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memória curta

pedro passos coelho

a 12 de Abril de 2011.

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A Fraude (2)

As minhas notas sobre este 2º capítulo:

1. O BPN como o banco que privilegiava “a busca de ganhar milhões sem risco” – estas afirmaçõs batem certo com as palavras de Oliveira e Costa na Comissão Parlamentar de Inquérito onde este dizia que os bancos tem que inventar lucro. Inventar lucro com investimentos em negócios com um grau interessante de risco como foi o caso do depósito do empresário da construção civil de Fafe, que colocou 900 mil euros em depósitos a prazo de curta duração\maturação.

2. “quando eu tiver livre vamos tomar aí um café” – mais uma vez Oliveira e Costa respondia no parlamento seguro que nada lhe aconteceria.

3. quando Honório Novo explica o esquema de reencaminhamento dos depósitos dos clientes do banco para a malta que mandava no banco, esse esquema fez-me lembrar algumas semelhanças em relação ao método utilizado na mesma altura por Bernard Madoff (esquema Ponzi).

4. As intervenções ríspidas de Nuno Melo (em conjunto com Honório Novo e João Semedo) os únicos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito que realmente se preocuparam em saber a verdade, faz com que coloque algumas perguntas: na 1ª comissão de esclarcimento a Oliveira e Costa houve pressões junto de deputados do PSD e do PS para não se mexer na ferida do banco? Será que existem deputados ou antigos deputados que também participaram directa ou indirectamente nos ganhos desmedidos do banco? Cavaco Silva, já presidente da República, imiscuiu-se directa ou indirectamente no caso?

5. Outra pergunta que se coloca de forma pertinente foi o futuro de Nuno Melo no CDS. Durante o primeiro governo de José Sócrates, este deputado era um dos mais promissores futuros do CDS\PP. Perdeu preponderância depois desta comissão parlamentar e de possível Ministro em caso de coligação com o PSD ou vitória eleitoral do CDS\PP, não conseguiu sequer chegar a secretário de estado. Será que Melo foi prejudicado pelo seu papel nesta comissão parlamentar?

6. Quem era o principal estratega e quem eram os principais operacionais? Luis Caprichoso, o mestre das offshores? Mais uma vez se pergunta: se era prática corrente a transferência de dinheiro por parte do departamento de Caprichoso para offshores ilegais como é que os inspectores da operação furacão e o Banco de Portugal não interviram na supervisão destas práticas (haviam grandes somas de dinheiro a sair do banco para Cabo Verde e é dito na reportagem que foram criadas mais de 100 off-shores) e não acusaram o banco de evasão fiscal?

7. “escassez de meios técnicos das autoridades judiciais” “a principio só estava uma pessoa envolvida na investigação (…) foram pedidos mais meios e mais pessoas mas a resposta foi negativa” – é por isso que eu não acredito na justiça portuguesa.

8. A resposta para a pergunta deixada na nota 6 e para a evidencia do testemunho citado na nota 7 vem mais à frente.

Ironicamente, a “operação furacão”, operação de investigação do DCIAP a 4 bancos que fugiam ao fisco tinha como “clientes” 3 bancos que actualmente estão a ter consequências nefastas para o sistema financeiro português, para o estado e para os contribuíntes portugueses: o BPN (nacionalizado e recapitalizado com o dinheiro dos contribuíntes), o Finibanco (em graves apuros desde há alguns anos para cá) e o Millenium BCP que ainda esta semana deu 1200 milhões de euros de prejuízo, segundo responsáveis do banco, devido a negócios que correram mal junto da banca Grega devido a uma operação que correu mal com o Piraeus.

Estranhas também são as semelhanças entre o BPN e o Finibanco na medida em que ambos tentaram projectar a sua imagem a partir do futebol. O BPN com Luis Figo e com a Federação Portuguesa de Futebol. O Finibanco com os patrocínios à AAC\OAF e ao Vitória de Guimarães. Outro exemplo é o recém-nacionalizado BANIF, muitos anos patrocinador do Marítimo e do Nacional da Madeira. Ambos os três sempre ofereceram taxas de juro elevadíssimas nos depósitos a prazo, mesmo nos depósitos de curto prazo de maturação. 2 (BPN e BANIF) já sofreram intervenção estatal. O Finibanco tem-se aguentado. Resta saber por quanto tempo.

O que é estranho em tudo isto é que devido à Operação Furacão estavam 4 investigadores do DCIAP a vasculhar de alto a baixo as contas dos referidos bancos, que devidamente avisados por uma voz do DCIAP, faziam desaparecer os documentos antes da chegada dos investigadores e mesmo assim, não batendo as contas dos bancos certo os investigadores não foram capazes de concluir nas suas investigações que não estavam a aparecer os documentos todos relativos ao banco. Falamos de uma investigação judicial que durou 2 anos. Algo me quer parecer que o DCIAP pura e simplesmente não quis levar o processo para a frente e descobrir tudo aquilo que se passava nesses referidos bancos. Mais uma vez, o Banco de Portugal e a CMVM falharam por omissão. Eu ponho as minhas mãos no fogo como Vitor Constâncio estava ao corrente do esquema de pirâmide que se estava a levar a cabo no BPN, no BPN valor, no BPN Créditus e no Banco Insular de Cabo Verde.

9.  A parte deliciosa deste 2º capítulo “eles precisavam de 5, ele até dava dez. como é possível financiar mortos?” – diz um dos funcionários entrevistados. “a mesma viatura era financiada 3, 4 e 5 vezes” – conclui. Mais uma vez pergunto: como é que é possível deixar passar a ilegalidade desses negócios?

10. Para finalizar, poucas dúvidas me restam: o BPN era uma rede muito complexa. Envolvia banqueiros, empresários, investidores a título individual, governantes, deputados, investigadores, juízes, procuradores, dirigentes de outras instituições de utilidade pública (como é o caso de Gilberto Madaíl e da FPF), altos quadros de entidades de supervisão (Banco de Portugal\CMVM) e até jogadores de futebol como é o caso de um famoso accionista do banco: Luis Figo. Todos participavam ou ganhavam do esquema.

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facas de três bicos

O Costa do Castelo desistiu.

Seguro deu o sinal de alarme mas também se soube precaver. Apesar de ter perguntado qual era a pressa na convocação de um congresso quando tinha sido ele a apressar esse mesmo congresso na AR, havia sempre a questão das eleições à Câmara da Capital. António Costa sabia perfeitamente que não havia alternativa no PS\Lisboa às eleições autarquicas. Podia-se optar por uma solução de recurso dentro do “socratinismo” para Câmara que até pudesse lutar pela vitória contra Seabra (Pedro da Silva Pereira, Luis Amado ou até Carlos Zorrinho) mas essa hipótese seria sempre vista como a 2ª escolha para o cargo por parte de um partido que precisa de subir no barómetro.

António Costa sabia perfeitamente que não se podia tornar líder do PS antes das autárquicas (teria que obrigar o partido a manobras que poderiam não resultar nas eleições) ou depois das autárquicas (os lisboetas não seriam parvos e não iriam votar em alguém que iria abdicar a meio do mandato para se tornar candidato às legislativas). Em qualquer um dos cenários, a decisão de António Costa parece-me a mais sensata para a unificação do partido mas não me parece a mais sensata para o futuro pois António José Seguro não deverá constituir-se como alternativa a este governo. Creio que entretanto aparecerá alguém da ala “socratista” que irá empurrar Seguro para o lugar do qual ele jamais deveria ter saído.

Ganhar as autárquicas em Portugal significa, ao nível de mediatismo, barómetro de popularidade dos partidos e fidelização de eleitorado para as próximas legislativas ganhar uma dúzia de câmaras muncipais: Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Maia, Matosinhos, Coimbra, Braga, Amadora, Sintra, Almada, Oeiras, Leiria e Viseu. Só nestas Câmaras Municipais, a brincar a brincar, concentram-se quase 2,5 milhões de eleitores, número que é mais coisa menos coisa metade do número de votantes habituais, pautando a abstenção que se registou nas últimas legislações.

No caso de Lisboa, o partido que vencer a Câmara sobe nos índices mediáticos e no barómetro de popularidade. Portanto, torna-se essencial para PS e PSD disputarem a capital com o presidente em mandato e com um opositor que é amado em Sintra e é popular em Lisboa. Uma derrota nas autárquicas poderá ser o golpe de misericórdia neste governo. Creio que não será porque o executivo cai antes. Mas…

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A falta de vergonha no seu expoente máximo

O CDS\PP aprovou no seu seio a candidatura de Avelino Ferreira Torres à Câmara do Marco de Canavezes.

Só me ocorrem 3 brevíssimas notas em jeito de comentário.

1. A falta de vergonha no seu expoente máximo.

2. Portas já está a tentar criar o seu caminho à margem do governo (já percebeu que o PSD vai cair tão baixo depois desta legislatura que o CDS\PP pode levar por tabela) e esta manobra com Avelino Ferreira Torres é apenas uma das várias manobras que o partido fará nas autárquicas para poder lavar a sua cara e controlar os locais onde a sua popularidade é mais alta. Falo dos distritos de Braga, Porto, Aveiro e Viana do Castelo.

3. O significado de dois termos da língua portuguesa:

3.1 Impunidade: s.f falta de castigo devido, estado de impunidade, tolerância de crimes ou desaforos, estado do que não é punido, dificuldade de exercício da justiça.

3.2 Populismo: adj. 2 g. s. 2 g. Diz-se pessoa amiga do povo. Estilo de governo onde um homem procura tornar-se um líder carismática aos olhos dos seus cidadão. Mobiliza massas e usa a máquina pública para se perpetuar no poder pela concessão de benefícios às classes baixas e médias, podendo efectivamente tais concessões não passarem de pura demagogia.

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fazendo as contas

O Luis (Luis?) gabava-se aos microfones das televisões e rádios que o governo tinha inventado um “imposto de solidariedade” (na prática é mais um embuste deste governo) para todos aqueles que têm rendimentos anuais de 250 mil euros, ao manter a sobretaxa de 4%. aqueles 0,5% de diferença que a bom da verdade representam que cada português que tiver rendimentos anuais nesse valor efectuará mais 1250 euros de descontos que os restantes escalões. ou seja, o suficiente para que 0,0000000001% da população portuguesa desconte mais qualquer coisa para se poderem pagar mais 3 subsídios de desemprego (a quem ainda o tem; quem não o tem que se lixe). 1250 euros ainda é dinheiro. para quem aufere 250 mil é um oásis no meio das medidas anunciadas no sector fiscal. mal menor. feliz da vida de quem está nesta situação. Mas o Luis ainda acha a coisa digna de perecer na Carta dos Direitos Humanos deste país.

O que o Luis não falou, o que este Governo ainda não falou, o que o Tribunal Constitucional ainda não fiscalizou, o que o Presidente da República às escuras do direito promulgou é que estas medidas anunciadas pelo governo no sector fiscal entraram em vigor no passado dia 1 de Janeiro, quando de facto, a Constituição não o permite. E isso rima com solidariedade. Chama-se ilegalidade.

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é demasiado triste

quando o primeiro-ministro primeiro corresponde-se por carta com o líder do principal líder da oposição e passado meia dúzia de dias já o convence a tomar o chá das 5.

quando o líder parlamentar do principal partido do governo (Luis Montenegro), aquele que outrora iniciava debates parlamentares a fazer perguntas de retórica ao primeiro-ministro sobre os erros danosos das legislaturas socialistas, está mortinho que os socialistas aceitem participar da coligação para que o governo possa mascarar os erros efectuados nos últimos 2 anos ao nível da nossa economia e assim possam abrir a arca de pandora da tolerância do Fundo Monetário Internacional nas 6ª e 7ª avaliações deste ao nosso plano de resgate.

quando um cavalo de batalha político chamado Luis Marques Mendes vem para a televisão dizer com rigor os 4 mil milhões de euros que serão cortados no orçamento de estado, de uma só rajada e com uma technique digna de um bom talhante, antes do próprio orçamento ser conhecido em sede própria.

quando uma Manuel Ferreira Leite, afirma, em terras de liberdade, que o melhor caminho será a suspensão temporária da democracia.

ainda há uns dias atrás, o meu amigo Pedro Morais Coimbra citava-me os correctos exemplos de democracia dos países nórdicos. dizia o Pedro que na Islândia “o povo não poupou banqueiros e governantes” aquando do rebentamento da bolha financeira naquele país, tomou novamente o poder, negou-se a pagar a dívida que os seus banqueiros tinham contraído junto de bancos ingleses e holandeses e baralhou e voltou a dar com a aprovação por referendo de uma nova Constituição. Na Noruega, quando um governante afirmou que tinha considerado bem a morte de um imigrante africano pela polícia de Oslo depois deste se ter envolvido numa rixa com um grupo local de skinheads, o povo saiu pacificamente à rua, o governante em causa não teve outra hipótese senão pedir a demissão e nessa manifestação não se via um único polícia.

pergunta-se a Manuela Ferreira Leite se porventura conhece o conceito de “democracia participativa de base”.

se não conhece passo a explicá-lo. através do voto, são os cidadãos os detentores dos direitos de eleição dos seus representantes nas esferas governativas e dos seus representantes nas esferas que tem o poder de legislar. o próprio estado é legitimizado e limitado pela lei. o poder pertence ao povo. pelo voto fazem-se representados, pelo direito à indignação, à greve e à manifestação pacífica podem efectivamente destituir os que fizeram representar. simples. se existirem dúvidas, este texto do excelente Constitucionalista Paulo Bonavides pode ser bastante esclarecedor.

outro aspecto que não deixa de ser caricato no discurso da antiga ministra das finanças é efectivamente a defesa da classe média. num estilo Robin Hood tosco que pode convencer muito otário de provincia mas não convence quem realmente é conhecedor do passado. falamos da ministra que, na sua altura de Ministério castigou de forma dura a classe média com impostos. estavamos de tanga, dizia aquele que um dia abandonou esse mesmo governo para se colocar ao sol em Bruxelas.

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e então sr. primeiro ministro?

só neste país é que isto é possível. as empresas do relvas e do passos trocavam favores em troca de formações subsidiadas a autarcas, arquitectos, professores e zés da esquina. As empresas do relvas e do passos obtinham informações privilegiadas no decurso de actividades político-partidárias no que diz respeito a concursos para o ministério das ditas formações. para que as empresas do relvas e do passos pudessem florescer. é claro que em troca, e para isto não é preciso ter dois palminhos de testa, o relvas e o passos, como bons militantes do partido que são, davam em troco o controlo de certos quadrantes sociais para o seu aparelho partidário. o cacique à moda antiga. o relvas e o passos davam formações e em troca, a partir das suas jotas, davam indicações precisas para as jotinhas fazerem a caça ao voto, pura e declarada. nas universidades, nos lares de idosos, nos amigos do clube de futebol de são jorge da murranhanha.

o passos e o relvas, culpados como adão e eva, mantem-se calados. o problema do seu silêncio. a coligação está a ruir. portas, o terceiro na história, deverá querer aproveitar o orçamento de estado (o péssimo orçamento de estado feito em Bretton Woods) para poder sair da coligação de bem com o povo português, hábil a negociar a morte do psd nas próximas eleições. engane-se, portas. esta coligação não terá retrocesso aos olhos do povo.

a própria justiça, no caso “monte branco” já está encarregue de destruir as escutas que envolvem o primeiro-ministro. desde os fatídicos casos do Pinto de Sousa de Paris e do Jorge Nuno que é assim. se for um miserável o escutado, o supremo valida as escutas. se for escutado um poderoso, eliminam-se as escutas do Ministerio Publico, ficando a última cópia para quem um dia precisar de atirar uma sarda à cara dos ditos cujos. por motivos políticos e pessoais. nunca por motivos que engrandeçam a justiça.

é por isto meus senhores, que a justiça em portugal está cotada como está. somos o 3º pior país ao nível judiciário europeu. ainda vem falar de pressões sobre as privatizações por parte do BESI e de José Maria Ricciardi? claro que existem pressões. não deixa porém de ser irónico cruzar estas pressões com as declarações públicas de Ricardo Salgado, há uns meses atrás, onde este afirmava que o BES precisava de facto de um aumento de capital para que o banco restabelecesse os rácios de capital necessários para a sua administração saudável e de acordo com as imposições do seu regulador, o Banco de Portugal . aqui (a 28 de Março de 2012) e aqui.  embora não tendo recorrido ao fundo de capitalização promovido pelo dinheiro da troika, e relembrando conceitos que todos os economistas deverão ter sempre na ponta da lingua, por rácios de capital designam-se “um nível mínimo de capital que as instituições devem ter em função dos requisitos de fundos próprios decorrentes dos riscos associados à sua actividade. Como tal, este rácio é apurado através do quociente entre o conjunto de fundos próprios designado de “core” e as posições ponderadas em função do seu risco.
O conjunto de fundos próprios “core” compreende o capital de melhor qualidade da instituição, em termos de permanência e capacidade de absorção de prejuízos, deduzido de eventuais prejuízos e de certos elementos sem valor de realização autónomo (vide lista detalhada de elementos elegíveis em anexo), numa perspectiva de continuidade da actividade de uma instituição. Por seu lado, as posições ponderadas em função do seu risco representam uma medida dos riscos decorrentes da actividade financeira, designadamente dos riscos de crédito, de mercado (incluindo requisitos mínimos de fundos próprios quanto aos riscos cambial e da carteira de negociação) e operacional, os quais são calculados nos termos dos Decretos-Leis n.º 103/2007 e n.º 104/2007, de 3 de Abril, e demais regulamentação conexa.”

ora bem, posto isto: um banco que em Março não satisfazia os rácios de capital exigidos pelo regulador da sua actividade e que inclusive, para não recorrer ao fundo de capitalização bancária teve que ir aos mercados financiar-se em 500 milhões de euros (sabe-se-lá a que juros) já tem agora capacidade para investir na compra de empresas que serão privatizadas pelo estado? como é que é possível avançar para um negócio (com elevado grau de risco) em tão pouco tempo? será que os bancos já planeiam a sua actividade de um dia para o outro ou tudo o que Ricardo Salgado foi dizendo acerca da sua holding foi pura especulação ou até pura mentira? o que é que temos aqui que nos está a escapar? que o seu director Ricciardi, sabendo perfeitamente que as indicações do Memorando eram claras (plano de privatizações a troco de peanuts das empresas estatais) já andava a sondar o governo para ter informações privilegiadas sobre as mesmas? sim, era esse o plano. falta apenas dizer que a segunda parte do plano era, a de, inocentemente, vir o proprietário do banco, enfraquecer o próprio banco que administra, para que não desse tanta cana a eventualidade do banco participar na aquisição destas mesmas privatizações. e mais uma vez, temos o relvas e o passos na órbita da cadeia de favores. com um quarto cúmplice, o gaspar.

e já agora, o que se segue? a privatização do negócio da saúde da HPP (Caixa Geral de Depósitos)? será esse o target de Ricciardi? colocar os 9 hospitais que a HPP detém neste momento numa fusão com o sector da saúde do BES?

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a táctica de portas é abrir as portas da defesa

irá censurar em diante todas as medidas danosas ao povo português que vierem dos seus colegas do PSD à semelhança do que já fez no governo de coligação que teve com Durão Barroso e Santana Lopes. mestre na arte do spin-doctoring, não irá derrubar o governo por mãos próprias nem irá querer ficar ligado à austeridade. esperará para capitalizar os erros dos seus colegas de coligação e puxar eleitoado laranja para o seu partido.

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O PSD virou um clube de futebol?

O PSD quer estabelecer nos seus estatutos o “estatuto de simpatizante do partido”.

Como diz o Teló “assim vocês me matam”.

Já sabemos que a jotinha laranja aparece em todos os comícios importantes do partido no estilo claque de futebol. Mas até ao estatuto do simpatizante…

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madeiradas

Dizem as sondagens que Alberto João Jardim foi re-eleito no cargo de presidente do Governo Regional da Madeira com cerca de 60% dos votos presentes em 57% da totalidade dos votantes.

Maioria absoluta. Maioria absoluta conquistada, segundo os relatos que vem surgindo do arquipélago, de uma forma algo dúbia. Esses relatos dão conta que viaturas da empresa de electricidade madeirense, andaram, em vários concelhos, a transportar eleitores para as mesas de voto. Decerto que esses eleitores não foram votar no CDSPP ou no qualquer partido que não ostente a cor laranja. Pressinto portanto, que para fazer valer a sua hegemonia e a validade das afirmações que tem vindo a proferir, Alberto João optou (não creio que seja a primeira vez que tal aconteça na ilha) pela utilização de esquemas duvidosos e que mais uma vez lesam os interesses dos contribuíntes portugueses.

O povo madeirense, caso seja venha a consumar a vitória, deu mais uma madeirada na porta.

Recolocou no poleiro, um político populista, demagogo, chantagista, e cujas habilidades de gestão orçamental já passaram os limites do duvidoso e do razoável para os cofres públicos. No continente só poderemos ter pena de um povo triste, que acha um piadão tremendo ao discurso de separatismo do seu representante político e que se contenta com túneis, vias rápidas, fogos de artíficios e carnavais em detrimento de escolas, hospitais, centros de saúde e segurança nas zonas habitacionais perante catástrofes.

Sempre ouvi dizer que “onde há fumo, há fogo”.

Se o delegado da CNE Madeira vem, num tom de pânico, afirmar que recebeu cerca de 3 dezenas de ilegalidades que colocam em dúvida o resultado destas eleições, acreditamos que essas 3 dezenas são só a ponta do iceberg de um dia onde valeu tudo.

Jardim defendeu-se que é normal que o transporte de pessoas por viaturas públicas aconteça. “Anormal é proibir” – disse. Julgo que anormal seria o transporte dessas mesmas pessoas e uma vitória de outro partido que não o PSD.

Jardim, voltará dentro de momentos às camaras e à euforia dos seus co-religionários de partido. Voltará a ser duro. Voltará a dizer que o povo madeirense não se deixa dominar pelos “toinos” lá do continente, aqueles que há 500 anos tentam sugar o povo madeirense. Voltará a colocar em questão a soberania nacional e a própria unidade nacional. Voltará a optar pelo discurso que metade dos madeirenses quer ouvir, ou seja, o discurso separatista.

Na ressaca de amanhã, o ministro das finanças irá chegar pela manhã com os memorandos e entendimentos e quiçá acompanhado de um Dinamarquês conhecido por ser o pai da “flexibilização laboral” e irá pedir contas a Jardim. Irá também perguntar como é que o presidente do governo regional tenciona fazer frente à dívida que tem contraído na sua gestão. E este decerto que voltará a depositar no seu discurso um tom imoral de ameaça que apenas será sanado quando o continente “lhe abrir novamente as pernas” às suas pretensões. Nesse cenário, o governo de Pedro Passos Coelho e o excelentíssimo Dr. Aníbal Cavaco Silva serão completamente derrotados em discurso e em políticas porque o continente não lhes irá perdoar um tratamentozinho vip às ilhas.

Aí é que a porca vai torcer o rabo.


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Madeirices

Lindo foi ver a peça do 1º dia de campanha na Madeira.

Ia Alberto João concentrado de inauguração (estratégica!) em inauguração (ainda mais estratégica; falamos de inaugurações de ruas que foram recentemente alcatroadas!) quando lhe aparece o sorridente José Manuel Coelho (aka Coelhinho) pela frente!

“Então, não dás um abraço ao Coelhinho que te vai tirar deputados. Vamos te tirar uns deputados!” – diz o Coelho enquanto o Alberto João, incomodado com a sua presença à frente das câmaras, o sacode como se fosse um mosquito.


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Cinismo

Digam por favor ao Alberto João que o tempo dele na política acabou…

Todo o show-off cínico, todas as ofensas aos contribuíntes do continente,  a realidade da sua má governação no Governo Regional e o imputar de culpas dessa mesma má governação que apenas lhe pertencem para os outros, são 4 argumentos mais que suficientes para que tenha vergonha e não se recandidate.

Jardim está apertado e não tem pejo de disparar para todos os lados. Assumir o erro é meio caminho andado para a verdade. O celeuma inícia-se quando se buscam todos os disparates possíveis e imaginários para não assumir os erros.

Caso contrário dêem-lhes a independência sem grandes discussões. Perdoem-me o (des)integralismo lusitano, mas com uma atitude desse calíbre só fazem bem a Portugal. Um povo que continua repetidamente a apostar num político cínico, aldrabão, incompetente, que não é capaz de conceder melhorias ao território que administra e ainda por cima contrai dívidas que serão os contribuíntes do continente a pagar (os ditos cubanos) é um povo que já não sentirá o peso de ficar à deriva de um momento para o outro porque de facto já anda à deriva há muitos anos.



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Sigam o exemplo

O novo Secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas tomou posse no XIX Governo Constitucional, com uma penhora pendente sobre si num valor aproximado de 42 mil euros por parte da Direcção-Geral de Contribuições e Impostos por fuga ao fisco no IRS de 2007.

A dívida está no contencioso, visto que o novo secretário de estado declarou que esta é menor do que aquela que lhe é imputada.

Perante a coesão demonstrada por este Governo em impor um imposto especial de 50% sobre os rendimentos de quem aufira mais que o salário mínimo nacional no próximo subsídio de natal, que desde já é a primeira medida de austeridade de um Primeiro-Ministro que no dia 1 de Abril (ainda na oposição) declarou que não precisaria de impor mais austeridade para 2011 caso chegasse ao governo, é caso para perguntar que idoneidade tem alguém que vai participar no governo da nossa Nação e que não cumpre as suas obrigações perante o estado? Que moral têm um governo para impor mais sacríficios aos Portugueses quando um elemento do novo executivo não cumpre as suas obrigações perante o Estado?

Não estamos a falar de uma dívida de 200 euros, valor que é suficiente para o Estado usar da justiça para chegar a casa do comum cidadão e levar o plasma lá de casa que ainda está a ser pago a crédito à loja onde o comprou mas sim de uma dívida de  42 mil euros…

Aproveitando o facto, porque é que não se legisla sobre esta matéria em Portugal? Porque é que o nosso ordenamento jurídico admite a chegada a um cargo de responsabilidade pública nacional a cidadãos que não cumprem os seus deveres perante o Estado e perante a sociedade?

Vou mais longe no raciocínio: Porque é que o nosso ordenamento jurídico não ordena imediatamente a renúncia do titular de cargos públicos quando encontra factos que imputam a falhas graves de cidadania, incumprimento ou lesão perante o Estado?

Para finalizar, é interessante ter em conta que o titular em causa é Francisco José Viegas, o ministro-blogger que publica aqui. Sim, no Origem das Espécies, instrumento que não poucas as vezes utilizou para criticar dirigentes e antigos ministros dos Governos Socialistas em situações com alguma semelhança.

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“Ninguém será deixado para trás”

Ouvi agora a intervenção de Adão Silva, deputado do PSD.

Um discurso sem grandes toques de coerência, mas com muita muita emotividade, não estivesse o mesmo a ler um discurso que talvez tivesse sido escrito por alguém.

Até que o mesmo afirma “com este governo, ninguém será deixado para trás”.

A frase soa-me como familiar a alguém que anda por aí a estudar as filosofias desse mundo. Creio que a última vez que ouvi alguém proferir uma frase desse calíbre, andava com Indianos, Chineses, Romenos, Russos e outros imigrantes de várias nacionalidades que nem sequer podiam votar. 

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Campa”nhas” de merda

Penso sinceramente que no dia 5 de Junho, caso esteja bom tempo, muitos milhares de portugueses deixarão de votar para ir à praia.

Numa altura crucial para o futuro de um país, a descrença nos políticos acentua-se e aquilo que se julgava ser descrença no Estado por parte do povo português, já não é descrença mas sim raiva.

De um lado, temos um Partido Socialista com um líder que afirma que o “partido do povo” não deixa ninguém para trás. Sócrates volta a defender o “Estado Social” de todos e para todos, imagine-se, rodeado de imigrantes de várias nacionalidades a transportar bandeiras do Partido Socialista na campanha quando nem sequer podem exercer o seu direito de voto.

Do outro lado, o PSD mais “africanista de sempre” farto de dar coices atrás de coices em jogos de parada e resposta às declarações dos Socialistas.

O Paulo do CDS só quer é feiras e feirantes. Promete o mesmo de sempre: aumento de reformas, aumentos de pensões, aumentos, aumentos e aumentos que quando se chega aos aumentos, aumenta-se a frota de submarinos no nosso país e a carga fiscal aos cidadãos.

Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã têm sido os mais coerentes ao nível de discurso para o país: reduzir as desigualdades sociais, taxar os rendimentos daqueles que mais têm em prol do aumento da qualidade de vida dos que menos têm, a renegociação da dívida como combate ao resgate financeiro que nos foi imposto por iniciativa do governo com o apoio do PSD, aumento dos salários, aumento das reformas e das pensões para que os reformados e pensionistas não tenham carências básicas por falta de recursos financeiros, aumento da produção nacional para estimular mais emprego.

Só tenho a apontar um defeito aos camaradas da CDU: aquilo que a CDU fez nas escadas monumentais de Coimbra é um acto criminoso. É um puro acto de vandalismo que já não se pode utilizar ou sequer tolerar nos dias que correm. A democracia exige o respeito pelas ideias. Vence quem tiver mais votos, e pressupostamente, deveria vencer quem apresentar as melhores ideias para a governação do país. Não é com pinturas grotescas de apelo ao voto na via pública que se deverão conquistar mais votos, se bem, que para algumas direcções-gerais da AAC, funcionou.

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Santana Lopes é que sabe

Santana Lopes não gosta de bloquistas.

O azarado (atrasado) Primeiro-Ministro por obrigação foi à TVI defender um governo de salvação nacional, composto pelo Partido Socialista, CDSPP, PSD e até pelo Partido Comunista. Já o bloco ficou de fora. Mascarando-se de Caco Antibes é caso para dizer que “o bloco no governo” para o antigo primeiro-ministro assemelha-se a um “nem que a vaca tussa”

A imagem que postei não deixa de ser caricata: de um lado, aquele que não gosta de Bloquistas e do outro aquele que não gosta dos Deolindos.

Semelhanças no discurso? Uma única. Ambos tentam atirar a matar e acabam vexados à sua própria ignorância e ao escarnário da sociedade aos seus comentários.

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Diálogos da hipocrisia

Veio-me à cabeça um momento marcante da campanha eleitoral de Cavaco Silva.

(gostaria que alguém que me arranjasse essas imagens)

Numa cidade do Norte (creio que foi Viana do Castelo) uma idosa aproximou-se do também idoso Cavaco Silva. Prostrou-se diante do presidente e humildemente suplicou a sua ajuda:

– Ó Sr. Dr. eu sou reformada, recebo 250 euros e mal dinheiro tenho para comer e para os meus medicamentos.
Cavaco “oportunamente respondeu” virando-se para a sua esposa: – Veja, está aqui a minha senhora. Foi professora durante 40 anos. Tem uma reforma de 800 euros e sou eu que tenho de trabalhar para a sustentar. – disse.

A mulher olhava atónita.

Cavaco prosseguiu: “Não esteja à espera que seja o Estado a resolver todos os seus problemas. Peça ajuda a instituições…”

E com isto, Cavaco disse tudo sobre a sua postura em política e do papel que o estado deve desempenhar de acordo com a sua crença ideológica.

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