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“A Revolução de Malala” – Shahid Javed Burki, ex-ministro das finanças do paquistão e ex vice-presidente do Banco Mundial.

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Suavização das relações entre a Índia e o Paquistão?

Por Shashi Tharoor, Ex-ministro de Estado indiano para os Assuntos Externos e subsecretário geral da Nações Unidas

A Índia e o Paquistão estão a desfrutar de um dos melhores períodos na sua relação atribulada. Nos últimos meses não se registaram incidentes terroristas, não houve escaladas retóricas nem focos de conflito diplomático. O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari acaba de fazer uma breve e bem-sucedida visita pessoal à Índia (principalmente para visitar um santuário famoso, mas que incluiu um almoço com o primeiro-ministro Manmohan Singh). Dezasseis anos depois da Índia conceder ao Paquistão o estatuto comercial de nação mais favorecida (NMF), o Paquistão está prestes a retribuir. O processo de paz está a recomeçar e as duas partes estão a dialogar de forma cordial, a todos os níveis.

E no entanto, é importante compreender que os problemas que há muito afligem a relação bilateral não serão resolvidos de um dia para o outro. Mesmo se, por algum milagre, o aparelho civil e militar paquistanês de repente tivesse um rasgo de iluminação, concluísse que o terrorismo era prejudicial e decidisse seguir pelo mesmo caminho que Índia na sua erradicação, a tarefa não se conseguiria realizar num estalar de dedos. O extremismo não é uma torneira que se possa fechar arbitrariamente. A proliferação de ideologias extremistas, as organizações militantes e os campos de treino adquiriram uma dinâmica própria. Como refere Satyabrata Pal, antigo alto-comissário indiano para o Paquistão: “Estes grupos da jihad fazem os seus recrutamentos a partir dos milhões de jovens paquistaneses que emergem das escolas vernáculas e madrassas, imbuídos de um ódio pelo mundo moderno, no qual não têm competências para trabalhar. Assim, enquanto os jovens indianos vão para o Vale do Silício e fazem eles próprios as bombas, os jovens paquistaneses vão para o Vale do Swat e fazem de si próprios a bomba, a mesquinhez das suas vidas justifica o fim. O Paquistão traiu a sua juventude, que é a sua tragédia.”

Este conselho não é de desespero. Em vez disso, é um argumento para oferecer ajuda. Um país vizinho repleto de jovens desesperados, sem esperança ou perspectivas, liderado por um militar mal-intencionado e que se auto-engrandece, é uma ameaça permanente para a Índia. Se a Índia conseguir ajudar o Paquistão a ultrapassar estas circunstâncias e a desenvolver uma aposta num progresso mutuamente benéfico, estará ajudando-se a si própria também. É aí que reside a esperança de persuadir o Paquistão de que o sucesso da Índia pode beneficiá-lo também – que, ao invés de tentar prejudicar a Índia e impedir o seu crescimento, o Paquistão deve reconhecer as vantagens que podem advir de uma parceria com uma Índia cada vez mais próspera.

A Índia pode apoiar-se na generosidade que já demonstrou várias vezes – por exemplo, com a atribuição unilateral do estatuto de NMF ao Paquistão -, oferecendo um mercado aos comerciantes e industriais paquistaneses, uma égide criativa para os seus artistas e cantores e um lar longe de casa para aqueles que procuram um refúgio face às realidades da vida paquistanesa. A criação de mais pontos de contacto – diplomacia de bastidores conduzida por enviados especiais (uma fórmula usada de forma eficaz por Singh e pelo ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf), contacto directo entre as duas forças armadas (que é escasso) e um contacto abrangente entre as pessoas – é indispensável para o esforço de paz.

Infelizmente, a Índia respondeu aos ataques de Bombaim em Novembro de 2008 e a outras provocações do Paquistão, tornando mais rígidas as restrições de vistos e restringindo outras possibilidades de contacto cultural e social. Esta pode ser uma área na qual vale a pena correr riscos, uma vez que as vantagens de aumentar as oportunidades para os paquistaneses na Índia superam os perigos, afinal, os terroristas de Bombaim não solicitaram vistos indianos antes de se infiltrarem no país com as suas armas e bombas.

Sou fortemente a favor de um regime de vistos liberal, o que exigiria que a Índia levantasse as actuais restrições relativamente aos pontos de entrada e saída que podem ser utilizados pelos titulares de vistos de origem paquistanesa, ao número de locais que podem ser visitados e às exigências onerosas em matéria de apresentação de relatórios de polícia. Para começar, os paquistaneses proeminentes no mundo dos negócios, entretenimento e meios de comunicação poderiam ser elegíveis para obter um processamento mais rápido de vistos e para a emissão de vistos de entradas múltiplas.

Haveria quem argumentasse que o Paquistão não iria retribuir uma tal generosidade unilateral. Até pode ser verdade, mas a Índia não deveria preocupar-se. A paridade com o Paquistão iria reduzir os padrões da Índia. A Índia deve mostrar uma generosidade de espírito que consiga convencer os paquistaneses a repensar a sua atitude face aos indianos.Também se podem fazer concessões em questões que não envolvam interesses nacionais vitais. Problemas específicos como o comércio, o impasse militar no Glaciar de Siachen, o limite territorial de Sir Creek, a disputa pela água na barragem Wullar e muitas outras divergências são passíveis de resolução através do diálogo. Parece absurdo o facto dos furores públicos no Paquistão estarem a ser agitados por falsas alegações de que a Índia está a desviar água do rio Indo; um diálogo sincero e aberto com o público paquistanês por parte das autoridades indianas iria ajudar a dissipar estas suspeitas.

A Índia devia aproveitar, de forma mais imediata, a disposição recente do Paquistão para retribuir a concessão da Índia do estatuto de NMF, tomando medidas concretas para reduzir as barreiras não pautais, tais como inspecções de segurança e permissões, que têm limitado as exportações do Paquistão para a Índia. A indústria de serviços financeiros da Índia e os seus profissionais de software podiam oferecer as suas competências aos clientes paquistaneses. Ganhariam um mercado vizinho, enquanto prestavam serviços que o Paquistão poderia usar para desenvolver a sua própria economia. Tudo isto são “vitórias fáceis” à espera de serem conquistadas.

As grandes questões – o conflito da Caxemira e o recurso ao terrorismo por parte do Paquistão como instrumento de política – exigirão muito mais trabalho de base e uma acção gradual para se poderem realizar progressos. Ao adoptar uma posição de acolhimento, sensibilidade e generosidade pragmática, a Índia poderá ser capaz de alterar uma relação bilateral que conta com 65 anos de uma lógica de hostilidades intratável.

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Mato, logo existo

Por Dominique Moisi, autor do livro Geopolitics of Emotion

“É preciso lutar contra os terroristas e contra as causas do terrorismo com a mesma determinação”. Essa fórmula, inventada há dez anos, no rescaldo dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, por líderes tão diversos como Javier Solana, então secretário-geral da NATO, e o então presidente dos EUA, George W. Bush, continua da mesma forma válida no rescaldo do recente massacre em França.

O Estado francês conseguiu identificar e “neutralizar” o terrorista em pouco tempo, apesar de persistirem duas questões cruciais: Ele deveria ter sido preso muito antes? Poderia ter sido capturado vivo? Agora, o Estado francês precisa de ir mais longe. O presidente francês, Nicolas Sarkozy estava certo ao chamar Mohammed Merah um “monstro”. Mas Merah foi o nosso monstro. Ele nasceu, foi criado e foi distorcido em França, tal como os terroristas que atacaram o metro de Londres, em Julho de 2005, foram produtos da sociedade britânica.

É imperativo, não só para a França mas para o mundo inteiro, entender como é que um único e solitário homem foi capaz de ter um país inteiro como refém, durante quase uma semana. A única forma que Merah encontrou para dar sentido à sua vida parece ter sido assassinar soldados e crianças judias. Matar – e da maneira mais fria que se possa imaginar – era para existir.

Muitos franceses inicialmente, e no seu íntimo, esperavam que o que tinha acontecido em Toulouse fosse provar ser uma repetição dos ataques em Oslo, em 2011 – que o terrorista se revelasse ser o produto da extrema-direita. Merah alegou estar a agir em nome do fundamentalismo islâmico; na realidade, ele era o produto de uma seita sangrenta e pervertida. Como pode um insignificante delinquente, uma criança perdida da nação francesa, cair nas mãos do ódio terrorista de qualquer tipo?

Os assassinatos no sudoeste de França reflectem três factores principais. Primeiro, há o campo de batalha do Médio Oriente, alargado de modo a incluir o Afeganistão e o Paquistão. Esses problemas não foram a causa directa dos ataques, mas também não eram um mero pretexto. Os problemas dessa região incivilizada agem como uma caixa-de-ressonância particularmente perigosa, para a juventude muçulmana alienada em França.

Segundo, a alienação é a realidade para muitos franceses muçulmanos, agravada por uma crise económica que resultou na elevada taxa de desemprego entre os jovens – e que atinge a juventude muçulmana de forma particularmente intensa, retardando a sua integração na República francesa.

Finalmente, um desvio de identidade em França pode atingir uma dimensão mais séria. É pura coincidência o facto de Merah, que era de ascendência argelina, ter optado agir no preciso momento em que a França e a Argélia estavam a comemorar os 50 anos da independência argelina?

Merah provavelmente não se sentiu nem francês nem argelino. Escolheu o que para ele seria uma identidade muçulmana. Mas foi uma versão perversa, extrema e sectária do islamismo. Questões pessoais – a ausência de um pai ou uma estrutura familiar coesa – provavelmente precipitaram o seu desvio de identidade. Ele estava à procura de um modelo que pudesse impor algumas regras na sua vida e não conseguiu descobri-lo até encontrar o terrorismo.

Confrontada com o horror das acções de Merah, a nação francesa tem demonstrado a sua união. Ao escolher como seus alvos soldados muçulmanos e cristãos, bem como crianças judias, Merah reforçou a solidariedade de um país que queria dividir. Mas esta união é instável. A República francesa tem que recapturar seus territórios perdidos mais importantes: jovens alienados e frágeis de origem imigrante.

A tragédia favoreceu, inegavelmente, a campanha de Sarkozy para vencer o segundo mandato das eleições presidenciais em Abril. Ele estava no comando e agiu de forma decisiva e responsável. A agenda política, pelo menos a curto prazo, desviou-se para a segurança, onde Sarkozy tem uma vantagem estrutural comparado com o seu rival socialista, François Hollande. Mas, tal como o ex-primeiro-ministro britânico Harold Wilson disse a famosa frase: “Uma semana é muito tempo na política”.

Muita coisa pode mudar antes da primeira volta das eleições. O que preocupará mais os eleitores franceses quando votarem? Será que os receios económicos voltarão a prevalecer sobre a agenda de segurança? Ou será que os factores pessoais dominarão, com o reflexo de um “mais ninguém para além de Sarkozy”, de um lado, e uma falta de confiança no não carismático – e, possivelmente, não preparado – Hollande?Os ataques selvagens de Merah são um lembrete amargo de que o terrorismo ainda assombra muitas sociedades. A segurança deve ser reforçada, enquanto as suas causas precisam de ser abordadas. E descobriremos brevemente se este espasmo de terror foi apenas um trágico parêntese ou um ponto de viragem.

anotamento meu: o autor, apesar do texto brilhante, podia ter acrescentado à sua lista de argumentos (não deixa de ser uma teia argumentativa muito boa) que Merah foi a voz de uma imigração “francesa” cada vez mais apertada pelas declarações dos candidatos presidenciais e que também poderá ter sido o espelho do recrudescimento das tensões diplomáticas entre os países do Magreb e o Estado Israelita, assim como da própria França com o referido estado.

Tanto Marine Le Pen como Nicolás Sarkozy tem pautado as suas intervenções de campanha com um ataque declarado à imigração em França. Estas intervenções, como é de esperar num país multicultural como a França, têm causado muita inquietação em todas as comunidades imigrantes radicadas em França.

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Blame Cocaine

Um GI Joe estava numa base em Kandahar sem receber a dose há 2 dias.

Então, sacou da sua G3 e foi para as aldeias vizinhas matar cidadãos afegãos.

Preocupado, Hamid Karzai classificou o acto como “assassínio” e como “extermínio de indefesos inaceitável”.

Hamid Karzai deveria ler melhor os planos de defesa e segurança que os americanos lhe dão a comer.

Se precisarem de uma ajudinha, até porque gostamos de manter a malta informada sobre tudo o que se passa, há aqui um brilhante texto de James S. Robbins, um dos melhores agentes de inteligência do mundo que troca por miúdos o texto de cima.

Se precisarem de uma nova ajuda para compreender o contexto, há aqui um bom texto que fala sobre o futuro da presença militar dos Americanos em terras afegãs.


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Pois falharam…

Trechos da entrevista de Hamid Karzai em video.

Hamid Karzai afirmou em entrevista à BBC que a segurança falhou no país nos últimos 10 anos e não se coibiu de apontar as culpas ao seu governo, aos Estados Unidos e restantes parceiros da NATO que estiveram presentes no país e ao vizinho Paquistão por alimentar a presença da rede talibã.

O que Karzai não enunciou na sua entrevista foi o tremendo falhanço do conteúdo que é enunciado nestes dois documentos que abaixo disponibilizo, um deles com vinculação jurídica entre os dois países e que nem de perto nem de longe está a ser cumprido por um e pelo outro governo.

EUA Afeganistão (2008)

USAfghanistan Declaration of Statal Partnership.

Do último documento, temos o discurso de Karzai em primeira voz como a prova do falhanço dos objectivos a que se propuseram em 2005 os governos dos dois países no que toca a segurança.

No entanto, os objectivos não falharam apenas nas questões de segurança. A BBC não explorou, talvez porque não fosse de interesse escutar o discurso de Karzai em relação a outro dos celeumas principais do acordo expresso com o governo norte-americano: o tráfico de droga.

A história e as estatísticas confirmam que este interesse sofreu um retrocesso histórico da situação da passagem e venda de droga no país desde a situação que se verificava no país antes da entrada dos talibans no poder.

Antes dos talibans subirem ao poder, o Afeganistão tinha uma incipiente produção de ópio tendo em conta a predisposição dos seus solos e do clima para o seu cultivo. A produção efectuada no país situava-se nos 3% da produção mundial.

Os talibans, com todo o conservadorismo que detinham em relação a esta questão, mandaram arrasar por completo grande parte das plantações nos meses seguintes após a sua elevação ao poder.

O acordo é assinado em 2005. A Administração Bush compromete-se a ajudar os programas Afegãos de luta contra o narcotráfico em todas as suas variantes. Actualmente, o Afeganistão é o maior produtor de ópio mundial, com cerca de 95% da produção mundial. Irónico, ou talvez não, os dados do governo americano que versam sobre a entrada de estupefacientes pelo país, pelos quais passei os olhos há uns meses atrás revelam que pela fronteira do México (a principal entrada de droga em território Norte-Americano) o volume de entrada de droga no país tem diminuído ano após ano depois da assinatura deste acordo de cooperação, e consequentemente, também tem diminuído a entrada de imigrantes ilegais mexicanos no país.

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Osama Bin Laden declarado morto

Esta é a foto que circula em todo o mundo que dá conta da morte de Osama Bin Laden.

A Administração Obama declarou esta madrugada a morte do líder da Al-Qaeda num raide militar das tropas americanas no Paquistão.

Osama Bin-Laden (nascido em 1957 em Riade na Arábia Saudita) foi o fundador da Al-Qaeda, organização terrorista pela qual perpetrou o mortífero ataque terreno às torres gémeas em Nova Iorque em 2001, vitimando milhares de cidadãos de várias nacionalidades que trabalhavam nos escritórios do World Trade Center.

O Presidente dos Estados Unidos da América Barack Obama congratula-se com o sucedido, afirmando ter-se feito justiça para as famílias que perderam os seus entes mais queridos no pior ataque terrorista da história: ““Há quase 10 anos, sofremos o pior ataque de nossa história. Um dia que nunca sairá de nossa memória. Hoje, para as famílias que perderam alguém na guerra contra o terror, podemos dizer que a justiça foi feita”

Bin-Laden encontrava-se com a família num enorme complexo na capital do Paquistão. Durante meses, os serviços secretos estudaram o local e prepararam o ataque num pequeno helicoptero. Osama Bin-Laden deverá ter morrido em consequência de um tiro na cabeça, depois de ter tentado resistir ao ataque promovido pelas tropas Norte-Americanas.

O Governo Norte-Americano colocou em alerta as embaixadas Norte-Americanas no estrangeiro para a possibilidade de represálias da Al-Qaeda nos próximos dias ou semanas.

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