Tag Archives: Mohammar Khadafi

adoro

quando o senso comum que caminha aí pelas ruas apelida o regime Norte-Coreano como comunista. não passa de um erro histórico passado de boca em boca para que a ocidentalização do pensamento continue a vigorar nos nossos dias e para que possamos catalogar os nossos regimes democráticos como bons e os outros como maus ou bárbaros. pensava que esse tipo de raciocínio tinha morrido na era do império romano. é claro que não defendo o regime norte-coreano. não é marxista, não é nada. é autocrata. é violento. é primitivo. é populista. como muitos outros exemplos de estados asiáticos e africanos, também a Coreia do Norte teve o prejuízo de entrar num regime autocrata (em que existe um líder ou uma família que controla todos os recursos naturais e económicos do país assim como o controlo da violência do Estado) pela via do marxismo. querem outros exemplos? A Birmânia, Laos, Vietname, Angola (sim, por mais estranho que pareça), o Zimbabwe de Mugabe, o Zaire de Mobutu, a Líbia de Kadhafi entre outros. Movimentos de revolução popular (alguns deles iniciados para descolonizar) que acabaram por resultar na entrega dos recursos do estado nas mãos dos seus líderes. consideram-nos marxistas? governaram ou governam de acordo com a doutrina marxista? não.

faz paralelismo com os que pensam que o regime chinês é um regime comunista e não leram nada sobre a acumulação prévia de capital, sobre a acumulação prévia do capital do estado chinês nas últimas décadas do século XX e a sua importância na constituição do sistema capitalista. a ideia da revolução cultural já lá vai meus amigos. o confucionismo é coisa importante de se constatar. e sempre esteve presente nas culturas asiáticas.

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da Síria e das amizades russas

“Para nosso grande lamento, assistimos a elementos de chantagem.Consideramos que essa abordagem é absolutamente contraproducente e perigosa, uma vez que é inaceitável utilizar os observadores como moeda de troca. Ouvimos comentários segundo os quais a chave para uma solução para a Síria está em Moscovo, mas quando pedimos explicações dizem-nos que isso significa que deveríamos convencer Assad a deixar o poder ” – Serguei Lavrov, Ministro dos Negócios Estrangeiros Russo.

1. Consta-se que 17 mil pessoas já morreram desde o início do conflito. A escala internacional determina que um conflito assume o estatuto de guerra após a morte de mil pessoas. E os Russos não parecem interessados em resolver o problema. Preferem adoptar a estratégia errada: convencer o regime a cair por si, quando todos sabemos que essa estratégia não demove um ditador.

2. O grau de democraticidade do regime sírio é nulo. Isto porque Bashar Al-Assad não permite eleições livres por sufrágio directo e universal, não permite nem respeita direitos, liberdades e garantias fundamentais a cidadãos, e recentemente alterou a Constituição do país para poder continuar a governar até ao dia da sua morte.

3. O regime de Bashar Al-Assad recusa-se diariamente a negociar com o prestigiado negociador enviado pela ONU, nada mais nada menos que Kofi Annan, antigo secretário-geral da organização.

4. Ao nível interno, todos os dias, a comunidade internacional é blindada com reportagens e relatos de bombardeamentos a cidades, massacres a civis, e desrespeitos pelos Direitos Humanos cometidos pelo governo sírio.

5. Ao nível de política externa, o governo sírio pressionou o governo turco através de uma violação de espaço aéreo do vizinho.

6. A Rússia, grande parceira comercial do governo sirio, parceria comercial que está estabelecida de grosso modo no fornecimento de armamento ao regime (a contrapartida deste fornecido é óbvia dada a importância estratégica do território sírio na região) tem-se recusado a ceder no Conselho de Segurança da ONU a resoluções que visem ora constituir medidas de embargo internacional ao regime de Bashar Al-Assad, ora uma resolução do conflito por via da entrada de tropas para fins de manutenção da paz e da segurança dos cidadãos. Estranhamente, no caso Líbio (com proporções muito menos ao nível de escalada de violência aquando da intervenção internacional) a Rússia não se manifestou quanto a uma missão de semelhante objectivo.

7. O regime Sírio tem posto em prática um esquema que visa condicionar o trabalho dos observadores internacionais no país e tem violado por completo as leis internacionais com os condicionamentos que tem colocado à entrada de ajuda humanitária.

8. Posto isto, mais uma vez se denota a obsoletidade do Conselho de Segurança da ONU, principalmente no toca ao modus operandi do Conselho de Segurança. A Rússia tem bloqueado sistematicamente com o seu direito de veto todas as possibilidades que a comunidade internacional tem de dar uma resposta imediata ao problema acima citado. Pior que um país bloquear aquilo que é tido como necessidade urgência de actuação de toda a comunidade internacional no problema em questão, suscita outro problema maior pelo meio: não será vital para a sobrevivência da ONU enquanto instituição (que precisa de manter um certo controlo sobre o cenário internacional) que se avance com uma nova proposta de reforma institucional?

O que temos vindo a assistir desde há uns anos para cá é a pura ineficiência das suas acções. No caso do Sudão e da Somália, apesar de um primeiro veto chinês à resolução do conflito, a ONU queria actuar decisivamente na resolução do conflito mas nenhum dos Estados-membros mais poderosos tinha interesse em constituir uma missão que pudesse dar um fim a esse objectivo. Optou-se na altura pelo envio de tropas muito mal preparadas de estados como a Nigéria numa operação comandada pelas Nações Africanas, que, obviamente redundou num enorme fracasso. No caso da Líbia, mesmo apesar da ONU ter accionado um mecanismo de resposta que visava uma operação de manutenção de paz e segurança dos cidadãos, rapidamente, toda essa operação passou para as mãos da NATO por via da influência norte-americana e de facto, a operação tornou-se uma operação que visou derrubar Khadafi. No caso do Iraque, os Norte-Americanos atropelaram a próprio ONU, numa intervenção que arruinou o pouco poder de controlo que a organização tinha sobre os estados-membros. No caso Sírio, existe interesse na resolução do conflito mas é a Russia quem bloqueia qualquer tipo de operação no terreno.

9. No fim de contas pensamos: quem é que está a chantagear quem?

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Mais relatos chocantes de Damasco

A Crueldade sem limites do governo de Al-Assad.

Já bati demasiado nesta tecla no que toca à falta de operância das Nações Unidas e do seu des(conselho) de Segurança quanto ao caso sírio.

De que está Luis Moreno-Ocampo à espera para tomar providências quanto ao ditador Sírio no seio do Tribunal Penal Internacional?

De que está à espera a NATO para por fim a esta barbarie? A NATO, essa organização “tão interventiva, tão democrática e tão respeitadora do Direito Internacional” ainda não se pronunciou sobre o caso Sírio.

No caso de Mohammar Khadafi e da Líbia, as Nações Unidas foram rápidas a pronunciar-se acerca das sanções e das intervenções a executar no país, a NATO passou por cima de uma resolução que ia de encontro à manutenção de paz e segurança entre os civis e acabou por executar uma intervenção militar com o objectivo de derrubar Khadafi e Luis Moreno-Ocampo tratou de abrir investigação ao regime sirio quando se começou a suspeitar que o mesmo torturava e atacava civis.

Homs e Damasco continuam a ferro e fogo sem que a comunidade internacional tenha interesse em resolver a situação.

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Tinha dito

A 3 de Agosto , neste mesmo blog, no post que pode ser visto aqui, disse acerca da primeira sessão do julgamento do antigo ditador Egípcio Hosni Mubarak: “É um sério aviso para Mohammar Khadafy e para Bashar Al-Assad da Síria.

Ao verem as imagens deste julgamento, ficaram com a noção que se não defenderem a sua posição, terão o mesmo fim trágico do ditador egípcio. Claro que este sentimento irá dar mais força aos dois regimes para conseguirem dominar o seu território, se bem que no caso Líbio, a NATO já está no terreno.”

Enganei-me por pouco nos factos.

Mubarak continua vivo e continua a ser julgado no Cairo. Já Khadafi caiu num ataque de guerrilha.

Confirma-se o ditado: Quem pelos ferros mata, pelos ferros morre.

Al-Assad será o próximo.

 

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End

O fim de mais um ditador.

O início de mais uma guerra civil pelo poder.

Mais um país que vai ser sugado pelas mega corporações norte-americanas.

 

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Dead or alive

Uma cena tão americana.

Khadafi vivo ou morto.

Os Americanos já chegaram ao truque de pedir que se possam desbloquear os 1500 milhões de dólares congelados ao Estado Líbio para apoiar os rebeldes na entifada final ao regime.

Desbloqueiem o que não é americano, está claro. Os rebeldes irão precisar de armas. Obama irá vendê-las. Os rebeldes deixarão dinheiro nos cofres americanos e irão dar uma ajudinha à indústria de guerra e os americanos irão agradecer. Ficarão com o business do petróleo e da reconstrução do país. Irão instalar uma democracia podre que levará à guerra civil (à semelhança do que ainda acontece no Iraque e no Afeganistão) entre as tribos líbias e venderão ainda mais armas. Boa maneira de combater o défice da balança comercial.

Estratagemas brilhantes para recuperar uma economia em queda.

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Declaração de inconsciência

Barack Obama deixou um recado ao coronel Khadafi: “O poder de Khadafi chegou ao fim, mas ele ainda tem hipótese de travar o banho de sangue se abandonar o poder.”

O Nobel da Paz (não só foi ridícula a atribuição do Nobel da Paz a Barack Obama sem que este tenha feito o quer que seja em prol da paz do mundo como é completamente absurdo atribuir este galardão a qualquer presidente Norte-Americano) também é capaz de evitar o banho de sangue noutras paragens do planeta, caso o país que governa deixe de ser o maior vendedor de armas no mundo.

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The end

Em Tripoli, o instrumento primordial da política norte-americana e dos seus aliados ocidentais a NATO, conseguiu por mais uma vez ultrapassar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

O fim do regime de Khadafi não põe em causa o excelente móbil que levou a organização a derrubar o regime. A democracia é de salutar. O que não é de salutar é obviamente o imperialismo económico que os norte-americanos e os seus aliados irão executar nos próximos anos em mais um país do mundo. Estrategica e economicamente muito valioso para uma potência claramente em crise.

O que fica na retina e acaba por estar mesmo em causa é a ilegalidade que subjaz nesta acção da NATO. A invasão ilegal do Iraque por parte dos Estados Unidos à margem de um consentimento por parte da maior organização internacional não serviu de aprendizagem aos americanos. Apenas camuflou o método com que fazem as grandes coisas: passando o dossier para a sua máquina de guerra, que subtilmente, foi levando a água ao seu moínho.

De que serve então a ONU e o Conselho de Segurança? Se aos olhos americanos não serve de nada, que se dissolva está claro!

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Na Líbia

As forças da NATO continuam os bombardeamentos na capital Tripoli.

Definitivamente, o que começou a partir de uma missão de manutenção de paz no conflito e manutenção de segurança dos cidadãos Líbios rapidamente passou para o campo de uma missão com o intuito de derrubar um regime e fazer ingerências nos assuntos internos de uma Nação. 

Mohammar Khadafi voltou a fazer uma aparição na televisão Líbia, mantendo o mesmo discurso: “os bombardeamentos não me irão atingir (…) lutaremos até ao final”

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Era uma missão de manutenção da segurança dos cidadãos…

Era. Digo-o bem.

A História pós-2ª Guerra Mundial fez-me crer que existe um ditado muito bem adequado a todas as missões em que a NATO se mete: “um olho no burro, outro no cigano”

As sucessivas missões que passam para o plano estratégico da NATO, cujas resoluções são tomadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, começam com um objectivo propriamente dito mas rapidamente resvalam para um objectivo que não é contido na resolução. Exemplo disso, foi o ataque perpetrado ao local onde se encontrava Mohammar Khadafi e a sua família, que vitimou um dos seus filhos e 3 netos.

A resolução tomada na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU em Março autorizava o envio de forças internacionais de maneira a apenas (escrevo apenas) manter a segurança dos cidadãos Líbios no conflito que opõe as forças leais a Khadafi e os rebeldes. A mesma resolução não admitia a ingerência em assuntos internos do Estado Líbio, ou seja, não admitia que as forças internacionais pendessem a favor dos rebeldes com vista à deposição do ditador Líbio por qualquer das formas previstas.

Não foi o que se passou ontem. O ataque ao edifício onde se presumia que estivesse o ditador e que acabou por vitimar 4 familiares que em nada desempenham funções importantes na hierarquia do regime liderado pelo ditador, foi um claro ataque que tinha em vista a morte do ditador, facto não previsto na resolução do CS. Qual o motivo? Simples. A força Líbia na produção petrolífera é um dote que gera bastante interesse ao domínio do principal rosto político da NATO: os Estados Unidos da América.

Creio que perante este facto, não se devem tirar outras conclusões que não esta. Foi uma atitude imperialista por parte de um país que levou a tamanha violação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

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Restrepo

Tim Hetherington era um jornalistafotógrafo de guerra Britânico, colaborador da Revista Vanity Fair. Esta semana, na Líbia, Hetherington e outro fotógrafo Norte-Americano de nome Chris Hondros faleceram durante um raide aéreo das tropas leais ao ditador Mohammar Khadafi contra os rebeldes na cidade Líbia de Benghazi.

Especialista na cobertura de cenários de guerra, Hetherington deixa para a eternidade o excelente documentário “Restrepo”, documentário nomeado para os Oscars deste ano na categoria de “Melhor Documentário” e vencedor da categoria no Festival de Cinema de Sundance. “Restrepo” é um documentário que retrata uma operação de alto risco das tropas Norte-Americanas na Guerra do Afeganistão.

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Quid Iuris?

A Cruz Vermelha Internacional avisou a Comunidade Internacional para o alarme de cerca de 800 mortos na cidade de Duékoué na Costa do Marfim, na sequência de confrontos entre grupos rivais motivados pelo problema político que se abate sobre o país desde as últimas eleições presidenciais em que Alassane Outtara venceu Laurent Gbagbo e cujo presidente cessante se determina a não abandonar o poder.

Nos últimos dias têm-se registado alguns conflitos em todo o país, tendo o governo declarado recolher obrigatório na capital das 21 horas às 6 da manhã.

Tendo em conta o caso da Líbia e o caso Costa-Marfinense (na minha opinião, uma problemática bem mais grave) é caso para questionar porque é que as Nações Unidas ainda não puseram na sua agenda a discussão do problema e porque é que o Conselho de Segurança ainda não se reuniu para aplicar sanções imediatas ao regime de Laurent Gbabgo. Não estarão os cidadãos Costa-Marfinenses necessitados de uma intervenção internacional para manutenção de segurança analogamente aquilo que a Comunidade Internacional está a levar a cabo na Líbia contra o regime de Mohammar Khadafi?

Continuo a não perceber a resolução imediata do Conselho de Segurança para o caso Líbio tendo em conta a passividade ou demora em adoptar resoluções para outras tensões bélicas que estão a ocorrer em outras partes do mundo.

Como referi, o caso da Costa do Marfim pode-se considerar mais problemático que o caso Líbio, visto que Gbabo perdeu as eleições há alguns meses atrás, recusando-se a abandonar o poder, mesmo perante as ameaças de deposição pela força que alguns países (entre os quais a França) vieram na altura avisar.

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