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Conversa de rapazes

Na Universidade de Verão, a conversa de Nuno Crato com os jovens militantes do PSD não está (do ponto de vista educacional) errada.

Quando somos pequenos, os nossos pais, os nossos tios e os nossos avós incentivam-nos a estudar para poder aceder a um melhor emprego do que eles tiveram e consequentemente a mais qualidade de vida.

A própria ideia de investimento na educação agregada à palestra do Ministro da Educação e do Ensino Superior é uma ideia correcta e bem diferente das ideias de desinvestimento que eram promovidas pelo seu antecessor no Ministério.

O problema coloca-se é quando chegamos a um patamar em que se consciencializou que para um país poder evoluir necessita de mais quadros técnicos, sendo para tal necessário voltar a um quadro de mais investimento no ensino e as políticas de criação de emprego não acompanham no mesmo sentido o incremento das duas primeiras premissas.

Muitos dos jovens licenciados, mestres e até doutorados nas mais diversas áreas, cujo emprego na área é escasso ou nulo, precisando portanto de trabalhar em qualquer coisa para pagar as contas ou sujeitar-se ao estigma dos recibos verdes, perguntam-se se valeu a pena investir tanto no seu percurso académico para no final não obter a remuneração e a satisfação em exercer a profissão que tanto desejaram.

É certo que no mundo actual, perante os moldes económicos que assistimos, a ideia Keynesiana do pleno emprego começa a ser uma ideia completamente irrealizável.

Uma grande percentagem dos jovens licenciados na última década em Portugal não arranjaram emprego na área no ano seguinte à conclusão da licenciatura e outros, passam anos e anos a pular de estágio profissional em estágio profissional antes de assinar um contrato de trabalho. 

Por outro lado, não sei onde é que o governo vai buscar as estatísticas que apresenta.

Nuno Crato apresentou uma estatística  na Universidade de Verão do PSD que dizia em que em 1982, a média dos ordenados de trabalhadores com quatro ou menos anos de escolaridade estava nos 527 euros, a média daqueles com escolaridade no ensino superior era de 799 euros e a dos licenciados nos 1399 euros mensais.

As médias enganam muito sobre os indicadores de um país. Daí que sejam muito vantajosas para os políticos. Mesmo assim, é de dúvidar estes valores apresentados pelo ministro para o ano de 1982.

A comparação com os valores médios actuais torna a demonstração muito mais ridículo. Segundo a estatística apresentada por Crato, em 2010, a média das remunerações dos trabalhadores com quatro ou menos anos de escolaridade passou para os 580 euros, dos trabalhadores que concluíram o ensino secundário passou para os 861 euros e dos licenciados para os 1625 euros.

Tomo os seguintes pontos como conclusões:

1. Como é possível apresentar estes números num país onde uma interessante percentagem dos trabalhadores recebe o salário mínimo nacional, remuneração que só este ano irá atingir a barreira dos 500 euros?

2. Se o salário médio dos trabalhadores com escolaridade baixa em 1982 era de 527 euros, porque é que hoje assistimos a uma média nacional de reformas assente nos 380 euros mensais?

3. Nuno Crato tem em consideração a quantidade de desemprego que existe entre os licenciados no nosso país e a quantidade destes que aufere rendimentos mensais abaixo dos 800 euros em relação à quantidade dos mesmos que aufere acima dos 1625 euros?

Ou todas estas estatísticas são exactamente iguais às estatísticas do antigo secretário de estado socialista Valter Lemos, ou seja, feitas na hora?

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Sobre a limitação da remuneração dos gestores públicos

Ao comum trabalhador, legislou-se sobre um aumento de 10 euros, ao mesmo nível da inflação prevista para este ano. Diz-se (ainda estou para ver o cumprimento real da medida) que o salário mínimo vai chegar aos 500 euros até ao final deste ano. Diz-se.

Quanto aos “gatos gordos” da Sociedade Portuguesa (leia-se gestores públicos) jamais se poderá limitar as suas “gordas” remunerações.

O exemplo da TAP é o mais crasso. Fernando Pinto, é um dos que mais leva para casa e nunca li uma notícia em que a TAP desse lucro. Estamos a falar de prejuízos que se acumulam há mais de 10 anos sob a égide desse senhor. Sempre ouvi dizer que a porta da rua é a serventia da casa.

Se uns levam migalhas para casa e estão a pagar a crise, a outros é permitido que levem fortunas para casa. Não consigo encaixar nessas medidas o constante discurso do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças. Afinal de contas e troca o passo, estará a crise a ser paga por todos os Portugueses? Nem de perto, nem de longe.

Não é uma das bandeiras da justiça distributiva colher mais aqueles que mais rendimentos tem em prol da solidariedade aqueles que menos tem? Toda a Europa pensa e actua desta maneira. Em Portugal, a sua aplicação é contrária. Ou se calhar, quem sabe, sou eu que penso ao contrário.


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Salário Mínimo Nacional

Hoje realiza-se a reunião de concertação quanto à possível subida do Salário Mínimo Nacional para o pico histórico de 500 euros mensais.

Para que um cidadão remunerado com o salário mínimo nacional actual, possa ter mais 25 euros de rendimento mensal, quase que é preciso que se cerre os punhos com toda a força e se grite “ah benfica”!

O Governo apresentou um estudo, em que defende que esta subida terá consequências graves ao nível da competitividade das empresas Portuguesas, ou seja, numa óptica racional, tenho em crença que se o ordenado mínimo subir agora, haverá mais desemprego nos próximos meses.

A lógica desta problemática é simples: Se o empresário capitalista for obrigado a aumentar os gastos da sua empresa com capital variável, este aumento não só terá repercussões graves ao nível do custo de produção e consequentemente do preço do produto que produz como tornará o seu produto menos apelativo tendo em conta os actuais mercados de concorrência. Logo, este aumento poderá trazer riscos ao nível da exportação. Logo, as margens de lucro dos empresários poderão descer e este ameaçado na reprodução da actividade produtiva, poderá encerrar unidades e levar ao despedimento dos seus trabalhadores, caso a actividade produtiva não seja rentável.

Infelizmente, a situação de mais despedimentos é um cenário extremamente injusto tendo em conta que pedir 25 euros de aumento para todos os trabalhadores que recebam o salário mínimo não é muito perante a situação de crise e perda de poder de compra que vivemos.

Várias entidades estão na cabeça do processo. A típica estratégia do “amigo não empata amigo”. O Governo pretende um aumento faseado até ao final de 2011, as unidades sindicais pretendem que o aumento se efectue já. O patronato continua a manter a sua firme posição de ceder aumentos ao nível da inflacção (2,2%). Tudo isto vai redundar numa intensa luta de forças, sabendo de antemão que o trabalhador será sempre prejudicado em relação ao jogo de forças entre o valor que cria com a sua mão-de-obra e o valor que aufere de salário.

Vivemos assim num Estado Social podre e caduco. Quando os governantes ousam em retirar poder de compra aos seus cidadãos pelo intermédio de impostos, taxas e outros embustes, criam-se logo leis e decretos-lei na hora para que o povo tenha que pagar a crise de uns. Quando o trabalhador, a força motriz da economia deste país reinvindica por um pouco de “ar fresco” perante o sufoco da crise, “a porca torce o rabo” e aparecem mil e um motivos que o impede de ter uma vida mais condigna.

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