Tag Archives: Malásia

o “lapso” de Hamilton

Longe vão os tempos em que a McLaren e a Mercedes constituíam uma equipa oficial de f1. Apesar da McLaren (conduzida este ano pelo antigo campeão do mundo Jenson Button e pelo estonteante Sérgio Perez) ter motor Mercedes, a Mercedes constituiu-se como uma equipa e contratou Lewis Hamilton. O piloto Britânico ainda não se habituou à mudança de equipa e ontem, no Grande Prémio da Malásia, parou na box da sua antiga equipa em vez de parar na correspondente à sua nova equipa.

Todavia não foi dos maiores erros da prova de Sepang. Alonso tentou passar webber à 2ª volta e acabou a varrer a escapatória e à 7ª volta, os dois carros da modesta Force India (Adrian Sutil e Paul Di Resta) entraram em conjunto na box devido a um problema de uma porca na roda que de resto iria obrigar a equipa a retirar os dois pilotos da corrida.

No final da prova, polémica na Red Bull. A relação entre Mark webber e Sebastien Vettel não chegaram bem (segundo rumores) à Malásia e depois do Grande Prémio do país asiático pioraram. O australiano dominava a prova e era seguido pelo seu colega de equipa. Perante ordens da equipa que iam no sentido do australiano vencer a prova sem desgastar o jogo de pneus que estava a utilizar por via de uma diminuição do ritmo, o Alemão não se fez rogado e ultrapassou o seu colega de equipa. O Australiano queixou-se do comportamento do campeão mundial em título, afirmando que a equipa dá “protecção” a todas as atitudes de Vettel, numa situação em que o team radio da equipa aqui captado verifica as ordens da equipa. (como é bom haver o youtube para verificar destas coisas).

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espectáculo

Hoje decidi acordar cedo. Acordar cedo para ver um daqueles espectáculos cuja vida nem sempre me permite ver em directo: o mundial de motociclismo nas suas 3 categorias, que este fim-de-semana visitou o arejado circuito de Sepang na Malásia.

Do Moto 3, nem bom vento nem bom casamento. O do costume. Domínio completo do Alemão Sandro Cortese (KTM) numa corrida disputada sob forte dilúvio. Cortese, conquista finalmente à 3ª época na categoria o título mundial. Relembro que Cortese entrou para a Moto GP catalogado como um wonder kid da modalidade, mas esse estrelato demorou a concretizar-se na pista. É possível que o Alemão seja transferido para o Moto 2 na próxima época.

O piloto português em Moto 3 Miguel Oliveira ficou numa honrosa 5ª posição,

Na categoria de Moto 2, o espectáculo abalou Sepang. O público Malaio, em peso nas bancadas, assistiu a uma prestação memorável do piloto wildcard (convidado pela organização) Hafizh Syahrin (na imagem) piloto Malaio de 18 anos que tem rodado sobretudo pelo campeonato espanhol de 125cc para ganhar experiência. O Malaio, conhecedor da pista foi um osso duro de roer para os pilotos permanentes Gino Rea, Alex DeAngelis e Anthony West. Quedou-se pela 4ª posição mas poderia ter vencido a corrida. Foi delicioso ver Syahrin rodar voltas e voltas com o melhor tempo da pista e foi ainda mais delicioso ver o Malaio a passar de gazão a tripla acima mencionada, ultrapassagens que causaram a euforia do público presente nas bancadas. Um erro na Chicane a 8 voltas do fim estragou o sonho do wildcard, numa corrida que foi ganha pelo San Marinense DeAngelis à 15ª das 19 voltas da prova, devido a bandeira vermelha hasteada pela organização derivado do mau tempo que se abateu durante a corrida.

De referir que na luta do título, Marc Marquez não se sagrou campeão virtual em Sepang por dois pontos. O piloto espanhol caiu à 12ª volta da prova. Já o seu rival Pol Espargaró pontuou apenas 5 pontos, fruto de um pobre 11º lugar. O campeonato ainda não está decidido mas o mais certo é que Marquez se sagre campeão na próxima corrida em Phillip Island (Austrália). Para isso apenas necessita de pontuar (12º lugar).

Em Moto 1, Dani Pedrosa estragou os planos a Jorge Lorenzo. Numa prova também marcada pela chuva, o piloto da Honda foi declarado vencedor a 5 voltas do fim (corrida decidida por interrupção da competição) ganhou 5 pontos ao seu compatriota e adiou a decisão do título para a Austrália.

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Acalmar o mar do Sul da China

Por Gareth Evans, Ex-ministro dos Negócios Estrangeiros australiano e reitor da Universidade Nacional da Austrália

“O Mar do Sul da China – considerado há muito tempo, juntamente com o Estreito de Taiwan e com a península coreana, uma das três áreas problemáticas da Ásia Oriental – está a fazer ondas novamente.

A China anunciou o envio de um contingente de tropas para as Ilhas Paracel, a seguir ao mês em que os que reclamam os seus direitos nos limites territoriais intensificaram a sua retórica, a presença naval em áreas sob disputa tornou-se mais visível e os chineses dividiram a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), cujos ministros dos Negócios Estrangeiros podem não concordar com um comunicado, pela primeira vez, em 45 anos.

Tudo isto tem abalados os nervos – tal como aconteceu com o posicionamento militar semelhante e com braço de ferro diplomático, entre 2009 e meados de 2011. Não é de admirar: alongando-se de Singapura a Taiwan, o Mar do Sul da China é a segunda via marítima mais movimentada, com um terço do trânsito marítimo mundial a atravessá-la.

Mais estados vizinhos têm mais direito a mais partes do Mar do Sul da China – e tendem a empurrar essas reivindicações com um nacionalismo mais enérgico – do que qualquer outro caso de extensão de água comparável. E agora ele é visto como um importante campo de testes para a rivalidade sino-americana, com a China a estender as suas asas novas e com os Estados Unidos a tentar cortá-las o suficiente, para manter a sua própria primazia regional e mundial.

As questões legais e políticas associadas às reivindicações dos limites territoriais – e os recursos marinhos e energéticos e os direitos de navegação que os acompanham – são assombrosamente complexos. Os futuros historiadores podem ser tentados a dizer sobre a questão do Mar do Sul da China o que o lorde Palmerston disse famosamente sobre Schleswig-Holstein, no século XIX: “Apenas três pessoas compreenderam-no. Um está morto, outro ficou louco e o terceiro sou eu – e eu esqueci-me”.

A questão territorial central gira actualmente em torno do interesse declarado da China – demarcado com imprecisão no seu mapa “tracejado com nove linhas” de 2009 – em quase todo o Mar. Tal pretensão cobriria quatro grupos de características terrestres: as Ilhas Paracel, no Noroeste, também reivindicadas pelo Vietname, o Banco Macclesfield e o Recife Scarborough, no Norte, também reivindicados pelas Filipinas e as Ilhas Spratly no Sul (reivindicado de várias maneiras pelo Vietname, pelas Filipinas, pela Malásia e por Brunei, em alguns casos uns contra os outros, bem como contra a China).

Houve uma luta entre os vários reclamantes para ocupar o maior número possível – algumas não são muito mais do que rochas – destas ilhas. Isto é em parte porque, ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, a qual todos estes países ratificaram, os proprietários soberanos de afloramentos podem reivindicar um total de 200 milhas náuticas da Zona Económica Exclusiva (permitindo a exploração exclusiva da pesca e dos recursos do petróleo), caso eles possam manter uma vida económica própria. Caso contrário, os proprietários soberanos podem reivindicar apenas 12 milhas náuticas das águas territoriais.

O que fez aumentar a preocupação da ASEAN sobre as intenções de Pequim é que, mesmo que a China pudesse razoavelmente reclamar a soberania sobre todos os recursos terrestres no Mar do Sul da China, e caso todos eles fossem habitáveis, as Zonas Económicas Exclusivas que foram com eles não incluiriam nada como todas as águas dentro da linha tracejada do seu mapa de 2009. Isto tem provocado receios, com fundamento, de que a China não está preparada para agir dentro dos limites estabelecidos pela Lei da Convenção do Mar e de que esteja determinada a fazer alguma reivindicação, mais ampla, baseada na história.

Uma forma sensata de seguir em frente começará com todos a ficarem calmos em relação às provocações externas da China e às batidas de tambor nacionalistas internas. Não parece haver nenhuma posição maximalista alarmante e monolítica, adoptada pelo governo e pelo Partido Comunista, com a qual a China esteja determinada a avançar. Em vez disso, de acordo com um excelente relatório divulgado em Abril pelo Grupo de Crise Internacional, as suas actividades no Mar do Sul da China, ao longo dos últimos três anos, parecem ter surgido a partir de iniciativas descoordenadas de vários actores domésticos, incluindo os governos locais, as agências de aplicação da lei, as empresas estatais de energia e o Exército Popular de Libertação.O ministro dos Negócios Estrangeiros da China compreende as restrições de direito internacional, melhor do que a maioria, sem ter feito nada até agora para as impor. Mas, por todas as recentes actividades do ELP, e outras actividades, quando a transição da liderança do país (o que fez com que muitos representantes centrais importantes ficassem nervosos) estiver concluída no final deste ano, não há razão para esperar que uma posição chinesa mais comedida seja articulada.

A China pode, e deve baixar a temperatura, se readoptar o conjunto modesto da redução de risco e as medidas de confiança acordadas com a ASEAN em 2002 – e criar um código de conduta novo e multilateral. E, mais cedo ou mais tarde, precisa de definir com precisão, e com referência aos princípios compreendidos e aceites, aquilo que as suas reivindicações são realmente. Só então poderá ser dado qualquer crédito à sua posição declarada – não sem atractivos, em princípio – a favor de acordos na partilha de recursos para os territórios sob disputa enquanto se aguarda a resolução final das disputas territoriais.

Os EUA, por seu lado, enquanto justificam a sua adesão aos reclamantes da ASEAN para atrasar o excesso chinês de 2010-2011, deve ter cuidado com a escalada da sua retórica. O “ponto central” militar dos EUA para a Ásia deixou as sensibilidades chinesas um pouco frágeis e o sentimento nacionalista é mais difícil de conter num período de transição de liderança. Em qualquer caso, a preocupação dos Estados Unidos sobre a liberdade de navegação nestas águas sempre pareceu um pouco exagerado.

Um passo positivo, e universalmente bem-vindo, que os EUA poderiam dar seria finalmente para ratificar a Lei da Convenção do Mar, cujos princípios devem ser a base para a partilha pacífica dos recursos – no Mar do Sul da China, como em outros lugares. Exigir que os outros façam como se diz nunca é tão produtivo como pedir-lhes que façam como se faz.”

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Mais que azar

Regista-se o falecimento de uma jovem promessa do motociclismo Marco Simoncelli. Decidi não publicar as imagens do aparatoso acidente que se registou hoje na Malásia para não ferir os leitores mais sensíveis.

A morte de Simoncelli regista-se numa altura em que a federação internacional de motociclismo se prepara para mudar as cilindradas das categorias presentes no Moto GP (125cc a 4 tempos passa a ser 250cc a dois tempos; 250 passa para 500 e 500 vai até 800) para a próxima época e quando algumas escuderias presentes se tem queixado da falta de segurança e das falhas de alguns traçados presentes no campeonato.

É muito mais que azar.

 

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