Tag Archives: Paul McCartney

Oh Caroline

Beach Boys — “Caroline, No” — Álbum: Pet Sounds (1996)

Corria o ano de 1966. Eusébio era fotografado em Liverpool a chorar aquando da saída do campo, depois dos Magriços terem sido injustamente eliminados nas meias-finais do campeonato do mundo desse ano pela Inglaterra dos irmãos Charlton do Manchester United. Muitas histórias se podem contar. A de que Portugal tinha eliminado a Coreia do Norte por 5-3 dias antes, num jogo onde o Pantera Negra virou de 3-0 para 5-3 em 45 minutos com um formidável Poker. Essa era a mesma Coreia que dias antes tinha chutado para fora da competição a Itália de Giacinto Fachetti, um dos maiores ícones de sempre do futebol mundial, orgulhoso capitão do Inter de Milão vencedor de duas Ligas dos Campeões em 1963\1964 e 1964\1965 e posteriormente vencedor do Europeu de 68. A de que o tal fotógrafo que tinha tirado a  imagem mítica que retratava o choro compulsivo do King era conimbricense e tinha como apelido precisamente “Formidável”. Ainda a história da mudança desse mesmo jogo entre Portugueses e Ingleses de Wembley (Londres) para Merseyside (actual Anfield Road; o mítico palco onde actua o Liverpool) no dia antes do jogo, obrigando os Magriços a uma viagem de comboio de 500 km, o que no fundo, desiquilibrou a balança para o lado Inglês.

As Histórias cruzam-se. Existem dois sítios em Liverpool que são de paragem obrigatória para qualquer turista: Anfield Road e o mítico Cavern. Futebol e música misturam-se numa sincronia única. Em Anfield, a velha guarda do Liverpool canta o You´ll Never Walk Alone, bandeira mítica de um clube cujos jogadores nunca andarão sozinhos. Bandeira mítica de um clube que apesar das 5 Ligas dos Campeões conquistadas (a mítica bandeira que diz Paisley won it 3 times, Fagan did it, Rafa make us dream) já sofreu duas tragédias terríveis: a do Heysel e a de Hillsborough. Duas tragédias onde morreram algumas centenas dos seus adeptos e que inclusive, levaram a que a UEFA, a banir equipas inglesas das competições europeias durante algumas temporadas, e, o governo inglês a proibir claques de futebol. Já Sir Bobby Charlton, o capitão da Inglaterra campeã do mundo em 1966 tinha pertencido também ele a um trágico momento do futebol Inglês: em 1958, depois de uma partida a contar para a Taça dos Campeões europeus em Belgrado frente ao Estrela Vermelha, a geração fantástica de 50 do Manchester United (designados Busby Boys pelo facto de serem orientados por Sir Matt Busby), o avião onde vinha a equipa acabaria por se despenhar numa escala no aeroporto de Munique. Sir Matt Busby e Sir Bobby Charlton foram alguns dos sobreviventes. O original do tema “You´ll Never Walk Alone” pertence a Elvis Presley. Já o mítico Cavern foi a “caverna” (digamos assim) onde os Beatles actuaram pela primeira vez em Liverpool, constituíndo-se como um sítio impar no mundo da pop britânica.

Na fase psicadélica dos Beatles, John e Paul (ou como quem diz, Leibner e Stoller; era assim que a dupla assinava as suas primeiras canções na fase de Hamburgo; para quem não sabe, os Beatles ficaram conhecidos por actuarem para marinheiros nessa cidade Alemã) criavam Sgt Pepper´s Lonely hearts club band (quem já não entoou Lucy in the Sky with Diamonds?), álbum gravado de 6 de Dezembro a 1 de Abril de 1967 no estúdio 1 da Parlophone na Abbey Road de Londres (actual EMI) por Sir George Martin, considerado muitas vezes o “5º Beatle”. A resposta a este preciso álbum dos Beach Boys (Pet Sounds), resposta tão exímia que Brian Wilson desde aí nunca mais quis competir musicalmente com a dupla acima citada. Em entrevista recente à New Musical Express Wilson disse simplesmente que quando ouviu Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band teve tanta raiva do álbum que “era impossível bater os beatles”.

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

ticket to ride

Help movie soundtrack and original video.

The Beatles — “Ticket to ride” — Álbum: Help! (1965)

Com as etiquetas , , , , ,

True

O tal concerto de despedida da banda no telhado da Apple a 30 de Janeiro de 1969 que Paul McCartney mais tarde viria a ironizar, no sentido de considerar que a despedida perfeita da banda seria caso nesse concerto “tivessem sido todos presos”.

 

 

Com as etiquetas , , ,

parolos

Thom Yorke e os irmãos Greenwood andaram uma década a gozar com o povo português.

Andaram literalmente a encher o cú de ilusões ano após ano aos Portugueses numa eventual presença em Portugal e agora, aparecem do nada para actuar no Festival mais medíocre que existe neste país.

Agora reaparecem sorridentes. Na pior merda de festival que existe em Portugal. Os tolinhos, sim, aqueles que só gostam de Radiohead porque se fartam de cantar a “Creep” no caminho de casa para o trabalho, já andam todos doidos a dizer que não podem faltar ao concerto – só para ouvir a “Creep” está claro. Eu cá afirmo-o já: não vou ver Radiohead ao Alive nem que me paguem. E os Radiohead para mim são sagrados.

Não vou porque desde já jurei que nunca ia meter os pés no Alive. Não vou trocar o Optimus Primavera Sound do Porto e Paredes de Coura, nem que ao Alive venham os Radiohead e uma banda composta pelo Papa Bento XVI, Mick Jagger, Paul McCartney, Madonna e a Chicholina.

Não vou porque não vou estar hora e meia a ouvir o King of the Limbs e o InRainbows.

Não vou porque sou capaz de dar umas porradas a todos os posers que começarem a cantar a “Creep” ao meu lado.

Não vou porque o Thom Yorke começa-me a meter fastio.

Este filme já é antigo. Lembra-me o filme dos Pearl Jam em Portugal. Durante anos cagaram por completo no país da Europa com mais ratio de fans em proporção à população existente e de um momento para o outro lembraram-se que existimos e começaram a vir cá todos os anos.Daí que toda a gente adore o Eddie Vedder e eu, apesar de não esconder que adorava os Pearl Jam na minha adolescência já nem o suporto ouvir.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , ,

oh Paul, oh Paul….

Ao menos esta é rica. Já sabes que não te vai chular a fortuna como a outra.

The Beatles — Something — Álbum: Abbey Road (1969)

“Something in the way she moves,
Attracts me like no other lover.
Something in the way she woos me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.

Somewhere in her smile she knows,
That I don’t need no other lover.
Something in her style that shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.

You’re asking me will my love grow,
I don’t know, I don’t know.
Stick around, and it may show,
But I don’t know, I don’t know.

Something in the way she knows,
And all I have to do is think of her.
Something in the things she shows me.
I don’t want to leave her now.
You know I believe and how.”

Com as etiquetas , , , ,

Jogões

Santos 4-5 Flamengo no Vila Belmiro.

Neymar bisou; Ronaldinho Gaúcho “se achou fora da balada” e saiu da disco para apontar um hat-trick de jogador de classe mundial.

Ronaldinho tinha uma linha telefónica criada pelos adeptos do Flamengo onde qualquer pessoa poderia denunciar as saídas nocturnas do antigo internacional da canarinha. O mau rendimento do gauchão estava a ser prejudicial ao Flamengo, que o está a pagar a peso de ouro. Facto que começa a ser um dado assente no futebol brasileiro: as equipas reforçaram o seu poderio económico e já pagam salários ao nível dos melhores campeonatos europeus.

Do outro lado, a equipa maravilha do Santos. Nas palavras do escritor e investigador aficionado do Santos Odir Cunha a um documentário que passa na Sporttv com o nome de “futebol mundial” (Odir Cunha já escreveu 7 livros sobre O Peixe) para além dos outros jovens da equipa principal do clube “Neymar e Paulo Henrique Ganso são como os John Lennon e Paul McCartney nos Beatles: não podem ser separados e se separarem não renderão tanto”.

http://www.dailymotion.com/embed/video/xk6dbz

Na antecamara do começo da Ligue 1, o Marseille venceu o campeão em título LOSC Lille Metropole por 5-4 e conquistou a Supertaça Francesa num jogão.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

I am the Walrus

The Beatles — “I am the Walrus” — EPLP: Magical Mystery Tour (1967)

Como diz o grandioso João Lemos, para que é que vamos ouvir todas essas bandas britânicas quando ainda temos os Beatles para ouvir.

Com as etiquetas , , , , , ,

Os terríveis álbuns a solo!

Quando alguém fortuitamente vem ter comigo e me pergunta se eu já ouvi o álbum a solo de artista A, B, C a minha resposta é quase sempre a mesma a mesma: “isso não vale uma merda”.

Quando alguém por obra do acaso vem ter comigo e por acaso me recomenda um álbum a solo de artista A, B ou C, usualmente o meu nariz torce logo de desconfiança, visto que são raros os casos em que no final das horas de audição gastas nesses produtos musicais venho a lume elogiar o quer que seja.

No meio desta problemática, álbuns a solo de artistas como Chris Cornell (Soundgarden), Julian Casablancas (Strokes), Brandon Flowers (Killers), Eddie Vedder (Pearl Jam), Gwen Stefani (No Doubt) Panda Bear (Animal Collective), Alex Turner (Arctic Monkeys), Brian Wilson (Beach Boys) ou até dos meus queridos Shaun Ryder (Happy Mondays) ou Morrissey dos Smiths acabaram por levar uma enorme nota de reprovação. Não funcionam a solo, pura e simplesmente. Ou então, pela minha falta de abertura espíritual, não consigo conceber os seus trabalhos como produtos finais independentes das bandas que lideram.

Os casos do Chris Cornell e do Eddie Vedder conseguem ser ainda mais peculiares, tendo em conta que “per si” já odeio a música dos Soundgarden. “Per si” nunca suportei a voz do Chris Cornell. Nunca suportei a postura do Chris Cornell.
Já o Eddie ” perdoa-me, tudo o que possas fazer de bom nos Pearl Jam já não entra e pelo contrário, tudo o que os Pearl Jam façam está cada vez mais enterrado na minha adolescência e a solo, acho o teu trabalho rídiculo e digno de alguém que não se soube retirar de cena no tempo certo”.

No entanto, pensava que tinha ouvido tudo de mau até ouvir os novos singles dos primeiros álbuns a solos de Brandon Flowers e Julian Casablancas. O último roçou o que é ultra negativo e ultra pejorativo à bela imagem que tenho da cabeça dos Strokes de “Is This It” numa colaboração.

Vamos por partes:


“Crossfire” é um exemplo claro da destruição que Brandon Flowers fez à sua banda (Killers) e que está prestes a fazer à sua carreira. Como não bastava o facto de Flowers ter uma obsessão clara em fazer dos Killers “os filhos intermináveis” da morte dos U2 nos últimos dois álbuns da banda, remeteu essa mesma obsessão para o seu álbum a solo, onde a guitarra continua a ser uma tentativa de cópia de “Unforgettable Fire´s e Joshua´s Trees”.

Brandon, já não bastavam os factos de escreveres letras sem sentido nos álbuns dos Killers e a tua súbita obsessão louca pela doutrina Mórmon.

Lembro-me perfeitamente de há uns anos ver pela primeira vez o vídeo em que John Lennon afirmava publicamente que os Beatles eram mais famosos em 1970 que Jesus Cristo. Lennon foi censurado pelos Americanos e os Beatles acabariam por terminar semanas depois, graças a uma declaração que no fundo dos fundos tinha um nexo de verdade – Os Beatles eram de facto mais famosos mundialmente que Cristo! O mercado Americano estoirou para uma banda que já andava estoirada, mas Lennon conseguiu (uma das excepções) fabricar álbuns a solo de excelência. Já o “morto” Paul McCartney anda a fazer porcaria atrás de porcaria até aos dias de hoje.

Brandon Flowers e os coitados dos Killers vão ser peixe que vai morrer pela boca – do vocalista como é óbvio! No lançamento do 2º álbum de originais “Sam´s Town” (que sucede a um excelente álbum de estreia) Flowers praguejou a quem quis ouvir que a sua banda ia-se tornar “dentro de anos” tão famosa como os U2 – actualmente não tem uma legião de fans tão grande como a dos U2, mas soube copiar muito bem a fórmula que deu origem à fama dos U2 nos álbuns de estúdio da década de 80. Os Killers nada fizeram de novo senão reciclar a guitarra de Edge, travando um trilho que os irá condenar aquilo que foi a passagem dos U2 da Island para a major-label Sony BMG, ou seja, um trilho sucessivo de álbuns banais para serem adorados por medíocres. Vulgo, todos os álbuns feitos desde o “Pop” de 1996. Na opinião de alguns amigos, desde o “Zooropa”.

O Julian é outra cena! Sou grande fã dos Strokes. Isso toda a gente sabe! No entanto, este álbum a solo varre-me todas as imagens positivas que tenho na cabeça sobre os Strokes. Nem falo sequer na ideia que quiseram vender da banda – “ah e tal salvaram o rock” – porque no fundo não salvaram merda nenhuma que já tinha sido feita pelos Television 25 anos antes.

Uma das excepções que faço a estes álbuns a solo é precisamente a dos álbuns a solo do Albert Hammond Jr. (o guitarrista dos Strokes) em que pura e simplesmente lhe gracejo dois excelentes álbuns a solo. Sem clichés nem todas essas porras que dizem sobre a dependência de drogas do fulano. Talvez devesse Julian Casablancas, a respeito do seu álbum a solo, ir por aí pedir conselhos ao seu amigo. Não os pediu, logo, o álbum saiu uma valente merda.

Quando pensei que tudo o que era mau vinha de álbuns a solo, eis que vejo isto. Fiquei simplesmente sem palavras com a indumentária da cena. Fiquei simplesmente sem palavras com a musicalidade da coisa e nunca pensei que aquele que todos consideram como “um dos salvadores do rock” ousasse participar em algo deste género.

Mas estes são alguns exemplos pelos quais torço o nariz quando me dão a provar álbuns a solo de quem quer que seja. Poderia exemplificar mais, mas isso deixo para outra oportunidade. Aliás, peço mesmo aos meus leitores que me dêem sugestões de álbuns a solo de vocalistas ou ex-vocalistas de bandas e que tentem mudar toda esta opinião negativa que tenho da coisa.

No entanto para que não entendam a minha mensagem como redutivista, creio que é bom mencionar que ainda existem bons álbuns a solo – de Sting, a Phil Collins. O Morrissey ainda tem algo que se tolera – não muito – mas ainda se toleram.


Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , ,