Tag Archives: Partido Comunista Português

curto e grosso

Margarida Botelho, membro da Comissão Política do Comité Central do Partido Comunista Português para o Jornal Público.

p.s: muitos acusam o discurso do PCP de ser um discurso “stick it” e sem soluções. gostava de saber o que essas pessoas pensam depois da leitura deste artigo. há ou não há soluções dentro do PCP?

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Porque é que o timing destas declarações me cheiram a esturro?

Posso afirmar que as mais recentes acusações proferidas por Zita Seabra fizeram rechear de comicidade o meu dia de ontem, dia que até estava a ser pautado por alguma melancolia e cansaço.

Deixa-me cá ver se entendo: ontem, tomando como cenário de fundo o final da guerra fria, quando já se sabia que Gorbatchev iria implodir a decadente União Soviética, Zita Seabra afirmou assumptivamente que o Partido Comunista Português punha escutas nos aparelhos de ar condicionado dos gabinetes ministeriais do governo português em conluio com o fabricante desses mesmos aparelhos Alexandre Alves (proprietário da antiga empresa designada por FNAC) com o intuito do partido poder ter informação privilegiada sobre a posição do governo de então acerca do que fazer caso a ordem bipolar fosse interrompida.

1. Não deixo de censurar o facto de Zita Seabra, antiga militante activa do PCP, antiga dirigente e deputada pela APU (antiga designação da coligação entre o PCP e o Partido Ecológico os Verdes), antiga militante que se ejectou do partido e o trocou posteriormente por um tacho na Assembleia da República no Partido Social Democrata, hippy que ao som da banda do tacho virou yuppie numa transferência política que é apenas comparável à de João Pinto do Benfica para o Sporting à luz da lei Bosman, ter a desmesurada ousadia de vir a público acusar de forma grave e infundada o partido onde outrora foi militante de espionagem.

Soa-me a ressabianço.

2. Censuro ainda mais o facto de Zita Seabra ter estado calada durante tantos anos (no que toca ao seu celeuma com o PCP em particular) e de um momento para o outro vir a público acusar o seu antigo partido de espionagem e mencionar a antiga empresa de um empresário que recentemente viu um contrato de 1000 milhões que tinha com o estado para a implementação de uma nova unidade de produção em Abrantes rescindido pelo governo do seu novo partido. Ainda mais quando esse empresário afirma que o estado não lhe deu um cêntimo do que estava previsto no contrato, ao contrário daquilo que lhe é pedido pelo estado (os incentivos iniciais + juros).

3. De comicidade extrema foi de facto a acusação de que a FNAC de Alexandre Alves era financiada directamente pelo governo da República Democrática Alemã. Para quem partilhou (partilhou?) do Marxismo, Zita Seabra perspectivou uma acusação que poderia bem ter saído da sua boca depois de ver o Goodbye Lenin numa sala de cinema perto de si. Revela um profundo desconhecimento sobre o que foi de facto a situação económica da RDA ao longo da sua existência.

O timing não deixa de ser oportuno por parte do PSD para praticar uma espécie de spin-doctoring contra o dito empresário. Onde há fumo, há fogo sempre ouvi dizer.

3. Censurável também foi a atitude do estado português em ter rescindido o dito contrato, deixando o grupo de empresários liderados por Alexandre Alves com a gaita na mão no arranque previsto para o inicio da actividade produtiva. Os critérios deste governo de direito em relação ao investimento empresarial e económico parecem ser bastante ambíguos: os amigos do partido tem direito a tudo e mais alguma coisa (o caso da venda do BPN ao BIC de Mira Amaral; a recapitalização do Millenium BCP onde o estado assumiu algum do crédito mal-parado do banco); os que não são amigos do partido, vêem os seus contratos rescindidos. Fantástica jogada do Ministério da Economia. Os números do desemprego aumentam. O número de unidades de produção em Portugal tem diminuído de mês para mês. Alvarinho, o tosco canadiano, afirmou nos seus primeiros dias de mandato que queria trabalhar com o objectivo de arranjar o maior número de investimentos para o nosso país com vista a relançar a competitividade económica portuguesa nos mercados e a criação de emprego. No espaço de 6 meses, o Ministério perdeu dois investimentos importantes (Rio Tinto nas minas de moncorvo e Renault-Nissan em Cacia; quase 600 empregos se perderam nesta imbecilidade do Ministério); no espaço de 2 dias, o governo cancelou todos os contratos de incentivo ao novo empreendedorismo nacional feitos pelo governo socialista só porque sim, só porque é bonito arruinar tudo aquilo de bom que José Sócrates tentou fazer pela economia nacional.

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é o partido socialista que temos

Publicamente, critica o Governo.

Na Assembleia abstém-se.

Onde é que encaixam recentes declarações públicas de António José Seguro onde este afirmava que se tivesse que ser “saía à rua com o povo”?

O Partido Socialista sempre afirmou publicamente que o país necessita de mudar de rumo. Não é com abstenções em questões cruciais como a queda de um governo que o Partido Socialista estará a ir de encontro a essa mudança de rumo. Quem cala, consente.

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cantinadas (balanço)

Durante todo este fim-de-semana estive de plantão na cantina dos grelhados (num ambiente responsável, pacífico e animado) a zelar pelo cumprimento efectivo dos direitos que assistem à comunidade estudantil coimbrã.

O fecho das cantinas ao fim-de-semana no início deste ano lectivo (assim como o fecho da lavandaria dos SASUC) causou um transtorno gravíssimo a todos os nossos colegas, que, impossibilitados de ir a casa todos os fins-de-semana deixaram de poder usufruir de dois serviços sociais vitais para o seu quotidiano. Acresce porém que o fecho das cantinas aos fins-de-semana acarretou perdas irremediáveis para a comunidade estudantil: a mudança de um regime de alimentação saudável praticado à semana que se alterou ao fim-de-semana para aqueles que não sabem cozinhar ou que acabaram por preferir ir almoçar e jantar a estabelecimentos de fast food e sobretudo, a dificuldade de muitos fazerem face às despesas de alimentação geradas aos fins-de-semana pelo fecho das cantinas e pela adesão a outros estabelecimentos comerciais (supermercados; restaurantes) aqueles que neste momento vivem numa situação de carência económica.

Para tal efeito, deliberou-se em Assembleia Magna uma proposta da Direcção-Geral que visava ocupar simbolica e pacificamente a cantina dos grelhados durante todo o fim-de-semana como forma de protesto.

Que fique aqui vincado que sou da opinião que estas acções simbólicas por si só não irão conseguir avanços para o objectivo traçado que é a reabertura dos serviços e a execução de uma política de acção social escolar que vá de encontro ao que é pretendido pelos estudantes de Coimbra. No entanto, também sou de acordo, ao contrário de sectores mais à esquerda, que a forma mais convencional de protesto (a manifestação) por si também não será capaz de alterar nada no que toca a esta problemática. Prova disso foram as enúmeras manifestações que os estudantes de Coimbra fizeram a Lisboa nos últimos anos e as falsas vitórias que se cantaram no fim de todas essas manifestações. A última grande manifestação acabaria por exemplo por tirar a acção social escolar das garras do nefasto decreto-lei 70\2010 para a colocar nas garras da decrépita lei 15\2011, lei cuja iniciativa pertenceu à bancada do CDS\PP enquanto oposição.

Acredito sim que a luta (atenção aqueles que tem gozado com a palavra luta) dos estudantes de Coimbra deverá ser continuada, irreverente e criativa. As manifestações deverão existir, quando for o timing para tal e quando a Academia mobilizar o suficiente para se ir em larga escala para Lisboa, para o Porto ou até para as ruas de Coimbra. Com ou sem os trabalhadores mas nunca apoiando partidos políticos ou sindicatos. Assim como as ocupações, as greves de zelo, as passadeiras vermelhas no largo D.Dinis e outras mais iniciativas de protesto que já revelei a alguns elementos da Direcção-Geral deverão ocorrer de forma ordeira, assertiva, pensada, apoiada, mobilizada e sustentadas em timings oportunos.

Voltando ao evento.

Na sexta-feira, os estudantes de Coimbra ocuparam as cantinas dos grelhados e só saíram de lá às 21 horas de domingo. Pelo meio realizaram-se debates sobre o ensino superior (um com a presença do incontornável professor Elísio Estanque) distribuição de flyers, dezenas de reportagens e testemunhos para os meios de comunicação social e muita camaradagem coimbrã. Pena foi o facto da mobilização (como a deliberação de magna foi na madrugada de quinta-feira) não ter sido possível para que se pudesse ter mais do que 6 ou 7 dezenas de estudantes em permanência na cantina dos grelhados. No entanto, costumamos dizer que só faz falta quem cá está.

Pena também me causou a ausência de alunos que pautam por um discurso ideológico mais à esquerda. Aqueles que usualmente vem a Assembleias Magnas alimentar a vontade de partir com toda a pujança para a rua, optaram por ficar em casa a “lutar”, perdão “dormir” pelos direitos dos seus colegas mais carenciados. Eu, que sempre pautei por um discurso crítico contra as sucessivas direcções-gerais, eu, que sou céptico em relação aos resultados de formas de protesto mais ortodoxas, não tive qualquer problema em juntar-me aos colegas que representam a Académica em prol de uma causa que penso ser comum a todos nós.

No fim da noite de hoje, aquando da presença de alguns deputados do Partido Socialista e do Partido Social-Democrata entre os quais o antigo presidente da AAC Emídio Guerreiro também fiquei triste pela ausência de deputados tanto do Bloco de Esquerda (se bem que Ana Drago vem amanhã a Coimbra para ouvir os estudantes e para um debate promovido pela DG no Santa Cruz às 21h) como do PCP, como do CDS\PP, aquele partidozeco que fez a lei e que agora se esconde por detrás de um manto de hipocrisia no que toca a acção social escolar, com ideias mirabolantes que tratam esta lei 15\2011 como uma forma justa de distribuir ou negar migalhas entre aqueles que um dia constituirão o futuro do país. (ou não se entretanto abandonarem os seus estudos).

Para finalizar, resta-me agradecer individualmente a alguns que permaneceram estoicamente durante as 48 horas da ocupação (ou grande parte delas), casos do Sasuke Ribeiro, do Mário Gago, do Rui “Ben” Sobral, do João Amorim, da Sara São Miguel, do Pita, da Joana, do Zé Ribeiro, da Rita Andrade, do Eduardo Barroco de Melo, do João Seixas, Ricardo Morgado, Joel Gomes, Tiago Martins, Pedro Tiago, João Couceiro e Castro, Ana Rita Mouro, Paulo Ferreira, Mariana Mesquita, Angela Ferreira, Leticia Gomes e dos sempre bem dispostos e solidários Miguel Franco e João Almeida que apareciam todas as manhãs para espalhar o seu charme, perdão, terror.

Peço desculpa a todos os outros que permaneceram e cujos nomes não fixei.

Costumo dizer que é neste tipo de situações que se prova quem gosta da Académica. Independentemente de cargos, tachos ou responsabilidades na Academia.

P.S: Também foi lindo ver o Núcleo de Estudantes de Economia a ter reunião na cantina dos grelhados horas antes da presença de deputados do PSD nas instalações. Prova que o NEE adora surprender e adora deslocalizar as suas reuniões quando mais lhes convém, não sendo o seu presidente Dino Alves (já elogiado pelo seu trabalho neste blog) em simultâneo o líder da concelhia de Coimbra da JSD. Haja paciência Dino Alves. Já elogiei bastante o teu trabalho enquanto presidente do núcleo neste blog, mas creio que hoje soaste a pechisbeque. Isso de te mostrares muito solidário com a Academia para tomar partido na presença de líderes políticos do teu partido e ao mesmo tempo dares a impressão que és mesmo solidário com a Academia comigo não pega.

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Mas

O pessoal do Bloco, dissentes, ex-dissidentes, activistas profissionais, militantes, escroques ou simplesmente neo-bakuninistas ainda não me esclareceram a seguinte questão:

Zeus me livre se algum dia o PCP terá que aproximar-se daquela escumalha do Bloco de Esquerda. Eu abro o meu jogo – eu sou militante do PCP. Antes de me filiar no partido, medi bem a ideologia que defendo. No Bloco de Esquerda tal não acontece. Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa, existem várias ideologias rotativas ou se o mesmo é desprovido de qualquer ideologia que não seja criticar para destruir sem que no entanto se tenha algo para construir a mais do que temas fracturantes da sociedade.
Um partido, que de facto é actualmente o mais velho em actividade desta nação não pode dar o passo em frente para a união com um partido que é composto por 4 frentes (PSR, UDP, RupturaFER e Política XXI) em que todas essas 4 frentes estão unidas num partido único, embora, com a ressalva dessas 4 frentes terem choques ideológicos graves (o exemplo da FER em relação à UDP chega a ser drástico).

Eu bem vejo os militantes do Bloco de Esquerda que conheço. O Bloco de Esquerda, assumidamente Marxista e Trotskista é um partido que cativa uma massa de apoiantes que não sabem o que é Marx, que não sabem a preponderância que Marx teve para a Economia Política e que jamais leram os pressupostos ideológicos em que assenta o próprio partido. Isso é grave. Filiam-se apenas na ideia que o partido transparece cá para fora: “a gente está aqui para fazer barulho” – e nada mais que isso.”

Quid Iuris?

MAS?

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condolências?

O PCP apresentou as suas condolências ao Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte pela morte de Kim Jong Il.

“o PCP diz que reafirma a sua posição de respeito e de solidariedade para com a soberania da República Democrática Popular da Coreia – RDPC, o direito que lhe assiste a determinar o seu rumo próprio de desenvolvimento em condições de paz e não ingerência nos seus assuntos internos, e o objectivo da reunificação pacífica da nação coreana”

Lembrando a posição há muito expressa face a fenómenos e práticas da realidade política coreana com as quais não se identifica, o PCP reafirma a solidariedade para com o povo coreano perante as pressões, agressões e tentativas de desestabilização do imperialismo, a que, desde a Guerra da Coreia, no início dos anos 50, o povo coreano e a RDPC têm estado permanentemente sujeitos”

Se o PCP não se coaduna com as práticas e fenómenos da realidade política coreana, porque é que expressa condolências pela morte de um dos idealistas dessas mesmas práticas?…

Existem dias em que tenho vergonha de ser militante deste partido.

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Porque a luta será eterna

Foto Por Maria Corte Real no concerto de Sérgio Godinho no Avante 2011.

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Atrasos legais

Tenho em crença que a recem aprovada lei na Assembleia da República acerca da condenação do enriquecimento ilícito (aquela em que o PS fez-se falsamente transparecer de PCPOs Verdes) aparece de forma tardia em Portugal tendo em conta a relação à jurisprudência das principais potencias da europa na problemática em causa. Tenho em crença. Abro a discussão. Alguém de Direito que me faça o favor de me esclarecer.


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Sondagem #7

Tratando-se de um acontecimento com especial relevância para o país, cumpre-me em primeiro lugar esclarecer alguns pormenores em relação a esta sondagem:

1. A sondagem decorreu entre os dias 22 de Maio e 5 de Junho neste blog. Como tal, destinou-se aos leitores do mesmo no sistema de 1 voto por leitor. Não foi elaborada segundo os métodos tradicionais, não respeitando portanto o sentido de voto por circulos eleitorais.

2. Os resultados obtidos pela poll são meramente indicativos do sentido de voto dos leitores. Poderão como tal não corresponder aos resultados finais de logo à noite.

Assim sendo, perante a pergunta “Qual será o seu sentido de voto a 5 de Junho?” a sondagem obteve 74 votos, apurando-se os seguintes resultados:

PS – Partido Socialista – 23 votos – 31,08%

PSD – Partido Social Democrata – 18 votos – 24,32%

BE – Bloco de Esquerda – 7 votos – 9,46%

CDSPP – Centro Democrático SocialPartido Popular – 7 votos – 9,46%

CDU – Coligação Democrática Unitária (PCP + PEV) – 6 votos – 8,11%

PNR – Partido Nacional Renovador – 3 votos – 4,05%

PCTPMRPP – Partido Comunista dos Trabalhadores PortuguesesMovimento Reorganizativo do Partido do Proletariado – 2 votos – 2,7%

MMS – Movimento Mérito e Sociedade – 2 votos – 2,7%

PND – Partido Nova Democracia – 1 voto – 1,35%

Abtencionistas: 2 – 2,7%

Votos em Branco – 3 – 4,05%

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O porquê de votar na CDU (video)

Os 50 compromissos para a mudança.

Os Compromissos eleitorais de uma política patriótica e de esquerda.

Tempo de Antena (1)

Tempo de Antena (2)

Tempo de Antena (3)

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O porquê de votar na CDU

Compromisso Eleitoral do PCP:

Introdução

No Programa Eleitoral apresentado pelo PCP às eleições legislativas de 2009, registavam-se as consequências de quatro anos e meio de Governo PS e da aplicação de uma política de direita que beneficiou, nas suas questões fundamentais, mesmo numa situação de maioria absoluta, da cumplicidade e apoio do PSD e do CDS.

A gravíssima situação que o País hoje vive é o resultado do agravamento, no quadro da crise do capitalismo e do processo de integração capitalista da UE, das consequências da política de direita, potenciada pela crescente alienação da soberania nacional e da submissão às orientações do grande capital. No último ano e meio, com a sustentação conjugada de PS, PSD e CDS, foram tomadas novas e gravosas medidas, em particular nos PEC e nos Orçamentos para 2010 e 2011.

As eleições de 5 de Junho, convocadas na sequência da demissão do Governo e da dissolução da Assembleia da República, artificialmente justificadas pela rejeição do PEC IV – cujo conteúdo PSD e CDS na verdade apoiam –, mas traduzindo na realidade um profundo desgaste político e social do Governo e da sua política, são assim uma batalha política em que se coloca, de forma determinante, a questão da ruptura e da mudança para uma política patriótica e de esquerda.

Em 2009, o PCP apontou a indispensabilidade de uma ruptura patriótica e de esquerda como caminho indispensável para a resolução dos problemas do País. Menos de dois anos depois, essa necessidade mantém-se e acentua-se. Tivesse o conjunto de medidas propostas pelo PCP sido aplicado e o País não estaria profundamente mergulhado na crise em que se encontra.

O PCP reafirma a actualidade do Programa Eleitoral de 2009, e das medidas nele contidas, apresentando em simultâneo o presente «Compromisso com uma política patriótica e de esquerda», em que se apontam razões e soluções para seis questões fundamentais – financiamento e dívida, produção nacional, direitos laborais e sociais, distribuição da riqueza, soberania nacional, democracia e direitos – e a proposta de uma alternativa, de uma política e de um Governo Patriótico e de Esquerda.

1. Questões do financiamento e da dívida

1.1 A dívida externa e o financiamento do Estado português

O endividamento externo do País é uma das consequências mais visíveis da política de desastre nacional que PS, PSD e CDS/PP impuseram nos últimos 35 anos, com o aprofundamento da dependência externa e de subordinação aos interesses e estratégias dos grandes grupos económicos e financeiros monopolistas. É inseparável, na sua dimensão estrutural, de um processo de abandono da produção nacional, das privatizações, da submissão às imposições da União Europeia e da adesão ao Euro, com a consequente perda de competitividade e condicionamento do financiamento do Estado, deixando de poder emitir moeda, de fixar taxa cambial e de determinar taxas de juro, ficando exclusivamente na mão dos “mercados”.

Uma dívida líquida, pública (Estado) e privada (Empresas e Particulares), que assume hoje a colossal dimensão de mais de 107% do PIB, em que a componente privada foi sempre superior, e que não resulta de um excesso de despesa pública (sem prejuízo da necessária racionalização de despesas supérfluas), mas antes de uma injusta política fiscal e contributiva, que cobra muito aos trabalhadores e reformados e pouco aos grupos económicos e financeiros. Não é o povo que vive “acima das suas possibilidades”, mas a oligarquia financeira que se apropria de elevados lucros e dividendos.

Após 2008 e com o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, agravou-se a dívida, fruto da recessão decorrente da insuficiência de medidas de apoio à economia real, da especulação sobre as taxas de juro dos títulos da dívida pública – que lhe acrescenta todos os meses milhões de euros (mais de 1 900 milhões de euros de 2010 para 2011) – assegurando vultuosos lucros aos bancos da Alemanha, da Inglaterra, da Espanha, da Holanda, da França e também de Portugal, que se financiam junto do BCE a taxas de 1%, para depois adquirirem dívida pública cobrando 8%, 9% e até mais de 10%, numa ilegítima usurpação de recursos nacionais.

Agravou-se ainda e em particular com a assumpção pelo Estado dos custos do “lixo tóxico” e buracos do sector financeiro e com as medidas de apoio à banca assumidas a partir de 2008 que comprometeram muitos milhares de milhões de euros e que nos casos do BPN e BPP atingem já 2 250 milhões de euros de valor declarado até agora, transformando dívida privada em pública, com a transferência dos custos para os trabalhadores e o povo.

1.2. A chantagem e ingerência da dita «ajuda externa»

Os trabalhadores, o povo e o País encontram-se sujeitos a um inaceitável ultimato político e chantagem para que aceitem uma brutal regressão económica e social!

A União Europeia, assumindo as concepções e políticas do FMI e revelando a sua natureza de domínio económico e político ao serviço do grande capital, procura salvaguardar os interesses do capital financeiro, das grandes potências e dos seus bancos, recusando intervir para travar a especulação, com as consequências devastadoras já visíveis na Grécia e na Irlanda (recessão, aumento das taxas de juro, do desemprego e das injustiças).

As medidas impostas por PS e PSD e CDS, em sucessivos PEC e Orçamentos do Estado, longe de conterem a especulação ou de «acalmarem os mercados», são, ao inverso, pelo seu efeito recessivo, um factor de agravamento das taxas de juro cobradas, numa espiral especulativa que nunca parará enquanto o chantageado ceder ao chantagista.

Contrariando o que disse repetidamente, o Governo acabou por solicitar a intervenção do FMI, cedendo à pressão – externa e interna – e à exigência da banca nacional que, recebendo vultuosos apoios e benefícios públicos – ao mesmo tempo que penalizou fortemente os sectores produtivos e as pequenas empresas – procura continuar a lucrar com a especulação financeira.

Facilitando a tarefa do Governo e do FMI, pode dizer-se que PS, PSD e CDS subscrevem um programa eleitoral comum: o PEC IV ampliado e agravado, aceitando a imposição externa de um Programa económico e social que tinha sido rejeitado na Assembleia da República. Perspectivam-se já, para o programa da intervenção externa, novos apoios ao sector financeiro e ao grande capital nacional e estrangeiro, com a entrega directa de uma grossa fatia do empréstimo a contrair, e a perspectiva de se apossarem, através de um vasto programa de privatizações, do que ainda resta dos sectores estratégicos e dos recursos do País.

O PCP não abdica da independência e soberania nacionais, recusa uma política de austeridade para os trabalhadores e o povo, e de enriquecimento dos capitalistas. O País precisa de uma política alternativa, orientada para o desenvolvimento e crescimento económico, recusando a recessão, o desemprego massivo, o aumento das desigualdades e o empobrecimento dos portugueses.

1.3 Uma resposta urgente e diferente: a renegociação da dívida

Face à situação insustentável que está criada, e aos seus possíveis desenvolvimentos nos próximos tempos, o PCP considera que o Estado português deverá assumir, em ruptura com a actual política, as seguintes posições:

A renegociação imediata da dívida pública portuguesa – com a reavaliação dos prazos, das taxas de juro e dos montantes a pagar – no sentido de aliviar o Estado do peso e do esforço do serviço da dívida, canalizando recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação de emprego e outras necessidades do país. Esta decisão, condicionando desde já o pagamento de parte dos compromissos de curto prazo da dívida pública e a tomada de outras medidas – por exemplo, a transformação de créditos externos de entidades públicas, expressos em obrigações e títulos de dívida de longo prazo, em títulos portugueses – permitiria responder às preocupações com as dificuldades de financiamento/liquidez imediatas do Estado!

A intervenção junto de outros países que enfrentam problemas similares da dívida pública – Grécia, Irlanda, Espanha, Itália, Bélgica, etc. –, visando uma acção convergente para barrar a actual espiral especulativa, a par da adopção de medidas que libertem os países visados das inaceitáveis imposições e políticas da União Económica e Monetária e do Banco Central Europeu, da Governação Económica e do Pacto para o Euro Mais, e visem o crescimento económico, a criação de emprego e a melhoria dos salários.

A diversificação das fontes de financiamento, retomando uma política activa de emissão de Certificados de Aforro e do Tesouro e de outros instrumentos vocacionados para a captação de poupança nacional, bem como o desenvolvimento de relações bilaterais, encontrando formas mais vantajosas de financiamento. Uma política de diversificação também das relações comerciais, mutuamente vantajosas, com outros países, designadamente de África, Ásia e América Latina.

2. Portugal a produzir, mais crescimento económico, mais emprego

Rompendo com uma política vinculada aos interesses dos grupos económicos e financeiros, o PCP entende que a política económica deverá afirmar o valor estratégico da produção nacional e aproveitar as potencialidades do País, para garantir um crescimento económico sustentável, a criação de emprego, o combate à dependência e ao endividamento externos, a redução e eliminação dos défices estruturais, no plano alimentar, energético, industrial e tecnológico, e a afirmação de uma via soberana de desenvolvimento. A aposta na produção nacional e no crescimento económico é também a via mais rápida e duradoura para aumentar as receitas do Estado, e travar e diminuir o endividamento externo.

Neste quadro, a par da reconsideração do enquadramento comunitário da economia portuguesa, de uma gestão orçamental liberta do PEC, da sustentabilidade das contas públicas no médio e longo prazos e da urgente reestruturação da nossa dívida externa, é necessário recuperar os principais instrumentos de soberania económica.

O PCP propõe uma política de defesa e promoção da produção nacional, com um programa de industrialização do País, potenciando todos os recursos nacionais, que tenha como eixos essenciais:

– Reforço do investimento público, voltado para a indústria, a agricultura e as pescas, para a criação e recuperação de infra-estruturas necessárias à produção, bem como para a rede de transportes e logística; uma política que aposte na substituição de importações por produção nacional, a par do desenvolvimento das exportações, num quadro de alargamento e diversificação de relações externas; que, no campo das regras comerciais ao nível comunitário adopte medidas, mesmo que transitórias, de apoio aos produtos exportados e de penalização das importações.

– Aproveitamento integrado de todos os recursos nacionais, com políticas que: (i) concretizando medidas de combate ao desemprego, ao trabalho precário, à desvalorização dos salários, à desregulação dos horários de trabalho, promovam o aproveitamento do mais importante potencial nacional – a capacidade criativa e produtiva de milhões de trabalhadores; (ii) fomentem os importantes recursos naturais do subsolo e energéticos, agrícolas e florestais, os recursos do mar, assim como de toda capacidade produtiva ainda instalada no nosso País – designadamente no plano industrial.

– Defesa e reconstituição de um forte e dinâmico Sector Empresarial do Estado, recuperando para o sector público sectores básicos e estratégicos da nossa economia, designadamente na banca, na energia, nas telecomunicações e transportes, dinamizando outros importantes sectores que estão hoje ou profundamente fragilizados ou sujeitos a lógicas financeiras de curto prazo, ou mesmo abandonados, e a afirmação do Planeamento Económico, tal como a Constituição da República prevê, indispensável para reestruturar o tecido produtivo.

– Uma forte aposta nas micro, pequenas e médias empresas (MPME) e a dinamização e defesa do mercado interno, pela melhoria do poder de compra dos trabalhadores e reformados, através de uma adequada política de apoio ao investimento, com pleno recurso ao QREN, PRODER e PROMAR e a alteração urgente das regras das comparticipações nacionais para projectos financiados com fundos comunitários (garantindo uma redução significativa destas contrapartidas), com mercados libertos da asfixia e da predação dos sectores monopolistas de bens e serviços não transaccionáveis (crédito, seguros, energia, telecomunicações, grande distribuição, portagens, etc.), garantindo preços dos factores de produção que assegurem a competitividade da produção nacional.

3. Direitos sociais e laborais

3.1 Direitos dos trabalhadores

O desemprego é hoje um dos mais graves problemas nacionais, atingindo mais de 800 mil trabalhadores, situação que se agravará se forem aplicadas as medidas previstas pelo PEC IV e preconizadas pelo FMI, com o apoio de PS, PSD e CDS.

No quadro da ofensiva para tornar ainda mais injusta a apropriação pelo grande capital da riqueza produzida, a política de direita procura transformar o preço da força de trabalho – o salário – na única variável de ajustamento da economia portuguesa.

O desemprego é, assim, o mais poderoso factor de pressão para a baixa dos salários e a liquidação de direitos, potenciado ainda pela restrição do acesso ao subsídio de desemprego e social de desemprego, aplicada pelo Governo com o apoio explícito ou implícito do PSD e do CDS, deixando centenas de milhares de trabalhadores desempregados sem apoio e condicionando a aceitação de salários cada vez mais baixos.

No mesmo sentido da baixa dos salários e do aumento da exploração, prossegue o ataque à legislação laboral, já praticado com o Código de Trabalho PSD/CDS, e a sua revisão para pior pelo PS, que avança agora para nova etapa, a partir do PEC IV, direccionada para a facilitação dos despedimentos – no processo e na redução drástica das indemnizações devidas aos trabalhadores – para o ataque à contratação colectiva e à acção dos sindicatos na negociação e para a degradação dos direitos em matéria de horários e mobilidade.

Em simultâneo, aumenta a precariedade dos vínculos laborais, em particular junto dos jovens trabalhadores (incluindo jovens qualificados, também, aliás, atingidos fortemente pelo desemprego) e das novas gerações, com a utilização de contratos a prazo, trabalho temporário, estágios e falsos recibos verdes, como forma de preencher postos de trabalho permanentes sem que lhes corresponda o contrato adequado e que, do mesmo modo, abre caminho à diminuição das remunerações.

O País precisa de uma política que valorize o direito ao trabalho constitucionalmente garantido e assegure a valorização dos trabalhadores:

– Através de uma política de criação de emprego inseparável do crescimento económico;

– Pelo respeito dos horários de trabalho (diários e semanais) e a progressiva diminuição da sua duração;

– Pelo combate à precariedade e pelo emprego com direitos;

– Revogando as normas mais gravosas do Código do Trabalho e rejeitando a nova ofensiva prevista no PEC IV e proposta pelo FMI/UE, acordada pelo governo com as organizações patronais e a UGT, com o apoio de PSD e CDS;

– Alargando os critérios de acesso ao subsídio de desemprego e ao subsídio social de desemprego.

3.2. Direitos sociais

A política de direita do governo PS traduziu-se igualmente, na maior parte dos casos com o apoio de PSD e CDS, na penalização do acesso às prestações sociais, impondo critérios socialmente injustos, que se traduziram na exclusão de centenas de milhares de pessoas de apoios como o abono de família, o complemento solidário para idosos, o rendimento social de inserção, as bolsas e apoios escolares, entre outros.

Em simultâneo são severamente diminuídos outros apoios sociais, caso das comparticipações dos medicamentos, ou do transporte de doentes, sendo cada vez mais difícil o acesso aos serviços de saúde, à educação e à acção social.

O PCP defende uma política que alargue o acesso aos apoios sociais, às crianças, aos jovens e aos sectores mais carenciados da população, revogando os critérios injustos e artificiais de exclusão impostos nos últimos anos. Uma política que garanta a todos os portugueses a prestação de serviços públicos de qualidade.

4. Uma distribuição mais justa da riqueza

A política de direita das últimas décadas acentuou a injustiça na distribuição da riqueza nacional, em simultâneo com a sua cada vez maior transferência para o estrangeiro, através dos lucros e de juros, bem patente no aumento da diferença entre o PIB e o Rendimento Nacional Bruto.

Este agravamento tem como matriz essencial a diminuição da parcela da riqueza atribuída aos salários, com o correspondente maior peso dos lucros, ao que acresce a penalização das reformas e pensões e uma diminuição substancial dos apoios sociais, com uma diminuição clara da função redistributiva da Segurança Social.

Em paralelo, diminuíram os rendimentos dos pequenos empresários (agricultores, pescadores, comerciantes), sujeitos à predação da grande distribuição, ao custo dos factores de produção (crédito, energia, comunicações) impostos pelos grupos monopolistas que os dominam, e a uma fiscalidade que os discrimina negativamente.

Verificou-se um fortíssimo ataque aos salários na administração pública e Sector Empresarial do Estado, por via da sua diminuição real e corte nominal em 2011, bem como no sector privado, utilizando a pressão do desemprego, a diminuição de direitos e a precariedade. Ao mesmo tempo, verifica-se uma forte penalização das pensões e reformas, com a sua sucessiva diminuição real e o seu congelamento em 2011.

Entretanto, aumentou a carga fiscal sobre os trabalhadores e os reformados, quer através do IRS quer através do aumento do IVA, ao mesmo tempo que se mantiveram amplos benefícios para os grandes grupos económicos e o sector financeiro. Lembre-se que em 2010 a banca manteve o nível de lucros de 2009 e se prepara para pagar metade dos impostos, que várias empresas – designadamente a PT – anteciparam a distribuição de dividendos para fugir ao pagamento de impostos. Lembre-se ainda que continuam isentas, em sede de IRC, mais-valias mobiliárias de SGPS ou de fundos de investimento, que todas as operações no mercado bolsista continuam sem qualquer tributação, que a quase inexistente tributação fiscal das transferências para paraísos fiscais, ou de qualquer actividade empresarial na zona franca da Madeira, continuam a ser a regra. Para além de outros prejuízos económicos e sociais, as privatizações têm-se traduzido na perda de rendimentos para o Estado, não só ao nível dos dividendos, como particularmente dos impostos pagos por estas empresas.

Os recursos do Estado continuam entretanto a ser cada vez mais drenados para os grupos económicos privados, através de diversos meios, como são as Parcerias Público-Privadas – cujo contratos devem ser renegociados ou cessados –, bem como as concessões e outras formas de entrega de parcelas do serviço público, e o respectivo financiamento ao sector privado.

O País precisa de uma mais justa distribuição da riqueza assente em três questões fundamentais:

– O aumento dos salários e das pensões e reformas, incluindo do salário mínimo para 600 euros em 2013, e o aumento real das pensões não inferior a 25 euros nas mais baixas, como instrumento indispensável para maior justiça na distribuição da riqueza, mas também a dinamização do consumo interno e, desta forma, para o crescimento económico.

– Uma reforma fiscal que alivie a tributação, directa e indirecta, dos trabalhadores, dos reformados e das micro e pequenas empresas e, em simultâneo, promova uma tributação justa dos grandes lucros, designadamente com a eliminação de benefícios fiscais, a tributação acrescida das empresas e grupos económicos com lucros superiores a 50 milhões de euros, a tributação efectiva em IRC da banca e do sector financeiro com o valor da taxa nominal e das mais valias de SGPS e de fundos de investimento, a tributação acrescida das grandes fortunas, do património e dos bens de luxo, a taxação das transacções bolsistas e das transferências para paraísos fiscais, bem como a tributação das mais valias resultantes da transformação do uso do solo.

– Uma política social que dê prioridade ao combate à pobreza e à exclusão, alargando o acesso às prestações sociais e o aumento do seu valor, contribuindo também dessa forma para uma mais justa distribuição da riqueza, que insira as prestações atribuídas em programas de inserção social e no mercado de trabalho, combatendo a estigmatização das pessoas que delas beneficiam, bem como a perpetuação das situações de carência, que garanta em simultâneo uma eficaz fiscalização das prestações atribuídas.

5. Defesa da soberania nacional

A crise em Portugal, inserida no quadro do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo a nível mundial, da agudização da luta de classes que a caracteriza, comporta uma forte ofensiva contra a soberania nacional, visando condenar o nosso País à dependência e subalternização face ao grande capital e à União Europeia.

Os recentes desenvolvimentos do processo de integração capitalista da União Europeia revelaram mais claramente a sua natureza de classe, confirmam-na como um instrumento central de domínio e de articulação do grande capital europeu – nomeadamente do grande capital financeiro – bem como das instituições e forças políticas ao seu serviço, usado para, num processo de concentração do poder económico e político, direccionar para as classes mais desfavorecidas e para os países mais vulneráveis e menos desenvolvidos os efeitos da crise, à custa dos recursos nacionais e da destruição de tecidos produtivos.

Como o PCP alertou, o Euro, a União Económica e Monetária e a União Europeia são um problema e um entrave ao desenvolvimento soberano de Portugal e das condições de vida dos portugueses. Vinte cinco anos de integração de Portugal na CEE e na UE ampliaram os problemas e fragilidades da economia nacional, acentuando a sua dependência e défices estruturais.

A completa submissão do Governo português à NATO (visível na recente cimeira em Lisboa) e o envolvimento crescente de Portugal nos projectos do militarismo imperialista europeu e norte-americano, confirmam o rumo de uma política externa de abdicação de intervenção soberana e de acordo com a Constituição, no sentido da paz e da cooperação entre os povos.

Portugal não está condenado à submissão e à dependência! A política patriótica e de esquerda parte da ideia central de que a soberania nacional não se negoceia, vende ou cede, reside no povo e é a ele que pertence a decisão do seu presente e futuro colectivos.

Portugal tem vantagens competitivas, laços históricos e culturais e uma situação geoestratégica, que permitem o desenvolvimento de uma política externa que defenda os legítimos interesses de Portugal e dos portugueses, e contribua para o seu prestígio internacional.

Uma política assente na utilização dos recursos nacionais e que recupere os instrumentos políticos e económicos que se revelem indispensáveis ao desenvolvimento de Portugal, no plano económico e monetário, das relações comerciais e do desenvolvimento do sector produtivo.

Uma política que, no plano da União Europeia, rejeite a imposição de políticas comunitárias lesivas do interesse nacional, que garanta ao povo português o direito de se pronunciar sobre o processo de integração europeia, e que promova a construção na Europa de um verdadeiro processo de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos e deveres.

Uma política externa que rejeite o unilateralismo, que respeite a Constituição e defenda o direito dos povos à soberania, auto-determinação e integridade territorial, rejeitando a instrumentalização da ONU. Uma política externa e de defesa que, no respeito pelos direitos e dignidade dos militares portugueses, tenha como missão fundamental estar ao serviço de Portugal e da sua soberania, opondo-se a qualquer acto de ingerência e agressão externa, e que decida do regresso de todos os militares em missões militares no estrangeiro.

Uma política assente na diversificação das relações económicas e financeiras com o maior número de países do Mundo, que rejeite a liberalização do comércio mundial, defenda relações de cooperação e apoio económico mutuamente vantajosas, lute pela efectiva regulação dos mercados financeiros, pela taxação de todas as transacções financeiras, pelo fim dos paraísos fiscais, pela penalização de deslocalizações de empresas e pelo direito de todos os povos ao seu desenvolvimento económico e social.

Uma política que, no respeito pela Carta das Nações Unidas, defenda a dissolução dos blocos político-militares e decida da desvinculação de Portugal da estrutura militar da NATO, que oponha ao militarismo um projecto de cooperação internacional para a paz e o desarmamento.

6. Defender a Constituição e o regime democrático

Neste período de ano e meio que decorre entre as eleições de 2009 e as próximas legislativas de 5 de Junho, os cidadãos, o povo português, viram agravar-se todos os aspectos da situação económica e social do País, com reflexos profundamente negativos na evolução da situação política. À revelia e, na maioria dos casos, contra a Constituição da República, acentuaram-se traços e linhas de actuação que, vindos de trás, correspondem a novos patamares na ofensiva contra o regime democrático, sujeito a novos e acrescidos perigos e ameaças.

Perante a gravidade da situação do País e da vida dos portugueses, acentuam-se linhas de descredibilização das instituições do regime democrático, e designadamente da Assembleia da República, procurando esconder as verdadeiras razões, responsáveis e beneficiários da crise – a política de direita e os seus executores, ao serviço do capital monopolista –, acentuando uma linha de igualização dos «políticos» e dos partidos, que visa ocultar a distinção entre os que aplicam e apoiam as medidas negativas e os que as contestam, propondo alternativas, como faz o PCP.

Assim, a situação actual pode ser caracterizada nos seguintes aspectos, mais relevantes:

Degradação da democracia política, com o alastramento da corrupção e do tráfico de influências, as promessas incumpridas, a falta de transparência, a chantagem, a mentira e o vale tudo na vida política, atingindo níveis nunca vistos, inaceitáveis e incompatíveis com o regime democrático.

Total subordinação dos responsáveis da política de direita aos interesses da alta finança e do poder económico, bem patente na actuação, despudorada e inaceitável, dos mandantes da Banca relativamente ao Orçamento do Estado e à intervenção do FMI/UE no nosso País.

Ofensiva crescente contra os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, liquidação de direitos dos trabalhadores, limitações e violações antidemocráticas do pluralismo e da liberdade de expressão política, com acentuação de políticas, métodos e actuações de cariz securitário e repressivo.

Insistência em medidas legislativas, a par de continuadas pressões e ingerências no poder judicial, que põem em causa não apenas a independência dos tribunais e magistrados e o princípio da separação de poderes, como comprometem a realização da justiça, sobretudo nos casos da criminalidade mais grave.

Persistência de elevados índices de criminalidade e crescente sentimento de insegurança das populações, causados pela diminuição de políticas públicas de prevenção da delinquência e do crime.

Medidas economicistas, ditadas pela obsessão do défice, que atingem áreas nucleares do Estado, como a justiça e a segurança pública, e que, a par do desrespeito pelo estatuto e justas reclamações dos seus profissionais, põem em causa o normal funcionamento dos tribunais e das forças e serviços de segurança, e atingem o direito de acesso à justiça, à segurança e tranquilidade públicas.

Constante incumprimento e desrespeito pela Constituição, acompanhados de nova ofensiva, com a abertura de mais um processo de revisão, que visa a destruição de conquistas históricas de Abril, como a escola pública, o serviço nacional de saúde e os despedimentos sem justa causa.

Para o PCP, a defesa da democracia e das liberdades, baseadas nos princípios do regime democrático conquistado com Abril, são parte integrante da construção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda.

Uma política de defesa e reforço da democracia de Abril passa pelo respeito e cumprimento da Constituição da República, pelo aprofundamento dos direitos, liberdades e garantias fundamentais e o reforço da intervenção dos cidadãos na vida política; o respeito pela separação dos poderes e a autonomia de organização e funcionamento dos partidos políticos; a democraticidade e proporcionalidade dos sistemas eleitorais; uma justiça independente, democrática e acessível a todos; o combate e punição da corrupção, crime económico e tráfico de influências; uma política de segurança que defenda os direitos dos cidadãos e a tranquilidade pública; uma política de defesa nacional e Forças Armadas ao serviço do País.

Questão crucial para a defesa do regime democrático é a efectiva subordinação do poder económico ao poder político.

Um governo patriótico e de esquerda

A concretização da política necessária à resolução dos problemas nacionais exige a formação de um governo patriótico e de esquerda, capaz de assegurar uma nova fase da vida do País, marcada pelo desenvolvimento, a justiça e o progresso social.

Um governo para salvar o País, orientado por uma política patriótica e de esquerda que, correspondendo ao conteúdo e valor próprios da Constituição da República e dos ideais de Abril, permita responder aos problemas nacionais, ao contrário de um governo dito de «salvação nacional», juntando precisamente aqueles que têm enterrado e querem continuar a enterrar o País.

Um governo cuja viabilidade está nas mãos do povo português, constituído com base nas forças e sectores políticos, democratas e personalidades independentes, que se identificam com a política patriótica e de esquerda, apoiado pelas organizações e movimentos de massas dos sectores sociais anti-monopolistas.

Um governo que constitua uma solução política necessária e urgente, que tem de ser inscrita como um objectivo incontornável para o futuro do País, e cuja concretização só é possível com o significativo reforço da influência do PCP e dos seus aliados na CDU nas eleições de 5 de Junho.

Manifesto eleitoral do PEV:

Portugal encontra-se hoje numa grave situação económica e social, a mais grave do pós 25 de Abril, decorrente das opções políticas tomadas ao longo dos últimos 35 anos, por governos do PS, PSD e CDS.

Opções que progressivamente foram desmantelando o sector produtivo, da indústria, da agricultura, das pescas, precarizando cada vez mais o emprego, a saúde e a educação e que deram corpo à privatização de sectores chave da economia.

Este rumo incutido fragilizou o país e tornaram-nos mais dependentes do exterior e mais permeáveis às variações dos mercados financeiros e especulativos, como se verificou com a crise financeira de 2008 que afundou ainda mais o país no seu endividamento.

O recurso à ajuda financeira externa e a entrada do FMI em Portugal apenas irão agravar a situação do País, de uma forma geral, e hipotecar o nosso futuro ao longo de décadas.

A economia sucessivamente desmantelada pela liquidação do aparelho produtivo e pela cada vez maior dependência do exterior e das importações, teve como consequência directa a destruição do mercado interno.

Só com um mercado interno forte e desenvolvido se consegue robustez económica. Mas obsessão cega pelo apoio ao sector exportador, representado pelas grandes empresas e um forte desprezo pelas micro, pequenas e médias empresas que empregam a grande massa trabalhadora tem hipotecado essa possibilidade.

Esta realidade tem como consequências o aumento galopante do desemprego, acompanhado pela perca de poder de compra, endividamento e incapacidade de poupança por parte da generalidade dos cidadãos.

O desemprego tem vindo a registar níveis históricos e demasiado preocupantes para o futuro do país, tendo atingido os 11,2%, segundo os dados oficiais, ultrapassando os 600 mil desempregados inscritos nos centros de emprego o que significa que o desemprego real estará bastante acima.

A verdade é que o Governo se virou exclusivamente para os objectivos da União Europeia e do controlo do défice, independentemente das necessidades do país e dos portugueses. Curiosamente quando a maioria das pessoas vê as suas condições de vida com cada vez maiores dificuldades a quem são impostos sacrifícios, os grandes grupos económicos e financeiros parecem alheados desse sacrifício.

Os sucessivos cortes no investimento público, os aumentos de IVA, uma injusta e pouco eficiente máquina fiscal não têm contribuído para dinamizar da economia portuguesa, pelo contrário, têm levado a uma desregulação das contas nacionais agravadas por uma sucessão de investimentos duvidosos, pelo estabelecimento de parcerias público-privadas com graves prejuízos para o erário público e pela injecção de capital nos planos de resgate da Banca como forma de minimizar os impactos da crise financeira de 2008, o que contribuiu fortemente para o agravamento do défice.

Enquanto tudo isto se concretizava, e tanto mais que aqui podia ser exemplificado, por iniciativa do Governo, os grandes grupos económicos, entre os quais a GALP, a EDP e o sector financeiro, acumularam e continuam a acumular lucros exorbitantes. E, mesmo com todos estes lucros, os portugueses continuam a ver aumentar o preço da electricidade, continuam a comprar gasolina cara, continuam a ser “espremidos” pelos bancos, enquanto o Estado continua a não tributar as colossais fortunas que alguns detêm e constroem neste país.

E é assim que o Governo contribui para a consolidação da injusta repartição de riqueza em Portugal e para a criação de um maior fosso entre os mais ricos e os mais pobres – Portugal é dos países da União Europeia com a disparidade mais vergonhosa entre ricos e pobres e onde o risco de pobreza é dos mais acentuados.

Não é aceitável que nos imponham mais este modelo de país como uma inevitabilidade. Os mesmos que nos fizeram acreditar que entrar para a União Europeia nos ia desenvolver, quando na realidade aniquilou o nosso aparelho produtivo e nos inundou com produtos e tecnologia vinda de fora. Os mesmos que nos venderam a ideia do pelotão da frente e das maravilhas do Euro, quando na realidade o que fizeram foi sufocar-nos com PEC atrás de PEC, eliminando cada vez mais e mais direitos no emprego, na saúde e na educação, sacrificando cada vez mais o ambiente e a protecção da Natureza, enquanto banca e grandes grupos protagonizaram dos maiores lucros da História recente, e continuam a fazê-lo mesmo em período de crise profunda.

Basta!

É necessária uma alternativa.

Uma Alternativa de Esquerda e Sustentável

Está nas tuas mãos construir essa alternativa.

Temos que levantar este país do chão.

Fazer face à Crise e à Dívida

No imediato Portugal tem que renegociar a dívida externa, os seus prazos, montantes e juros. Não aceitar as pressões dos mercados financeiros e especulativos, procurar diferentes fontes de financiamento e procurar crédito com a venda de activos financeiros na posse do Estado.

É fundamental reformar o sistema fiscal tributando a banca ao nível das demais empresas, taxar os grandes lucros de sectores que têm escapado ao contributo fiscal e os paraísos fiscais.

É urgente fortalecer a economia nacional recuperando o sector produtivo, a agro-pecuária, as pescas, a indústria de transformação, reduzindo as importações gerando emprego e aumentando a qualidade de vida dos portugueses.

Portugal não precisa do FMI e por isso não aceitamos as imposições negociadas entre PS, PSD e CDS e a Troika.

Desenvolver o País e assegurar a sua Soberania

Portugal importa, hoje, mais de 75% do que consome. Os sectores produtivos estão cada vez mais fragilizados e sufocados devido a sucessivas políticas que têm cedido à agressividade das políticas económicas europeias e que não têm em conta as especificidades do nosso país. Esta situação acentua a nossa dependência e põe em causa a nossa soberania alimentar, arruína as micro, pequenas e médias empresas, destrói postos de trabalho, e não permite o escoamento dos nossos produtos. Por outro lado contribui para o despovoamento do interior do país além de ter como consequência o aumento do transporte rodoviário de mercadorias e consequentemente o aumento das emissões de CO2, agravando as alterações climáticas.

A palavra chave para recuperar a economia nacional é Produzir.

A agricultura praticada em Portugal continua a ser maioritariamente caracterizada por ser uma agricultura familiar e, como tal, com uma grande importância social.

Esta agricultura, ocupando grande parte do território nacional, desempenha um papel fundamental no seu correcto ordenamento, de onde se salienta o seu papel na prevenção dos incêndios florestais, na preservação da biodiversidade e da nossa identidade cultural.

Apesar da importância estratégica da agricultura familiar, esta não tem encontrado eco nas políticas nacionais ou europeias, o que se traduziu no desaparecimento de mais de 300.000 explorações agrícolas nos últimos 20 anos, cerca de duas explorações em cada hora. Embora o Mundo Rural não seja só agricultura, a verdade é que o abandono desta reflecte-se inevitavelmente nas aldeias, na paisagem que as rodeia, nas demais actividades do Mundo Rural e na desertificação humana.

Com “Os Verdes” e com a CDU, desenvolver o País:

  • Apoiar a produção nacional e promover o consumo local. Recuperar e consolidar o mercado interno (cada vez mais inexistente) para que possa conferir maior robustez à nossa economia e reduzir a nossa dependência externa de forma a inverter a actual balança comercial demasiado desfavorável para nós.
  • Promover a agricultura familiar, apoiando culturas diversificadas e adaptadas aos nossos solos e clima. Fomentar a agricultura biológica conjugando com a protecção da biodiversidade e proibir o cultivo de Organismos Geneticamente Modificados.
  • Defender a reforma da Política Agrícola Comum e da Politica Comum de Pescas tendo em conta as especificidades nacionais.
  • Proibir o cultivo de Organismos Geneticamente Modificados e a utilização de transgénicos na alimentação animal ou humana.
  • Apoiar o sector pesqueiro recuperando e renovando a nossa frota.
  • Criar condições de escoamento dos produtos alimentares nacionais nomeadamente com apoio ao sector cooperativo.

Salvaguardar os nossos Direitos

Hoje o desemprego atinge níveis históricos afectando perto de 700 mil portugueses. Os sucessivos governos fizeram acentuar as desigualdades sociais, a pobreza e a exclusão social.

O PS agravou o novo Código do Trabalho, da autoria do Governo PSD/CDS e prepara-se para na versão da Troika, agravar ainda mais a precariedade e volatilidade do emprego, com cada vez menos direitos, agravado pelo aumento da exploração e do trabalho ilegal.

A obsessão pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, invocando a redução do défice, não se adequa às necessidades do nosso país e traduz-se em substanciais cortes orçamentais, diminuindo o investimento público, pondo em risco sectores fundamentais da nossa frágil economia e destruindo milhares de postos de trabalho.

Os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, que representam importantes conquistas civilizacionais, têm vindo a ser postos em causa.

Os cidadãos com deficiência ou com mobilidade reduzida continuam a ver os seus direitos negados. Continua a haver situações de discriminação na nossa sociedade por questões de género, cor, orientação sexual ou religião.

Nos últimos anos testemunhámos grandes perigos para a paz invocando, hipocritamente, o combate ao terrorismo e a defesa da democracia para legitimar ilegalidades e crimes contra a humanidade.

Com “Os Verdes e com a CDU:

  • Promover o aumento dos salários, das pensões e reformas para fazer face aos elevados custos de vida.
  • Estabelecer como prioridade a criação de emprego combatendo a precariedade e o desemprego
  • Criar condições e incentivos para a fixação das populações no interior do país e o seu desenvolvimento.
  • Promover o combate à pobreza e à exclusão social.
  • Credibilizar e operacionalizar o sistema judicial em Portugal, tornando-o mais célere e eficiente;
  • Promover um Portugal não discriminatório garantindo a salvaguarda dos direitos a todos os cidadãos independentemente das suas opções políticas ou religiosas, das suas orientações sexuais ou identidade de género, das suas origens ou da sua condição física, psíquica ou de saúde.
  • Criar condições de apoio às vítimas, seja ao nível judicial, seja ao nível laboral, dando prioridade à sua integração e empregabilidade em caso de necessária deslocação da sua área de residência;
  • Garantir a educação e formação do individuo, protegendo e promovendo a escola pública e o acesso gratuito a todos os níveis de ensino, articulado com as necessidades de desenvolvimento do país, promovendo as saídas profissionais e defendendo os direitos dos professores, em articulação com o sector.
  • Investir na Investigação Científica e no Desenvolvimento Tecnológico e defender os direitos laborais e de segurança social destes profissionais.
  • Garantir o direito à saúde, promovendo um Serviço Nacional de Saúde público e universal;
  • Defender a paz, reduzindo o orçamento militar do país, promover a saída de Portugal da NATO e a dissolução desta
  • Defender e valorizar a Constituição Portuguesa, aprofundar a democracia e a participação, salvaguardar as liberdades e os direitos fundamentais dos cidadãos.

Defesa dos serviços públicos de sectores estratégicos para o desenvolvimento e soberania do nosso país

Nos últimos anos temos assistido a constantes ataques, através de políticas de liberalização e privatização de serviços públicos fundamentais para o progresso económico, social e ambiental do país.

O Estado tem de assumir e reforçar o seu papel na defesa do sector público, sob pena de o entregar ao sector privado e a multinacionais que apenas têm fins lucrativos.

Foi o que sucedeu na saúde com as políticas dos sucessivos governos a fragilizarem o Serviço Nacional de Saúde (SNS) devido a uma gestão economicista, com a gestão privada de dezenas de hospitais, com o aumento dos custos da saúde.

Foi o que sucedeu na educação, com o desinvestimento na rede escolar pública, com a crescente elitização do ensino, com o aumento dos custos de ensino.

Foi o que sucedeu na segurança social com a introdução de uma privatização parcial.

É o que está a acontecer com a mercantilização da água, entre outros.

Com “Os Verdes” e com a CDU

  • Defender o Sistema Nacional de Saúde nos diferentes níveis e descentralizar de forma a aproximar os serviços de saúde do utente ou garantir o seu transporte.
  • Assegurar a escola pública universal e gratuita em todos os níveis de ensino como pilar de desenvolvimento do país, articulando-a com os diferentes momentos e necessidades da sociedade e do país;
  • Garantir um serviço público de transportes de qualidade e acessível, com preços socialmente justos.
  • Defender a gestão pública da água, não permitindo a sua privatização.
  • Manter no controlo do Estado e da representação democrática sectores chaves da economia portuguesa Banca, Energia, Transportes e Comunicações com vista à sustentabilidade económica e ambiental do país.

Um desenvolvimento virado para o ambiente e para a qualidade de vida.

É responsabilidade inalienável do Estado assegurar uma política de protecção e de valorização ambiental, mas os sucessivos Governos têm encarado o ambiente sob uma perspectiva económica, visando lucros à custa do futuro do planeta, e não como um direito tal como consagrado na Constituição da República Portuguesa.

Na área do ambiente e desenvolvimento sustentável é recorrente a apresentação de medidas avulsas, inconsistentes e pouco eficazes na preservação dos recursos naturais, o que traz graves consequências para os ecossistemas, com claros efeitos negativos na nossa qualidade de vida e na nossa economia.

“Os Verdes” têm desenvolvido diversas acções e iniciativas de promoção de um desenvolvimento sustentável, nomeadamente denunciando o erro do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico que mais não é quem plano de betonização dos rios, quando com menos dinheiro e investindo estrategicamente na poupança e na eficiência energética, como diversos estudos o demonstram, se conseguem os mesmos resultados em termos de satisfação das nossas necessidades energéticas.

Desencadeámos uma campanha de defesa da ferrovia nacional, como resposta à intenção da CP e do Governo de encerrar um conjunto de linhas ferroviárias, nomeadamente as vias férreas do Corgo, Tâmega e Tua.

Com “Os Verdes” e com a CDU:

  • Salvaguardar a protecção dos habitats e da rede nacional de áreas protegidas tendo em conta a conservação da biodiversidade e o direito dos seres vivos ao desenvolvimento equilibrado do seu ciclo biológico.
  • Promover a poupança e o uso eficiente da energia, reduzindo a dependência do petróleo e seus derivados, apostando na redução de consumos, na produção descentralizada e na energia solar térmica e fotovoltaica e nas eólicas.
  • Recusar o Plano Nacional de Barragens, nomeadamente as barragens com impactes significativamente negativos no ambiente e na economia local e regional.
  • Promover o desenvolvimento generalizado de aproveitamentos energéticos alternativos, nomeadamente das ondas e marés e contribuir para a nossa independência energética e para a minoração dos efeitos das alterações climáticas.
  • Recusar a energia nuclear, seja a sua produção seja a sua compra a países produtores, pelos graves perigos que representam os resíduos gerados, a exploração de urânio, os graves riscos imprevisíveis de acidentes e também pela sua insustentabilidade económica.
  • Promover políticas de desenvolvimento e de ordenamento do território que permitam a utilização sustentável dos recursos naturais, em harmonia com a actividade humana e o respeito pelas Reservas Agrícola e Ecológica Nacionais;
  • Promover um plano integrado para o combate às alterações climáticas;
  • Proteger e promover a floresta nacional, assegurando um ordenamento com base na diversificação das espécies, na protecção dos ecossistemas e em medidas efectivas de prevenção e combate aos fogos florestais;
  • Promover uma mobilidade sustentável e permitir uma rede ciclável nacional e promover nos centros urbanos condições para uma mobilidade suave;
  • Desenvolver, modernizar e generalizar o transporte ferroviário convencional e reduzir ou mesmo parar o investimento na construção de mais auto-estradas em Portugal;
  • Promover a complementaridade e a intermodalidade dos transportes públicos.


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Censurável

Completamente censurável a ideia dos militantes pertencentes aos partidos da coligação.

Mesmo apesar do facto de não esconder a minha preferência partidária pela CDU, devem ser apurados os responsáveis de tamanho acto para que sejam obrigados a limpar as escadas monumentais para que a CMC não tenha que dispensar empregados para o devido efeito, gerando portanto mais despesa “desnecessária” para o magro erário público.

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Reviravoltas?

A última sondagem realizada pela Marktest para a TSF dá conta que pela primeira vez nos últimos meses, é o Partido Socialista que lídera as opções de votos dos inquiridos para vencer as próximas eleições portuguesas. Esta sondagem é o reflexo da descrença que o povo português tem no líder do PSD Pedro Passos Coelho. Os avanços e recuos assim como as escolhas e opiniões do líder dos Sociais-Democratas já metem nojo e como uma vez tive oportunidade de o dizer neste blog, Passos Coelho parecia ter o “poder” na mão mas esse “poder” parece ser incómodo.

Depois de todas as asneiras que fez na governação, os Portugueses parecem ver em José Sócrates o homem ideal para governar nos próximos 4 anos. Toda a gente o critica, toda a gente corre às urnas para o legitimar – estamos bem, Portugal!

O Partido Comunista subiu ligeiramente o Bloco, tal como previa, irá descer em muito nas opções de voto do povo Português.

Isto no dia em que foi anunciado que um dos candidatos à Assembleia da República pelo PS no circulo eleitoral de Leiria é Telmo, ex-concorrente do Big Brother. Um tipo célebre pelo seu quociente de inteligência e pelo seu domínio perfeito na Língua Portuguesa. É caso para dizer ao estado que o estado chegou.

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Não negoceiam com o FMI

A pergunta de partida que coloco neste post é a seguinte: Perante a grave falta de concertação política nacional e a instabilidade do país nos mercados internacionais, fizeram bem Bloco e PCP em não se reunirem com os agentes do Fundo Monetário Internacional?

Fizeram. Não tenho as menores dúvidas que foi a melhor decisão tomada pelos dois partidos nos últimos meses.

Falo do PCP.

Com as políticas que o PCP defende, jamais será viável negociar o quer que seja com quem vem a Portugal com o intuito de praticar um conjunto de medidas estruturais que vão contra o que o PCP tem defendido para o nosso país nos últimos anos.

Está mais que visível que o Fundo Monetário Internacional não vêm apenas resgatar Portugal com um empréstimo de 80, 90 ou 100 mil milhões de euros. Está mais que visível que o Fundo Monetário Internacional vai apresentar um conjunto de medidas ao Estado Português que não vão reduzir as assimetrias existentes entre o povo português no que toca à distribuição de riqueza e que pelo contrário, vão aumentar o poderio daqueles que tem sido ajudados pelos sucessivos governos: a banca e o grande patronato.

Os agentes do Fundo Monetário Internacional não vêm com o objectivo de renegociar a nossa dívida, de aliviar a carga de impostos que aflige actualmente o quotidiano de todos os portugueses, promover o consumo interno, fomentar a produção nacional, aliviar as despesas que os cidadãos tem com saúde com a redução das taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde ou obrigar o estado português a fomentar um ensino de qualidade que possa acarretar um aumento significativo de mão-de-obra qualificada.

Os agentes do Fundo Monetário Internacional vêm por sua vez apresentar um empréstimo cujos beneficiários em quota parte são aqueles que mais lucraram nos últimos anos – a banca. Os agentes do Fundo Monetário Internacional preparam-se para reduzir os salários reais dos trabalhadores, aumentarem as taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde para reduzirem a despesa pública num bem essencial gratuito que pertence aos cidadãos portugueses por Direito Constitucional, vem reduzir as reformas e as pensões e limitar o acesso às mesmas com o aumento da idade da reforma para um ridículo patamar de 68 anos, reduzir o acesso ao subsídio de desemprego a quem cai no infortúnio, reduzir as prestações sociais a quem precisa delas para sobreviver, facilitar o despedimento aos patrões e assim criar mais desemprego.

Os agentes do Fundo Monetário Internacional não vêm por cobro à especulação que as agências de rating estão a fazer nos mercados à conta da nossa dívida pública, não vêm dar apoio às pequenas e médias empresas para gerar mais emprego, não vem com o intuito de fazer a banca pagar os impostos sobre os lucros que obtêm que lhes são devidos mas cujos sucessivos governos de direita lhes têm perdoado, não vêm instaurar medidas que façam os ricos tributar mais em favor dos bens sociais que os mais desfavorecidos necessitam, não vêm instaurar medidas que taxem em dura medida aqueles que continuam a importar bens de luxo, não vêm limitar o despesismo que o estado português tem feito no sector do exército, dos chorudos salários dos gestores públicos e respectivos bónus, impedir a enorme derrapagem nas contas das empresas públicas e semi-públicas como a CP, a refer ou a Metro de Lisboa, não vêm cortar as reformas extras a quem recebe 2 e 3 reformas na casa dos milhares.

Em suma, os agentes do Fundo Monetário não vêm praticar medidas que os governos de direita do PSPSD e CDSPP tem praticado desde o 25 de Abril de 1974. Agravante, vêm acentuar as dificuldades para o futuro do povo português e vêm acentuar mais crises sociais no nosso país. Não tenho a menor dúvida em afirmar que o nosso país sofrerá num futuro próximo um aumento das situações de miséria, de fome, de falta de cuidados de saúde por falta de posses financeiras.

Tendo em conta essas políticas, o PCP jamais poderá negociar o quer que seja com o Fundo Monetário Internacional.

Deparemo-nos com o exemplo da intervenção do Fundo na Grécia. Nem com a imposição de medidas de austeridade rígidas, a Grécia melhorou. A renegociação da dívida externa Grega é o exemplo de mais um falhanço da intervenção do Fundo. Pela primeira vez, considero a Zona Euro em risco. Grécia e Portugal podem colapsar a zona Euro caso saiam por espontaneidade ou sejam literalmente despejadas da mesma. A solidariedade europeia, base fundadora das comunidades, do mercado único e da moeda única está pela primeira vez em risco quando existem países como a Finlândia, a Áustria e a Alemanha torcem o nariz quando pedidos a ajudar outros estados-membros.

Sou de acordo que Portugal e Grécia deverão usar o factor Zona Euro como pressão para que se acabe com a especulação que é feita nos mercados e para renegociar as respectivas dívidas externas. Poderemos esticar a corda e a corda até poderá partir. Creio num cenário ultra negativo para o país caso este saia da Zona Euro. Todavia, caso a Zona Euro fique sem Portugal e sem a Grécia, os restantes países da mesma também sentirão o colapso em larga escala.

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Aliança à vista? Jamais…

Notícias dão conta de uma possível abertura do PCP e do Bloco de Esquerda para uma convergência política alternativa de esquerda.

Espero que o PCP não embarque nestas quimeras. Pelo pedaço de história que lhe cabe nos últimos 90 anos do país e pela ideologia bem vincada que sempre defendeu, espero que tal não se venha a realizar. O PCP não deve andar a reboque de ninguém. Muito menos de partidos muito pouco esclarecidos ao nível de ideologia interna e cheios de divergências entre os seus principais rostos.

Não menosprezando a influência que o BE tem actualmente no panorama político português (influência maior que o PCP na Assembleia da República, já tinha afirmado aqui sobre esta possibilidade, passando a transcrever: “Não nos cabe a nós recolher alguém em nossa casa que não perfilha totalmente do nosso pensamento e que dentro do próprio partido não se sabe bem que ideologia defende, ou, se defende várias. Pelo menos é a realidade que o Bloco nos transparece. Nesta minha crítica, não desejo qualquer mal ao Bloco. Não desgosto das políticas desejadas pela UDP e pelo Política XXI – pelo contrário, até as prezo. No entanto, não defendo uma junção com o PSR e com a RupturaFER” – continuo a manter este argumento. Com a RupturaFER (vais-me desculpar Manuel Afonso) jamais será viável concertar esforços no mesmo barco.

Para reforçar este argumento, transcrevo um comentário publicado aqui no Aspirina B: “O Sr. deputado Carlos Brito não sabe do que fala. Vive no mundo do sonho, no mundo da ilusão.

Zeus me livre se algum dia o PCP terá que aproximar-se daquela escumalha do Bloco de Esquerda. Eu abro o meu jogo – eu sou militante do PCP. Antes de me filiar no partido, medi bem a ideologia que defendo. No Bloco de Esquerda tal não acontece. Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa, existem várias ideologias rotativas ou se o mesmo é desprovido de qualquer ideologia que não seja criticar para destruir sem que no entanto se tenha algo para construir a mais do que temas fracturantes da sociedade.
Um partido, que de facto é actualmente o mais velho em actividade desta nação não pode dar o passo em frente para a união com um partido que é composto por 4 frentes (PSR, UDP, RupturaFER e Política XXI) em que todas essas 4 frentes estão unidas num partido único, embora, com a ressalva dessas 4 frentes terem choques ideológicos graves (o exemplo da FER em relação à UDP chega a ser drástico).

Eu bem vejo os militantes do Bloco de Esquerda que conheço. O Bloco de Esquerda, assumidamente Marxista e Trotskista é um partido que cativa uma massa de apoiantes que não sabem o que é Marx, que não sabem a preponderância que Marx teve para a Economia Política e que jamais leram os pressupostos ideológicos em que assenta o próprio partido. Isso é grave. Filiam-se apenas na ideia que o partido transparece cá para fora: “a gente está aqui para fazer barulho” – e nada mais que isso.

Por isso, tal desejo desse Sr. deputado é irreal. É completamente irreal. Ainda mais quando o próprio líder desse partido é um economista interessante mas um fraco político – característica que na minha opinião o torna um pouco bipolar.

Disse.”

Perdoem-me os meus amigos militantes do Bloco de Esquerda. É aquilo que penso. Não retiro uma única linha deste discurso. Sei bem que é perigoso generalizar. Sei bem que alguns militantes do Bloco de Esquerda irão ler este post e irão acusar-me de falta de conhecimento do funcionamento interno do partido para tentar criticar o meu argumento. É um ponto de vista legítimo assim como é legítima a minha visão de fora do partido, que decerto não destoa em relação aquilo que grande parte dos meus camaradas pensam dos mecanismos de funcionamento do Bloco.


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De que buraco saíste António Barreto?

É caso para perguntar: de que buraco é que saiu este homem?

Desde o documentário “Portugal, um retrato social” (2006) que António “Barrete” andava completamente desaparecido das câmaras.

Homem formado em Direito em Coimbra e em Sociologia em Genebra, ex-militante do Partido Comunista Português, agora militante em “yuppie-style” do Partido Socialista e do Social-Democrata em alternância para o lado que mais lhe convém, aproveitou a demissão de Sócrates para ser o mais eloquente do momento em jornais e revistas, preparando-se quiça para tirar lugar ao Paulo Cardoso no oráculo de “Bellini” tais são os palpites e previsões “astrológicas” que pinta a José Sócrates e ao futuro do país.

É caso para também perguntar onde estava António Barreto nos primeiros anos de Portugal como estado-membro da CEE? Na Assembleia da República, eleito como deputado pelo PS. Um autor tão distinto de ensaios sociais sobre a agricultura, retratos políticos e sociais e comportamentos do país, não é capaz de admitir pertencia à legislatura parlamentar que recebeu os primeiros fundos da antiga CEE cujo estado (que tanto observou; de que tanto escreveu) e os investidores privados da altura não aproveitaram como deveriam aproveitar e cujo facto também acabou por ser um dos motivos pelo qual este país marcou passo em relação ao resto da europa.

Há uns dias atrás, Francisco José Viegas perguntava no seu blog A Origem das Espécies, passando a transcrever: “De repente, nasceram dezenas de colunistas e bloggers responsáveis, atinados, a colocar o interesse nacional à frente dos interesses partidários, penalizadíssimos com a situação económica alarmante, contra a loucura irresponsável que tomou conta «desta gente», contra o cinismo, a rasgarem as vestes como no Antigo Testamento e a pedirem um consenso alargado. Onde estavam há um ano e meio? A fazer um consenso alargado, aposto.” (FJV)

A boca é foleira e ofende o meu sentido de voto nas últimas eleições legislativas.

Faz-se uma nova pergunta, caso não esteja a ser incómodo: Onde é que estava António Barreto desde 1990 para cá?

Com a demissão de Sócrates parece mais vivo que nunca. É pena é que os seus ideiais estejam um tanto ou quanto contraditórios.

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A 2ª vida de Sócrates

Re-eleito na secretaria-geral do Partido Socialista com um resultado histórico de 93,3% dos votos, perante uma oposição interna desconhecida e insignificante.

Com o cenário de demissão do Primeiro-Ministro e recandidatura assumida, Passos Coelho começou com os seus “lapsos ideológicos” quando apresentou as suas ideias para alterar o estado do país. Subir os impostos (IVA) e apostar num aumento de privatizações das empresas públicas (em especial a CGD) não é um cenário apetecível aos olhos dos Portugueses.

A última sondagem realizada dava 46% das intenções de voto ao PSD. Com os sucessivos anúncios dados pelo líder do PSD nas entrevistas que deu aos órgãos de comunicação social, a percentagem deverá descer, complicando a maioria absoluta para o PSD que desde já sabemos que depende do CDS-PP. Cabe portanto a Portas e seus pares resolver a questão. Perante as medidas populistas que o CDS-PP sempre nos brindou, não creio que os democratas-cristãos estejam disponíveis a embarcar nestas quimeras. Nesse aspecto, Portas sempre afirmou que o seu partido não funciona a reboque do PSD – no entanto, a sede de poder de Portas é mais que visível desde a re-eleição de Cavaco Silva.

Num momento em que o Presidente da República se prepara efectivamente para usar dos seus poderes e competências constitucionais para dissolver a Assembleia da República nos próximos dias, os dados estão lançados para as eleições. De um lado, está um Partido Socialista apoiado no seu líder, interessado em vencer as eleições para dar a legitimidade às políticas de Sócrates que a Assembleia negou efeito com o chumbo do PEC 4. De outro lado, o líder do PSD também não parece apresentar propostas viáveis para um futuro risonho do país e espera governar com maioria absoluta se o CDS-PP se coligar.

Resta-nos a esquerda. Há quem deseje dentro do Bloco de Esquerda uma aproximação ao PCP numa alternativa de esquerda unida. Há quem deseje dentro do Bloco uma aproximação ao PCP e ao Socialista, numa alternativa de esquerda única. Tais cenários não são partilhados como viáveis pelos camaradas do PCP. Também partilho dessa opinião. O PCP jamais se deverá coligar com qualquer outro partido. As divergências ideológicas entre o PCP e o Bloco de Esquerda são óbvias. Não nos cabe a nós recolher alguém em nossa casa que não perfilha totalmente do nosso pensamento e que dentro do próprio partido não se sabe bem que ideologia defende, ou, se defende várias. Pelo menos é a realidade que o Bloco nos transparece. Nesta minha crítica, não desejo qualquer mal ao Bloco. Não desgosto das políticas desejadas pela UDP e pelo Política XXI – pelo contrário, até as prezo. No entanto, não defendo uma junção com o PSR e com a RupturaFER – jamais haveria consenso, assim como jamais haveria consenso numa união ao Partido Socialista.

Sócrates ganhou ontem uma 2ª vida. Vamos ver até quando ela dura. As próximas eleições irão determinar o seu futuro neste país. Caso o cenário menos provável vinge (a re-eleição de Sócrates) o futuro será ainda mais catastrófico para este país. Caso o país decida entrar pelas loucuras do líder dos sociais-democratas, resta-nos meter as mãos à cabeça e “ter fé em Zeus” porque a coisa pode descambar para níveis de insanidade nunca antes vistos.

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Santana Lopes é que sabe

Santana Lopes não gosta de bloquistas.

O azarado (atrasado) Primeiro-Ministro por obrigação foi à TVI defender um governo de salvação nacional, composto pelo Partido Socialista, CDSPP, PSD e até pelo Partido Comunista. Já o bloco ficou de fora. Mascarando-se de Caco Antibes é caso para dizer que “o bloco no governo” para o antigo primeiro-ministro assemelha-se a um “nem que a vaca tussa”

A imagem que postei não deixa de ser caricata: de um lado, aquele que não gosta de Bloquistas e do outro aquele que não gosta dos Deolindos.

Semelhanças no discurso? Uma única. Ambos tentam atirar a matar e acabam vexados à sua própria ignorância e ao escarnário da sociedade aos seus comentários.

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