Tag Archives: Luis Amado

facas de três bicos

O Costa do Castelo desistiu.

Seguro deu o sinal de alarme mas também se soube precaver. Apesar de ter perguntado qual era a pressa na convocação de um congresso quando tinha sido ele a apressar esse mesmo congresso na AR, havia sempre a questão das eleições à Câmara da Capital. António Costa sabia perfeitamente que não havia alternativa no PS\Lisboa às eleições autarquicas. Podia-se optar por uma solução de recurso dentro do “socratinismo” para Câmara que até pudesse lutar pela vitória contra Seabra (Pedro da Silva Pereira, Luis Amado ou até Carlos Zorrinho) mas essa hipótese seria sempre vista como a 2ª escolha para o cargo por parte de um partido que precisa de subir no barómetro.

António Costa sabia perfeitamente que não se podia tornar líder do PS antes das autárquicas (teria que obrigar o partido a manobras que poderiam não resultar nas eleições) ou depois das autárquicas (os lisboetas não seriam parvos e não iriam votar em alguém que iria abdicar a meio do mandato para se tornar candidato às legislativas). Em qualquer um dos cenários, a decisão de António Costa parece-me a mais sensata para a unificação do partido mas não me parece a mais sensata para o futuro pois António José Seguro não deverá constituir-se como alternativa a este governo. Creio que entretanto aparecerá alguém da ala “socratista” que irá empurrar Seguro para o lugar do qual ele jamais deveria ter saído.

Ganhar as autárquicas em Portugal significa, ao nível de mediatismo, barómetro de popularidade dos partidos e fidelização de eleitorado para as próximas legislativas ganhar uma dúzia de câmaras muncipais: Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Maia, Matosinhos, Coimbra, Braga, Amadora, Sintra, Almada, Oeiras, Leiria e Viseu. Só nestas Câmaras Municipais, a brincar a brincar, concentram-se quase 2,5 milhões de eleitores, número que é mais coisa menos coisa metade do número de votantes habituais, pautando a abstenção que se registou nas últimas legislações.

No caso de Lisboa, o partido que vencer a Câmara sobe nos índices mediáticos e no barómetro de popularidade. Portanto, torna-se essencial para PS e PSD disputarem a capital com o presidente em mandato e com um opositor que é amado em Sintra e é popular em Lisboa. Uma derrota nas autárquicas poderá ser o golpe de misericórdia neste governo. Creio que não será porque o executivo cai antes. Mas…

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tiro no tecto

O socialista Luis Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, mencionou entre outras baboseiras que a Guiné-Bissau poderá efectivamente tornar-se um “estado falhado”.

Perdão? Já não é? – pergunto.

Muitos argumentos se podem atirar aos políticos portugueses do pós-25 de Abril devido à descolonização à pressão que foi feita nas nossas antigas colónias. Já sabemos o que se passou porque a história nos encarregou de contar.

Desde menino que assisto a um país devastado pela pobreza, pela corrupção e pelo assassinato político na Guiné-Bissau.

A História ensinou-nos que existiam duas facções principais na Guiné: as de Nino Vieira (entretanto brutalmente assassinado pelos Militares que na semana passada executaram a revolução) e a facção oposta a Nino Vieira, comandada durante anos por Kumba Yala, pertencente aos Balanta (grupo étnico da região do Cachéu), ex-presidente da República Guineense, também ele deposto em 2003 por um golpe militar.

Resumidamente, a história da Guiné-Bissau enquanto país resume-se a 5 pontos: pobreza, corrupção governamental, narcotráfico (a Guiné é uma excelente porta de entrada da droga vinda da América Latina para a África e para a Europa) falta de democraticidade tanto ao nível governamental como institucional, sucessivos golpes de estado provocados pelas facções e pelo exército e fuga dos seus cidadãos para campos de refugiados nos países vizinhos (principalmente para o Senegal).

Falamos portanto de um país pobre que pode ser considerado um dos raros case-studies de disfunção do que deve ser um estado democrático adequado à exigência dos mercados internacionais.

Mais uma vez, a análise sobre este tipo de estados falhados deve ter em consideração o facto da Guiné-Bissau ter sofrido a lavra de um caminho que não respeitou a evolução natural daquilo que deve ser a democracia no mundo global. A Guiné-Bissau, como tantos países descolonizados pelas grandes potências, não foi acompanhada no crescimento enquanto país. Portugal despojou-se da colónia e atirou os pobres guineenses (sem saber como fazer uma democracia) para um mundo onde as exigências económicas e os interesses dos grandes líderes tribais na sua luta pelo poder (que se deve considerar autocrata) suplantaram a construção democrática, ou seja, a construção de uma democracia sólida entre os seus sucessivos governos e a construção de um institucionalismo forte, democrático e sempre disponível para auxiliar a construção social para a paz.

A Construção Democrática não é algo que aconteça de um dia para o outro. Até as democracias mais sólidas (continuo a repetir que a experiência norte-americana não se deva considerar como uma democracia sólida) como as democracias dos estados europeus, não foram construídas de um momento para o outro. Existiram avanços e recuos, mudanças de sistema político, instauração de regimes constitucionais, cartistas, déspotas, avanços e recuos nos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, derramamentos de sangue e guerras civis.

Não podem exigir, num mundo onde a globalização obriga a que os países se adequem rapidamente às exigências dos mercados para poderem subsistir (e para poderem mover a economia nacional) que um dado país se consiga reconstruir (a todos os níveis) à mesma velocidade que são feitas as transacções nos mercados. Será um erro incutir aos países pobres que se metam na aventura da globalização sem antes trilhar um caminho de democracia que respeite pelo menos internamente aspectos básicos como o domínio da força por parte do estado (o chamado monopólio da violência) o domínio de todos os recursos territoriais, naturais e económicos por parte do estado (cabendo-lhe posteriormente optar por um sistema de gestão nacional ou privado dos mesmos) a consolidação e respeito pelos Direitos Humanos, pelos DLG´s dos cidadãos, a criação de um mecanismo governativo que possa ser legitimado pela lei e que não cometa abusos sobre os seus cidadãos. Será um erro incutir aos países como a Guiné-Bissau um modelo faseado de crescimento económico que promova a ganância por parte das suas elites, como foi o caso. Será um erro do país que outrora colonizou não apoiar (a todos os níveis) o desenvolvimento da paz e da democracia no país. Portugal limitou-se a desocupar a Guiné, a conceder a independência da Colónia e a abrir um parco apoio técnico na formação cultural e técnica do país, abrindo meia dúzia de vagas nas suas universidades para formação superior de cidadãos guineenses.

Tal despojo do governo português só poderia redundar num enorme fracasso do estado guineense. Luis Amado é pateta. Se não é pateta, deverá ler a História. Até nas entrelinhas está escrito o que acabei de escrever.

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O tirano!

Nos últimos meses, azedou-se a relação entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros Luis Amado e o Primeiro-Ministro demissionário José Sócrates.

Amado, colocou-se a ferro e fogos entre os seus “camaradas” graças às afirmações bombásticas que proferiu sobre o seu governo e sobre o papel do seu partido na governação.

Como tal, o tirano Socialista José Sócrates não conta com ele para os próximos episódios. Amado foi literalmente “despedido” do governo e da Comissão Política Socialista. Com José Sócrates ao leme dos Socialistas, Amado é uma carta fora do baralho.

É a paga para quem dizer as verdades a quem não as aceita ouvir. Com 93,3% de legitimidade ao nível interno, Sócrates faz o que bem lhe apetece entre o Reino Xuxialista. Luis Amado parece o único ministro completamente afastado do centro de decisões do partido. Apenas porque ousou dizer que as verdades a quem não as aceita ouvir.

O pior deste cenário chama-se Pedro Passos Coelho. A dar tiros nos pés como o líder do PSD está a dar, Sócrates ainda se arrisca a ser re-eleito. É um cenário que amedronta o futuro do país. Mas é um cenário possível.

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“Este homem não é do governo socialista”

Eis que parece existir alguém realista no Governo Socialista.

Luis Amado “está numa de contra”.

Depois de afirmar há uns dias atrás que o regime de Khadafi está “acabado” para a Comunidade Internacional, o Ministro dos Negócios estrangeiros previu hoje um cenário de eleições antecipadas para o seu país, ou seja, a queda do seu próprio governo.

Todos sabemos que o PEC IV irá ser chumbado na próxima quarta-feira. Todos os dias o PSD faz menção de nos lembrar que quarta vai votar contra o novo pacote de medidas. Tortura. Todos nós sabemos perfeitamente que toda a oposição irá derrubar este governo quarta-feira. A não ser que Sócrates seja mais teimoso que a burra e mesmo assim continue agarrado ao poder. Disso é o “engenheiro” bem capaz. Quem escapa incólume a mestrados forjados, processos de corrupção, discursos que apontavam para a construção de um “país mais pobre” e às falsas promessas de 150 mil postos de emprego num 1º mandato que acabaram por se constituir num aumento gigantesco do desemprego, é capaz disso e de muito mais.

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Qualquer semelhança é pura coincidência


Previamente, peço-vos para ler o post que escrevi aqui neste blog no passado domingo.

1. Luis Amado viajou diversas vezes à Líbia com o objectivo de negociar e estabelecer a cooperação comercial do nosso país com o país de Kadafy.

2. Kadafy retribuiu o gesto pouco tempo depois numa visita oficial ao nosso país.

3. Kadafy foi alvo de revolução do seu povo. O povo Líbio quer destronar o seu líder. Kadafy atira fogo contra os cidadãos nacionais que participam na sublevação.

4. Na ONU, o Português José Moraes Cabral foi o escolhido para presidir o Comité de Sanções contra o ditador Líbio. Esperemos que desempenhe a sua função com brio, isenção e competências, como aliás, não devemos esperar outros valores na missão que lhe foi confiada.

5. Portugal tem grandes relações comerciais com o regime de Kadafy.

6. Kadafy envia emissários à NATO, à ONU e a alguns países entre os quais Portugal.

7.Isto remete-me para um comentário futebolístico que sempre adorei: ” faz 1-2, faz 1-2, executa a tabelinha e entra no espaço a finalizar”

8. Toda esta junção de factos também me remete para este post no Aspirina B, em que Isabel Moreira criticava a opinião de Bruno Sena Martins neste post no Arrastão. Na altura fiz questão de lhe explicar o que eram jogadas de bastidores em diplomacia e até lhe aconselhei um excelente livro do antigo embaixador João Calvet de Magalhães. Com esta junção de factos, espero que a Isabel não fique chateada connosco: o Bruno tinha razão. Eu tinha razão. Que já há gato, há.

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Para a Dra. Ana Gomes

Leio aqui no Causa Nossa.

Respeitando a inteligência e a excelência diplomática que sempre reconheci à Dra. Ana Gomes, refiro que aquilo que enuncia no post está certo. As soluções enunciadas pela Dra., deveriam ser de facto as decisões que a delegação Portuguesa deveria tomar no Conselho de Segurança como membro permanente.

O que me causa alguma estranheza neste post é o facto de me querer parecer que a Dra. ou “vive no mundo do sonho da utopia” ou então está claramente desconexada em relação às matrizes do seu líder partidário e do seu co-partidário Luis Amado e da extrema cooperação que o governo socialista travou com o regime de Kadafy.

Apelar junto do Conselho de Segurança os 3 pontos que a Sra. Dra. enunciou no post seria sem dúvida a atitude a tomar por parte dos Portugueses. Por parte dos Portugueses e por parte dos outros países que são membros permanentes do CS.

Mas, ia agora o Portugal Socialista virar-se contra o amigo Kadafy depois de todas as “festarolas” em que Luis Amado participou em Trípoli na celebração do aniversário do regime e da retribuição que foi dada em Portugal em 2007?

Não creio que tal atitude venha a ser coerente com os laços que o governo do seu partido criou com o ditador…

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