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A felicidade de Cobo

O Anglirú faz diferenças colossais. O caminho de cabras descoberto por um elemento da extinta equipa Once, alcatroado e inserido pela primeira vez na Vuelta de 1999 é de facto uma subida terrível (12 km a uma inclinação média de 9,9% com rampas duríssimas que vão dos 14% aos 24%) que está ao nível das 89 melhores subidas do Tour (Col du Telegraph, Col de La Madeleine, Mont Ventoux, LuzArdiden, Alpe D´Huez, Plateau de Beille, entre outras) e só passível de ganhos em território Espanhol com Arcalis e Sierra Nevada.

Foi aí que Juan José Cobo, experiente trepador da Geox que até esta volta tinha como grandes resultados da sua carreira (uma vitória na Volta ao País Basco, um campeonato espanhol de contra-relógio sub-23, 2 etapas na Volta ao País Basco, um 3º lugar individual na Volta a Castilla y Léon com a vitória numa etapa, 1 etapa na Volta a Portugal, um 4º lugar individual na Volta a Portugal, 1 etapa na Volta a Burgos, 1 etapa no Tour, 1 etapa na Volta à Espanha e consequente 10º lugar individual) cavou as diferenças para Froome, Wiggins, Mollema, Monfort e outros…

A partir daí foi gerir a diferença na última semana de prova, onde Christopher Froome e a Sky (pelo tempo que Froome tinha a recuperar para Cobo) foram demasiados tímidos, o que de facto também acaba por ser compreensível visto que Froome acabou por ter nesta Volta um resultado bastante surpreendente tendo em conta os parcos resultados obtidos até ao dia de hoje.

Bradley Wiggins conseguiu o pódio. Justamente. O Britânico está a tornar-se mais regular na alta-montanha. Mesmo assim creio que não é ciclista para ir mais além do que a luta pela vitória no Giro e na Vuelta.

Bauke Mollema é um nome a ter em atenção. De todos os Holandeses, creio que o seu potencial é bem maior do que o de Gesink. Todavia, a Rabobank está muito bem servida para os próximos anos. Teve muita arte ao roubar a camisola verde a “Purito” Rodriguez na pedalada final em Madrid. Para além de ser um ciclista completo que pode discutir grandes voltas, é um homem a ter em conta para as clássicas, pelo seu potencial de finalização de etapas.

Maxime MonfortIgor Antón – O primeiro é um ciclista de valia. Em forma, poderá alcançar o top-10 do Tour facilmente. O segundo é um espectáculo. Venceu onde queria vencer, em Bilbao, sua terra natal. Deu uma alegria aos adeptos bascos equiparável à vitória num Tour, visto que a prova espanhola não tinha um final de etapa por terras bascas desde o incidente (ameaça de bomba) em 1978. Antón precisa de melhorar o contra-relógio para poder discutir a Vuelta. O resto está lá.

Vincenzo Nibali foi 7º e acabou por ser uma decepção. O contra-relógio continua a ser uma pedra no sapato no Italiano. Nesta Vuelta perdeu muito tempo no contra-relógio e não se evidenciou na alta-montanha. Poderá ir pelo mesmo caminho de Ivan Basso caso continue a mostrar uma postura defensiva na alta-montanha.

Janez Brajkovic – Para quem era candidato a vencer o Tour, a 22ª posição na Vuelta não confirma apenas o mau ano da Radioshack. Confirma que Brajkovic é overrated. Erros de casting de uma estrutura que no pós-armstrong estragou carreiras, tais como as de Kloden (será sempre um gregário de luxo, nunca um chefe-de-fila) e Yaroslav Popovych.

Tiago Machado foi 32º. Prometeu o top-20 e quiça algo mais no início da prova. Acabou por desaparecer dos grupos principais com o decorrer desta. Precisa de ser mais consistente e precisa sobretudo que lhe dêem mais espaço na Radioshack com a nova fusão com a Leopard, algo que decerto não vai acontecer porque Tiago deverá ser influente no trabalho para os irmãos Schleck. Nesse papel, talvez venha a lucrar como Azevedo lucrou com Armstrong.

Chavanel, Le Mevel, Moncoutie – Mais do mesmo. Aparecem, desaparecem. A camisola da montanha é o conforto dos ciclistas e equipas francesas.

Joaquin RodriguezLuis León-Sanchez – Não são corredores para vencer grandes provas por etapas. Está mais que visto. Mas são atletas de guardar nas equipa. Vencem muitas etapas, são importantes para a obtenção de pontos no ProTour.

Sérgio Paulinho – Por duas vezes teve a vitória em etapa na mão, por duas vezes fraquejou.

Castro SastreDavid BlancoDavid BernabéuJuan HorrachPablo Lastras – Sastre está claramente em final de carreira. Aos 36 anos, o seu nível exibicional desceu desde que venceu o Tour e nada me admira que perdure a bicicleta no final do ano. Os restantes fizeram mossa nas estradas portuguesas. Ficam-se mesmo por aí, por mais que a comunicação social eleve as suas competências.

Peter Sagan – Deu à liquigás o triunfo mais saboroso em Madrid. Tanto batalhou que acabou no pódio final como se pretendia. À equipa Italiana, faltou o sucesso de Nibali.

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O racismo

Não acredito no senso comum das pessoas quando afirmam que existem povos racistas. Não existem povos racistas. Dentro de cada da comunidade existem sim pessoas racistas.

O povo Britânico, analisado como um todo pela minha perspectiva, não pode ser considerado um povo racista. Não o é, assim como não são os Belgas, os Suiços, os Portugueses, os Espanhóis, os Russos ou os Turcos.

A vivência com povos de outras nacionalidades e de outras raças, assume desde logo a possibilidade de redundar em dois pólos comportamentais totalmente antagónicos: o comportamento racista provocado pelo comportamento negativo de um cidadão nacional que olha com estranheza, afronta ou inimizade a personalidade, os valores, as tradições e a cultura do cidadão de outra nacionalidade que chega ao seu meio social e o comportamento positivo por parte do cidadão que se mostra interessado em interagir com cidadãos de outras nacionalidades como forma de hospitalidade, partilha de ideias, partilha de conhecimentos e de certa forma, na promoção da integração do cidadão estrangeiro no meio social ao qual o mesmo acaba de chegar.

São os valores do indíviduo e a sua própria situação pessoal e a prática executada pelas instituições, os critérios fundamentais que irão guiar a sua interacção comportamental com estrangeiros.

Se o cidadão nacional não tem emprego e procura-o com intensidade, verá com maus olhos a escolha de um estrangeiro para o seu lugar. Se ao cidadão nacional são cortados benefícios sociais, é normal que este se venha a sentir revoltado com o facto de existirem estrangeiros com tais benefícios garantidos pelo Estado do qual é cidadão. Se existe muita criminalidade no país, o cidadão nacional há de sempre atirar as culpas para o cidadão estrangeiro. A culpa do crime, da mendicidade, da degradação dos valores comungados por toda uma comunidade em prol da entrada de novos valores trazidos por emigrantes serão sempre uma arma de arremesso para o cidadão nacional preservar a identidade do seu país e arranjar um bode expiatório para algo que esteja a correr mal no seu meio social. Tal ideia não poderia estar errada, tais comportamentos não podem estar mais errados.

O comportamento integracionista é e sempre será a melhor forma de preservar uma determinada sociedade perante a entrada de uma grande quantidade de cidadãos estrangeiros no seu território. Quando digo que é a melhor forma, digo-o com o claro sentido que é mais importante que a própria imposição de leis. Leis que como se sabe, acabam ser criadas através do consenso de valores comungados socialmente por todos os cidadãos nacionais. Um cidadão estrangeiro totalmente integrado numa sociedade que não é a sua tenderá a não só evoluir como pessoa como a escapar a práticas de vida marginais e como tal à própria exclusão social. Os cidadãos nacionais e o próprio país terão a ganhar com o comportamento integracionista. Cada cidadão estrangeiro devidamente integrado, será uma nova fonte de descobertas sobre outras culturas, tradições, línguas e conhecimento assim como será mais uma pessoa com interesse em evoluir numa determinada profissão de modo a melhorar a sua situação de vida, criar riqueza para o país de acolhimento.

Se o cidadão nacional tomar consciência do facto deste planeta pertencer a todos os homens e como tal ser perfeitamente legítimo que cidadãos de outros países tentem melhorar as suas condições de vida fora da sua prática, teremos o comportamento integracionista. Se não tiver em conta esse facto, teremos um comportamento racistas.

Por outro lado, o papel das instituições criadas em determinada sociedade serão também elas determinantes. Começando pela educação, acabando nas instituições e fundações que regem o trabalho, a segurança social e a habitação. É nesse nicho onde se consegue perceber que são as instituições que estão a falhar por completo: nas escolas, a política de ensino da tolerância e da hospitalidade aos que não são cidadãos do nosso país como forma de preservar a paz e coesão social não está a surtir efeitos; a sociedade através das suas instituições continua a  encaminhar os emigrantes para uma vida de marginalidade descrminando-o (de forma negativa) no livre acesso ao trabalho, na remuneração (pagando-lhes menos do que o cidadão nacional que executa as mesmas tarefas) e obviamente na colocação de cidadãos da mesma raça ou da mesma nacionalidade em bairros degradados, promovendo portanto a exclusão social e como tal, a fome, o crime, a pobreza e a violência. A fome gera violência, as necessidades criadas entre as pessoas pelos hábitos consumistas levam a que estas desesperem quando não as conseguem satisfazer e tais necessidades (não realizadas) geram mais violência.

Em alguns países da europa, a colocação de cidadãos de países rivais dentro do mesmo bairro é outra das formas de criação de violência e instabilidade social.

É basicamente o que se passa no Reino Unido. Uma experiência multicultural (já assumida pelo governo) completamente falhada. Desde a educação à política de habitação e gestão de conflitos dentro de portas. Fala-se em segregação racial. Não creio que se trate propriamente de segregação racial pura e dura como aquela que aconteceu nos países africanos após a descolonização. Prefiro apelidar o comportamento britânico como tentativa de superioridade moral dos seus cidadãos em relação aos cidadãos estrangeiros que vivem e trabalham no seu território.E essa tentativa também provoca exclusão social e marginalidade. Principalmente quando a austeridade aperta e as medidas de protecção social diminuem, o que é o caso Britânico.

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Em Londres (2)

Autêntica anarquia, autêntica lei marcial.

A morte do Taxista do bairro de Tottenham Mark Duggan já não é propriamente o acontecimento que marca os dias agitados na capital do Reino Unido. É caso mesmo para dizer que a ocasião fez o ladrão.

Os actos de violência, vandalismo e pilhagem já se alastraram para vários pontos da cidade e até outras cidades como Bristol, Birmingham, Liverpool e Manchester. A confusão instalada já levou mesmo o Primeiro-Ministro David Cameron a ter que interromper as suas férias para accionar um plano de segurança interna de mais 16 mil policias para as ruas de Londres com ordens expressas para disparar balas de borracha por quem se atreva a continuar os estragos. De facto, este também era uma das queixas dos comerciantes assaltadose dos próprios moradores dos bairros onde aconteceram tumultos: a polícia londrina pura e simplesmente não acorreu aos locais de saque desmedido, continuando a executar as suas tarefas noutras áreas da cidade.

A registar, 1 vítima mortal, dezenas de feridos e mais de 500 detidos.

Outra das questões que para mim marca esta problemática é as várias declarações que tenho visto nos noticiários por parte da voxpopuli.

Alguns cidadãos queixam-se do facto dos actos de roubo e vandalismo serem praticados na sua maioria por emigrantes africanos. Chocou-me o facto de uma cidadã ter dito perante as câmaras da Sky News que “jamais estaria envolvido qualquer cidadão nacional porque a criminalidade no Reino Unido pertence aos emigrantes”. Um comentário puramente xenófobo.

No caso do Reino Unido não posso opinar sobre esta questão visto não ter conseguido arranjar dados que permitam tirar ilacções quanto ao nível de criminalidade praticado por emigrantes em relação ao nível ou percentagem de crimes que são praticados por cidadãos nacionais.

No caso Português, embora uma grande falange de cidadãos portugueses pense exactamente nesse sentido, a grossa parte da criminalidade em Portugal não é praticada por emigrantes. Quem o pensa, incorre num mito e não num facto. “Mitos e factos sobre a Imigração” foi 1º módulo um colóquio promovido pelo ACIDI (Alto-Comissariado para a Imigração E Diálogo Intercultural) e pela Secção de Defesa dos Direitos Humanos da AAC na qual participei no ano passado e na qual fiquei elucidado desse mito muitas vezes atribuído exclusivamente aos imigrantes que vivem no nosso país. A proporção de crimes praticados por imigrantes em Portugal tendo em conta a população imigrante que vive em Portugal e o número de crimes praticados por cidadãos nacionais mostra que os imigrantes de outras nacionalidades em Portugal não praticam mais crimes que os cidadãos nacionais.

No Jornal da Tarde da SIC, o prestigiado sociólogo da UC Boaventura Sousa Santos, enumerou e bem os problemas pelos quais passa a Grã-Bretanha e algumas das medidas que geraram insatisfação por parte dos cidadãos:

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Declínio económico (a libra desvalorizou muito nos últimos meses em relação ao euro e ao dolár) medidas de austeridade, o Desemprego, cortes no ensino superior que motivaram o aumento das propinas, as dificuldades de coesão sociais derivadas da experiência multiculturalista falhada no Reino Unido, os jovens estão sem horizonte, falta de poder de compra de pessoas com hábitos enormes de consumo…

Boaventura Sousa Santos disse tudo…

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Em Londres

Um cenário de batalha, roubo e pilhagem nunca antes visto nos últimos anos no Reino Unido.

Mais uma vez a polícia Britânica voltou a errar. Mark Duggan, taxista de profissão, descrito como um cidadão pacífico e conhecido de todo o bairro foi assassinado com um tiro policial quando a polícia fazia uma perseguição a criminosos no bairro de Tottenham.

Duggan, pai de 4 filhos entra na lista dos erros da polícia Britânica, que em 2005 já tinha cometido um erro absurdo ao atirar no cidadão brasileiro Jean Charles Menezes pensando que se tratava de um terrorista suicida.

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Excessivo

Durante esta semana, a televisão portuguesa esteve inundada de directos, reportagens e histórias para todos os géneros sobre o casamento do Principe William e de Kate Middleton.

O excessivo tempo de antena dada à faustosa festa Britânica parece tentar esconder o facto do país ter sido “invadido” por uma comissão de técnicos do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. O excessivo tempo de antena dado a um conto de fadas aos quadradinhos que em nada abona a bom do nosso país, tenta camuflar que aqui bem dentro do nosso Portugal está um país na bancarrota, derrotado ao liberalismo desmedido de um dos maiores flagelos da regulação económica moderna e instável politicamente graças ao tiroteio que os líderes dos dois maiores partidos teimam em continuar em manter vivo em vésperas de eleições.

Até as vitórias europeias de Porto e Benfica, o sui-géneris futebol português que ontem fez história numa competição europeia pelos mais vistosos motivos passou para 2º plano perante o casamento dos princípes britânicos. Facto, que desde já, considero raro neste país de Fado, Fátima e Futebol.

O cenário económico-social português está tão negro e o cenário político tão desgasto e repetitivo ao ponto de grande parte da Comunicação Social aproveitar estes contos de fadas para tentar entreter o coração dos pobres portugueses, fustigados pela insegurança sobre o futuro.

Um país que insiste em olhar para o que de superficial se vai passando lá fora, não poderá de maneira alguma concentrar-se no presente do país e ter uma visão próspera sobre o futuro. É a sina do povo português: um povo que não evoluiu no tempo. É a sina de um povo que entrega a governação aos partidos do bloco central, e que como tal, é sucessivamente fustigado pelas hediondas políticas de sucessivos governos que em nada têm acrescentado progresso económico e social ao povo. É um povo, que pelo voto inconsciente merece sofrer para que um dia finalmente aprenda a exercer um direito cívico em plena consciência ideológica.

Daqui a uns dias já ninguém se deverá lembrar que o herdeiro ao trono Britânico casou com uma plebeia. Regressam portanto as notícias que dão contas de mais austeridade quer por parte do governo, quer por parte da troika internacional presente em Lisboa. Regressam os ataques dos principais rostos do Bloco Central. Regressa a mesquinhez da política e a mesquinhez da caça barata ao voto. Regressa o populismo, regressa a demagogia que cria estratégias populistas. Apenas não regressa o melhor de Portugal: cá pela Tuga continuamos todos na fossa. E neste espírito, da fossa não iremos sair.

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Restrepo

Tim Hetherington era um jornalistafotógrafo de guerra Britânico, colaborador da Revista Vanity Fair. Esta semana, na Líbia, Hetherington e outro fotógrafo Norte-Americano de nome Chris Hondros faleceram durante um raide aéreo das tropas leais ao ditador Mohammar Khadafi contra os rebeldes na cidade Líbia de Benghazi.

Especialista na cobertura de cenários de guerra, Hetherington deixa para a eternidade o excelente documentário “Restrepo”, documentário nomeado para os Oscars deste ano na categoria de “Melhor Documentário” e vencedor da categoria no Festival de Cinema de Sundance. “Restrepo” é um documentário que retrata uma operação de alto risco das tropas Norte-Americanas na Guerra do Afeganistão.

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Sinais de imperialismo

Actuando de acordo com a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os Estados Unidos e seus aliados iniciaram a “Operação Amanhecer” de acordo com os propósitos enunciados pela resolução: proteger os cidadãos Líbios contra os abusos de Mohammar Khadafi.

Há uns dias atrás, confesso que pela primeira vez ousei afirmar que os Estados Unidos e os seus aliados da NATO tinham finalmente cumprido uma resolução do Conselho de Segurança desde o ano em que o modelo da Carta das Nações Unidas tinha sido assinado. A “Operação Amanhecer” teve início com o ataque directo às tropas do regime, sem no entanto, ter como objectivo base a deposição do líder Líbio.

Todavia, pela lógica dada na rapidez da resposta dos aliados à problemática em causa, achei demasiada oferta por parte dos meninos bonitos da NATO. Rapidez na resposta que por exemplo os mesmos países e o mesmo Conselho de Segurança não conseguiram dar nem de perto nem de longe a um flagelo humanitário ainda maior que foi o caso do Darfur.

A pergunta que se põe é: O que é que a Líbia tem a mais que o Darfur? Esta pergunta remete-nos para outra questão mais metafísica: A vida de um cidadão Líbio é dotada de protecção especial e a de um Sudanês não? Esta pergunta remete-nos ainda para outra questão mais complexa do ponto de vista orgânico e institucional das Nações Unidas: Porque é que a ONU foi célere a resolver a questão Líbia e nunca chegou a resolver a questão do Sudão?

Começo pela base essencial para dar resposta às minhas próprias perguntas. Todos sabemos da importância estratégica que a Líbia tem na produção de petróleo e os acordos comerciais que detêm com países da União Europeia e todos sabemos que o Sudão é um dos países com menos recursos naturais por explorar e como tal, um dos países mais sub-desenvolvidos do mundo.

Também creio que todos sabemos a importância vital que interessa aos maiores exportadores de armas do mundo que o clima de massacre humanitário continue no Sudão. Entre os maiores vendedores de armas do mundo encontram-se nomes como Barack Obama ou David Cameron – a única diferença é que se encontram camuflados na pele de intermediários.

Do ponto de vista da asserção imperialista das políticas das grandes potências mundiais, o Sudão é um país que não interessa e a Líbia é um país não só importantíssimo do ponto de vista económico como no futuro se pode tornar um aliado da NATO para a implantação de bases militares de modo a controlar o mediterrâneo, pretensão essa que há muito é um objectivo político da NATO, como tal, objectivo primordial das políticas externas dos Estados Unidos da América.

Terminada a primeira fase da “Operação Amanhecer” os aliados passaram o controlo das operações estratégicas do conflito para a NATO, os rebeldes saíram do sufoco do cerco das tropas de Khadafi, mas o grande ditador continua no poder. A ameaça de intervenção militar com outros propósitos continua pendente sobre a cabeça de Khadafi e à semelhança da rapidez com que foi decretada uma primeira intervenção com o propósito de manter a segurança entre os cidadãos nada me espantaria que tão rapidamente fosse decretada uma intervenção militar com outros propósitos na Líbia.

Como disse ontem Lula da Silva, é necessária a construção de uma nova ordem mundial que começará com uma reforma no modelo das Nações Unidas. Tomando como exemplo as disparidades de decisões e indecisões tomadas nos estudos de caso do Sudão e da Líbia, não é perceptível, digamos compreensível, o facto das instituições das Nações Unidas tomarem opções tão díspares em situações análogas.

Ainda mais quando hoje surgem notícias em toda a Comunidade Internacional que dão conta que a pressão que Mr. Obama e Mr. Cameron estão a fazer ao regime Líbio inclui a venda de armas aos rebeldes. Tudo me leva a concluir que alimentar uma guerra é profícuo para os Estados Unidos da América e seus aliados, para no fim vencê-la e tornar o país outro dos seus protectorados.

Onde há fumo há fogo, diz o ditado. Esse caso Líbio já começa a cheirar mal, dado o decrépito da atitude dos países envolvidos na intervenção militar que foi feita à Líbia. São sinais de imperialismo. Claros sinais de imperialismo.

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NBA em Londres

Pela primeira vez na história da Liga Profissional Norte-Americana, Toronto Raptors e New Jersey Nets cruzaram o Oceano Atlântico até terras de Sua Majestade para disputar em Londres um jogo da fase regular da competição.

Tratou-se obviamente de uma estratégia comercial da NBA de levar o basquetebol ao Reino Unido, onde a modalidade ainda não assume grande preponderância, com vista não só à explosão da modalidade como à execução de futuras parcerias comerciais. No entanto, o Reino Unido já conta com jogadores na liga como é o caso de Luol Deng (Chicago Bulls) Ben Gordon (Detroit Pistons) e John Pops Mensah-Bonsu (New Orleans Hornets).

Recordo que alguns anos a esta parte, na pré-época a Liga traz algumas das suas equipas à Europa para efectuar jogos contra as melhores equipas da Europa.

Nets e Toronto (já sem grandes hipóteses de playoff) deram dois excelentes espectáculos na London O2 Arena. Na primeira partida, os Nets (agora liderados por Deron Williams) venceram por 116-103 e na 2ª partida, voltaram a vencer por 137-136 num jogo espectacular que teve direito a três prolongamentos. No 2º jogo, o Italiano Andrea Bargnani (Raptors) foi o melhor marcador com 35 pontos (12 ressaltos) sendo que o melhor marcador dos Nets foi o poste Brook Lopes com 34 pontos (14 ressaltos). Nesta 2ª partida, o base Deron Williams fez 21 pontos e um total de 18 assistências.


Nas bancadas da London O2 Arena estiveram alguns famosos a assistir à partida, casos de David Luiz e Didier Drogba.


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Arctic Monkeys + Dizzie Rascal

Arctic Monkeys featured Dizzie Rascal: “Temptation Greets You Like your naughty Friend” – Lado B do single “Brianstorm” (2007)

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Julian Assange

Vai ser extraditado para a Suécia por crimes que só existem nas cabeças dos serviços secretos Norte-Americanos e dos homens forte da Administração Obama.

Tomando analogamente como exemplos os casos “Rubycuore” e as acusações que foram formadas em 2010 aos jogadores da Selecção Francesa, só me questiono porque é que as duas jovens suecas que denunciaram o criador da Wikileaks dos pressupostos crimes de violência sexual e não pedem à justiça sueca uma choruda indeminização, à semelhança daquilo que Karyma El Mahroug fez com Silvio Berlusconi e Zahia Dehar pediu no escândalo com os jogadores da Selecção Francesa? Afinal de contas, todos sabemos que existe alguém que está a “municiar financeiramente” o criador da Wikileaks…

Algo está a bater mal nesta história. E a verdade que se pode tirar como ilação de todo este processo é que Assange e que a sua criação apenas cometeram um crime, crime esse que todo o mundo sempre quis saber – as atrocidades cometidas pelos Norte-Americanos nos últimos 30 anos – e esse facto, é incómodo para caraças para alguém…

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Droga em quadro de Adebayor

A Comunicação Social Britânica noticiou hoje que foi apreendido um quadro do avançado do Manchester City Emmanuel Adebayor, vindo do Togo e destinado a Londres, com uma quantidade de Cannabis avaliada em cerca de 3 mil libras.

A polícia fala em crime organizado e para já não apontas culpas ao jogador como proprietário do quadro.

Pura Coincidência ou mais um que fuma uns cacetes de vez em quando?

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Em Londres

http://www.youtube.com/e/a8jN4qZTGTo

Milhares de estudantes do ensino superior Britânico juntaram-se em frente ao Parlamento com vista à revolta contra o aumento das propinas.

A revolta estudantil no Reino Unido teve hoje o seu ponto alto. O governo Britânico aumentou as propinas de 3290 libras (3840 euros) para 6 mil libras (7000 euros) e em certos casos para 9 mil libras (10500 euros).

Concentrados em frente ao Parlamento, os estudantes sofreram uma violenta carga policial. Várias dezenas foram detidos pelas autoridades. Um polícia ficou gravemente ferido.

Os nossos colegas Britânicos revoltam-se perante as políticas de austeridade dos seus governantes no que toca ao ensino superior. E nós, quando é que nos revoltamos a sério em Portugal?

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