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daquelas parvoíces de sexta ao almoço

Quando em 2007 Bernd Schuster tomou conta do destino do Real Madrid, uma das primeiras perguntas que fiz a mim mesmo foi precisamente: não me lembro de ter visto Schuster jogar. Até que por ironia do sorteio da Liga Europa, Bayer Leverkusen e Benfica irão defrontar-se e, como não podia deixar de ser, a imprensa deu destaque a este magnífico jogo que remonta à época 1993\1994. Afinal vi Schuster jogar.

Lembro-me deste jogão com alguma clareza até porque estava a torcer pela equipa dos farmacêuticos. A equipa do Benfica, com Schwarz, Kulkov, Yuran, Valdo, Ailton, Abel Xavier, Rui Costa, João Vieira Pinto entre outros, comandada por Toni (o que é que tu queres caralho? Não é falta do Assam caralho?) era uma super equipa e acabou de resto por vencer o campeonato nesse ano. Do outro lado Paulo Sérgio (veio a protagonizar um dos melhores ataques da história do futebol no Bayern de Munique anos mais tarde com Neuville, Jancker, Zickler e Giovanne Elber) Schuster e aquela máquina de golos que a minha memória já me tinha varrido: o panzer Ulf Kirsten.

Ver de novo estas imagens causa-me uma enorme dicotomia: se é certo que actualmente presencio a uma das épocas de ouro do futebol (já começa a ser inquantificável a panóplia de jogadores habilidosos no futebol actual), também é certo que recordo com saudades estes tempos em que o futebol (nacional e internacional) chegava a conta gotas a nossa casa por via das transmissões da RTP 1 e 2 (liga, competições europeias e um joguito da Premier na 1 e na 2 ao sábado à tarde) e posteriormente (já no final da década de 90) pela SIC (alguns jogos da Taça, do campeonato e de ligas estrangeiras nas tardes de semana) e TVI (as habituais noites de domingo em que a estação de Queluz nos brindava com um jogo em diferido da Liga Espanhola e da Serie A). Ainda num destes dias comentei isso com o João Borba: com a revolução das telecomunicações, é raro um dia em que não tenhamos um bom jogo de futebol para ver e temos todas as ferramentas de informação para seguir as incidências do futebol ao minuto. Naqueles tempos, chegávamos até a ver o Sporting para as competições europeias no café pois quando jogava fora apenas conseguíamos apanhar o directo numa televisão estrangeira (lembro-me que em 1994\1995 vi no café do Ti Eduardo o Sporting a jogar em Santiago Bernabéu contra o Real Madrid de Laudrup e Zamorano) e conheciamos os jogadores praticamente por cromos e para sabermos o andamento da coisa tínhamos que chatear o nosso avô a comprar o desportivo. De vez em quando lá os víamos jogar numa competição internacional de clubes ou selecções. A informação contudo não nos agradava porque era escassa. Mas agradavam-nos outros factores: os dias de competições europeias do nosso clube eram vividos desde o acordar até à hora do jogo com muita ansiedade assim como os derbys. Em dia de Benfica vs Sporting ou Sporting vs Porto, acordava louco porque aquele era o dia. Depois, eram as transmissões do Tovar, do Gabriel Alves, do Perestrelo, as suas expressões típicas, as suas calinadas, no caso do Tovar, a sua sabedoria de futebol, sabedoria à qual o Luis Freitas Lobo ainda terá que comer muita sopa para alcançar.

Fica a nota. Assim como fica a memória do jogo em que Rui Costa, no seu estilo elegante, fez 3 assistências.

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factos de perdedor

Desde que me lembre, ou melhor, desde que acompanho o Sporting regularmente (desde a saudosa época 1993\1994) que o Sporting é assim: sempre que os rivais ou um dos rivais perde pontos antecipadamente, o Sporting, indiferentemente do adversário contra quem joga nessa jornada, também acaba por os perder. Não sei se é uma malapata do clube e não tenho intenções de escrever aqui sobre a presença do oculto no futebol.

Hoje em Setúbal, essa malapata voltou a repetir-se.

Desde há 3 anos para cá que o fadinho se repete. Passam jogadores, treinadores e até presidentes. De Paulo Bento a Sá Pinto. Os maus resultados continuam.

Soares Franco era o presidente da tecnocracia. Por detrás de uma equipa via apenas os números. Desportivamente, Soares Franco pretendia uma equipa ambiciosa mas construída com negócios com pouco custo ou preferêncialmente a custo zero. Veio José Eduardo Bettencourt e o “paulo bento forever” rapidamente passou a pesadelo com Carlos Carvalhal e Paulo Sérgio. Eis que surge Godinho Lopes e o início (já) conturbado do seu mandato.

Voltemos a Setúbal.

Uma primeira falta que revelou falta de ambição. Mais uma vez. O Sporting entrou no jogo tosco do Setúbal. E para mal dos seus pecados viu os seus dois centrais a cometerem erros iniciais dignos de um jogador iniciado. Um deles levou a bola aos ferros de Rui Patrício, o outro deu golo.

Do meio campo constituído por Schaars, Elias e Izmaiov pouco se viu. O Russo ainda tentou puxar a equipa para a frente mas foi sempre desacompanhado. Na esquerda Insúa e Capel dialogaram bastantes vezes mas a jogada acabou ser a mesma: o defesa esquerdo a subir no flanco e a passar para o espanhol fazer o seu jogo rectilínio de linha e cruzamento para um Sebastian Rivas sozinho, indefeso e a bom da verdade pouco esforçado (aparte: quem é este Rivas?)

A perder, Sá Pinto incutiu mais ambição na sua equipa. O Sporting entrou melhor na 2ª parte perante um Setúbal que se fechou e que, perante o deixa jogar da arbitragem, distribuiu porrada até ao fim do jogo. Se a equipa não joga é porque não joga. Se tenta fazer algum jogo, vem a tal malapata.

75% de posse de bola amorfa, sem oportunidades. Mais um penalty falhado ( de falta inexistente) e desta feita, com uma recarga que Carrillo infantilmente desperdiçou. Duas bolas de relevo: uma por Rúbio de cabeça que saiu ao lado e outra de Insúa num livre indirecto que Ricardo Silva tirou na linha com um tanto de sorte.

De resto, foi um jogo de batalha (o jogo que o Setúbal queria) com o Sporting a jogar de forma tosca e demasiado previsível e a falhar as poucas oportunidades que teve durante a partida.

Nota final para a arbitragem: quem deixa uma equipa desesperada como o Setúbal fazer dos 90 minutos um autêntico campo de batalha deixa obviamente que se entre durinho aos lances. Os jogadores do Setúbal, apoiados pela falta de disciplina do árbitro agradeceram. O golo do Setúbal é limpo e bem assinalado, a grande penalidade sobre Rubio é inexistente. Existem dois lances fora-de-jogo muito perigosos que não foram assinalados ao ataque do Setúbal. Houve um excesso de simulações dos jogadores do Setúbal durante a partida que não foram sancionados, ao contrário do critério aplicado ao Sporting. Por sorte, esta arbitragem não teve influência no jogo, mas poderia ter tido.

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sportinguices (parte II)

Na sexta-feira escrevia eu neste blog em relação à exibição de Anderson Polga no jogo contra o Nacional: “Só me ocorre algo a este propósito: Anderson Polga.

A exibição do brasileiro contra o Nacional da Madeira deu-me um sentimento misto: nojo e comicidade.”

Hoje foi Rodriguez, Oneywu, João Pereira e Evaldo: em 2 jogos o Sporting sofre 4 golos devido a um único denominador que é o facto de ter uma defesa fraca, fraquíssima, horrível.

Ontem, noutro post, escrevi com relação à justiça do 1º lugar ocupado pelo Benfica e às expectativas do Sporting para o resto da época: “Quanto ao meu Sporting, restará talvez o contentamento de tentar o 3º lugar (dá acesso à 3ª pré-eliminatória da Champions do próximo ano) construir uma espinha dorsal para atacar o título no próximo ano e tentar ganhar as taças internas em que está inserido e ir o mais longe possível na Liga Europa.”

Se construir uma equipa para a próxima época é algo em que acredito, a conquista do 3º lugar no campeonato deixou de ser uma realidade com esta derrota em Braga.

Muitas críticas e gozos já se têm urdido contra o Sporting – o mais fraco dos grandes, o eterno 3º, o 1º dos pequenos, o 4º grande. Todas elas vem de pessoas que se assemelham a cobras: urdem os gozos nos seus mais profundos covis, sem respeito por pessoas que dedicam a sua vida, a sua actividade profissional ou até os seus tempos de lazer a uma instituição que é secular e que presta utilidade pública a milhares de jovens neste país.

Dou-vos um exemplo bem pessoal: quando eu era miúdo, passei a minha infância e a minha adolescência sem ver o Sporting campeão (só vi pela primeira vez poucos dias antes de completar 13 anos) – os meus colegas portistas que viam o Porto de Jardel a erguer titulo sobre titulo e os meus colegas benfiquistas (que também nunca tinham visto nada como eu) passavam a vida a gozar-me por ser o único da turma que era do Sporting.

Até que em 1999\2000 o Sporting foi campeão e o Benfica durante essa altura passou 2 épocas sem ir às competições europeias, levou 7 em Vigo de um tal de Celta, esteve à beira da falência, promoveu uma acção de misericórdia e caridade intitulada de “Operação Coração” para sobreviver, teve um dos seus mais marcantes jogadores (João Pinto) a sair a custo zero para o rival e teve um presidente corrupto como João Vale e Azevedo – em todos esses episódios poderia ter uma postura cínica como a que os meus colegas de turma tinham comigo e ter tirado partido da situação. Não, apenas me limitei a continuar a torcer pelo Sporting e a dizer a alguns benfiquistas que um dia as coisas iriam melhorar para o seu clube.

É certo que o Sporting volta a capotar. Saídos de 2 épocas claramente miseráveis pensavamos claramente que esta poderia ser a época de turning point. Pensamos mal, a não ser que algo de extraordinário venha a acontecer nas 4 frentes em que o Sporting ainda está envolvido. Saímos da luta pelos 2 primeiros lugares no campeonato com uma derrota em Braga que denotou mais uma vez fragilidades e tonterias defensivas, jogo a passo, falta de criatividade, um João Pereira fraquíssimo, demora na finalização, perda de domínio no meio-campo a meio do jogo e muito nervosisimo\intranquilidade.

Desde o jogo da Luz, que este Sporting não está muito longe do Sporting de Paulo Sérgio, de Carvalhal e de Couceiro. Está uma lástima portanto…

O problema deste clube é que treinadores passam, jogadores passam, passam presidentes, funcionários, sócios e adeptos mas a filosofia continua a mesma: falta de ambição, falta de investimento, erros sobre erros na prospecção de reforços e consequentes contratações. E os velhos do resto como esse tal de Dr. Eduardo Barroso e como esse tal de Jorge Gabriel continuam a ser enviados para programas de televisão e para os jornais para dizerem as mais profundas bacoradas sobre futebol e prejudicar a alma de um clube que por si já é atormentada.

Começo a desconfiar que o Sporting precisa urgentemente de mudar de objectivos e de estratégias. Se a gastar pouco não vai lá e a gastar 20 milhões acaba também por não ir lá mais vale não se assumir como candidato a nada e jogar com jogadores formados nas suas escolas. Mas esta é apenas a minha perspectiva – a perspectiva de um sportinguista mais que apaixonado.

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Demitido

Já se sabia desta decisão antes do jogo frente ao Rangers.

Couceiro assume a equipa até ao final da época.

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Excelente


Em Alvalade, o mau futebol é de Janeiro a Janeiro.

Os Sportinguistas vão ter que aturar com Paulo Sérgio o ano inteiro.

Meia dúzia de galifões de crista levantada querem presidir um clube onde não há dinheiro.

Aqui não cartõeszinhos nem talões.

Há muita falta de inteligência, muita falta de organização, de gestão, jogadores vendidos com desconto e jogadores comprados em promoções.

O peixe nem sempre é fresquinho e ultimamente tem sido de má qualidade. Os legumes há muito que estão podres e nem sempre o estado da relva ajuda às vendas.

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Sobre as declarações de Costinha

Continuo a crer que a culpa do actual momento do Sporting não passa pelo trabalho de Costinha.

Fazendo uma análise ao ano de trabalho do director desportivo, creio que Costinha está a realizar um bom trabalho. Teve momentos bons, assim como teve momentos infelizes, tão próprios de quem tenta manter o equilíbrio de uma casa a arder.

Nos momentos bons, tenho a destacar a atitude tomada perante Izmailov. Defendo Costinha, defendo a atitude de Costinha. Não teço considerações sobre a decisão do jogador em não ter actuado naquele jogo frente ao Atlético de Madrid, visto que para além da competição desportiva existe um valor a salvaguardar que é a saúde do jogador. Crítico sim a atitude do jogador em ter viajado para Moscovo no dia da partida, atitude que foi tomada à revelia da estrutura do futebol profissional do Sporting e por conselho do seu empresário Paulo Barbosa.

Como em qualquer vínculo laboral, Izmailov tinha (estrictamente) que obedecer às ordens de quem lhe paga e não aos conselhos de alguém que é seu contratado e não pertence a essa mesma estrutura. Daí que a atitude disciplinadora e correctiva de Costinha esteja (na minha opinião) correcta.

Nos momentos maus, destaco obviamente o facto de Costinha não vir regularmente a público defender o Sporting. Das arbitragens, da pressão da Comunicação Social.

Para salvaguardar que a equipa profissional de futebol esteja focada apenas nos aspectos relativos à competição desportiva, é necessário que tanto Costinha como José Couceiro sejam mais interventivos na defesa do clube.

Quanto às suas declarações, sou da mesma opinião quanto à administração do Sporting. É difícil fazer mais quando não existem fundos para construir uma equipa competitiva. É difícil fazer mais quando a administração do Sporting está completamente minada pelos interesses dos bancos e quando o presidente em funções é ele mesmo um representante da banca no Sporting. Para bem do clube, é necessário que o próximo presidente possa inverter esses factos e possa arriscar mais. No futebol actual, quem não investe numa boa equipa de futebol profissional não pode ter retorno ao nível de encaixe financeiro. E neste momento, tendo em conta o plantel do Sporting, existem muitos jogadores sem qualidade alguma para representar a camisola do Sporting.

Pior, foi deixar sair o melhor avançado de um plantel que está literalmente em carência de golos sem que se tenha prevenido previamente com a entrada de um atleta capaz de suplantar a saída de um jogador como Liedson.

Quanto ao treinador Paulo Sérgio, tenho uma visão diferente da de Costinha. Desde a sua chegada a Alvalade que previa que Paulo Sérgio estava a chegar para cumprir um ano no clube. Não duvido absolutamente nada das qualidades de Paulo Sérgio, desde que este treine um Paços de Ferreira ou um Vitória de Guimarães. No Sporting não. Há muitos anos que creio que o Sporting deverá apostar num treinador estrangeiro vencedor. Num treinador capaz de instaurar uma filosofia de trabalho mais profissional, capaz de ombrear com os rivais do clube. Num consagrado que ponha a equipa a jogar bom futebol de ataque.

Só bom futebol poderá trazer os adeptos de volta a Alvalade. Caso contrário, e revelando-se a junção de todas as premissas, o Sporting é um clube condenado à extinção… Em breve.

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O último da Dinastia Roquette…


Adeus! Não voltes nunca mais!

Quando a 5 de Julho de 2009, José Eduardo Bettencourt venceu com 89% dos votos as eleições para a Presidência do Sporting, já se sabia que seria o último presidente da dinastia José Roquette.

As expectativas em torno de Bettencourt eram altas… Era um homem que conhecia todos os cantos da casa (colaborava com a SAD desde 2001), era considerado um grande amante da instituição do Sporting Clube de Portugal e pensava-se ser capaz de arrumar a casa depois do vendaval financeiro provocado por Filipe Soares Franco nas contas do clube, tornando-o capaz de continuar a diminuir o passivo e investir no futebol profissional, não só numa equipa competitiva como na reformulação de toda a estrutura organizacional do clube.

Contra, os cépticos do clube, trataram de afirmar que José Eduardo Bettencourt (administrador do Santander) era a escolha consensual dos interesses da banca no clube de Alvalade. Com o tempo, começamos a acreditar nestes mesmos cépticos.

Ao nível estrutural, Bettencourt prometia adoptar uma estrutura organizativa rígida que começava com a aprovação da remuneração de um salario para a sua posição. De cerca de 20 mil euros.

Ao nível do futebol profissional, os primeiros dias de Bettencourt no clube ficariam marcados com a expeculação da eventual saída de Paulo Bento do comando técnico leonino, ao qual o agora demissionário presidente haveria de proferir a célebre frase: “Paulo Bento forever!” – Paulo Bento não ficaria “forever”, sendo despedido antes do final do ano civil de 2009 graças a um extremo cansaço do treinador perante os jogadores, dos jogadores perante o treinador e do treinador perante a atitude da direcção da instituição.

Nos primeiros meses, Bettencourt preocupou-se em arrumar a casa ao  nível financeiro. Apuradas as contas exactas do Sporting, era mister para o presidente renegociar sucessivos planos de reestruturação financeira que permitissem ao Sporting apostar numa equipa competitiva, promessa que Bettencourt deixaria para a época 20092010 e para a actual época. Durante a sua presidência, Bettencourt haveria de investir 34 milhões em contratações no clube e haveria obviamente de ficar ligado à venda de João Moutinho ao rival Futebol Clube do Porto. “A Maçã Podre” – foi o que JEB intitulou o antigo capitão do Sporting, que actualmente dá cartas no rival. Durante o mandato de Bettencourt, o valor do passivo aumentaria e o valor do activo Sportinguista diminuiria. Para muito ainda contribuiram as vendas de Ronaldo do Manchester para o Real Madrid e as vendas de Veloso e Moutinho.

Com Bento fora do barco, Bettencourt haveria de cometer outro erro crasso aquando da escolha do novo treinador. Apesar de Carvalhal ser uma solução até ao final da época, Bettencourt e a sua direcção errou logo de início em nem sequer apresentar publicamente o novo treinador. Carvalhal seria apresentado pelo site do Sporting e iniciaria um longo calvário de 7 meses num plantel completamente destroçado pelo cansaço da era Bento. Até ao último dia, a direcção de Bettencourt não haveria de propor a renovação ao técnico, optando por contratar Paulo Sérgio para o comando técnico na época 20102011. Com a vinda de Paulo Sérgio, vinham mais promessas de investimento no futebol profissional. Promessas que foram goradas por JEB, que continuava mais interessado em anunciar sucessivas reestruturações financeiras quando os adeptos do Sporting queriam era ver vitórias, coisa rara no Sporting de Bettencourt.

A falsa promessa de uma estrutura organizativa sólida que permitisse dar algum descanso ao clube, caía lentamente por terra com o passar do mandado de JEB. Primeiro, o caso Sá Pinto vs Liedson que motivaria a saída do antigo internacional do cargo de director desportivo e a entrada de Costinha para o respectivo cargo. Depois, a mudança de treinador, a venda de Moutinho, o diferendo entre Costinha e Izmailov e a contratação recente de José Couceiro para um cargo que ninguém sabe muito bem o que representa e que competências lhe são dadas pela organização.

A certo tempo falou-se que Bettencourt queria instalar uma estrutura organizativa no Sporting parecida a um modelo que tantos resultados dá no FC Porto. Na realidade, com Bettencourt, o Sporting passou a ser uma casa a arder…

A nível desportivo, este ano e meio do mandato de Bettencourt foi sem dúvida uma das páginas mais negativas da história do Sporting Clube de Portugal. Salvo excepções, confirmadas com a vitória do Futsal no campeonato nacional da modalidade e a vitória na Taça Challenge da equipa de Andebol.

No futebol profissional, se Paulo Bento e Soares Franco iam conseguindo levar o clube à Liga dos Campeões durante alguns anos seguidos, com o início do mandato de Bettencourt, o Sporting começou a ser um clube com uma falta de ambição tremenda. A nível nacional, o Sporting passou a ser uma equipa com um orçamento monstruoso a lutar pelo parco objectivo da 3ª posição com o Braga. A nível internacional, foi-se a Champions e veio a Liga Europa, onde nem assim, o Sporting parece ter aspirações a ir longe.

Por estes motivos, a derrota de ontem abalou com Bettencourt. Creio que este já deveria estar a preparar a demissão para breve. Pela primeira vez, JEB foi humilde e admitiu que fracassou enquanto presidente. Por isso, foi ontem à sala de imprensa apresentar a sua demissão, deixando vaga para que outro possa fazer melhor. Cabe então agora a Dias Ferreira (presidente da AG) que marque eleições antecipadas ou que opte por tentar gerar um presidente “co-optativo”, modalidade presidencial prevista nos estatutos da instituição.

JEB saiu. Creio que o Sporting não precisa de outro JEB. O Sporting não precisa de um presidente que se olhe às contas e que não tenha ambição em ganhar, custe o preço que custar. Aliás, está economicamente provado que os clubes que investem em boas equipas acabam por ter retorno desse investimento, caso contratem bons jogadores, capazes de vencer e dar espectáculo – chamando assim pessoas ao clube. Com JEB, o Sportinguismo tornou-se descrente. JEB afastava a cada jogo mais sportinguistas do estádio e das deslocações fora.

O Sporting precisa sobretudo de um presidente populista que possa não só mobilizar o povo de volta ao clube como trabalhador na construção de uma efectiva máquina organizativa interna e na construção de um futebol profissional estável. Talvez esta minha ideia seja uma tremenda utopia nos tempos que correm… Bem sei que nos próximos dias deverão aparecer meia dúzia de candidatos a prometer mundos e fundos que o clube não pode pagar caso sejam eleitos pelos sócios.

É triste a realidade deste clube. No entanto, a demissão de José Eduardo Bettencourt já foi um passo importante para a mudança.

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Bettencourt demite-se


Última hora:

Na sequência da derrota caseira do Sporting frente a Paços de Ferreira, José Eduardo Bettencourt demitiu-se da presidência do Sporting.

A declaração foi feita há minutos na sala de conferência de imprensa do Estádio José de Alvalade. Bettencourt apresentou-se na companhia de Dias Ferreira, apresentando demissão “para bem da instituição Sporting Clube de Portugal”.

Ainda bem! Já não era sem tempo! Será que vai sozinho! Quem será o próximo a demitir-se? Costinha? Paulo Sérgio?

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Sporting, essa casa a arder…


O Sporting é uma casa a arder. Admito que sou Sportinguista, mas ver este Sporting é algo que doi. Doi na alma. Falta muita qualidade naquele plantel, falta um treinador decente, falta um director desportivo que proteste na praça pública contra as más arbitragens e falta sobretudo um presidente que seja amigo do Sporting. Repito: amigo do Sporting, não da banca.

Depois de mais uma derrota caseira, relembro o post que escrevi neste mesmo espaço a 26 de Setembro. Creio que enquanto os dirigentes, jogadores e treinadores da instituição não adoptarem uma postura semelhante aquela que enunciei há meses atrás, o Sporting será uma casa a arder. Sem fim à vista.

Para continuar assim, a lutar pelo 3º4º lugar da tabela, não vale a pena ter um investimento de 25 milhões por época. Por 13 do investimento andam Braga, Vitória de Guimarães e Nacional a lutar pelos mesmos objectivos.

Para finalizar, deixo duas notas sobre a partida de hoje:

1. Total repúdio para o comentador da TVI. Já me enoja ver as transmissões do Sporting pela TVI. A atitude presunçosa do seu comentador nos seus comentários é de um anti-sportinguismo tremendo. Considerar “David Simão uma grande promessa do futebol Português é o mesmo que dizer que um elefante só tem 3 patas e que Cristiano Ronaldo nasceu na Baixa da Banheira”.

Considerar “Rui Vitória um dos melhores treinadores da Liga” só porque venceu o Sporting duas vezes é ser cego ao ponto de ignorar treinadores como Manuel Machado, Leonardo Jardim ou Jokanovic que de facto são treinadores que estão a fazer excelentes épocas no comando dos seus clubes.

2. Total repúdio pela arbitragem de Luis Catita. Não foi uma arbitragem “catita” do Catita. Antes pelo contrário. Foi mandado para a morte, cometendo 4 erros crassos: marcou um penalti inexistente a favor do Paços; deixou passar um na área do Paços; não expulsou um jogador do Paços e não expulsou Liedson por uma entrada dura logo a seguir.

No primeiro jogo na Liga esta época, Catita assinou a sua sentença de morte: ser colocado na famosa jarra durante uns jogos e como tal arriscar-se a ser despromovido. Só não é colocado na jarra se o observador for cego ou for amigo.

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Este Sporting é miserável

1. A começar pela direcção. A direcção de José Eduardo Bettencourt está no Sporting a proteger os interesses de outros que não a do próprio clube. Quando digo “interesses de outros” refiro os interesses dos credores do Sporting, a banca… da qual José Eduardo Bettencourt fazia parte a tempo integral antes de ser presidente da SAD e do clube.

A direcção do Sporting é uma direcção de incompetentes, de anjinhos, de puros amadores… Não falam, não agem rápido. Demoram séculos a procurar jogadores e milénios a contratá-los. Procuram sistematicamente a contratação de jogadores mediocres pelo preço mais baixo do mercado. E se repararem bem, quase todas as contratações do Sporting para esta época não passaram de jogadores que são amigos de Costinha ou de jogadores que foram autenticamente despachados pelos clubes que fizeram propostas sobre os activos do Sporting. Valdés e Maniche vieram por amizade a Costinha. Nuno André Coelho e Zapater vieram envolvidos em negócios. Marco Torsiglieri é o exemplo crasso de um jogador que foi cá posto por um empresário qualquer.

Como disse, o Sporting demora “séculos” a negociarcontratar um jogador. Quando não o contrata, a direcção usualmente vem a público esconder-se por debaixo do escudo do argumento “não há dinheiroo sporting tem dificuldades em ir ao mercado”. No entanto, todos os dias, os sócios do Sporting são brindados com sucessivas propostas de restruturação financeira que promete mais dinheiro para ir ao mercado. Nada mais que areia para os olhos.

A direcção do Sporting andou durante meses a prometer uma equipa competitiva. Se na fase inicial da presidência, a José Eduardo Bettencourt era dado o benefício da dúvida para organizar a casa, actualmente o presidente do Sporting tem que ser apelidado de incompetente. Em Janeiro perdeu Ruben Micael para o FC Porto acabando por gastar 6,5 milhões de euros num jogador chamado Sinama-Pongolle que no período em que esteve no Sporting não fez absolutamente nada. Perdeu um grande treinador para o rival FC Porto e contratou um treinador (Paulo Sérgio) que não é melhor que Carlos Carvalhal…

A continuar assim, é preferível adoptar um discurso mais comezinho e sobretudo diminuir o orçamento. Não se pode lutar por um objectivo tão pequeno como a Liga Europa com uma “máquina orçamental” igual à que o Sporting detém na actualidade.

Isto sem falar da atitude que José Eduardo Bettencourt tem demonstrado nas relações com os rivais. Os pretensiosos almoços com o Presidente do Benfica Luis Filipe Vieira são a face visível de um clube que se pretende rebaixar sobre um rival que quando tem oportunidade de mandar a facada manda… O Sporting, pela sua história, pelo seu orgulho, não deve ter qualquer tipo de relações com o rival… Nem sequer deveria falar com o rival, quanto mais compactuar com as suas políticas…

Quanto à imprensa, o presidente do Sporting não é capaz de vir a público defender o clube da pressão que é feita por esta e de certa maneira colocar uma certa tranquilidade no trabalho do futebol profissional.


2. A direcção técnica. Como diz o povo, Paulo Sérgio aparece no Sporting “sem ler nem escrever.” Paulo Sérgio poderá vir a ser um treinador com futuro no campeonato Português, mas neste momento, não é o treinador que o Sporting precisa. Para além de não ter grandes provas dadas no principal escalão, não detém o pulso necessário para por ordem no instável balneário do Sporting nem é capaz de colocar o Sporting a vencer e a jogar bom futebol.

Outra mácula em Paulo Sérgio (pelo menos neste arranque de campeonato) é a forma como se dirige para a imprensa. Há algumas semanas atrás afirmou que “tinha a melhor equipa do mundo”. Isso é um bom discurso para ter dentro do balneário mas é um péssimo discurso para o exterior, visto que pressiona uma equipa que desde há alguns anos é uma equipa intranquila.

À 6ª jornada, Paulo Sérgio ainda não sabe bem que táctica deve aplicar e ainda não conseguiu fazer com que os jogadores assimilassem os seus processos de jogo. Isto, se eles realmente existirem. Eu olho para este Sporting à semelhança do Sporting de Paulo Bento: ninguém se mexe no meio campo e o jogo acaba por ser um jogo bombeado pelos centrais lá para a frente à espera que alguém ganhe uma bola e faça mexer o ataque.

Se Paulo Sérgio quer jogar pelas alas, os únicos alas que realmente tem são Diogo Salomão e Simon Vukcevic. Matías nunca foi ala e nunca o será. Valdés, Yannick ou Postiga muito menos.


3. Sobre a equipa.


O plantel foi mal construído desde o início da época. Falta muita coisa a este plantel para poder lutar pela competição que seja.

Começando pelo guarda-redes. Rui Patrício é um guarda-redes que deixa qualquer defesa insegura. Daí que se tenha comprado um guarda-redes mais experiente (Hildebrand) como Paulo Sérgio desejava. Mesmo assim, Hildebrand fica no banco ou na bancada.

Na defesa, Nuno André Coelho deu algum acerto no desarme e nas bolas aéreas, uma das principais causas da péssima época que o Sporting fez na época passada. Carriço parece que desaprendeu a jogar à bola e continua a posicionar-se muito mal, Polga “está literalmente morto desde o 7-1 de Munique” e Torsiglieri é um jogador de fraca qualidade. Nas laterais, Evaldo e João Pereira são jogadores que têm demonstrado muita luta, muita garra mas caso se lesionem Grimi e Abel são jogadores de uma qualidade muito duvidosa.

A defesa na era Paulo Sérgio é capaz de adoptar posturas radicais de jogo para jogo: nos primeiros jogos jogava demasiado adiantada e permitia que os adversários colocassem o seu jogo nas suas costas. Agora é uma defesa que teima em não subir quando necessita de subir. O golo do Nacional no jogo de hoje é a amostra clara de uma defesa que demorou imenso tempo a subir.

No meio campo, a falta de Pedro Mendes pode ser bem disfarçada pela presença de André Santos. No entanto ao lado tem um Maniche que já não tem pernas para estas andanças e ao Sporting falta um playmaker de qualidade. Falta um jogador criativo que pegue na bola no meio campo e possa  abrir espaços a partir de sucessivos dribles e conseguir jogar na desmarcação dos avançados. Maniche não é esse jogador. Zapater também não é esse jogador. Matías é esse jogador se estiver ao mais alto nível. Do reforço Tales nada foi visto. Izmailov é um caso perdido.

A meio dos jogos, o meio-campo do Sporting encontra-se perdido. Já não dá coesão defensiva e deixa o miolo aberto para o meio-campo adversário. Não batalha e como tal não conquista os ressaltos que possam surgir nas suas esferas de acção. É um meio campo extremamente colado ao ataque, que nem sequer é capaz de fazer correctamente a transição defesa-ataque.

Nas alas, volto a referir o problema que deixei lá atrás. Quer no 4-4-2 clássico como no 4x1x3x2 Paulo Sérgio necessita de alas. Alas que sejam capazes de desiquilibrar a partir da finta e da explosão em velocidade. Não os tem. Salomão necessita de crescer. Vukcevic faz estragos num flanco mas no outro está lá um Valdés ou um Matías que não aquecem nem arrefecem. Porque não são alas.

Na frente, muita falta de qualidade. Os tempos de Lièdson acabaram e já é tempo de reduzir a despesa salarial que é dada pelo “levezinho” ao clube. Saleiro e Postiga são meros sonâmbulos que andam por ali e que nem sequer tem qualidade para envergar a camisola. Yannick é um jogador limitado em muitos aspectos, desde logo, na técnica.

Este ataque é atabalhoado. Muito por culpa do meio-campo. Em vez de esperar pelo jogo, é o próprio ataque que tem que vir ao miolo construir jogo para a equipa.


Os jogadores do Sporting falam muito e poucas provas dão. Protestam mais do que aquilo que jogam. Se ao menos disfarçassem a falta de qualidade com atitude, crença de vitória, garra, espírito de batalha, talvez conseguissem melhores resultados. O que é certo é que nem têm qualidade nem garra, nem crença na vitória. Já entram no campo derrotados. Se estão a perder ou a empatar por volta dos 60″ começam a perder a cabeça e a jogar com o coração. Cometem erros e infantilidades de forma repetitiva. Fazem desesperar os adeptos, cansam os adeptos, desmotivam os adeptos que nem sequer aparecem no estádio.


Já uma vez tinha dito neste espaço que o futebol como uma industria precisa que o investimento numa equipa seja arrojado e pela certa nos jogadores certos: para se ter gente no estádio é preciso que se proporcione um bom espectáculo.

Para que se proporcione um bom espectáculo é necessário que se ganhe ou que se perca a jogar bom futebol, a dar alento aos adeptos…

Para que se proporcione um bom espectáculo e vitórias, é necessário que se contratem bons artistas do futebol. Para que se contratem bons artistas é necessário que se tenha um bom sistema de “scout” e sobretudo capacidade de investimento.

Se os bons artistas proporcionarem um bom espectáculo de futebol e vencerem, as pessoas vão ao estádio, as pessoas compram a marca, os bons patrocínios aparecem e o investimento feito na aquisição de bons jogadores tem retorno.

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