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O lunático e o chorincas

Só me espanto como é que alguém pode acreditar na credibilidade intelectual deste senhor. Aquele que um dia disse que o seu livro preferido era a Metafísica dos Costumes de Hegel, quando toda a gente com um palminho de testa sabe que é a maior obra de Immanuel Kant!

Depois desse pequeno incidente, o líder do PSD deu um falso apoio da direita às políticas de José Sócrates, que passou a designá-lo como o melhor parceiro para se dançar o tango neste país. Melhor que o Aimar e que a mulher do Saviola. Como disse nessa semana o Inimigo Público, Sócrates até estava a pensar dançar o Kuduro com José Eduardo dos Santos, a Kizomba, a Morna, o Tiririri e o Funana com os restantes chefes de estado dos países que compõem a CPLP e a “lambada do põe-te daqui para fora que a gente prefere dar o que é nosso aos Espanhois” com Lula da Silva.

O bailarino do nosso primeiro-ministro fartou-se de tanta dança que agora quer dançar a Constituição, pretendendo alterar 98 artigos da mesma, num ataque claramente neo-liberal ao Estado Social. Obrigando quem a pagar a crise? Aquela camada cujos rendimentos são baixos e que é sucessivamente esbofeteada ora por governos Socialistas, ora por Governos Sociais-Democratas, ora por coligações de Direita.

Analisando esta proposta de revisão constitucional, uma autêntica perversão aos valores democráticos, há alguns pontos que quero ressalvar, como um acesso de loucura por parte do PSD e do seu líder:

A privatização da saúde. Dois caminhos que se podem vislumbrar neste campo. Um sistema de saúde privado pode acarretar a criação de seguros individuais ou familiares de saúde por parte das familias Portugueses, que diga-se, cada vez menos tem dinheiro para comer… Dar dinheiro às seguradores e arriscar-se (quais Estados Unidos) a ter o infortúnio de ir parar a um hospital (também ele privatizado) para não poderem ser salvos porque o seguro de saúde pode não cobrir certas especialidades clínicas ou tipo de cirurgias.
Ou então a privatização total dos hospitais à maneira do Estado Novo em que as pessoas necessitadas tem que comprovar um Estado de pobreza para ser isentas de pagamento de despesas hospitalares, que com a privatização, deverão subir em flecha. Uma pouca vergonha.

– Na educação, em linhas gerais nada muda. Parece que este PSD não anda a observar bem aquilo que o governo de Sócrates anda a fazer no ensino superior. A criar desinvestimento, a tratar os estudantes como se fossem mercadoria para dar o menor prejuízo ao Estado no presente e o maior lucro no futuro, através principalmente da concessão de créditos onde os estudantes dão lucro ao banco do estado pelo pagamento da sua formação académica e profissional, do corte drástico nas bolsas de estudo dos necessitados…

– No âmbito da parte relativa às disposições gerais sobre o Direito do Trabalho, o PSD prevê que haja a supressão dos despedimentos “sem justa causa”. Mudando-lhe o termo para “sem razão atendível”, não alterando rigorosamente nada do que se passa até agora.

– O ataque claro às conquistas de Abril de 74 com a supressão Constitucional de normas que estabeleceram garantias importantíssimas para os cidadãos e colectividades como “as comissões de moradores”, “o sector cooperativo”, ” direito de expropriação dos meios de produção ao abandono” este último um direito que confere aos cidadãos mas que raramente é usado, visto que devemos ser o país da Europa com mais terreno para cultivo ao abandono.

– A proposta que deixa aberta a capacidade do Parlamento ter mecanismos para se auto-dissolver, algo que pode criar uma instabilidade política de rumos incontornáveis nos próximos anos.

– A substituição do “primado da economia mista pelo primado da economia aberta”…

Enfim, uma proposta de revisão Constitucional que o líder do PSD apresenta como fulcral visto o estado em que se encontra o país, mas que como é obvio não seguirá em frente porque a esquerda não fará passar a referida proposta.

Do outro lado o mestre da manipulação argumentativa, o nosso primeiro ministro, chorou na entrega dos certificados daquele programazeco que dá o 9º ano a quem não sabe ler nem escrever. Emotivo como Mussolini e como todos aqueles que usam de uma grande oratória para fazer emocionar os corações de um povo burro e analfabeto como é o Português, o nosso primeiro-ministro chorou com os testemunhos das pessoas que disseram que as “Novas Oportunidades” mudaram a sua vida….

No entanto, o nosso primeiro-ministro continua-se a esquecer que desempregados são quase 600 mil neste país, que os patrões continuam a despedir gente que quer trabalhar a seu belo prazer, que quase 2 milhões de pessoas neste maldito país sobrevivem com o ordenado mínimo, que os jovens licenciados deste país tem medo de acabar o curso porque sabem que as suas possibilidades de emprego são cada vez mais diminutas, que há reformados neste país que não tem dinheiro para assegurar a sua subsistência e que agora estão cada vez mais votados a terem que gastar mais dinheiro em medicamentos.
O nosso primeiro-ministro continua-se a esquecer que a política de obras de públicas que este país irá realizar nos próximos anos irá reflectir mais despesa nas contas públicas do país e que a minha geração irá ter de trabalhar mais anos para pagar os excessos e as loucuras de outros. Este primeiro-ministro esquece-se que vive entalado pela espada dos países mais ricos da Europa e pelas próprias instâncias comunitárias.

Mas chorar em público, é bonito, cai bem, há folclore e o povo emociona-se também. Cambada de merda.

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