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Memórias do Tour (Marco Pantani)

Na foto, Pantani segue na cola de Lance Armstrong. Esta foto pertence ao Tour de 2000 se não estou em erro.

Marco Pantani já nos deixou fazem 7 anos. O “Pirata” (cognome pelo qual era conhecido na alta roda do ciclismo devido ao facto de ser careca, dos piercings na orelha e do seu estilo de corrida agressivo na montanha onde Pantani atacava sem dó nem piedade) deixa-nos saudade e um legado rico em vitórias. Foi talvez o melhor trepador que vi correr, em conjunto com Indurain, Armstrong, Heras, Mayo e José Maria Jimenez. 

Venceu o Tour em 1998 perante Jan Ullrich. O meu amigo, antigo vizinho e antigo colega de equipa Luis Coelho (na altura a pessoa com quem eu via estas vibrantes etapas de montanha do Tour) relembrou-me de dois episódios marcantes dessa vitória no Tour: o dia em que Ullrich ficou a pé perante um ataque demolidor do Italiano e perdeu 8 minutos e o contra-relógio final em que o Alemão conseguiu reduzir a desvantagem em 6 minutos mas não chegou para destronar o Italiano às portas de Paris.

Quando falo do estilo de corrida agressivo do já falecido ciclista, falo obviamente daqueles ataques tresloucados em que pura e simplesmente Pantani descolava dos grupos principais sem querer obedecer a qualquer regra estratégica dos seus directores de corrida ou sem ter a mínima noção de gestão de esforço. Atacava, ia por lá a cima como um leão e era crente na vitória. Tal falta crassa de estratégia na sua corrida, tornava-o perigoso para os grandes ciclistas de provas por etapas, mesmo tomando em consideração o facto de ser um péssimo contra-relogista. No entanto, na montanha, era capaz de sugar minutos em meia dúzia de quilómetros a toda a concorrência.

Pantani fazia-o sozinho. Nos seus tempos áureos, a Mercatone Uno (uma equipa bastante modesta na qual Pantani correu nos anos 90) não tinha recursos suficientes para contratar bons “aguadeiros” (há quem utilize o termo gregários; designa a categoria de ciclista que tem como função trabalhar para os seus chefes-de-fila) para preparar o caminho para o trepador Italiano.

Surgindo no Tour e no Giro em 1994 com 1,72m e 57 kg (altura e peso ideal para um grande trepador) destacou-se logo pela vitória no mítico Alpe D´Huez, subida onde Agostinho também venceu em 1979 e cuja placa comemorativa da sua vitória se pode ver na curva onde atacou. Nesse mesmo ano fez 2º no Giro e 3º no Tour.

Em 1997, após duas quedas que colocaram em risco a sua carreira voltou a disputar o Tour, perdendo para Ullrich nos contra-relógios. Seria a única vitória do Alemão e o primeiro 3º lugar do Italiano que no ano seguinte viria a dar a paga ao ciclista da então reputada Deutsche Telekom. Depois de 1998, vieram os escândalos de doping. Pantani foi apanhado nas malhas do doping no Giro de 1999 (EPO) e jamais viria a voltar à ribalta.

Viria a ser internado em 2003 numa clínica de reabilitação por sucessivas depressões e acabaria por morrer de forma trágica em 2004 num quarto de hotel em rimini, vítima de paragem cardíaca por overdose de cocaína, abalando o mundo do ciclismo nesse ano.

Ao todo Pantani somou 1 vitória no Giro e outra no Tour, um 2º lugar no Giro, 2 3ºs no Tour, 10 vitórias em etapas de média e alta montanha no Tour e 8 vitórias em etapas no Giro (4 viriam a ser anuladas após a sua morte). Conseguiu também um brilhante 3º lugar na prova individual de estrada nos campeonatos do mundo de ciclismo em 1995. Também venceu o prémio da juventude do Tour em 1994 e 1995 e o Prémio da Montanha do Giro em 1998.

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