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sócrates (I)

Sic Notícias – 19.25 – Nos estúdios da RTP, a jornalista entrevista o presidente da JSD e o creonte, com um discurso encomendado pelas damas ofendidas lá de São Bento,  apelida José Sócrates o campeão da dívida. Rapidamente, a jornalista deixa Hugo Soares a pregar aos peixes e o camaraman muda a lente para um grupo de senhoras que empunha rosas na recepção a José Sócrates à frente da entrada dos estúdos. Tudo isto é divino, purgante, uma coisa maluca, um cheiro de República Centro-Africana no reino da Étiopia. Isto é que é ser líder. O querido líder vai chegar e vai ver um grupo de senhoras de meia-idade de rosas em punho para a sua gloriosa recepção. E o presidente da JSD a falar pró prego. Líder que é líder tem que ser recebido com apoteose, com um fleurma caudilhista que faz deste nosso Portugal uma Bolívia plantada numa verruga de cú da europa. Isto é de um povo que nunca dorme. Isto é de um povo que também nunca acorda. Divino, divino, divino…

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só na Universidade Lusófona é que isto pode acontecer

Relvas pagou 1777 euros (inscrição, equivalências que não existiam, e propinas) para ter um curso à la minuta.

Faz-me lembrar a era socratinista e a sua obsessão com o programa das Novas Oportunidades. Venha cá, aprenda um português de 3º ano, um inglês macarrónico de 6º e saia daqui com o 12º ano prontinho para frequentar o ensino superior.

Antigamente, faziamos questão de saudar os péssimos condutores automóveis como salvas com “tiraste a carta por correspondência seu urso” – noutros casos, o urso era logo substituído por um impropério mais berrante. A suposta licenciatura de Relvas (o fascista; cognome utilizado desde sempre e para sempre neste blog) soa a uma licenciatura tirada por correspondência. Relvas nem sequer fez um exame ad-hoc. Valeu-se da experiência profissional adquirida na sede da nacional da JSD a assinar despachos para as comissões políticas regionais e logo aí teve equivalências a cadeiras de Ciência Política. Pululou entre História e Direito (sem nunca ninguém o ter visto pelas faculdades em questão) e a única cadeira que fez valeu-lhe outras 10 equivalência. Foi a Roma, a Berlim, a Paris, a Bruxelas, a Londres e a Estrasburgo, tendo da vista do Big Ben obtido as restantes equivalências às restantes cadeiras de Relações Internacionais. O sonho fez o homem, o homem fez a carne e a carne deu o curso a Relvas.

Todo este esturro sai precisamente no dia em que o Ministério da Exigência Educativa de Nuno Crato publica os excelentes resultados do exame nacional de Português. 9.6 de média à disciplina da Língua de Camões. Uma exigência danada. No entanto, como em terra de cegos quem tem olho é rei, é caso para dizer que infelizmente qualquer pessoa que saiba ler e escrever o suficiente em Portugal poderá arriscar-se a ter uma licenciatura como Miguel Relvas.

Mas atenção. Nesta macacada, juntando os galhos todos, ainda vêm dizer que Relvas está dentro da lei. Será que se eu arranjar o vidro do meu carro, terei automaticamente a licenciatura em Engenharia Mecânica e o mestrado em Mecânica de Automóveis? Se eu usar um beret basco, serei pintor e como tal terei direito à licenciatura em Arquitectura? A resposta dou-a de borla: sim, Relvas conseguiu. sim, dá direito. (mas porque Relvas conseguiu).

O pior desta história será obviamente mencionar a postura deste ministro. Ainda circula pelos corredores de São Bento. Sem vergonha de ter a sua pessoa envolida em escândalos das secretas, de estar acusado de vigiar e obter informações sobre a vida privada de 4 mil pessoas, de ter coagido psicologicamente uma jornalista a não apresentar uma peça jornalistica incómoda, e destinatário de um licenciatura mais forjada que a dita licenciatura de José Sócrates a um domingo. Ou seja, em São Bento, para além da incompetência do Ministro da Economia, da prepotência e do falhanço total das políticas do Ministro das Finanças, da arte de bem mentir do primeiro-ministro, da cristandade absoluta da Ministra da Agricultura e da pasmaceirice que se tem revelado noutros Ministros, temos um que não tem vergonha.

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Olha que pela boca morre o peixe

“”Se continuarmos a ser atacados por Lisboa, acho muito sinceramente que a próxima revolta dos madeirenses será pela nossa independência, para seguirmos os nossos próprios rumos”

“constantes ataques à Região por muita inveja e ódio, devido ao desenvolvimento e às condições de vida da nossa população”.

José Pedro Pereira, líder da JSD Madeira, deputado na Assembleia Regional madeirense

 

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Conversa de rapazes

Na Universidade de Verão, a conversa de Nuno Crato com os jovens militantes do PSD não está (do ponto de vista educacional) errada.

Quando somos pequenos, os nossos pais, os nossos tios e os nossos avós incentivam-nos a estudar para poder aceder a um melhor emprego do que eles tiveram e consequentemente a mais qualidade de vida.

A própria ideia de investimento na educação agregada à palestra do Ministro da Educação e do Ensino Superior é uma ideia correcta e bem diferente das ideias de desinvestimento que eram promovidas pelo seu antecessor no Ministério.

O problema coloca-se é quando chegamos a um patamar em que se consciencializou que para um país poder evoluir necessita de mais quadros técnicos, sendo para tal necessário voltar a um quadro de mais investimento no ensino e as políticas de criação de emprego não acompanham no mesmo sentido o incremento das duas primeiras premissas.

Muitos dos jovens licenciados, mestres e até doutorados nas mais diversas áreas, cujo emprego na área é escasso ou nulo, precisando portanto de trabalhar em qualquer coisa para pagar as contas ou sujeitar-se ao estigma dos recibos verdes, perguntam-se se valeu a pena investir tanto no seu percurso académico para no final não obter a remuneração e a satisfação em exercer a profissão que tanto desejaram.

É certo que no mundo actual, perante os moldes económicos que assistimos, a ideia Keynesiana do pleno emprego começa a ser uma ideia completamente irrealizável.

Uma grande percentagem dos jovens licenciados na última década em Portugal não arranjaram emprego na área no ano seguinte à conclusão da licenciatura e outros, passam anos e anos a pular de estágio profissional em estágio profissional antes de assinar um contrato de trabalho. 

Por outro lado, não sei onde é que o governo vai buscar as estatísticas que apresenta.

Nuno Crato apresentou uma estatística  na Universidade de Verão do PSD que dizia em que em 1982, a média dos ordenados de trabalhadores com quatro ou menos anos de escolaridade estava nos 527 euros, a média daqueles com escolaridade no ensino superior era de 799 euros e a dos licenciados nos 1399 euros mensais.

As médias enganam muito sobre os indicadores de um país. Daí que sejam muito vantajosas para os políticos. Mesmo assim, é de dúvidar estes valores apresentados pelo ministro para o ano de 1982.

A comparação com os valores médios actuais torna a demonstração muito mais ridículo. Segundo a estatística apresentada por Crato, em 2010, a média das remunerações dos trabalhadores com quatro ou menos anos de escolaridade passou para os 580 euros, dos trabalhadores que concluíram o ensino secundário passou para os 861 euros e dos licenciados para os 1625 euros.

Tomo os seguintes pontos como conclusões:

1. Como é possível apresentar estes números num país onde uma interessante percentagem dos trabalhadores recebe o salário mínimo nacional, remuneração que só este ano irá atingir a barreira dos 500 euros?

2. Se o salário médio dos trabalhadores com escolaridade baixa em 1982 era de 527 euros, porque é que hoje assistimos a uma média nacional de reformas assente nos 380 euros mensais?

3. Nuno Crato tem em consideração a quantidade de desemprego que existe entre os licenciados no nosso país e a quantidade destes que aufere rendimentos mensais abaixo dos 800 euros em relação à quantidade dos mesmos que aufere acima dos 1625 euros?

Ou todas estas estatísticas são exactamente iguais às estatísticas do antigo secretário de estado socialista Valter Lemos, ou seja, feitas na hora?

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