Tag Archives: Luis Marques Mendes

é demasiado triste

quando o primeiro-ministro primeiro corresponde-se por carta com o líder do principal líder da oposição e passado meia dúzia de dias já o convence a tomar o chá das 5.

quando o líder parlamentar do principal partido do governo (Luis Montenegro), aquele que outrora iniciava debates parlamentares a fazer perguntas de retórica ao primeiro-ministro sobre os erros danosos das legislaturas socialistas, está mortinho que os socialistas aceitem participar da coligação para que o governo possa mascarar os erros efectuados nos últimos 2 anos ao nível da nossa economia e assim possam abrir a arca de pandora da tolerância do Fundo Monetário Internacional nas 6ª e 7ª avaliações deste ao nosso plano de resgate.

quando um cavalo de batalha político chamado Luis Marques Mendes vem para a televisão dizer com rigor os 4 mil milhões de euros que serão cortados no orçamento de estado, de uma só rajada e com uma technique digna de um bom talhante, antes do próprio orçamento ser conhecido em sede própria.

quando uma Manuel Ferreira Leite, afirma, em terras de liberdade, que o melhor caminho será a suspensão temporária da democracia.

ainda há uns dias atrás, o meu amigo Pedro Morais Coimbra citava-me os correctos exemplos de democracia dos países nórdicos. dizia o Pedro que na Islândia “o povo não poupou banqueiros e governantes” aquando do rebentamento da bolha financeira naquele país, tomou novamente o poder, negou-se a pagar a dívida que os seus banqueiros tinham contraído junto de bancos ingleses e holandeses e baralhou e voltou a dar com a aprovação por referendo de uma nova Constituição. Na Noruega, quando um governante afirmou que tinha considerado bem a morte de um imigrante africano pela polícia de Oslo depois deste se ter envolvido numa rixa com um grupo local de skinheads, o povo saiu pacificamente à rua, o governante em causa não teve outra hipótese senão pedir a demissão e nessa manifestação não se via um único polícia.

pergunta-se a Manuela Ferreira Leite se porventura conhece o conceito de “democracia participativa de base”.

se não conhece passo a explicá-lo. através do voto, são os cidadãos os detentores dos direitos de eleição dos seus representantes nas esferas governativas e dos seus representantes nas esferas que tem o poder de legislar. o próprio estado é legitimizado e limitado pela lei. o poder pertence ao povo. pelo voto fazem-se representados, pelo direito à indignação, à greve e à manifestação pacífica podem efectivamente destituir os que fizeram representar. simples. se existirem dúvidas, este texto do excelente Constitucionalista Paulo Bonavides pode ser bastante esclarecedor.

outro aspecto que não deixa de ser caricato no discurso da antiga ministra das finanças é efectivamente a defesa da classe média. num estilo Robin Hood tosco que pode convencer muito otário de provincia mas não convence quem realmente é conhecedor do passado. falamos da ministra que, na sua altura de Ministério castigou de forma dura a classe média com impostos. estavamos de tanga, dizia aquele que um dia abandonou esse mesmo governo para se colocar ao sol em Bruxelas.

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A verdadezinha do dia

“Se não há combinação de preços entre marcas há intervenção divina.”

Luis Marques Mendes a propósito dos preços dos combustíveis.

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Que futuro para o PS?

A meu ver, a vitória do PSD nas eleições legislativas trouxe outro factor que o partido não estava habituado: uma liderança coesa.

Depois de uma série de anos em que o PSD não conseguia encontrar um líder que reunisse consenso entre os principais rostos (Menezes, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes) ao vencer, Passos Coelho tornou-se o líder que reúne (bem ou mal) o consenso dos principais rostos dirigentes do partido.

Já com o PS deu-se o efeito contrário. Saídos da forte liderança de José Sócrates, o futuro começa a tornar-se muito negro para o partido na oposição.

Se por um lado torna-se necessário ao PS a eleição de um líder forte, capaz de assumir perante o governo os compromissos que o partido estabeleceu na éra Sócrates e capaz de se mostrar como alternativa ao governo na discussão de determinadas políticas, não creio que Francisco Assis ou António José Seguro sejam os líderes que o partido necessita.

Nunca fui fã de Assis. Assis fala demais e quando fala opta por discursos completamente ridículos, deixando as pessoas na dúvida se ele acredita mesmo no que está a dizer ou se as declarações não passam de mais um período pouco lúcido de confusão intelectual da sua cabeça.

Seguro é um pão sem sal do Partido Socialista. É um dos “boys” que a bom da verdade mais promete fazer do Partido Socialista uma “mosquinha morta” no Parlamento do que num partido “acutilante” a fazer oposição.

E a bom da verdade, perante estas duas opções venha o diabo e escolha.

António Costa, Ferro Rodrigues, Augusto Santos Silva ou Pedro Silva Pereira seriam melhores opções para a liderança do Partido Socialista. Mas…

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