Tag Archives: Literatura

f.

Se mai continga che ‘l poema sacro
al quale ha posto mano e cielo e terra,
sì che m’ha fatto per molti anni macro,

vinca la crudeltà che fuor mi serra
del bello ovile ov’io dormi’ agnello,
nimico ai lupi che li danno guerra;

con altra voce omai, con altro vello
ritornerò poeta, e in sul fonte
del mio battesmo prenderò ‘l cappello . . .

Dante Alighieri.

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O André Azevedo Alves e as suas teorias da merda

aqui.

não desfazendo o sucesso do livro e do autor,

o andré (e o autor citado) caem na esparrela profunda, tacanha, medonha (ainda mais para a categoria de professor universitário) de entrar por uma premissa assente num prisma de comparação entre macroeconomia e economia doméstica. típico dos tempos que correm. aquelas historietas boas para adormecer que se fazem com os 10 amigos que vão beber finos para um café para explicar a equidade fiscal. priceless.

só, que, infelizmente se esquece que em economia o termo austeridade não significa poupar e não tem como contrário o “gastar demasiado” mas sim racionalizar as existências e maximizá-las. se quisermos adoptar à lógica estatal, é racionalizar os activos do estado de forma a (logicamente) executar o máximo bem social\redistribuição do produto\redistribuição dos recursos por toda a população de forma a que se atinja um certo nível de equidade.

quando o andré (seguindo o autor) cita: “Imagine que um conhecido seu tenha gastado, em 2008, 12% a mais do ganhou; em 2009, 31% a mais; em 2010, 25% a mais; e, em 2011, 26% a mais. Você diria que essa pessoa é austera? Você diria que esse comportamento é sustentável? Pois é exatamente isso o que o governo da Espanha tem feito. E ele vem se mostrando incapaz de mudar de postura.” – cita quase a armadilha do coeteris paribus, ou seja, a designação que se utiliza para se designar que uma economia avança, recua, estagna, se todos os outros factores económicos se mantiverem. a austeridade deriva de excessivos gastos? a postura de um estado é apenas condicionada pelo facto de gastar demasiado? a postura de um estado pode ou não pode ser condicionada por factores externos ao próprio estado ou não pode? as agências de rating com as suas inenarráveis formas de catálogo dos seus clientes poderão especular 0u não especular sobre as políticas de um estado? poderão ou não especular para influenciar a queda de uns em proveito dos outros? a economia de um certo estado poderá ou não ser condicionada a partir do momento em que um investidor vai embora para outro país porque o custo de produção nesse país é mais baixo que no país onde anteriormente produzia? não estou, portanto, a perceber o argumento. julgava o sr. professor uma pessoa mais inteligente e sensata.

e já agora, visto que confunde termos e conceitos, pode-me dizer em que parte, em que políticas é que a austeridade nos estados europeus é escassa?

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Prémio D. Dinis

Sartre que era Sartre rejeitou o Nobel da Literatura e não foi por isso que a Academia Sueca extinguiu o prémio.

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Maria Teresa Horta recusa prémio D. Dinis das mãos de Passos Coelho

Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos – pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país.

Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência.

Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores.

O primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural.

O país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é ele [Passos Coelho], e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto.

Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro.
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Por quem a memória não faz esquecer

Exortação

“Em nome do teu nome,
Que é viril,
E leal,
E limpo, na concisa brevidade
— Homem, lembra-te bem!
Sê viril,
E leal,
E limpo, na concisa condição.
Traz à compreensão
Todos os sentimentos recalcados
De que te sentes dono envergonhado;
Leva, dourado,
O sol da consciência
As íntimas funduras do teu ser,
Onde moram
Esses monstros que temes enfrentar.
Os leões da caverna só devoram
Quem os ouve rugir e se recusa a entrar”

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Quando este medo por/ pequeno minotauro/ uma sílaba grega/ ou vestígio de vaso/ quando o vento polir/ vermelho estuário/ esta pequena dor/ como um pequeno orvalho/ quando tudo romper/ na profusão de cravos/ e não ficar sequer/ nenhum ramo parado/ nenhum resto de Abril/ anónimo e gelado/ / há-de doer doer/ esta palavra Maio”

Orlando de Carvalho, 1966

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mentira (nunca confies numa mulher; ou num homem)

“-Talvez, Ann, talvez você tenha razão. Já não falta muito para fazer um ano que aqui cheguei: foi um ano muito duro, uma vida diferente de tudo aquilo a que estava habituado. E sem ninguém, ninguém rigorosamente, em quem confiar, com quem falar, com quem estar assim, como nós estamos agora, descontraidamente à conversa. A visita do João veio interromper isso, mas eu sei que é apenas um breve devaneio: dentro de alguns dias ele vai-se embora e tudo regressa ao normal. E o normal, Ann, é às vezes difícil de suportar.

– Eu sei, Luís, eu calculo que sim. Mas você sabe, ao menos, que pode contar sempre comigo e com o David. Nós gostamos sinceramente de si e temos falado várias vezes sobre a sua situação. Nós, ao menos, temo-nos um ao outro, mas você não tem ninguém. Estas noites, este terraço, devem ser muitas vezes duros de aguentar.

Luís Bernardo olhou-a: estava linda, quase irreal. Teve medo de que, se estendesse a mão para lhe tocar, ela desaparecesse. Resolveu experimentar:

– Ann, eu não duvido, por um instante que seja, da vossa amizade. Mas, como sabe, o David e eu temos missões diferentes e, se calhar, opostas. Talvez tenha de chegar o dia em que as nossas missões respectivas afastem a amizade que construímos de formaespontânea. Talvez me desse mais jeito, ou a cada um de nós, que afinal não nos tivéssemos tornado amigos: em caso de crise, tornaria as coisas mais fáceis.

– Pois é, vocês homens têm esse lado de conflito interior, que veneram. Por dever de consciência, suportam inimigos e abandonam amigos. Eu já vivi isso na pele, noutros tempos… Mas oiça, Luís, eu sou mulher, sou sua amiga e não vivo conflitos desses: no que depender de mim, eu não o abandonarei.

Ele quedou-se mudo, sem saber o que dizer. Nem sequer percebia bem o que ela lhe tinha querido dizer. Sentiu-se à toa, talvez do vinho e do cognac, da lua cheia, da devastadora beleza da sua pele, do seu peito, do seu cabelo, do seu olhar. Sentiu-se tonto e levantou-se para se encostar à balaustrada do terraço e respirar um pouco da brisa que vinha do mar e que o calor da noite não sufocava na passagem.”

Miguel Sousa Tavares in Equador, páginas 201 e 202.

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Semana cultural da UC

Já arrancou.

Mesmo assim fica aqui o PDF –  suplementosemanacultural – com os eventos que irão decorrer nos próximos dias

 

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V.

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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Exortação

Em nome do teu nome,
Que é viril,
E leal,
E limpo, na concisa brevidade
— Homem, lembra-te bem!
Sê viril,
E leal,
E limpo, na concisa condição.
Traz à compreensão
Todos os sentimentos recalcados
De que te sentes dono envergonhado;
Leva, dourado,
O sol da consciência
As íntimas funduras do teu ser,
Onde moram
Esses monstros que temes enfrentar.
Os leões da caverna só devoram
Quem os ouve rugir e se recusa a entrar,

Exortação

Miguel Torga, “Poemas Ibéricos”, 1965

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Falsos Diplomatas

O nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, o Paulinho das Feiras, gosta muito de falar sobre diplomacia e sobre a actividade dos diplomatas.

A maior incongruência deste enorme “génio popular” reside no facto do próprio não ser um diplomata nem ter qualquer formação académica na área da diplomacia. Logo, qualquer declaração que ler ou ouvir sobre tal problemática da boca desse ministro considero como falsa.

E mais, aconselho-lhe pelo menos a leitura de dois livros de um antigo e prestigiadíssimo diplomata português chamado José Calvet de Magalhães: “Diplomacia Pura” e o “Manual Diplomático” – pode ser que o ministrozeco da treta aprenda alguma coisa sobre diplomacia.

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Blowin´in the wind

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, an’ how many times must the cannon balls fly
Before they’re forever banned?

The answer, my friend, is blowin’ in the wind
The answer is blowin’ in the wind

(Bob Dylan – Blowin´in the wind)

 

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oh Paul, oh Paul….

Ao menos esta é rica. Já sabes que não te vai chular a fortuna como a outra.

The Beatles — Something — Álbum: Abbey Road (1969)

“Something in the way she moves,
Attracts me like no other lover.
Something in the way she woos me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.

Somewhere in her smile she knows,
That I don’t need no other lover.
Something in her style that shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.

You’re asking me will my love grow,
I don’t know, I don’t know.
Stick around, and it may show,
But I don’t know, I don’t know.

Something in the way she knows,
And all I have to do is think of her.
Something in the things she shows me.
I don’t want to leave her now.
You know I believe and how.”

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Brother, can you spare a dime?

They used to tell me I was building a dream,
and so I followed the mob,
When there was earth to plow, or guns to bear,
I was always there right on the job.
They used to tell me I was building a dream,
with peace and glory ahead,
Why should I be standing in line,
just waiting for bread?

Brother can you spare a dime? – Yip Harburg and Jay Gorney (1931)

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Fernando Tordo – Tourada

“Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo…

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.”

(Poema de José Carlos Ary dos Santos)

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Castles in the snow

” You’re my favorite daydream
I’m your famous nightmare
Everything I see looks like gold
Everything I touch goes cold
Castles in the snow

Here’s all I know
Your checkered room and your velvet bow
Your Elvis song in my ear
That moonlit voice that I hear

Now we are bold as brass
We walk along our golden crest
We hide away for a week
We only look and don’t speak

You’re my favorite daydream
I’m your famous nightmare
Everything I see looks like gold
Everything I touch turns cold
Castles in the snow”

George Lewis Jr in Twin Shadow´s “Castles in the snow” (Twin Shadow, 2010)

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Howl

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Ficha Técnica:

Título: Howl
País: USA (Filmado em Nova Iorque)
Ano: 2010
Realizadores: Rob EpsteinJeffrey Friedman
Argumento: Rob EpsteinJeffrey Friedman (adaptação de algumas conversas com Allen Ginsberg)
Actores: James Franco, Jon Hamm, Alessandro Nivola, Aaron Tveit, Jon Prescott, Todd Rotondi e o próprio Allen Ginsberg

Fazer uma adaptação cinematográfica da vida e obra de um dos maiores poetas do século XX com base num poema, em várias conversas com o mesmo em alturas diferentes da sua vida e num julgamento que tentou impedir que um livro de poemas fosse publicado parece ser uma aventura interessante.

Em “Howl”, a dupla de realizadores Rob Epstein e Jeffrey Friedman, propôs-se a dar uma visão diferente de Allen Ginsberg, um dos maiores expoentes da geração beatnik. Com êxito, na minha opinião.

Em “Howl”, poema homónimo, Ginsberg relata uma série de experiências do começo da sua vida adulta, desde a revelação sobre a sua homossexualidade aos amores por Jack Kerouac (não-correspondido) e Neal Cassidy até à crítica mordaz à sociedade da sua época. O uso excessivo de linguagem, viria a condenar a editora que tinha aceitado publicar “Howl and other poems” a uma terrível batalha judicial pela proibição do livro nos Estados Unidos.

Pelo meio, os realizadores também aproveitaram para focar documentos onde Ginsberg mostrava um pouco do seu pensamento e da forma como escrevia os seus poemas.

Ao nível de realização, o filme divide-se entre partes de entrevista, narração e animação. Quando chamados a penetrar no conteúdo do poema que celebrizou Ginsberg para a eternidade, Rob Epstein e Jeffrey Friedman optaram por inserir vários momentos de animação. Em suma, todas as partes de animação ficaram bastante interessantes, tendo em conta a imaginação utilizada para acompanhar o conteúdo escrito no poema por Ginsberg.

No final do filme damos de cara com a surpresa escondida: imagens em que Allen Ginsberg (numa fase adiantada da sua vida) interpreta uma pequena canção para as camaras.

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Já me podem atirar pedras…

Solta-se o que me pretende deste infortuno infinito
Desenlaça-se o predador que me agarra
Sou um reboliço complicado
Neste laço, onde eu sou o luto e o enlutado
Acordo. Penso. Revolto-me.
Mas a teia
A teia da memória
Não me deixa terminar uma história
Em que estou seco e defunto

Acordo. Penso. Revolto-me
Vem as imagens ao segundo
Nesta teia de um vazio profundo
Prende-me, mata-me, cega-me
Faz-me esquecer a realidade do mundo
Vil
Acordo. Penso. Já desisti. Já me passei
Já estou frustrado e parto tudo. Recomeço
A revolução passou a ser
Escrita numa tinta que não escreve
Na teia
Sou o único que não se apercebe
Que não posso sobreviver.
Acordo. Mato-me. Drogo-me e sobrevivo.

Monta-se o cerco
As armas estão preparadas no canto
Aguarda-se o momento
Em que os tiros das espingardas
Colocarão a senha para o ataque
O fogo lá fora
Arde na minha mente
Acordo. Revolto-me. Estou cego.
O gás faz chorar os meus olhos
De uma hipocrisia impar
O gás
Torna o meu corpo completamente dormente

As trincheiras estão esburacadas
Os olhos esbugalhados
As sirenes, são de pânico
Soam nas caladas
Monta-se o cerco
Atiram-se os cães à frente
Sem piedade
O que hoje é mentira
Amanhã é verdade
Mudam-se os tempos
Continuo a dormir, inerte, Morto
Cego pelo gás
Saiu das trincheiras a amizade
Aliam-se os opostos
Fazem-se as pazes sobre a maldade
E a hipocrisia perdura
Atira ao relento
Nem peças satisfações
Aproveita que estás a favor do vento
E cria a ocasião
Atira
Atira sem perdão.

João Branco – escrito no TAGV a 13 de Outubro de 2010.

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Em directo da Rua Larga!

O vosso repórter predilecto da Academia, está neste momento sentado a menos de 15 metros do Magnífico Reitor, o Dr. Fernando Jorge Rama Seabra Santos, na apresentação da nova versão Revista da UC Rua Larga.

Apesar do extenso mandato à frente da UC, o nosso querido Reitor está com um aspecto jovial! E continua a deter duas das suas maiores qualidades: a sua extrema cortesia (um verdadeiro cavalheiro) e o seu dom de oratória magnífico!

Para além da Revista, o Magnífico Reitor está a apresentar oficialmente a abertura do canal UCV – o novo canal da UC, projecto que demorou 8 anos a ser construído e sobre a oficialização da candidatura a Património Mundial Humanidade da Universidade de Coimbra!



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Howl

Allen Ginsberg – Howl

“For Carl Solomon

I

I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked,

dragging themselves through the negro streets at dawn looking for an angry fix,

angelheaded hipsters burning for the ancient heavenly connection to the starry dynamo in the machinery of night,

who poverty and tatters and hollow-eyed and high sat up smoking in the supernatural darkness of cold-water flats floating across the tops of cities contemplating jazz,

who bared their brains to Heaven under the El and saw Mohammedan angels staggering on tenement roofs illuminated,

who passed through universities with radiant eyes hallucinating Arkansas and Blake-light tragedy among the scholars of war,

who were expelled from the academies for crazy & publishing obscene odes on the windows of the skull,

who cowered in unshaven rooms in underwear, burning their money in wastebaskets and listening to the Terror through the wall,

who got busted in their pubic beards returning through Laredo with a belt of marijuana for New York,

who ate fire in paint hotels or drank turpentine in Paradise Alley, death, or purgatoried their torsos night after night

with dreams, with drugs, with waking nightmares, alcohol and cock and endless balls,

incomparable blind streets of shuddering cloud and lightning in the mind leaping towards poles of Canada & Paterson, illuminating all the motionless world of Time between,

Peyote solidities of halls, backyard green tree cemetery dawns, wine drunkenness over the rooftops, storefront boroughs of teahead joyride neon blinking traffic light, sun and moon and tree vibrations in the roaring winter dusks of Brooklyn, ashcan rantings and kind king light of mind,

who chained themselves to subways for the endless ride from Battery to holy Bronx on benzedrine until the noise of wheels and children brought them down shuddering mouth-wracked and battered bleak of brain all drained of brilliance in the drear light of Zoo,

who sank all night in submarine light of Bickford’s floated out and sat through the stale beer afternoon in desolate Fugazzi’s, listening to the crack of doom on the hydrogen jukebox,

who talked continuously seventy hours from park to pad to bar to Bellevue to museum to the Brooklyn Bridge,

a lost batallion of platonic conversationalists jumping down the stoops off fire escapes off windowsills off Empire State out of the moon

yacketayakking screaming vomiting whispering facts and memories and anecdotes and eyeball kicks and shocks of hospitals and jails and wars,

whole intellects disgorged in total recall for seven days and nights with brilliant eyes, meat for the Synagogue cast on the pavement,

who vanished into nowhere Zen New Jersey leaving a trail of ambiguous picture postcards of Atlantic City Hall,

suffering Eastern sweats and Tangerian bone-grindings and migraines of China under junk-withdrawal in Newark’s bleak furnished room,

who wandered around and around at midnight in the railway yard wondering where to go, and went, leaving no broken hearts,

who lit cigarettes in boxcars boxcars boxcars racketing through snow toward lonesome farms in grandfather night,

who studied Plotinus Poe St John of the Cross telepathy and bop kabbalah because the universe instinctively vibrated at their feet in Kansas,

who loned it through the streets of Idaho seeking visionary indian angels who were visionary indian angels,

who thought they were only mad when Baltimore gleamed in supernatural ecstasy,

who jumped in limousines with the Chinaman of Oklahoma on the impulse of winter midnight streetlight smalltown rain,

who lounged hungry and lonesome through Houston seeking jazz or sex or soup, and followed the brilliant Spaniard to converse about America and Eternity, a hopeless task, and so took ship to Africa,

who disappeared into the volcanoes of Mexico leaving nothing behind but the shadow of dungarees and the larva and ash of poetry scattered in fireplace Chicago,

who reappeared on the West Coast investigating the FBI in beards and shorts with big pacifist eyes sexy in their dark skin passing out incomprehensible leaflets,

who burned cigarette holes in their arms protesting the narcotic tobacco haze of Capitalism, who distributed Supercommunist pamphlets in Union Square weeping and undressing while the sirens of Los Alamos wailed them down, and wailed down Wall, and the Staten Island ferry also wailed,

who broke down crying in white gymnasiums naked and trembling before the machinery of other skeletons,

who bit detectives in the neck and shrieked with delight in policecars for committing no crime but their own wild cooking pederasty and intoxication,

who howled on their knees in the subway and were dragged off the roof waving genitals and manuscripts,

who let themselves be fucked in the ass by saintly motorcyclists, and screamed with joy,

who blew and were blown by those human seraphim, the sailors, caresses of Atlantic and Caribbean love,

who balled in the morning in the evenings in rosegardens and the grass of public parks and cemeteries scattering their semen freely to whomever come who may,

who hiccuped endlessly trying to giggle but wound up with a sob behind a partition in a Turkish Bath when the blond & naked angel came to pierce them with a sword,

who lost their loveboys to the three old shrews of fate the one eyed shrew of the heterosexual dollar the one eyed shrew that winks out of the womb and the one eyed shrew that does nothing but sit on her ass and snip the intellectual golden threads of the craftsman’s loom,

who copulated ecstatic and insatiate and fell off the bed, and continued along the floor and down the hall and ended fainting on the wall with a vision of ultimate cunt and come eluding the last gyzym of consciousness,

who sweetened the snatches of a million girls trembling in the sunset, and were red eyed in the morning but were prepared to sweeten the snatch of the sunrise, flashing buttocks under barns and naked in the lake,

who went out whoring through Colorado in myriad stolen night-cars, N.C., secret hero of these poems, cocksman and Adonis of Denver—joy to the memory of his innumerable lays of girls in empty lots & diner backyards, moviehouses’ rickety rows, on mountaintops in caves or with gaunt waitresses in familiar roadside lonely petticoat upliftings & especially secret gas-station solipsisms of johns, & hometown alleys too,

who faded out in vast sordid movies, were shifted in dreams, woke on a sudden Manhattan, and picked themselves up out of basements hungover with heartless Tokay and horrors of Third Avenue iron dreams & stumbled to unemployment offices,

who walked all night with their shoes full of blood on the snowbank docks waiting for a door in the East River to open full of steamheat and opium,

who created great suicidal dramas on the appartment cliff-banks of the Hudson under the wartime blue floodlight of the moon & their heads shall be crowned with laurel in oblivion,

who ate the lamb stew of the imagination or digested the crab at the muddy bottom of the rivers of the Bowery,

who wept at the romance of the streets with their pushcarts full of onions and bad music,

who sat in boxes breathing in the darkness under the bridge, and rose up to build harpsichords in their lofts, who coughed on the sixth floor of Harlem crowned with flame under the tubercular sky surrounded by orange crates of theology,

who scribbled all night rocking and rolling over lofty incantations which in the yellow morning were stanzas of gibberish,

who cooked rotten animals lung heart feet tail borsht & tortillas dreaming of the pure vegetable kingdom,

who plunged themselves under meat trucks looking for an egg,

who threw their watches off the roof to cast their ballot for an Eternity outside of Time, & alarm clocks fell on their heads every day for the next decade,

who cut their wrists three times successively unsuccessfully, gave up and were forced to open antique stores where they thought they were growing old and cried,

who were burned alive in their innocent flannel suits on Madison Avenue amid blasts of leaden verse & the tanked-up clatter of the iron regiments of fashion & the nitroglycerine shrieks of the fairies of advertising & the mustard gas of sinister intelligent editors, or were run down by the drunken taxicabs of Absolute Reality,

who jumped off the Brooklyn Bridge this actually happened and walked away unknown and forgotten into the ghostly daze of Chinatown soup alleyways & firetrucks, not even one free beer,

who sang out of their windows in despair, fell out of the subway window, jumped in the filthy Passaic, leaped on negroes, cried all over the street, danced on broken wineglasses barefoot smashed phonograph records of nostalgic European 1930s German jazz finished the whiskey and threw up groaning into the bloody toilet, moans in their ears and the blast of colossal steamwhistles,

who barreled down the highways of the past journeying to each other’s hotrod-Golgotha jail-solitude watch Birmingham jazz incarnation,

who drove crosscountry seventytwo hours to find out if I had a vision or you had a vision or he had a vision to find out Eternity,

who journeyed to Denver, who died in Denver, who came back to Denver & waited in vain, who watched over Denver & brooded & loned in Denver and finally went away to find out the Time, & now Denver is lonesome for her heroes,

who fell on their knees in hopeless cathedrals praying for each other’s salvation and light and breasts, until the soul illuminated its hair for a second,

who crashed through their minds in jail waiting for impossible criminals with golden heads and the charm of reality in their hearts who sang sweet blues to Alcatraz,

who retired to Mexico to cultivate a habit, or Rocky Mount to tender Buddha or Tangiers to boys or Southern Pacific to the black locomotive or Harvard to Narcissus to Woodlawn to the daisychain or grave,

who demanded sanity trials accusing the radio of hypnotism & were left with their insanity & their hands & a hung jury,

who threw potato salad at CCNY lecturerson Dadaism and subsequently presented themselves on the granite steps of the madhouse with the shaven heads and harlequin speech of suicide, demanding instantaneous lobotomy,

and who were given instead the concrete void of insulin Metrazol electricity hydrotherapy psychotherapy occupational therapy pingpong & amnesia,

who in humorless protest overturned only one symbolic pingpong table, resting briefly in catatonia,

returning years later truly bald except for a wig of blood, and tears and fingers, to the visible madman doom of the wards of the madtowns of the East,

Pilgrim State’s Rockland’s and Greystone’s foetid halls, bickering with the echoes of the soul, rocking and rolling in the midnight solitude-bench dolmen-realms of love, dream of life a nightmare, bodies turned to stone as heavy as the moon,

with mother finally *****, and the last fantastic book flung out of the tenement window, and the last door closed at 4 A.M. and the last telephone slammed at the wall in reply and the last furnished room emptied down to the last piece of mental furniture, a yellow paper rose twisted on a wire hanger on the closet, and even that imaginary, nothing but a hopeful little bit of hallucination—

ah, Carl, while you are not safe I am not safe, and now you’re really in the total animal soup of time—

and who therefore ran through the icy streets obsessed with a sudden flash of the alchemy of the use of the ellipse the catalog the meter & the vibrating plane,

who dreamt and made incarnate gaps in Time & Space through images juxtaposed, and trapped the archangel of the soulbetween 2 visual images and joined the elemental verbs and set the noun and dash of consciousness together jumping with sensation of Pater Omnipotens Aeterna Deus

to recreate the syntax and measure of poor human prose and stand before you speechless and intelligent and shaking with shame, rejected yet confessing out the soul to conform to the rhythm of thought in his naked and endless head,

the madman bum and angel beat in Time, unknown, yet putting down here what might be left to say in time come after death,

and rose incarnate in the ghostly clothes of jazz in the goldhorn shadow of the band and blew the suffering of America’s naked mind for love into an eli eli lamma lamma sabacthani saxophone cry that shivered the cities down to the last radio

with the absolute heart of the poem butchered out of their own bodies good to eat a thousand years.

II

What sphinx of cement and aluminium bashed open their skulls and ate up their brains and imagination?

Moloch! Solitude! Filth! Ugliness! Ashcans and unobtainable dollars! Children screaming under the stairways! Boys sobbing in armies! Old men weeping in the parks!

Moloch! Moloch! Nightmare of Moloch! Moloch the loveless! Mental Moloch! Moloch the heavy judger of men!

Moloch the incomprehensible prison! Moloch the crossbone soulless jailhouse and Congress of sorrows! Moloch whose buildings are judgement! Moloch the vast stone of war! Moloch the stunned governments!

Moloch whose mind is pure machinery! Moloch whose blood is running money! Moloch whose fingers are ten armies! Moloch whose breast is a cannibal dynamo! Moloch whose ear is a smoking tomb!

Moloch whose eyes are a thousand blind windows! Moloch whose skyscrapers stand in the long streets like endless Jehovas! Moloch whose factories dream and choke in the fog! Moloch whose smokestacks and antennae crown the cities!

Moloch whose love is endless oil and stone! Moloch whose soul is electricity and banks! Moloch whose poverty is the specter of genius! Moloch whose fate is a cloud of sexless hydrogen! Moloch whose name is the Mind!

Moloch in whom I sit lonely! Moloch in whom I dream angels! Crazy in Moloch! Cocksucker in Moloch! Lacklove and manless in Moloch!

Moloch who entered my soul early! Moloch in whom I am a consciousness without a body! Moloch who frightened me out of my natural ecstasy! Moloch whom I abandon! Wake up in Moloch! Light streaming out of the sky!

Moloch! Moloch! Robot apartments! invisable suburbs! skeleton treasuries! blind capitals! demonic industries! spectral nations! invincible madhouses! granite cocks! monstrous bombs!

They broke their backs lifting Moloch to Heaven! Pavements, trees, radios, tons! lifting the city to Heaven which exists and is everywhere about us!

Visions! omens! hallucinations! miracles! ecstacies! gone down the American river!

Dreams! adorations! illuminations! religions! the whole boatload of sensitive bullshit!

Breakthroughs! over the river! flips and crucifixions! gone down the flood! Highs! Epiphanies! Despairs! Ten years’ animal screams and suicides! Minds! New loves! Mad generation! down on the rocks of Time!

Real holy laughter in the river! They saw it all! the wild eyes! the holy yells! They bade farewell! They jumped off the roof! to solitude! waving! carrying flowers! Down to the river! into the street!

III

Carl Solomon! I’m with you in Rockland

where you’re madder than I am

I’m with you in Rockland

where you must feel strange

I’m with you in Rockland

where you imitate the shade of my mother

I’m with you in Rockland

where you’ve murdered your twelve secretaries

I’m with you in Rockland

where you laugh at this invisible humour

I’m with you in Rockland

where we are great writers on the same dreadful typewriter

I’m with you in Rockland

where your condition has become serious and is reported on the radio

I’m with you in Rockland

where the faculties of the skull no longer admit the worms of the senses

I’m with you in Rockland

where you drink the tea of the breasts of the spinsters of Utica

I’m with you in Rockland

where you pun on the bodies of your nurses the harpies of the Bronx

I’m with you in Rockland

where you scream in a straightjacket that you’re losing the game of actual pingpong of the abyss

I’m with you in Rockland

where you bang on the catatonic piano the soul is innocent and immortal it should never die ungodly in an armed madhouse

I’m with you in Rockland

where fifty more shocks will never return your soul to its body again from its pilgrimage to a cross in the void

I’m with you in Rockland

where you accuse your doctors of insanity and plot the Hebrew socialist revolution against the fascist national Golgotha

I’m with you in Rockland

where you will split the heavens of Long Island and resurrect your living human Jesus from the superhuman tomb

I’m with you in Rockland

where there are twentyfive thousand mad comrades all together singing the final stanzas of the Internationale

I’m with you in Rockland

where we hug and kiss the United States under our bedsheets the United States that coughs all night and won’t let us sleep

I’m with you in Rockland

where we wake up electrified out of the coma by our own souls’ airplanes roaring over the roof they’ve come to drop angelic bombs the hospital illuminates itself imaginary walls collapse O skinny legions run outside O starry-spangled shock of mercy the eternal war is here O victory forget your underwear we’re free

I’m with you in Rockland

in my dreams you walk dripping from a sea-journey on the highway across America in tears to the door of my cottage in the Western night”

O meu poema favorito. É nisto que ando a meditar nos últimos dias.

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