Tag Archives: Ministério da Economia

O sr. é parvo ou faz-se?

“Não há, até hoje, nenhuma evidência [de] que estejamos a viver numa espiral recessiva” – Pedro Passos Coelho hoje no debate quinzenal.

Ora vejamos:

1. Quebra na receita fiscal de Janeiro a Novembro de 2012 de 5,2%.

2. A economia portuguesa caiu 3,5% no 3º trimestre de 2012.

3. Quebra no consumo no 2º trimestre de 2012 que será agravada no ano de 2013.

4. Aumento da taxa de desemprego em 2012 em 3% relativamente ao ano de 2011.

5. Aumento da carga fiscal retira 60% do poder de compra detido pelas famílias de classe média.

6. Quebra do investimento global nos sectores produtivos e consequentemente aumento do desemprego.

7. O fetiche dos bancos, o investimento imobiliário, caiu em 20% no ano 2012.

8. A taxa de pobreza em Portugal é a mais alta da UE.

9. O número de pedidos de insolvência em Portugal aumentaram 78% em 2012 tendo em conta os números de 2011.

(entre outros)

A leitura dos dados veículados pelas agências competentes para os fazer é fácil.

Temos 929000 desempregados, 400 mil deles que beneficiam de ajuda ao estado, 529 mil ao deus-dará. Esses 529 mil não consomem nem produzem riqueza para o país. Os 400 mil beneficiários de apoios sociais também não estão em condições de aplicar o seu rendimento no consumo ou em poupança. Temos 929 mil cidadãos que não só não consomem, como não criam riqueza para o país como ainda beneficiam do apoio monetário do estado e dão despesa ao estado. O aumento da carga fiscal, a 3ª mais alta da UE, faz com que o rendimento das famílias daqueles que ainda trabalham diminua. Se diminui, a economia é simples: passam a consumir menos e a comprar menos unidades dos produtos que antigamente compravam. Logo, a receita fiscal obtida por via do consumo é menor. A carga fiscal para quem não trabalha é menor do que nos anos anteriores pela simples razão que os que agora vivem de apoios sociais descontavam mais no passado pelo facto de terem emprego e de terem um rendimento maior do que o que recebem actualmente dos apoios sociais. A queda verificada no investimento e o aumento do número de insolvência daqueles que tinham capital investido fará aumentar o desemprego, a precariedade social, a necessidade de apoio do estado a novos desempregados, menos consumo e consequentemente aumento da despesa para o estado por via da diminuição da receita fiscal e aumento da despesa do estado com apoios sociais. A queda verificada no investimento imobiliário fará estagnar ainda mais o sector da construção civil, um daqueles que mais contribui para o PIB deste país e fará aumentar o desemprego. Escuso portanto de explicar novamente os mecanismos. Para além do mais irá afectar a banca pelo simples facto de insolvência de construtores e detentores de empréstimos à habitação deixar milhares de casas que não serão vendidas facilmente nas suas mãos, créditos que não terão reembolso e investimentos feitos pela banca de acordo com as espectativas geradas por alguns negócios no sector imobiliário completamente pendurados. Numa previsão negativa, mais bancos terão que ser recapitalizados com recurso a fundos do estado. Com o estado sem liquidez para fomentar a economia, com a banca às contas com prejuízos, quem é que vai conceder crédito para novos investimentos? Tudo isto gera não só uma espiral recessiva como os desiquilíbrios provocados pelos mercados e pela tosca intervenção deste governo nestes irão ter repercussões sociais gravíssimas: a população portuguesa é arrastada para situações de pobreza, fome generalizada, miséria, pobreza infantil.

O pior desta afirmação, a meu ver, é que o senhor primeiro-ministro é licenciado em Economia. É certo que é um licenciado às três pancadas. É o nosso destino enquanto povo termos que ser governados por um indivíduo que demorou 2 décadas a tirar uma simples licenciatura de 3 anos, numa instituição de ensino privado ainda por cima. É naturalíssimo portanto que não consiga compreender os mecanismos económicos de uma espiral que está a criar. Não os estudou, decerto. Passou às cadeiras com cábulas na calculadora. Fia-se nos relatórios que encomenda a uma certa instituição com sede em Washington. Fia-se num Ministro das Finanças que de génio não tem nada. Mantem um Ministro da Economia (Olá Alvaro, li os teus papers sobre Economia Portuguesa e são uma valente merda. Foste aluno da FEUC mas não aprendeste nada com os professores Joaquim Feio ou Júlio Mota. Qualquer dia faço-te chegar a minha resposta ao Ministério em carta registada para que pelo menos, caso não os queiras ler, uma das tuas secretárias seja obrigada a assinar um despacho dos correios!) que ainda não fez nada, nada, nadinha. Tomo portanto esta simples frase proferida hoje na Assembleia da República como uma frase de desespero de alguém que já não sabe o que fazer para inverter a situação do país. A saída é simples Sr. Primeiro-Ministro: demita-se e demita o seu governo. Já que em Belém temos um Presidente da República doente, senil, e incapaz de o fazer sem a ajuda da primeira-dama. Demita-se. É o favor que faz ao seu povo.

Anúncios
Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

pertinência

O Álvaro Canadiano ainda é vivo.

E afirmou hoje que Franquelim Alves ajudou a “desmascarar a fraude do BPN”. Ora bem, a pertinência é algo que não abunda ali prós lados de São Bento, principalmente no Ministério da Economia. Nem a pertinência nem a competência. Aliás, já é hora de se perguntar se realmente temos um Ministro da Economia visto que o Álvaro já não era perdido nem achado há vários meses. Não vou por aí.

Não querendo entrar por detalhes que não trazem nada de novo ao caso, já sabia que um dos problemas da baixa produtividade do nosso país se deve ao facto de termos baixa eficiência no trabalho. O Álvaro voltou para nos apresentar um desses casos. Quer dizer, o homem ajudou a “desmascarar a fraude do BPN” – em vez de ser secretário de estado, pelos créditos da boa acção narrada pelo Ministro, não deveria ser Governador do Banco de Portugal?

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , ,

pela porta do cavalo

os chineses aproveitam-se da confusão teórica destes neoliberais da tanga e sabem perfeitamente que o sector em questão jamais será liberalizado. por isso, toca a investir no que jamais deveria ser privatizado para pagar contas atrasadas do estado, perdão, do sócrates. juro que tento perceber a cartilha neoliberal em Portugal mas confesso que tenho dificuldades: privatiza-se o indevido, não se liberalizam os monopólios. cartilha neoliberal decente será aquela que aplicar a receita da liberalização para que haja concorrência. no entanto, sabendo que a cartilha friedminiana também prevê que neoliberal que se preze, tenderá a baixar os impostos face à posição redutora do estado na economia, está tudo, a bom ver, desregulado. não só nos mercados como nas cabeças pensantes dos ministérios das finanças e da economia.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , ,

Porque é que o timing destas declarações me cheiram a esturro?

Posso afirmar que as mais recentes acusações proferidas por Zita Seabra fizeram rechear de comicidade o meu dia de ontem, dia que até estava a ser pautado por alguma melancolia e cansaço.

Deixa-me cá ver se entendo: ontem, tomando como cenário de fundo o final da guerra fria, quando já se sabia que Gorbatchev iria implodir a decadente União Soviética, Zita Seabra afirmou assumptivamente que o Partido Comunista Português punha escutas nos aparelhos de ar condicionado dos gabinetes ministeriais do governo português em conluio com o fabricante desses mesmos aparelhos Alexandre Alves (proprietário da antiga empresa designada por FNAC) com o intuito do partido poder ter informação privilegiada sobre a posição do governo de então acerca do que fazer caso a ordem bipolar fosse interrompida.

1. Não deixo de censurar o facto de Zita Seabra, antiga militante activa do PCP, antiga dirigente e deputada pela APU (antiga designação da coligação entre o PCP e o Partido Ecológico os Verdes), antiga militante que se ejectou do partido e o trocou posteriormente por um tacho na Assembleia da República no Partido Social Democrata, hippy que ao som da banda do tacho virou yuppie numa transferência política que é apenas comparável à de João Pinto do Benfica para o Sporting à luz da lei Bosman, ter a desmesurada ousadia de vir a público acusar de forma grave e infundada o partido onde outrora foi militante de espionagem.

Soa-me a ressabianço.

2. Censuro ainda mais o facto de Zita Seabra ter estado calada durante tantos anos (no que toca ao seu celeuma com o PCP em particular) e de um momento para o outro vir a público acusar o seu antigo partido de espionagem e mencionar a antiga empresa de um empresário que recentemente viu um contrato de 1000 milhões que tinha com o estado para a implementação de uma nova unidade de produção em Abrantes rescindido pelo governo do seu novo partido. Ainda mais quando esse empresário afirma que o estado não lhe deu um cêntimo do que estava previsto no contrato, ao contrário daquilo que lhe é pedido pelo estado (os incentivos iniciais + juros).

3. De comicidade extrema foi de facto a acusação de que a FNAC de Alexandre Alves era financiada directamente pelo governo da República Democrática Alemã. Para quem partilhou (partilhou?) do Marxismo, Zita Seabra perspectivou uma acusação que poderia bem ter saído da sua boca depois de ver o Goodbye Lenin numa sala de cinema perto de si. Revela um profundo desconhecimento sobre o que foi de facto a situação económica da RDA ao longo da sua existência.

O timing não deixa de ser oportuno por parte do PSD para praticar uma espécie de spin-doctoring contra o dito empresário. Onde há fumo, há fogo sempre ouvi dizer.

3. Censurável também foi a atitude do estado português em ter rescindido o dito contrato, deixando o grupo de empresários liderados por Alexandre Alves com a gaita na mão no arranque previsto para o inicio da actividade produtiva. Os critérios deste governo de direito em relação ao investimento empresarial e económico parecem ser bastante ambíguos: os amigos do partido tem direito a tudo e mais alguma coisa (o caso da venda do BPN ao BIC de Mira Amaral; a recapitalização do Millenium BCP onde o estado assumiu algum do crédito mal-parado do banco); os que não são amigos do partido, vêem os seus contratos rescindidos. Fantástica jogada do Ministério da Economia. Os números do desemprego aumentam. O número de unidades de produção em Portugal tem diminuído de mês para mês. Alvarinho, o tosco canadiano, afirmou nos seus primeiros dias de mandato que queria trabalhar com o objectivo de arranjar o maior número de investimentos para o nosso país com vista a relançar a competitividade económica portuguesa nos mercados e a criação de emprego. No espaço de 6 meses, o Ministério perdeu dois investimentos importantes (Rio Tinto nas minas de moncorvo e Renault-Nissan em Cacia; quase 600 empregos se perderam nesta imbecilidade do Ministério); no espaço de 2 dias, o governo cancelou todos os contratos de incentivo ao novo empreendedorismo nacional feitos pelo governo socialista só porque sim, só porque é bonito arruinar tudo aquilo de bom que José Sócrates tentou fazer pela economia nacional.

Com as etiquetas , , , , , , , , , ,

Álvaro, seu trapalhão

A Rio Tinto desistiu das minas de moncorvo.

“Questionado sobre se o Governo está em negociações para a exploração das minas de Moncorvo, o ministro disse que não fala de negócios “antes de estarem encerrados” e trata-se de questões que “são feitas nos bastidores” e não na comunicação social.”

O trapalhão do Álvaro de Vancouver passou do oito ao oitenta. Quando tomou posse falava antecipadamente que haviam dezenas de negócios previstos para o primeiro ano de mandato. Haviam os negócios, mas não dizia quem. Agora joga à retranca. Não fala dos investimentos a ninguém. Será que eles alguma vez chegaram a existir?

Com as etiquetas , , , , , , ,

Quo Vadis?

Menos 214 mil empregos até ao final do próximo ano.

Inconstitucionalidades na aplicação da sobretaxa sobre os subsídios dos funcionários públicos. E claro está, um convite expresso para que este governo ataque os trabalhadores do privado, principalmente aqueles que precisam desses rendimentos para balançar as economias familiares, facto que constitucionalmente também terá que ser declarado como inconstitucional.

Metas orçamentais previstas para este ano não serão cumpridas.

Liberalização fracassada no sector energético, culpada pelo facto das empresas do sector terem o monopólio da rede eléctrica, das águas, da refinação petrolífera em solo nacional.

A Banca recapitalizou-se mas continua fechada ao fomento do novo empreendedorismo e ainda viu o crédito mal-parado aumentar de forma significativa.

O Consumo Interno baixou a índices perto daqueles que se verificavam em Portugal em 1997.

O pico dos juros da dívida portuguesa terá o seu top entre 2016 e 2019 e 2026-2035.

O Banco de Portugal prevê uma retracção da actividade económica de 3% para este ano, contrariando os pedidos do Governo (sem pacotes de ajuda tanto do governo como da banca) para que os jovens sejam empreendedores.

A ajuda à instalação do Banco BIC no BPN. Não se deve considerar uma compra mas sim uma oferta do estado português aos angolanos.

A Nissan, a Renault e a Rio Tinto cancelaram investimentos de cerca de 2,2 mil milhões no nosso país e impossibilitaram a constituição de 1250 novos empregos. Graças a quem? Graças ao “meu colega” Àlvaro, o trapalhão que veio de terras do frio. Ainda por cima, acresce que as unidades de produção estavam previstas para Aveiro (caso da Nissan e da Renault; zona que está a fazer crescer a taxa de desemprego) e Moncorvo (o flagelado interior português).

E o Ministro da Saúde recusa-se a dialogar com os médicos.

Existem condições para este governo continuar?

 

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , ,

Ó Álvaro, não o mandaste ler os teus livros de economia portuguesa porquê?

Já não existe educação, muito menos vergonha. Um povo que não tem o que comer, não pode ser dócil, gentil ou acorbadado perante a sua realidade. Este tipo de intervenções populares são apenas o aviso. Se a conjuntura económica continuar assim por mais tempo, estalará o saque, a rebelião, o caos social.

Este governo não tem condições para continuar: está sem soluções governativas, está a criar ainda mais recessão com as suas medidas danosas, e é incapaz de ir buscar receitas a quem as tem. A Austeridade está a criar mais Austeridade. Em São Bento, ainda não perceberam que não conseguimos sair deste poço se não pusermos em prática políticas que criem empregos e que devolvam os níveis aceitáveis de consumo. Nem as sobretaxas especiais, nem o aumento dos impostos directos, nem a reforma laboral, nem os cortes nos mais variados Ministérios estão a conseguir dar receitas ao Estado. Continuamos a sobreviver porque aqueles que são ditos como nossos “parceiros” estão a emprestar-nos dinheiro a juros altíssimos que daqui a algumas décadas terão que ser pagos. Algo tem que mudar.

Este Governo já não satisfaz o contrato social. Rousseau afirmou um dia que quando um governo já não consegue satisfazer os seus representantes, tem que cair. E a queda deste governo está muito próxima.

Com as etiquetas , , , , , ,

o mote é flexibilizar

Despedir em Portugal torna-se mais barato.

Comparar a execução da medida em Portugal com a média europeia é uma comparação infeliz.

Tomemos os casos em concreto.

No Reino Unido, país que aplica a indeminização por despedimento de 10 dias de trabalho por cada ano de antiguidade, um trabalhador que tenha um ordenado de 3 mil euros mensais e trabalhe na empresa há 15 anos, receberá uma indeminização de cerca de 225o0 euros, mais coisa menos coisa, seguindo a tabela de aumentos salariais por via da inflacção.

Em Portugal, um trabalhador que seja contratado daqui a uns meses com o vencimento de 500 euros mensais e fique numa empresa durante 15 anos, receberá de indeminização caso o período diminua para 10 dias de indeminização por cada ano de trabalho, algo como 3750 euros.

Um jovem licenciado nas mesmas circunstâncias, com um vencimento de 800 euros receberá cerca de 6 mil euros de indeminização.

Assim vale a pena contratar em Portugal é aqui onde quero chegar com a minha analogia nos dois casos anteriormente expostos.

Não se trata do gap salarial entre os dois países. Trata-se sim do facto de Portugal ser um país onde se paga mal e onde se vai começar a despedir gratuitamente daqui a uns meses. Se quiser ir mais longe, posso afirmar que este ponto do novo código do trabalho só irá beneficiar ainda mais a contratação a curto-prazo pelos empregadores. Funcionará um pouco na lógica de “contrato um gajo por um ano a troco de 500 euros e sei que ao fim desse ano vou mandá-lo embora com uma indeminização de 250 euros.” – assim como esta medida ainda fomentará uma lei da procura e oferta no emprego que continuará a fazer com que os salarios permaneçam baixos. O empregador irá jogar com a lógica: “contrato barato, despeço barato e quando despedir, continuarei a pagar o mesmo salário porque o desemprego existente e as novas regras do subsídio de desemprego farão com que tenha mão-de-obra desesperada para cumprir esta tarefa”.

Com as etiquetas , , , , , , , , ,

complotzinho ou realidade?

A Fitch anunciou hoje que o governo português terá um derrape nas contas públicas no ano 2012 caso a recessão se confirme em pior escala do que aquilo que foi previsto. No entanto, a agência evidenciou os esforços que o governo português está a fazer no cumprimento do Memorando de Entendimento com a troika.

O Governo Português, na pele do seu Ministro das Finanças continua a descartar o não cumprimento da meta de 4,5% de défice das contas públicas previsto para o final deste ano civil.

Podemos dizer aquilo que nos apetecer. Quando uma agência de rating conota em baixa o quer quer seja na nossa economia ou nas nossas finanças públicas, por defeito, esse abaixamento torna-se real passados uns meses.

Gasparzinho bem pode afirmar publicamente que a Fitch observa as economias dos diversos países mundiais através dos seus cadeirões em Nova Iorque. Gasparzinho bem pode afirmar que estas afirmações não passam de afirmações que visam o assassínio económico do nosso. Complotzinhos para descredibilizar o regaboff que a Troika está a executar no nosso país. O verdadeiro assassínio económico já está a ser executado pelo nosso governo ao deixar que se façam experiências macroeconómicas cujos resultados ainda são desconhecidos. Muitos economistas já tem avisado que não vale a pena cortar na despesa pública por cortar. Muitos economistas já tem afirmado que a austeridade sem políticas de crescimento económico não nos irão levar a lado nenhum. Depois de cortes em todo o sector público, depois do aumento dos impostos, depois da flexibilização laboral, depois das privatizações, depois da criação de legislação que abona a favor do despedimento barato, ainda não conseguimos assistir a uma medida por parte do governo que fosse digna de fomento do crescimento económico. Ainda não vimos uma mega ajuda à exportação empresarial como defende o Ministro da Economia. Ainda não vimos um incentivo ao abate do desemprego jovem. Ainda não vimos um mega pacote de ajuda às PME assim como não vemos a banca a incentivar ao crédito empresarial. Ainda não vimos um governo disposto a fomentar a agricultura e o empreendedorismo dos jovens agricultores. Ainda não vimos uma política que vise restabelecer o consumo.

Espero bem que desta vez a Fitch tenha razão e que tudo o que afirmou para o mundo seja realidade. Pode ser que Portugal ainda possa ser um país a salvo destes senhores da Troika e sobretudo destes senhores do PSD.

Nota final: quanto à avaliação da zona euro, temos assistido a muitas movimentações por parte das agências de rating. A Fitch foi a agência que na semana passada colocou a economia Francesa novamente sobre vigilância negativa. 17 países Europeus estão sobre vigilância, alguns deles sob vigilância negativa, entre os quais Portugal. As agências continuam a por e dispor das economias europeias a seu bel-prazer. Já era tempo dos países europeus avançarem para a criação de uma agência de rating europeia. Já se fala da possibilidade da criação de uma através de um tratado há 2 anos. No entanto, ainda nada vimos ao nível de encetação de esforços por parte dos 27. A competitividade europeia está na lama e continua a ser claramente prejudicada por via destes alarmes vindos de Nova Iorque.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , ,

Desculpe lá senhor ministro

Usualmente, quando não sei responder, invento.

Perguntei ao ministro da economia tomando como pressupostos base as suas afirmações de que o governo deve estimular o empreendedorismo jovem e recusando desde logo a ideia do estado no sentido liberal de estado-polícia, se fazia sentido continuar a desinvestir no ensino superior como tem desinvestido e assim aniquilar o futuro a uma boa parte da juventude que hoje frequenta o ensino superior?

A resposta que eu tive da boca de Álvaro Santos Pereira focou-se na necessidade da avaliação de professores pelo mérito, na necessidade de racionalizar os corpos docentes e algumas palavras assertivas acerca da necessidade de um ensino concorrencial.

Não recebi uma resposta que fosse de encontro às necessidades de dotar as universidades de um financiamento justo que permita a sua gestão e funcionamento sem um estigma asfixiante. Não recebi uma resposta que fosse de encontro a uma acção social escolar universal, justa e equalitária. Não recebi uma resposta que dissesse que em tempos de crise tem que se apostar na juventude e na consequente criação de políticas de emprego que absorva os cérebros que saem todos os anos do ensino superior. Nada. Álvaro dos Santos Pereira esquivou-se das minhas perguntas.

Recebi sim o convite para ler as suas opiniões nos seus manuais de economia portuguesa. Terei todo o gosto em ler a sua literatura Sr. Ministro.

O Entre o Nada e o Infinito na pele do seu rosto João Branco pede desculpas ao Álvaro Canadiano e promete que da próxima vez não vai ser tão duro nas perguntas.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , ,

é tudo uma questão de números

Quando interrogado pelo parlamento sobre os valores do investimento que a empresa Australiana Rio Tinto poderia fazer em Portugal no sector mineiro, o ministro da Economia Álvaro dos Santos Pereira (mais conhecido neste blog como Álvaro Canadiano) respondeu que não poderia fornecer os dados.

Na 11ª comissão parlamentar, Nuno Crato avançou que tinha dados que indicavam que o número de bolsas atribuídas no ensino superior tinha aumentado em relação ao número atribuído no ano lectivo transacto. A deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago pediu no entanto que o ministro disponibilizasse os seus dados, pedido que como diz a giria popular “bateu no tecto”.

Na quarta-feira, o ministro da Saúde Paulo Macedo afirmou que apesar do aumento das taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde para uma franja considerável de cidadãos, o número de consultas aumentou. No entanto não disponibilizou dados.

No próximo sábado, o governo não irá disponibilizar dados sobre a manifestação nacional da CGTP. Não vale a pena tanto esforço. Afinal de contas os números indicados pela intersindical e os números do governo nunca batem certo…

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , ,

histórias

Confesso que nos últimos dias tenho andado tão atarefado que nem tempo tenho para postar neste blog, ver futebol, ver telejornais, ler livros, ver filmes, ver jogos da NBA, ler jornais e até jogar na minha xbox, algumas coisas que me dão imenso prazer. No entanto, não me desliguei por completo da realidade em que se foca o mundo e partilho aqui algumas notas de que me apercebi (ainda que a espaços) do mundo:

1. A Família Soares dos Santos mudou as contabilidades dos seus negócios para território Holandês. Alexandre Soares dos Santos foi aquele, que um dia travou uma dura batalha de palavras com o antigo PM José Sócrates acerca da riqueza e da boa educação. Vamos por partes:

1.1 A Jerónimo Martins é um grupo empresarial cuja empresa-coroa é a cadeira de supermercados Pingo Doce. Para quem não sabe, as cadeias de supermercados (na sua génese) funcionam por sistema de consignação de produtos. As marcas pagam espaços para colocar os seus produtos nas prateleiras dos ditos e as cadeias, para além do espaço que é remunerado para tal efeito ainda vão buscar uma percentagem sobre os produtos vendidos.

1.2 A Jerónimo Martins, como um grupo empresarial forte já recebeu todo o tipo de apoios do Estado Português. Subvenções, Isenções fiscais, incentivos à participação em mercados internacionais e incentivos à exportação de produtos. Acho de muito mau tom que hoje, se mude para onde quer que seja por que motivo seja quando andou anos e anos a comer com o dinheiro dos contribuíntes pelas mais variadas ajudas que o Estado Português fornece às empresas.

1.3 A Jerónimo Martins é um grupo empresarial em cujas condições de trabalho de contrato dos seus empregados, obriga-os (para lhes dar emprego) a que estes se submetam a um horário de trabalho que inclui sábados e domingos (folgas semanais à semana), feriados, dias de natal e ano novo, sob métodos (escandalosamente considerados como legais em Portugal) inseridos numa lógica “ou aceitas as nossas condições ou não és empregado\estás despedido” e com uma remuneração base grossa de salário mínimo.

1.4 Ao efectuar esta mudança, a Jerónimo Martins está a contribuir para a pobreza de um país (que ajudou a empresa a fundar o volume de negócios que hoje detém à conta das tais ajudas enunciadas por mim no ponto 1.1) e para que a credibilidade da nossa economia seja ainda mais mal vista pelos nossos “parceiros” externos e principalmente pelas ditosas e pouco saudáveis influências exercidas pelas agências de rating, que em tão pouco tempo arruinaram o pouco que restava deste rectângulo à beira mar plantada.

2. Por Ligação ao ponto 1.

O nosso primeiro-ministro diz compreender os motivos que levaram Alexandre Soares dos Santos a virar costas à sua pátria. Pedro Passos Coelho mostrou mais um ponto de fraqueza no seu discurso e contrariou tudo aquilo que foi pelo seu governo dito até agora. É bom folgar que temos um primeiro ministro derrotista e que incentiva a que em Portugal nada se produza ou nada se faça para alterar o rumo da situação económica e financeira em que nos encontramos.

É saudável também folgar que o seu governo nada se interessa em fazer tributar aqueles que mais têm e aqueles que mais erros cometeram na situação estratégica actual do país para a resolução dos nossos problemas.

É saudável portanto folgar que este indíviduo a quem chamam primeiro-ministro está literalmente a defender os interesses estrangeiros e os interesses do capital no nosso país, pago com o nosso dinheiro.

3. Reparei que ante-ontem foi aberta pelo Ministério da Educação e Ensino Superior uma nova fase de candidatura a bolsas de estudo no ensino superior.

Esta medida vem na sequência do aumento do capital disponível para o financiamento dos alunos do ensino superior através de linhas de crédito cedidas pelos bancos e num contexto em que as duas fases até agora realizadas ainda não tem totais de atribuições apurados e sobretudo, perante a realidade moribunda do ensino superior em portugal e do sufoco em que vivem as famílias portuguesas, uma profunda hipócrisia cujos resultados práticos ainda não são conhecidos e visionados pelos estudantes que realmente precisam das suas bolsas para sobreviver e ainda não receberam qualquer prestação.

No entanto, deixo aqui a minha palavra de louvor ao Eduardo Barroco de Melo e restante Direcção-Geral pela luta encetada aquando da actividades “Natal Negro no Ensino Superior”, que mal por mal já fez com que o governo concedesse algo ao mesmo tempo que tira 5. No entanto, e como estas pequenas acções não redundam em vitória, tal só poderá ser clamado quando os direitos que pertencem aos estudantes sejam factos consumados na prática, algo que como todos sabemos ainda não aconteceu.

4. Parece que está na moda o uso do avental e da pedra-pomes neste país. Falo desse poço de interesses a que chamam maçonaria.

Grupos, restrito de entrada, onde aparecem altas individualidades que mandam neste país, numa lógica de “põe, dispõe e corta” naquilo que é incómodo aos interesses da elite.

Passam-se informações das secretas, governantes actuam sobre instruções dadas em reuniões altamente secretas, roubam-se informações dos telemóveis de jornalistas e não se podem mencionar influências de deputados da nação ao serviço dos enormes maçons do oriente e da grão-cruz. Será que no tempo do Salazar também eram tão activos?

5. Bola. 3 anotamentos.

5.1 Tim Howard espetou um grande selo na Premier de baliza a baliza. Faz-me lembrar o golaço que o Palatsi marcou há uns em semelhantes jeitos lá para os lados de Moreira de Cónegos.

5.2 O Manchester United colheu 3 na capoeira do sensacional Newcastle. Phil Jones ficou novamente mal na fotografia naquele cabeceamento direitinho para a sua baliza.

5.3 As imagens do túnel de acesso aos balneários em Alvalade é uma coisa escabrosa. É certo, que derivado à tensão do momento, a comunicação social está a usar a situação para criar um alarido desnecessário. Mas também considero vergonha a atitude dos responsáveis do dirigismo sportinguista em autorizarem tamanhas aberrações em sede de um clube que sempre se pautou pela tentativa da rectidão ao nível de valores e acções.

Colocar imagens de meia dúzia de arruaceiros, alguns deles ligados a grupos de extrema-direita no nosso país, não é propriamente a imagens que se desejam para a livre transmissão de valores defendidos pela UEFA no futebol de paz e saudável convivência entre pessoas de raças diferentes. Mas… lá pelas bandas de Alvalade há quem não pense exactamente desta maneira e eu, sportinguista confesso, não papo tudo aquilo que o meu clube me dá.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

O “fim da crise”

O Álvaro “Canadiano” voltou a meter os pés pelas mãos.

O fim da crise que não é o fim da crise. O desvio que era e não era colossal. O corte histórico da despesa. O fim da crise em 2012 anunciado pelo Álvaro Canadiano, difere para 2013 na óptica de Vitor Gaspar e foi “remendado” pelo Ministro da Economia 4 horas depois do seu discurso para 2014 e 2015. À boa maneira portuguesa continuam-se a adiar os cenários de retoma ano sobre ano e nem dentro do governo se tem uma visão unânime quanto aos efeitos das medidas que foram anunciadas desde a tomada de passe deste governo. 

Já não bastava o facto de termos um ministro da economia gastador (foi o que mais empregou dentro das competências que necessitava no seu super ministério) como temos um Ministro da Economia bipolar: às vezes fala de menos, afirmando que existem uns investimentos mas que são anunciados mais tarde. Noutras, fala demais e antecipa o fim da crise neste país.

Não há pachorra para tanta incompetência.

Com as etiquetas , , , , , , , ,

O canadiano

É impressão minha ou o Ministro da Economia, bla bla bla bla bla e Obras Públicas, mais conhecido como “O Canadiano”, farta-se de prometer medidas e cortes e a única coisa que realmente prometeu e cumpriu foi a entrada de 60 novos nomeados?

Passos Coelho e Vitor Gaspar falavam do “desvio colossal”. Álvaro “O Canadiano” dos Santos Pereira promete o “corte histórico”.

Com a demonstração de tanta garra deste governo, qualquer português fica claramente assustado.


Com as etiquetas , , , , , , , , ,

A explicação de Vitor Gaspar

Tento compreender mas não consigo.

Vitor Gaspar, o primeiro-ministro de Portugal, perdão, o Ministro das Finanças, ou será Paul Rasmussen o primeiro-ministro de Portugal e o ministro das finanças em simultâneo sabe perfeitamente o alcance destas medidas, não fosse ele um mestre da economia.

O que o estado irá arrecadar com a sobretaxa especial incidente sobre o subsídio de natal mais a passagem do IVA da electricidade e gás (11 euros de aumento em média para cada Português, já contando com aqueles que irão beneficiar das tarifas sociais anunciadas pelo Ministro da Economia Alberto dos Santos Pereira) apenas irão garantir 1000 milhões de euros aos cofres do tesouro público. Tal valor, segundo o mesmo, apenas servirá para cobrir o desvio (para  não criar mensagens subliminares foi dito apenas como desvio, não-colossal) das contas públicas.

Se estas receitas apenas servirão para cobrir metade do desvio, prefiro nem imaginar o que vem por aí. Culpa do memorando da troika. A culpa de qualquer medida será sempre exigida pelo rigor do memorando assinado pela troika. Qualquer dia, o governo irá querer que os portugueses deixem todo o seu salário para pagar a dívida contraída pela classe política. Só falta anunciar uma medida tirânica desse género.

Como referi, Vitor Gaspar sabe muito bem qual o alcance destas medidas, não fosse o próprio um entendido das leis com que se rege o mercado.

Imaginemos a situação em que o preço da gasolina aumenta abruptamente.

Por norma, a elasticidade da procura diz-nos que se um bem como a gasolina aumentar de preço, dado o facto de ser um bem complementar a outro (um carro não anda sem gasolina) e como existe uma extrema dependência do uso de automóveis por parte das pessoas para os mais variados usos resultantes dos hábitos ou necessidades do seu quotidiano, a procura de gasolina irá manter-se ao mesmo nível, indiferentemente do aumento do seu preço. A gasolina é portanto um bem rígido.

Existem excepções comprovadas a esta regra. Se o preço da gasolina aumentar abruptamente num país onde a população vive com baixos rendimentos e mal consegue fazer face a despesas mais essenciais à sobrevivência do que a gasolina para fazer o seu carro andar e a população (principalmente a população urbana) conseguir encontrar outras formas de transporte capazes de não criar alterações a esses hábitos ou necessidades, tendencialmente procurarão diminuir a dependência do seu automóvel e a procura de gasolina irá diminuir. Se a procura de gasolina diminuir (um bem por norma rígido) dar-se-à uma mudança de atitude por parte dos revendedores do produto:

1. Como a procura do seu produto desceu, as planificações empresariais previstas para as mais variadas ondas de procura em relação aos preços poderão falhar. Logo, para se atingirem os lucros desejados, os revendedores poderão optar por despedir pessoal ou reduzir os custos de produção (manobra que é impossível a curto-prazo).

2. Como a procura do seu produto desceu devido ao aumento do preço, o mercado poderá obrigá-los a ter que reajustar em baixo o preço do produto para que a empresa continue a dar os lucros mínimos esperados pela planificação.

3. A empresa pode até ter que se retirar do mercado em último caso.

No caso em concreto das duas novas tributações propostas pelo Ministro das Finanças podem dar-se os seguintes cenários. Ambos são obviamente catastróficos para a economia portuguesa:

1. Com o imposto extraordinário sobre o subsídio de natal, as pessoas que utilizavam o mesmo para o gastar em prendas de Natal (nas grandes superfícies, nas pequenas superfícies de comércio tradicional) não irão gastar tanto dinheiro como gastavam nos anos anteriores.

2. As pessoas que usavam o subsídio de natal (com o valor gastos nas festividades) e usavam o restante para fazer face às suas despesas de médio e longo-prazo como o pagamento de empréstimos, deverão ter mais dificuldade em consolidar os seus processos nessas instituições.

1.1 Se as grandes superfícies, pelo seu privilégio em serem as principais vendedoras nas festividades ou pelo seu cariz universal, onde as compras de natal apenas representam uma pequena percentagem do bolo que é transacionado durante o ano poderão sobreviver a uma crise de consumismo nessa altura do ano, o pobre comércio tradicional que se queixa ano após ano que os natais estão cada vez menos rentáveis pela falta de poder de compra da população portuguesa, tenderão a fechar portas. Menos produtos serão transacionados, menos riqueza será criada pelo comércio.

1.2 Se as grandes superfícies e o comércio tradicional entrarem em recessão no Natal, os seus fornecedores de produtos irão ver os seus produtos pouco escoados e os contratos de fornecimento diminuídos ou até mesmo cancelados. Logo, também entrarão em crise e terão que despedir.

2. No caso das pessoas que utilizam parcialmente o subsídio de natal para fazer face a despesas (principalmente com a banca) a banca irá defender-se com a procura de mais receita em novos empréstimos feitos pela sua clientela. Levará a que a banca perca os seus lucros e precise de encontrar receitas extraordinárias noutros pontos. Logo, tal atitude resultará em investimentos mais caros e em dificuldade ao crédito por parte das famílias. Resultará também na diminuição na procura desses produtos financeiros por falta de liquidezpoder de compra da população, diminuição do fomento industrial agrícola e comercial através do crédito e consequentemente numa retracção da economia portuguesa grave.

São as consequências menos graves desta medida.

Passando para o aumento do IVA no gás e na electricidade.

Previamente, temos que ver que as empresas de fornecimento destes serviços são empresas das que mais lucro dão em portugal e as que pagam melhor aos seus gestores. Gestores públicos, ressalve-se. Gestores públicos que levam prémios anuis na ordem dos milhões de euros. Talvez fosse melhor começar a cortar por aí.

Juntando ao facto da diminuição clara da procura e gasto desses serviços por falta clara de dinheiro nas carteiras das pessoas, estas tendencialmente irão poupar mais no uso destes serviços ou procurar alternativas a este tipo de consumos. No caso da electricidade, as energias renováveis não são uma alternativa credivel para as carteiras dos cidadãos pelo simples facto de serem pouco acessíveis, dependerem muito do crédito (menos acessível) e dos parcos incentivos dados pelo estado à compra dos equipamentos.

Por outro lado, haverão muitas suspensões de serviço por esse país fora por falta de dinheiro para o seu pagamento.

Irá resultar claramente numa diminuição dos lucros dessas empresas, consequentemente em falhas na planificação empresarial quanto aos lucros a obter e consequentemente numa mudança de postura por parte dessas empresas em situações onde a economia portuguesa sai sempre em retracção.

Vale a pena colocar o povo a pagar esses sacríficios ou vamos aumentar ainda mais?

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , ,

As mentiras de Pedro Passos Coelho

1. A mais crassa de todas. Livro favorito: “A Metafísica dos Costumes” de Hegel quando toda a gente sabe que a “A Fundamentação Metafísica dos Costumes” foi escrita por Immanuel Kant. Nem no nome completo do livro, Passos conseguiu acertar.

Era na altura este o candidato que o PSD pretendia lançar contra José Sócrates. Será que Passos algum dia virá desmentir esta como veio tentar desmentir a declaração do “desvio colossal”.

2. “O passe social dos transportes para que todos possam andar de transportes públicos”

“O passe de Coelho” – um passe para trás é certo (sublinhado meu)

Passos Coelho quer um passe social só para pobres. Como os que nos têm governado, não fez as contas certas. Ao subsidiar o transporte coletivo o Estado poupa dinheiro. À sociedade, à economia e a si próprio.” ín Expresso, 8 de Fevereiro de 2011.

No fim de Julho, após reunião de Conselho de Ministros, o governo de Coligação decide aumentar em média 15% o preço dos transportes públicos. Passos Coelho faz-se refém do Memorando de Entendimento assinado pela troika (ver aqui).

O Ministro das Finanças Álvaro Santos Pereira, sim, aquele bacalhau que o PSD foi buscar ao Canadá para o Movimento Mais Sociedade, lança as tarifas sociais. Quais tarifas sociais? Ver aqui. Estão contempladas nos transportes Públicos? Em quais? Nos que sofreram aumento?

Fonte: i online.

3. “O BPN”

Ver aqui, a 10 de Dezembro do ano transacto.

Pedro Passos Coelho pedia ao executivo Sócrates, em particular ao Ministro Teixeira dos Santos, informação clara e concisa sobre o estado do BPN e os custos que as decisões do estado em relação ao banco iriam custar aos cofres públicos.

“Em dever de lealdade, transparência e rigor, era importante que, depois de terem falhado as operações que o governo tinha destinado para o BPN ainda este ano, nomeadamente a sua reprivatização, houvesse uma informação clara e concisa ao país quanto à intenção que tem para futuro e sobretudo ao custo que essa intervenção representa nos dias de hoje” – defendeu perante os jornalistas.

fonte: Jornal de Notícias

A 30 de Julho de 2011, 7 meses e 20 dias depois, já como primeiro ministro deu autorização ao seu ministro das Finanças para vender o BPN à pior proposta possível, feita por um banco cuja cara principal é um gestor que já foi ministro de um Governo Constitucional do PSD (Mira Amaral) e ainda por cima para além dos 2360 milhões de euros que custou aos contribuíntes portugueses, a proposta vencedora ainda contempla que o estado tenha que pagar indeminizações aos funcionários que o BIC irá reduzir no banco, acartar com as custas de metade da totalidade do crédito mal parado e acartar com os custos do fecho de dependências e agências do banco.

Uma intervenção brilhante.

Juntando a isto, o facto de Pedro Passos Coelho e do seu ministro das finanças ainda não terem disponibilizado publicamente as ofertas dos outros interessados à compra do banco. Revela uma clareza e uma transparência formidável, estando praticamente esmiuçadas pela Comunicação Social as melhores ofertas tanto de Montepio como dos investidores que fizeram proposta para comprar o banco.

Mais uma mentira, portanto.

4. “Passos Coelho e os impostos”

A 21 de Março: “devem descer, porque Portugal tem uma carga tributária e fiscal excessiva.” – era candidato, precisava obviamente deste trunfo para se fazer ao povo.

Expresso

A 24 de Março: “devem subir para o Estado obter receitas extraordinárias”  – em Bruxelas.

No mesmo dia à TVI: “Não posso prometer que não aumente os impostos”


A 5 de Maio: “não irão aumentar. Isso é uma invenção do PS” – era candidato, estava na recta final da caça ao voto.

Jornal de Notícias

O Governo toma posse e o que é que acontece? Imposto extraordinário sob 50% do subsídio de Natal dos que auferem rendimentos superiores ao salário mínimo.

Estamos perante um conjunto de mentiras cujo pior facto de realmente o serem, é a bipolaridade das declarações de Passos Coelho. Essa bipolaridade política que só os candidatos em vésperas de eleições conseguem manobrar: dizer sim e não conforme lhes convém, dançar ao som da música que lhes tocam e atirar as culpas para o principal adversário na contenda.

5. “O mercado de trabalho. Flexibilizar ou não flexibilizar. Criar emprego ou aumentar o estigma do desemprego”

“As políticas de emprego mais profundas, para combater o desemprego” – disse a 10 de Dezembro. Já liderava o PSD e já se sabia que seria candidato.

JN

“Aposta na criação de emprego para voltar a trazer a esperança às novas gerações” – a 11 de Maio, em plena campanha eleitoral.

Fonte: ‘PSD´

No Governo, aprova em conselho de ministros e faz uso da sua maioria parlamentar para aprovar a redução das indeminizações pagas por cada ano de trabalho aos novos contratos laborais de 30 para 20 dias.

Mais uma mentira, portanto.

Depois de todas estas declarações e da sua análise ao nível das primeiras intervenções feitas pelo Governo liderado por Passos Coelho, apenas posso concluir que o nosso primeiro-ministro é um mentiroso. Um mentiroso compulsivo de um calíbre e artimanhas comparáveis às do seu antecessor. Artimanhas das quais Passos Coelho tanto reclamava quando estava na oposição.

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

O novo governo de Passos Coelho

Num breve resumo:

Jobs para todos os boys:

Paulo Portas nos Negócios Estrangeiros – só pode ser uma piada de mau gosto. Não lhe reconheço idoneidade para assumir uma pasta onde é completamente inexperiente e que por tradição deve ser ocupada por um diplomata. Coitados de agricultores que votaram CDSPP na esperança de ver um Portas na Agricultura. Devem estar mais que arrependidos.

Miguel Relvas e Miguel Macedo – Sair em defesa do seu candidato tem um preço. Neste caso é o ministério.

Paula Teixeira da Cruz – O apoio concedido a Passos Coelho para chegar à liderança também têm um preço. Justiça.

As boas escolhas:

– Vitor Gaspar. Um independente nas finanças que conta com uma notável passagem Director do Departamento de Estudos do Banco Central Europeu onde esteve presente no processo de decisão política e monetária da zona euro. Uma porta para uma nova lufada de ar fresco do nosso país perante a europa, feita pela ponte de quem já lá trabalhou e pode devolver nova credibilidade a uma pasta nevrálgica que Teixeira dos Santos saturou por completo.

Álvaro Santos Pereira – Um académico de craveira capaz de trazer ideias novas para as políticas económicas portuguesas.

Para avaliar:

Nuno Crato – Será capaz de acumular duas pastas que passaram por momentos difíceis na era Sócrates e continuam a herdar problemas gravíssimos como a falta de financiamento no Ensino Superior e os Contratos de Associação das Escolas Privadas?

Paulo Macedo – Será capaz de responder de forma eficaz aos problemas com que atravessa actualmente o Serviço Nacional de Saúde?

Pedro Mota Soares – Cumprirá as ideias promovidas para esta pasta no programa eleitoral do PSD ou do CDSPP?

Com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,