Tag Archives: Nicolas Sarkozy

Populismo vs Serenidade

A “França Forte” à custa de um discurso nacionalista, anti-imigração, copiado à extrema-direita e suavizado para massas. 

A França das boas intenções. Social, multicultural, mais distânciada de Merkel em relação a Sarkozy, simples, humilde. Hollande é a esperança da esquerda para contrariar o domínio hegemónico dos partidos de Direita na Europa.

Com as etiquetas , , , , , ,

Homicídio em nome individual

Por Ian Buruma, especialista em política e religião e professor no Bard College em Nova Iorque

“O que terá levado o jovem muçulmano de nacionalidade francesa, Mohammed Merah, a assassinar três estudantes judeus, um rabino, e três soldados, sendo dois deles seus correligionários? O que terá levado outro homem, Anders Breivik, a abater a tiro mais de 60 adolescentes num acampamento de verão da Noruega no ano passado? Esta vaga de assassinatos é tão incomum que as pessoas exigem explicações.

Qualificar estes assassinos como “monstros”, como alguns se apressaram a fazer, pouco esclarece o problema. Eles não eram monstros, eram jovens. E descartá-los como loucos é igualmente evasivo. Se o seu estado fosse de insanidade mental, nada mais precisaria ser explicado.

Destacam-se duas explicações, ambas de carácter amplamente sociopolítico. Uma foi apresentada pelo polémico activista muçulmano Tariq Ramadan. Ele responsabiliza a sociedade francesa. Mais especificamente culpa o facto dos jovens franceses de origem muçulmana serem marginalizados por causa da sua fé e da cor da sua pele.

Mesmo tendo passaportes franceses, são tratados como estrangeiros indesejáveis. Quando o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ele próprio filho de imigrantes, afirma que há demasiados estrangeiros em França, coloca os jovens como Merah num impasse ainda maAior. Uma pequena minoria de homens nesta situação poderia atacar movida pelo desespero.

A outra explicação, apresentada por Sarkozy, toma à letra as palavras de Merah. Afirmou que estava a protestar contra as operações militares francesas em países muçulmanos e a vingar a morte de crianças palestinas. Queria deitar a baixo o estado francês como um guerreiro sagrado islâmico. Foi inspirado pela Al-Qaeda. Então por que não acreditar nele? Daí a decisão de Sarkozy prender outros muçulmanos suspeitos de actos de extremismo islâmico e impedir alguns imãs de assistir a uma conferência religiosa em França.

Aqueles que consideram o extremismo islâmico como sendo o problema também têm tendência a apontar jovens assassinos como Merah como exemplos de integração falhada. Eles nunca se tornaram suficientemente franceses. Os imigrantes devem ser forçados a partilhar os “valores ocidentais”.

Embora ninguém negasse que Anders Breivik não é suficientemente norueguês, também se poderia ter acreditado na sua palavra. O discurso dos demagogos xenófobos parece tê-lo convencido de que tinha que matar os filhos das elites social-democratas, a fim de proteger a civilização ocidental contra os perigos do multiculturalismo e do Islão. Os seus crimes foram o resultado extremo de ideias perigosas.

Nenhuma das explicações está totalmente errada. Muitos jovens muçulmanos sentem-se indesejados nos seus países de nascimento e a linguagem extrema, quer seja utilizada por islamitas ou pelos seus opositores, ajuda a criar um ambiente propício à violência.

Mas tanto Ramadan como Sarkozy são demasiado simplistas, pois reduzem assassinatos invulgares a explicações simples. Mesmo quando são confrontados com a rejeição, a maioria dos jovens muçulmanos não se tornam assassinos em massa. Merah é demasiado anómalo para servir como um exemplo típico do que quer que seja, incluindo a discriminação racial ou religiosa.

Longe de ser um fanático religioso, Merah cresceu como um pequeno delinquente, sem qualquer interesse na religião. O apelo do extremismo islâmico pode ter constituído a sua glorificação da violência mais do que qualquer conteúdo religioso. Ele gostava de ver vídeos jihadistas de decapitações. Também tentou entrar para o exército francês e para a Legião Estrangeira. O exército recusou-o devido aos seus antecedentes criminais. Se os franceses não o quisessem, iria juntar-se aos guerreiros santos: qualquer coisa que lhe desse uma sensação de poder e um pretexto para saciar os seus impulsos violentos.

Muitos jovens são atraídos para a fantasia de violência; muito menos são aqueles que sentem a necessidade de a colocar em prática. A ideologia pode servir como uma desculpa ou justificação, mas raramente é a principal fonte de actos individuais de brutalidade. Na maioria das vezes as vagas de homicídios são uma forma de vingança pessoal – indivíduos falhados que pretendem fazer explodir o mundo que os rodeia, porque se sentem humilhados ou rejeitados, quer seja a nível social, profissional, ou sexual.

Por vezes, os assassinos parecem não ter qualquer desculpa, como no caso de Eric Harris e Dylan Klebold, que em 1999 dispararam sobre 12 colegas e um professor na sua escola em Columbine, no Colorado. Neste caso, as pessoas culparam os jogos de vídeo e filmes sádicos que os assassinos tinham estado a ver. Ainda assim, a maioria dos entusiastas deste tipo de entretenimento não sai por aí a matar pessoas.Breivik tinha fantasias de ser um cavaleiro em luta contra os inimigos do Ocidente. Merah imaginava que era um jihadista. Quem sabe o que os assassinos de Columbine pensavam que estavam a fazer. Mas as razões pelas quais cometeram os crimes só eles as sabem e não podem ser atribuídas principalmente ao entretenimento ou a outros materiais que eles tenham consumido.

Proibir esses materiais tem um apelo estético, com certeza, e as figuras públicas que pregam a violência devem ser sempre condenadas. O discurso do ódio e a ideologia violenta não são irrelevantes. Mas atribuir-lhes uma grande importância em casos como os de Merah ou Breivik pode ser erróneo.

É pouco provável que a censura resolva o problema. Proibir o Mein Kamp de Hitler ou proibir a exibição de símbolos nazis não impediu os neonazis na Alemanha de assassinar os imigrantes. Suprimir a pornografia violenta não nos livrará dos violadores ou dos homicídios cometidos por jovens adolescentes. Impedir os demagogos de fazer discursos inflamados sobre os muçulmanos ou multiculturalistas não irá impedir um futuro Anders Breivik. E bloquear a entrada de imãs na França não vai impedir outro Merah de entrar em fúria assassina.

De facto, comparar os actos selváticos de Merah aos assassinatos do 11 de Setembro de 2001, como Sarkozy fez, é dar demasiado crédito ao assassino. Não existem provas de que ele faça parte de algum grupo organizado, ou que esteja na vanguarda de um movimento revolucionário. Utilizar este caso para instigar o medo de uma ameaça islâmica para a sociedade pode fazer sentido a nível eleitoral para Sarkozy. Mas provocar o medo raramente é a melhor receita para evitar mais violência. Pelo contrário, é mais provável que a alimente.”

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Mato, logo existo

Por Dominique Moisi, autor do livro Geopolitics of Emotion

“É preciso lutar contra os terroristas e contra as causas do terrorismo com a mesma determinação”. Essa fórmula, inventada há dez anos, no rescaldo dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, por líderes tão diversos como Javier Solana, então secretário-geral da NATO, e o então presidente dos EUA, George W. Bush, continua da mesma forma válida no rescaldo do recente massacre em França.

O Estado francês conseguiu identificar e “neutralizar” o terrorista em pouco tempo, apesar de persistirem duas questões cruciais: Ele deveria ter sido preso muito antes? Poderia ter sido capturado vivo? Agora, o Estado francês precisa de ir mais longe. O presidente francês, Nicolas Sarkozy estava certo ao chamar Mohammed Merah um “monstro”. Mas Merah foi o nosso monstro. Ele nasceu, foi criado e foi distorcido em França, tal como os terroristas que atacaram o metro de Londres, em Julho de 2005, foram produtos da sociedade britânica.

É imperativo, não só para a França mas para o mundo inteiro, entender como é que um único e solitário homem foi capaz de ter um país inteiro como refém, durante quase uma semana. A única forma que Merah encontrou para dar sentido à sua vida parece ter sido assassinar soldados e crianças judias. Matar – e da maneira mais fria que se possa imaginar – era para existir.

Muitos franceses inicialmente, e no seu íntimo, esperavam que o que tinha acontecido em Toulouse fosse provar ser uma repetição dos ataques em Oslo, em 2011 – que o terrorista se revelasse ser o produto da extrema-direita. Merah alegou estar a agir em nome do fundamentalismo islâmico; na realidade, ele era o produto de uma seita sangrenta e pervertida. Como pode um insignificante delinquente, uma criança perdida da nação francesa, cair nas mãos do ódio terrorista de qualquer tipo?

Os assassinatos no sudoeste de França reflectem três factores principais. Primeiro, há o campo de batalha do Médio Oriente, alargado de modo a incluir o Afeganistão e o Paquistão. Esses problemas não foram a causa directa dos ataques, mas também não eram um mero pretexto. Os problemas dessa região incivilizada agem como uma caixa-de-ressonância particularmente perigosa, para a juventude muçulmana alienada em França.

Segundo, a alienação é a realidade para muitos franceses muçulmanos, agravada por uma crise económica que resultou na elevada taxa de desemprego entre os jovens – e que atinge a juventude muçulmana de forma particularmente intensa, retardando a sua integração na República francesa.

Finalmente, um desvio de identidade em França pode atingir uma dimensão mais séria. É pura coincidência o facto de Merah, que era de ascendência argelina, ter optado agir no preciso momento em que a França e a Argélia estavam a comemorar os 50 anos da independência argelina?

Merah provavelmente não se sentiu nem francês nem argelino. Escolheu o que para ele seria uma identidade muçulmana. Mas foi uma versão perversa, extrema e sectária do islamismo. Questões pessoais – a ausência de um pai ou uma estrutura familiar coesa – provavelmente precipitaram o seu desvio de identidade. Ele estava à procura de um modelo que pudesse impor algumas regras na sua vida e não conseguiu descobri-lo até encontrar o terrorismo.

Confrontada com o horror das acções de Merah, a nação francesa tem demonstrado a sua união. Ao escolher como seus alvos soldados muçulmanos e cristãos, bem como crianças judias, Merah reforçou a solidariedade de um país que queria dividir. Mas esta união é instável. A República francesa tem que recapturar seus territórios perdidos mais importantes: jovens alienados e frágeis de origem imigrante.

A tragédia favoreceu, inegavelmente, a campanha de Sarkozy para vencer o segundo mandato das eleições presidenciais em Abril. Ele estava no comando e agiu de forma decisiva e responsável. A agenda política, pelo menos a curto prazo, desviou-se para a segurança, onde Sarkozy tem uma vantagem estrutural comparado com o seu rival socialista, François Hollande. Mas, tal como o ex-primeiro-ministro britânico Harold Wilson disse a famosa frase: “Uma semana é muito tempo na política”.

Muita coisa pode mudar antes da primeira volta das eleições. O que preocupará mais os eleitores franceses quando votarem? Será que os receios económicos voltarão a prevalecer sobre a agenda de segurança? Ou será que os factores pessoais dominarão, com o reflexo de um “mais ninguém para além de Sarkozy”, de um lado, e uma falta de confiança no não carismático – e, possivelmente, não preparado – Hollande?Os ataques selvagens de Merah são um lembrete amargo de que o terrorismo ainda assombra muitas sociedades. A segurança deve ser reforçada, enquanto as suas causas precisam de ser abordadas. E descobriremos brevemente se este espasmo de terror foi apenas um trágico parêntese ou um ponto de viragem.

anotamento meu: o autor, apesar do texto brilhante, podia ter acrescentado à sua lista de argumentos (não deixa de ser uma teia argumentativa muito boa) que Merah foi a voz de uma imigração “francesa” cada vez mais apertada pelas declarações dos candidatos presidenciais e que também poderá ter sido o espelho do recrudescimento das tensões diplomáticas entre os países do Magreb e o Estado Israelita, assim como da própria França com o referido estado.

Tanto Marine Le Pen como Nicolás Sarkozy tem pautado as suas intervenções de campanha com um ataque declarado à imigração em França. Estas intervenções, como é de esperar num país multicultural como a França, têm causado muita inquietação em todas as comunidades imigrantes radicadas em França.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

A Austeridade contra a Europa

Por Javier Solana, antigo secretário-geral da NATO, antigo Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum (PESC-UE) da União Europeia, antigo Alto Representante dos Negócios Estrangeiros da UE, antigo secretário-geral do Conselho da União, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, antigo líder do PSOE Espanhol

“É agora cada vez mais claro que o que se iniciou no fim de 2008 não é uma crise económica normal. Quase quatro anos depois do início da crise, as economias desenvolvidas ainda não conseguiram uma recuperação sustentável, e mesmo os países em melhores condições revelam sinais de fraqueza. Confrontada com a certeza de uma recessão após a recuperação, as dificuldades da Europa são assustadoras.

A Europa não corre só o risco de danos económicos duradouros; o elevado desemprego prolongado e o descontentamento popular ameaçam enfraquecer permanentemente a coesão do seu tecido social. E, politicamente, existe um perigo real de que os cidadãos deixem de confiar nas instituições, tanto nacionais como europeias, e sejam tentados por apelos populistas, como no passado.

A Europa deve evitar este cenário a todo o custo. O crescimento económico deve ser a prioridade, pois apenas o crescimento levará as pessoas a trabalhar e a pagar as dívidas da Europa.

Compreensivelmente, existe um debate sobre como se conseguir a recuperação. Os defensores da austeridade argumentam que a dívida tem um impacto negativo no crescimento; os proponentes de estímulo adicional contrapõem que é o baixo crescimento que gera a dívida pública, não o contrário, e que a austeridade em tempo de recessão só piora as coisas.

Mas os europeus não têm de concordar em tudo para encontrar uma rota comum. Podemos discordar sobre os efeitos a longo prazo das injecções de liquidez, mas podemos todos concordar que não é correcto permitir que empresas lucrativas entrem em falência porque os mercados de crédito não funcionam. Não precisamos de ter políticas fiscais idênticas para compreender que faz mais sentido promover o investimento do que ver a nossa estrutura produtiva definhar. E todos sabemos que é mais eficaz em termos de custos investir na formação de desempregados do que permitir o desemprego de longo prazo.

Em qualquer caso, as dúvidas sobre o impacto negativo da austeridade estão a tornar-se impossíveis de ignorar. A História mostra que, numa recessão profunda, retirar o estímulo económico cedo demais é muito mais perigoso que retirá-lo tarde demais.

Um corte excessivo nos gastos públicos nas circunstâncias actuais pode levar a uma contracção no crescimento, que já está a acontecer: o Fundo Monetário Internacional prevê agora que a zona euro encolha 0,5% em 2012. As reformas estruturais são importantes para garantir o crescimento sustentável futuro, mas não geram crescimento no curto prazo, que é o que a Europa precisa. Ao invés, em contrapartida de um magro progresso na redução da dívida, a Europa arrisca provocar danos duradouros ao seu potencial de crescimento.

Comparado com uma nova recessão, o custo das políticas de estímulo no longo prazo é insignificante. Em muitos países, os défices orçamentais actuais são resultado não de gastos públicos imprudentes, mas de medidas temporárias de lidar com a crise. Com as taxas de juro já em níveis baixos e com o sector privado a descapitalizar, há pouco risco de que as políticas expansionistas causem inflação ou afastem o investimento privado. Ao contrário, as reduções na despesa poderão enfraquecer a actividade económica e aumentar, em vez de diminuir, o fardo da dívida pública.

A dívida pública, aliás, não deveria ser demonizada. Faz sentido do ponto de vista financeiro que os estados partilhem o custo dos investimentos públicos, como projectos de infra-estruturas ou os serviços públicos, com as gerações futuras, que também beneficiarão deles. A dívida é o mecanismo com o qual institucionalizamos a solidariedade inter-geracional. O problema não é a dívida, mas garantir que esta financia investimento produtivo, que é mantida dentro de limites razoáveis e que pode ser honrada com pouca dificuldade.

Contudo, e de modo agoirento, os mesmos argumentos que transformaram a crise financeira de 1929 na Grande Depressão são utilizados hoje a favor da austeridade a todo o custo. Não podemos deixar que a história se repita. Os líderes políticos devem tomar a iniciativa de impedir uma crise social provocada pela economia. São urgentemente necessárias duas acções.

Ao nível global, deve ser feito mais para resolver os desequilíbrios macroeconómicos e para gerar procura nos países excedentários, incluindo em economias desenvolvidas como a Alemanha. As economias excedentárias emergentes deverão compreender que uma contracção prolongada no mundo desenvolvido cria um perigo real de uma recessão global, num momento onde já não possuem o espaço de manobra que tinham há quatro anos.No seio da zona euro, reformas estruturais e gastos públicos mais eficientes, essenciais para o crescimento e níveis de endividamento sustentáveis no longo prazo, deverão ser combinados com políticas para apoiar a procura e a recuperação no curto prazo. Os passos dados nesta direcção pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, são bem-vindos mas insuficientes. O que é preciso é um grande acordo, com os países a quem falta credibilidade nas políticas a iniciar reformas estruturais sem demora, por contrapartida de mais espaço no seio da UE para medidas promotoras do crescimento, mesmo ao custo de maiores défices no curto prazo.

O mundo enfrenta desafios sem precedentes. Nunca antes na história recente uma recessão profunda coincidiu com mudanças geopolíticas sísmicas. A tentação de favorecer prioridades nacionais mal orientadas poderá levar ao desastre para todos.

Apenas a liderança política iluminada poderá impedir este resultado. Os líderes europeus devem compreender que os programas de ajuste têm tanto um lado social como um lado financeiro, e que serão insustentáveis se os afectados enfrentarem um panorama de anos de sacrifícios sem luz ao fundo do túnel.

A austeridade a qualquer custo é uma estratégia imperfeita e não funcionará. Não podemos permitir que uma noção enviesada de “disciplina” provoque danos duradouros às nossas economias e um terrível preço humano nas nossas sociedades. Toda a Europa deve concordar numa estratégia de crescimento no curto prazo – e implementá-la rapidamente.”

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , ,

A chanceler que brinca com o fogo

Por Joshkua Fischer, líder do partido Verde Alemão, ex vice-chanceler da Alemanha e ex Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha

“A chanceler Angela Merkel deve andar feliz hoje em dia: os índices de aprovação do seu partido não são maus e os que a ela dizem respeito são muito bons. Já não tem adversários relevantes no centro direita da União Democrata-Cristã (CDU) e à esquerda, a oposição está fragmentada em quatro partidos. A sua resposta à crise europeia prevaleceu – ou pelo menos é a impressão que ela deixa transparecer, e aquela em que a maioria dos alemães acredita. Portanto, tudo corre bem no reino alemão, certo?

Não vamos pôr o carro à frente dos bois. Existem dois assuntos que poderão complicar a candidatura de Merkel às próximas eleições, no Outono de 2013. A nível interno, o seu parceiro de coligação, o Partido Democrático Liberal (FDP), está a desintegrar-se. Mesmo que o FDP sobreviva às próximas eleições (o que não é, de modo algum, certo), é muito pouco provável que a actual coligação mantenha a sua maioria parlamentar, o que deixaria Merkel cada vez mais dependente do Partido Social Democrata (SPD). Embora talvez este facto não a preocupe muito enquanto mantiver o cargo de chanceler, Merkel vai enfrentar – pela primeira vez – um adversário, Sigmar Gabriel, o líder do SPD, que constituirá um risco para ela se o subestimar.

Mas o verdadeiro perigo para Merkel vem do exterior: a crise europeia. Se tiver pouca sorte, a crise atingirá o auge logo no início do ano eleitoral alemão e todas as previsões anteriores poderão ser contestáveis, porque, apesar da frustração alemã relativamente à Europa, o eleitorado poderá castigar severamente aqueles que deixaram a Europa cair.

A economia da União Europeia está a amergulhar numa recessão grave e, muito provavelmente, duradoura, em grande parte auto-infligida. Enquanto a Alemanha ainda está a tentar dissipar o fantasma da hiperinflação, através de medidas rigorosas de austeridade, os países críticos da UE enfrentam uma séria ameaça de deflação, com consequências potencialmente desastrosas. É apenas uma questão de tempo – e já não falta muito – para que a instabilidade económica dê origem à instabilidade política.

A Hungria, onde a regressão democrática parece ganhar terreno, oferece uma antevisão de uma Europa onde a crise e a deflação da zona euro persistem. O ambiente nos Estados-membros mediterrânicos da UE e também na Irlanda começa a aquecer, devido não só ao aperto da austeridade, mas também – e talvez mais importante – à ausência de políticas capazes de oferecer às pessoas a esperança de um futuro melhor. A natureza explosiva das tendências actuais, que apontam para uma renacionalização da soberania da base para o topo, é largamente subestimada em Berlim.

A crise atingiu agora a Itália e ameaça estender-se à França. Ao eleger Mario Monti para o cargo de primeiro-ministro, a Itália mobilizou os seus melhores, e nem a Itália nem a Europa irão obter um melhor governo num futuro previsível. Se a administração de Monti for derrubada – quer no Parlamento quer nas ruas – a quarta maior economia da UE poderá desmoronar. Monti pede ajuda com urgência. Onde é que está essa ajuda?

Também não devem ser ignorados os desenvolvimentos em França (a segunda maior economia da zona euro) neste ano de eleições presidenciais. Se a maioria dos franceses começar a acreditar que lhes está a ser imposta do exterior uma linha de acção – e logo pela Alemanha! – irá responder com forma tradicional de teimosia gaulesa.

O que está em risco não é tanto o resultado das eleições, mas sim a margem entre o Presidente Nicolas Sarkozy e a líder de extrema-direita da Frente Nacional, Marine Le Pen – e se ela o vai ultrapassar de forma a ficar garantida para a segunda volta das eleições contra o candidato socialista. Apesar de ser pouco provável que ela ganhe a presidência, poderia restruturar e realinhar a direita francesa. Por esta razão, um fracasso de Sarkozy iria reduzir drasticamente o espaço de manobra do seu sucessor socialista na política europeia, alterando fundamentalmente a posição da França na Europa.

Mas, enquanto o desfecho das eleições francesas depende de forma crucial das políticas de crise europeias, o governo alemão age como se isto não lhe dissesse respeito. Em vez disso, o assunto principal – e quase exclusivo em Berlim – são as eleições que se aproximam. E a questão central não é “O que deve ser feito de imediato no interesse da Europa?” mas sim “Quanto é que se pode esperar que as pessoas na Alemanha aceitem – em particular, quanta honestidade?”. Ninguém irá agir de forma a comprometer as suas perspectivas eleitorais, pelo menos enquanto ainda houver alternativas. Logo, é admissível que a Alemanha não esteja realmente interessada num esforço sério para resolver a crise europeia, porque isso implicaria correr grandes riscos e investir muito dinheiro.

A coligação CDU-FDP prefere disfarçar a situação convencendo-se da existência de uma conspiração anglo-saxónica, incentivada pelos países europeus em crise que se mostram pouco disponíveis para produzir e aplicar reformas e cujo único objectivo é fazer com que os alemães paguem. Até à data, a coligação de Merkel pode comparar-se a um condutor que conduz em contramão, convencido de que todos os outros é que vão no sentido errado.

A desintegração europeia já avançou muito mais do que pode parecer. A desconfiança e o egoísmo nacionais estão a propagar-se rapidamente, devorando a solidariedade europeia e o objectivo comum.

A nível institucional, a Europa tem-se mantido no caminho certo desde a última cimeira, mas ameaça desintegrar-se, da base para o topo. Para salvar o euro – o que é fundamental, pois o destino do projecto europeu depende do sucesso da união monetária – a Europa precisa de intervenção imediata: para além de medidas indispensáveis de austeridade e de reformas estruturais, só é possível ter êxito com um programa económico viável que assegure o crescimento.

E isso não vai ser barato. Se o governo de Merkel acredita que defender apenas verbalmente o crescimento é suficiente, então está a brincar com o fogo: um colapso do euro, cujas graves queimaduras não seriam apenas sofridas pelos alemães.”

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , ,

somos lixo

A Standard and Poor´s poderá cortar hoje o rating de alguns países da Zona Euro, cortando a nota máxima de países como a França e a mínima (possível) de outros como Portugal.

A 5 de Dezembro do ano passado, a agência de rating colocou as economias Alemã e Francesa sob observação designada por “vigilância negativa” durante 15 dias. Acontece que, durante esses 15 dias, o Triple A da Alemanha, país que encerrou o ano com um crescimento económico negativo, poderá redundar numa manutenção de max-power rating por parte da S&P, manutenção que é acrescida por mais vigilância negativa no próximo mês de Fevereiro.

Por “vigilância negativa” designa-se na linguagem das agências de rating como uma observação global à economia de um país tendo em vista uma reavaliação (neste caso negativa) do rating de um determinado país.

Já o país de Nicolás Sarkozy poderá ter sido abandonado pelo bafejar da sorte da Sra. Ângela Merkel.

E nós somos lixo. Cada vez mais lixo.

É gratificante ver a zona Euro a cair que nem um baralho de cartas perante a pressão internacional movida pelo dólar. É como chegar ao cinema e rever o Titanic a ir ao fundo: o noivo Kate Winslet consegue arranjar um bote porque tem possibilidade para tal e viajou em 1ª classe enquanto a Kate Winslet e Leo DiCaprio ficam a boiar numa tábua no Atlântico porque uma, pelo seu lado foi casmurra e não se quis salvar e o outro nada pode fazer para arranjar o seu lugar no bote porque embarcou em 3ª classe.

É assim a Europa – A Alemanha consegue arranjar o seu lugar no bote, a França tentou por todas as medidas seguir o exemplo Alemão e acabou na tábua e Portugal já os está a olhar do fundo do Oceano.

 

 

Com as etiquetas , , , , , ,

tralha fraca

No dia em que o Libération publica um artigo em que afirma que o Governo Francês fez de tudo para manter Dominic Strauss-Kahn preso em Nova Iorque devido ao escândalo sexual em que foi envolvido com a camareira Nafissatou Diallo, não deixo de observar uma declaração de Strauss-Kahn em este afirma que foi “carne fraca” por se ter envolvido com consentimento mútuo com Diallo e assim ter aniquilado qualquer hipótese de avançar contra Sarkozy nas próximas presidenciais Francesas.

Não podia discordar mais da afirmação do antigo director do FMI.

Não foi “carne fraca” porque Diallo, como se pode constatar até era bem cheinha e já que estamos numa de diminuitivos “bem feinha”. Foi sim uma tara sexual (taras e manias, como cantava o nosso glorioso Marco Paulo) por uma autêntica “tralha fraca” ou como quem diz suavemente por um “estafermo africano” (sim, porque existem mulheres africanas que são bonitas, o que não era o caso de Diallo).

Moral da história: nunca te envolvas com uma empregada de hotel Africana porque ela vai arruinar-te a vida.

P.S: Este blog desmarca-se de qualquer conotação racista nos conteúdos deste post. Quem me conhece até sabe bem que o meu artista favorito é o Bonga.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , ,

Mal vai a União…

Quando presidente da República Francesa vem a público fazer uma ameaça.

“Ou temos um acordo para um novo tratado até sábado ou então não haverá uma 2ª oportunidade” – disse.

Desmisticando de forma breve: ou os cordeirinhos do eixo franco-alemão depositam os problemas da União no casamento Sarkozy\Merkel ou então estarão fora da zona euro.

Hint: A zona euro, nos trâmites em que a conhecemos, já deu o que tinha a dar. Concordo com algumas das opiniões veículadas por reputados economistas. Não será o futuro da moeda única o único factor que estará em risco. Com a adopção destas posições por parte da França e da Alemanha, tudo o que as comunidades construíram até aqui também poderá cair por terra em breve. Será só uma questão de tempo.

Com as etiquetas , , , , , , , ,

lógica da batata

Foto: Philippe Wojazer/Reuters

Nicolas Sarkozy afirmou que se deve avançar automaticamente para mais uma renovação dos tratados europeus.

Concluo portanto, que perante a grave crise da dívida nos países da zona Euro, fez-se luz na cabeça do Presidente da República Francesa. Não consigo perceber agora, qual será a grande posição dos Europeístas em relação à grande vitória que foi o Tratado de Lisboa.

Sarkozy afirmou também que Angela Merkel e a Alemanha concorda com a sua posição. Se a Alemanha concorda, a França concorda. E os cordeirinhos da hegemonia franco-alemã também concordam. Isso é o que interessa. A Europa continua a dançar o twist que é promovido pelo duo. Assim, vamos longe.

Já agora, a imagem parece mesmo extraída daquela campanha publicitária de Benetton. Ó Angela dá cá uma beijoca porque não somos amigos, somos quase amantes.

 

Com as etiquetas , , , , , , , , , ,

As ditas solidariedades e cooperações europeias

Nos assuntos mais problemáticos da União, Angela Merkel não dispensa receber em território da Alemanha os governantes, um a um, para saber na primeira pessoa o que de mal vai nos seus territórios.

Nos assuntos mais problemáticos da União, Angela Merkel, consulta (em privado e de forma bilateral) o seu “aliado” Francês, não se coibindo de apresentar pareceres e conclusões dessas reuniões que, por cunho afirmativo próprio, deverão transformar-se em “lei” comunitária.

Nos assuntos cujo princípio de soberania nacional reserva o direito a todos os estados de, numa primeira fase, trilhar as medidas que aprouver aos seus governantes para resolver os seus problemas, Ângela Merkel, não se coíbe de opinar sobre as medidas tomadas (positiva ou negativamente) aconselhar e até apregoar soluções com um tom de quase obrigação para os mesmos estados.

Nas instituições comunitárias, Angela Merkel não se contrai de negar ou aprovar todas as medidas que são contrárias ou favoráveis aos interesses alemães. Contra os Eurobonds, a favor de sanções para estados que não cumpram com as suas obrigações europeias, a favor de perda de soberania nessas mesmas situações.

São alguns dos exemplos do grave celeuma que ataca e torna real o défice democrático das instituições europeias.

As barreiras que entravam o bom funcionamento das instituições comunitárias vão actualmente para além das barreiras linguísticas, culturais, tradicionais, histórico-sociais, económicas, para além do estigma resultante do facto do comum cidadão europeu que goza do direito de eleger os seus representantes na câmara parlamentar europeia, não compreender como se tomam as decisões ao nível europeu e para além das sucessivas alterações de competências orgânicas que vão sendo instituídas nos tratados.

Neste momento, a principal barreira que entrava o bom funcionamento da União é o facto desta estar claramente minada pelas reacções, pelos comentários fastidiosos e mandões e pelas opiniões “que na linguagem Merkel” devem ser tomadas como obrigatórias, por estados que gozam de soberania  semelhante à Alemanha no cenário internacional.

A solidariedade europeia e a própria cooperação entre os estados, que, no passado deu os frutos que deu e fez evoluir as comunidades até ao ponto em que actualmente nos encontramos, está a ser completamente derrubada pelo ponto em que a chanceler alemã (necessitada pelo poderio económico, político e financeiro que o seu estado ostenta a partir da sua elevadíssima posição no cenário internacional, pelo fluxo de investimentos que os alemães têm na europa e pela concorrência que executam e visivelmente transtornam as próprias economias americana e chinesa) possa ousar traçar o caminho europeu à semelhança e género do que está programado pelo seu governo para a Alemanha. Chegamos a um ponto de clara emergência, em que a palavra de Merkel vale mais que as decisões tomadas em sede institucional europeia. Não temos um dia em que a chanceler alemã, se mostre mais preocupada em arrumar a casa dos outros, violando como tal o princípio da soberania nacional de outros estados-membros, do que se preocupe em governar o seu país, que à semelhança dos outros, terá crescimento negativo previsto para o fim do ano 2011.

Engraçado é, que a própria mentalidade alemã mudou… Angela Merkel, pela experiência pessoal que detem pelo facto de ter vivido uma boa parte da sua vida na Alemanha Oriental, e pela experiência ministerial que teve no pós-queda do muro de Berlim nos governos de Helmut Kohl, sabe perfeitamente que neste período conturbado da história alemã (tal e qual como no período dos pós-guerras) foi a solidariedade e cooperação dos povos europeus que ajudaram a amenizar não só os efeitos das devastadoras guerras provocadas pela demência alemã como foram os povos europeus, únidos solidaria e cooperativamente que se propuseram prontamente a auxiliar a Alemanha para superar os enormes declives de desenvolvimento que separavam o Ocidente do Oriente.

Com efeito, a solidariedade e cooperação europeia interessaram até certo ponto à poderosa máquina económica europeia. Deixaram actualmente de interessar porque a posição conquistada já não permite apostar mais do que uma posição egocêntrica de clara pretensão hegemónica dos Alemães na Europa.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , ,

William Webb Ellis Cup

Em Outubro de 2007, em pleno Stade de France em Paris, o brilhante talonador John Smit recebeu das mãos do Presidente da República Francesa Nicolas Sarkozy a 2ª Taça do Mundo para a África do Sul.

De 4 em 4 anos, esperamos sempre por este momento.

Na Nova Zelândia, os melhores irão competir pela William Webb Ellis Cup. A selecção da casa é a favorita e tenta aproveitar o factor-casa para voltar a vencer um título mundial que só  venceu precisamente em território Neo-Zelandês em 1987 na 1ª edição do campeonato do mundo.

Não vou estar aqui a fazer uma antevisão sobre a prova, mas irei postar sobre algumas partidas nas próximas semanas. Numa primeira linha de “contenders” estão a África do Sul, a França, a Nova Zelândia, a Austrália e a Inglaterra. Numa 2ª linha, coloco a Irlanda e o País de Gales. Excluo a Argentina por razões óbvias: estes últimos 4 anos foram muito turbulentos para os Pumas, com a retirada de jogadores importantes da sua selecção como o médio-de-formação Pichot, o pontadefesa Corleto, entre outros, e a entrada de muita juventude na sua selecção.

A cerimónia da abertura está marcada para a 8 e meia da manhã. Terá transmissão na Sporttv, assim como os restantes jogos do mundial. Para as 9 e meia da manhã está marcado o primeiro jogo, com a selecção da casa a receber a selecção de Tonga.

A competição pode ser acompanhada aqui.

Nos por cá torcemos pela Austrália.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , ,

Lixo

Mais uma notícia para o João Galamba comentar.

Desta vez meu caro João Galamba, nem as estatísticas do Eurostat, do Ministério das Finanças e do Valter Lemos te safam. Sim, porque está mais que provado que 66% das estatísticas do Valter Lemos são feitas na hora. Logo, nunca hão de bater certo com a realidade.

Relembro-te meu caro João Galamba – a agência de rating´s Moody´s cotou de forma ultra negativa as empresas em causa. Empresas públicas. Cotou-as de “junk”. Tipo, como quem dizer, lixo. Calma aí no andor. Lixo, cujos gestores que as administram ganham mais que o Presidente da República e ao mesmo nível de Nicolas Sarkozy ou Angela Merkel.

Estás muito calado João Galamba. Já diz o ditado e é bem verdade: “quem semeia ventos, colhe tempestades”

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , ,

Absolutamente ridículo

Num país em que existem bens de primeira necessidade taxados à tributação máxima IVA de 23%, onde existem bens de primeira necessidade taxados à tributação intermédia de IVA de 12%, onde as taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde subiram, onde o salário mínimo nacional não ultrapassa os 500 euros, onde as sucessivas medidas de austeridade colocam literalmente os Portugueses sem dinheiro para consumir, onde existem reformados e pensionistas cujas reformas não atingem o salário mínimo nacional, onde a banca paga uma infíma parte de impostos em relação aos seus ganhos anuais, onde gestores públicos são mais bem pagos que Barack Obama, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, onde não existe financiamento nas universidades, onde existem cerca de 600 mil desempregados e 2 milhões de pessoas vivem no limiar da pobreza, eis que o Governo de Sócrates decide espontaneamente baixar a taxa de tributação de utilização de campos de golfe para a taxa mínima de IVA de 6%.

Este Governo Socialista está a passar os limites do razoável. Este Governo Socialista está rapidamente a passar a barreira da lucidez para a demência. Este Governo Socialista está a baralhar todo o meu conceito de ciência política e sistemas políticos. Já não consigo perceber o enquadramento ideológico destas políticas: se no centro esquerda, se no centro-direita, se na direita. É um Governo liderado por um Primeiro-Ministro que se “intitula o paladino do Estado Social” – no entanto, todas as políticas que faz executar são completamente antagónicas ao Estado Social. É um governo Socialista que se intitula de centro-esquerda mas que há muito que anda mascarado de neoliberal.

E não me venham dizer que esta medida contribui para que o estado consiga fomentar a prática de golfe para recolher mais lucros desta, porque se raciocinar-mos um pouco chegaremos à conclusão que nos tempos que correm “a economia” dos campos de golfe representa uma fatia híper residual do nosso Produto Interno Bruto.

Num país em que o poder de compra da classe média está completamente estagnado e onde as classes mais baixas passam fome e têm extremas dificuldades em cumprir as suas obrigações, em vez de optar por políticas que pudessem fomentar o consumo interno por parte dos Portugueses, o Governo Socialista está mais interessado em tornar mais barata a prática de golfe.

Este Governo está a passar das marcas. Sócrates não tem coragem para fazer os ricos pagar a crise em que este país entrou… Sócrates não consegue fazer executar uma política que não destrua ainda mais o pobre rendimento da maioria dos seus contribuíntes. Sócrates está a votar este Portugal a um marasmo nunca antes visto. Ainda falam dos países que vivem no sistema económico socialista – tomara nós neste momento termos um sistema económico socialista neste país. Temos um Partido Socialista no Governo, que de Socialista não têm nada.

Que se lixe a instabilidade política. Que se lixem os mercados e aquilo que pensam de nós. Que se lixe o FMI, a União Europeia e a pressão para que tenhamos de recorrer à ajuda externa. Que se lixem os Alemães, os Franceses. É preciso começar a limpar a casa por dentro. E isso implica que a limpeza comece por Sócrates e por todo este governo que está completamente sem soluções para este país.

Dr. Cavaco Silva do que está à espera para dissolver a Assembleia da República?

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,