golpe final. A ele, a Garrincha, a Best e às carreiras de outros grandes que pisaram os relvados como Gascoine ou Souness.

A sua carreira fala por si: Botafogo Paulista, Corinthians, Fiorentina, Flamengo, Santos e por fim, numa aventura maluca, um jogo em 2004 pelo Garforth Town, equipa dos escalões secundários de Inglaterra que comprou por 2 euros. 63 jogos pelo Brasil, amargos, por nunca se ter sagrado campeão mundial.

584 jogos como profissional, 317 golos marcados.

3 campeonatos estaduais de São Paulo, 1 taça do Rio de Janeiro, 1 campeonato carioca, presença nos 100 melhores jogadores da FIFA, 11 do campeonato do mundo de 1982. Faltaram títulos de grande porte aquele que é até hoje considerado o mais inteligente dos futebolistas.

Descanse em paz, doutor.

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História do Futebol #5

Carnaval de Veneza no dia em que tudo esperava um carnaval no Rio.

De um lado, a Itália daquela caixa fechada do Catenaccio puro e duro (mais fechada que a Caixa de Dahl na Ciência Política) onde pontuavam jogadores como Dino Zoff, Baresi, Giuseppe Bergomi (os dois centrais mais elegantes que tive o prazer de ver jogar, se bem, já no final das suas carreiras) Gentile, Scirea, Vierchwood (ainda o vi jogar pela Juventus) Tardelli, Massaro, Altobelli, Galli e está claro, do imortal Paolo Rossi.

Do outro lado, samba no pé. Mais que samba no pé: uma história de bom futebol. Aquele escrete que nem o mais belo dos poetas de então, Chico Buarque de Hollanda, por mais magnificiência dos seus poemas, se atraveria a escrever uma quadra descritiva tão linda. O Brasil de Zico, Sócrates, Luizinho (passaria no final da carreira pelo Sporting) Júnior, Falcão, Batista, Roberto Dinamite e Dirceu.

De um lado, uma Itália matreira que tinha feito algo extraordinário em Espanha que hoje é quase impensável acontecer num campeonato do mundo: passar a1ª  fase de grupos (a segunda ronda era uma 2ª fase de grupos a 3) com 3 empates e com um score de 2 golos marcados e 2 sofridos. Do outro lado, um Brasil dominador: 3 vitórias na fase-de-grupos com um score de 10 marcados e 2 sofridos (grupo: União Soviética, Escócia de Souness e Nova Zelândia).

Estamos então no jogo decisivo da 2ª fase. Depois da Itália vencer a Argentina por 2-1 e do Brasil ter feito o mesmo por 3-1 decidia-se quem iria passar às meias-finais da prova.

Ao Brasil bastava um empate para o conseguir. Até que Paolo Rossi apareceu vindo do nada (na altura era um modestíssimo avançado que cumpria a sua primeira época a sério na Juventus depois de ter passado por empréstimos a clubes modestos como o Como, o Perugia e o Lanerossi Vicenza. Curiosamente seria no último onde marcaria mais golos). Paolo Rossi nunca atingiria o estatuto de grande matador em Itália: de 81 a 86 cumpriu 83 jogos pela Juventus tendo marcado 24 golos. No ano seguinte seria dispensado para o Milan, onde iria actuar em 20 partidas e marcar apenas 2 golos.

Mas Rossi haveria de ficar para a eternidade. Não só por ter sido o obreiro desta inigualável vitória contra o Brasil, mas por ter sido o principal obreiro de um título quase impossível para a Itália.

Este jogo é portanto algo completamente inacreditável: perante um Brasil que tinha tudo para se sagrar campeão do mundo, Paolo Rossi mascarou-se daquilo que nunca foi e gelou os adeptos canarinhos.

Isto no dia, em que o futebol brasileiro ficou claramente mais pobre com a morte de um dos seus principais artistas: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, mais conhecido no mundo como o Doutor.

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