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Chumbada

Chumbada. A proposta de revisão dos estatutos da Federação Portuguesa de Futebol. Novamente. Agora por “insuficiência de maioria qualificada” na Assembleia Geral que se realizou hoje.

Mais uma vez foi rejeitada a adaptação dos estatutos da FPF ao Novo Regime Jurídico das Federações Desportivas. Por casmurrice dos membros que compõem a Assembleia-Geral da FPF em chegar a um acordo, a Federação Portuguesa de Futebol continua de costas voltadas para a lei. As Associações não se parecem importar com os cortes de financiamento estatal que vão sofrer.

Não se esqueçam que a UEFA está atenta ao desenrolar desta problemática. Qualquer dia, irrompem por aí a dentro com a decisão de punir desportivamente a nossa selecção. A pena pode ir até à proibição (às nossas selecções) de participarem em provas internacionais durante 2 anos.

Tá-se bem, continuem assim. Assim vamos longe. Paulo Bento até pode garantir a qualificação no campo, mas de nada isso pode valer caso as “comadres” não se entendam nas Assembleias Gerais.

Se em breve excluírem a selecção portuguesa de uma fase final de um europeu, não se esqueçam que existe alguém sapiente dos meandros que se tecem na federação avisou…

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A incrível luta de galos

Ameaçados pela perda do poleiro, Gilberto Madaíl e seus pares decidiram segurar a capoeira e  fazer o que há muito já deveria ter sido feito: encheram o peito de coragem, despedindo de vez Carlos Queiroz antes que outro galo de maior porte, de nome Laurentino Dias, pudesse promover a autêntica revolução dentro do galinheiro da FPF.

Foi um verdadeiro despedimento à Portuguesa. Quando tiveram todas as armas para entalar Queiroz não o fizeram. Quando ainda estavam a tempo de arrumar a casa tendo em conta os compromissos da Selecção A, os Srs. da Federação andaram a brincar aos Processos Disciplinares e às audições de testemunhas de defesa pouco abonatórias que o seleccionador arrolou. Foi então preciso que outra autoridade punisse o agora ex-seleccionador e que o interino indigitado pela FPF perdesse 5 pontos nos primeiros dois jogos da qualificação contra selecções de menor potencial.

Nunca fui grande fã de Queiroz. Provei-o durante 3 meses neste espaço. No entanto, hoje dou-lhe alguma razão quando falou do funcionamento da FPF e de alguns membros da direcção, A FPF é uma autêntica oligarquia que não consegue conduzir um barco que está à deriva: sem objectivos e sem rumo. Sem rei nem roque.

Como referi no primeiro parágrafo deste post, esta foi uma decisão que já deveria ter sido tomada há muito tempo. Logo depois do mundial, à semelhança do que fizeram por exemplo os Franceses. Depois da fraca campanha de qualificação que Portugal tinha feito e de todo o turbilhão levantado na presença no Mundial, a opinião pública não era consensual quanto à manutenção de  Queiroz no comando da selecção.  No entanto, não deveria ser apenas a cabeça de Queiroz a rolar no quadro da Federação. Deveria ser feita uma limpeza tanto no quadro profissional como no quadro directivo da Federação. Creio que a começar, as primeiras cabeças a rolar deveriam ser as de Gilberto Madaíl e de Amândio de Carvalho, os principais responsaveis pelos fracassos das Selecções nas últimas duas décadas.

Para concluir, a FPF terá na minha opinião que contratar um seleccionador estrangeiro. Não é que vá adiantar alguma coisa nesta qualificação. Já está irremediavelmente perdida. Todavia, um seleccionador estrangeiro estará livre de todo o tipo de pressões. Com toda a calma poderá caminhar para uma renovação eficaz da mesma, tendo em vista o mundial de 2014.

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Uma pouca vergonha

A ADOP (Autoridade de AntiDopagem de Portugal) presidida por Luis Horta, através do Instituto do Desporto, um braço da Secretaria de Estado do Desporto decidiu punir o nosso Seleccionador Nacional Carlos Queiroz com uma sanção de 6 meses que impede o técnico de exercer a sua actividade profissional actual, a contar desde o dia 19 de Agosto de 2010.

O acordão do processo disciplina pode ser lido aqui.

Segundo a mesma entidade, é importante recordar a matéria de facto pela qual se partiu para o referido processo disciplinar a qual passo a transcrever:

” Importa aqui e agora, recordar a matéria de facto dada por assente pelo Conselho de Disciplina e que não merece a censura da ADOP:

1. O Prof. Carlos Queiroz, aqui arguido, é o Seleccionador Nacional de Futebol ao serviço da Federação Portuguesa de Futebol, competindo-lhe, designadamente, supervisionar e coordenar todas as selecções nacionais da FPF, em especial a orientação e por conseguinte o treino da Selecção Nacional A, prestando os seus serviços com disponibilidade para cumprimento de tarefas e planos de trabalho programados e dedicar ao Departamento de Futebol e de Formação da FPF todo o apoio técnico necessário ao sucesso dos objectivos da FPF.

2. A Selecção Nacional A preparando-se para a fase final do Campeonato do Mundo que viria a ter lugar na África do Sul, fez um estágio na Covilhã, aí tendo ficado hospedada em hotel.

3. No dia 16 de Maio de 2010, um pouco antes das 08:00 da manhã, três médicos da ADOP deslocaram-se a esse hotel da Covilhã, por terem sido notificados pelo Presidente da ADOP (Luis Horta) para aí realizarem a essa hora uma acção de controlo de dopagem (vulgo controlo-surpresa) aos jogadores da selecção nacional que se encontravam em estágio.

4. A ADOP é a sigla usada pela Autoridade AntiDopagem de Portugal, presidida pelo Prof. Dr. Luis Horta.

5. Aqueles três médicos, ao chegarem, dirigiram-se à recepção do hotel, foram recebidos pelo agente da PSP Manuel Borges, que os identificou e foi avisar da sua presença o Dr. Henrique Jones, médico da selecção.

6. Tratava-se de um controlo surpresa.

(…)

9. O Dr. Henrique Jones foi à sala de refeições, onde o arguido se encontrava, informar este de que havia um controlo de dopagem aos jogadores.

10. De seguida o Dr. Henrique Jones dirigiu-se aos médicos da ADOP a quem cumprimentou e tratou de despertar os jogadores.

11. Os médicos da selecção nacional trataram dos procedimentos logísticos para o controlo se realizar numa sala do hotel.

(…)

21. O arguido estava muito exaltado.

22. Os médicos do ADOP continuaram a deslocar-se para a sala onde decorreu o controlo sem terem retorquido às palavras do arguido.

23. Já na sala onde se realizou o controlo antidopagem os médicos da selecção nacional pediram desculpa aos médicos da ADOP por aquelas palavras proferidas pelo arguido.

24. O arguido não acompanhou os médicos à sala onde foi realizada recolha de amostras, operação a que não esteve presente.

25. Os médicos da ADOP entenderam que estavam reunidas as condições para desempenhar a sua missão e continuaram as operações do controlo antidopagem.

26. O médico da ADOP Dr. José Marques, declarou-se perturbado com a conduta do arguido tendo declarado que apesar da necessidade de estar concentrado no seu trabalho, não lhe saíam da cabeça as palavras do seleccionador.

(…)

29. A recolha de amostras decorreu com a melhor colaboração dos médicos da FPF e dos 7 jogadores seleccionados.

30. A FIFA informara em Fevereiro de 2010 que haveria um controlo de dopagem surpresa a todas as selecções nacionais antes da Fase Final do Campeonato do Mundo.

(…)

35. O arguido agiu consciente e livremente, sabendo que essas palavras eram ofensivas pelo menos para o Dr. Luis Horta, para a mãe do Dr. Luis Horta e para os médicos da ADOP perante quem as proferiu.

37. Pelo menos o Dr. Luis Horta sentiu-se ofendido com a actuação do indivíduo.”

As palavras proferidas pelo nosso Seleccionador Nacional foram:

1. (Perante a chegada dos médicos da ADOP) — “Quem são estes senhores? Controlo antidoping? À selecção nacional ? O Sr. Luis Horta quer é visibilidade”

2. (De seguida, proferiu as seguintes frases que validadas pelo processo disciplina instaurado pelo Conselho de Disciplina da FPF)

— “Foda-se! Caralho! Porque é que estes gajos não vão a esta hora fazer o controlo na cona da mãe do Luis Horta?”

(Estas palavras foram proferidas na frente dos médicos da ADOP e do Dr. Nuno Campos)

Isto foi o que o Conselho de Disciplina deu como provado. O Prof. Carlos Queiroz, em sede federativa e posteriormente numa entrevista pública justificou-se que no futebol português o uso do calão é frequente. Digo desde já que é um uso ridículo e de uma extrema má educação para uma pessoa que é Doutorada pela mais alta hierarquia do ensino Português.

Carlos Queiroz, em sede processual federativa também tentou justificar a sua ofensa, desculpando-se (devido às suas raízes culturais e linguísticas africanas) que quis referir o calão ” vai para a cona maím” que em Moçambique significa ” foste colocado em cona de mãeir para bem longe” referido que não quis ofender qualquer pessoa com o termo em vernáculo.

Quanto à pena de 6 meses aplicada pela ADOP não me pronuncio, sob o risco de não estar a ser correcto do ponto de vista jurídico. No entanto, se a punição prevista para o caso em questão era de 2 a 4 anos, interrogo-me o porquê de uma punição de 6 meses? Não quiseram estragar o resto da carreira a Carlos Queiroz?

Concluíndo, penso que neste acordão estão reunidas todas as condições para que a FPF retome este caso e de uma vez por todas tome uma decisão quanto ao actual seleccionador. Perante a extrema gravidade dos factos, os contribuíntes Portugueses merecem uma resposta adequada ao caso por parte de Gilberto Madaíl. Neste momento, penso que não existem condições para que Carlos Queiroz se mantenha no cargo que actualmente desempenha. No meu entender, a Federação deverá avançar para a rescisão do contrato que a liga a Carlos Queiroz não olhando a meios para o fazer. Com ou sem justa causa.

A imagem de Queiroz está extremamente desgastada e o Seleccionador não terá a tranquilidade necessária para continuar com o seu trabalho. Não terá capacidade suficiente para ter mão sobre os jogadores, para reagir de forma civilizada e coerente aos possíveis ataques que a imprensa poderá fazer e não representa uma vontade unânime dos contribuíntes Portugueses para continuar a desempenhar o actual cargo. Para esse efeito, no meu entender, a Federação deve desde já começar à procura de um novo técnico que já possa estar disponível nos próximos compromissos da Selecção Nacional. Agostinho Oliveira não é solução, sabendo-se de antemão que nestes primeiros encontros oficiais da Selecção com vista ao apuramento para o Europeu de 2012, este apenas irá executar no terreno tudo aquilo (que nos bastidores) lhe será indicado pelo actual Seleccionador Nacional.

Assim sendo, a Federação deverá cortar o mal pela raiz. Todos estes factos são gravíssimos e não são um bom espelho do futebol Português para as Instâncias Federativas Europeias e Mundiais, que ainda não se pronunciaram sobre uma possível intromissão do Governo Português (da Secretaria de Estado do Desporto através do Instituto do Desporto) no futebol, o que pode motivar um castigo federativo à FPF. No entanto há que relembrar que tanto a UEFA como a FIFA acabaram por não validar os castigos que prometeram às Federações de Futebol do Togo (devido ao incidente na CAN), da Nigéria e da França cujos governos se imiscuiram em assuntos federativos após a eliminação destas selecções do mundial.
O que se pode ressalvar disto é que é passa uma terrível imagem do nosso futebol, tendo em conta a Candidatura Ibérica aos Mundiais de Futebol de 2018 e 2022.

Quanto a Luis Horta, concordo que deva levar Carlos Queiroz para a barra dos tribunais, para que este seja punido pelas afirmações gravíssimas que proferiu. Cada um é responsável pelos seus actos. Já que dinheiro não é problema para Queiroz, em sede judicial, terá a oportunidade de tentar defender a sua honra, que desde já tem mácula.

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