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negócios à la carte

Miguel Pais do Amaral diz que vendeu 0s 10% da Média Capital por um valor definido no intervalo entre os 25 e os 30 milhões de euros. A CMVM diz que o empresário vendeu por um valor aproximado de 35 milhões de euros. O que mais me estranha em toda a polémica é: depois de tantos negociatas feitas neste país, negociatas essas que envolviam valores muito acima dos agora investigados no grupo Média Capital, porque é que só estão a dar o devido enfoque a este negócio?

Outra coisa que me causa alguma comichão. Se bem me lembro, Miguel Pais do Amaral, no ano de 2005, vendeu as suas participações no grupo Média Capital, onde se insere a TVI, numa altura em que o grupo estava em franca expansão (um aumento de 60% no EBITDA da empresa no relatório de contas de 2005 que pode ser visto aqui: f6c2492ab93de3a378fdcd721ed00a1f, ou seja, do indicador que representa a geração operacional de caixa da companhia, ou seja, o quanto a empresa gera de recursos apenas nas suas actividades operacionais, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos. Difere do EBIT, conhecido como o lucro na atividade, no que se refere à depreciação e amortização, pois o EBIT considera estes efeitos contáveis. A utilização do EBITDA ganha importância, porque analisar apenas o resultado final da empresa (lucro ou prejuízo) muitas vezes tem sido insuficiente para avaliar seu real desempenho em um dado período, já que muitas vezes é influenciado por factores difíceis de serem mensurados. Um primeiro passo é calcular o lucro operacional, que, de acordo com o critério utilizado mundialmente, é obtido com a subtracção, a partir da receita líquida, do custo das mercadorias vendidas (CMV), das despesas operacionais e das despesas financeiras líquidas “despesas menos receitas com juros e outros items financeiros da empresa”. Vale lembrar que a definição de lucro operacional em boa parte do mundo exclui o resultado financeiro. Já para calcular o EBITDA, é preciso somar do lucro operacional a depreciação e amortização inclusas no CMV e nas despesas operacionais. Isso porque essas contas não representam saída de caixa efectiva no período. Em resumo, a depreciação de um equipamento quantifica a perda de sua capacidade produtiva graças ao uso ou tempo, e, portanto, a perda de seu valor para a empresa. Essa perda, vale ressaltar, é apenas económica e não financeira, ou seja, não há um desembolso efectivo do recursos no período. Outra conta que deve ser acrescentada no EBITDA é a despesa financeira líquida, que foge do escopo de análise do indicador, ou seja, de efetivo desempenho operacional. Assim, para o cálculo do EBITDA, adicionam-se os juros, depreciação e amortização ao Lucro Operacional Líquido antes dos impostos.) para depois se dedicar ao negócio de livros escolares em Portugal, Brasil e Moçambique através do grupo Leya que é efectivamente um dos grupos na área editorial com maior expansão nos últimos anos, depois de em 2007 ter comprado o grupo ASA (apresentava lucros na altura aproximados aos 150 mil euros\ano) que como sabemos é um dos maiores produtores de livros escolares. Ora bem, penso que fabricar livros escolares para países emergentes como o Brasil e Moçambique, principalmente para o país africano que sempre demonstrou necessidade de ajuda do estado e de outros agentes portugueses no envio de livros, deve efectivamente dar dinheiro. O que me espanta nesta questão é que Pais do Amaral, quando em 2005 vendeu as acções que tinha no Grupo Média Capital, pressupostamente fê-lo, segundo a comunicação social porque a TVI estava a acumular um enorme passivo. O relatório de contas de 2005 diz-nos que apresentar da forte expansão ao nível televisivo da TVI (aumento gradual de receitas) os resultados financeiros desse ano mostraram que a empresa tinha reduzido em 48% o seu passivo.

Miguel Pais do Amaral voltou à Média Capital em 2011. 35ab680f99e2d05b35cd7ae1824ac70d. O EBITDA do grupo situava-se nesse ano nos 27,2 milhões de euros, 1% acima do valor registado com os números disponíveis para o cálculo do indicador em 2010 mas com a particularidade do resultado financeiro indicar uma queda dos proveitos operacionais em vários sectores do grupo, principalmente revelados com a queda de 5% nas receitas publicitárias que em 2005, eram os maiores ganhos da empresa (vide o relatório acima colocado) e que prometiam, segundo explicação da empresa, uma subida vertiginosa nos anos seguintes. Aqui encontro portanto a primeira incongruência. Depois de ter abandonado o Grupo Média Capital numa altura em que os resultados da empresa se cotavam por uma previsão alta de ganhos e de ter investido no negócio dos manuais escolares porque é que Miguel Pais do Amaral voltou a uma empresa que estava claramente em decadência? O ano 2012 prova resultados financeiros muito inferiores aos obtidos em 2011 caíndo o resultado do cálculo do EBITDA para um valor inferior a metade daquilo que a empresa valia em 2011 com um valor absoluto de 12,7 milhões de euros. Mas Miguel Pais do Amaral consegue vender a sua posição de 10% na empresa por um valor entre 25 e 30 milhões de euros, segundo explicação do próprio (35 milhões segundo outras explicações), valor superior em 300% ao EBITDA do grupo em causa. Alguém me explica portanto como é que uma outra empresa, a Prisa, compra 10% da posição de um accionista super minoritário por um valor 300% acima do valor manifesto pela própria empresa? Mesmo usando o multiplicador de 10 no EBITDA de 2011 da empresa, estamos a falar de uma valor de 127 milhões de euros, tendo o investidor vendido os 10% que possuía por 1\4 do valor da empresa quando de facto o capital por si subscrito era de 1\10. Penso que há aqui pano para mangas para a CMVM e sobretudo para o DCIAP. E mais não digo.

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vamos cá esclarecer umas coisitas

dados revelam que se fez “história” na economia portuguesa: pelo primeiro ano em 16 (se não estou em erro), a nossa balança comercial (dizem) é favorável. 315 milhões de superavit no período considerado na peça da rádio renascença, segundo os dados apresentados pela AICEP.

1. falsa ilusão: não são as exportações que estão a crescer desmesuradamente, são as importações que estão a decrescer. porquê? a perda de poder de compra dos portugueses. crescem porque o mercado interno já não satisfaz a oferta das empresas.

2. crescimento de 6,9% nas exportações em relação ao período considerado no ano anterior. justificação? simples. as exportações estão a crescer em virtude dos acordos comerciais que foram feitos no mandato de José Sócrates. Quais são os mercados? simples. Venezuela, Líbia, África do Sul, Angola, Moçambique, Brasil, Argentina, ou seja, tudo países, onde Sócrates conseguiu mercados para produtos portugueses. Imputar a este governo este tipo de vitórias é do ponto de vista prático errado.

3. falsa ilusão, parte 2: uma balança comercial favorável, apesar de ser um indicador económico interessante e positivo, no nosso caso, não revela as contas do país. continuamos a ter uma balança de pagamentos desfavorável, em virtude dos elevados juos que o país está a pagar aos credores internacionais e, precisamente à troika. Os 315 milhões de euros obtidos não chegam sequer para pagar os juros anuais que estamos a pagar ao Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, que, como se sabe, são de 34,4 mil milhões de euros (quase metade do resgate financeiro a que fomos submetidos). Bastará portanto fazer as contas aos 5% que teremos que pagar ao Fundo Monetário Internacional, calculando as 5 tranches que já nos foram atribuídas e a verba pertencente ao Fundo dentro dessas tranches(por exemplo) mais o spread diferencial, Dá qualquer coisa como 750 milhões de euros de juros por ano a 45 anos.

outros dados revelam-se assustadores: a política de Gaspar a dar frutos. 4,9% de queda na receita fiscal. Apesar do corte na despesa de 14,5%, o aumento de 22,9% com ajudas sociais mostram que a política de empobrecimento do país não só está a reduzir o poder de compra como está a tirar dinheiro ao estado por via de impostos indirectos, como ainda está a levar o estado a aumentar os seus encargos com situações de desemprego, que, tenderão a aumentar visto que a perda de poder de compra só trará mais ruína ao tecido económico português. Medidas ruinosas que se tendem a aliar com os valores dos novos escalões tributários deste país.

a espiral negativa. a armadilha do consumo. em tempos de recessão, a súbida de preços dos produtos, aliada à perda de rendimentos para consumo por parte das famílias levará a uma racionalização do consumo. perde o consumidor (que fica claramente insatisfeito visto que não consegue prover todas as suas necessidades), perde o empresário (não escoa stocks e como tal terá que rever as planificações da sua empresa e cotá-las novamente em baixa; o que levará ao desemprego, favorecido pelo novo código laboral), perde o trabalhador (despedido e catapultado para um subsídio de desemprego mais baixo que o salário que auferia) e perde o estado, pela diminuição de receitas e pelo aumento de prestações sociais.

mas

Gaspar e Mota Soares ainda querem atacar mais.

se seguir em frente, esta é a proposta que irá colocar meio portugal nas ruas para derrubar o governo. menos 42 euros para quem já faz das tripas coração para sobreviver. seria uma medida excelente caso os 150 mil beneficiários desta medida tivessem emprego. mas não tem. e mais uma vez, a estratégia de empobrecimento do país trará consequências ruinosas.

para finalizar e indo de encontro ao meu pensamento, é bonito ver as últimas estatísticas da Comissão Europeia sobre o desemprego jovem e os custos que esse mesmo desemprego incidem sobre o Estado Português.

não me venham com isto dizer que este governo peca por estar, com estas políticas, a agradar às pretensões dos seus parceiros europeus e dos mercacados, menosprezando ou tendo dificuldades de comunicação com o povo português. o povo português é imberbe mas não é estúpido. sente na pele a falta de dinheiro nos bolsos, a falta de comida na mesa e a falta de dinheiro para satisfazer as necessidades básicas.

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História do Futebol #6

As 7 décadas de Eusébio. Uma vida que dava para narrar uma autêntica enciclopédia.

O menino que cresceu num bairro pobre e jogador se fez no Sporting de Lourenço Marques, clube e filial que o antigo internacional português chamou de racista. Eu, um sportinguista não-racista, tenho Eusébio como um ídolo, mesmo apesar de toda a história que envolveu a sua contratação pelo Benfica e a incrível página de glória que o “King” escreveu pelo rival.

As duas taças dos campeões europeus, a primeira contra o Barcelona de Czibor e Kocsis (o tal amigo talentoso da selecção hungara de Puskas que se divertia, depois dos treinos, a jogar com o astro do Real um jogo de chuto a uma vara colocada sobre o terreno onde cada toque valia pontos). A segunda, dois anos depois contra o monstruoso Real Madrid de DiStefano, de Amancio Amaro, Francisco Gento, Ferenc Puskas e José Santamaria.

Os incríveis 638 golos em 614 jogos pela camisola do Benfica, 11 títulos nacionais, 7 títulos individuais como melhor marcador da primeira liga, onde por exemplo fez 40 golos em 1972\1973, feito que lhe valeu a 2ª bota de ouro europeia.

O mítico mundial de Inglaterra pelos “Magriços” – o jogo contra a União Soviética de Yashin, a aranha que confessou que apenas Eusébio lhe conseguiu marcar de grande penalidade. O jogo contra o Brasil. O jogo de sonho contra a Coreia do Norte. As lágrimas no fim do jogo contra a Inglaterra, sentindo a injustiça de uma selecção prejudicada pela organização para favorecer interesses da equipa da casa e de uma selecção que para muitos merecia ter sido ali coroada como a melhor do mundo.

As sucessivas rondas nos Estados Unidos e a história da ída a Salazar, que não lhe permitiu a transferência para o Inter de Milão por considerar o “pantera negra” como “património nacional”

O término de carreira no Sporting de Tomar, com passagem pelo Beira-Mar onde reza a história que Eusébio no fim do jogo contra o Benfica se recusou a bater um livre à entrada da área contra o seu clube do coração com o resultado em 2-2 por ter “amarelado” com tanto vermelho à frente.

As lágrimas no Euro 2004 e os berros a Ricardo aquando da marcação de grandes penalidades contra a Inglaterra.

O acompanhamento incondicional do Benfica e das selecções nacionais.

Não há preço que possa pagar o reconhecimento que tenho pela carreira de Eusébio e pelo sentimento patriótico de tudo o que fez pelo nosso país dentro e fora de campo.

Recentemente acusou o Sporting de ser um clube elitista e racista. São outras histórias. Se Eusébio viesse hoje a minha casa provava-lhe o racismo com um belo jantar, com um forte abraço e com um whiskzinho, bebida que este tanto aprecia (caso a saúde o permita) e que deixou o meu tio Manuel Carlos Branco a arder em 1500 francos suiços numa conta de hotel (uso de minibar) aquando de uma passagem do “King” pela casa do Benfica de Genéve.

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