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estamos na páscoa e tal

mas deixem lá o Papa Chico trabalhar em paz, sem câmaras à volta. aquelas declarações papais preocupadas com a guerra e com a pobreza começam a soar a pechisbeque comprado no ouro cash. e olhem que em coisas de ouro e prata, o vaticano é líder mundial. é coisa que começa a não interessar nem ao menino jesus.

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bom dia… agora a sério

cardeal

Uma imagem que jamais veremos. Num destes dias, escrevi aqui:O parlamento cipriota rejeitou hoje as sobretaxas de 10% e 6,5%, respectivamente, pelos depósitos bancários acima e abaixo de 100 mil euros. Um enorme gesto de dem0cracia representativa, com os deputados do partido de Anastasiades do Partido Democrático (democracia-cristã, conservadores) a absterem-se. Uma pergunta faz-se na minha cabeça: como é que seria em Portugal?” com a pergunta “como é que seria em Portugal referia-me à ideia de, em situação análoga à que se passou no Chipre nos últimos dias, um Eurogroup exigisse semelhante medida para os depósitos bancários dos cidadãos portugueses com aprovação prévia pelos deputados da República.

É aqui onde entra o líder da Igreja Ortodoxa de Chipre Chrysostomos II. Leio o elevador do Negócios escrito pelo sub-director Celso Filipe e transcrevo: “Chrysostomos II. É o líder da Igreja Ortodoxa de Chipre a qual pôs à disposição do Governo todos os seus bens. <<Toda a riqueza da Igreja está à disposição de Chipre para que possamos levantar-nos sozinhos e não com a ajuda de estrangeiros>> – afirmou o arcebispo. A Atitude de Chrysostomos II, que admite hipotecar as propriedades da sua igreja para ajudar o país não serve de exemplo para nenhuma outra instituição, mas dá o exemplo a muitas que fazem das palavras o seu único contributo para o bem comum” – fim de citação.

Acabei de tomar o pequeno-almoço e confesso que esta revelação, feita ontem pelo líder da Igreja Cipriota, deu-me uma bolada em cheio no estomago. Mais do que um gesto patriótico, corajoso, altruísta, digno, honrado, é uma balaustrada por completo nas instituições estatais cipriotas, no Eurogrupo, nas pretensões Alemães e até nos Oligarcas Russos que tanto querem salvar Chipre mas, à última da hora, não se chegam com os 7 mil milhões adicionais que o país precisa.

Interrogo-me se o nosso cardeal patriata (essa figura patusca que aparece na imagem a fazer sinais indignos aos olhos de Deus com os dedos) teve ou poderia ter semelhante atitude para com os seus cidadãos. Nicles. Com Papas Franciscos, Chicos ou papanicolaus para enfiar pelo útero, neste caso, tratando-se de um macho, pelo recto acima, ou sem eles, a Igreja Católica Portuguesa assim como o resto do cadáver de Pedro que nasceu nas margens da Loba que dava de mamar a Rómulo e Remo, de acordo com as suas hierarquias de aprendizes, seminaristas, diáconos remédios, padres, abusadores sexuais descarados e perventidos, bispos das forças armadas com rendimentos superiores a 8 salários mínimos nacionais, e cardeais que não queriam ser papas mas estavam mortinhos para açambarcar o Ouro do Vaticano no fim da sua existência, não só não teve qualquer atitude de realce para a superação dos problemas que afectam o país do que ladrar de longe contra o governo. O resto é a premissa proferida por Jesus Cristo no pai nosso, num remix discursivo “stick it” de fazer inveja a qualquer maoísta de início de carreira como Durão Barroso: “venha a nós o vosso reino” – porém, a Igreja, ao nível de atitudes e comportamentos perante os seus famintos fiéis não passa dessa frase na oração.

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A mão de Deus

Melhor que a Igreja Maradoniana na Argentina. Melhor que El Dieguito a marcar com a mão a Shilton no Estádio Azteca na Cidade do México para vingar os argentinos mortos na guerra das Malvinas. Melhor que o papa do Norte.

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coisas que não percebo

papa

não é jovem ao contrário do que a igreja pretendia para efectuar a tão desejada renovação de imagem e planos estratégicos de actuação e para ter um líder capaz de suportar fisica e psicologicamente um papado que vai ser duro. vem dos Jesuítas (o fantasma da inquisição), adopta o nome de Francisco, o que torna o seu dimuitivo (Chico) uma poderosa bomba para trocadilhos e provocações tendo em conta o actual escândalo que mina o Vaticano (pedofilia e abuso sexual de menores). vem do país das pampas e acima de tudo vem de um país que neste preciso momento está a ser governado por uma lider nacionalista peronista (Cristina Kirchner) que após 30 anos de submissão a entidades estrangeiras devido a uma gigantesca dívida externa, está a tentar devolver a Argentina aos argentinos através de um conjunto de nacionalizações e de um modelo (justicialismo) que contempla a ajuda social, a justiça social, o interesse do povo e a submissão do indíviduo ao trabalho em prol de um estado organizado. vem de um continente complexo onde o crescimento económico desmedido de alguns dos seus países contrasta com o actual panorama económico europeu.

Jorge Mario Bergoglio, o arcebispo de Buenos Aires de 76 anos é conhecido por viajar de autocarro, por ter cursado Engenharia Química antes de ter enveredado pelo sacerdócio, por viver num apartamento modesto onde cozinha as suas próprias refeições e por duas medidas que causaram discussão na Argentina: aquando da eleição em 2005 do Papa Bento XVI pediu a todos os argentinos que tencionavam viajar a Roma para saudar o novo papa que não o fizessem e dessem o dinheiro da viagem aos pobres. Em 2010, manifestou-se contra a decisão de Cristina Kirchner legalizar o casamento homossexual. Não se lhe conhecem grandes luxos ou ostentações. Apesar de ter sido o 2º mais votado aquando da eleição de Joseph Ratzinger, entrou neste conclave com o estatuto de “kingmaker” e não com o estatuto de favorito na corrida. Diz-se pelo vaticano que é um puro idealista e goza de influência entre todo o colégio cardinalício visto que é uma pessoa que sabe escutar e raramente comete discursos radicais, inflamados e falácias. É tido como um homem inteligente, sensato e moderado e avesso a convites particulares.

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coisas lá da Igreja

pedofilia, abusos e cenas do arco da velha. papas presos num quarto no período de sede vacante. não é estranho o termo vacante?

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só uma notazinha

Estou a ver em directo na RTP1 uma emissão a partir de Fátima em que está um tipo com um coro atrás a cantar músicas religiosas como um coro?

Queres que ver que a Igreja Católica Apostólica Romana já aceitou o protestantismo ou não serão estes coros dignos apenas daquelas igrejas evangélicas e adventistas do 7º dia norte-americanas?

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Diz que personificou Passos Coelho travestido de Salazar

mas ganha uma pensão de 3687 euros e um suplemento de condição militar de 737, totalizando 4424 euros por mês.

Ainda tem direito a regalias como gabinete de apoio, carro e motorista (paga o Ministério da Defesa) e telemóvel com plafond pago pela mesma entidade.

Diz “trabalhar de graça” se assim o for preciso e não utilizar as regalias “por uma questão de justiça”.

D. Januário Torgal, bispo das forças armadas é ele (segundo palavras próprias) um exemplo de justiça. 4424 euros por mês de salário. Quem tem boca vai a Roma. Não se pode dizer bem isso no seu caso, pois quem tem um salário ao nível do seu caso também pode ir a Roma… pagando a viagem em executiva!

Ou seja, estamos perante mais um caso de injustiça social neste país.  Clara e severa.

No entanto, três perguntas saltitam na minha cabeça: Porque é que não fui para Padre? Porque é que não fui para o exército? Porque é que não fui para o exército já ordenado Padre?

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Homicídio em nome individual

Por Ian Buruma, especialista em política e religião e professor no Bard College em Nova Iorque

“O que terá levado o jovem muçulmano de nacionalidade francesa, Mohammed Merah, a assassinar três estudantes judeus, um rabino, e três soldados, sendo dois deles seus correligionários? O que terá levado outro homem, Anders Breivik, a abater a tiro mais de 60 adolescentes num acampamento de verão da Noruega no ano passado? Esta vaga de assassinatos é tão incomum que as pessoas exigem explicações.

Qualificar estes assassinos como “monstros”, como alguns se apressaram a fazer, pouco esclarece o problema. Eles não eram monstros, eram jovens. E descartá-los como loucos é igualmente evasivo. Se o seu estado fosse de insanidade mental, nada mais precisaria ser explicado.

Destacam-se duas explicações, ambas de carácter amplamente sociopolítico. Uma foi apresentada pelo polémico activista muçulmano Tariq Ramadan. Ele responsabiliza a sociedade francesa. Mais especificamente culpa o facto dos jovens franceses de origem muçulmana serem marginalizados por causa da sua fé e da cor da sua pele.

Mesmo tendo passaportes franceses, são tratados como estrangeiros indesejáveis. Quando o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ele próprio filho de imigrantes, afirma que há demasiados estrangeiros em França, coloca os jovens como Merah num impasse ainda maAior. Uma pequena minoria de homens nesta situação poderia atacar movida pelo desespero.

A outra explicação, apresentada por Sarkozy, toma à letra as palavras de Merah. Afirmou que estava a protestar contra as operações militares francesas em países muçulmanos e a vingar a morte de crianças palestinas. Queria deitar a baixo o estado francês como um guerreiro sagrado islâmico. Foi inspirado pela Al-Qaeda. Então por que não acreditar nele? Daí a decisão de Sarkozy prender outros muçulmanos suspeitos de actos de extremismo islâmico e impedir alguns imãs de assistir a uma conferência religiosa em França.

Aqueles que consideram o extremismo islâmico como sendo o problema também têm tendência a apontar jovens assassinos como Merah como exemplos de integração falhada. Eles nunca se tornaram suficientemente franceses. Os imigrantes devem ser forçados a partilhar os “valores ocidentais”.

Embora ninguém negasse que Anders Breivik não é suficientemente norueguês, também se poderia ter acreditado na sua palavra. O discurso dos demagogos xenófobos parece tê-lo convencido de que tinha que matar os filhos das elites social-democratas, a fim de proteger a civilização ocidental contra os perigos do multiculturalismo e do Islão. Os seus crimes foram o resultado extremo de ideias perigosas.

Nenhuma das explicações está totalmente errada. Muitos jovens muçulmanos sentem-se indesejados nos seus países de nascimento e a linguagem extrema, quer seja utilizada por islamitas ou pelos seus opositores, ajuda a criar um ambiente propício à violência.

Mas tanto Ramadan como Sarkozy são demasiado simplistas, pois reduzem assassinatos invulgares a explicações simples. Mesmo quando são confrontados com a rejeição, a maioria dos jovens muçulmanos não se tornam assassinos em massa. Merah é demasiado anómalo para servir como um exemplo típico do que quer que seja, incluindo a discriminação racial ou religiosa.

Longe de ser um fanático religioso, Merah cresceu como um pequeno delinquente, sem qualquer interesse na religião. O apelo do extremismo islâmico pode ter constituído a sua glorificação da violência mais do que qualquer conteúdo religioso. Ele gostava de ver vídeos jihadistas de decapitações. Também tentou entrar para o exército francês e para a Legião Estrangeira. O exército recusou-o devido aos seus antecedentes criminais. Se os franceses não o quisessem, iria juntar-se aos guerreiros santos: qualquer coisa que lhe desse uma sensação de poder e um pretexto para saciar os seus impulsos violentos.

Muitos jovens são atraídos para a fantasia de violência; muito menos são aqueles que sentem a necessidade de a colocar em prática. A ideologia pode servir como uma desculpa ou justificação, mas raramente é a principal fonte de actos individuais de brutalidade. Na maioria das vezes as vagas de homicídios são uma forma de vingança pessoal – indivíduos falhados que pretendem fazer explodir o mundo que os rodeia, porque se sentem humilhados ou rejeitados, quer seja a nível social, profissional, ou sexual.

Por vezes, os assassinos parecem não ter qualquer desculpa, como no caso de Eric Harris e Dylan Klebold, que em 1999 dispararam sobre 12 colegas e um professor na sua escola em Columbine, no Colorado. Neste caso, as pessoas culparam os jogos de vídeo e filmes sádicos que os assassinos tinham estado a ver. Ainda assim, a maioria dos entusiastas deste tipo de entretenimento não sai por aí a matar pessoas.Breivik tinha fantasias de ser um cavaleiro em luta contra os inimigos do Ocidente. Merah imaginava que era um jihadista. Quem sabe o que os assassinos de Columbine pensavam que estavam a fazer. Mas as razões pelas quais cometeram os crimes só eles as sabem e não podem ser atribuídas principalmente ao entretenimento ou a outros materiais que eles tenham consumido.

Proibir esses materiais tem um apelo estético, com certeza, e as figuras públicas que pregam a violência devem ser sempre condenadas. O discurso do ódio e a ideologia violenta não são irrelevantes. Mas atribuir-lhes uma grande importância em casos como os de Merah ou Breivik pode ser erróneo.

É pouco provável que a censura resolva o problema. Proibir o Mein Kamp de Hitler ou proibir a exibição de símbolos nazis não impediu os neonazis na Alemanha de assassinar os imigrantes. Suprimir a pornografia violenta não nos livrará dos violadores ou dos homicídios cometidos por jovens adolescentes. Impedir os demagogos de fazer discursos inflamados sobre os muçulmanos ou multiculturalistas não irá impedir um futuro Anders Breivik. E bloquear a entrada de imãs na França não vai impedir outro Merah de entrar em fúria assassina.

De facto, comparar os actos selváticos de Merah aos assassinatos do 11 de Setembro de 2001, como Sarkozy fez, é dar demasiado crédito ao assassino. Não existem provas de que ele faça parte de algum grupo organizado, ou que esteja na vanguarda de um movimento revolucionário. Utilizar este caso para instigar o medo de uma ameaça islâmica para a sociedade pode fazer sentido a nível eleitoral para Sarkozy. Mas provocar o medo raramente é a melhor receita para evitar mais violência. Pelo contrário, é mais provável que a alimente.”

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Fidel encontra-se hoje com o Papa

Fidel, vê se dás um banho de socialismo ao Ratzinger. Pode ser que ele finalmente se cale pois ultimamente só tem dito asneiras.

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Mato, logo existo

Por Dominique Moisi, autor do livro Geopolitics of Emotion

“É preciso lutar contra os terroristas e contra as causas do terrorismo com a mesma determinação”. Essa fórmula, inventada há dez anos, no rescaldo dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, por líderes tão diversos como Javier Solana, então secretário-geral da NATO, e o então presidente dos EUA, George W. Bush, continua da mesma forma válida no rescaldo do recente massacre em França.

O Estado francês conseguiu identificar e “neutralizar” o terrorista em pouco tempo, apesar de persistirem duas questões cruciais: Ele deveria ter sido preso muito antes? Poderia ter sido capturado vivo? Agora, o Estado francês precisa de ir mais longe. O presidente francês, Nicolas Sarkozy estava certo ao chamar Mohammed Merah um “monstro”. Mas Merah foi o nosso monstro. Ele nasceu, foi criado e foi distorcido em França, tal como os terroristas que atacaram o metro de Londres, em Julho de 2005, foram produtos da sociedade britânica.

É imperativo, não só para a França mas para o mundo inteiro, entender como é que um único e solitário homem foi capaz de ter um país inteiro como refém, durante quase uma semana. A única forma que Merah encontrou para dar sentido à sua vida parece ter sido assassinar soldados e crianças judias. Matar – e da maneira mais fria que se possa imaginar – era para existir.

Muitos franceses inicialmente, e no seu íntimo, esperavam que o que tinha acontecido em Toulouse fosse provar ser uma repetição dos ataques em Oslo, em 2011 – que o terrorista se revelasse ser o produto da extrema-direita. Merah alegou estar a agir em nome do fundamentalismo islâmico; na realidade, ele era o produto de uma seita sangrenta e pervertida. Como pode um insignificante delinquente, uma criança perdida da nação francesa, cair nas mãos do ódio terrorista de qualquer tipo?

Os assassinatos no sudoeste de França reflectem três factores principais. Primeiro, há o campo de batalha do Médio Oriente, alargado de modo a incluir o Afeganistão e o Paquistão. Esses problemas não foram a causa directa dos ataques, mas também não eram um mero pretexto. Os problemas dessa região incivilizada agem como uma caixa-de-ressonância particularmente perigosa, para a juventude muçulmana alienada em França.

Segundo, a alienação é a realidade para muitos franceses muçulmanos, agravada por uma crise económica que resultou na elevada taxa de desemprego entre os jovens – e que atinge a juventude muçulmana de forma particularmente intensa, retardando a sua integração na República francesa.

Finalmente, um desvio de identidade em França pode atingir uma dimensão mais séria. É pura coincidência o facto de Merah, que era de ascendência argelina, ter optado agir no preciso momento em que a França e a Argélia estavam a comemorar os 50 anos da independência argelina?

Merah provavelmente não se sentiu nem francês nem argelino. Escolheu o que para ele seria uma identidade muçulmana. Mas foi uma versão perversa, extrema e sectária do islamismo. Questões pessoais – a ausência de um pai ou uma estrutura familiar coesa – provavelmente precipitaram o seu desvio de identidade. Ele estava à procura de um modelo que pudesse impor algumas regras na sua vida e não conseguiu descobri-lo até encontrar o terrorismo.

Confrontada com o horror das acções de Merah, a nação francesa tem demonstrado a sua união. Ao escolher como seus alvos soldados muçulmanos e cristãos, bem como crianças judias, Merah reforçou a solidariedade de um país que queria dividir. Mas esta união é instável. A República francesa tem que recapturar seus territórios perdidos mais importantes: jovens alienados e frágeis de origem imigrante.

A tragédia favoreceu, inegavelmente, a campanha de Sarkozy para vencer o segundo mandato das eleições presidenciais em Abril. Ele estava no comando e agiu de forma decisiva e responsável. A agenda política, pelo menos a curto prazo, desviou-se para a segurança, onde Sarkozy tem uma vantagem estrutural comparado com o seu rival socialista, François Hollande. Mas, tal como o ex-primeiro-ministro britânico Harold Wilson disse a famosa frase: “Uma semana é muito tempo na política”.

Muita coisa pode mudar antes da primeira volta das eleições. O que preocupará mais os eleitores franceses quando votarem? Será que os receios económicos voltarão a prevalecer sobre a agenda de segurança? Ou será que os factores pessoais dominarão, com o reflexo de um “mais ninguém para além de Sarkozy”, de um lado, e uma falta de confiança no não carismático – e, possivelmente, não preparado – Hollande?Os ataques selvagens de Merah são um lembrete amargo de que o terrorismo ainda assombra muitas sociedades. A segurança deve ser reforçada, enquanto as suas causas precisam de ser abordadas. E descobriremos brevemente se este espasmo de terror foi apenas um trágico parêntese ou um ponto de viragem.

anotamento meu: o autor, apesar do texto brilhante, podia ter acrescentado à sua lista de argumentos (não deixa de ser uma teia argumentativa muito boa) que Merah foi a voz de uma imigração “francesa” cada vez mais apertada pelas declarações dos candidatos presidenciais e que também poderá ter sido o espelho do recrudescimento das tensões diplomáticas entre os países do Magreb e o Estado Israelita, assim como da própria França com o referido estado.

Tanto Marine Le Pen como Nicolás Sarkozy tem pautado as suas intervenções de campanha com um ataque declarado à imigração em França. Estas intervenções, como é de esperar num país multicultural como a França, têm causado muita inquietação em todas as comunidades imigrantes radicadas em França.

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Guerra de padres

Guerra de padres dentro da Basílica da Natividade em Belém, Cisjordânia.

Os três credos do cristianismo que velam pelo espaço (Católicos, Greco-Ortodoxos e Ortodoxos Arménios) decidiram-se este ano a compartilhar o espaço onde reza a história terá nascido Jesus Cristo para as festividades de natal.

Para tal efeito, reuniram-se e assinalaram uma divisão da Basílica em áreas de jurisdição para que não existissem desacatos entre clérigos e fiéis.

O “tratado de Tordesilhas” não correu nada bem e o resultado foi este: os padres arménios violaram o espaço de jurisdição dos Greco-Ortodoxos na limpeza da Basílica e os outros não se ficaram…

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“Tiques de riquismo com a pobreza em pano de fundo”

Sou uma pessoa cujas ideologias nem sempre coincidem com aquilo que é dito por membros da Igreja Católica. No entanto, ao ler a edição desta semana do Jornal Região de Águeda não pude deixar de concordar com um texto do Bispo Emérito de Aveiro, D. António Marcelino, que de seguida passo a transcrever:

“Tiques de riquismo com a pobreza em pano de fundo”

“A gente pobre sempre sonhou e trabalhou para um dia poder viver melhor. E fazia o possível para isso. Aprendia-se na família a poupar, a não estragar, a não exigir aquilo que não se podia ter, a não fingir de rico quando não se era sequer remediado. Nos meios rurais, em que todas as pessoas têm nome e rosto, só raramente passava fome, porque se partilhavam coisas da horta e não se deixavam os pedintes irem embora só com a consolação das palavras. No tempo de racionamento, como foi o da guerra, as coisas lá se foram arranjando com sacrifícios, mas sem deixarem grandes mazelas. Podia dizer-se, na verdade, que o comum das gentes aprendia a viver com muito e com pouco, na abundância e na privação.

Os tempos foram mudando a vida e as pessoas começaram a aprender na nova escola que ensina a comprar sem dinheiro. A dependência de um ordenado certo tornara-se moeda corrente; a procura de um trabalho no Estado era garantia de segurança para o futuro; a emigração para fora do país, que emigrar cá dentro dava vistas curtas, mas lá fora abria horizontes, dava para ter automóveis e fazer casa nova na terra. Chegou-se, então, a um tempo de melhor nível de vida, por vezes vida sem grande nível e com mais aparências que realidade.

De repente, tudo começou a mudar. Muitos encargos, rendimentos incertos. Poupanças, bem como de habitos de moderação, não faziam parte da história pessoal e familiar. Irrompeu a calamidade do desemprego que atinge todo o país, pobreza e mesmo vida remediada viraram fome, a carência do essencial deixou de ser uma simples palavra para se tornar realidade dolorosa. Muita gente porém, ou não acordou ou finge que nada mudou. Quem, cá dentro ou vindo de fora, observar o que se por aí vê, não deixa de pensar, que, mesmo em plena crise, parecemos um país de gente rica, onde até muita gente nova, que ainda não ganhou para nada, dá nota pública de opulência. Automóveis sem conta, telemóveis dos mais caros e sofisticados, roupas de marca, ida ao futebol ao estrangeiro, como se fosse à cidade ali ao lado, muitos, ainda que minoria, a programar férias e lua-de-mel em países exóticos.

Toda a gente se queixa, mas a razão não é sempre a mesma para todos. E o desemprego aumenta a cada dia, o trabalhador precário mantem-se, o recibo verde continua a fazer história, a fila dos que cada dia procuram o Banco Alimentar e batem à porta das instituições de solidariedade social cresce, a ponto de já não se conseguir responder às necessidades mais prementes.

É verdade que muitas pessoas continuam solidárias ou porque passaram por experiências idênticas ou porque ainda não se lhes entorpeceu o coração. Um tempo diferente e de crise social grave, como o que temos aí para durar, torna urgentes atitudes diferentes das que têm sido comuns entre nós. Mudar de atitude nos uso do que se tem, na decisão de produzir mais, quando é caso, de poupar e partilhar, com sensibilidade para quem não tem, tornou-se uma responsabilidade diária e comum para os cidadãos, os governantes, os empresários, as instituições que nos servem, a sociedade em geral.

Neste contexto, os tiques de riquismo são ofensivos, as cedências ao supérfluo são provocadores e escandalosas. Todos são chamados, à medida de cada um, a entrar no processo a recuperação necessária e urgente do país. Não é trabalho apenas dos governantes. Pouco ou nada se conseguirá se cada um não impuser a si próprio atitudes de austeridade e gestos de partida, e a quem governa, decisões certas e exemplos convincentes. Urge, que todos digamos, de modo consequente, que somos pessoas responsáveis e solidárias, irmãos e cidadãos com iguais direitos e deveres.

Nesta crise, como sabemos, há gente especialmente atingida: os desempregados, já mais de 600 mil e muitos dependentes à beira do desespero; os imigrantes estrangeiros mais pobres, sobretudo os africanos, muitos deles explorados por empregadores desonestos; as famílias com problemas multiplicados e sem meios para os resolver; os que viram reduzidas as suas pensões de reforma, os abonos de família e outros apoios sociais, agora sem dinheiro para os medicamentos e outras urgências graves; os mais pobres, idosos e crianças, não amados na casa de família ou acolhidos em instituições que nunca dão tudo; os filhos de famílias desestruturadas, carentes permanentes de atenção e de carinho, e, muitas vezes também de pão… Todos estes e outros tantos são mão estendida ao coração de cada um de nós.

Depois da experiência de um certo bem-estar, ainda que relativo para alguns, vemo-nos, de um momento para o outro, instáveis como o vento. A maioria das pessoas não foi preparada para viver as crises, e muito menos para agir nelas com coragem e esperança. Há que começar esta aprendizagem na escola da família, na escola dos livros e dos cadernos, na escola alargada da sociedade. Nesta última, por certo a menos controlável, nos seus diversos níveis de acção, da comunicação social ao ambiente circundante, da publicidade ao respeito devido aos mais frágeis. Não se pode iludir ninguém. A hora é de verdade.

Perante diferenças inqualificáveis, injustiças inexplicáveis, compadrios vergonhosos, desprezo pelos mais carenciados e excluídos, ou uma acção positiva comum, operativa e rápida, que pode ir até à denúncia ou o desânimo e a inércia dos já vencidos, ou a agressividade dos desesperados… Em tempo de desafio, só tem sentido a honestidade, a união e a responsabilidade colectiva.”

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Jesus, Maria e uma cama

A imagem e o slogan utilizados em 2009 pela diocése da Igreja Anglicana de Auckland na Nova Zelândia a propósito de chamar a atenção dos fiéis para a importância do Natal.

A ideia deverá ter partido do diácono local Glynn Cardy , que prontamente justificou a colocação de um outdoor da imagem na frente da Catedral  de Auckland com o próposito de alertar a comunidade para a importância capital do Natal como o  nascimento de Jesus Cristo, mas a questão tomou proporções de séria reprovação por parte dos crentes.

“This billboard is trying to lampoon and ridicule the very literal idea that God is a male and somehow this male God impregnated Mary. We would question the Virgin Birth in any literal sense. We would question the maleness of God in any literal sense.” – afirmou na altura o clérigo neo-zelandês.

O que era uma tentativa de chamar fiéis acabou num “acto de vandalismo quiçá mais bárbaro que o de pintar as monumentais por parte dos Comunas em Coimbra”

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Libertinagem do dia

Vá meus meninos, já podem sair das máquinas que a Igreja já aceita o vosso mais íntimo propósito no mundo!

Ide e defendei esse mundo da doença! Com juízinho.

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