Tag Archives: revoluções no mundo árabe

Tinha dito

A 3 de Agosto , neste mesmo blog, no post que pode ser visto aqui, disse acerca da primeira sessão do julgamento do antigo ditador Egípcio Hosni Mubarak: “É um sério aviso para Mohammar Khadafy e para Bashar Al-Assad da Síria.

Ao verem as imagens deste julgamento, ficaram com a noção que se não defenderem a sua posição, terão o mesmo fim trágico do ditador egípcio. Claro que este sentimento irá dar mais força aos dois regimes para conseguirem dominar o seu território, se bem que no caso Líbio, a NATO já está no terreno.”

Enganei-me por pouco nos factos.

Mubarak continua vivo e continua a ser julgado no Cairo. Já Khadafi caiu num ataque de guerrilha.

Confirma-se o ditado: Quem pelos ferros mata, pelos ferros morre.

Al-Assad será o próximo.

 

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O julgamento de Hosni Mubarak

Hosni Mubarak e os seus dois filhos começaram a ser julgados hoje no Cairo por crimes de corrupção e de ordem de assassinato de 800 pessoas nos confrontos da Praça Tahrir no passado mês de Fevereiro.

Como se pode ver pelas imagens deste vídeo, o julgamento do antigo ditador egípcio foi preparado na mais alta escala de segurança. Caça bombardeiros do exército egípcio sobrevoavam os céus do Cairo, Mubarak chegou de maca numa ambulância e permaneceu todo o julgamento deitado na maca, com os seus dois filhos ao lado, todos dentro de uma enorme jaula de ferro.

Nas alegações iniciais promovidas pelo tribunal, o antigo ditador refutou todas as acusações que pendem sobre si. Se as acusações forem provadas pela justiça, o ditador e os seus filhos poderão ser condenados à morte.

Dado estranho para o mundo ocidental, foi a transmissão em directo por parte da televisão egípcia desta primeira sessão do julgamento.

Na capital Egípcia, a Praça Tahrir encheu-se de gente e o exército foi novamente obrigado a intervir. Durante o dia, registaram-se várias escaramuças na capital entre os apoiantes do ditador e os revoltosos da revolução. Uma das quais, fora do edíficio onde se realizava o julgamento como se pode ver no video em baixo, entre os opositores de Mubarak e a polícia.

É um sério aviso para Mohammar Khadafy e para Bashar Al-Assad da Síria.

Ao verem as imagens deste julgamento, ficaram com a noção que se não defenderem a sua posição, terão o mesmo fim trágico do ditador egípcio. Claro que este sentimento irá dar mais força aos dois regimes para conseguirem dominar o seu território, se bem que no caso Líbio, a NATO já está no terreno.

Como sabem, não defendo qualquer intervenção da NATO. Muito menos intervenções que não respeitam os trâmites decididos pelo Conselho de Segurança da ONU. Por outro lado, pelo fim da violência, pela democracia e pela liberdade nos países árabes espero que os conflitosmassacres acabem o mais rapidamente possível. Que o povo Líbio e o povo Sírio não precise de ajuda de terceiros para sacudir opressores.


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Genocídio?

Na Síria.

Relembro que em Nova Iorque, o Conselho de Segurança das Nações Unidas ainda não tomou qualquer decisão contra o Governo de Damasco. A situação está a piorar de dia para dia. 4 mil cidadãos Sírios já terão passado a fronteira com a Turquia. O Governo Turco já afirmou que vai criar uma “zona tampão” na fronteira caso os refugiados atinjam as mil pessoas nos próximos dias.

O Tribunal Penal Internacional também está a dormir. Luis Moreno-Ocampo está mais preocupado em levar Mohammar Khadafi a Haia. Nada contra. Espero que o Procurador Argentino ao serviço do TPI esteja atento à situação Síria e tome as providências adequadas contra o seu presidente da república Bashar Al-Assad.

Post-Scriptum (21:05): O Conselho de Segurança das Nações Unidas já discutiu a situação da Síria numa das suas reuniões mas não tomou numa decisão sobre o caso porque a Rússia e a China deixaram um pré-aviso de veto sobre a tomada de uma resolução por não considerarem o problema uma ameaça à paz e segurança mundial. Com o veto a pairar sobre o bloqueio na tomada de decisões, veto de natureza não-processual, a questão não sofrerá qualquer decisão para já, não estando porém bloqueada uma nova discussão sobre o problema.

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Era uma missão de manutenção da segurança dos cidadãos…

Era. Digo-o bem.

A História pós-2ª Guerra Mundial fez-me crer que existe um ditado muito bem adequado a todas as missões em que a NATO se mete: “um olho no burro, outro no cigano”

As sucessivas missões que passam para o plano estratégico da NATO, cujas resoluções são tomadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, começam com um objectivo propriamente dito mas rapidamente resvalam para um objectivo que não é contido na resolução. Exemplo disso, foi o ataque perpetrado ao local onde se encontrava Mohammar Khadafi e a sua família, que vitimou um dos seus filhos e 3 netos.

A resolução tomada na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU em Março autorizava o envio de forças internacionais de maneira a apenas (escrevo apenas) manter a segurança dos cidadãos Líbios no conflito que opõe as forças leais a Khadafi e os rebeldes. A mesma resolução não admitia a ingerência em assuntos internos do Estado Líbio, ou seja, não admitia que as forças internacionais pendessem a favor dos rebeldes com vista à deposição do ditador Líbio por qualquer das formas previstas.

Não foi o que se passou ontem. O ataque ao edifício onde se presumia que estivesse o ditador e que acabou por vitimar 4 familiares que em nada desempenham funções importantes na hierarquia do regime liderado pelo ditador, foi um claro ataque que tinha em vista a morte do ditador, facto não previsto na resolução do CS. Qual o motivo? Simples. A força Líbia na produção petrolífera é um dote que gera bastante interesse ao domínio do principal rosto político da NATO: os Estados Unidos da América.

Creio que perante este facto, não se devem tirar outras conclusões que não esta. Foi uma atitude imperialista por parte de um país que levou a tamanha violação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

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Não há pai para eles

No Conselho de Segurança da ONU, a China e a Rússia bloqueiam tudo. Como sempre. Para sempre. Ainda estamos para ver quando é que os dois deixarão passar resoluções importantes para o cenário geopolítico mundial.

O que está a acontecer na Síria pode não afectar a paz internacional mas afecta a vida humana. Estão a morrer todos os dias cidadãos inocentes no país e parece que já não chega à comunidade internacional o arrastar da guerra civil na Líbia. Quando a comunidade internacional é chamada a intervir de emergência, parecem haver países cujos interesses (venda de armas talvez) falam mais alto.

Não há pai para a Rússia e para a China. Muito menos paciência.

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Operações de manutenção de segurança dos cidadãos

Na Líbia, as tropas da NATO voltaram a encrencar, atirando directamente sobre 13 rebeldes.

Na Costa do Marfim, está difícil a deposição de Gbagbo.

E na Síria?

E no Bahrein?

E na faixa de gaza, onde o Estado de Israel continua a atacar quem bem lhe apetece?

Cada vez mais defendo uma reforma a sério nas Nações Unidas. Para que se constitua uma força capaz de não só instituir uma nova ordem política mundial assim como se tornar eficaz para resolver tensões políticas, diplomáticas ou bélicas que surjam por esse mundo fora.

Não fazem muitos dias que vi um documentário num canal de televisão por cabo que retratava a geopolítica mundial no intervalo entre as duas guerras mundiais. Está claro que os mesmos debateram a problemática resultante do falhanço total da Sociedade das Nações. Desde a sua fundação (sugestão Norte-Americana que não viria a culminar em assinatura do Tratado de Versalhes) à sua queda em 1945. Quer-me bem parecer que o modelo da Carta das Nações Unidas está hoje tão obsoleta e tão ineficaz para resolver tais tensões como a “errática” Sociedade das Nações estava quando Hitler ensaiou a sua força aérea na ajuda à vitória de Franco na guerra civil espanhola.

E tal facto tem um fim, fim esse que está bom de ver: o mundo está em chamas e o que se têm evitado desde 1945 poderá voltar a acontecer.

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ONU aprova uso de força contra Khadafi

O Conselho de Segurança ONU deu luz verde ao uso da força contra Mohammar Khadafi.

Em reunião em Nova Iorque, o CS aprovou o uso da força militar para defender cidadãos dos possíveis ataques das tropas do ditador, negando porém a possibilidade de ocupar o território Líbio.

A delegação Portuguesa no Conselho de Segurança votou a favor no medida, ao mesmo tempo que o Ministro Luis Amado voltou a reafirmar as mesmas palavras que havia proferido há 2 semanas atrás ao emissário que o ditador líbio enviou a Portugal: “o regime de Khadafi acabou para a comunidade internacional”

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Tensão no Bahrein

É a imagem do dia.

Mil soldados Sauditas e 500 polícias dos Emirados Árabes Unidos entram em território do Bahrein para zelar pela segurança do pequeno estado, que vive há meses em tensões políticas que podem culminar numa revolução e na deposição do rei do Bahrein.

A questão destas tensões no Bahrein divergem daquelas que derrubaram regimes no Egipto e na Tunísia e que actualmente traçam um cenário de guerra civil na Líbia.

A monarquia do Bahrein é uma monarquia muçulmana sunita de cariz autocrático. Cabe ao rei nomear governo, por exemplo…

A oposição, essencialmente muçulmana xiita, reclama uma monarquia constitucional, onde o povo possa ser passivo de eleger e ser eleito e reclama que no pequeno Estado, a família real deixe de discriminar os cidadãos da ala xiita.

Movido pela necessidade de controlo sobre os sucessivos protestos da ala xiita, o rei do Bahrein pediu a vários países da região que o auxiliassem no controlo dos protestos. Assim, agentes militantes e policiais de 5 países vizinhos (Árabia Saudita, Omã, EAU, Kuwait e Qatar) estão sucessivamente a entrar em território do Bahrein com objectivos de restabelecer a segurança no estado.

Recorde-se que o rei Hamad Ben Issa Al-Khalifa já declarou o Estado de Emergência para os próximos 3 meses.

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NATO disposta a intervir na Líbia

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O Secretário-Geral da NATO Anders Fogh Rasmussen reiterou a disposição por parte da Organização em intervir no conflito que assola a Líbia e assim derrubar o regime de Mohammar Kadafy caso as Nações Unidas assim o desejem.

Rasmussen afirmou hoje que é hora de terminar com a carnificina que o ditador Líbio está a perpetrar contra o seu próprio povo: “Deixem-me sublinhar que a NATO não tem intenções de intervir, mas obviamente como organização de segurança e aliança de defesa pedimos aos nossos militares para levarem a cabo todo o planeamento necessário, para que estejamos preparados num curto espaço de tempo…
(…) “Se Kadhafi e as suas tropas continuarem o ataque a população líbia sistematicamente, eu não consigo imaginar que a comunidade internacional e as Nações Unidas assistam a isso passivamente”

A NATO está disposta a intervir, se bem, que apenas numa eventual chamada por parte das Nações Unidas. Rasmussen não é concreto. Põe a hipótese, mas não dá o sim à sua efectivação num futuro próximo.

Apesar desta boa notícia, continuo a torcer o nariz em relação à legitimidade internacional da NATO neste tipo de situações. Preferia, e neste aspecto creio não ser o único a partilhar desta opinião, que em caso de invasão a um determinado país, a invasão fosse ordenada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, dotado para tais efeitos de um exército próprio e de competências e atribuições juridico-institucionais

No entanto e à falta de um meio mais legítimo de intervenção, é urgente que se pare com o “derrame de sangue” que está actualmente a acontecer naquele país Africano.

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