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curioso

este fetiche de Frau Merkel pelo 80º aniversário chegada de Hitler ao poder… escolas básicas e secundárias interromperam a lição habitual para conhecer os primeiros 6 meses de governação do Fuhrer. Dúbias afirmações como “os Direitos Humanos não se impõem por si próprios. A liberdade não chega só por si e a democracia também não” e “Tudo o que torna uma sociedade viva e humana precisa de homens que manifestem respeito e cuidados uns para com os outros, que assumam as responsabilidades por si e pelos outros” e “Em seis Meses, Hitler conseguiu destruir a diversidade Alemã”.

é caso para lembrar que Hitler chegou ao poder como uma alternativa aos fracassos da República de Weimar acentuados pela Grande Depressão e pela humilhação imposta pelos aliados à Alemanha pelo Tratado de Versalhes. Hitler chegou ao poder a partir da aceitação por parte da classe média alemã dos pressupostos basilares da sua doutrina: antisemitismo, culpa dos Judeus por todos os males da Alemanha de então, ataque ao comunismo, criação de uma raça superior que jamais se deveria relacionar com raças inferiores, vontade de criação de uma alemanha unificada que pusesse por em marcha um plano de força que possibilitasse a instauração da sua hegemonia no mundo. A transformação da doutrina económica fascista que já era experienciada com exito na Itália de Mussolini ao modelo do Nacional-Socialismo Alemão veio por atacado por ser um bom modelo de controlo do estado sobre o território, sobre os trabalhadores (que na Alemanha de então começavam a nutrir alguma simpatia pelas ideias marxistas) e sobre os recursos económicos.

foi nesses pressupostos que Hitler chegou ao poder. Hitler queria cuidar dos interesses alemães e cuidar dos alemães enquanto povo, elevando-os a uma raça superior divina. foi nesses pressupostos que Hitler chegou ao poder: assumir a responsabilidades dos outros. delegar a responsabilidades de todos no estado. unificar os interesses de todos num só, alienar as responsabilidades de todos na égide estatal. o problema de um é o problema de todos, o problema de todos é um problema de estado.

a nível político e económico consigo encontrar algumas semelhanças entre o III Reich e o governo de Frau Merkel. As políticas anti-imigração, a tentativa de controlo das instâncias europeias, a tentativa de influência no seio destas mesmas instâncias para a adopção de políticas para a europa criadas pelo governo Alemão, a imposição de regras (pensadas pelos Alemães) aos restantes países europeus, a restrição e contracção económica que é imposta aos designados “PIIGS” (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) como pedra basilar de empobrecimento económico desses mesmos países e ponto de partida para um fácil controlo Alemão baseado na “subserviência” e no pressuposto “quem depende de nós financeiramente não está em condições de exigir nada, devendo portanto só obedecer às nossas ordens”, o jogo alianças com a China que se assemelha ao jogo de alianças que Hitler fez com a Itália e com a Rússia, a falsa aliança com a França, o abandono da França nos últimos meses da Presidência Hollande e a analogia aos falsos tratados de não-agressão do Fuhrer com Estaline. Dá no mínimo que pensar.

enquanto Hitler pretendia, até porque a Sociedade das Nações não tinha meios para controlar as suas pretensões, dominar os restantes países da europa pela força e pela coacção, Merkel opta por um domínio assente na estrangulação económica dos países europeus, num primeiro plano, para num segundo plano, vendo os outros asfixiados, possa calmamente desenhar a arquitectura europeia como bem aprouver aos interesses nacionalistas alemães.

merkel sabe perfeitamente que países votados a um regime de subserviência económica junto de outro jamais poderão exercer a liberdade e a democracia. merkel sabe perfeitamente que para a Alemanha crescer economicamente, necessitará de queimar países para o efeito, aplicando-lhes duras medidas de austeridade, que não só permitam os reembolsos do capital alemão disseminado pela europa como permitam que a economia alemã se torne competitiva à custa da aplicação dos seus capitais em países empobrecidos e com mão-de-obra barata. tudo isto tem portanto uma explicação e não é toa que vemos a chanceler alemã e os seus ministros da economia e finanças (Roeseler e Schauble) a afirmar constantemente que a austeridade na europa ainda está longe de acabar, que a recessão na europa ainda está longe de acabar, que países como portugal deverão manter-se em recessão (a tal estratégia de empobrecimento) e pior que isso, não é à toa que vemos com sistematicidade as tentativas de ingerência nas questões soberanas dos países europeus por parte do governo alemão. se em 6 meses Hitler conseguiu destruir a diversidade alemã, em poucos anos Merkel está a conseguir destruir a europa e a construção europeia. pela retirada de identidade aos povos, pela retirada do poder de decisão aos estados, pela subserviência e pela construção europeia narcisisticamente dependente do poder e das imposições alemãs.

não deixa portanto de ser no mínimo curioso este fetiche pelo 80º aniversário da chegada ao poder de Hitler, curiosamente, o único totalitário europeu de então que chegou ao poder pela via democrática.

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