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começo por…

dizer ao Sá Pinto que ele bem tentou levantar o clube que ama.

dizia-me há uns meses atrás o Mário Silva, e bem, que para se levantar um clube perdido, era necessário ter-se muito amor a esse clube. é o caso do Sá Pinto em relação ao Sporting. foi aquilo que, um outro histórico europeu, o Liverpool, que também se encontra numa fase muito controversa da sua história, fez, ao contratar para o cargo de treinador Kenny Dalglish na época transacta.

Dalglish e Sá Pinto não são treinadores. ser um antigo futebolista de qualidade (Dalglish é indiscutivelmente uma das maiores lendas do futebol europeu e Sá Pinto, apesar de não ter sido nenhuma vedeta do futebol mundial, foi um jogador que marcou uma geração do futebol do seu país) não é sinónimo de sucesso enquanto treinador. prova disso são os inúmeros treinadores de reputação mundial que nunca foram jogadores de futebol ou que nunca foram jogadores de nível mundial: Mourinho, Sven-Goran Eriksson, Héctor Cuper, Scolari, Wenger, Benitez são os exemplos de treinadores que apesar do seu currículo enquanto treinadores (uns ganharam mais, outros menos) pertencem a esse lote.

no entanto, tanto Sá Pinto como Dalglish, pelo conhecimento interno profundo da realidade dos clubes cuja missão era levantar de sucessivos anos de hecatombe ao nível de resultados desportivos, pela garra que sempre empregaram ao serviço desse clube enquanto jogadores (lembro-me que Sá Pinto por exemplo, arruinou a sua carreira enquanto jogador num célebre jogo a contar para a UEFA de 2001\2002 contra o Halmstads; vitória do Sporting por 6-0 se não estou em erro; lesionando-se gravemente no joelho depois de ter esforçado em demasia para dominar uma bola que ia fora quando o sporting já ganhava por 6) eram soluções muito viáveis para as direcções desses mesmos clubes.

Sá Pinto chega a um Sporting arrasado por mais uma desilusão. Domingos Paciência sai a meio de uma época em que se esperava que fosse o habilitado a devolver o sporting ao top-3 da liga portuguesa. Domingos sai num momento em que o clube se encontra numa posição confusa: existe um investimento na equipa profissional superior aquele que tinha sido feito nas eras de Filipe Soares Franco e José Eduardo Bettencourt, existem objectivos a cumprir, existe pressão adicional derivada desses mesmos objectivos mas os resultados não aparecem e a confusão instalada na direcção não permite a paz ao clube. Domingos não engata aos domingos, perde a equipa e perde por completo o balneário. Sá Pinto entra, motiva o balneário e ganha jogos na UEFA que qualquer sportinguista jamais pensava que os seus jogadores poderiam ganhar. o jogo de manchester foi a prova disso. eliminar o campeão inglês com uma vitória em Alvalade e com aquele épico de Manchester era suficiente para os adeptos pensarem que estaria ali a solução para espantar os maus anos do clube e para os jogadores ganharem confiança.

a partir de Bilbao tudo se desmorona.

a Sá Pinto, como não poderia deixar de ser, é dada uma oportunidade para trabalhar uma equipa a partir da sua base, ou seja, a partir da pré-época. e como se tinha dado a Domingos, a direcção dá a Sá Pinto o plantel com mais qualidade e riqueza em soluções que alguma vez vi no Sporting desde a era de Figo e do malogrado professor Queiroz. e desde cedo, como o meu pai tinha previsto, Sá Pinto revela que não é treinador e que não tinha capacidade para colocar a equipa a jogar um bom futebol. não basta olhar o jogo com a atitude de guerreiro, é preciso também saber-se aquilo se faz para que no campo os resultados apareçam. e na minha modesta opinião, os incentivos constantes do treinador aos jogadores não são suficientes, pois se olharmos bem, nenhuma equipa que tem aspirações pode chegar a Outubro sem um onze base construído e sem um fio de jogo objectivo.

no entanto, a actual situação do Sporting não se estende apenas ao meu desempenho do seu demissionário treinador.

é nítido que directivamente, o clube ainda vive maus momentos. a estrutura profissional do clube passa por uma enorme instabilidade, instabilidade essa que parece ser típica do sporting.

o clube tem um presidente ausente, que passa a vida mais preocupado em viagens à China para arranjar investidores (mas quem é que na verdade quer investir num clube que não vai à Liga dos Campeões e que não tem património ou receita?) e tem vários presidentes-sombra. falo dos senhores Bruno Carvalho, Luis Duque, Daniel Sampaio, Eduardo Barroso, Dias da Cunha, Dias Ferreira, José Roquette, Rogério Alves e tantas vozes mais que são as vozes que semeiam a instabilidade no clube com as suas afirmações descabidas, confusas e até, por vezes, algo contraditórias. ou seja, é sumo aos meus olhos que existe muita gente no Sporting que fala, fala demais e não fala aquilo que realmente deve falar. começa no presidente ausente e acaba no vogal da mesa da assembleia magna.

financeiramente, não se sabe muito bem onde é que o clube vai buscar dinheiro. até se sabe, mas essa não é a forma correcta de gerir um clube. alienar passes de jogadores a fundos dúbios só fará com que o clube não ganhe nada com as transferências desses mesmos jogadores e posicione-se delicadamente na bancarrota caso não consiga chegar a uma liga dos campeões. logo, qualquer profissional da bola, por mais rico que seja, que abra um jornal desportivo e leia que o seu clube está em falência técnica e pode estar em risco de não pagar o seu salário, não terá a motivação necessária para enfrentar a sua profissão e ter bom rendimento.

no entanto, ninguém naquela direcção é capaz de controlar a loucura da imprensa desportiva nos maus momentos do clube e ninguém é capaz de fazer barulho quando o sporting é atacado de forma violenta, cobarde e vil.

desportivamente, as planificações de época do sporting são algo que ainda não se sabe muito bem como se fazem. Carlos Freitas foi contratado para dar aquele toque de midas que só ele consegue dar no futebol português. reforçou a equipa com excelentes profissionais. mas, a instabilidade directiva faz com que esses profissionais cheguem ao sporting e mostrem que desaprenderam a jogar futebol. no ponto de vista físico, acho inenarrável chegar a Outubro e reparar que maior parte do plantel do Sporting ou se encontra em má-forma ou se encontra lesionado. as lesões são outro facto inenarrável: o departamento médico do sporting é o departamento médico em Portugal que demora mais tempo a colocar de volta os jogadores na competição. exemplos disso: Fito Rinaudo. em março estava pronto para a competição mas só voltou em Setembro. Luis Aguiar foi-se embora sem qualquer jogo oficial. Alberto Rodriguez joga pela selecção mas deixou de jogar pelo clube. Matías passava mais tempo na enfermaria do que no relvado, mas em Firenze tem jogado todos os jogos. vá-se lá saber o porquê disto.

outro facto estranho que me transparece, é a capacidade que os sucessivos balneários do Sporting encontram de demitir treinadores. os jogadores fazem tudo para demitir o treinador que lhe não lhes convém. aconteceu com Peseiro, com Paulo Bento, com Paulo Sérgio, com Carvalhal, com Domingos e agora com Sá Pinto. será que não existe ninguém naquela direcção que chegue a um balneário e diga que os jogadores são pagos para jogar futebol e para ganhar títulos?

para finalizar.

o sporting vai ao dragão domingo. uma vitória puxará o clube para perto dos primeiros lugares e poderá devolver a confiança aos jogadores. o novo treinador (dizem as más línguas que é Co Adriaanse; outro conflituoso nas relações com os jogadores) estará em Alvalade na segunda e aproveitará a pausa no campeonato para jogos internacionais para poder trabalhar descansadamente com a equipa e incutir o seu modelo de jogo. uma derrota colocar-nos-à a 8 pontos do Benfica e do Porto, ou seja, no fio da navalha no que a liga portuguesa diz respeito. sinceramente, até tremo só de pensar na cabazada que o sporting vai apanhar domingo. se apanharam 3 do videoton, podemos sair do dragão com uns 7 no saco. espero que não não, mas…

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luisão apanhou 2 meses de suspensão

é justo. mas Sá Pinto em 1997 apanhou 1 ano por bater num seleccionador. coisitas da era Madaíl. eram tempos mais duros e difíceis. e era o sporting. e era sá pinto. e era um seleccionador nacional que estava afectado da mona há muito tempo.

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factos de perdedor

Desde que me lembre, ou melhor, desde que acompanho o Sporting regularmente (desde a saudosa época 1993\1994) que o Sporting é assim: sempre que os rivais ou um dos rivais perde pontos antecipadamente, o Sporting, indiferentemente do adversário contra quem joga nessa jornada, também acaba por os perder. Não sei se é uma malapata do clube e não tenho intenções de escrever aqui sobre a presença do oculto no futebol.

Hoje em Setúbal, essa malapata voltou a repetir-se.

Desde há 3 anos para cá que o fadinho se repete. Passam jogadores, treinadores e até presidentes. De Paulo Bento a Sá Pinto. Os maus resultados continuam.

Soares Franco era o presidente da tecnocracia. Por detrás de uma equipa via apenas os números. Desportivamente, Soares Franco pretendia uma equipa ambiciosa mas construída com negócios com pouco custo ou preferêncialmente a custo zero. Veio José Eduardo Bettencourt e o “paulo bento forever” rapidamente passou a pesadelo com Carlos Carvalhal e Paulo Sérgio. Eis que surge Godinho Lopes e o início (já) conturbado do seu mandato.

Voltemos a Setúbal.

Uma primeira falta que revelou falta de ambição. Mais uma vez. O Sporting entrou no jogo tosco do Setúbal. E para mal dos seus pecados viu os seus dois centrais a cometerem erros iniciais dignos de um jogador iniciado. Um deles levou a bola aos ferros de Rui Patrício, o outro deu golo.

Do meio campo constituído por Schaars, Elias e Izmaiov pouco se viu. O Russo ainda tentou puxar a equipa para a frente mas foi sempre desacompanhado. Na esquerda Insúa e Capel dialogaram bastantes vezes mas a jogada acabou ser a mesma: o defesa esquerdo a subir no flanco e a passar para o espanhol fazer o seu jogo rectilínio de linha e cruzamento para um Sebastian Rivas sozinho, indefeso e a bom da verdade pouco esforçado (aparte: quem é este Rivas?)

A perder, Sá Pinto incutiu mais ambição na sua equipa. O Sporting entrou melhor na 2ª parte perante um Setúbal que se fechou e que, perante o deixa jogar da arbitragem, distribuiu porrada até ao fim do jogo. Se a equipa não joga é porque não joga. Se tenta fazer algum jogo, vem a tal malapata.

75% de posse de bola amorfa, sem oportunidades. Mais um penalty falhado ( de falta inexistente) e desta feita, com uma recarga que Carrillo infantilmente desperdiçou. Duas bolas de relevo: uma por Rúbio de cabeça que saiu ao lado e outra de Insúa num livre indirecto que Ricardo Silva tirou na linha com um tanto de sorte.

De resto, foi um jogo de batalha (o jogo que o Setúbal queria) com o Sporting a jogar de forma tosca e demasiado previsível e a falhar as poucas oportunidades que teve durante a partida.

Nota final para a arbitragem: quem deixa uma equipa desesperada como o Setúbal fazer dos 90 minutos um autêntico campo de batalha deixa obviamente que se entre durinho aos lances. Os jogadores do Setúbal, apoiados pela falta de disciplina do árbitro agradeceram. O golo do Setúbal é limpo e bem assinalado, a grande penalidade sobre Rubio é inexistente. Existem dois lances fora-de-jogo muito perigosos que não foram assinalados ao ataque do Setúbal. Houve um excesso de simulações dos jogadores do Setúbal durante a partida que não foram sancionados, ao contrário do critério aplicado ao Sporting. Por sorte, esta arbitragem não teve influência no jogo, mas poderia ter tido.

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sá pintices

O boxeur que é treinador de futebol nas horas vagas já conseguiu tranquilizar as hostes leoninas.

O exemplo do jogo desta noite não quer dizer absolutamente nada para o fim de época mas já é um bom augúrio. O Sporting apareceu em campo mais pacificado com a mudança de treinador e com o empate de Varsóvia. Um estilo de jogo mais atacante contra um Paços que não costuma ser pera doce quando joga num terreno de um grande.

Boa exibição de Elias. André Santos também entrou bem no jogo e tentou novamente a longa distância. Schaars foi mais atrevido que o normal, aparecendo na zona de finalização variadíssimas vezes. Carriço não comprometeu. Van Wolfswinkel, em bom português é um perfeito anormal: domínios de bola não é com ele, denunciar penaltis e falhar golos certos é com ele. Não é apenas uma crise de confiança; é sim falta de qualidade.

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futeboladas

Começando pela Liga dos Campeões e pelos dois jogos de quarta-feira:

O Benfica foi à Rússia com a espinhosa missão de se bater contra o “fresco” Zenit de Luciano Spalletti.

Jorge Jesus sabia perfeitamente das dificuldades que iria encontrar na Rússia: a juntar à frescura física dos jogadores do Zenit, motivada por 2 meses de interregno, condições climatéricas muito pouco agradáveis, um estádio cheio de adeptos russos a puxar pela sua equipa e um estado de terreno completamente lastimável que faz repensar quanto à postura da UEFA na autorização de jogos de altíssima importância neste tipo de palcos.

Do Zenit as expectativas vinham de encontro a uma equipa que defende e ataca em bloco, um pouco à imagem do estilo de jogo desde sempre promovido por Spalletti, capaz de fechar cerebralmente na defesa e tornar-se impermeável perante perigos como Gaitán e Aimar. Na batalha russa, os jogadores do Benfica honraram o símbolo e até poderiam ter desencantado mais que o 2-3, que, apesar de ser uma derrota não deixa de ser um resultado óptimo para o jogo de lisboa daqui a 2 semanas.

Houve espaço e tempo para tudo: para bons golos, para golos esquisitos (o de Cardoso e o 3º do Zenit) e para um amarelo inconcebível para Aimar que com este amarelo ficará impossibilitado de dar o seu contributo na 2ª mão, pesar para Jorge Jesus que contaria com o 10 para abrir a defesa russa no Estádio da Luz.

Na 2ª mão, prevejo um Zenit a jogar em Lisboa na mesma tarimba do jogo que estes russos foram fazer ao Dragão na fase-de-grupos: a defender muito e bem, a cortar os espaços aos criativos do Benfica, a pedir o envio de bolas aéreas para a sua área onde os seus centrais (Hubocan; Bruno Alves; Lombaerts) são mestres e dão conta do serviço e a sair rapidamente em contra-golpe, onde aliás o Zenit tem dois excelentes motores: Semak e Lazovic.

Aimar não irá jogar e o seu lugar será ocupado por Witsel (se Jesus quiser avançar o belga para fazer de falso Aimar, ou seja, medir os tempos de jogo do ataque do benfica) ou por Gaitán, caso Jesus pretenda que o ala opte por utilizar a sua rápida incursão nas defesas adversárias com a sua velocidade e rasgo de 1 para 1.

Para finalizar, creio que o Benfica irá conseguir na 2ª mão um resultado que lhe permita seguir em frente na prova.

No outro jogo da noite, Wenger deverá ter saído de San Siro com a clara ideia de que “a vida no futebol é mesmo assim”.

Não foi propriamente um bad day at the office, porque Wenger sabia perfeitamente que os seus meninos iriam sucumbir perante a maior experiência dos milagres e perante o claro ascendente de forma do Milan, ainda para mais galvanizado por uma remontada caseira no terreno da temível Udinese no fim-de-semana.

Quando se metem meia dúzia de miúdos frescos nestas andanças ao pé de Seedorfs, Ibras, Boatengs Robinhos e companhia, o resultado é mais que previsível: ora o Sueco, ora o Brasileiro, “comeram de cebolada” a defesa dos gunners e facilmente chegaram à vantagem que lhes permite fazer gestão em Londres.

O primeiro golo de Boateng é um golaço. O Ganês volta em grande forma de lesão. Tem feito uma época brilhante a todos os níveis. No 2º, Sagna estendeu a passadeira a Ibra. Tudo fácil. No ataque, os gunners foram simplesmente inofensivos. Eliminatória resolvida.

Liga Europa:

O Sporting foi à polónia empatar em Varsóvia a 2 bolas. Sá Pinto pôs alguma ordem na casa e esperemos que este empate seja o início de um ciclo de paz dentro do clube. Exibição pobrezinha num terreno difícil que esteve mais para descambar em derrota do que em vitória. Curiosamente, os dois golos leoninos pertenceram a dois dispensados de Domingos que entraram na 2ª parte: Carriço e André Santos. O último fez um golo que jamais se esperava daqueles pés e que efectivamente dá muito jeito para a partida da 2ª mão. No entanto, com este Sporting é preciso sempre utilizar uma intensa dose do factor “cautela” visto que a coisa ainda não está resolvida.

Já o Porto fez um bom jogo contra o Manchester City. Um jogo que se pode dizer que apenas tenha pecado por algumas infantilidades defensivas como a de Maicon (deixou em linha o jogador do city) no lance do 2º golo da equipa de Mancini.
Na primeira parte, o Porto realizou um dos melhores 45 minutos da época. Com Hulk um pouco escondido entre os centrais do City, Lucho pôs ordem no meio campo e foi uma delícia ver o argentino a servir (com passes a rasgar com régua e esquadro) Varela e James nas alas. O golo de Varela é de facto um bom exemplo ilustrativo do bom futebol da primeira parte portista. Depois, imperou o poderio técnico e individual dos ingleses, a sua capacidade de sofrimento e sobretudo a sua capacidade física perante um meio campo portista esgotado.

Do Dragão também surgem notícias da eventual gravidade de uma lesão contraída por Danilo. 18 milhões a voar na enfermaria…

1-2 é um resultado que na minha opinião põe o Porto fora da Europa. Na conferência de imprensa, Vitor Pereira, obviamente, tentou afastar a hipótese de se atirar a toalha ao chão e afirmou que vê os seus jogadores a vencerem por 2-0 em Manchester. Para consumo interno e para aumento de moral dos atletas, é um discurso que qualquer treinador na situação de Vitor Pereira deverá ter. No entanto, na prática, as coisas não são bem assim… O Sporting que se cuide porque é o seguinte.

O Manchester United resolveu a questão no Amesterdam Arena frente ao Ajax. Sir. Alex Ferguson perdeu António Valência numa fase em que o Equatoriano andava (finalmente!!) a fazer boas exibições. No entanto, o resultado obtido supera a ausência de Valência nos próximos encontros. Ashley Young e Chicarito (depois de uma fenomenal jogada de Wayne Rooney) arrumaram com a questão…

Radamel Falcao. What else?

Outros resultados de relevo:

1. A vitória gorda do Metalist Kharkiv no terreno do Salzburg. Muito cuidado com esta equipa da Ucrânia.

2. A vitória fora do Valência no Brittania Row com um golão de Mehmet Topal. Ganhar ao stoke não é tarefa fácil, muito menos no Brittania Row… O Valência meteu o Stoke com um pé fora mas Pennant, Walters e Crouch irão querer ter uma palavra final no assunto no Mestalla.

3. A vitória do PSV Eindhoven em Trabzon contra o Trabzonspor por 1-2.

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tiros nos pés

Perdeu-se a “paciência” com o melhor treinador que o Sporting teve (irá ter?) nos últimos e nos próximos 5 anos…

A missão de Domingos Paciência não era propriamente fácil. Recuperar um clube dividido por desavenças eleitorais, afastado dos adeptos, com duas épocas vergonhosas em que tinha ficado fora do título em data precoce.

O Eng. Godinho Lopes prometeu Domingos. Contratou Domingos. Tentou criar uma estrutura organizada no futebol profissional para facilitar o trabalho de Domingos. Tentou arranjar verba para facilitar uma equipa nova a Domingos. Renascia alguma esperança no Sporting com todas estas movimentações.

Meia dúzia de resultados positivos pareciam ser o sintoma de que com “Domingos é que era” – depois começou-se a falar em títulos, começaram várias vozes a empolgar os feitos do Sporting, começaram a colocar a pressão no jogo da Luz, o Sporting perdeu e desde aí desmoronou-se tudo como um baralho de cartas.

Depois, começaram-se todos a lembrar que o Sporting (já a contar com Xandão e Ribas) tinha 15 caras novas no seu plantel. Os objectivos foram decrescendo, a paciência entre jogadores-treinador e direcção foi decrescendo e no início do ano, as derrotas marcaram a queda dos objectivos do sporting.

Para completar o ramalhete, Domingos não pode de maneira alguma fazer um bom trabalho quando dentro do seu plantel poucas vezes dispõs do plantel completo. No Sporting, Domingos teve que conviver com as lesões de Izmailov, Jeffren, Schaars, Rinaudo, Van Wolfwinkel e Rodriguez.

O Sporting em vez de manter uma linha comportamental coerente e de optar por uma postura do género “já que a época está perdida, ao menos mantemos  o treinador e alguns jogadores que renderam este ano e aperfeiçoamos lacunas na próxima época” acaba por despedir um treinador “sem objectivos expressos” em conquistar o título português, ou seja, para além de não existir uma linha que permita aos últimos treinadores do sporting pensar em resultados a longo prazo, afinal de contas existiam objectivos no título português. E se os haviam, terá que se dizer que se sonha muito alto para as bandas de alvalade.

O despedimento de Domingos só irá trazer duas conclusões que acho cada vez obvias: Domingos irá para o Porto ganhar títulos em breve e o Sporting irá renovar o ciclo dos últimos anos – despede treinador, continua com interino até ao final da época, vai buscar novo treinador, renova ambições acima das suas capacidades e lá para Fevereiro do próximo ano, cá estaremos para ver o próximo treinador a ser despedido.

A falar em Interino, a escolha recai sobre Sá Pinto. A bom da verdade, Sá Pinto não é treinador em lado algum. Sá Pinto daria um bom boxeur, um bom treinador de boxe, um bom wrestler. No entanto, Sá Pinto foi sempre um exemplo no que toca a profissionalismo, respeito pelo emblema do sporting, garra e ambição. Pode ser que transporte alguns desses valores para alguns jogadores do Sporting.

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quem é que manda afinal?

Fala o Eng. Godinho Lopes, Luis Duque, Carlos Freitas, Domingos Paciência, Stijn Schaars, Diego Capel, Oguchi Oneywu. Falam Carlos Xavier, Oceano, Eduardo Barroso, Rui Oliveira e Costa, Dias Ferreira, Pedro Venâncio, Filipe Soares Franco, José Eduardo Bettencourt, Dias da Cunha, Sousa Sintra, José Roquete, Santana Lopes, Paulo Bento, José Peseiro, Carlos Carvalhal, José Couceiro, Costinha, Sá Pinto e até o João Moutinho.

Os problemas do Sporting não se resumem a problemas organizacionais e estruturais motivados especificamente pela falta de organização que é crassa no clube na última década e pela falta de uma estrutura directiva coesa e que demonstre uma única liderança num cenário único, objectivo e ambicioso.

O problema do Sporting é que todos falam. Todos falam. Presidente, SAD, Treinador, Director-desportivo, jogadores, ex-jogadores, ex-treinadores, ex-presidentes, ex-dirigentes e até um médico (que até pode ser muito competente a pegar num bisturi) mas de bola nada percebe. E falam todos segundo moldes dispares: cada um fala por si. Por si e sem autorização.

Cabe ao Sporting combater este flagelo por três simples vias:

1. ou alguém se assume como líder na direcção – não como um líder falso que oscila imagens de túneis de entrada dos balneários entre o neonazismo puro e duro e o vangoghismo desnecessário.

2. Ou o cancro que mina o interior das sucessivas direcções é eliminado nem que seja com métodos violentos.

3. Ou a Comunicação Social (indiferentemente das multas estipuladas pelos regulamentos da Liga; se for necessário o Sporting paga dias e dias de multa) é impedida de entrar nos recintos propriedade do Sporting Clube de Portugal como o FC Porto já fez variadissimas vezes e consequentemente para de criar instabilidade nas equipas do mesmo e com isso obtém duros revezes nas vendas dos seus jornais.

Ambas as opções são válidas e deverão ser mais eficazes quando praticadas em conjunto.

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O último da Dinastia Roquette…


Adeus! Não voltes nunca mais!

Quando a 5 de Julho de 2009, José Eduardo Bettencourt venceu com 89% dos votos as eleições para a Presidência do Sporting, já se sabia que seria o último presidente da dinastia José Roquette.

As expectativas em torno de Bettencourt eram altas… Era um homem que conhecia todos os cantos da casa (colaborava com a SAD desde 2001), era considerado um grande amante da instituição do Sporting Clube de Portugal e pensava-se ser capaz de arrumar a casa depois do vendaval financeiro provocado por Filipe Soares Franco nas contas do clube, tornando-o capaz de continuar a diminuir o passivo e investir no futebol profissional, não só numa equipa competitiva como na reformulação de toda a estrutura organizacional do clube.

Contra, os cépticos do clube, trataram de afirmar que José Eduardo Bettencourt (administrador do Santander) era a escolha consensual dos interesses da banca no clube de Alvalade. Com o tempo, começamos a acreditar nestes mesmos cépticos.

Ao nível estrutural, Bettencourt prometia adoptar uma estrutura organizativa rígida que começava com a aprovação da remuneração de um salario para a sua posição. De cerca de 20 mil euros.

Ao nível do futebol profissional, os primeiros dias de Bettencourt no clube ficariam marcados com a expeculação da eventual saída de Paulo Bento do comando técnico leonino, ao qual o agora demissionário presidente haveria de proferir a célebre frase: “Paulo Bento forever!” – Paulo Bento não ficaria “forever”, sendo despedido antes do final do ano civil de 2009 graças a um extremo cansaço do treinador perante os jogadores, dos jogadores perante o treinador e do treinador perante a atitude da direcção da instituição.

Nos primeiros meses, Bettencourt preocupou-se em arrumar a casa ao  nível financeiro. Apuradas as contas exactas do Sporting, era mister para o presidente renegociar sucessivos planos de reestruturação financeira que permitissem ao Sporting apostar numa equipa competitiva, promessa que Bettencourt deixaria para a época 20092010 e para a actual época. Durante a sua presidência, Bettencourt haveria de investir 34 milhões em contratações no clube e haveria obviamente de ficar ligado à venda de João Moutinho ao rival Futebol Clube do Porto. “A Maçã Podre” – foi o que JEB intitulou o antigo capitão do Sporting, que actualmente dá cartas no rival. Durante o mandato de Bettencourt, o valor do passivo aumentaria e o valor do activo Sportinguista diminuiria. Para muito ainda contribuiram as vendas de Ronaldo do Manchester para o Real Madrid e as vendas de Veloso e Moutinho.

Com Bento fora do barco, Bettencourt haveria de cometer outro erro crasso aquando da escolha do novo treinador. Apesar de Carvalhal ser uma solução até ao final da época, Bettencourt e a sua direcção errou logo de início em nem sequer apresentar publicamente o novo treinador. Carvalhal seria apresentado pelo site do Sporting e iniciaria um longo calvário de 7 meses num plantel completamente destroçado pelo cansaço da era Bento. Até ao último dia, a direcção de Bettencourt não haveria de propor a renovação ao técnico, optando por contratar Paulo Sérgio para o comando técnico na época 20102011. Com a vinda de Paulo Sérgio, vinham mais promessas de investimento no futebol profissional. Promessas que foram goradas por JEB, que continuava mais interessado em anunciar sucessivas reestruturações financeiras quando os adeptos do Sporting queriam era ver vitórias, coisa rara no Sporting de Bettencourt.

A falsa promessa de uma estrutura organizativa sólida que permitisse dar algum descanso ao clube, caía lentamente por terra com o passar do mandado de JEB. Primeiro, o caso Sá Pinto vs Liedson que motivaria a saída do antigo internacional do cargo de director desportivo e a entrada de Costinha para o respectivo cargo. Depois, a mudança de treinador, a venda de Moutinho, o diferendo entre Costinha e Izmailov e a contratação recente de José Couceiro para um cargo que ninguém sabe muito bem o que representa e que competências lhe são dadas pela organização.

A certo tempo falou-se que Bettencourt queria instalar uma estrutura organizativa no Sporting parecida a um modelo que tantos resultados dá no FC Porto. Na realidade, com Bettencourt, o Sporting passou a ser uma casa a arder…

A nível desportivo, este ano e meio do mandato de Bettencourt foi sem dúvida uma das páginas mais negativas da história do Sporting Clube de Portugal. Salvo excepções, confirmadas com a vitória do Futsal no campeonato nacional da modalidade e a vitória na Taça Challenge da equipa de Andebol.

No futebol profissional, se Paulo Bento e Soares Franco iam conseguindo levar o clube à Liga dos Campeões durante alguns anos seguidos, com o início do mandato de Bettencourt, o Sporting começou a ser um clube com uma falta de ambição tremenda. A nível nacional, o Sporting passou a ser uma equipa com um orçamento monstruoso a lutar pelo parco objectivo da 3ª posição com o Braga. A nível internacional, foi-se a Champions e veio a Liga Europa, onde nem assim, o Sporting parece ter aspirações a ir longe.

Por estes motivos, a derrota de ontem abalou com Bettencourt. Creio que este já deveria estar a preparar a demissão para breve. Pela primeira vez, JEB foi humilde e admitiu que fracassou enquanto presidente. Por isso, foi ontem à sala de imprensa apresentar a sua demissão, deixando vaga para que outro possa fazer melhor. Cabe então agora a Dias Ferreira (presidente da AG) que marque eleições antecipadas ou que opte por tentar gerar um presidente “co-optativo”, modalidade presidencial prevista nos estatutos da instituição.

JEB saiu. Creio que o Sporting não precisa de outro JEB. O Sporting não precisa de um presidente que se olhe às contas e que não tenha ambição em ganhar, custe o preço que custar. Aliás, está economicamente provado que os clubes que investem em boas equipas acabam por ter retorno desse investimento, caso contratem bons jogadores, capazes de vencer e dar espectáculo – chamando assim pessoas ao clube. Com JEB, o Sportinguismo tornou-se descrente. JEB afastava a cada jogo mais sportinguistas do estádio e das deslocações fora.

O Sporting precisa sobretudo de um presidente populista que possa não só mobilizar o povo de volta ao clube como trabalhador na construção de uma efectiva máquina organizativa interna e na construção de um futebol profissional estável. Talvez esta minha ideia seja uma tremenda utopia nos tempos que correm… Bem sei que nos próximos dias deverão aparecer meia dúzia de candidatos a prometer mundos e fundos que o clube não pode pagar caso sejam eleitos pelos sócios.

É triste a realidade deste clube. No entanto, a demissão de José Eduardo Bettencourt já foi um passo importante para a mudança.

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