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A primavera árabe das nações?

Por Shlomo Avineri,  Professor de Ciência Política, ex-director-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita

“Duas coisas sobressaem no Médio Oriente desde que começou a Primavera Árabe – uma que aconteceu, e outra que não aconteceu. O que aconteceu foi que pela primeira vez na história árabe moderna, regimes e governantes autoritários foram derrubados, ou seriamente desafiados, por manifestações populares e não – como no passado – através de golpes militares.

Mas o que não aconteceu poderá ser tão importante como o que aconteceu. Enquanto os ditadores associados a juntas militares foram desafiados de um dia para outro, a Primavera Árabe nunca chegou às monarquias conservadoras da região. Os governantes dinásticos de Marrocos, da Jordânia, da Arábia Saudita e dos estados do Golfo (com excepção do Bahrein) permanecem mais ou menos firmes no seu posto, embora o regime da Arábia Saudita, pelo menos, seja em muitos aspectos muito mais opressor do que foram os regimes egípcio e tunisino.

Claro que o dinheiro do petróleo ajuda a sustentar a autocracia, mas este factor está ausente em Marrocos e na Jordânia. Parece que estas monarquias gozam de uma forma de autoridade tradicional que os governantes nacionalistas seculares da região nunca tiveram. Ser descendentes do Profeta, como em Marrocos ou na Jordânia, ou possuir a custódia dos lugares santos de Meca e Medina, como na Arábia Saudita, confere uma legitimação aos governantes dos países que está directamente ligada ao Islão.

O único regime monárquico seriamente desafiado durante a Primavera Árabe foi a família governante sunita, no Bahrein de maioria xiita, tendo supostamente esta divisão sectária sido o ingrediente crucial da revolta, que acabou por ser brutalmente suprimida com a ajuda militar saudita.

No entanto, por todo o sucesso personificado pelos protestos na praça Tahrir do Cairo, derrubar uma ditadura é uma coisa – um drama que dura algumas semanas – enquanto a transição para uma democracia consolidada é outra. Aqui, é necessário um processo moroso e o seu sucesso – exemplificado nas transições pós-comunistas da Europa do Leste – depende de condições prévias importantes.

Onde existem estas condições – por exemplo, uma sociedade civil vibrante e autónoma, como na Polónia, ou uma forte tradição pré-autoritária de pluralismo, representação e tolerância, como na República Checa – a transição é relativamente suave. Quando essas condições faltam ou são fracas, como na Rússia ou na Ucrânia, o resultado é muito mais problemático.

Duma maneira simples, não podemos assumir um panorama cor-de-rosa para países como o Egipto, baseando-nos em imagens entusiasmantes na CNN ou na Al-Jazeera, ou no facto de que multidões de homens e mulheres jovens, com bons níveis de educação e que falam inglês estão ligados pelo Facebook e pelo Twitter. A grande maioria dos egípcios não estava na praça Tahrir, e muitos deles não têm acesso não apenas às redes sociais, mas também a electricidade e a água potável. A democracia e a liberdade de expressão não estão no topo da sua agenda.

A maioria silenciosa do Egipto também se identifica com a autenticidade representada por vários grupos islâmicos, enquanto os princípios de democracia e direitos civis lhes parecem abstracções ocidentais importadas. Portanto, a vitória esmagadora da Irmandade Muçulmana e do Partido Al-Nour no Egipto – bem como a da Ennahda na Tunísia – não deveria surpreender. Um cenário similar poderia acontecer na Síria, se e quando o Presidente Bashar al-Assad cair do poder, enquanto tanto a Líbia pós- Khadafi e o Iémen pós-Saleh mostram as dificuldades que estes países enfrentam na construção de um regime democrático coerente.

Olhando realisticamente para as perspectivas do Egipto, não podemos excluir a possibilidade de as duas mais importantes forças do país – os militares e a Irmandade Muçulmana – encontrarem um modo de partilhar o poder. A visão de democracia da Irmandade é puramente maioritária e não liberal: ganhar uma eleição, de acordo com os seus representantes, permitirá ao vencedor governar de acordo com a sua visão. Os direitos das minorias, o controlo institucional do poder governamental, ou os direitos humanos – os aspectos liberais da democracia – estão completamente ausentes.

Outra dimensão, mais fundamental, das mudanças actuais e futuras na região pode vir também a surgir. Muitas fronteiras internacionais no Médio Oriente e na África do Norte foram desenhadas por potências imperiais – Reino Unido, França e Itália – depois da I Guerra Mundial e da desagregação do Império Otomano (o Acordo Sykes-Picot), ou ainda mais cedo, no caso da Líbia e do Sudão. Mas em caso algum estas fronteiras correspondiam à vontade popular local, ou a fronteiras étnicas ou históricas.Por outras palavras, nenhum destes países, excepto o Egipto, fora alguma vez uma entidade política contínua. Até recentemente, os seus governantes partilhavam um interesse comum em manter bem fechada esta Caixa de Pandora das fronteiras.

Isso mudou, e vemos as fronteiras imperialmente impostas da região a ser questionadas. No Iraque, a emergência de uma região autónoma Curda de facto no norte do país pôs um fim ao estado centralizado de Saddam Hussein, controlado pelos árabes. Com a independência do Sudão do Sul, o resto do Sudão, dominado por árabes, poderá enfrentar mais divisões, sendo o Darfur o próximo a sair.

Na Líbia, o governo de transição está a enfrentar o enorme desafio de criar uma estrutura política coerente que possa unir duas províncias muito diferentes, a Cirenaica e a Tripolitânia, que apenas eram mantidas juntas pela brutalidade do regime de Khadafi. Em Bengazi, já há apelos à autonomia, se não mesmo à independência.

De modo similar, a unidade do Iémen está longe de ser assegurada. As divisões entre o sul e o norte, que já foram dois países diferentes – com histórias completamente diferentes – até à ditadura de Saleh, estão a emergir novamente.

Numa Síria pós-Assad, as fracturas étnicas e religiosas entre sunitas, alauítas, drusos, cristãos e curdos poderão também ameaçar a unidade do país. No seu estilo brutal, Assad pode ter razão quando diz que apenas o seu punho de ferro mantém o país unido. E os desenvolvimentos na Síria terão sem dúvida impacto no vizinho Líbano.

O fim das autocracias comunistas na União Soviética, na Jugoslávia e mesmo na Checoslováquia implicou uma dramática onda de criação de estados. Do mesmo modo, não nos deveríamos surpreender se a democratização do mundo árabe, por muito difícil que seja, arrastar consigo uma redefinição de fronteiras. Resta saber se esse será um processo violento ou pacífico.”

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O julgamento de Hosni Mubarak

Hosni Mubarak e os seus dois filhos começaram a ser julgados hoje no Cairo por crimes de corrupção e de ordem de assassinato de 800 pessoas nos confrontos da Praça Tahrir no passado mês de Fevereiro.

Como se pode ver pelas imagens deste vídeo, o julgamento do antigo ditador egípcio foi preparado na mais alta escala de segurança. Caça bombardeiros do exército egípcio sobrevoavam os céus do Cairo, Mubarak chegou de maca numa ambulância e permaneceu todo o julgamento deitado na maca, com os seus dois filhos ao lado, todos dentro de uma enorme jaula de ferro.

Nas alegações iniciais promovidas pelo tribunal, o antigo ditador refutou todas as acusações que pendem sobre si. Se as acusações forem provadas pela justiça, o ditador e os seus filhos poderão ser condenados à morte.

Dado estranho para o mundo ocidental, foi a transmissão em directo por parte da televisão egípcia desta primeira sessão do julgamento.

Na capital Egípcia, a Praça Tahrir encheu-se de gente e o exército foi novamente obrigado a intervir. Durante o dia, registaram-se várias escaramuças na capital entre os apoiantes do ditador e os revoltosos da revolução. Uma das quais, fora do edíficio onde se realizava o julgamento como se pode ver no video em baixo, entre os opositores de Mubarak e a polícia.

É um sério aviso para Mohammar Khadafy e para Bashar Al-Assad da Síria.

Ao verem as imagens deste julgamento, ficaram com a noção que se não defenderem a sua posição, terão o mesmo fim trágico do ditador egípcio. Claro que este sentimento irá dar mais força aos dois regimes para conseguirem dominar o seu território, se bem que no caso Líbio, a NATO já está no terreno.

Como sabem, não defendo qualquer intervenção da NATO. Muito menos intervenções que não respeitam os trâmites decididos pelo Conselho de Segurança da ONU. Por outro lado, pelo fim da violência, pela democracia e pela liberdade nos países árabes espero que os conflitosmassacres acabem o mais rapidamente possível. Que o povo Líbio e o povo Sírio não precise de ajuda de terceiros para sacudir opressores.


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Em Atenas (2)

Situação caótica nas ruas, onde os milhares de polícias não tem mãos a medir para controlar a ordem na capital grega.

O Parlamento Grego tomou a decisão. Para receber a última tranche do primeiro resgate acordo com o Fundo Monetário InternacionacionalComissão EuropeiaBanco Central Europeu e para se ponderar um novo resgate ao Governo Grego no valor de 12o mil milhões de euros, o Parlamento Grego votou a aprovação da imposição europeia de um novo pacote de medidas de austeridade, que faz mais cortes na Administração Pública Grega, nas reformas, nas pensões, aumenta os impostos de consumo de forma incisiva, cortes na saúde, na educação e no financiamento ao ensino superior para além das privatizações em quase todas as empresas públicas gregas.

A contestação está a ser feita nas ruas. Embora a greve de 48 horas marcada pelos sindicatos termine oficialmente à meia noite, não é seguro que na capital se comecem a dispersar os tumultos sociais.

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Era uma missão de manutenção da segurança dos cidadãos…

Era. Digo-o bem.

A História pós-2ª Guerra Mundial fez-me crer que existe um ditado muito bem adequado a todas as missões em que a NATO se mete: “um olho no burro, outro no cigano”

As sucessivas missões que passam para o plano estratégico da NATO, cujas resoluções são tomadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, começam com um objectivo propriamente dito mas rapidamente resvalam para um objectivo que não é contido na resolução. Exemplo disso, foi o ataque perpetrado ao local onde se encontrava Mohammar Khadafi e a sua família, que vitimou um dos seus filhos e 3 netos.

A resolução tomada na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU em Março autorizava o envio de forças internacionais de maneira a apenas (escrevo apenas) manter a segurança dos cidadãos Líbios no conflito que opõe as forças leais a Khadafi e os rebeldes. A mesma resolução não admitia a ingerência em assuntos internos do Estado Líbio, ou seja, não admitia que as forças internacionais pendessem a favor dos rebeldes com vista à deposição do ditador Líbio por qualquer das formas previstas.

Não foi o que se passou ontem. O ataque ao edifício onde se presumia que estivesse o ditador e que acabou por vitimar 4 familiares que em nada desempenham funções importantes na hierarquia do regime liderado pelo ditador, foi um claro ataque que tinha em vista a morte do ditador, facto não previsto na resolução do CS. Qual o motivo? Simples. A força Líbia na produção petrolífera é um dote que gera bastante interesse ao domínio do principal rosto político da NATO: os Estados Unidos da América.

Creio que perante este facto, não se devem tirar outras conclusões que não esta. Foi uma atitude imperialista por parte de um país que levou a tamanha violação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

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Não há pai para eles

No Conselho de Segurança da ONU, a China e a Rússia bloqueiam tudo. Como sempre. Para sempre. Ainda estamos para ver quando é que os dois deixarão passar resoluções importantes para o cenário geopolítico mundial.

O que está a acontecer na Síria pode não afectar a paz internacional mas afecta a vida humana. Estão a morrer todos os dias cidadãos inocentes no país e parece que já não chega à comunidade internacional o arrastar da guerra civil na Líbia. Quando a comunidade internacional é chamada a intervir de emergência, parecem haver países cujos interesses (venda de armas talvez) falam mais alto.

Não há pai para a Rússia e para a China. Muito menos paciência.

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Dignifiquem a História


O poder pertence ao povo.

37 anos depois, não há paciência que chegue para continuar a aturar políticos de 2ª que andam a retirar os direitos conquistados pelo povo na revolução dos cravos.

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Frase do dia

“Não teria feito o 25 de Abril se pensasse que íamos cair na situação em que estamos actualmente. Teria pedido a demissão de oficial do Exército e, se calhar, como muitos jovens têm feito actualmente, tinha ido para o estrangeiro…”

Otelo Saraiva de Carvalho ín Jornal Público

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Operações de manutenção de segurança dos cidadãos

Na Líbia, as tropas da NATO voltaram a encrencar, atirando directamente sobre 13 rebeldes.

Na Costa do Marfim, está difícil a deposição de Gbagbo.

E na Síria?

E no Bahrein?

E na faixa de gaza, onde o Estado de Israel continua a atacar quem bem lhe apetece?

Cada vez mais defendo uma reforma a sério nas Nações Unidas. Para que se constitua uma força capaz de não só instituir uma nova ordem política mundial assim como se tornar eficaz para resolver tensões políticas, diplomáticas ou bélicas que surjam por esse mundo fora.

Não fazem muitos dias que vi um documentário num canal de televisão por cabo que retratava a geopolítica mundial no intervalo entre as duas guerras mundiais. Está claro que os mesmos debateram a problemática resultante do falhanço total da Sociedade das Nações. Desde a sua fundação (sugestão Norte-Americana que não viria a culminar em assinatura do Tratado de Versalhes) à sua queda em 1945. Quer-me bem parecer que o modelo da Carta das Nações Unidas está hoje tão obsoleta e tão ineficaz para resolver tais tensões como a “errática” Sociedade das Nações estava quando Hitler ensaiou a sua força aérea na ajuda à vitória de Franco na guerra civil espanhola.

E tal facto tem um fim, fim esse que está bom de ver: o mundo está em chamas e o que se têm evitado desde 1945 poderá voltar a acontecer.

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Sinais de imperialismo

Actuando de acordo com a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os Estados Unidos e seus aliados iniciaram a “Operação Amanhecer” de acordo com os propósitos enunciados pela resolução: proteger os cidadãos Líbios contra os abusos de Mohammar Khadafi.

Há uns dias atrás, confesso que pela primeira vez ousei afirmar que os Estados Unidos e os seus aliados da NATO tinham finalmente cumprido uma resolução do Conselho de Segurança desde o ano em que o modelo da Carta das Nações Unidas tinha sido assinado. A “Operação Amanhecer” teve início com o ataque directo às tropas do regime, sem no entanto, ter como objectivo base a deposição do líder Líbio.

Todavia, pela lógica dada na rapidez da resposta dos aliados à problemática em causa, achei demasiada oferta por parte dos meninos bonitos da NATO. Rapidez na resposta que por exemplo os mesmos países e o mesmo Conselho de Segurança não conseguiram dar nem de perto nem de longe a um flagelo humanitário ainda maior que foi o caso do Darfur.

A pergunta que se põe é: O que é que a Líbia tem a mais que o Darfur? Esta pergunta remete-nos para outra questão mais metafísica: A vida de um cidadão Líbio é dotada de protecção especial e a de um Sudanês não? Esta pergunta remete-nos ainda para outra questão mais complexa do ponto de vista orgânico e institucional das Nações Unidas: Porque é que a ONU foi célere a resolver a questão Líbia e nunca chegou a resolver a questão do Sudão?

Começo pela base essencial para dar resposta às minhas próprias perguntas. Todos sabemos da importância estratégica que a Líbia tem na produção de petróleo e os acordos comerciais que detêm com países da União Europeia e todos sabemos que o Sudão é um dos países com menos recursos naturais por explorar e como tal, um dos países mais sub-desenvolvidos do mundo.

Também creio que todos sabemos a importância vital que interessa aos maiores exportadores de armas do mundo que o clima de massacre humanitário continue no Sudão. Entre os maiores vendedores de armas do mundo encontram-se nomes como Barack Obama ou David Cameron – a única diferença é que se encontram camuflados na pele de intermediários.

Do ponto de vista da asserção imperialista das políticas das grandes potências mundiais, o Sudão é um país que não interessa e a Líbia é um país não só importantíssimo do ponto de vista económico como no futuro se pode tornar um aliado da NATO para a implantação de bases militares de modo a controlar o mediterrâneo, pretensão essa que há muito é um objectivo político da NATO, como tal, objectivo primordial das políticas externas dos Estados Unidos da América.

Terminada a primeira fase da “Operação Amanhecer” os aliados passaram o controlo das operações estratégicas do conflito para a NATO, os rebeldes saíram do sufoco do cerco das tropas de Khadafi, mas o grande ditador continua no poder. A ameaça de intervenção militar com outros propósitos continua pendente sobre a cabeça de Khadafi e à semelhança da rapidez com que foi decretada uma primeira intervenção com o propósito de manter a segurança entre os cidadãos nada me espantaria que tão rapidamente fosse decretada uma intervenção militar com outros propósitos na Líbia.

Como disse ontem Lula da Silva, é necessária a construção de uma nova ordem mundial que começará com uma reforma no modelo das Nações Unidas. Tomando como exemplo as disparidades de decisões e indecisões tomadas nos estudos de caso do Sudão e da Líbia, não é perceptível, digamos compreensível, o facto das instituições das Nações Unidas tomarem opções tão díspares em situações análogas.

Ainda mais quando hoje surgem notícias em toda a Comunidade Internacional que dão conta que a pressão que Mr. Obama e Mr. Cameron estão a fazer ao regime Líbio inclui a venda de armas aos rebeldes. Tudo me leva a concluir que alimentar uma guerra é profícuo para os Estados Unidos da América e seus aliados, para no fim vencê-la e tornar o país outro dos seus protectorados.

Onde há fumo há fogo, diz o ditado. Esse caso Líbio já começa a cheirar mal, dado o decrépito da atitude dos países envolvidos na intervenção militar que foi feita à Líbia. São sinais de imperialismo. Claros sinais de imperialismo.

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ONU aprova uso de força contra Khadafi

O Conselho de Segurança ONU deu luz verde ao uso da força contra Mohammar Khadafi.

Em reunião em Nova Iorque, o CS aprovou o uso da força militar para defender cidadãos dos possíveis ataques das tropas do ditador, negando porém a possibilidade de ocupar o território Líbio.

A delegação Portuguesa no Conselho de Segurança votou a favor no medida, ao mesmo tempo que o Ministro Luis Amado voltou a reafirmar as mesmas palavras que havia proferido há 2 semanas atrás ao emissário que o ditador líbio enviou a Portugal: “o regime de Khadafi acabou para a comunidade internacional”

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Tensão no Bahrein

É a imagem do dia.

Mil soldados Sauditas e 500 polícias dos Emirados Árabes Unidos entram em território do Bahrein para zelar pela segurança do pequeno estado, que vive há meses em tensões políticas que podem culminar numa revolução e na deposição do rei do Bahrein.

A questão destas tensões no Bahrein divergem daquelas que derrubaram regimes no Egipto e na Tunísia e que actualmente traçam um cenário de guerra civil na Líbia.

A monarquia do Bahrein é uma monarquia muçulmana sunita de cariz autocrático. Cabe ao rei nomear governo, por exemplo…

A oposição, essencialmente muçulmana xiita, reclama uma monarquia constitucional, onde o povo possa ser passivo de eleger e ser eleito e reclama que no pequeno Estado, a família real deixe de discriminar os cidadãos da ala xiita.

Movido pela necessidade de controlo sobre os sucessivos protestos da ala xiita, o rei do Bahrein pediu a vários países da região que o auxiliassem no controlo dos protestos. Assim, agentes militantes e policiais de 5 países vizinhos (Árabia Saudita, Omã, EAU, Kuwait e Qatar) estão sucessivamente a entrar em território do Bahrein com objectivos de restabelecer a segurança no estado.

Recorde-se que o rei Hamad Ben Issa Al-Khalifa já declarou o Estado de Emergência para os próximos 3 meses.

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NATO disposta a intervir na Líbia

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O Secretário-Geral da NATO Anders Fogh Rasmussen reiterou a disposição por parte da Organização em intervir no conflito que assola a Líbia e assim derrubar o regime de Mohammar Kadafy caso as Nações Unidas assim o desejem.

Rasmussen afirmou hoje que é hora de terminar com a carnificina que o ditador Líbio está a perpetrar contra o seu próprio povo: “Deixem-me sublinhar que a NATO não tem intenções de intervir, mas obviamente como organização de segurança e aliança de defesa pedimos aos nossos militares para levarem a cabo todo o planeamento necessário, para que estejamos preparados num curto espaço de tempo…
(…) “Se Kadhafi e as suas tropas continuarem o ataque a população líbia sistematicamente, eu não consigo imaginar que a comunidade internacional e as Nações Unidas assistam a isso passivamente”

A NATO está disposta a intervir, se bem, que apenas numa eventual chamada por parte das Nações Unidas. Rasmussen não é concreto. Põe a hipótese, mas não dá o sim à sua efectivação num futuro próximo.

Apesar desta boa notícia, continuo a torcer o nariz em relação à legitimidade internacional da NATO neste tipo de situações. Preferia, e neste aspecto creio não ser o único a partilhar desta opinião, que em caso de invasão a um determinado país, a invasão fosse ordenada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, dotado para tais efeitos de um exército próprio e de competências e atribuições juridico-institucionais

No entanto e à falta de um meio mais legítimo de intervenção, é urgente que se pare com o “derrame de sangue” que está actualmente a acontecer naquele país Africano.

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Serás o próximo?


Oportuna, a fotografia!

O regime autocrata de José Eduardo dos Santos e do MPLA em Angola já conheceu dias melhores…

Finalmente, o povo Angolano começa a aperceber-se das injustiças do seu país. De um lado, o comum trabalhador angolano, mal pago… De outro lado, os estrangeiros a receberem fortunas, com o apoio do Estado… Perdão, do líder, que nos processos também vai buscar algo para a sua conta pessoal.

Tantos capitais, tanto crescimento e nada é aplicado nos bens sociais a que o povo tem direito e nas infra-estruturas básicas de que o país ainda carece…

Aqui, Aqui e Aqui.

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A História repete-se…

Na Líbia Kadafy está cada vez mais isolado no governo do país e encurralado pela revolução na capital Trípoli.

Enquanto Kadafy continua a  ordenar “banhos de sangue” ao seu próprio povo, em Nova Iorque, o Secretariado-Geral das Nações Unidas ainda está a tentar discutir possíveis sanções a aplicar imediatamente ao ditador. Perante a situação, ninguém (na organização) ainda foi capaz de cortar as contas bancárias do ditador, lançar embargos ao regime, enviar tropas para território Líbio de forma a acalmar os ânimosdepor de vez o ditador ou montar uma campanha humanitária (na Tunísia) para ajudar os milhares de refugiados que já passaram a fronteira.

Qualquer uma das opções a tomar seria legítima para por fim a uma guerra civil sangrenta que parece não ter fim…

Quer-me parece que a História se repete. Mais uma vez (à semelhança péssimo exemplo que foi dado nesta matéria no caso Sudanês) a maior Organização Internacional que conhecemos desde a 2ª Guerra Mundial parece ser incapaz de actuar rapidamente aquando de uma emergência.

Perante estes casos, cada vez mais defendo uma imensa reforma no actual quadro de competências e atribuições institucionais da ONU. Para que esta finalmente possa evitar males maiores. Atempadamente.

E a delegação Portuguesa no Conselho de Segurança parece completamente inerte no caso Líbio. Parecem demonstrar o típico pensamento Português: “Não é nada connosco, não nos metemos”

Quando aqui há dias critiquei Ana Gomes e um dos seus últimos posts no Causa Nossa, argumentava que a Sra. Dra. tinha razão nas medidas que pedia  que a delegação Portuguesa no CS levasse a cabo imediatamente. No entanto, efectivamente, a “crítica positiva” que fiz ao seu post e o desenlace da problemática em questão acabou por me dar razão neste caso.


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As incoerências dos líderes árabes

Mohammar Kadafy está claramente atrapalhado.

Ante-ontem afirmou à televisão estatal ser “o guia da revolução”. Hoje em mais uma declação altamente bizarra acusou a Al-Qaeda de ser a principal responsável pela revolução do povo Líbio.

A Líbia vive o momento mais conturbado da sua história. Não se sabe bem a extensão dos ataques militares ordenados por Kadafy no Oeste do país e na capital Trípoli. Não se sabe muito bem o número de mortos. Agências noticiosas assinalaram centenas de mortos outras milhares.

Kadafy deve ser deposto o mais rápido possível. Os países da União Europeia devem retirar todos os seus civis da Líbia o mais rápido possível.  Caso os ataques militares sejam verídicos, Kadafy deve ser detido o mais rápido possível e julgado em Haia por genocídio e crimes contra a humanidade.

No Irão, Mahmoud Ahmadinejad falou sobre a situação na Líbia.

Ironia das ironias, o líder iraniano censurou a violência utilizada por Mohammar Kadafy no caso Líbio: ” Como é que alguém pode bombardear e massacrar o seu próprio povo?” – disse o líder que em 2009 ordenou ataques aos manifestantes da oposição no seu país.

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Para a Dra. Ana Gomes

Leio aqui no Causa Nossa.

Respeitando a inteligência e a excelência diplomática que sempre reconheci à Dra. Ana Gomes, refiro que aquilo que enuncia no post está certo. As soluções enunciadas pela Dra., deveriam ser de facto as decisões que a delegação Portuguesa deveria tomar no Conselho de Segurança como membro permanente.

O que me causa alguma estranheza neste post é o facto de me querer parecer que a Dra. ou “vive no mundo do sonho da utopia” ou então está claramente desconexada em relação às matrizes do seu líder partidário e do seu co-partidário Luis Amado e da extrema cooperação que o governo socialista travou com o regime de Kadafy.

Apelar junto do Conselho de Segurança os 3 pontos que a Sra. Dra. enunciou no post seria sem dúvida a atitude a tomar por parte dos Portugueses. Por parte dos Portugueses e por parte dos outros países que são membros permanentes do CS.

Mas, ia agora o Portugal Socialista virar-se contra o amigo Kadafy depois de todas as “festarolas” em que Luis Amado participou em Trípoli na celebração do aniversário do regime e da retribuição que foi dada em Portugal em 2007?

Não creio que tal atitude venha a ser coerente com os laços que o governo do seu partido criou com o ditador…

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Nem Kadafi escapou…


Kadafi e o amigo Socrates.

Dia de loucos em Tripoli, capital da Líbia. Milhares de pessoas na rua sofreram uma enorme repressão por parte dos miliares. Parlamento Líbio em chamas. Aviões militares afectos ao regime tem reprimido as manifestações. Centenas de mortos. Kadafi acusado internacionalmente de genocídio sobre o seu povo. Kadafi poderá estar de fuga para a Venezuela. Os preços do petróleo atingiram hoje altas históricas nos mercados internacionais.

O mundo está atento a mais uma revolução no mundo árabe. Uma revolução com contornos de guerra civil. Com contornos que podem ser dramáticos.

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Líbia em risco de guerra civil

De todas as revoluções que se estão a perpetrar no mundo árabe, o caso da Líbia é o caso mais preocupante.

Said Kadafi, filho do autocrata Mohammar Kadafi, veio à televisão tentar acalmar os ânimos no país. Prometendo reformas no governo, exigiu o fim dos protestos nas ruas. Associações defensoras dos direitos humanos afirmam que já morreram 230 pessoas na Líbia devido às manifestações populares.

O caso Líbio é o mais preocupante e está a ter toda a vigilância por parte da Comunidade Internacional. Em especial, pelos maiores parceiros comerciais da Líbia: a própria União Europeia. Como a Europa depende numa enorme quota parte do petróleo exportado pela Líbia e como o país de Kadafi é um dos maiores exportadores da OPEP, a instabilidade social que se faz sentir no país já teve efeitos no aumento em 1 dolar da transacção do petróleo no mercado internacional.

Para evitar a escala desmedida do preço do petróleo, a União Europeia deve actuar já no caso Líbia.  A mediação para o problema deve avançar imediatamente. Portugal, como um dos países amigos do regime de Kadafi pode desempenhar um papel interessante na mediação do conflito.

Caso a instabilidade se alastre a muitos mais, o preço do petróleo deverá disparar para números nunca antes vistos. E nesse cenário, a retoma económica europeia em 2011 será cada vez mais difícil…

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Do mundo árabe

Rage Against the Machine – “Guerrilla Radio” — Álbum: The Battle of Los Angeles (1999)

Depois da Tunísia, do Egípto e da Jordânia, o Iémen, a Argélia, a Líbia, o Bahrein e o Djibouti.

O retrato de um mundo árabe em polvora.

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As revoluções desgastam e de que maneira…

O antigo ditador Tunisino Zine al-Abidine Ben Ali está (segundo as agências noticiosas francesas) em coma há dois dias num Hospital na Arábia Saudita devido a um acidente vascular cerebral.


No Egipto, Hosni Mubarak descansa na sua casa na estância turística de Sharm El-Sheik depois de ter abanadonado o poder no passado sábado.

Fontes próximas ao antigo ditador Egípcio garantem que está bem e que tem passado dias bastante calmos.

Por seu lado, a Comunicação Social de todo o mundo já especula sobre o estado de saúde do estadista. Aqui e aqui, vários relatos confirmam que o antigo ditador está deprimido, pode sofrer de cancro ou de um problema relacionado com a vesícula biliar.

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