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A Fraude

Vi, re-vi, digeri e prefiro comentar capítulo a capítulo.

Sobre este Capítulo 1 tomei a liberdade de tirar algumas notas:

1. Como dizia hoje o Dr. António Borges, esse antigo incompetente funcionário de uma dada instituição com sede em Bretton Woods, Washington, actualmente tresmalhado por laivos de loucura: “este é um país de muitos interesses” – o BPN e a SLN foram efectivamente um caso de muitos interesses, de queda e declínio, de ilegalidades, de participação em esquemas manhosos, de fraude e conivência de certos actores políticos e judiciais.

2. A figura sombria e vergonhosa de Vitor Constâncio, o 2º responsável pela fraude. Constâncio está em Bruxelas. Constâncio sabia de tudo. Constâncio podia ter posto travão a tudo isto. Constâncio deixou a bomba rebentar e custou 7 mil milhões aos contribuíntes portugueses com a nacionalização mais aquilo que o estado português se comprometeu a suportar com a privatização aos angolanos do Banco BIC. Na Assembleia da República, quando questionado, Constâncio salvou a sua pele e  jogou políticamente ao estilo “pilatos”, empurrando as suas culpas nas falhas de supervisão do banco para a má gestão de Oliveira e Costa. E com isso, ganhou um bilhete de avião para Bruxelas, com direito a um chorudo ordenado, chorudo ordenado que já tinha no Banco de Portugal (250 mil euros\anuais) e que fazia de Constâncio o 3º governador de bancos centrais mais bem pago do mundo. Constâncio era pago para participar de uma fraude por omissão.

3. Esta primeira parte está recheada de ironias. Ironias da vida. Oliveira e Costa como director de supervisão do banco de portugal a secretário de estado do governo de Cavaco Silva e administrador do banco do Ministro de Cavaco Dias Loureiro. Oliveira e Costa, natural de Mataduços (Aveiro), aquele que um dia perdoou enquanto secretário de estado uma dívida fiscal de 500 mil contos (2,5 milhões de euros) à Cerâmica Campos, cerâmica localizada no lugar de Taboeira, Conselho de Aveiro. Oliveira e Costa, o homem que achava que os bancos iriam à falência se pagassem impostos, Oliveira e Costa, o homem que achava que pagar impostos era alimentar uma máquina de ociosos. Oliveira e Costa, aquele que a cada ano que passava, trocava alguns dos seus impostos à luz da lei do mecenato por ambulâncias para os bombeiros de Aveiro. Teixeira dos Santos, o académico brilhante que enquanto director da CMVM não se pronunciou acerca dos ruinosos negócios da SLN. Teixeira dos Santos, o ministro conivente que deu o sinal de “nacionalização ao banco”.

4. Deloitte\BDO – até me admira como é que não contrataram a Ernst and Young, empresa na qual trabalhava o “mago da supervisão” Franquelim Alves, hoje secretário de estado. Já sei porque é que não contrataram. Ainda não se chamava Ernst and Young, era outro nome qualquer, ou melhor, perdão, nem sequer existia! Isto só prova que o Franquelim Alves nunca trabalhou na Ernst and Young. Como bom corporativista que era, decerto que iria puxar a SLN para a carteira de clientes da empresa. Penso que está mais que descoberta a farsa deste secretário de estado.

5. As palavras de Oliveira e Costa na assembleia da república a 27 de maio de 2009 são deliciosas assim como também é delicioso o aparato da sua chegada: “os bancos procuram fazer lucros, inventar lucros se for possível. a banca tem uma avidez para apresentar lucros tremenda. não quer pagar impostos” – e risos no final. Oliveira e Costa, nestas afirmações, goza por completo com o estado português, com a lei e com os contribuíntes deste país. Sabia perfeitamente que judicialmente era intocável pela sua idade e por ser mais um membro do Clã Silva, perdão do tentáculo que é mexido pelo presidente da república. se Oliveira e Costa é julgado e é condenado efectivamente a uma pena de prisão, tenho a certeza que denuncia Dias Loureiro. E com Dias Loureiro metido ao barulho, a justiça facilmente chega ao líder do tentáculo, o presidente da república, um daqueles que ganhou com a subida vertiginosa do banco.

6. As jogadas brilhantes de Oliveira e Costa. A saúde. Na chegada à Assembleia da República apresenta um ar cansado e caminha com apoio dos agentes da polícia que o transportaram. A saúde. Hoje, caminha descansadamente pelas ruas de Lisboa com o apoio de uma bengala. Brilhante também é a jogada que faz aos transferir os activos que possui para a sua mulher, ficando na sua posse apenas os passivos do banco que não só não reembolsou os empréstimos como tem um valor residual dentro do grosso de sua propriedade. A jogada típica do gestor cujos negócios estão a dar para o torto.

vamos ao capítulo II que isto anima-me.

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está senil?

Primeiro os 1300 euros que não chegam para pagar despesas.

Depois o invejável acordo de concertação social.

Está senil?

Ou é a Maria que lhe escreve os discursos?

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essa é que é essa

O nosso presidente da república anda a chorar-se acerca dos seus rendimentos.

Ter 7 mil de salário ou abdicar desses 7 mil e cerca de 12 mil euros mensais de reforma (cerca de 140 mil anuais liquídos) e 1300 euros para pagar despesas é algo que é ridículo a um presidente da república e que cai mal perante a realidade económica das famílias portuguesas. É pena que aí a lei fundamental deste país não tenha uma prrerogativa que autorize que um órgão peça a exoneração automática do PR do cargo que ocupa por declarações claramente bárbaras.

O Sr. Presidente da República caiu no mais profundo gozo tendo em conta a fome e a miséria que vemos todos os dias aí pelas ruas. Quando mais de metade das famílias portugueses vivem abaixo desse valor (1300 euros) e cerca de 90% dos reformados e pensionistas deste país tem reformas abaixo do salário mínimo nacional. É caso para dizer que o caso do PR é mais um caso dramático da crise neste país.

Estas declarações levam-me obviamente a um video que já postei outrora neste blog e que me parece relevante levar novamente a público no dia de hoje. Na campanha eleitoral para as presidenciais em Viana do Castelo, o PR respondeu assim quando abordado por uma senhora que tinha trabalhado no campo durante toda a vida e não tinha como tal direito a uma pensão superior a 200 euros…

Volto a repetir: o caso de Cavaco Silva é mais um daqueles casos de extrema urgência de défice de dignidade humana em Portugal. Daqueles que têm reformas ou pensões de 200 euros e gastam metade na farmácia. Da família jovem que subsiste com 1000 euros em conjunto e tem despesas fixas de 600 e mais euros por mês. Do estudante do ensino superior que pretende construir um futuro mas não tem possibilidades de continuar a estudar porque não tem direito a bolsa ou daquele que subsiste à míngua no ensino superior porque ainda não viu a sua bolsa aprovada ou paga. Da família de desempregados que começa a não ter que dar de comer aos filhos…

Falando em dar que comer: o Portugal real voltou a fazer das suas. A ASAE apreendeu leite em suposta venda ilegal numa rusga feita aos supermercados continente e vendeu-o. Sim, vendeu-o quando existe tanta criança que não bebe mais que um copo de leite por dia.

Este país está virado do avesso. Pela primeira vez penso em emigrar a sério, tamanha é a hipocrisia e o sistema instalado neste rectângulo de sujidade. E convido todos aqueles que queiram vir comigo a adoptar uma postura lasciva perante os nossos próprios compatriotas opressores: trabalhar no estrangeiro e guardar o dinheiro no estrangeiro porque esta merda não merece o nosso esforço. Tenho dito.

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Ah, a república

A República da revolta, da confusão, da ditadura, da revolução, da corrupção, da pobreza, da pobreza de espírito, da iliteracia, dos sucessivos défices públicos, da democracia desorganizada, do corte de direitos adquiridos, da justiça ineficiente.

Pela primeira vez, concordei em pleno com as ideias veículadas pelo Dr. Aníbal Cavaco Silva no discurso de 5 de Outubro.

Acrescento mais ao referido discurso. Não bastam os sacríficios por parte do povo. A classe governativa precisa de assumir responsabilidades no que toca à auscultação das consequências que as suas medidas podem trazer a todos os cidadãos portugueses. Por mais vitais que sejam para o país os objectivos de combate do défice das contas públicas e reencaminhar a economia portuguesa para os mercados internacionais e para um crescimento consolidado nos próximos anos, estes, terão que ter em atenção as condições de vida dos seus cidadãos. Esperemos que todas estas medidas não tragam mais fome do que a existe. Caso contrário, a fome e a degradação das condições de vida serão o rastilho para a violência. Não deveremos querer que a situação de insegurança que se vive em vários pontos deste país se desenvolva para caos.

Nós, os cidadãos, não somos números. Muito menos somos fantoches que trabalham com o objectivo de pagar os erros que outros cometeram… Não merecemos sofrer mais do que isto.


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silêncios e outras conversas repetitivas

Cavaco Silva voltou a dizer mais do mesmo.

Sacríficios, união, avisos ao Governo de Sócrates quanto ao estado da económia portuguesa e à necessidade de ajuda externa. 

Da boca do presidente da república não se ouviu nem uma palavra de aviso a Alberto João Jardim. O respeitinho é muito bonito. Deve ser o presidente da república a incuti-lo. O Sr. Silva mostrou mais uma vez que teme Alberto João Jardim. Pelo meio, são insinuosas as declarações que faz e nem a questão da “independência” levou um cartão vermelho em público do presidente.

Faz-me lembrar aquele dia em que Alberto João deitou o charuto ao lixo e aos microfones da RTP disse que os da Comunicação Social lá de Lisboa “eram uns bastardos, para não lhes chamar filhos da puta.”

Brincar com a integridade do estado português é algo que não assiste a um puxão de orelhas. E assim continuamos…

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Cavaco Silva

foto: Agência Reuters

Recandidata-se a um 2º mandato de inoperância, silêncios e total concordância com a totalidade das  políticas do governo.

Perante uma concorrência fragmentada em Alegre, Nobre e Francisco Lopes, a vitória da direita nas Presidenciais será mais que certa.

O 1º mandato de Cavaco Silva ficará na história deste país como o mandato em que um Presidente da República esteve por mais vezes presente em actos solenes inaugurações ou comemorações…

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