Tag Archives: Selecção Japonesa de Rugby

RWC 2011 (2)

O 2º dia de jogos, trouxe partidas bem interessantes. Os países emergentes do rugby mundial (outros chamam-lhes os países de 2ª e 3ª divisão mundial) conseguiram fazer resultados brilhantes contra as equipas de topo do ranking da IRB.

Tanto a Roménia como o Japão estiveram a 10 minutos de provocar duas surpresas históricas.

De forma breve, sucinta e não rebuscada, pedindo desculpa pela não colocação de highlights das partidas (estou-me a ver grego para arranjar highlights; se algum leitor mais sapiente me arranjar um site onde possa ter as highlights da partida, agradeço que me coloque os links na barra de comentários):

– No primeiro jogo da noite, a Roménia esteve a um passo de garantir um resultado histórico contra a Escócia. Foi um jogo bastante interessante de ver.

O seleccionador Romeno Romeo Gotineac, pedia na antevisão da partida contra a forte selecção escocesa (forte tendo em conta o potencial romeno; fraca perante as restantes nações de top-10 inclusive a Itália) respeito pela selecção romena. Apenas respeito.

A Escócia acusou o pedido e iniciou o jogo com a corda toda. Em combate, dois jogos completamente distintos: o Escocês, um jogo pragmático, de perímetro largo, onde os 34 assumem mais preponderância que os avançados. Daí que os verdadeiros jogadores da turma escocesa sejam os formações ParksCusiter, o abertura Jackson, o centro Shaun Lamont e o arrière Paterson. Do outro lado, o típico jogo romeno que nós portugueses tão bem conhecemos – a força de avançados no jogo de avançados, ou seja, no pick and go, no jogo no chão, nos mulls, nas melées e nos alinhamentos. Um jogo de paciência no perímetro curto, desgaste e desaceleração, protagonizado pelos nossos bem conhecidos Tonita, Tincu, Dumbrava, Dumitras, Gal, Petre, Sirbu e Dimofte. 

Se os Escoceses começaram a jogar de forma rápida e pragmática em busca dos pontos nos minutos iniciais, rapidamente os romenos foram igualando a partida e chegaram mesmo a empatar nos minutos finais à custa do seu poderosíssimo jogo de avançados. Arrisco-me a dizer que a Roménia tirou a melhor Escócia da cartola na 2ª parte, obrigando os Escoceses a processos simples para vencer a partida. Do 24-21 incómodo para a Escócia e histórico para a Roménia (falamos de uma selecção poucos furos acima dos nossos Lobos e cujos Lobos já venceram recentemente em Bucareste) a 10 minutos do fim, obrigaram os Escocês a mentalizar-se que não podiam perder o jogo (foram assim as declarações do capitão Paterson no flash-interview realizado no fim da partida). Os Escoceses não perderam, mas tremeram.

– Namíbia – Fiji – Partida com história até aos 10 minutos. Todavia, previa-se uma vitória mais folgada para o lado Fijiano. 45-25 acaba por ser um bom resultado para a modesta Namíbia.

Theunes Kotze, o médio de abertura da selecção africana que ainda hoje detem o record negativo de pontos sofrido num campeonato do mundo (0-142 contra a Austrália no RWC de 2003) decidiu brincar um pouco com as emoções dos Fijianos ao colocar uma grande penalidade atrás do meio-campo (sensivelmente a 55 metros) e 3 drops de rajada logo no início da partida. A Namíbia chegou inclusive a liderar por 12-7, causando o gáudio de todos os seus adeptos que se deslocaram à Nova Zelândia.

As Fiji não se ficaram e até ao intervalo, com o seu jogo típico de rapidez (tanto dos avançados como dos 34) foram para o intervalo a vencer por 25-12. Na 2ª parte, a Namíbia ainda deu um ar de sua graça ao apontar 2 históricos ensaios, mas as Fiji responderam com mais 3, gerindo o seu resultado e pontuando o bónus sempre importante para poderem combater a passagem aos quartos-de-final com o País de Gales, selecção que hoje testa os Springbooks em Wellington.

O médio de abertura Bai e o ponta Goneva foram os homens da partida para as Fiji. O ponta é para já o lider em ensaios do mundial. Apontou 4 contra a Namíbia.

Kotze foi o homem forte da Namíbia no seu jogo de estreia no mundial e 3ª selecção. Factos que ainda tornam mais incrível a prestação deste médio de abertura de 23 anos que actua nos Leopards, modesto clube do seu país. Está aqui um abre-olhos às equipas europeias. Kotze talvez merecesse uma hipótese de evoluir numa equipa dos principais campeonatos europeus.

– A França soou e de que maneira para bater o Japão. 47-21 é um resultado muito enganador e injusto para os Japoneses.

Perante um Japão muito bem comandado por um inglês naturalizado, o médio de abertura do Nottingham James Arlidge, a França chegou ao desespero. Arlidge marcou todos os pontos do Japão e foi justamente considerado pela organização o MVP do jogo.

A equipa comandada por Marc Lièvremont (aquele que não sabe muito bem o que quer; aquele que na minha perspectiva tem colocado a França a jogar o pior rugby da sua história recente com o melhor potencial atlético em bruto dos últimos anos do Rugby Francês; aquele que já sabe que vai ser despedido no final do mundial indiferentemente do resultado da selecção francesa) entrou a matar no jogo e começou a pontuar como se lhe era exigido.

Com um início marcado por processos muito simples do ponto de vista ofensivo, os Franceses marcaram e tentaram desgastar a selecção japonesa pelo cansaço. Esse cansaço, à semelhança do que tinha acontecido com os Romenos contra os Escoceses não apareceu e a selecção Japonesa, a perder por escassos pontos ao intervalo, entrou com a corda toda na 2ª parte e à base de uma boa coordenação entre a sua dupla de médios Tanaka-Arlidge e o resto da equipa, imprimiu um ritmo veloz na partida ao ponto de chegar a empatar a partida aos 68″. A França, selecção mais experiente, teve de superar a apatia com que se exibia na 2ª parte (o Japão dominou territorialmente e encostou praticamente os franceses na sua área de 22 durante todo 2º tempo) voltando novamente aos processos de jogo simples e de finalização por parte dos seus homens mais recuados. Daí que só nos 10 minutos finais tenham garantido a vitória e o ponto de bónus. Para isso, muito contribuíram as tomadas de decisões do experiente capitão frances Thierry Dusatoir, que nada se importou de jogar aos postes “em tempos de dificuldade” para os franceses em vez de meter os seus colegas a lutar para o 4º ensaio, garante do ponto de bónus. 

Pelo que vi deste jogo creio que Lièvremont e os franceses não terão muitas hipóteses de erguer a William Webb Ellis Cup. Não é que tivessem grandes hipóteses à partida, não é…

– Argentina 9 vs 13 Inglaterra

O jogo que se previa. Cínico como tudo. A renovada Argentina deu conta do recado e encostou à parede os cínicos Ingleseses. Tinha lido ontem no site da BBC as declarações do jogador Toby Flood. Flood mostrava-se interessado em contribuir para a vitória do jogo Wilkinson (chamo ao jogo Wilkinson o modelo de jogo inglês. cavar o máximo número de faltas para os pontapés de Johnny Wilkinson; um jogo pragmático onde o médio-de-abertura dita os tempos e as decisões como se o rugby fosse um tabuleiro de xadrez). Wilkinson e Ben Young acabaram por decidir um jogo que pendeu mais para o lado argentino.

Como se esperava foi um jogo pouco aberto, de muita luta entre os avançados e conquistado pela eficácia. Os Ingleses conseguiram um ensaio que os salvou de um jogo asfixiante. Os Argentinos ficaram-se pelas penalidades. 3 em 6 contra as 2 em 5 dos Ingleses. Um pouquito mais de eficácia em Contepomi poderia ter dado a vitória aos Argentinos em tempo útil. Depois, a sorte e o querer ditaram a vitória inglesa. Não é bom nem mau augúrio para a equipa de Martin Johnson. O seu jogo é mesmo esse, o jogo Wilkinson.Já os Argentinos mereciam bastante mais que o ponto bónus defensivo e calaram o meu cepticismo. Irão aos quartos-de-final e se mantiverem o mesmo espírito de luta, poderão repetir as meias-finais quem sabe… A Escócia será presa fácil. O trio da 3ª linha (Cabello, Fernandez Lobbe e Leguizámon) é um trio esfomeado. Não falham uma única placagem. Coisa incrível de se ver. Do lado inglês, salvas para James Haskell (para mim é o 2º melhor flanqueador do mundo) para o regressado Johnny Wilkinson (não está tão certeiro como antigamente mas a estadia em Toulon tem lhe feito muito bem)  para Delon Armitage (não marcou, mas a sua estrelinha irá aparecer noutros jogos) e para Ben Young (se a Inglaterra venceu, agradeçam-lhe).


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