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De Londres #17

E quem diria há 3 semanas atrás que o modesto México sub-23 contrariou o Ouro “no papo” da Selecção A Brasileira?

 

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A Cimeira das intenções silenciosas

Por Jorge Castañeda, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros do México (2000-2003) e Professor  de Política e Estudos Latino-Americanos na Universidade de Nova Iorque.

A Cimeira das Américas, que se realiza sensivelmente todos os três anos, pode ser vista como o tipo de extravagância Latino-Americana que reúne chefes de estado por alguns dias, tanto a sul como a norte do Rio Grande, para fazer discursos intermináveis que não levam a lado algum. Mas de vez em quando, a Cimeira – uma iniciativa Americana lançada pelo Presidente Americano Bill Clinton em 1994 – efectivamente ajuda a colocar assuntos essenciais na mesa hemisférica.

Um desses assuntos foi a chamada Área de Comércio Livre das Américas, que foi proposta pelo antigo Presidente Americano George H. W. Bush em 1990, e que depois se desmoronou na cimeira de Mar del Plata na Argentina em 2005. Irritado pela presença do filho de Bush pai, o Presidente George W. Bush, o Presidente Venezuelano Hugo Chávez reuniu milhares de manifestantes anti-Americanos para protestar contra o acordo.

A Cimeira das Américas serve assim como um indicador das relações Estados Unidos – América Latina, mesmo quando não consegue resultados de grande significado.

A cimeira deste ano, que tomará lugar em Cartagena, na Colômbia, em meados de Abril, já gerou controvérsia. Dois assuntos tradicionalmente polémicos dominarão as discussões: Cuba e droga.

Cuba nunca foi convidada para a Cimeira das Américas, porque a reunião foi desenhada para incluir apenas membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) e presidentes democraticamente eleitos (embora o então presidente do Peru, Alberto Fujimori, tenha participado em 1998, apesar de ter suspendido a constituição do país num “auto-golpe” em 1992).

Em Fevereiro, o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou que se o Presidente Cubano Raúl Castro não fosse convidado para a Cimeira, os países ALBA (Cuba, Venezuela, Equador, Nicarágua, Bolívia, e algumas das ilhas das Caraíbas) não participariam. Isto foi uma clara intenção de provocar os EUA, Canadá, e um punhado de outros países que se opunham à sua presença.

Vários líderes e comentadores Latino-Americanos recomendaram que o Presidente dos EUA Barack Obama participasse, não obstante a presença de Castro, para confrontá-lo com o défice democrático em Cuba. Obama não mordeu o isco: uma oportunidade fotográfica acidental ou um debate público com Raúl Castro no meio de uma campanha eleitoral não ajudam um presidente dos EUA a vencer um segundo mandato.

O Presidente Colombiano Juan Manuel Santos tentou desarmar o assunto confirmando primeiro se os Cubanos queriam realmente ser convidados. Ao enviar o seu ministro a Havana para esse efeito, recebeu uma resposta surpreendente: Cuba queria participar, apesar de ter rejeitado em 2009 um convite para voltar à OEA.

Era claro para Santos que, se Castro participasse, a cimeira de Cartagena tomaria lugar sem Obama, o Primeiro-Ministro Canadiano Stephen Harper, e talvez alguns outros chefes de estado. Se, por outro lado, Castro não participasse, alguns dos membros da ALBA, incluindo dois vizinhos com os quais a Colômbia espera melhorar relações – Equador e Venezuela – poderiam também não aparecer.

No final, Santos, como os seus predecessores em anteriores organizações da Cimeira, não teve escolha para além de informar os Cubanos pessoalmente que não eram bem-vindos, por “não haver consenso relativamente à sua participação.” Apesar de falarem da crescente independência Latino-Americana e das recentes reformas de Castro, a maior parte dos países, quando forçados a escolher entre Cuba e os EUA, escolhem os últimos. Na verdade, até os supostos aliados de Cuba na região se abstiveram de instigar Santos a convidar Castro.

Portanto Castro não participará, Obama sim, e os líderes da ALBA estarão provavelmente divididos. Os participantes tentarão garantir que Cuba seja convidada para a próxima cimeira em 2015, mas é difícil prever o que acontecerá. Cuba permanece por agora a ovelha negra da América Latina.

Porque Obama estará presente, outros líderes poderão aproveitar a oportunidade para partilhar com ele as suas opiniões sobre o que é cada vez mais chamada de “guerra falhada contra a droga,” o programa anti-droga originalmente lançado pelo Presidente Americano Richard Nixon em 1971. O recentemente empossado Presidente Guatemalteco Otto Pérez Molina, juntamente com Santos e outros chefes de estado, questiona a abordagem actual, devido aos seus enormes custos e magros resultados, e propõe uma estratégia diferente: a legalização.Obama enviou o Vice Presidente Joe Biden ao México e à América Central há algumas semanas atrás para dar conhecimento desta tendência, e pode tê-lo conseguido parcialmente. Contudo, enquanto apenas um punhado de líderes políticos e de intelectuais advogaram a legalização no passado, hoje em dia funcionários saem “do armário” aos magotes relativamente à questão da droga. Os que diziam antes que preferiam um debate sobre o assunto apoiam agora a legalização; aqueles que se lhe opunham aceitam agora a necessidade para um debate; e aqueles que continuam a opor-se à legalização fazem-no por fundamentos morais em vez de racionais.

Mas Obama tem outras prioridades. Os seus desafios de política externa, com a excepção do programa Iraniano de enriquecimento nuclear e da reacção de Israel ao mesmo, estão em segundo lugar relativamente à saúde económica dos EUA, e do impacto que esta tem na sua reeleição. A América Latina – ou mesmo o México – não estão neste momento no ecrã do seu radar.

Não obstante, Obama irá a Cartagena, como deveria. Os EUA já aprenderam que os melhores interesses da nação incluem uma atenção cuidadosa aos seus vizinhos meridionais.

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O grupo da morte

Alemanha, Holanda e Dinamarca.

Já lhe chamam o grupo da morte.

Eu cá continuo na ilusão do nacionalismo e prefiro acreditar que vamos passar esta fase de grupos em primeiro lugar.

1. É certo que os adversários são dificeis:

1.1 A Alemanha aparece no Euro 2012 com uma das mais fortes selecções dos últimos anos.

A nova geração de talentos Alemã, constituída por jovens talentos como Jerôme Boateng, Marko Marin, Mezut Ozil, Mario Gomez, Mario Gotze, Sami Khédira, Thomas Muller, Sven Bender, Lars Bender, Toni Kroos e auxiliada de perto por jogadores experientes\veteranos como Miroslav Klose, Phillip Lahm, Bastian Schweinsteiger, Per Mertesacker, entre outros, aparece no Euro 2012 com a aspiração de fazer frente ao poderio da Selecção Espanhola.

Vai ser obviamente, pelas circunstâncias e pelo potencial demonstrado nos últimos 2 anos o osso mais duro de roer para a selecção nacional na fase de grupos.

1.2 A Holanda é a Holanda. Quem conhece o futebol sabe perfeitamente o que escrevo.

Robin Van Persie, Arjen Robben, Klaas-Jan Huntelaar, Wesley Sneijder, Maarten Stekelenberg, Van der Wiel, John Heitinga, Nigel De Jong, Kevin Strootman, Dirk Kuyt, Urby Emanuelson, Joris Mathijsen, Eljero Elia, Demy De Zeeuw, Ibrahim Affelay, Rafael Van der Vaart são jogadores de inegável talento. A Laranja Mecânica é obviamente outra das candidatas principais ao ceptro europeu.

1.3 A Dinamarca de Morten Olsen. A Dinamarca que venceu o nosso grupo e pratica aquele futebol musculado e pragmático. Mas também a Dinamarca que não costuma apresentar o seu melhor futebol nas fases finais de competições internacionais, ponto que pode jogar a nosso favor.

2. A nossa selecção.

Temos primeiro que reconhecer que a nossa selecção não é em nada inferior a qualquer uma destas selecções.

Em segundo lugar, acredito perfeitamente que este tipo de jogos sejam aqueles jogos que todos os jogadores sonham em jogar. Logo, acredito que estes jogos acrescentem uma dose de motivação extra aos jogadores das quinas e sejam jogos em que os mesmos apliquem em campo todas as características que os tem acompanhado ao longo das suas carreiras.

3. Em terceiro lugar: os resultados que a selecção nacional tem atingido nos últimos 15 anos.

Se repararem, nos últimos 15 anos, a selecção Portuguesa apurou-se (fazendo excepção ao mundial de 1998) para 5 europeus consecutivos e 3 mundiais.

Nas finais finais dos europeus e mundiais, quando menos se esperava Portugal deu-se bem com todos os grupos difíceis que teve de enfrentar.

3.1 No euro 1996, Portugal calhou num grupo que continha a Turquia, a Dinamarca e a Croácia. Empatamos com a Dinamarca de Schmeichel e Brian Laudrup a 1 bola. Vencemos a Turquia por 1-0 com golo de Fernando Couto e vencemos a Croácia de Prosinecki, Suker, Jarni, Boban e Prso (a mesma que dois anos depois se iria sagrar 3º classificada em França no Mundial) por 3-0 com golos de Figo, João Pinto e Domingos.

3.2 No Euro 2000, a “frágil” selecção de Portugal (na verdade foi o estado de maturação de uma geração brilhante) calhou num grupo da morte com Inglaterra, Roménia e Alemanha. O resultado foi aquele que todos sabemos. Vencemos da forma que vencemos Ingleses e Alemães e ainda conseguimos bater no último minuto a Roménia (com golo de Costinha) que tinha sido a selecção que tinha vencido o nosso grupo na fase de qualificação. Fomos às meias-finais e apenas baqueamos perante a selecção campeã do mundo e, nesse ano, europeia, a França.

3.3 No Mundial 2002 e para corroborar a apetência especial da nossa selecção para se apurar em grupos complicados, fomos eliminados na fase de grupos por Coreia do Sul, Estados Unidos e Polónia.

3.4 No Euro 2004, todavia a jogar em casa, eliminámos a Espanha e a Rússia na fase de grupos, e tirando a mácula dolorosa de termos perdido o título para a Grécia, também aviamos a eliminar a Inglaterra e a Holanda em dois jogos épicos.

3.5 No Mundial 2006, depois de passar a fase de grupos num grupo constituído por Angola, Irão e México, voltamos a aviar os Ingleses e os Holandeses, perdendo novamente para a França nas meias-finais, o que de facto não constituiu nenhuma vergonha.

3.6 No Euro 2008, vencemos um grupo constituído pela difícil República Checa, Turquia e Suiça, se bem que perdemos contra os Suiços. Fomos eliminados pela Alemanha por 3-2 num jogo em que ficou claramente um amargo na boca. Os Alemães jogariam a final contra a Espanha.

3.8 No Mundial 2010 na África do Sul, conseguimos o apuramento num grupo constituído por Coreia do Norte, Costa do Marfim e Brasil. Fomos eliminados de seguida pela Espanha, campeã do mundo.

Em todas estas campanhãs, exceptuando o mundial 2002, Portugal atingiu excelentes resultados e foi apenas eliminado pelas selecções que viriam a ser campeãs ou vice-campeãs. Esse indicador é outro dos indicadores que me faz acreditar que Portugal, não descurando a obvia dificuldade que o grupo apresenta, tem hipóteses de passar à próxima fase, e se o fizer estará em grandes condições de lutar pelo título europeu. São mais os resultados negativos alcançados ao longo da história da nossa selecção contra equipas teoricamente mais fracas nas fases de qualificação do que os resultados negativos contra selecções mais fortes nas fases de grupos.

Basta apenas apreciar que em 1966 eliminamos a União Soviética, Hungria e Brasil e só fomos travados, também de forma injusta e inqualificável pela selecção da casa, a Inglaterra, que viria a sagrar-se campeã mundial.

E em 1984, vindos quase do nada, oferecemos um grande baile em França, onde conseguimos eliminar a RDA e a Roménia (empatamos com os Alemães e vencemos os Romenos) e no mesmo grupo, conseguimos um empate contra a poderosa Espanha de Maceda, Carrasco e Santillana.

Perdemos injustamente apenas naquelas meias-finais de Marselha contra a França do todo poderoso Platini, em circunstâncias que a história não nega: aquele título estava talhado para os franceses e não podia ser de outra maneira.

No mundial de 1986, mesmo eliminados na fase de grupos, perdemos contra a Polónia e contra Marrocos, mas batemos a toda poderosa Inglaterra na primeira partida.

Desde então já batemos selecções em fases finais como Croácia, Turquia, Inglaterra, Alemanha, Roménia, Polónia, Espanha, Rússia, Irão, México, Angola, Holanda, República Checa e Coreia do Norte.

Podem-lhe chamar o grupo da morte, eu chamo-lhe um grupo difícil. E nós vamos passar, caso estas imagens se voltem a repetir:

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É? Não sabia…

Durão Barroso está bem e recomenda-se. Está vivo, e melhor que nunca.

A Europa é de facto uma potência emergente. Nos calcanhares. Nos 27 países, três receberam a visita e a lei do Fundo Monetário Internacional: um, a contas com um conjunto de factores que vai desde a falta de rigidez na gestão orçamental até ao pûs que sai ao nível de corrupção vinda dos negócios estatais com privados, necessita de aprovar mais medidas de austeridade quase todas as semanas ainda continua KO ano e meio depois do resgate financeiro do FMI. De tão virulento que é, assusta o facto de poder contagiar todos os outros. O outro viveu durante anos acima das suas reais possibilidades, não deu um bom destino a fundos comunitários, não se modernizou, continua com leis de emprego injustas, beneficiou privados, e tem governantes que ocultam buracos nas contas públicas, acabou por receber ajuda e nem depois de uma autêntica terapia de choque neoliberal se sabe se vai endireitar. O outro mais a norte cresceu a uma velocidade louca dentro do espaço europeu durante mais de um década, construiu desmesuradamente e agora sofre o flagelo do desemprego e da miséria social.

Das grandes potências, a maior está em crescimento negativo. A 2ª maior está a zeros. A 3ª maior, teve que desvalorizar imenso a sua moeda (conhecida por ser forte ao nível cambial ao ponto de nunca se desvalorizar) cortar na administração pública e no sistema de saúde e há dois meses atrás enfrentou um tumulto social de 5 dias. As semi-potências do Sul tiveram que aumentar os impostos, encontrando-se neste momento a passar por crises de desemprego que ninguém acreditava há 10 anos atrás.

Sublime também acaba por ser esta frase – ““éramos países europeus, que não estavam unidos” – Será que estão agora? A europa vive das decisões do eixo franco-alemão. O Banco Central Europeu prestou-se rapidamente a comprar dívida espanhola e italiana para que esta não fosse negociada nos mercados secundários a 90% como foi a dívida grega. As regras do jogo e as linhas de actuação dentro da União mudam consoante o país que se apresenta em dificuldade. Dentro da Alemanha, da Holanda, da Finlândia, da Áustria, alguns partidos políticos com assento parlamentar afirmavam que os seus países não deveriam ajudar as economias em bancarrota esquecendo por completo as linhas de cooperação entre os estados que trilharam as comunidades desde o seu acto de criação. Outros especialistas desses mesmos países afirmavam que a melhor solução era mesmo deixar cair a Grécia. De que união falamos? De que potencia emergente falamos? Que competitividade tem a Europa perante países como a China, o Brasil, Angola, Venezuela, México, Rússia, Índia e Turquia?

Estará o presidente da Comissão Europeia a sonhar ou será mesmo que acredita realmente naquilo que diz?

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Rick Perry é o candidato repúblicano à Casa Branca

James Richard “Rick” Perry, 61 anos, governador do Texas, ultra-conservador assumido e inserid na alta roda da política e do Estado Norte-Americano pela linha da família Bush.

Terry desempenha as funções de governador do Estado há 11 anos, tendo sucedido George W. Bush aquando do anúncio da sua candidatura à Casa Branca. Entrou para a história do país como o governador com mais tempo de mandato, tendo sido re-eleito por 3 vezes.

Enquanto governador do Texas ficou conhecido por ser um cristão evangélico muito ligado à religião, defensor do livre uso de porte de armas, da causa de secessão dos estados do sul, da pena de morte e do combate à fraude fiscal e à entrada de emigrantes ilegais (principalmente pelas fronteiras com o México) no país.

Por outro lado, também foi o responsável por projectos de desenvolvimento na área da educação e da saúde, tendo reformado a rede escolar texana e criado protocolos que facilitaram às populações mais desfavorecidas do seu estado terem capacidades de obter um seguro de saúde.

No seu discurso de apresentação, Terry deixou o mote ao que pretende para o país:

    1. . “Com a minha fé em Deus, o apoio da minha família e uma fé inabalável nas virtudes da América, sou candidato à presidência dos EUA.”
    2. . “o lugar da América no mundo está em perigo”
    3. “para renovar um país, é preciso um novo Presidente
    4. “Não podemos, e não devemos, aguentar mais quatro anos de aumento do desemprego, aumento de impostos, aumento da dívida e aumento da nossa dependência energética de países que nos querem mal.

Temos portanto um defensor do imperialismo económico, da hegemonia norte-americana no mundo e da realpolitik.

Depois de alguma pesquisa descobri alguns sites que ajudam a compreender quem é e o que defende Rick Perry:

Os 10 podres de Rick Perry.

Um site de apoio a Rick Perry.

A página biográfica do Texas Tribune.

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Os Imigrantes

Como demonstra a caricata imagem, em 1979, um grupo de cidadãos Mexicanos jogaram um jogo de Voleibol junto a um muro que marca a fronteira entre os Estados Unidos da América e o México. Uns do lado Americano e outros do lado Mexicano, sendo o referido muro a rede do jogo.

Há uma regra no Voleibol que penaliza quem tocar na rede ou quem ultrapassar com qualquer parte do corpo para o lado adversário. Fazendo analogia ao actual panorama das leis de imigração dos Estados Unidos da América, há quem esteja super interessado em pura e simplesmente restringir a imigração para o país. É o caso do Xerife Joe Arpaio, xerife de Phoenix que lançou uma autêntica cruzada à imigração ilegal nos Estados Unidos da América.

A imigração para o país é um dado que remonta há mais de 3 séculos quando os peregrinos Ingleses chegaram ao território Norte-Americano a bordo do “Mayflower”. Décadas depois (devido à existência de possessão territorial por outras potências Europeias) começaram a chegar os primeiros espanhóis e os primeiros Franceses junto com os escravos africanos que estes usavam para a mão-de-obra necessária para desenvolver a exploração que era feita nos territórios.
Com o advento do capitalismo e com a progressiva descoberta e ocupação da totalidade do actual território Norte-Americano, os sucessivos Governos do país começaram a precisar de pessoas não só para ocupar território como para o explorar. Abriram-se caças ao Oeste, onde o Governo incentivava a que novos emigrantes escolhessem livremente um sitio para se fixarem. Com o advento industrial dos Estados Unidos no final do século XIX, começaram a chegar ao país milhares de emigrantes dos mais variados destinos: Italianos principalmente, Sul-Americanos, alguns Portugueses, Chineses, Espanhóis, Cubanos, Mexicanos… Com a chegada destes, a cultura Norte-Americana passou a ser um autêntico “melting pot”, uma autêntica miscenização étnico-cultural: dezenas de povos diferentes, com culturas e tradições diferentes no mesmo território. Não descurando a ideia do patriotismo Norte-Americano, a ideia de identidade nacional nos EUA não existe. Existe sim, uma cultura composta pelas práticas, comportamentos e tradições de vários povos, de várias raças, de vários credos, de vários valores…

Muitos desses povos chegaram à América de forma ilegal, e de forma ilegal gerações trabalharam de modo a enriquecer e a aumentar a grandiosidade do lema do “sonho americano”…

Dado essencial em tudo isto é o facto de ainda hoje, ser benéfico para a economia paralela que é desenvolvida no país o factor da imigração ilegal. Nos Estados Unidos, há milhares senão milhões de imigrantes ilegais que tem uma profissão e que ajudam ao crescimento (actualmente à retoma) da economia Norte-Americana, sem que nada ou ninguém os impeça de o fazer. Os serviços de estrangeiros e fronteiras, sabem quem são os imigrantes ilegais, onde vivem, onde trabalham e em milhares de casos nem sequer põem uma única objecção quanto à prestação de cuidados de saúde e educação aos imigrantes e aos seus filhos. Estamos portanto numa situação em que a imigração ilegal é algo completamente consentida pelas autoridades Norte-Americas e tida como altamente benéfica para o país.

Por outro lado não se deve descurar dizer que entre as pequenas comunidades de imigrantes (como noutros sectores da sociedade Norte-Americana) existem aqueles que vivem sem quaisquer tipos de regras, usando e abusando de formas ilícitas de actuação como ganha-pão. É o caso da Máfia. Engane-se quem pensa que o fenómeno da Máfia é um fenómeno intrinsecamente ligado à cultura Italiana. As formas e os esquemas mafiosos estão em todo o lugar e no caso específico dos Estados Unidos também existem organizações mafiosas de Cubanos, de Mexicanos, de Chineses e até de Judeus. Dúvido até que entre os Portugueses não exista qualquer tipo de Máfia.

Dos sectores altamente conservadores do país aparecem homens como Joe Arpaio. Xerife em Phoenix, 78 anos. Altamente conservador. Crente que são os imigrantes no país a causa da grossa fatia da taxa de criminalidade.
Arpaio é totalmente contra a imigração. Nos Estados Unidos é idolatrado por todos os conservadores e por todos os nacionalistas. Do outro lado, o sector da esquerda Norte-Americana não se cansa de divulgar os métodos pouco ortodoxos de conduta profissional do senhor que chegam a roçar o sádismo, violando assim os Direitos do Homem. Tudo, porque o Xerife Arpaio “pensa que pode livrar a América de todos os males que a afectam. Exclusivamente causados por imigrantes!”

A lei de imigração SB1070 no Estado do Arizona, uma lei que restringe ainda mais a imigração para o referido Estado foi bloqueada na semana passada pela juíza Susan Bolton, um dia antes de entrar em vigor. Para descontentamento de Arpaio e do sector conservador do país.
Jurídicamente esta pode ser uma manobra incipiente. A criação legislativa nos Estados Unidos é o que vulgarmente se chama de “pau de dois bicos”. Por um lado temos as emendas da constituição. Por outro lado, para a mesma matéria, os 50 Estados poderão ter dentro do seu território diferentes legislações em vigor. Qual delas deverão os Norte-Americanos respeitar? A federal ou a estatal?
Arpaio manifestou a sua indignação perante as camaras de TV. Disse que continuaria a trabalhar com o mesmo método, lançando uma autêntica caça à imigração no seu condado.

Os Estados Unidos estão a apertar o cerco à imigração. Seja ela de índole legal ou ilegal. Os Norte-Americanos pura e simplesmente não irão querer mais imigração não-qualificada. Progressivamente, as políticas de imigração Norte-Americanas estão a desenvolver acções que visam sobretudo um encerramento total de brechas existentes na fronteira com o México. Como uma das maiores comunidades enraizadas no país, qualquer Mexicano que tente entrar de forma legal ou ilegal no país será considerado de forma preconceituosa (diria irracional) como mais um que deverá querer entrar no país para estabelecer uma ponte maior para o tráfico de estupefacientes.  Daí que os Estados Unidos estejam a pressionar o governo Mexicano a encetar uma verdadeira luta contra os barões dos cartéis de droga. Como se não os houvesse entre os nacionais Norte-Americanos e Como se por exemplo, o Presidente dos Estados Unidos não fosse só por acaso o maior vendedor de armas do planeta. Não directamente, mas através de intermediários…

Daí que esteja a ser construído o maior muro fronteiriço desde o Muro de Berlim na fronteira entre o México e os Estados Unidos. Um muro ao estilo de Berlim e da Faixa de Gaza. Para que ninguém jamais tente passar a fronteira do México para os Estados Unidos.

A pergunta que vos deixo hoje é esta: se a população Norte-Americana é constituída por um fenómeno de miscenização e convivência de várias culturas, vindas de fenómenos de imigração, que moral têm os americanos para impedir que cidadãos de outros países tentem procurar a fortuna e a felicidade no seu país? Não será isto racismo e xenofobia?

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