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História do Futebol #6

As 7 décadas de Eusébio. Uma vida que dava para narrar uma autêntica enciclopédia.

O menino que cresceu num bairro pobre e jogador se fez no Sporting de Lourenço Marques, clube e filial que o antigo internacional português chamou de racista. Eu, um sportinguista não-racista, tenho Eusébio como um ídolo, mesmo apesar de toda a história que envolveu a sua contratação pelo Benfica e a incrível página de glória que o “King” escreveu pelo rival.

As duas taças dos campeões europeus, a primeira contra o Barcelona de Czibor e Kocsis (o tal amigo talentoso da selecção hungara de Puskas que se divertia, depois dos treinos, a jogar com o astro do Real um jogo de chuto a uma vara colocada sobre o terreno onde cada toque valia pontos). A segunda, dois anos depois contra o monstruoso Real Madrid de DiStefano, de Amancio Amaro, Francisco Gento, Ferenc Puskas e José Santamaria.

Os incríveis 638 golos em 614 jogos pela camisola do Benfica, 11 títulos nacionais, 7 títulos individuais como melhor marcador da primeira liga, onde por exemplo fez 40 golos em 1972\1973, feito que lhe valeu a 2ª bota de ouro europeia.

O mítico mundial de Inglaterra pelos “Magriços” – o jogo contra a União Soviética de Yashin, a aranha que confessou que apenas Eusébio lhe conseguiu marcar de grande penalidade. O jogo contra o Brasil. O jogo de sonho contra a Coreia do Norte. As lágrimas no fim do jogo contra a Inglaterra, sentindo a injustiça de uma selecção prejudicada pela organização para favorecer interesses da equipa da casa e de uma selecção que para muitos merecia ter sido ali coroada como a melhor do mundo.

As sucessivas rondas nos Estados Unidos e a história da ída a Salazar, que não lhe permitiu a transferência para o Inter de Milão por considerar o “pantera negra” como “património nacional”

O término de carreira no Sporting de Tomar, com passagem pelo Beira-Mar onde reza a história que Eusébio no fim do jogo contra o Benfica se recusou a bater um livre à entrada da área contra o seu clube do coração com o resultado em 2-2 por ter “amarelado” com tanto vermelho à frente.

As lágrimas no Euro 2004 e os berros a Ricardo aquando da marcação de grandes penalidades contra a Inglaterra.

O acompanhamento incondicional do Benfica e das selecções nacionais.

Não há preço que possa pagar o reconhecimento que tenho pela carreira de Eusébio e pelo sentimento patriótico de tudo o que fez pelo nosso país dentro e fora de campo.

Recentemente acusou o Sporting de ser um clube elitista e racista. São outras histórias. Se Eusébio viesse hoje a minha casa provava-lhe o racismo com um belo jantar, com um forte abraço e com um whiskzinho, bebida que este tanto aprecia (caso a saúde o permita) e que deixou o meu tio Manuel Carlos Branco a arder em 1500 francos suiços numa conta de hotel (uso de minibar) aquando de uma passagem do “King” pela casa do Benfica de Genéve.

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