Tag Archives: RupturaFER

diz-se que é o interesse do partido

Esta decisão de Louçã abandonar o comando do Bloco de Esquerda em prol de uma liderança bipartida e feminista não deixa de ser caricata.

Como se sabe, um dos motivos que levou a Ruptura\FER de Gil Garcia (e do meu amigo, amigom, estás a ler a amigo?) Manuel Afonso, a, primeiro insurgir-se contra a hegemonia do PSR nas Convenções do Bloco, foi precisamente a utilização do argumento que o Bloco estava viciado para que Louçã se mantivesse ancorado ao poder, fruto da união entre as 3 maiores facções do mesmo: PSR, Política XXI e UDP.

A FER abandonou a Mesa Nacional do Bloco e transformou-se em partido: o MAS. Os Bloquistas do triunvirato Louça, Fazenda, Drago e do vice-rei conimbricense José Manuel Pureza, em certa medida, agradeceu o abandono. Gil Garcia, o homem da arrentela e os seus manifestantezinhos profissionais estavam a tornar-se incómodos, visto que todas as tomadas de posição do partido estavam a esbarrar com as suas posições radicais (sim, ainda mais radicais!). E meses depois do acontecimento, Louçã decide sair e decide propor a liderança do partido a dois militantes do Porto, utilizando uma ideia lançada uma vez na Convenção pelo falecido Miguel Portas.

Louça, na nota que disponibilizou via facebook aos militantes do partido afirma que “O argumento de que esta hipótese é de meios líderes é uma tentativa fracassada de os vulnerabilizar. Esta solução ganhou consenso e ganha força. Tenho muita confiança nesta solução. A decisão não compete ao núcleo de direcção, podem surgir outras opções…” – ou será que Louça, sabendo que o partido está a perder força devido ao seu bipolarismo (um excelente economista, um péssimo político) saberá que a melhor decisão para manter a coesão do partido não passa só por abandonar a sua liderança como entregá-la a quem poderá satisfazer todos os interesses nele presentes e assim apaziguar as tensões de conflito que podem surgir entre as facções na próxima Convenção?

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Mas

O pessoal do Bloco, dissentes, ex-dissidentes, activistas profissionais, militantes, escroques ou simplesmente neo-bakuninistas ainda não me esclareceram a seguinte questão:

Zeus me livre se algum dia o PCP terá que aproximar-se daquela escumalha do Bloco de Esquerda. Eu abro o meu jogo – eu sou militante do PCP. Antes de me filiar no partido, medi bem a ideologia que defendo. No Bloco de Esquerda tal não acontece. Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa, existem várias ideologias rotativas ou se o mesmo é desprovido de qualquer ideologia que não seja criticar para destruir sem que no entanto se tenha algo para construir a mais do que temas fracturantes da sociedade.
Um partido, que de facto é actualmente o mais velho em actividade desta nação não pode dar o passo em frente para a união com um partido que é composto por 4 frentes (PSR, UDP, RupturaFER e Política XXI) em que todas essas 4 frentes estão unidas num partido único, embora, com a ressalva dessas 4 frentes terem choques ideológicos graves (o exemplo da FER em relação à UDP chega a ser drástico).

Eu bem vejo os militantes do Bloco de Esquerda que conheço. O Bloco de Esquerda, assumidamente Marxista e Trotskista é um partido que cativa uma massa de apoiantes que não sabem o que é Marx, que não sabem a preponderância que Marx teve para a Economia Política e que jamais leram os pressupostos ideológicos em que assenta o próprio partido. Isso é grave. Filiam-se apenas na ideia que o partido transparece cá para fora: “a gente está aqui para fazer barulho” – e nada mais que isso.”

Quid Iuris?

MAS?

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E novidades?

No Bloco de Esquerda é caso para dizer “está tudo fodido”

Esta notícia remete-me obrigatoriamente para vários posts onde tracei este destino ao partido, numa altura em pairava no ar uma coligação do Bloco com o PCP para as eleições legislativas – aqui.

Neste post transcrevia um comentário que tinha deixado no Aspirina B por esses dias. Volto a transcrever:

Zeus me livre se algum dia o PCP terá que aproximar-se daquela escumalha do Bloco de Esquerda. Eu abro o meu jogo – eu sou militante do PCP. Antes de me filiar no partido, medi bem a ideologia que defendo. No Bloco de Esquerda tal não acontece. Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa, existem várias ideologias rotativas ou se o mesmo é desprovido de qualquer ideologia que não seja criticar para destruir sem que no entanto se tenha algo para construir a mais do que temas fracturantes da sociedade.
Um partido, que de facto é actualmente o mais velho em actividade desta nação não pode dar o passo em frente para a união com um partido que é composto por 4 frentes (PSR, UDP, RupturaFER e Política XXI) em que todas essas 4 frentes estão unidas num partido único, embora, com a ressalva dessas 4 frentes terem choques ideológicos graves (o exemplo da FER em relação à UDP chega a ser drástico).

Eu bem vejo os militantes do Bloco de Esquerda que conheço. O Bloco de Esquerda, assumidamente Marxista e Trotskista é um partido que cativa uma massa de apoiantes que não sabem o que é Marx, que não sabem a preponderância que Marx teve para a Economia Política e que jamais leram os pressupostos ideológicos em que assenta o próprio partido. Isso é grave. Filiam-se apenas na ideia que o partido transparece cá para fora: “a gente está aqui para fazer barulho” – e nada mais que isso.”

Continuo a defender as minhas palavras.

Esta “ruptura” não é algo que me espante! O Bloco de Esquerda, como desaguar de um conjunto de partidos, tornou-se um partido estranho: subiu, subiu, subiu até que rebentou. Não rebentou por causa dos resultados eleitorais obtidos nas últimas legislativas nem pelas políticas que defende mas sim pelo arrastar de problemas internos motivados pela clara supremacia de um dos partidos filiados e do autismo instalado pelos seus líderes. O caso “Rui Tavares” foi obviamente a ponta de um iceberg que há muito estava a estalar.

A atitude da Ruptura\Fer também não me espanta. Para quem conhece a Ruptura\FER saberá perfeitamente que a política do contra e a política do extremo são duas virtudes que lhes assistem. São contra tudo: são contra o governo, são contra o capitalismo, são contra trabalhar, são contra a estupidez, são contra eles próprios e contra as suas próprias sombras se for preciso.

Já agora deixo um P.S: Manel Afonso a presidente da república caralho!

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Aliança à vista? Jamais…

Notícias dão conta de uma possível abertura do PCP e do Bloco de Esquerda para uma convergência política alternativa de esquerda.

Espero que o PCP não embarque nestas quimeras. Pelo pedaço de história que lhe cabe nos últimos 90 anos do país e pela ideologia bem vincada que sempre defendeu, espero que tal não se venha a realizar. O PCP não deve andar a reboque de ninguém. Muito menos de partidos muito pouco esclarecidos ao nível de ideologia interna e cheios de divergências entre os seus principais rostos.

Não menosprezando a influência que o BE tem actualmente no panorama político português (influência maior que o PCP na Assembleia da República, já tinha afirmado aqui sobre esta possibilidade, passando a transcrever: “Não nos cabe a nós recolher alguém em nossa casa que não perfilha totalmente do nosso pensamento e que dentro do próprio partido não se sabe bem que ideologia defende, ou, se defende várias. Pelo menos é a realidade que o Bloco nos transparece. Nesta minha crítica, não desejo qualquer mal ao Bloco. Não desgosto das políticas desejadas pela UDP e pelo Política XXI – pelo contrário, até as prezo. No entanto, não defendo uma junção com o PSR e com a RupturaFER” – continuo a manter este argumento. Com a RupturaFER (vais-me desculpar Manuel Afonso) jamais será viável concertar esforços no mesmo barco.

Para reforçar este argumento, transcrevo um comentário publicado aqui no Aspirina B: “O Sr. deputado Carlos Brito não sabe do que fala. Vive no mundo do sonho, no mundo da ilusão.

Zeus me livre se algum dia o PCP terá que aproximar-se daquela escumalha do Bloco de Esquerda. Eu abro o meu jogo – eu sou militante do PCP. Antes de me filiar no partido, medi bem a ideologia que defendo. No Bloco de Esquerda tal não acontece. Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa, existem várias ideologias rotativas ou se o mesmo é desprovido de qualquer ideologia que não seja criticar para destruir sem que no entanto se tenha algo para construir a mais do que temas fracturantes da sociedade.
Um partido, que de facto é actualmente o mais velho em actividade desta nação não pode dar o passo em frente para a união com um partido que é composto por 4 frentes (PSR, UDP, RupturaFER e Política XXI) em que todas essas 4 frentes estão unidas num partido único, embora, com a ressalva dessas 4 frentes terem choques ideológicos graves (o exemplo da FER em relação à UDP chega a ser drástico).

Eu bem vejo os militantes do Bloco de Esquerda que conheço. O Bloco de Esquerda, assumidamente Marxista e Trotskista é um partido que cativa uma massa de apoiantes que não sabem o que é Marx, que não sabem a preponderância que Marx teve para a Economia Política e que jamais leram os pressupostos ideológicos em que assenta o próprio partido. Isso é grave. Filiam-se apenas na ideia que o partido transparece cá para fora: “a gente está aqui para fazer barulho” – e nada mais que isso.

Por isso, tal desejo desse Sr. deputado é irreal. É completamente irreal. Ainda mais quando o próprio líder desse partido é um economista interessante mas um fraco político – característica que na minha opinião o torna um pouco bipolar.

Disse.”

Perdoem-me os meus amigos militantes do Bloco de Esquerda. É aquilo que penso. Não retiro uma única linha deste discurso. Sei bem que é perigoso generalizar. Sei bem que alguns militantes do Bloco de Esquerda irão ler este post e irão acusar-me de falta de conhecimento do funcionamento interno do partido para tentar criticar o meu argumento. É um ponto de vista legítimo assim como é legítima a minha visão de fora do partido, que decerto não destoa em relação aquilo que grande parte dos meus camaradas pensam dos mecanismos de funcionamento do Bloco.


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A 2ª vida de Sócrates

Re-eleito na secretaria-geral do Partido Socialista com um resultado histórico de 93,3% dos votos, perante uma oposição interna desconhecida e insignificante.

Com o cenário de demissão do Primeiro-Ministro e recandidatura assumida, Passos Coelho começou com os seus “lapsos ideológicos” quando apresentou as suas ideias para alterar o estado do país. Subir os impostos (IVA) e apostar num aumento de privatizações das empresas públicas (em especial a CGD) não é um cenário apetecível aos olhos dos Portugueses.

A última sondagem realizada dava 46% das intenções de voto ao PSD. Com os sucessivos anúncios dados pelo líder do PSD nas entrevistas que deu aos órgãos de comunicação social, a percentagem deverá descer, complicando a maioria absoluta para o PSD que desde já sabemos que depende do CDS-PP. Cabe portanto a Portas e seus pares resolver a questão. Perante as medidas populistas que o CDS-PP sempre nos brindou, não creio que os democratas-cristãos estejam disponíveis a embarcar nestas quimeras. Nesse aspecto, Portas sempre afirmou que o seu partido não funciona a reboque do PSD – no entanto, a sede de poder de Portas é mais que visível desde a re-eleição de Cavaco Silva.

Num momento em que o Presidente da República se prepara efectivamente para usar dos seus poderes e competências constitucionais para dissolver a Assembleia da República nos próximos dias, os dados estão lançados para as eleições. De um lado, está um Partido Socialista apoiado no seu líder, interessado em vencer as eleições para dar a legitimidade às políticas de Sócrates que a Assembleia negou efeito com o chumbo do PEC 4. De outro lado, o líder do PSD também não parece apresentar propostas viáveis para um futuro risonho do país e espera governar com maioria absoluta se o CDS-PP se coligar.

Resta-nos a esquerda. Há quem deseje dentro do Bloco de Esquerda uma aproximação ao PCP numa alternativa de esquerda unida. Há quem deseje dentro do Bloco uma aproximação ao PCP e ao Socialista, numa alternativa de esquerda única. Tais cenários não são partilhados como viáveis pelos camaradas do PCP. Também partilho dessa opinião. O PCP jamais se deverá coligar com qualquer outro partido. As divergências ideológicas entre o PCP e o Bloco de Esquerda são óbvias. Não nos cabe a nós recolher alguém em nossa casa que não perfilha totalmente do nosso pensamento e que dentro do próprio partido não se sabe bem que ideologia defende, ou, se defende várias. Pelo menos é a realidade que o Bloco nos transparece. Nesta minha crítica, não desejo qualquer mal ao Bloco. Não desgosto das políticas desejadas pela UDP e pelo Política XXI – pelo contrário, até as prezo. No entanto, não defendo uma junção com o PSR e com a RupturaFER – jamais haveria consenso, assim como jamais haveria consenso numa união ao Partido Socialista.

Sócrates ganhou ontem uma 2ª vida. Vamos ver até quando ela dura. As próximas eleições irão determinar o seu futuro neste país. Caso o cenário menos provável vinge (a re-eleição de Sócrates) o futuro será ainda mais catastrófico para este país. Caso o país decida entrar pelas loucuras do líder dos sociais-democratas, resta-nos meter as mãos à cabeça e “ter fé em Zeus” porque a coisa pode descambar para níveis de insanidade nunca antes vistos.

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