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Honrar os vivos (e já agora os mortos)

Messi é um jogador fantástico. Leva a bola nos pés como se tivesse manteiga. Dribla como ninguém. É esguio, é rápido, é letal a finalizar. Em quase todos os jogos, leva equipas inteiras à frente e finaliza fintando o guarda-redes. Messi é aquele jogador que executa tão rapidamente que assume o seu jogo na base do risco. Basta um pedaço de terreno e Messi faz Magia. Até quando temos a noção que o defesa vai ser mais lesto a desarmá-lo ou a fazer falta, Messi surpreende com um toque mágico de ouro. É disciplinado e não treme perante a pressão. Já ganhou a Liga Espanhola, a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia e o Campeonato do Mundo de Clubes.

No entanto, Messi ainda não conseguiu aquilo que o pode comparar a El Pibe: ser campeão do mundo pela Argentina e chegar (como El Diez chegou) a uma cidade do Sul de Itália como Napoles, cujo clube clube estava na altura na 2ª divisão italiana e contrariar todos os arranjinhos que a Federação Italiana de Futebol fazia até então para que o dono do scudetto oscilasse entre Milão, Roma e Turim.

Costumo dizer que quando Messi chegar à categoria de um clube como a Cremonese ou o Macclesfield Town e levar essa equipa ao título máximo dos respectivos países, aí sim, Messi será para mim iconizado como o melhor jogador da história do futebol.

Não quero com isto tirar brilho aquele que para mim é o melhor jogador da actualidade. Não é aquele que mais gosto. Pelo meu gosto, adoro um Zlatan Ibrahimovic que finaliza constantemente em força, um Ronaldo que é esquivo, um Luka Modric que pensa todo o jogo de ataque de uma equipa e um Gareth Bale locomotiva. Entre outros…

Deixo-me de blá blá blá e passo de seguida aquilo que me motivou a escrever este post.

Nunca fui um fã do Barcelona. Fui sempre daqueles que simpatizei com a equipa consoante os craques que ia contratando. Nas eras Robson\Cruyff\Van Gaal gostava do Ronaldo (quando ainda era magro) do Couto, do Figo, do Baía, do Nadal e do De La Peña. No final da era Van Gaal e na estadia do Carles Rexach, adorava a manada de Holandeses que o clube tinha, com especial destaque para o Philip Cocu, um dos médios mais inteligentes que vi jogar na minha infância\adolescência. Também admirava o Cavalo Manco. Para leigos, era o nome pelo qual o Rivaldo era tratado carinhosamente pelos seus colegas da selecção Brasileira. O Cavalo Manco era elegante no passe, finalizava luxuosamente à entrada da área e fazendo jus ao ditado popular “cada tiro cada melro” podia-se traduzir que era “cada tiro, cada golo” de livre. Sempre ao canto num estilo de pés inconfundível.

Depois veio a era Rijkaard e a simplificação do modelo implantado 15 anos antes no clube pelo mítico Rinus Michells. A cantera começou a fornecer talentos e o Barça começou (pela necessidade de assimilação da unificada táctica de jogo da equipa) a capturar talentos a olho: Ronaldinho Gaúcho, Deco, Eric Abidal, Daniel Alves, Samuel Eto´o, David Villa, etc Todos eles já tiveram o seu tempo de “partir tudo” na Catalunha.

A estética bonita do futebol do Barcelona (diria eu à passagem dos anos 2006, 2007 e 2008) começou a soar-me como coisa feia nos dias que correm. Costumo dizer que quando o Barça joga, vou tirar uma soneca, tal é o grau de sono que aquele modelo de contenção de bola meu causa.

Fora-de-campo, o Barça é um clube com uma gestão de doidos e com um objectivo expresso.

A gestão do Barça oscila entre a captação de recursos e o esbanjamento puro e duro. É uma máquina de fazer dinheiro mas também é uma máquina de o gastar. Nou Camp chega a ter uma política em que os lugares lá de cima são comprados por várias pessoas na espécie de bilhete anual, cabendo aos primeiros milhares a chegar ao estádio a possibilidade de ver os jogos. Interrogados por mim, catalães disseram que não se importam de dar 1000 euros por um bilhete anual onde sabem que se chegarem atrasados vão ver a bola ao café no centro comercial. Querem sim é dar dinheiro ao clube porque o clube representa toda uma cidade, toda uma região e todo um sentimento separatista a Madrid. Dizem que se ultrapassaram o tempo do franquismo enquanto clube (os adeptos do Barça eram proíbidos de levar bandeiras e tarjas alusivas à equipa para Nou Camp) tem orgulho em mostrar a Madrid que são os mais fortes em território espanhol. Subliminarmente, até o próprio futebol catalão mostra uma ideia separatista ao criar aquela coisa estranha a que chamam Selecção da Catalunha.

O presidente do Barcelona Sandro Rosell, ligeiramente antes das eleições para o clube e ainda na pele de vice-presidente para a área financeira afirmou no final da época passada que o Barcelona não possuía um euro de capital próprio nas suas contas, estando para tal dependente do empréstimo de bancos. Rosell, banqueiro, sabe perfeitamente que existem poucos bancos no mundo que neguem um empréstimo a um dos mais endividados clubes mundiais. O Barcelona clube optou então que uma das soluções para enfrentar a austeridade seria fechar modalidades, o que acabou por não acontecer. A austeridade de Rosell era tanta que no defeso, o Barça não se importou de gastar 75 milhões de euros em 2 reforços: Cesc e Aléxis. Curioso.

Outro dado que já me fez escrever uma vez aqui no blog é o carácter exemplar do dirigismo barcelonista quanto ao patrocínio da UNICEF. Mais uma vez pego em Rosell. Em 2007 Rosell afirmava em tempos de vacas gordas que o Barça pagava o que fosse preciso para que a UNICEF tivesse um patrocínio na frente da camisola do clube. Anos passaram e a UNICEF passou para o dorso da camisola e deu lugar à Qatar Foundation a troco de 30 milhões\ano. A hipócrisia sem limites.

O separatismo Catalão é uma coisa dura como bem sabemos. O ódio a Madrid é visceral. No Barcelona, todos os produtos da cantera são dados como deuses porque lhes corre sangue catalão nas veias. Maradona vinha rotulado de Deus mas acabou por ser rapidamente chutado para Itália. Diziam eles que fazia um jogo genial por cada 5 maus. Maradona justificou-se que o tratamento que lhe davam em Barcelona era bastante inferior a paupérrimos colegas que saiam da cantera. Rivaldo, Cruyjff, Figo (antes de trocar para Madrid) Kubala, Ronaldinho e Messi são das raras excepções entre os estrangeiros que actuaram em Barcelona e que conseguiram ter um estatuto superior a qualquer jogador catalão. Se bem que Messi partilha o mesmo estatuto com Xavi, Iniesta, Piqué e Puyol. Figo partilhava-o com Guardiola e De La Peña.

É fantástico comparar este dado separatismo com o separatismo Basco. O Athletic de Bilbao tem como obrigatoriedade nos seus estatutos alinhar todos os jogos com jogadores nascidos no País Basco: tanto no do lado espanhol (inclui jogadores nascidos em Navarra, caso de Urzaiz) como do lado francês de onde já veio Bixente Lizarazu, antigo internacional Francês.  O Athletic Bilbao é inegavelmente uma das maiores escolas de formação do mundo. De Bilbao já saíram para o mundo jogaores como Rafael Alkorta, Belauste, Joseba Exteberria, Goikotxea, Ismael Urzaiz, Julen Guerrero, José Angel Iribar, Javier Irureta, Aitor Karanka, Andoni Zubizarreta, Uriarte e Júlio Salinas. Meia selecção espanhola dos últimos 2o anos portanto. Actualmente tem outros: Markel Susaeta, Iraola, Oscar de Marcos, Iker Muniain, Joseba Llorente, Javi Martinez. O Athletic de Bilbao tem uma gestão perfeita: só gasta aquilo que pode, tudo em ordenados pois raramente contrata um jogador e quando o contrata, contrata a clubes pequenos da periferia como o Deportivo Alavés, Baskonia, San Fermín ou a clubes fortes da região como o Osasuna ou Real Sociedad. O Athletic de Bilbao não tem 1\7 do potencial financeiro que ostenta o Barcelona e faz história (muita história) com aquilo que produz internamente.

Já o Barça gaba os títulos aos seus catalães de meia tigela e vence-os com os estrangeiros que compra a potes. Messi é só mais um exemplo.

Para finalizar, é bom ver como um clube adultera a sua própria história. Cliquem aqui.

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Cromos da bola #4

Ivan Zamorano foi aquele craque que nunca atingiu o estatuto de vedeta.

O incrível Chileno, tem um périplo pelo futebol mundial que dava um grande livro. Nem que seja pelo facto de narrar a história de um jogador idolatrado no seu país natal que passou por grandes clubes, marcou muitos golos, nunca foi a verdadeira vedeta das equipas que passou, mas, que, ajudou definitivamente a sedimentar o futebol chileno, o bom futebol chileno.

“El  Bam Bam” actuou a alto nível durante 24 temporadas em clubes como o modesto Cobresal (onde se iria estrear aos 16 anos) Tresandino (saíndo para a Europa sem nunca ter actuado num grande do Chile) St. Gallen (a sua primeira experiência na Europa seria num modesto clube da Suiça por empréstimo do Bolonha, clube onde nunca viria a actuar) Sevilla, Real Madrid, Inter, América e por fim, finalizando carreira no Colo-Colo em 2007. Pelo meio, 69 internacionalizações pelo Chile, como expoente máximo realizado na campanha do Chile para o campeonato do mundo de 2008, e 34 golos marcados ao serviço dessa mesma selecção. Na selecção, efectuou uma das melhores duplas de atacantes da América do Sul com o seu grande amigo Marcelo Salas. Na Selecção também teve a honra de jogar os jogos olímpicos de 2000 em Sydney onde ajudou o Chile a ganhar a medalha de bronze.

Se ao serviço do Real Madrid se destacou mas nunca agarrou lugar, foi ao serviço do Inter que Zamorano atingiu o seu auge como futebolista. Tanto, que em 1997, com a transferência de Ronaldo do Barcelona para o clube milanês, Zamorano que era destacadamente o nº9 da equipa, pediu autorização ao clube e à Federação Italiana para usar o número 18 com um mais pelo meio, pedido autorizado a muito custo, para a soma dar um 9 já que a camisola 9 foi entregue (e muito bem) ao Fenómeno. Para quem acompanha como eu o futebol italiano da altura, com todas as transferências astronómicas que estavam a acontecer no momento (Inter e Lázio juntos tiveram épocas em juntos gastaram cerca de 500 milhões de euros em contratações) e com a mudança estranha da camisola de Zamorano com o mais entre o 1 e o 8, pensava-se, que aquela era fazia uma ruptura entre o futebol antigo e o futebol moderno. Sou daqueles que tem opinião que aqueles anos romperam com os tempos, não por tais acontecimentos, mas a partir do momento em que o Bétis perdeu a cabeça e contratou Denilson ao São Paulo por cerca de 32 milhões de dólares (na altura algo como 30 milhões de euros), maior transferência de um jogador até então.

Os números de carreira de Zamorano não mentem. Era um avançado muito lutador, bom de bola e goleador. A sua garra e entrega ao jogo criou números de carreira que não mentem: em 681 jogos como profissional marcou 334 golos. A época em que foi mais bem sucedido foi sem dúvida a do Real Madrid, onde em 137 jogos marcou 77 tentos.

Foi o melhor marcador do Chile em 1987 ao serviço do Cobresal com 21 golos em 43 partidas, no compto geral entre Taça e Campeonato. Foi o melhor marcador na Suiça ao serviço do St Gallen na época 1989\1990 com 26 golos em 36 jogos. Foi por duas vezes o melhor marcador em Espanha (compto geral entre Taça e campeonato) pelo Real Madrid, nas épocas 1992\1993 (37 golos em 45 jogos) e 1994\1995 (31 golos em 46 jogos) sendo esta última época a única em que se sagrou Pichichi em terras espanholas.

Ao nível de títulos, Zamorano não foi um daqueles jogadores que passou ao lado: venceu a Taça do Chile em 1987 pelo Cobresal (clube que militava na altura na 2ª divisão), pelo Real Madrid ganhou uma Taça do Rei, 1 Liga e 1 Supertaça, ganhou a UEFA pelo Inter em 1998, ganhou um campeonato do méxico pelo América em 2002, para além da medalha de bronze olímpica.

Para finalizar, Ivan Zamorano é padrinho de baptismo de Diego Rúbio, jovem jogador do Sporting.

 

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Despedida do Fenómeno

Neymar ainda tentou que o Fenómeno marcasse na sua despedida dos relvados pela Canarinha, mas Ronaldo acabaria por falhar 3 claras chances de golo durante os 15 minutos que esteve em campo.

Foi a despedida de um dos melhores de sempre da história do futebol.

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O adeus do fenómeno

O fenómeno diz hoje adeus aos relvados.

O jogador do Corinthians afirma que já não se sente em forma para continuar: “Não aguento mais. Eu queria continuar, mas não consigo. Penso uma jogada, mas não executo como quero. Tá na hora. Mas foi lindo pra caramba…”

É o fim de um jogador que revolucionou (para sempre o futebol).

Ronaldo Luiz Nazário de Lima, abandona o futebol aos 34 anos após ter jogado em clubes como o São Cristóvão, Cruzeiro, PSV Eindhoven, Barcelona, Inter, Real Madrid, Inter e Corinthians.

Em toda a sua carreira 477 jogos pelos clubes onde passou, marcando 335 golos. Só não alinhou mais jogos graças à grave lesão no joelho que o acompanhou a partir da 1ª temporada no Inter de Milão.
Pela Selecção Brasileira, Ronaldo efectou 97 jogos, marcando 62 golos.

Ganhou o prémio de melhor jogador do mundo da FIFA por 3 vezes (1997, 1998 e 2002), venceu a Liga dos Campeões e a Liga Espanhola por uma vez (no Real Madrid) a extinta Taça das Taças e a Taça do Rei pelo Barcelona, a Taça Uefa pelo Inter e o campeonato do mundo de selecções pela Selecção Brasileira em 2002, depois de ter sido finalista derrotado em 1998.

Para finalizar, três vídeos que marcam a extrema importância do astro brasileiro para o futebol:

O mítico ano de afirmação no Barcelona. O golo mítico contra o Celta de Vigo.


Um vídeo de tributo à sua magia.


“Sou Ronaldo” – A famosa música do rapper Marcelo D2

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