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Pura falta de coerência no discurso

(A azul, os meus sublinhados e comentários)

Da entrevista de Miguel Portugal ao Jornal A Cabra no que toca aos resultados da luta estudantil preconizada pelos estudantes a 17 de Novembro de 2010 em Lisboa.

(Aqui, a 2ª parte desta entrevista)

A Assembleia da República modificou o decreto-lei 702010, mas não se vêem resultados visíveis dessa modificação. A grande vitória histórica de Miguel Portugal já semeou a desistência de 600 colegas nossos, mas segundo a óptica do antigo presidente da Direcção-Geral foi uma grande vitória. 600 c0legas nossos hipotecaram por mais 1 ano o seu sucesso escolar, mas Miguel Portugal considera que foi uma grande vitória.

Grande vitória seria a revogação do decreto-lei 702010, deliberação de Magna que a DG de Miguel Portugal e a actual Direcção-Geral de Eduardo Melo se propuseram a cumprir. A revogação, não a modificação.

Grande vitória seria se todos os estudantes carenciados da UC tivessem direito por lei a uma bolsa condigna para continuar os seus estudos, não as migalhas que até agora tem sido distribuídas pelos Serviços de Acção Social. Pior que esse facto é a imposição de devolução das bolsas provisórias que os referidos Serviços estão a fazer aos alunos que têm visto os seus processos de atribuição indiferidos.

Outra pergunta que me ressalta desta entrevista é esta: ” Porque é que as constantes direcções gerais têm a tendência por optar por acções simbólicas e pela via do diálogo? Há uma dificuldade em admitir que algo está mal e que têm que lutar contra o governo?”

– Claro que não faz sentido. Para os dirigentes da Direcção-Geral nunca faz sentido ir contra “aqueles que um dia serão nossos colegas no Parlamento ou nossos superiores numa empresa ou num Ministério” – O que não faz sentido é ter dirigentes associativos que estão a pensar naquilo que podem ser no futuro através das portas que a AAC lhes abre em vez de pensar que existem colegas que precisam que os seus direitos sejam defendidos a partir da luta estudantil externa. Na minha opinião, as acções simbólicas não são mais que o convite claro aos governantes para que nos tirem mais direitos.

” Que comentário fazes quando se diz que as academias não querem fazer manifestações porque têm estudantes ligados a juventudes o que pode comprometer o seu futuro dentro de partidos?” – outra pergunta pertinente à qual Miguel Portugal torneou a questão da maneira que mais lhe interessou…

“Achas que ainda e possivel alterar o RJIES? Será claramente complicado. Não nos podemos esquecer que o RJIES veio de uma directiva europeia. A política para o ensino já não é apenas discutida em Portugal. A nossa adesão ao Fórum Académico Internacional de Representação externa (FAIRe) tambem foi nesse sentido, de conseguirmos resolver os problemas a montante e não jusante. Quando chegou, o RJIES já tinha sido discutido na europa e nós fomos apanhados de surpresa. Acho que é importante que o movimento associativo não seja reaccionário mas pró-activo na procura das suas funções e penso que devemos continuar a defender um conjunto de soluções, só acho que não é possível fazer as modificações todas…. Nesta altura estao bastante implementados e será difícil mas há acertos que poderão ser feitos.” – Não vejo a tal FAIRE com esses olhos. A entrada da AAC na FAIRe vai ser o ingrediente que vai aniquilar de vez as deliberações da Assembleia Magna.

“Falavas de uma postura pró-activa, foi isso que aconteceu relativamente ao decreto-lei 70/2010? Ou se essa postura tivesse sido tomada não teria sido sequer promolgado?
O que aconteceu com o 70/2010 foi que a a AAC, logo em Junho, quando teve conhecimento deste projecto, começou a trabalhar politicamente pela sua revogação…” – trabalharam pela revogação do decreto-lei 702010 mas mesmo depois da deliberação aprovada em Assembleia Magna que vinculava a DG a Revogar, ficaram todos contentes com a modificação proposta pelo CDSPP na Assembleia da República e a partir daí o processo foi completamente encerrado, tanto no final da DG de Miguel Portugal como neste início da DG de Eduardo Melo.

“Dizes que nunca queres tomar qualquer posição sem que os estudantes estejam devidamente informados, no entanto a adesão ao fórum decorreu sem que os sócios se sentissem bem informados e prova disso foi a discussão que houve em AM. Achas que deveria ter sido feita de outra maneira?
Na altura falámos com um conjunto de pessoas. Eu falei com antigos presidentes da DG, alguns contra, outros a favor. Falámos também com pessoas que dirigiram a política educativa desta casa durante os últimos anos, falámos internamente em DG. Fizemos uma explicação bastante longa daquilo que era o FAIRe diante da AM. Sentimo-nos confortáveis para que aquilo acontecesse. E os nossos argumentos foram válidos o suficiente para fazer com que aquilo passasse em AM. Foi quase unânime a sua entrada no FAIRe, porque a certa altura a discussão era se a AAC iria entrar no FAIRe enquanto membro observador ou se era enquanto membro efectivo. Portanto, a adesão ao FAIRe foi algo levado como garantido logo por toda a AM. A discussão depois foi se realmente seríamos membro efectivo ou membro observador. Sentimos que fizemos bem o nosso trabalho, porque também o objectivo ali, sempre o disse e também fiz questão de o dizer nessa AM, seria a adesão de modo a conseguir condicionar as decisões lá fora.” – Se o objectivo era esse, o nosso amigo Alface não se soube explicar muito bem naquele longo discurso que travou na referida Assembleia Magna. Já agora, para quando a eleição do Alface na FAIRe?

“Houve sócios que pensaram que a AAC podia estar a subjugar-se à vontade do fórum. Concordas?
Não. De maneira nenhuma. A AAC como qualquer outra estrutura tem a sua opinião própria e se não concordar com certa e determinada medida desvincula-se dela em reunião em sede própria e não tem que acatar decisões que os seus colegas.” – não tardará nem um ano até que isso aconteça.

“Falando no Fórum AAC de 2009, achas que na altura deveria ter sido aberto um inquérito imediatamente?
Não caberá a mim enquanto presidente da Mesa da AM, que era na altura, fazer esse julgamento. Não posso responder sobre órgãos aos quais não pertenci. A a partir do momento em que este CF tomou posse, era um momento de transição, investigou e tomou as suas diligências para que o processo fosse resolvido o mais rápido possível e acho que o conseguiu.” – claro que não lhe interessa. Saberemos lá porquê?

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