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em White Hart Lane

Verthonghen

Que lição de futebol de AVB em White Hart Lane esta noite. Não é que o Inter ande a jogar muito nos dias que correm porque não anda. No entanto não há que esquecer que os nerazurri estão em profunda remodelação de plantel e miúdos como Mbaye Ibrahima, Juan Jesus, Matías Schelotto, Joel Obi, Marco Benassi, Lorenzo Crisetig, Matteo Columbi, Matteo Kovacic, Niccolo Belloni e Marko Livaja tem carímbo de qualidade para dar frutos no futuro. É certo, porém, que em fases de renovação de plantel (e pouco dinheiro) existem uns erros de casting, casos de Zdravko Kuzmanovic, Tommaso Rocchi e Gaby Mudingayi, jogadores cuja contratação por parte do Inter não tem, a meu ver, justificação plausível que não a falta de dinheiro para objectivos maiores. Daí o facto do Inter se estar a ver à rasca para conseguir um lugar que lhe dê a Champions neste ano.

Futebol total. Villas-Boas mudou a receita em relação ao Porto. Não tinha como não mudar. Do futebol de contenção apanhou um Tottenham que só sabe atacar e bem. O jogo de hoje foi mais uma demonstração de força do meio-campo e do ataque dos Spurs, conseguido em muito por uma solidez defensiva, coisa rara nos dias que correm na equipa de Londres, tendo em comparação o período Redkanapp. A política de contratação do clube, baseada na filosofia de ataque que a direcção de Daniel Levy incutiu no clube na última década assim o obriga, mas o futebol de hoje também obriga a que os clubes que gostam de atacar tenham solidez defensiva, coisa que o Tottenham de Redknapp não o teve, um pouco graças ao parco reforço das sucessivas defesas do clube. O paradigma tem vindo a mudar no clube do Norte de Londres com a contratação de Jan Vertonghen (na imagem) e a consolidação de Kyle Walker e Benoit Assou-Ekotto como 2 dos melhores laterais do mundo. Do mundo, sim. Contudo, falta mais qualquer coisinha. Gosto de Michael Dawson e Bougherra. São centrais super agressivos mas comprometem variadíssimas vezes. Vertonghen, pelo contrário, é agressivo mas ao mesmo tempo elegante. Tem um toque de bola excepcional, raro até, para central. Ganha pontos pelo facto de ser muito versátil: joga bem a central, a lateral-esquerdo e a trinco. Em conjunto com o seu compatriota Moussa Dembéle, não destoa em nada desta prodigiosa geração Belga.

O meio-campo de Villas-Boas é simplesmente prodigioso e isso viu-se hoje. Três esteios defensivos fortíssimos: Sandro, Parker e Huddlestone. É nele que reside o equilíbrio defensivo da equipa. Principalmente em Scott Parker, um todo-o-terreno disposto a tudo: a desarmar, a construir e a driblar se for preciso. Sigurdsson mais à frente encaixa bem mas ainda deixa recordações de Modric. O Islandês enche bem o pé de longe mas está longe do brilho, da magia e do toque de bola do internacional croata agora jogador do Real. Mais perto está Lewis Holtby, alemão contratado em Janeiro em Schalke 04 que hoje entrou para dar o toque de misericórdia à turma de Stramaccioni que, diga-se de passagem, andou moribunda em Londres. Creio que se AVB pudesse dispor do croata e de um central igual a Vertonghen, estaria hoje calmamente a ombrear com os clubes de Manchester pelo título. Nas alas, Bale e Lennon. Lennon gera o 2º golo desta noite numa das suas arrancadas gigantes com Álvaro Pereira a ver passar a banda. Bale oscilou entre a esquerda, a direita e o centro. O Galês já evoluiu de lateral-esquerdo para extremo. No final da era Redknapp já jogava na direita e a 10. Com AVB é cada vez mais 10 que outra coisa e está a tornar-se um caso sério no futebol mundial. Na frente, sempre bem fornecido pelos extremos, o ressuscitado Defoe pôs definitivamente a cabeça em água a Andrea Rannochia e Christian Chivu. Pelo meio, no ataque dos Spurs ainda existem Emmanuel Adebayor, Moussa Dembéle e Clint Dempsey, ou seja, um conjunto de soluções para todos os gostos, soluções essas que Redknapp não dispôs nos anos em que esteve no clube.

Nesta ronda de jogos houve resultados que me surpreenderam. A vitória do Basileia frente ao Zenit. Dragovic, Cabral, Zoua, Xhaqa, Streller e companhia continuam a surpreender a europa. Tinha o Zenit como favorito à vitória na competição, o Atlético como segundo, o Tottenham como 3º. Mudo as apostas para Londres. A vitória categórica do Steaua contra o Chelsea e o empate do Newcastle na Rússia no terreno do perigoso Anzhi antevêem dois bons jogos para a semana. Papiss Cissé é daqueles avançados ao qual não se deve dar um milímetro de área. O mesmo acontece com o seu antigo colega de ataque nos Magpies (Demba Ba; agora no Chelsea) se bem que este último ainda não se adaptou ao futebol da equipa de Stamford Bridge, futebol esse que é bem diferente do chutão longo que se pratica no Norte.

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north london derby

bale

bale 2

lennon

lennon 2

lennon 3

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isto sim é inacreditável (2)

O Beto teve uma paragem cerebral e ficou a meio do caminho. Levou a chapelada. Tinha de ser. E no 3º golo, o Manchester faz gato-sapato da defesa do Braga. No entanto há que dizer que este Braga deverá ter feito um dos melhores jogos da sua história e complicou em muito a vida ao United nas duas partidas realizadas.

No Dell´Alpi, o Chileno Arturo Vidal (grande jogador!!) marcou um golo à platini. Não pelo facto do actual presidente da UEFA ter sido um dos grandes jogadores da história da Vecchia Signora mas sim pelo facto do seu sistema de UEFA privilegiar a entrada na competição de equipas que não tem ponta por onde se lhe pegue, caso destes Dinamarqueses do Nordsjaelland.

Pyatov fez companhia a Beto. Não fosse o duplo erro do internacional Ucraniano e o Shakhtar Donetsk teria saído de Stamford Bridge com uma vitória contra o poderoso Chelsea. Mais um que fica na retina, embora já o conhecesse de outras paragens: Willian. Não tardará muito e estará num grande europeu. Até lá cuidado com este Shakhtar. É a equipa mais perigosa em contra-ataque do futebol europeu. Ganhar ao Chelsea em casa e vir jogar de peito aberto com um futebol de ataque bem pensado e extremamente flanqueado a Stamford Bridge não está ao alcance de qualquer equipa. Pena foi o golo de Victor Moses ao cair do pano. De Brasileiro para Brasileiro, Oscar é qualquer coisa… aquela precisão de passe é absolutamente deliciosa. Cada vez mais o patrão do meio campo deste Chelsea de Di Matteo.

p.s: nota final para a goleada do Bayern por 6-1 contra o Lille. aquela máquina avassaladora lá na frente dos Bávaros faz-me posicioná-los como os principais candidatos à Champions deste ano.

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De Londres #26 – dos inacreditáveis e eternos campeões

Nos 100, nos 200, nas estafetas, futuramente nos 400 e nas esfetas de 4×400, o salto em comprimento e talvez o triplo-salto. De Bolt poderemos esperar tudo.

Bolt não é deste mundo. Ouros com recorde olímpico nos 100. Bateu Blake nos 200 contrariando todos os prognósticos. Já nos 100, bater homens como Gatlin ou Asafa Powell (teve uma despedida triste dos jogos com uma caibrã na final dos 100) não está ao alcance de todos.

Provou ser o melhor velocista de sempre. Compará-lo com Carl Lewis ainda é prematuro pois ainda não vimos o Jamaicano no salto. Estou seguro que veremos num futuro próximo.

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De Londrs #24 – das belas fotografias olímpicas

Nikishori (Japan) – fotografia de Mark Blintch para a Reuters.

400 metros barreiras pela máquina de Max Rossi\Reuters

Shin A. Lam da Coreia do Sul chora a derrota na sua prova de esgrima – fotografia de Fabrizio Bensch para a Reuters.

Jules Bresset ganha o ouro olímpico para a França na prova feminina de cross-country. Fotografia de Cathal McNaughton para a Reuters.

Alexander Kristoff da Noruega vence o sprint pela medalha de bronze na prova masculina de ciclismo de estrada. Foto do site da União Ciclistica Internacional\Protour

Emanuel Silva e Fernando Pimenta mordem a medalha de prata como se ouro se tratasse. A Alegria dos heróicos portugueses. Foto de Kim Young para a Reuters.

O Britânico Ben Ainslee na Vela.

Jéssica Augusto – Fotografia de Eddie Keogh para a reuters.

Turquia vs Croácia em basquetebol feminino – Mike Segar – Reuters.

Fortunato Pacavira de Angola na prova de C1 1000 metros – Jim Young para a Reuters.

Dinamarca vs Coreia do Sul – Torneio masculino de andebol – Reuters

A espantosa Gabrielle Douglas dos EUA, novo mito da história da Ginástica – Brian Snyder para a Reuters.

O mais frágil dos irmãos Brownlee vence o Triatlo Olímpico depois de uma luta intensa com o seu irmão Jonathan e com o espanhol Jordi Gomez.

O mítico Chris Hoy no ciclismo de pista.

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De Londres #23 – dos portugueses

Ouvi hoje o chefe da missão olímpica Mário Santos fazer o balanço da participação dos Portugueses nos jogos olímpicos ontem encerrados e alinhar baterias para o início da próxima missão olímpica.

Há alguns dias atrás, ouvi o presidente do Comité Olímpico Português Vicente de Moura fazer vários statements que vão na mesma onda do que ontem foi dito por Mário Santos.

Santos reclama mais apoio, reclama uma mudança na programação da próxima missão olímpica e afirma que “alguns atletas voltam sem saber as regras do jogo” – é certo que esta última frase indica um mau-estar que se sentiu na aldeia olímpica londrina entre a comitiva portuguesa e indicia obviamente uma boca declarada para alguns atletas como Carolina Borges.

Já o presidente do Comité Olímpico afirmou que vai falar com o Governo para que juntos, a tutela e o organismo que preside (ad-eternum, diga-se) possam dialogar com vista a uma mudança de paradigma nos apoios que a tutela dá ao desporto português.

O que é que será preciso para que Portugal comece a ter rendimento desporto internacional de topo?

Depois do balanço da comezinha participação portuguesa em Londres, salva do grau de catástrofe por 2 guerreiros na canoagem, existe vários aspectos que devem ser realçados.

Desportivamente, existiram alguns atletas in e outros out:

Dos in, destaco Emanuel Silva e Fernando Pimenta (em particular) e a delegação da canoagem em geral no topo de pirâmide da participação lusa nos Jogos.
Heróis. Fernando Pimenta, Emanuel Silva, Teresa Portela, Beatriz Gomes, Joana Vasconcelos e Helena Rodrigues. Cada tiro cada melro. Uma medalha espectacular que por poucos centésimos não deu em ouro olímpico e várias finais. Temos que ter em pano de fundo o contexto da evolução da canoagem em Portugal.

A Federação Portuguesa de Canoagem tinha em 2010 2270 atletas federados, espalhados por vários clubes do norte para o sul, números equiparáveis a um número mais ou menos idêntico em 1996. Apesar de ser uma estável federação, há 20 anos atrás quem dissesse que um canoísta português conseguiria atingir uma medalha em 1992 seria acusado de louco. Lentamente todo este cenário viria a mudar. No inicio de século, a federação que um dia viu-lhe ser retirada o regime jurídico de instituição de utilidade pública (regime que só lhe seria devolvido em 2004 depois de um 7º lugar de Emanuel Silva nos Jogos de Atenas em k1) avançou-se para a construção de infra-estruturas que permitissem criar uma fábrica de campeões. Falo do centro de alto rendimento de Montemor-o-Velho no Mondego e para a contratação de um técnico de elite, o polaco Ryzhard Hoppe. Os títulos começaram a chegar lentamente: Emanuel Silva nos juniores e seniores, uma final olímpica, títulos e medalhas mundiais por intermédio de Emanuel, Fernando, Teresa Portela, Beatriz Gomes e Joana Vasconcelos nos mundiais séniores e sub-23. Estou certo que a canoagem portuguesa não ficará por aqui ao nível de evolução visto que as bases do sucesso para o futuro estão construídas.

A minha segunda nota positiva continua na água. A dupla Fraga\Mendes quase fez história no Remo. Sem apoios nem ajudas, esta dupla teve inclusive que mudar de clube do Sport Club do Porto para o Sporting para poder competir a alto-nível. Da final B de Pequim saltaram para um honroso 5º lugar em Atenas. Devidamente apoiados poderão saltar do 5º lugar de Londres para uma medalha olímpica daqui a 4 anos.

A terceira nota positiva vai para o Ténis de Mesa portugues. Marcos Freitas foi longe no torneio individual e por equipas, conjuntamente com João Pedro Monteiro e Tiago Apolónia, protagonizou outro dos momentos altos da participação nacional em Londres ao bater o pé nos quartos-de-final à selecção Sul-Coreana (2ª no ranking mundial, medalha de bronze em Pequim e medalha de Prata nos jogos) e colocando um pavilhão inteiro onde só se ouvia a palavra Portugal. Os três portugueses deram o que puderam e o que não puderam contra asiáticos, todos eles bem melhor colocados no ranking mundial (o melhor português é Marcos Freitas; ocupa a 24ª posição do ranking mundial) – estes três atletas, pela sua juventude, também poderão evoluir muito para os Jogos de 2016.
No ténis de mesa podemos constatar como a partida dos nossos melhores atletas para o estrangeiro trouxe mudanças significativas na sua evolução. Marcos Freitas tem 23 anos e joga num clube da 1ª divisão francesa (Pontoise Cergy) depois de 5 anos a representar um clube Alemão e galgou 7 posições no ranking mundial com a participação olímpica, sendo um dos melhores europeus nesse mesmo ranking). Tiago Apolónia e João Pedro Monteiro jogam na Bundesliga Alemã e já ganharam títulos pelos seus clubes.

A quarta nota positiva vai para o triatleta João Silva. Um honroso 9º lugar numa prova difícil para a qual o Português não se preparou devidamente, fruto de várias lesões que teve nos últimos 2 anos. Com uma preparação séria poderá lutar por mais daqui a 4 anos.

A quinta nota positiva vai para o Badminton Português. Telma Santos conquistou para a modalidade a primeira vitória portuguesa em 20 anos de participação. É mais uma modalidade que carece de apoios e que acima de tudo carece de clubes onde os atletas que começam principalmente no desporto escolar possam dar seguimento ao trabalho de iniciação que é feito nas escolas. Nos masculinos, Pedro Martins foi eliminado por um dinamarquês, 5º do ranking mundial mas fez um jogo bastante agradável.

A sexta nota positiva vai para a Vela. As duplas de 49er e 470 fizeram uma participação bastante interessante, discutindo os lugares do pódio em várias regatas e chegando à respectiva medal race onde não puderam competir pelas medalhas devido ao facto da prova ser por pontos e de nem a vitória na medal race garantir possibilidades aos portugueses de alcançar as medalhas. Creio que este sistema olímpico está mal formulado. Não pelas regras classificativas mas pelo formato da medal race. Deveria efectivamente fazer-se uma qualificatória para a medal race no regime vigente mas a medal race deveria ser aberta aos 10 melhores da qualificatória não importando para tal os pontos acumulados.

A última nota positiva vai para a Equitação e Hipismo. Gonçalo Carvalho e o cavalo lusitano mostraram o que de melhor se faz em Portugal na modalidade. O atleta mostrou um discurso humilde e sempre afirmou que não estava em Londres para lutar pelas medalhas mas sim para aprender, ganhar experiência e mostrar o lindo cavalo de raça portuguesa ao mundo. Já a luso-brasileira Luciana Diniz também se exibiu ao mais alto nível com o seu cavalo Lenox no concurso de saltos. Teve azar na última prova. No entanto as duas finais também demonstram que é necessário investir mais na modalidade num país com recursos (o cavalo lusitano é uma das mais prestigiadas raças do mundo) para se fazer mais e melhor nas grandes competições mundiais.

Completamente out:

Telma Monteiro – a desilusão de alguém que era a nossa principal favorita a uma medalha. Para uma atleta tão experiente, é inexplicável o facto de ter caído logo na primeira ronda contra uma atleta menos cotada no ranking mundial e cuja atleta lusa já tinha vencido todos os combates em que tinha lutado contra a atleta norte-americana. Os grandes campeões vêem-se nos Jogos. Os grandes campeões são aqueles que não vacilam no momento da decisão. Telma vacilou no primeiro combate e acabou fora de um lugar de prestigio. Que lhe sirva de lição para o futuro.

João Pina – idem. Apesar de não ser candidato às medalhas, esperava-se que fosse pelo menos até ao combate de repiscagem para as meias-finais.

Atletismo – a pior participação de sempre. É certo que os três últimos medalhados não participaram por lesão. Nélson Évora cumpriu um autêntico marasmo no seu ciclo olímpico enquanto campeão de Pequim. Várias lesões impediram o atleta do Benfica de competir ao mais alto nível. Naide Gomes foi mais um exemplo de lesões. Rui Silva tentou mudar de variante e saltou dos 1500 metros para os 10 mil e dos 10 mil para a maratona. O atleta do Sporting não se deu bem com as mudanças e não viajou para Londres.

Das participações portuguesas no atletismo, a maratona foi satisfatória. O 7º lugar de Jéssica Augusto na prova máxima do evento feminino abre boas sensações para o futuro. Jéssica cumpriu a sua primeira grande maratona e ainda é algo inexperiente na prova. Daqui a 4 anos poderá fazer muito mais. O mesmo acontece com Ana Dulce Félix. Fugiu do favoritismo das africanas nos 10 mil metros onde se sagrou campeã europeia recentemente e cumpriu a sua primeira maratona da carreira em Londres. Não tenho dúvidas em afirmar que a vimaranense tem a fibra suficiente para daqui a 4 anos lutar pelas medalhas com as africanas.

Marco Fortes, o da “caminha”, voltou a desiludir, falhando a final do lançamento do peso num ano onde estava a demonstrar uma excelente forma e bons resultados em meetings internacionais.

Natação – Nenhum atleta passou da primeira fase ou constituiu recordes nacionais. Uma lástima. Com tantos clubes de natação, tantos praticantes e tantas piscinas em Portugal são incompreensíveis os resultados dos portugueses. Creio que a melhor solução para a modalidade passa realmente pela formação de parcerias com grandes universidades norte-americanas para que atletas portugueses possam conseguir scolarships para estudar e treinar nos EUA e assim evoluírem entre os melhores.

Sobre Vicente de Moura:

Vicente de Moura interrogou o que era preciso fazer para que o desporto português começasse a resultados nos Jogos tendo em conta aquilo que tem sido feito pelas missões olímpicas nas últimas edições do jogo. Parece-me bastante simples que a primeira acção que se deve fazer para que o desporto português comece a “arrumar-se” é a demissão do próprio Vicente de Moura. Está mais que visto que o presidente do COP está gasto no lugar. Necessita-se portanto de uma evolução no COP e da entrada de novas ideias para o desporto português.

Sobre Carolina Borges:

Tudo envolto em polémica. A troca de acusações nos últimos dias foi imensa e não estou aqui para julgar quem tem razão ou não no celeuma. Ambas as partes agiram de forma amadora. A comitiva autorizou que a velejadora dormisse fora da aldeia de Weymouth e a velejadora errou no acto de comunicação à missão que não ia para a água. Numa missão séria, Carolina Borges teria que ficar na aldeia olímpica visto que esta existe para que os atletas lá pernoitem. Uma missão que não consegue controlar o paradeiro de uma atleta é uma missão que trabalhou de forma amadora quando os jogos obrigam-na a trabalhar no top do profissionalismo.

Infra-estruturas, condições de treino, bolsas olímpicas, projecto olímpico e investimento no desporto:

É cada vez mais notório que o desporto português passa por gravissimas deficiências.

É importante que os portugueses tenham a noção disto e não tentem cobrar em demasia a sua ansia de vitórias neste tipo de eventos a atletas que fazem o que podem com o pouco que tem e com o pouco que tem em relação a adversários que tem muito mais condições para poder evoluir.

Em algumas modalidades parece-me difícil que Portugal se faça representar nos Jogos. Falo do basquetebol, do andebol, do voleibol, do hoquei em campo, do tiro ao arco, do halterofilismo e do ténis. Por quezílias abertas nas federações num passado recente (andebol; voleibol), pela evolução do basquetebol estar a ser gradual mas insuficiente para colocar a nossa selecção nas grandes provas internacionais (só recentemente é que pusemos a nossa selecção a participar num Eurobasket) e pela inexistência de clubes\infra-estruturas no nosso país, outras como o hóquei em campo e o halterofilismo acabam por ser modalidades com poucos praticantes em Portugal. No Ténis, apesar do Jamor possuir um complexo desportivo interessante, não existe qualificação abundante ao nível de treinadores e os atletas portugueses raramente conseguem arranjar condições financeiras que lhes permitam

Noutras modalidades, o investimento em infra-estruturas é claramente insuficiente. No atletismo, na vela, no Remo, no Triatlo. Necessita-se portanto de se criar nessas modalidades aquilo que por exemplo foi criado na canoagem com a construção do centro de alto rendimento e com a contratação de profissionais estrangeiros ou nacionais que possam monitorizar e dar experiência à formação de atletas. O exemplo espanhol, aqui bem ao lado do nosso país, é o exemplo mais concreto de um país que se reforçou ao nível de infra-estruturas de topo e conseguiu lentamente colocar quase todas as modalidades existentes no país nos píncaros do desporto mundial. Basta só observar a quantidade de títulos europeus que a espanha ganhou desde o futebol, passando pelo basquetebol, andebol, futsal e hoquei até aos grandes resultados das nadadoras espanholas nos jogos olímpicos e da selecção espanhola de hóquei em campo.

Noutras modalidades, existe carência de clubes. O exemplo do Badminton é o mais paradigmático.

Certos atletas privam-se de muita coisa nas suas vidas para tentar melhorar a sua condição. Mas no entanto, até a própria formulação do projecto olímpico não é feita de acordo com critérios adequados. As bolsas olímpicas são escassas e não são pagas a horas. Tendo em conta exemplos de outros países onde os atletas são profissionais com as bolsas e condições que os governos e organismos lhes dão para focar a sua actividade no desporto de alto rendimento, em Portugal, o atleta que falhe no projecto olímpico poderá não receber nem mais um cêntimo no novo ciclo. Obviamente que desistirá. Além do mais, o projecto olímpico acompanha na maior parte atletas que já estão consolidados na sua posição nacional e internacional quando realmente deveria começar em atletas em formação, para que estes pudessem começar a competir lá fora desde cedo para ganhar experiência internacional.

O investimento no desporto em Portugal é nulo. Aliás, vivemos num país onde a tutela da saúde e do desporto apresentam inclusive várias carências na criação de políticas que incentivem à prática de desporto entre a população. Não podemos exigir mais dos nossos atletas. Desportos como o Hipismo, como o ténis ou a vela estão vedados a 95% da população por serem desportos que exigem forte investimento em equipamentos, alugueres de barcos\espaços, despesas altíssimas ao nível de manutenção de equipamentos e ao nível de participação em competições nacionais e internacionais.

Estou em crer que se for feito um esforço piramidal de construção de infra-estruturas, sediação de clubes, sediação de competições regulares, apoios aos atletas promissores com cabeça tronco e membros e contratação de profissionais experientes ao nível de metodologia de treino para competição, poderemos ter mais e melhor desporto em Portugal. Os resultados aparecerão com o tempo. Basta olhar para o exemplo espanhol.

Quando assim o é, qualquer participação portuguesa a alto nível está condenada à mediocridade…

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De Londres #21 – brasileiradas

Romário afirmou que Mano Menezes é um péssimo seleccionador nacional porque não sabe fazer convocatórias.

Eu afirmo que “errar é o mano”.

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De Londres #20 – O ouro olímpico para o novo Dream Team

Como se esperava. O novo dream-team americano arrebatou o ouro, de forma fácil e como se esperava.

Deron Williams, LeBron James, Anthony Davis, Andre Iguodala, Carmelo Anthony, Chris Paul, Kevin Love, Kobe Bryant, James Harden, Kevin Durant, Tyson Chandler e Russell Westbrook são os nomes que Londres irá recordar para a eternidade. Nomes que a nada devem ao nível de talento na modalidade ao Dream Team original de 1992, equipa que continha elementos como Michael Jordan, Magic Johnson, Scottie Pippen, Dennis Rodman, Larry Bird ou Charles Barkley.

No entanto, muitos outros jogadores poderiam pertencer a esta equipa. Alguns não viajaram para Londres por lesão: Derrick Rose, Dwayne Wade, Blake Griffin e Dwight Howard. Outros como Paul Pierce, Rajon Rondo, Joe Johnson, Andrew Bynum, Greg Munroe ou Carlos Boozer também poderiam ter sido opções na selecção norte-americana.

Em Londres, um passeio.

Os Norte-Americanos não vacilaram. Dos 156-73 à Nigéria veio um recorde olímpico ao nível de pontuação de uma equipa num jogo olímpico. França, Austrália, Lituânia (a selecção que melhor se portou contra a Norte-Americana, perdendo apenas por 5 pontos) Tunísia, Argentina e Espanha sucumbiram perante o maior potencial dos fundadores da modalidade. Na final de hoje, apesar da Espanha ter jogado dois furos acima do que tinha jogado na fase de grupos (onde em 5 jogos perdeu dois frente a Russia e Brasil, classificando-se no 3º posto; onde sentiu imensas dificuldades para bater uma medíocre anfitriã Britânica apenas por 1 ponto) e nos quartos-de-final\meias frente a França e Rússia, os Americanos acabaram por fazer uma 2ª parte mais consistente. Porém, deve ser dado mérito aos Espanhois pela 1ª parte que fizeram, pelo portentoso jogo interior que tiveram (a partir de Ibaka e dos irmãos Gasol) um pouco ao contrário dos jogos contra Rússia e França (o seu jogo interior foi bem controlado por estas selecções) e pelas fantásticas exibições de Rudy Fernandez e Juan Carlos Navarro, sendo este último um jogo que acho incompreensível como é que só conseguiu aguentar dois anos ao mais alto nível na NBA.

Foi um torneio olímpico com muita qualidade. Desde os Estados Unidos até à fraca Tunísia. O resultado final pareceu-me normal: EUA com o Ouro, Espanha com a prata, Rússia com o bronze. Argentina e França também mereciam as medalhas. Os Argentinos fizeram tudo o que estava ao seu alcance para travar os russos no Bronze. Ginobili e Scola exibiram-se a bom nível. A França de Parker, Batum e Turiaf caiu nos quartos-de-final contra uma Espanha mais forte na parte final da partida. No final da partida também se podem lamentar do extravasar da tristeza de Nicolas Batum, quando agrediu Navarro com um murro na barriga, gesto que deverá ser alvo de punição para o atleta por parte da FIBA. Os Russos, liderados por alguns jogadores recheados ao nível de experiência passada na liga norte-americana (Khryapa, Mozgov, Kirilenko) e por outros que fazem maravilhas na europa (Fridzon) acabaram por ser uma selecção que me cativou muito e que promete dar luta aos americanos no futuro (a rússia foi a única selecção de topo que pelo sorteio não defrontou os EUA).

Por outras paragens podemos constatar que a modalidade terá um futuro mais equilibrado. A Grã-Bretanha montou uma equipa para os jogos. Recrutou dois atletas interessantes na NBA que não nasceram em solo inglês: o Sudanês Luol Deng e o Jamaicano Ben Gordon. Ambos “passaram” por Inglaterra: Deng tinha passaporte britânico quando fugiu do conflito somali rumo aos EUA. Gordon é filho de uma inglesa Tunísia e Nigéria foram bons representantes do continente africano, continente que está a exportar bons talentos para a europa e para as universidades americanas. O Brasil quedou-se pelos quartos-de-final, saboreando uma vitória contra a Espanha na fase de grupos. A Argentina, apesar da experiência acumulada das suas principais vedetas nos campeonatos americanos, espanhol e italiano (Ginobili, Scola, Nocioni) poderá passar por alguns problemas de renovação na sua equipa. A China foi um interessante participante em representação do continente asiático. No entanto, o basket chinês poderá desaparecer de cena nos próximos anos visto que não tem aparecido grandes talentos desde Yao Ming e Yi Jianlian.

Para os próximos olímpicos estou seguro que outras selecções irão aparecer. Israel e Irão terão boas selecções no futuro, a primeira comandada por Omri Cassipi. Na velha europa, outras também começam a despontar como o caso da Dinamarca, Irlanda e Ucrânia. Grécia, Itália, Croácia e Sérvia, pelo passado glorioso que ostentam também deverão ser candidatas a um regresso aos jogos olímpicos.

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De Londres #19 – provavelmente o melhor jogador de andebol da minha geração

William Accambray, lateral-esquerdo do Montpellier.

Suécia vs França em directo na RTP 1. Tem sido uma delícia para mim ver este torneio olímpico do qual escreverei mais tarde.

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De Londres #17

E quem diria há 3 semanas atrás que o modesto México sub-23 contrariou o Ouro “no papo” da Selecção A Brasileira?

 

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De Londres #15

O “sargento” do badminton mundial.

Por falar em sargentos, ocorre-me dizer algumas considerações no que toca à relação entre o desporto e o exército em países como a Rússia, China, Cuba ou Sérvia.

Maior parte dos atletas olímpicos destes países pertencem aos seus exércitos. Não são soldados comuns. São soldados patenteados cuja missão é treinar em rígidas (ao nível de mentalidade) e bem equipadas academias militares. Esta é a estratégia que estes países encontram ao nível do investimento no desporto e das sinergias de alto rendimento desportivo. Pelos vistos dá resultado. A disciplina combinada com o devido apoio logístico e financeiro dos órgãos que tutelam o desporto nesses países e com infra-estruturas de qualidade estão a dar os seus resultados.

Até o que foi feito pela Espanha na década de 90 (investimento em quadros técnicos qualificados e infra-estruturas para a prática desportiva de alto nível) tem feito colher os seus frutos por parte do país de nuestros hermanos, que a meio dos Jogos, já leva 2 medalhas de prata e 1 de bronze, estando mais na calha na canoagem, no basquetebol e no andebol.

Enquanto o atleta Português (por exemplo) entra em acção pressionado pelo facto de ter feito um bom trabalho de preparação nos últimos 4 anos mas receoso de falhar na prova derivado do facto do projecto olímpico português ser talhado em vários escalões consoante o rendimento dos atletas nas grandes provas internacionais (por exemplo, um atleta que falhe nos olímpicos poderá sair fora do projecto olímpico para os próximos jogos e assim não ter boas condições de treino e possibilidade de competir ao mais alto nível nos anos vindouros; outros que não atinjam x posição nos jogos correm o risco de ver a sua bolsa diminuída, numa conjectura onde muitos dos nossos atletas dependem da bolsa que recebem do COP para pagar as contas lá de casa e terem dinheiro para competir no estrangeiro), o atleta dos países que citei na 2ª frase deste post, cientes que serão apoiado pelo seu país em caso de fracasso, entram muito mais relaxados na prova e conseguem excelentes resultados.

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De Londres #11 – Foram enormes

Não necessita de comentários adicionais. E mesmo assim, fica atravessada na garganta aquela falsa partida criminosa dos Britânicos, cientes do facto que a dupla dinamarquesa estava mais forte e que um acto desse género poderiam causar distúrbios anímicos aos adversários.

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De Londres #9

Foram heróis, tanto na competição individual como na prova por equipas. A missão de bater a Coreia do Sul (2ª melhor mundial e medalha de bronze em 2008) não era fácil, mas Tiago Apolónia, João Pedro Monteiro e Marcos Freitas bateram-se taco-a-taco até ao último ponto e tiveram bem perto o sonho de se qualificarem para o top-4 do ténis de mesa mundial.

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De Londres #5

Aos 38 anos e na sua despedida enquanto ciclista profissionais, eis que o Cazaque Alexandre Vinokourov consegue um dos maiores triunfos da sua longa e espectacular carreira.

O Cazaque venceu a prova olímpica de ciclismo de estrada, numa etapa que acabou por gorar as expectativas que os Britânicos tinham em ver Mark Cavendish vencer em casa.

1. Uma primeira nota sobre o percurso: 250 km de dificuldade fácil, divididos em 3 secções: uma primeira secção que saía de londres para um parque na periferia da capital inglesa, um circuito fechado de 9 voltas de 15 km dentro desse mesmo parque (havendo uma pequena subida de 2 km com inclinação de 6% a meio desse circuito) e o regresso à capital londrina nos últimos 50 km, estando instalada a meta junto ao bonito Palácio de Buckingham.

O percurso indiciava que as habituais fugas de início de etapa não teriam grande sucesso dado que o percurso era perfeito para roladores e indiciava uma discussão de etapa ao sprint. Para aqueles que quisessem fugir com sucesso, teriam que lançar o seu ataque na referida subida ainda dentro do circuito fechado, de preferência nas duas últimas voltas.

2. Os candidatos.

Dado que tudo apontava para uma discussão ao sprint, a lista de candidatos das várias selecções na contenda eram: Mark Cavendish (Grã-Bretanha) Thor Hushovd (Noruega) Tom Boonen (Bélgica) Peter Sagan (Eslováquia) Matthew Goss (Austrália) Tyler Farrar (Estados Unidos), André Greipel (Alemanha) e alguns outsiders como Fabien Cancellara (Suiça) Phillippe Gilbert (Bélgica) ou Alejandro Valverde (Espanha).

3. Previsão:

A equipa Britânica, constituída por Braddley Wiggins, David Millar, Christopher Froome, Ian Stannard, tentaria levar Mark Cavendish ao sprint final. O mesmo era expectável pelas restantes equipas de sprinters como a Austrália e a Alemanha. Homens como Gilbert e Cancellara, tentariam contrariar uma etapa em pelotão compacto através de ataques vindos de longe. Cancellara estava rotulado como um perigo, visto que caso conseguisse atacar, seria capaz de rolar num autêntico contra-relógio individual para a vitória.

4. Os Portugueses:

Rui Costa, apesar de não ser um favorito expresso às medalhas tentaria entrar numa fuga para poder estar em condições de lutar por uma medalha sem ter que discutir um sprint em pelotão compacto. Apesar da excelente época que está a fazer ter influência nas ambições do português por um grande feito nesta prova de estrada, Rui Costa sempre optou por um discurso ponderado onde afirmava “ser difícil conquistar uma medalha” a não ser que algo de extraordinário se desse na sua prestação.

Mesmo assim, o Português terminou a prova num honroso 12º lugar!

Manuel Cardoso, sprinter, queria obviamente um sprint massivo para se poder intrometer na luta de sprinters.

O jovem bairradino Nélson Oliveira de 23 anos, fazia a sua estreia numa prova olímpica, prometendo empenho e dignificação da camisola lusa.

5. A Corrida:

Depois de um início com alguns ataques, à entrada para o circuito fechado, o pelotão permitiu que alguns ciclistas em fuga obtivessem alguma vantagem. Entre os ciclistas fugidos estavam por exemplo Phillippe Gilbert e Vincenzo Nibali. A meio da prova, o Belga chegou inclusive a tentar uma fuga a solo durante vários quilómetros, sendo apanhado pelo pelotão a 50 km da meta. Entretanto, duas fugas interessantes viriam a marcar os últimos 70 km com o Português Rui Costa a ingressar nas mesmas:

1. Uma primeira com 6 atletas, entre os quais o Rui, em perseguição a Gilbert.

2. Uma outra de 25 ciclistas, com homens como Valverde, Gilbert, Costa, Stuart O´Grady, Alexandre Vinokourov, Fabien Cancellara, Kristoff, Fulsang, Luis León Sanchez, Roman Kreuziger, Sylvain Chavanel, Alexander Kolobnev, Janez Brajkovic e Robert Gesink. Estava aqui um grupo com gente muito interessante.

A 30 km, o grupo da frente tinha cerca de 1 minuto de vantagem para o pelotão, onde Ingleses e Alemães (sem ninguém na fuga e convencidos que anulariam a sua vantagem para conseguir a tão desejada chegada massiva) tentaram o tudo por tudo para anular a fuga, rolando a alta velocidade. No entanto, como se previa, a aliança saxónica seria incapaz de controlar toda a corrida, um pouco à imagem daquilo que os experts afirmavam: se alguém ganhasse vantagem nos quilómetros finais, equipas de 5 elementos não conseguiriam controlar a corrida na sua integra.

A 10 km da meta, o pelotão estoirou por completo e sabia-se que dos 25 homens da frente, 3 seriam medalhados. Até que a 5 km da meta, o medalhado de bronze de Sydney 2000 (quem não se lembra dessa prova e do ataque que Vino fez com os seus colegas alemães da T-Mobile Ullrich e Kloden, sendo medalhados os 3) Alexandre Vinokourov disferiu um ataque demolidor na companhia do ciclista colombiano da Sky Rigoberto Uran. Ao princípio, os 22 homens que restaram na fuga (entretanto Cancellara embateu contra as barreiras de protecção numa curva e perdeu contacto com o grupo da frente; o Suiço estava desolado no final visto que pode não participar na prova de contra-relógio, prova onde é candidato ao ouro) não se conseguiram organizar para tentar alcançar os dois da frente. O próprio Rui Costa, em declarações no fim da prova, na cauda do grupo estava à espera que se alcançasse o duo da frente para poder disferir um ataque junto à meta.

Nada feito. A 500 metros da meta, Vino sprintou para o ouro olímpico e Uran foi 2º. O Colombiano jamais seria apontado às medalhas (ao bom estilo colombiano, é um ciclista que tem características de trepador) e viu os holofotes da fama incidir sobre si em Londres, até porque a sua história de vida é extremamente interessante. 

No grupo lá de trás, o bronze acabaria por ser discutido ao sprint, tendo o Norueguês Kristoff (outro semi-desconhecido do pelotão internacional) surpreendido toda a concorrência.

6. Ilações finais:

Tremenda derrota para a Grã-Bretanha, para Cavendish, para a Alemanha e para os Espanhóis, que mais uma vez não conseguiram medalhar Alejandro Valverde.

Uma etapa atípica com vencedores muito atípicos.

Natação:

Passagem de testemunho na natação norte-americana. Ryan Lochte venceu os 400 metros estilos e derrotou um “decadente” Michael Phelps.

Já era previsível que Lochte vencesse a prova. 1ª medalha de ouro para o nadador. Phelps está longe da forma de há 4 anos atrás e para além de ter feito uma qualificação algo tosca, apenas conseguiu a 4ª posição na final.

Judo:

Susto para a Húngara Eva Csernoviczki na prova feminina de -48 kg

Na mesma prova onde o Brasil conseguiu a sua primeira medalha de ouro através de Sarah Menezes.

Portugueses:

Na Ginástica Artistica, Zoi Lima foi antepenúltima e falhou o acesso à final da prova.

No Judo, Joana Ramos foi eliminada na primeira ronda contra a campeã olímpica Priscilla Gneto num combate onde a atleta lusa baqueou no preciso momento em que comandava a luta.

Na Natação, Tiago Venâncio foi eliminado nas qualificações dos 200 metros livres.

 

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De Londres #4

1. Futebol Masculino:

Marrocos 2-2 Honduras – O golaço de Labyad contra as Honduras num jogo muito atípido entre selecções que não são candidatas a nada.

O recente reforço do Sporting é craque!

Espanha vs Japão

O Japão causou a primeira surpresa deste torneio masculino de futebol ao bater a favorita Espanha por 1-0. Mesmo apesar de ter 3 campeões europeus nos seus 18 (Jordi Alba, Juan Mata e Javi Martinez) os Espanhóis foram uma sombra daquilo que poderiam render e caíram perante uma equipa Japonesa, que, apesar de ser muito inexperiente nestas andanças (Se bem que alguns jogadores já actuam na Europa) poderia ter saído com uma goleada.

Yuki Otsu marcou o único golo de uma partida que ficou marcada pela expulsão directa (quase a fechar a primeira parte) do central da Real Sociedad Iñaki Martinez aos 41″ e pelas inúmeras perdidas dos japoneses na cara de David De Gea na 2ª parte. Os Japoneses, com uma tremenda pressão alta logo na saída do portador da bola (a filosofia de jogo espanhola está formatada para que sejam os centrais a iniciar a construção de jogo) não só não deixou jogar a Espanha durante toda a partida como fez com que os Japoneses espalhassem o terror na defesa espanhola com incríveis roubos de bola em sitios perigosos.

3. Estou estupefacto com o poderio que algumas selecções trazem:

3.1 Nem é preciso falar do potencial que o Brasil trouxe – Hulk, Danilo, Pato, Ganso, Neymar, Oscar, Thiago Silva, Marcelo, entre outros – Mano Menezes veio a Londres conquistar o ouro e preparar a sua selecção para o Mundial de 2014 com competição ao mais alto nível.

A selecção brasileira derrotou o Egipto por 3-2 na primeira jornada. Apesar de ter esmagado na primeira meia-hora (3 golos) os egipcios quase provocavam uma surpresa na 2ª parte.

O Uruguai, apesar de ter suado muito para bater os Emirados Árabes Unidos, é candidato às medalhas. Suarez, Cavani e Lodeiro são um trio de ouro para a selecção campeã sul-americana.

A equipa comandada pelo seleccionador A Oscar Tabarez ainda sofreu para vencer a equipa asiática, que, apresentando um futebol vistoso, chegou ao intervalo a vencer por 1-0.

Ryan Giggs cumpre o sonho em Manchester!

Aos 39 anos, o Galês cumpre o sonho de participar numa prova ao mais alto nível. Prémio de carreira para quem nunca pode participar numa grande competição internacional derivado do facto da selecção galesa nunca ter tido potencial para se qualificar para um campeonato da europa ou campeonato do mundo. Giggs torna-se o mais velho jogador a actuar numa fase final olímpica do torneio masculino de futebol.

A Inglaterra de Stuart Pearce cumpriu o primeiro jogo da fase-de-grupos em Old-Trafford perante um público em delírio. Na estreia contra o Senegal, a turma africana (na minha opinião) jogou melhor e mereceu o empate. A Grã-Bretanha mostrou algumas fragilidades defensivas e mostrou que ao nível de soluções está muito longe de outras selecções concorrentes como o Brasil e Uruguai.

Futebol Feminino:

1. França 2-4 Estados Unidos – Os Estados Unidos de Hope Solo (guarda-redes na moda no futebol feminino) venceram com dificuldade a França, selecção que se apresenta candidata às medalhas. Apesar de terem entrado a perder por 0-2 na primeira parte, as americanas fizeram uma excelente 2ª parte e deram a volta ao marcador.

2. O “escândalo diplomático” a abrir os Jogos com a selecção Norte-Coreana. A troca de bandeiras (as jogadoras norte-coreanas eram apresentadas nos monitores do estádio com a bandeira sul-coreana) motivou o atraso de hora e meia no jogo e algumas queixas indignadas por parte da delegação norte-americana. Um incidente a não repetir…

3. Brasil massacra Camarões. Marta (eleita por 5 vezes a melhor jogadora do universo futebolistico feminino) bisou e deu espectáculo. Christiane, a ponta-de-lança da selecção brasileira, tornou-se a melhor marcadora de sempre das olimpiadas com os 2 golos que apontou na partida. O Brasil afirma-se como candidato às medalhas no futebol feminino.

Tiro com Arco:

Lee Chang Hwan é um dos homens de quem se tem falado muito nos últimos dias. Isto porque o atirador sul-coreano bateu o record olímpico de pontos no tiro com arco logo nas qualificatórias para o torneio e tem a particularidade de ser “amblíope”, ou seja, de ter uma considerável percentagem do seu sentido visual afectado. Hwan afirma que se guia pelas cores dos alvos e pelo “sentir” no acto do disparo da flecha. 

Volei de Praia:

As fantásticas instalações da modalidade em Londres, bem no centro da cidade.

Andebol Feminino:

Dois excelentes jogos que vi hoje.

A Rússia bateu com muitas dificuldades a selecção de angola, tendo as angolanas contado com um espírito de luta fantástico e com o apoio dos Britânicos nas bancadas.

Suécia vs Dinamarca – Duas candidatas às medalhas deram espectáculo.

Portugueses:

1. Na Natação, 3 participações terminaram com a eliminação e sem novos recordes nacionais. Diogo Carvalho foi 26º nos 400 estilos. Sara Oliveira nos 100 mariposa e Carlos Almeida, ficou a poucos décimos do recorde nacional, tendo sido 3º na sua série nos 100 bruços. No entanto, a competição tem sido pautada por excelentes prestações globais.

2. Lei Huang Mendes foi eliminada no torneio individual de ténis de mesa. A luso-chinesa foi eliminada por uma atleta Tailandesa, menos cotada no ranking. A Portuguesa acusou o nervosismo de ser a primeira lusa a participar na prova na história dos Jogos Olímpicos. Venceu os dois primeiros parciais por 11-4 e 11-3, pensando-se na altura que iria conquistar uma vitória tranquila. O nervosismo da atleta veio ao de cima no 3º parcial, acabando por vencer o 4º e perder na negra contra Komwong. Falta de experiência internacional.

3. João Costa foi 7º nas finais do tiro de pistola de ar comprimido a 10 metros. Uma razoável prestação de quem já foi campeão do mundo na modalidade.

Doping:

Como não poderia deixar de ser, o primeiro controlo positivo já apareceu nos Jogos. No Halterofilismo, o Albanês Hysen Rulaku acusou uma substância dopante e foi convidado a abandonar a aldeia olímpica.

 

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De Londres #3

O Sr. Silva e a mulher, mesmo apesar do corte na pensão, ainda conseguiram marcar lugar no estádio olímpico.

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